Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da VEREADOR LEONEL DE ESQUERDA

REALIZADA EM 09/14/2026


Íntegra Debate Público :

DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 14 DE SETEMBRO DE 2026

(Greve dos bancários da Caixa Econômica Federal e o custeio do Plano de Saúde Caixa)

Presidência do Sr. Vereador Leonel de Esquerda.

Às 14h47, no Plenário Teotônio Villela, sob a Presidência do Sr. Vereador Leonel de Esquerda, tem início o Debate Público com o tema “Greve dos bancários da Caixa Econômica Federal e o custeio do Plano de Saúde Caixa”.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Senhoras e senhores, boa tarde.
Dou por aberto o Debate Público com o tema “Greve dos bancários da Caixa Econômica Federal e o custeio do Plano de Saúde Caixa”.
A Mesa Diretora está assim constituída: em conjunto com o Congresso Nacional, o nosso Excelentíssimo Senhor Deputado Federal Reimont; o Senhor Presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira Pinto; a Senhora Presidente da Federação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro no Estado do Rio de Janeiro, Adriana Nalesso; o Senhor Presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro, Paulo César Matileti; a Senhora Presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro, Vera Lúcia Faria de Moraes; a Senhora Presidente da Associação dos Gestores da Caixa Econômica Federal/RJ, Maria Oliveira; o Senhor Vice-Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Vinicius de Assumpção Silva; o Senhor Rogério da Costa Campanate, representante titular da Federa-RJ na Comissão Executiva dos Empregados da Caixa.
Daqui a pouco eu anuncio aqui as presenças.
Olha, gente, eu sou o Leonel, Leonel de Esquerda, sou vereador dessa cidade aqui, no meu primeiro mandato pelo Partido dos Trabalhadores e das trabalhadoras.
E eu quero iniciar esse Debate Público já, de imediato, encaminhando, primeiro, o nosso objetivo, e em segundo, a nossa responsabilidade e o nosso comprometimento com essa luta, que está sendo já histórica, dos bancários e das bancárias da Caixa. Eu que sou sindicalista, foi assim que me aproximei dos meus amigos bancários, das minhas amigas bancárias, por ser presidente também de um sindicato, por também ser empregado público de uma empresa pública dependente do Tesouro. Eu sou radialista e sou concursado da Empresa Brasil de Comunicação. Eu passo na pele, na luta, e sei muito bem o que é negociar, tanto com aqueles governos que são inimigos do povo, aqueles que gostam de privatizar empresa pública e querem sucatear as nossas empresas, arrochar nossos salários, quanto também já participei inclusive de greve também em negociações diretas com governos que a gente ajudou a eleger. E é por aqui que eu quero começar esse debate. Eu vou escutar mais do que falar aqui hoje, mas eu quero obviamente, antes de passar aqui para o meu deputado, que me inspira, Reimont, eu quero dizer para vocês que a gente, a partir desse Debate Público, o que a gente vai fazer aqui é exatamente fortalecer o movimento que está bonito, está sólido, está fazendo com que o governo volte a prestar atenção na questão da Caixa e, principalmente, a Saúde Caixa.
Para começo de conversa, se fomos nós que ajudamos a eleger, se o governo é do Partido dos Trabalhadores, se esse governo que ajudamos a eleger é um governo que foi carregado e eleito pela classe trabalhadora, o que eu, enquanto vereador, enquanto militante do Partido dos Trabalhadores preciso e devemos fazer é direcionar esse governo para que não retire direitos da classe trabalhadora.
Nós sabemos que a Caixa Econômica Federal, que é uma das maiores instituições, quiçá a mais estratégica instituição hoje, depois que entregaram o Banco Central para o mercado financeiro, talvez seja a Caixa, hoje, sem dúvida, a instituição mais fundamental para quem defende a soberania nesse país. E se essa instituição é fundamental e ela é essencial, ela só vai se transformar e permanecer assim, se valorizar os trabalhadores. Mexer em um direito fundamental que é a saúde do povo trabalhador é inadmissível, e precisamos dizer isso para aqueles que hoje estão no comando da Caixa Econômica Federal, que a gente sabe que não é do nosso campo. Não é do nosso campo, é um acordo que infelizmente a gente faz porque é necessário, porque o presidente Lula fez porque é necessário, mas que, já que nós somos do Partido dos Trabalhadores, nós temos o dever de denunciar quando está tendo equívoco. E é isso que nós vamos fazer nesse Debate Público. E eu quero começar dizendo sobre a lamentável postura do Presidente Carlos Vieira de não ter a coragem de ter colocado a cara aqui nesse Debate Público.
Nós precisamos eleger um Congresso amigo do povo para a gente não ficar refém desse maldito centrão, a verdade é essa, gente.
Olha... olha, gente, eu vou ouvir mais a partir de agora, mas como eu estou dividindo aqui este debate com o meu amigo e o cara que me inspira, o Reimont, vou passar a palavra para o Reimont para ele também fazer essa abertura e depois a gente passa a palavra para a Mesa.
Anunciar aqui a presença do Sr. Eliomar Coelho, que foi vereador aqui desta Casa de Leis e foi deputado estadual do Rio de Janeiro; do Sr. Milton Salomão, que foi deputado estadual e executivo do PSB do Rio de Janeiro; do Sr. presidente da Associação dos Servidores da Antiga Caixa Econômica Federal e BNH, Afonso Henrique Costa; do Sr. conselheiro do Conselho Deliberativo da União Nacional dos Economiários Inativos, Sebastião Rufino; do Sr. Cyro Garcia, que foi deputado federal, ex-presidente do sindicato; do Sr. Ronaldo Peçanha, presidente da União Nacional dos Economiários e da Caixa. Ou seja, este debate público tem um sobrenome: é o debate público da unidade em prol dos direitos dos bancários e das bancárias da Caixa Econômica Federal.
Reimont, por favor.

O SR. DEPUTADO FEDERAL REIMONT – Quero lhe cumprimentar, parabenizar pela abertura que você faz aqui, muito coerente com tudo que nós queremos, desejamos para este debate público. Quero cumprimentar aqui também todas as empregadas e empregados da Caixa Econômica Federal. Quero cumprimentar aqui as nossas lideranças femininas que estão nesta Mesa, lideranças sindicais, lideranças associativas, na pessoa da Dra. Vera, nossa querida companheira da Caixa Econômica Federal, na pessoa da nossa querida ex-presidente do Sindicato dos Bancários e atualmente presidente da Federa, Adriana Nalesso, também da nossa querida Maria, nossa companheira da PCEF, cumprimentar também aqui os companheiros José Ferreira, que é presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, o companheiro Matilete, esse companheiro querido, também da Caixa Econômica, também o Zé Ferreira, Vinícius Assumpção e nosso querido Campanate. Para vocês verem, a gente aqui se conhece, a gente sabe chamar um pelo nome, um e outro pelo nome.
Quero dizer para vocês que a luta que vocês empreendem nesses dias, ela é uma luta que o Brasil inteiro espera que seja vitoriosa. E nós não abrimos mão daquilo que é a reivindicação das empregadas e dos empregados da Caixa. Nós estamos falando isso há muitos dias, desde o processo do ACT, desde o processo de construção dos nossos acordos coletivos, quando vocês colocaram que era importante discutir de modo particular três pontos: a derrubada do limite de custeio, do limitador de custeio de 6,5%, da Caixa Econômica Federal, que é previsto em lei, mas que nós queremos derrubar isso, e essa é uma luta nossa. A greve está dizendo isso, nós queremos derrubar esse limite de custeio.
Depois, nós temos também outro ponto para este debate público, que é a retomada do chamado 70/30, no qual a empresa, a patrocinadora, ela cuida de ficar com 70% e apenas 30% para os empregados – é um segundo ponto – de que nós não abrimos mão.
E depois, muitos de nós que estamos aqui também pensando em causa própria, a gente não quer de maneira alguma a inclusão de faixa etária. Vamos acabar com isso. Vamos acabar com isso. Muitos de vocês me conhecem, eu quero me afirmar aqui. A minha identidade, eu sou um parlamentar do Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores. Nunca militei em outro partido e reconheço a grandeza do meu partido, mas também sou um homem capaz e sensível para entender as nossas limitações e os nossos equívocos. E quero dizer: o tratamento dado à Caixa Econômica Federal pelo Sr. Carlos Vieira é um tratamento equivocado, e a gente está aqui para derrubar esse tratamento.
A Caixa Econômica Federal, companheira Adriana Nalesso, tem 87 mil empregados mais ou menos. Ela tem uma carteira de 157 milhões de clientes. É possível que não haja uma casa neste país, uma família bancarizada, em que não seja cliente da Caixa algum de seus membros. São 157 milhões de clientes.
Eu sou empregado do Banco do Brasil. Mas, na minha casa, na minha família, nós somos 13 filhos. Dos 13 filhos, nove somos bancários: três do Banco do Brasil; da Caixa Econômica de Minas Gerais, a Minas Caixa, uma irmã; e, da Caixa Econômica Federal, cinco irmãos. Nós somos uma família de bancários, de bancários públicos. Dos meus irmãos bancários, um deles, o mais bonito deles, está sentado ali em cima, é o Rui. Está ali o Rui César, o nosso companheiro empregado da Caixa. Mas, lá em Minas Gerais, tem o Reginaldo... É tudo com R, viu, gente? Reginaldo, Ronaldo, Romero e Renilce. E eu, Reimont, do Banco do Brasil, e o Rui também da Caixa Econômica.
Nós sabemos o que é a luta do trabalhador bancário. Nós sabemos muito bem o que é jornada exaustiva. Nós sabemos muito bem o que é assédio. Vocês da Caixa Econômica Federal viveram, na gestão de Bolsonaro, o que foi o assédio, de modo particular às mulheres. E nós não engolimos, e ainda queremos justiça para com as mulheres empregadas da Caixa Econômica Federal. O que aconteceu foi uma vergonha. E o nosso governo, o governo do Presidente Lula, já devia ter se esforçado ainda muito mais para tirar a limpo o assédio que viveram, de modo particular as mulheres empregadas da Caixa Econômica Federal. Nós não nos calamos em relação a isso.
Desde que toda essa conversa começa, eu fiz muitos movimentos em Brasília. E quero dizer para vocês, talvez vocês já saibam, que estava marcada para hoje, às 10 horas da manhã, uma reunião da nossa bancada com o presidente da Caixa, Carlos Vieira. Essa reunião foi adiada para amanhã. Amanhã, às 10 horas da manhã, nós vamos fazer uma reunião com o presidente da Caixa. Eu, por um único motivo, se fosse hoje, teria rumado para Brasília. Mas amanhã eu já tenho uma agenda no norte e no noroeste do estado, que já está marcada há mais de um mês. E eu não posso frustrar também aquelas cidades para onde vou: Campos, Bom Jesus de Itabapuana, Itaperuna, Cardoso Moreira, São João da Barra, onde vou estar nesses próximos dias. Exclusivamente por isso, não estarei em Brasília amanhã na reunião com Carlos Vieira. Mas a nossa companheira, empregada da Caixa Econômica Federal, a nossa querida Erika Kokay vai acompanhar, passo a passo, a reunião de amanhã e vai nos manter informados para a gente ver que caminho a gente fará.
Eu fiz uma carta aos diversos setores do governo, desde o Ministério de Gestão e Inovação até o presidente da Caixa, até a Secretaria-Geral da Presidência da República, até a Secretaria de Relações Institucionais, até o Ministério da Fazenda, dizendo que nós não abrimos mão, nós estamos ao lado dos empregados da Caixa para a questão da derrubada do limitador de custeio, para a questão do 7030 e para a questão da não inclusão da faixa etária. Nós estamos fazendo esse movimento.
Quero aqui também, como disse o Leonel, dizer para vocês que eu também quero mais escutar. Portanto, já estou falando mais do que devia e vou parar por aqui. Mas quero dizer: contem com o nosso mandato. Eu tenho a consciência muito clara, desde que ingressei nas fileiras do Partido dos Trabalhadores, de que eu ingressei num partido que me permite questionar, inclusive, algumas posturas de gente que governa nossas empresas quando nós estamos governando o país. Carlos Vieira não é um membro do Partido dos Trabalhadores, não há nenhum desrespeito da minha parte em relação a ele, mas eu não concordo com aquilo que está colocado em relação ao Saúde Caixa. E nós estamos aqui para lutar para essas derrubadas em defesa dos empregados e das empregadas da Caixa Econômica Federal. Contem muito conosco.
E quero dizer também que aqui essa relação que faço em Brasília, que o Leonel de Esquerda faz aqui na Câmara Municipal, está alinhada, alinhada ao sindicato, ao meu sindicato, ao Sindicato dos Bancários e das Bancárias do Rio de Janeiro, que é presidido hoje pelo Zé Ferreira, mas que é um sindicato de luta, que não abre mão de estar na mesa de negociação para, até o fim, insistir, que é como a gente defende trabalhadores e trabalhadoras. E alinhado também com a minha Federação dos Sindicatos Bancários, que é a querida Adriana Nalesso.
Nós, aqui no Rio de Janeiro, estamos alinhadíssimos, estamos juntos na luta. Contem sempre conosco. Vamos juntos, vamos unidos para a vitória, não tenho dúvida.
E outra coisa, nós chegaremos, já estamos chegando, já falamos, já sabe do nosso movimento, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Palmas)
Aí eu devolvo, devolvo a palavra para o Leonel.
Alô, Carlos Vieira, nós estamos aqui na Câmara Municipal, estamos esperando o anúncio. Se anunciar, a gente sai para a escadaria e faz festa.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Olha, gente, é o seguinte, eu vou passar a palavra agora para o Vinicius Assumpção, depois para a Adriana Nalesso, depois para o José Ferreira. Só que é o seguinte: tem pelo menos 200 pessoas lá fora, porque se esgotaram todos os lugares, tanto aqui nas galerias, no Plenário da Câmara Municipal, quanto no Salão Nobre. Já tem 80 pessoas nos assistindo agora no Salão Nobre. Infelizmente mais de 200 pessoas estão lá fora.
O que eu vou fazer agora? Eu vou passar a palavra. Enquanto vocês estiverem falando, vou pedir para o cerimonial aqui já abrir o microfone do próximo, quando terminar, porque eu e o Reimont, nós vamos lá fora. Vou pedir para a Maria ir com a gente lá. Vamos lá fora conversar com o povo e pedir para o povo ficar mobilizado aqui na escadaria, para, assim que terminar, nós encontrarmos com todo mundo aqui na Praça da Cinelândia. E aí a gente transforma o encaminhamento desse Debate Público em uma grande manifestação, como o Reimont disse, para chegar nos ouvidos do nosso Presidente Lula. Beleza?
Eu vou passar a palavra aqui para o Vinicius Assumpção. Cerimonial, vai aqui controlando o microfone, porque nós vamos rapidamente aqui, eu e o Reimont, e a gente já volta.
Eu não posso sair, não é? Então, se puder, Reimont, vai lá. Eu não posso sair daqui, senão o debate para. Vamos lá, eu vou passar aqui, infelizmente... Mas vou pedir para Maria e alguém ir lá fora falar com o povo, para o povo ficar mobilizado lá. Por favor.
Você vai lá, Vera? Está bom, Doutora Vera. Então, a Doutora Vera vai lá com a Maria. Explica para o povo, para o povo ficar mobilizado lá fora.
Isso, ótimo, doutora Vera.
Por favor, Vinícius Assumpção.

O SR. VINICIUS DE ASSUMPÇÃO SILVA – Boa tarde às companheiras, companheiros. Primeiro eu queria fazer uma saudação especial aos meus dois parlamentares, dos quais eu tenho muito orgulho de estar próximo, de ajudar, de acompanhar os mandatos.
A mim nada surpreende a atitude do Reimont e do Leonel de chamar um Debate Público para nos ajudar nesse processo difícil, mas um processo também, digo de início, Reimont, já vitorioso pela mobilização que o funcionalismo da Caixa Econômica vem fazendo.
Eu acho que é uma demonstração de força, mas fundamentalmente uma demonstração de indignação, porque é o funcionalismo da Caixa Econômica que constrói esse banco público, o banco do povo brasileiro, o banco que hoje atende grande maioria da população mais carente desse povo. É o povo que é a transmissão dos projetos sociais, de inclusão social.
Se não tem a Caixa Econômica e não tem dentro das suas unidades o funcionalismo da Caixa Econômica, nada disso poderia estar acontecendo.
Então, essa campanha, essa greve, essa mobilização, ela é uma mobilização para pedir dignidade, para acabar com assédio moral dentro das unidades. Nós temos um processo negocial muito difícil. Deixa só aqui, no meio do meu discurso, falar para alguns que não me conheceram: eu presidi o Sindicato dos Bancários de 2003 a 2009, por dois mandatos aqui, do Rio de Janeiro. Hoje estou na vice-presidência da Contraf e liderei, junto com vários companheiros, uma greve de 30 dias em 2004. E foi uma greve em que nós saímos, talvez, Campanate, não com resultado econômico, mas nós saímos com a nossa dignidade intacta. Nós saímos com a mobilização de que o Rio de Janeiro puxou, que a gente construiu um processo.
Agora, nós precisamos ter nesse aí o debate que nós temos que fazer, daqui para frente, que eu falei de desafio, é o desafio de essa solução dentro de um processo negocial por Saúde Caixa, para os companheiros da TI, para discutir o Super Caixa. Porque não é possível, não é possível, ô Leonel, a gente ter dentro da Caixa Econômica funcionários com regulamento diferente, com metas que adoecem. Eu falo de regulamento diferente, é o bancário de agência ser cobrado por um... Eu não sei se todos aqui têm conhecimento, devem ter aqui no Plenário, mas tem companheiro nosso que atende em uma tela de computador e ele é obrigado a atender simultaneamente presencial. Ele fica com dois, tal é a exploração. Tal é a exploração. Isso que eu estou citando aqui, isso não é, isso não será resolvido apenas em um processo negocial, apenas em uma mobilização. Isso é, para mim, um início de um processo que nós precisamos avançar e precisamos construir juntos, melhoria da condição de trabalho, melhoria de saúde e realmente um banco público para todos.
Eu não tenho a menor dúvida de que nós vamos sair vitoriosos, vamos ter... Eu escutei de um companheiro, para concluir, que a gente deveria ir para o TST de qualquer maneira. Eu vivi essa experiência e digo para vocês: em 2004, depois de 30 dias de greve, nós não tivemos nenhum resultado econômico, social, dentro de um tribunal. Porque o tribunal decide por si só. Ele decide as questões básicas, ele não decide simplesmente a nossa convenção coletiva. Ele joga no lixo todos os nossos ganhos sociais. Isso nós temos que ter cuidado, porque nós temos, dentro do nosso ACT, a nossa convenção coletiva, uma série de vitórias que foram construídas não por uma gestão sindical, mas por uma década de companheiros e companheiras – como a doutora Vera, que está aqui hoje ainda na luta – que construíram.
Então, eu não tenho a menor dúvida de que a força dessa campanha será vitoriosa. E Leonel, vou usar a sua frase, que você me permita: até que o último de nós vença e todos os funcionários da Caixa Econômica tenham a dignidade e tenham respeito dentro do seu local de trabalho.
Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado, Vinicius. Vou passar a palavra agora, então, para Adriana Nalesso, Presidente da Federa, da Federação das Bancárias e dos Bancários do Rio de Janeiro. Por favor, Adriana.

A SRA. ADRIANA NALESSO – Boa tarde às companheiras e companheiros. Inicialmente, eu quero me apresentar para vocês, porque eu gosto de fazer isso. Eu me identifico e sou uma trabalhadora, uma trabalhadora bancária. Antes de ser bancária, eu sou uma trabalhadora, porque eu faço parte de uma classe social. E a gente vive um momento na sociedade no qual se dizer trabalhador e trabalhadora parece que é vergonha, não é? Todo mundo é empreendedor, todo mundo vira PJ e não: nós somos trabalhadoras e trabalhadores e nós temos muito orgulho daquilo que construimos. Somos trabalhadoras e trabalhadores. Queremos direitos, queremos ser respeitados, queremos, sim, ter PLR, queremos, sim, ter estabilidade.
Eu sou uma trabalhadora oriunda de um banco que foi privatizado, o Banco do Estado de Minas Gerais. Então, eu conheço as diferentes realidades, eu acho que é importante destacar isso. Hoje em dia, eu estou funcionária do Banco Itaú, que comprou, na verdade, boa parte dos bancos estaduais na época do Governo Fernando Henrique Cardoso, que entregou os bancos estaduais que são tão importantes para a economia local.
Porque é isso: você precisa ter bancos estaduais para fomentar a economia local, para ter investimentos no estado.
Então, eu sou oriunda de um banco que foi privatizado e sei muito bem o que é ser de um banco público e depois virar uma trabalhadora de um banco que foi privatizado. Meu companheiro José Ferreira fez o caminho inverso, gente, ele era do Unibanco e passou para a Caixa, está mais feliz que eu. Enfim, só para a gente rir um pouquinho.
Mas eu quero saudar a Mesa, eu quero saudar o meu Vereador Leonel de Esquerda. Obrigado pelo espaço que você está dando aqui para nós nesta Casa, que é a Casa do Povo, embora queiram dizer que não é, mas aqui é a nossa casa, afinal de contas somos nós que elegemos, somos nós os detentores do poder do voto.
Quero também agradecer o companheiro Reimont, que é o nosso deputado federal, que está lá e nos defende, defende a categoria bancária, buscando sempre dialogar sobre os riscos que tem a perda de direitos, não só para a categoria bancária, mas para as trabalhadoras e trabalhadores.
Então, quero saudar o meu presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, companheiro José Ferreira; o meu presidente da APCEF, Paulo Matileti; o companheiro Rogério Campanate, que é da Comissão de Empresa da Caixa Econômica Federal; o companheiro Vinicius, que é vice-presidente da nossa Confederação; e a companheira Vera, que não está aqui, foi falar com o pessoal que está lá fora.
Quero dizer do orgulho que eu tenho de vocês, viu? Porque é isso, é através da luta coletiva que, de fato, a gente avança, superando as nossas diferenças, porque a gente tem públicos diferentes, tem os aposentados, tem o pessoal da ativa, tem demandas diferentes. Então, eu acho que essa luta coletiva é o que faz, é o que move a classe trabalhadora. Então, quero muito parabenizar cada bancária e bancário da Caixa Econômica que está aqui, que está aqui na luta, que está resistindo. Eu acho que isso é um exemplo, um exemplo de organização, de força.
Quero falar também da importância que vocês têm, porque eu fui também presidente de sindicato de bancários, no Rio de Janeiro; hoje eu estou, não sou, porque eu presido uma instituição, então eu não sou nada, eu sou uma trabalhadora, eu estou presidenta da Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores do Ramo Financeiro no Estado do Rio de Janeiro, mas eu acompanhei muito de perto a dedicação e a luta de vocês no momento mais difícil que o nosso país atravessava, que foi durante a Covid-19.
A gente viu na pandemia que a Caixa Econômica não parou, porque ela é fundamental no atendimento e no acolhimento daquelas pessoas que mais precisam das políticas sociais implementadas pelo governo. Isso é tão importante, não é? Porque hoje a Caixa Econômica, que é 100% pública, é a detentora e é ela que faz essa interlocução entre aquele que precisa do pagamento de programas sociais com o governo. Então, eu quero parabenizar vocês pelo trabalho que realizam, dizer que vocês são, sim, exemplos, são, sim, referência de luta e organização e que nós não podemos admitir que, se utilizando de uma coisa que é tão nociva para a classe trabalhadora, que foi a reforma trabalhista e o fim da ultratividade, usem isso como ameaça para retirar direitos de vocês.
Não, nós não podemos admitir que o fim da ultratividade seja um argumento dessa gestão da Caixa Econômica para dizer para vocês que vocês vão ficar sem direitos. Isso não pode ser utilizado como subterfúgio, não pode.
Aliás, a reforma trabalhista tem que ser revogada, ela tem que ser revogada, porque trabalhador tem que ter direitos, tem que ser respeitado, tem que ter salário digno, tem que ter direito a descanso, sim. E a gente está junto com outros trabalhadores que não têm a escala 5x2, assim como nós temos. Mas é importante lembrar que a Fenaban e os bancos quiseram acabar com a nossa jornada de 5x2. Colocaram cinco projetos de lei no Congresso Nacional para fazer a gente trabalhar sábado, domingo e feriado. Tem um banco que é estrangeiro, espanhol, que inclusive ousou tentar abrir agências ao sábado com o trabalho voluntário para atender às famílias endividadas. Gente, isso é um absurdo! Mas é isso que a gente vive, é nesse cenário que a gente vive e a gente não pode abaixar a cabeça. Então, nesse sentido, vocês estão de parabéns pela organização, pela luta e pela resistência. Porque não irão nos calar, ainda estamos aqui. Nós somos trabalhadoras e trabalhadores organizados e precisamos, sim, avançar. E avançar no sentido do diálogo, no sentido da retomada do processo de negociação, no sentido de que a Caixa, e quem está à frente da Caixa, respeite as trabalhadoras e trabalhadores. Saibam e tenham a certeza de que não é com ameaça que eles vão ganhar, não é no grito que eles vão ganhar, porque se é para ameaçar e gritar, a gente também sabe lutar. Não é isso, gente? A gente também sabe lutar! Então não é com ameaça. Não é!
Fora Vieira! Fora Vieira! É isso aí.
Então, pela retomada do diálogo, pela retomada do processo de negociação e, principalmente, pela valorização de cada trabalhador e cada trabalhadora da Caixa Econômica Federal. Seguimos firmes, juntos e de cabeça erguida. Vamos lá!

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Gente, vamos lá, dando andamento aqui no debate, é o seguinte: nós temos limitação de tempo, não tem jeito, mas eu sei que tem muita gente querendo falar e é importante serem ouvidos. As meninas do Cerimonial estão ali, quem quiser fazer uso da palavra, se inscreve. Eu vou abrir 10 inscrições de dois minutos, mas se passar de 10 pessoas, eu sorteio. Eu vou ter que sortear, porque, infelizmente, mais de 10... Mas vamos medindo o tempo. Eu sorteio é 10, se o tempo permitir, a gente abre para mais algumas pessoas. Beleza? E aí o pessoal que está, inclusive, nas galerias, se quiser procurar alguém, sendo sorteado, a gente pede até para descer, para a gente tentar ampliar ao máximo.
Ciro, você não precisa se inscrever, que eu sei que você vai querer falar mesmo de qualquer jeito, já está até aqui. O seu papel já está até aqui. Eliomar também.
O Vinícius Assumpção. Fala, Vinícius, fala você então, fala aí.

O SR. VINICIUS DE ASSUMPÇÃO SILVA – É que não cabe todas as entidades aqui por causa da falta de cadeira. Você vê que eu e o Reimont estamos no banquinho aqui. E aí eu acho que faltou uma entidade que deveria estar aqui em cima. Eu, como já falei, eu vou para o Plenário, e eu queria chamar a Maristela aqui, presidente da UNEI, para poder fazer parte aqui da Mesa, no meu lugar, está bom?

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Ótimo! Como o Vinicius já falou pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF), a gente traz a Maristela, e aí ficam todas as associações aqui representadas.
Aproveitando, vou passar a palavra então para o Matileti.
Matileti, por favor, está representando a associação, a PCF. Por favor.

O SR. PAULO CÉSAR MATILETI – Quero dar uma boa tarde a todos e a todas. Eu quero parabenizar o corpo de funcionários da Caixa Econômica e quero pedir uma salva de palmas para vocês.
Porque nesses últimos anos que eu vivencio aí esse movimento sindical, fui vice-presidente do Sindicato do Rio de Janeiro, hoje estou presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federa (APCEF), de coração, nunca vi uma greve tão importante, significativa, como nós todos estamos vendo agora. Eu acho que surpreendeu porque a gente há muito tempo não tinha essa unidade. Essa unidade de todos, não tem separação: é TB, é gerente, são todos juntos nessa luta, enfrentando esse governo que é o Carlos Vieira, que está lá por causa do Centrão, do seu Lira que colocou ele lá. Vocês conhecem a história do Lira, não é? Então esse cara vem fazendo. Mas ele não sabia a força que tem o corpo de funcionário da Caixa Econômica Federal.
E agora ele está vendo o que representa. E essa greve tem que continuar mais forte, dia após dia. Não pode parar, até eles chamarem para uma negociação decente, que atenda a reivindicação de nós, funcionários da Caixa Econômica. Porque esse 70/30 tem que cair, tem que cair, entendeu?
Então é cair a limitação. O pessoal já está sabendo, o pessoal já sabe, está no dia a dia.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – É o contrário, 70/30 tem que ficar.

O SR. PAULO CÉSAR MATILETI – É isso aí.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – 50/50 tem que cair.

O SR. PAULO CÉSAR MATILETI – E a faixa etária? É um absurdo que os aposentados que deram sua vida, que muitos tiveram na luta, hoje estão aí, nas suas costas, pagar um valor a mais. E a gente sabe que muitos necessitam, que muitos precisam do Saúde Caixa. Muitos são dependentes do Saúde Caixa, como nós todos. E muitos estão aí na vida precisando, e nós, ativos, temos que estar junto com esses companheiros. Então, temos que estar todos juntos nessa luta, independentemente de quem é ativo e de quem é aposentado.
Pessoal, eu estou assim muito feliz, muito emocionado de ver essa luta de todos. Um a um, não tem aqui quem está fora ou quem está dentro, está todo mundo dentro. E aí, eu continuo pedindo a vocês: vamos continuar essa greve, não vamos recuar, vamos até o fim.
Eu acho que nós temos que conseguir essa vitória, é importante essa vitória para mostrarmos ao Carlos Vieira e essa sua diretoria, que para mim se tornou fascista em ameaçar quem dá lucro para a empresa – que é o corpo funcionário da Caixa Econômica –, esse povo aí que está no dia a dia que, vimos na pandemia, era um povo que estava lá recebendo aqueles mais humildes, o Bolsa Família, e ninguém fez nada. Você ia às agências, estavam lá todos de frente atendendo esse povo humilde que precisa da Caixa Econômica, da gente. E os funcionários, eu vi a satisfação e alegria de atender esse povo. E isso emociona, porque era o único banco que estava lá nessa luta diariamente. Começava de manhã, ia até a noite, e atendia até o último cliente, quem quer que seja.
Então, pessoal, a gente tem que valorizar, a direção tem que entender que o lucro que vem dessa empresa é desse corpo de funcionários. Então, Carlos Vieira, isso é só um recado para você. Espero que amanhã, como o Reimont falou, que os parlamentares achem uma solução para isso, porque a gente ir para a justiça, como o Vinícius falou, ficamos 30 dias, e isso é muito pior do que a nossa proposta. A justiça não dá nada aos trabalhadores, ela faz o contrário, ela retira dos trabalhadores. Temos que ter consciência disso.
Pessoal, eu quero aqui agradecer a vocês e parabenizar mais uma vez por essa luta. E aí, Carlos Vieira, fora! Fora, Carlos Vieira!


O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Vou passar a palavra agora para o presidente do Sindicato dos Bancários e das Bancárias aqui do Rio, José Ferreira.

O SR. JOSÉ FERREIRA PINTO – Boa tarde a todos os companheiros e companheiras.
Quero pedir licença aos meus companheiros e companheiras da Caixa para, antes de falar das nossas questões da Caixa, falar de política e falar da importância de elegermos trabalhadores para o parlamento. Falo daqui... quem vê, por exemplo, o ex-dirigente do Sindicato dos Engenheiros, e um dos sindicatos que foram fundamentais para a construção da Central Única dos Trabalhadores no Rio de Janeiro, companheiro Eliomar Coelho. Antes de ser vereador, foi um trabalhador e foi um dirigente sindical. Vejo aqui, ao lado dele, meu companheiro, ex-presidente do nosso sindicato, Cyro Garcia, que também teve a sua passagem pelo parlamento durante um período. Vejo lá ao fundo Nilton Salomão, também ex-deputado estadual, que passou pelo movimento associativo da Caixa.
Então, eu quero mostrar com isso que a gente hoje ocupa este Plenário e ocupa a galeria num espaço todo tomado pelos trabalhadores e trabalhadoras da Caixa. E temos isso porque conseguimos eleger um tr
abalhador aliado da classe trabalhadora para o parlamento aqui do Município do Rio de Janeiro, que é o companheiro Leonel de Esquerda. Ajudamos a eleger um parlamentar, um colega nosso de profissão, o companheiro Reimont, funcionário hoje aposentado do Banco do Brasil. Portanto, é importante a gente, neste ano que tem eleição, a gente olhar para a Presidência da República, mas olhar também para quem a gente vai escolher no parlamento.
Dito isso, eu quero, mais uma vez, quebrar o protocolo e convidar a Doutora Vera, por favor, que venha aqui perto de mim. A gente ouve muito uma frase, da companheira Marielle: “É na luta que a gente se encontra”. Eu queria começar a falar da nossa luta. Sou bancário da Caixa desde 1º de dezembro de 2003. E, quando eu fui lá fazer o exame admissional na Caixa, tinha uma senhorinha lá, a Doutora Vera, que fez o meu exame admissional na Caixa em 2003. Só que aquela Doutora Vera, a gente se encontrou na luta, se encontrou em muitas lutas.
E aí eu quero dizer aqui e render uma especial homenagem a essa companheira, que continua a luta e continua a ser um exemplo para todos nós, e continua a ser um pilar da construção da unidade de que tanto precisamos. Doutora Vera, minha especial homenagem à senhora nesta luta que a gente está criando. Nós temos certeza de que vamos sair juntos e não vamos aceitar que Carlos Vieira divida aposentados e ativos. Não vamos aceitar o fim do 70/30. Não vamos aceitar que não haja a derrubada do veto.
Então, companheiros e companheiras, sabemos que a Caixa... E, na semana passada, a gente fez um ato ali em frente ao edifício do Passeio, onde ficam algumas unidades da Caixa, na Marreca e na Rua do Passeio, e eu falava: a Caixa construiu um manual de como construir uma greve. E ela começou pegando coisas que eram fáceis de resolver, por si só, isoladamente. Ela contratou por concurso – e todos os bancos estão fazendo isso – aumentando o número de trabalhadores na TI. A Caixa fez o concurso e eles foram contratados como técnicos bancários (TB). Só que nós sabemos que eles são profissionais qualificados, formados e, portanto, merecem ter uma carreira de profissional da Tecnologia da Informação. E a Caixa os contratou, mas não criou um plano de progressão. E botou isso debaixo do tapete.
Criou o programa de remuneração variável, o Super Caixa, e quer fazer com os trabalhadores um debate em que nós entendemos que a venda de um produto da Caixa ou de alguma empresa que usa a Caixa como vendedora do seu produto é um comissionamento. E a Caixa insiste em dizer que é um prêmio. Qual é a diferença disso? E eu estou falando aqui para a gente ser ouvido, e nem todos entendem; os que são da Caixa entendem. Significa que, se é um comissionamento, eu tenho direito aos reflexos. E, se é um prêmio, é um prêmio por si só. Eu ganhei aquele dinheiro, não teve nenhum reflexo, teve prejuízo tributário e de pessoal... Muito bem. A Caixa, não satisfeita com isso, mexeu, no meio do caminho, no próprio Super Caixa, e jogou isso para debaixo do tapete.
E aí a Caixa, e é um movimento, assim como os movimentos das liberdades individuais, hoje há um movimento do pessoal PCD. Há grupos organizados da Caixa de trabalhadores PCD e de trabalhadores da Caixa que são pais e mães de filhos PCDs. Tem uma série de questões específicas, dentre elas a redução da jornada, para que possam cuidar de si ou cuidar de seus filhos. E a Caixa jogou para debaixo do tapete. Olha que eu estou falando dessa questão, por exemplo, dos PCDs, cujo custo financeiro para a Caixa é muito menor do que todos os outros.
E aí, acumulando tudo isso, a Caixa vem com o cavalo de pau do Saúde Caixa, mudando as regras, mudando questões que, para nós, são históricas, que é um compromisso das gerações da Caixa, que a gente chama de pacto intergeracional, pelo qual a gente é solidário no nosso plano. O que ganha mais contribui mais para que possa se tornar viável o plano para aquele que ganha menos. Que aquele que tem menos idade, que usa pouco o plano ou por vezes não usa, pague para aquele que tem mais idade, que a gente sabe que vai precisar usar mais. E ela quer quebrar esse pacto intergeracional.
Então, tudo isso se juntou e criou uma forte mobilização. Agora a Caixa, em meio à defesa eleitoral e alguns elementos a lei realmente dificulta ou impede, mas há outros elementos que têm saída e para o quais pode ser construída a saída. Basta ter vontade política do Senhor Carlos Vieira e da sua diretoria.
Por isso, para finalizar, eu quero dar um salve mais uma vez, por meio da Doutora Vera, a Maria já está de volta aqui, meu companheiro Matileti, minha companheira Adriana, companheira Maristela, companheiro Vinicius, que está ali no Plenário, quero parabenizar pelo gesto, e meu companheiro representante da comissão da empresa, Campanate.
Aqui nesta Mesa, está a unidade dos trabalhadores forjada e organizada por dois parlamentares vindos da classe trabalhadora e aliados à classe trabalhadora. Parabéns a todos nós por essa bela construção desse que, sem dúvida nenhuma, é um ato histórico dos empregados da Caixa Econômica Federal. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Doutora Vera, eu vou pedir para a senhora esperar mais um pouquinho, porque está todo mundo muito ansioso para escutá-la. Mas é melhor a gente escutar os outros, senão você vai estragar as falas dos demais aqui. Eu vou passar para o Campanate agora. Por favor, tá?
O SR. ROGÉRIO DA COSTA CAMPANATE – Boa tarde a todos, todas e “todes”. Queria saudar a Mesa, na pessoa dos nossos parlamentares, que eu tenho a honra de ter votado e ter ajudado a eleger, Deputado Federal Reimont e Vereador Leonel; e saudar todos os participantes.
Eu vou fugir um pouco, vou mirar em quem está na base, saudar as companheiras valorosas que estão aqui, na pessoa da Helena, que em 2016 já estava aqui no abraço ao prédio da Caixa como gerente, se arriscando aqui. E os companheiros, eu saúdo na pessoa do Ivan, que é bancário desde a época do Banerj, que está aqui com a gente.
Bem, já falamos aqui da unidade. Assim, quem se arvorar em dizer que é o responsável por esse movimento, seja entidade, seja pessoa, não entendeu o que está acontecendo. O que está acontecendo aqui é uma união de todos nós, de todas as entidades, e o Rio de Janeiro está sendo exemplo para o Brasil disso. É por isso que o movimento no Rio está tão forte, está muito forte no Brasil inteiro, mas a gente tem sido exemplo nesse movimento.
Chamou-me muita atenção um meme que rolou do Carlos Vieira, em que, às 23h59, ele estava dizendo que “o empregado da Caixa é o ativo mais importante da empresa”; e aí, à meia-noite, ele estava ameaçando tirar vale-alimentação, vale-refeição e tudo mais. Isso diz muito sobre o que tem sido a gestão do Carlos Vieira, a gestão do centrão à frente da Caixa.
Eu vou lembrar aqui um pouquinho que, assim, esse problema se originou de uma deslealdade com a Caixa, isso ainda no Governo Temer, uma deslealdade da Caixa com a gente, porque a Caixa negociou conosco desde 2004 essa relação de custeio 70/30.
Quando chegou o governo Temer, simplesmente foi lá e colocou um teto para si mesma, impôs um teto a si mesma. Que maravilha se a gente pudesse fazer isso, não é? Impor um teto de pagamento para nós mesmos.
Foi uma deslealdade e uma covardia da empresa negociar uma coisa na mesa e depois ir lá vai fazer contra.
O que os empregados estão aqui exigindo é que a empresa honre com a palavra dada há mais de 20 anos, de que esse custeio seja 70% para a empresa e 30% para os empregados.
Compartilhar com vocês que as mesas de negociação, sob a gestão do Carlos Vieira, a gente inclusive falou isso, verbalizou isso na mesa, elas têm sido mesas de apresentação. Não há negociação de verdade. A gente apresenta as reivindicações, a gente debate, argumenta, e o que acontece é que a Caixa formula sozinha uma proposta e empurra. E aí: “diz aí se vocês aceitam ou rejeitam”.
Rejeitamos as duas primeiras propostas do Saúde Caixa, que ainda conseguiram ser mais indecorosas do que as duas últimas. Rejeitamos a penúltima, que a Caixa falou que era a proposta final. A gente não se achou no direito de rejeitar em mesa, porque a gente perguntou para a Caixa se era a proposta final, a Caixa informou que era, portanto a gente entende que cabe à assembleia, cabe aos trabalhadores decidir o que fazer com aquela proposta.
A rejeição foi em massa, a Caixa sentiu, chamou rapidamente outra mesa. Foi a Caixa que chamou aquela mesa, não nós, para apresentar outra proposta que vinha com o mesmo modelo: de novo com as faixas etárias, quebrando o pacto intergeracional. E nós pedimos para a empresa estudos a respeito da sustentabilidade do plano naquele modelo; e por que não vieram estudos sobre o modelo sem faixa etária, como a gente já tem com pacto intergeracional e com solidariedade? E aí a empresa verbalizou que isso é uma escolha da direção da empresa. É uma escolha da gestão de Carlos Vieira quebrar o pacto intergeracional. Eles sequer apresentaram estudos para a gente para dizer ou para tentar justificar que isso é inviável. Não, eles simplesmente disseram: "A gente não quer, a gente não quer fazer isso, a gente não foi nem autorizado a estudar". Foi esse posicionamento da Caixa em Mesa com relação ao pacto intergeracional.
Uma coisa, a Caixa levou um funcionário lá da Controladoria, da matriz, e o que ele alega? Que para o restabelecimento da relação 70/30, a Caixa teria problemas de capital, a exemplo do que ela teve em 2017. E aí a gente não pode entrar muito nisso, porque é uma questão sensível de mercado. Agora, o que a Caixa não debate com a gente, não abre o debate, é que assim: nos últimos 20 anos nós repassamos dezenas de bilhões de reais para o Tesouro Nacional com lucro do nosso trabalho. E aí não pode pegar uma dezena dessas e provisionar? A gente não está pedindo favor. A gente não está pedindo favor, a gente está pedindo pra que parte do lucro que a gente produz seja usado para provisionar o nosso benefício pós-emprego, porque é a empresa que está adoecendo a gente.
Também com relação ao capital, a gente tem que lembrar aqui que a Caixa, o Governo tem outro instrumento para capitalizar as empresas estatais, que são os instrumentos híbridos de capital e dívida, e que Pedro Guimarães resolveu deliberadamente devolver esses recursos sem a menor necessidade, porque as IHCDS tinham cláusula de perpetuidade. Então, agora dizer para a gente que o problema de capital é o nosso plano de saúde, quando a empresa resolveu devolver o capital para o Tesouro sem necessidade, não faz sentido. Por que os empregados têm que ser a primeira linha? Volta com capital, deixa as IHCDS, pega parte do lucro para investir nos funcionários, porque os funcionários investem a vida nessa empresa, e aí vocês vão ver que a relação 70/30 é possível.
Falar também sobre adoecimento. No final da semana passada, um colega me procurou, é outro ponto que a gente coloca na Mesa, que a Caixa fica saindo pelo cantinho sem debater a sério, que é o problema do adoecimento que ela causa. Primeiro, ela se nega a fornecer para a gente relatórios. É claro que ela vai produzir provas contra si mesma, não é? A gente não pede nome de ninguém que está doente, a gente pede o totalizador e a evolução ao longo dos anos, para que a gente possa fazer esse acompanhamento. A empresa se nega. E aí, esse colega que entrou em contato comigo falou o seguinte: ele adoeceu por acidente de trabalho, devidamente reconhecido pelo INSS como acidente de trabalho. A gente já cobrou da Caixa que se ela adoecer o colega – e isso está reconhecido pelo INSS –, o custeio do adoecimento desse colega é da Caixa. E a Caixa bota para a gente pagar no saldo de caixa. Isso é o fim, a gente precisa lutar para que a empresa apresente essas informações, porque o dinheiro que está faltando do Saúde Caixa é o dinheiro que ela está fazendo a gente pagar para quem ela tinha que está pagando.
Enfim, não vou ficar me estendendo, até para dar a vez para os colegas falarem, mais importante do que falar é nos ouvirmos, e isso tem faltado um pouco. E aqui fazer um apelo para nos ouvirmos. Não tenham dúvidas de que estamos todos do mesmo lado. Então, vamos nos ouvir para construir isso coletivamente.
E ressaltar, foi falado aqui pela companheira Erika Kokay, ela não só é colega da Caixa, foi presidenta do Sindicato de Brasília, foi a responsável pelo projeto de lei que derrubou a CGPAR 23, que também foi a que originou parte desse problema todo. E aqui aproveitar isso para falar o seguinte: eu canso de ouvir as pessoas falarem que político nenhum presta. Gente, esse assunto, esse tipo de conversa só favorece o político que não presta. A gente precisa saber avaliar os políticos. “Ah, como é que eu vou avaliar o político?”. Você é trabalhador, você veja em quem o político vota, se ele vota a favor do trabalhador ou não, gente.
A gente precisa ter consciência política para votar. O Zé roubou minha fala, porque eu sou portelense, mas eu preciso dar o braço a torcer para a Mangueira, porque esse samba de 2018 é lindo. “É na luta em que a gente se encontra”, e é aqui na luta que a gente se encontra, mas não pode ser só hoje. A gente tem que seguir se encontrando, gente. É muito emocionante para mim, depois que eu fui para o sindicato, é a primeira greve de que eu participo. Eu participei de greve antes de entrar, depois não teve. E ver esse movimento lindo, 10 anos que eu demorei para ver isso. Não pode demorar assim, gente. A gente tem que se manter em contato. Mantenham-se unidos. Eu vi muita gente reclamando do índice.
E aqui eu vou abrir uns parênteses, porque isso é muito importante. Gente, falar em sair da mesa única, pelo amor de Deus, jamais falem em sair da mesa única, porque quem estava na Caixa da década de 90, a gente ficou não é sem aumento real, mas sem reajuste de salário. Você receber a mesma coisa que você recebe hoje daqui a 10 anos. Foi isso que aconteceu, e a gente só conseguiu resolver isso na mesa única. Porque, para a sociedade, é muito palatável o discurso de que a gente é privilegiado, porque a gente ganha acima da média de mercado. Então, estar na mesa única nos protege para que a gente não fique sem aumento.
Agora, a gente precisa também aprender a agir estrategicamente e, para isso, a gente precisa que vocês estejam juntos das entidades, com mais proximidade o tempo inteiro. Quando a gente juntou a mesa única, a gente entendeu que favorecia as duas partes, vamos dizer assim, da categoria. Para nós, de banco público, favorecia, porque a gente começava a ter as correções e os benefícios que os colegas de bancos privados tinham e nós não tínhamos. E para os bancos privados, nós puxávamos a greve e a gente segurava a greve. Só que a gente parou de segurar a greve. Eu não estou falando dessa de agora. Mas eu estou dizendo assim: não adianta agora a gente reclamar do 0,6% que teve lá na mesa, se a gente não foi para a porta do banco privado ajudar a fechar, porque aquele colega vai ser demitido se ele sair sozinho.
Então, vamos ficar juntos, a negociação não acaba aqui, a cada dois anos, a cada ano que seja, a gente vai ter negociação e a gente precisa estar junto. É na luta que a gente se encontra, é na luta que a gente precisa se encontrar. E atenção: estamos em período eleitoral. E aqui eu vou dizer assim: a gente viveu uma época em que a gente não podia usar gravata vermelha ou uma peça de roupa vermelha. A gente está agora aqui com gerente-geral fazendo greve. A gente tem que saber qual é a gestão em que a gente está.
Vamos juntos. Vamos nós.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Olha, o meu mestre Reimont sugeriu dar uma intercalada para a gente poder ouvir também, e aí volta para Mesa e tal, o que é salutar.
Então, eu vou chamar na Tribuna o Cyro Garcia; logo depois, nós chamamos aqui o Eliomar; depois o Wander; aí depois eu volto. São 10 inscrições, como eu falei, dois minutos. Depois eu volto aqui para a gente ouvir as associações, mais a Maristela e a Doutora Vera.
Tribuna Marielle Franco, por favor. Cyro Garcia.

O SR. CYRO GARCIA – Companheiras e companheiros da Caixa Econômica. Minha saudação a esta greve linda que vocês estão fazendo. Quero saudar a iniciativa do Leonel e do Reimont, e de todos os companheiros dos sindicatos, das associações que aqui estão.
Mas, na verdade, os grandes protagonistas dessa greve são esse funcionalismo da Caixa, as companheiras e companheiros que aqui estão, fazendo uma greve com uma força que há muito tempo nós não víamos na nossa categoria.
Eu quero aproveitar para saudar, porque essa greve tem desigualdades, em alguns lugares do país tem companheiros, inclusive de bancos privados em greve, como é o caso do Rio Grande do Norte, Maranhão, Banco do Brasil em algumas praças – lamentavelmente, não aqui.
Eu sou ex-funcionário do Banco do Brasil; sou funcionário do Banco do Brasil aposentado, no caso. E como já foi colocado aqui, fui presidente do sindicato dos bancários e me orgulho de que foi na minha primeira gestão, quando eu era vice-presidente do sindicato e o companheiro presidente era o Ronald Barata, que os companheiros da Caixa Econômica Federal entraram na greve de 1985 pela jornada de 6 horas e passaram de economiários para bancários, conquistando na luta o direito de serem bancários.
E o governo deu dois anos de prazo para que a Caixa se adequasse. Em 1987, ainda na minha primeira gestão, os companheiros deixaram de ser economiários e passaram a ser bancários, junto com o conjunto da categoria bancária a nível nacional. E isso foi conquistado com a luta dos companheiros bancários da CEF.
Companheiros, nós estamos aqui, eu sou candidato a governador pelo PSTU. É claro que eu tenho diferenças em avaliações em relação à conjuntura com os companheiros, mas não é essa questão. O governo, por ser um governo que faz alianças com setores que não são representantes da nossa classe, e o Centrão é um dos grandes defensores do empresariado desse país, é claro que coloca nas suas prioridades, muitas vezes, a prioridade que não é a nossa prioridade. Porque a intenção do governo, já dizia Marx, governo nada mais é do que gerente dos negócios da burguesia. Esse é o papel do governo, gerir o capital. Mas o nosso papel é fazer com que as nossas reivindicações sejam atendidas, porque nós, enquanto trabalhadores, é que construímos a riqueza desse país.
Portanto, se somos nós que construímos a riqueza, nós temos que fazer a nossa parte para gerir essa riqueza e para usufruir dessa riqueza. É um absurdo que a Caixa e o sistema financeiro como um todo, quanto mais nos adoece com cobranças de metas absurdas, queira exatamente tirar a Saúde Caixa da plenitude que vocês sempre tiveram. E, portanto, as lutas todas aqui em relação ao limite imposto pela Caixa, a questão de 70/30, a quebra do pacto intergeracional, que nada mais é que uma tentativa de quebrar a solidariedade, tudo isso pode ser intenção deles, mas tudo isso vai ser derrotado com a força da luta que está sendo demonstrada por vocês, sem dúvida alguma.
Companheiros e companheiras, no sistema capitalista só existe um caminho para que as reivindicações da classe trabalhadora sejam atendidas. Nós não podemos confiar. É muito importante a iniciativa do Reimont e do Leonel, mas lamentavelmente essa instituição aqui, ainda que possa ser chamada de Casa do Povo, mas é uma instituição que a esmagadora maioria dos que sentam nessas cadeiras, que hoje estão ocupadas por lutadores da Caixa Econômica Federal, são de defensores dos interesses do grande capital. Assim como lá no Congresso Nacional, onde está o Reimont, e onde já estive, porque estive deputado federal durante um período. Eu conheço bem como funciona aquela Casa.
Mas, companheiros, aqui nós não podemos confiar em um Judiciário porque é só a gente ver a briga lá entre Mendonça e Alexandre de Moraes e tal, onde é uma briga interburguesa, porque está todo mundo no bolso do Vorcaro. Essa é que é a realidade.
Deixando bem claro o caráter de classe dessa justiça, que é uma justiça burguesa a serviço dos interesses do grande capital. Portanto, enquanto trabalhadores, nós só podemos contar com uma coisa: é com nós mesmos, é com a nossa aliança, é com a nossa unidade, é com a nossa força e é o que vocês estão demonstrando. A luta, companheiros, pois a luta é o caminho da vitória. Esse caminho vocês estão trilhando e com certeza nós, ao final dessa greve, vamos comemorar a vitória de vocês, que vai ser importante para os trabalhadores do Brasil inteiro, companheiros. A luta e a vitória.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado.
Por favor, Eliomar Coelho.

O SR. ELIOMAR COELHO – Inicialmente, eu quero louvar a iniciativa dos dois parlamentares, Deputado Reimont e Vereador Leonel de esquerda, e lamentar profundamente a ausência de uma representação do Legislativo Estadual. Inconcebível. Tinha que estar, se a luta é coletiva, e quanto mais coletiva ela for, é que faz com que chegue mais perto da vitória.
Eu fui dirigente sindical, e dirigente sindical do Sindicato dos Engenheiros na época em que engenheiro tinha uma boa vida. Mas quando nós assumimos o sindicato, a categoria dos engenheiros começava não só a perder privilégios, começava também a perder condição de viver. E não se mobilizava como vocês estão se mobilizando, porque o caminho único para se obter a vitória é através da mobilização de forma organizada. Se assim não for, eles não abrem mão e continuam a garantir os privilégios deles. É lamentável.
Estou aqui para dar apoio a vocês, reconhecer a legitimidade do movimento de vocês e dizer que nós temos que avançar junto à sociedade para que ela comece a entender a importância do que é a Caixa Econômica, e que sem o servidor não existe Caixa Econômica. Então, companheiros, não tem que ter muita conversa. Sentar na mesa de negociação só é importante quando, na correlação de forças daqueles que sentam na mesa, elas sejam mais ou menos iguais.
Não adianta as elites, não adianta essa classe política apodrecida que tem ganhado dia a dia prestígio junto a todos e a todas do nosso país, isso tem que acabar, e acabar exatamente com o reconhecimento da categoria dos trabalhadores, os profissionais verdadeiros que prestam serviço e deixam o usuário do serviço de forma satisfeita! É isto daí. E se assim não for, a gente não ganha o entendimento junto à sociedade da importância que é e que representamos como trabalhadores a serviço do povo. É isto que tem que acontecer. Vamos sentar à mesa, mas vamos sentar à mesa com esse movimento mais ampliado, mais amplificado para fazer chegar aos ouvidos da sociedade a importância que é exatamente a classe trabalhadora e os servidores da Caixa Econômica.
Portanto, aqui eu trago a minha solidariedade, total solidariedade. E estaremos juntos, porque juntos, aquele negócio de ninguém não solta a mão de ninguém, é que a gente vai chegar à vitória.
Muito obrigado e até a vitória!

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado, Eliomar.
Vou passar agora para o Wellington Vasconcelos, depois a gente volta para Mesa. Wellington é gerente de varejo, é isso?

O SR. WELLINGTON VASCONCELOS – É isso.
Gente, primeiro de tudo, boa tarde. Boa tarde à Mesa.
Desculpa, não estou muito preparado para falar assim em público. Eu só queria reforçar três pontos aqui. Primeiro de tudo, fazer uma lembrança da época da pandemia, um relato pessoal. Eu fui emprestado para uma agência, numa localidade mais humilde, e eu passei por coisas como cuspirem na minha cara, eu levei uma garrafada na cabeça, o próprio presidente da Caixa, na ocasião, ele relatou, se eu não me engano, foi num estado do Norte, que alguém levou um soco na cara durante a pandemia. A gente trabalhou incessantemente, inclusive no sábado. Quase todo sábado eu estava na agência da Pavuna. Eu passei por tiroteios, ali perto da Pavuna, para poder chegar à agência e dar atendimento. Teve superintendente atendendo do meu lado. Não era obrigação dela, mas ela estava lá atendendo. E, na época, nós fomos chamados de heróis de crachá. A gente só é herói na hora em que interessa, na hora em que interessa ao governo, na hora em que interessa a quem está no comando da Caixa. E agora que a gente precisa? Cadê o nosso heroísmo por parte deles?
O segundo de três pontos que eu queria falar, só para fazer coro com o Campanate, eu até pedi enquanto estava guardando ali. Eu converso com muita gente do Brasil todo mais por interesse. Eu não sou necessariamente dirigente sindical, mas me identifico um pouquinho como. Eu pedi exemplos porque estou num grupo que tem gente do país todo. Uma colega de Campos dos Goytacazes mandou um exemplo. Ela mandou print, mandou lá a comprovação do que foi falado na época. Ela fez um procedimento médico em que, no particular, o equipamento custava em torno de R$ 180, R$ 185. Acha fácil num Mercado Livre da vida ou alguma coisa do tipo. Mas, pelo procedimento, cobraram a ela um total de quase R$ 500. A peça mesmo foi superfaturada. Aí a gente pergunta: para onde o dinheiro do Saúde Caixa vai? De onde vem esse rombo todo? E muita gente aqui já deve ter feito algum procedimento que foi superfaturado pelo prestador de alguma forma. A gente não viu, porque realmente é um processo muito burocrático de pedir reembolso. Mas para onde esse dinheiro está indo? De onde vem esse rombo? Será que a tal auditoria, no plano de saúde, que a gente espera há anos que saia e nunca acontece, será que isso nunca vai acontecer?
E o terceiro e último ponto que eu queria levantar: eu creio que a maior parte do pessoal que esteja aqui seja de agência, de atendimento, e eu falei com um rapaz lá fora da TI também. Um amigo de Brasília, o Juliano Tavares, é da TI. Ele tinha comentado e não deixa de ser verdade. Por mais que a gente saiba que o atendimento à população é importante, a gente não pode desconsiderar que a tecnologia está avançando. A TI é uma área vital de qualquer instituição hoje, não só instituição financeira. E, no último Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), foi prometido que as pautas que foram aprovadas pela galera de TI seriam levadas à alta direção, e isso nunca aconteceu. Eles estão sofrendo com questões de plano de carreira, até condições de trabalho mesmo. Tem tido muito sucateamento para eles.
Queria propor ao deputado, se for possível, encaminhar esse tipo de coisa para quem está na alta administração, na suposta reunião com o Carlos Vieira, porque o pessoal da TI também é colega nosso, e muitos deles pararam também, aderiram à greve junto com a gente. E eles são tão essenciais quanto a gente para o atendimento à população brasileira.
Obrigado, gente! Boa tarde.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado.
Vou passar a palavra para a nossa querida Maristela.

A SRA. MARISTELA GUERRA – Boa tarde, colegas. O meu nome é Maristela Guerra.
Inicialmente, eu queria agradecer ao Deputado Federal Reimont e ao Vereador Leonel pela disponibilidade deste espaço. E, antes de mais nada, é importante a gente ver quem caminha ao nosso lado. Obrigada, Deputado e Vereador, por vocês estarem caminhando ao nosso lado neste momento tão delicado das nossas vidas.
Eu tenho 37 anos de Caixa, estou aposentada há nove anos, e esses relatos que ouvi, do Wellington principalmente, me fazem recordar dos tempos em que eu trabalhei na Caixa. Como disse aqui o Deputado Reimont, a Caixa está presente na vida de todos os brasileiros. Não tem uma residência, não tem uma casa, até mesmo nas comunidades onde a gente tem pessoas carentes, não tem uma casa que não tenha uma operação sequer com a Caixa. E quem são os heróis da resistência? Nós. Nós que trabalhamos lá atrás entregamos a Caixa para vocês, e vocês estão conduzindo a Caixa, neste momento, para entregar para as pessoas que virão.
O Saúde Caixa não é um instrumento de negociação, ele é um direito nosso. Quando a gente assinou o contrato de trabalho, estava previsto que a Caixa iria bancar o nosso plano de saúde. E a gente tinha o Pams, que a gente não pagava nada. E houve as alterações e fizeram a gente acreditar que o Saúde Caixa era melhor, como fizeram a gente acreditar, todos esses anos, que as alterações que não nos beneficiaram seriam boas para nós, e a gente chegou até aqui.
Eu, nesse tempo todo de Caixa, fico feliz de ver todo mundo aqui, gerentes gerais, gerentes, ocupantes de cargo de confiança, porque, desde a greve das 6 horas, eu nunca vi a nossa categoria tão unida, e unida em torno de um objetivo comum. Porque o Saúde Caixa afeta todos nós, afeta a nossa família, porque vocês que estão hoje na ativa vão ser eu amanhã, vão ser a Doutora Vera. Então, preservar o nosso plano de saúde, nos pilares em que ele foi construído, de mutualismo, com pacto intergeracional, isso é tarefa de todos nós.
E como eu falei antes, é importante que a gente caminhe junto. Então é como o Campanate falou: "Ninguém solta a mão de ninguém". A gente precisa estar junto e precisa contar com pessoas que estejam sensíveis a nossa causa.
O Wellington falou da questão de um procedimento que foi feito pelo Saúde Caixa que foi superfaturado. Gente, isso não é só em um lugar. A gente tem conhecimento de que isso acontece em todo o país. O Saúde Caixa, ele não é auditado já há muito tempo. Quando houve desmanche das gerências de pessoal, a gente passou a não ter mais controle, a gente passou a não ter mais um Saúde Caixa da forma como nós merecemos.
O mínimo que a empresa pode nos dar nesse momento, que todos ficam adoecidos face aos assédios, face às cobranças de meta, face à jornada que nos impede inclusive de ter um convívio melhor com as nossas famílias, o que a empresa pode oferecer não é benefício, é obrigação. É um plano de saúde digno para que a gente possa chegar na velhice e não ter que ficar apavorado fazendo conta no final do mês, tendo que escolher o plano de saúde ou comprar remédio.
Por isso é importante que vocês encabecem, sim, essa luta, porque vocês têm que olhar não é aqui na frente: “o dinheiro que eu vou ganhar agora porque eles vão me dar um aumento salarial, vão me dar um benefício”. Vocês têm que olhar como vai ser a vida de vocês daqui a 10, 15 anos, como vai ser a velhice de vocês.
Por isso é importante que vocês, que nós todos estejamos juntos. E eu gostaria de agradecer mais uma vez, Vereador Leonel, Deputado Reimont, por essa caminhada junto conosco.
O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Adriana, você vai ter que ir para uma negociação, é isso?

A SRA. ADRIANA NALESSO – Eu peço licença para vocês, eu vou precisar me retirar. Quero dizer que a nossa federação representa outros sindicatos, tem o nosso presidente do Sindicato de Bancários do Rio, mas a gente tem os sindicatos bancários de Petrópolis, Teresópolis, Sul Fluminense, Campos dos Goytacazes, Niterói e região.
Quero chamar o companheiro Vinicius para cá para ocupar essa cadeira, nosso presidente da Contraf. E dizer para vocês que contem com a nossa federação.
Na verdade, a gente tem... O movimento está forte também na base da federação, todas as regiões. E a gente segue firme, de cabeça erguida. Contem com a gente, sigamos resilientes e lutando, claro, porque é isso, luta é movimento, e é através do movimento que a gente faz. Está bom?

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado, Adriana.

A SRA. ADRIANA NALESSO – Além dos sindicatos bancários, a gente tem filiado à nossa federação o Sindicato Nacional dos Moedeiros, que também enfrenta as suas dificuldades. E a gente, com o princípio da solidariedade, a gente luta junto. E o Sindicato do Moedeiros também faz uma saudação especial para vocês, para nós, funcionários da Caixa. Obrigada aí.
Vinicius, por favor.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Olha, gente, vou passar a palavra para a Doutora Vera agora.
Doutora Vera quer falar no microfone. E agora é hora de calar minha boquinha e ouvir. Eu vou ouvir.

A SRA. VERA LÚCIA FARIA MORAES – Eu vou ficar aqui atrás porque eu não estava enxergando o meu povo que está desse lado, os colegas que vieram. Nós fizemos um apelo, Reimont, para que todos pudessem estar presentes, e vocês não imaginam como está lá fora, minha gente, a multidão que está lá fora. Foi, não é, meu deputado? Então, a primeira coisa é o orgulho de ser Caixa. Nós temos orgulho de ser Caixa. Segundo, precisamos, Caixa Econômica, já que está sendo gravado, que o respeito, a dignidade, a forma como o empregado seja tratado seja a forma como amamos a Caixa. Queremos que vocês nos amem como nós amamos a Caixa e nos dedicamos a ela.
Não estamos aqui para criticar ninguém. Nós não vamos criticar, nós vamos pedir que vocês tenham o preparo, a bênção de Deus na hora da negociação, sabendo que tem um Deus maior que sabe de tudo, que contempla tudo e que sabe o quanto nós estamos sofrendo por ter dificuldades agora, principalmente o aposentado, de ver o futuro que pode lhe aguardar.
Nós queremos um Plano de Saúde Caixa saudável, robusto, transparente. Nós queremos que o nosso colega, que hoje é gerente-geral de rede – veja que ele galgou os lugares dele com mérito, com galhardia, mas ele pode um dia não ser gerente-geral mais. E mesmo tendo o seu salário incorporado, ele pode se sentir lá em baixo, fragilizado, porque ele não teve o respeito, alguém o desrespeitou na empresa.
Precisamos disso. Nós somos mais, nós somos a moeda forte da Caixa, nós! E isso aí é o que de maior importância nós temos. Os planos, as questões do dia a dia passam. Nós deixamos a nossa história, vocês estão construindo a de vocês. Então, saibam o seguinte, que as entidades que estão aqui no momento estão todas imbuídas dos nossos direitos serem preservados, não abrimos mão.
Lá fora tem um grupo grande que a gente desceu para abraçá-los, não é, Reimont? Para eles que estão lá na chuva, pois está chovendo. Então, dizer a vocês o seguinte: nós somos fortes para caramba, não adianta vir conosco, que contra nós é difícil. Nós estamos mais juntos do que nunca, mais juntos do que nunca. Defendendo centavo por centavo, cargo por cargo, benefício por benefício. Nós estamos juntos aqui.
Saudar os dois companheiros aqui. Ciro, que foi do meu tempo, cara. Eu tenho 79 anos, você subia comigo as escadarias do Banco do Brasil para pedir greve. Nós subimos juntos. E você também. Meu respeito, meu carinho, minha admiração. Vocês marcaram a história e nós estamos juntos aqui para mostrar que nós somos guerreiros, que a idade, que a vontade, que não podemos reclamar de nada, estamos vivos, saudáveis e participando aqui. Quer melhor coisa que isso?
Obrigada, meu Deputado, pelo carinho. Obrigado. Eu quero agradecer, principalmente, principalmente eu quero agradecer... Vem aqui, eu quero você.

O SR. DEPUTADO FEDERAL REIMONT – Pessoal, nós estamos na época do Olê olê olá, olê olê olá, Vera, Vera. Vamos lá?


A SRA. VERA LÚCIA FARIA DE MORAES – Eu só quero fazer um agradecimento, porque se não fosse por essa criatura, eu não estaria aqui. Você, Maria. Você merece todo o meu carinho. Essa mulher é da presidência da Agecef Rio de Janeiro. Meu carinho, minha dedicação. Nós rapidinho tentamos mobilizar a classe.
Quero agradecer também à Maristela, que está ali. Também está aqui um grupo grande. Quero agradecer ao povo todo que nos ajudou: vamos viralizando, vamos comunicando, se temos greve, temos isso, temos aquilo, vamos manter isso.
E hoje eu tive o prazer também de encontrar você, Vinicius. Botafoguense igual a mim, sofredor. Mas olha só, e aqui eu digo, olha só, vocês não me encontram em qualquer horário, eu tenho um marido há 18 anos com câncer e eu trato dele, fico junto dele, mas no jogo do Botafogo eu vou, eu xingo, eu grito, eu berro. E na Beija-Flor, porque eu toquei muito tempo na bateria.
Muito obrigada, Maria, meu carinho, e meu deputado, meu Leonel, querido, e meu Reimont. Botafoguense também, não é? Então, muito obrigado pelo carinho de todos. Vamos fazer a nossa foto, que o Rio de Janeiro está bombando no Brasil. Obrigada.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Gente, olha, é porque a Doutora Vera é o ponto auge aqui, mas, junto com a Maria, a gente ainda vai ouvir algumas falas.
Vou passar para a Maria agora, e aí algumas falas. Ainda tem uma saudação, Doutora Vera; só um minutinho, tem uma saudação. Vou passar para a Maria, depois o Rubens Salomão vai fazer o uso da Tribuna também, grande companheiro. Por favor, Maria.

A SRA. MARIA OLIVEIRA – É me pregar uma peça me colocar depois da Doutora Vera, não é? Mas eu sou a Maria, sou presidente da Agecef Rio, sou a primeira mulher da história a assumir a Agecef. E sou a primeira mulher que o Rio de Janeiro leva para estar no comando da Fenag, estar junto no comando da federação. Então, eu sou a primeira mulher, e Salomão é o primeiro homem presidente de quando ainda era o Clube dos Gerentes, não é, Salomão?
Quero cumprimentar primeiro esta Mesa e também a todos vocês, através da Doutora Vera, que está na ativa até hoje. Então, posso cumprimentar os ativos através dela, que é nossa médica do trabalho, e posso cumprimentar todos os aposentados através dela também. Maristela, que foi gerente-geral e hoje representa os aposentados. Também quero cumprimentar a nossa presidenta da Federa, Adriana Nalesso, em nome de todos os sindicalistas.
Quero dizer para vocês que em 2016 eu era uma bancária que não era desse movimento de empregados, mas, quando a Presidenta Dilma estava caindo, que nós precisamos ir para a rua, nós estávamos lá, brigando por uma empresa pública, pela Caixa pública, pela democracia, eu estava no movimento de rua. E o Campanate me convidou para o movimento de empregados. Então, eu saí de um movimento de rua para um movimento de representação de gestores da Caixa.
Quando eu cheguei, logo em seguida, a gente viveu a reestruturação da Caixa. E eu vou falar que ouvir vocês naquele momento me fazia chorar. Cada um que me ligava, porque o Rio foi o mais afetado pela reestruturação, foi o que mais perdeu funções naquela época. Então, eu tenho uma amiga aqui, a Andreia Braga, que se lembra do quanto a gente teve que construir pontes para que nenhum gestor da Caixa andasse de pires na mão, pedindo função.
Nós fazíamos a ponte entre onde tinha vaga, onde ele podia ir. Então, nós lutamos por cada um naquele momento. Mas como a vida não é fácil no movimento de empregados, logo em seguida veio a pandemia. E quando veio a pandemia, eu me lembro de ter ligado no nacional e ter pedido assim: “Precisamos fechar a Caixa, o Rio não vai aguentar, vai desmoronar”. Foi o lugar que mais sofreu, e o Rio não é para amadores, e a gente sabe disso, não é? A gente sabe que o Rio não é para amadores.
Então, naquele momento, nós pedimos pausa na meta, nós pedimos o fechamento do banco e nós colocamos a população brasileira no centro. A Caixa abriu as portas com serviços essenciais e nós escrevemos quais serviços seriam. Fomos nós que escrevemos. Entregamos no ofício e colocamos a população brasileira nas nossas portas para o atendimento. Estivemos lá, principalmente trabalhadores informais. Aquele trabalhador que você defende, informal, nós estávamos colocando ele no centro do atendimento da Caixa. Não colocamos o lucro, não era isso. A Caixa, ela é dos brasileiros e, naquele momento, ela representava isso. Ela tinha a importância que o SUS tinha na Saúde, a Caixa tinha para a população brasileira.
Depois, batalhamos por uma eleição do Presidente Lula. Nós corremos atrás e tivemos o presidente Lula. E quando ele estava chegando, que foi eleito, nós construímos um documento onde a gente mostrava ao presidente Lula o que era empecilho para a Caixa ser um braço do governo, como os instrumentos híbridos que o Campanate falou ali. Qual era a viabilidade da Caixa? Construímos um documento das representações de empregados chamado "Uma Nova Caixa para um Novo Brasil". Então entregamos ao presidente Lula. E é esta Caixa que nós sonhamos, porque nós sonhamos grande. Nós sonhamos com fechamento, com a população no centro, nós tivemos. Nós sonhamos com uma nova Caixa para um novo Brasil e vamos continuar sonhando, porque a gente é guerreiro.
Eu falo que sou a primeira mulher a representar a Associação dos Gestores da Caixa Econômica Federal  (AGECEF) do Rio, mas eu sou uma mulher nordestina, uma mulher cearense do polo da seca. Então, assim como o Presidente Lula, eu falo que eu venho da mesma terra rachada. Eu pisei o mesmo chão, eu vi o mesmo céu. Então só quem viu isso como Presidente Lula sabe a importância que ele tem para este país. Então nós da Caixa, a gente não está numa greve para prejudicar a campanha do nosso presidente da República. A gente está porque a gente acredita na Caixa, porque a gente quer uma Caixa forte como braço do governo. A gente quer uma Caixa forte para a população brasileira. A gente quer a melhor empresa para a gente trabalhar. A gente quer a Caixa pública. A Caixa é nossa. E viva a Caixa, viva a democracia de podermos estar aqui hoje lutando por uma Caixa, fazendo uma greve pela Caixa.
Obrigada, pessoal. Estamos juntos, seguimos juntos.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Valeu, Maria! Guerreira! Nilton Salomão, por favor. Depois do Nilton Salomão, Samuel Cavalcante já pode se aproximar ali. Depois, Maria Cristina.

O SR. NILTON SALOMÃO – Quero saudar a Mesa na figura do vereador Leonel e dizer, Leonel, que você está me dando hoje, está nos dando um momento inesquecível. Tudo que está acontecendo aqui hoje é emocionante. Mas mais do que emocionante, nos traz uma força política para esse enfrentamento. O Brasil todo hoje está mobilizado. A gente está vendo aí pelas redes sociais que a turma da Caixa está mobilizada em todos os estados, mas nós sabemos que o Rio de Janeiro é a caixa de ressonância desse país. Então, o dia hoje aqui será um dia histórico para essa vitória que nós vamos ter do Saúde Caixa.
Queria te agradecer também por me dar a oportunidade de estar aqui nessa Tribuna, essa Tribuna onde Marielle Franco fazia as lutas dela. Então, é muito honroso e muito emocionante.
Nós, hoje, estamos nessa luta. E quando nós vimos a força desse movimento, quando os gestores também da Caixa participam ativamente, é sinal de que essa luta tem fundamento e nós vamos ser vitoriosos. Foi assim quando nós enfrentamos o governo Collor, que nos chamava de marajá e queria privatizar a Caixa. Foi na luta que veio a unidade. Foi assim na luta pelas seis horas, e nisso nós não podemos nunca esquecer desse camarada ali, Cyro Garcia. Está sendo assim agora. O fato, meu caro amigo Reimont, o fato é que nós não estamos mais aguentando tanto tratamento irresponsável, desrespeitoso com a comunidade economiária e os bancários da Caixa. Veja o tal do equacionamento criado por aqueles que agiram com irresponsabilidade, e nós não podemos esquecer, nos fizeram a todos nós perder patrimônio, nos endividar, deixar de cuidar da saúde, porque muitos não tinham como pagar o remédio, e muitos perderam a vida. Nós não podemos esquecer isso. Nós não podemos também abandonar a luta dos nossos companheiros da ativa, que estão aí levados por esse tal de Super Caixa num tratamento desrespeitoso que nós não podemos aceitar.
E com relação à nossa Funcef, meu caro Reimont, eu creio que temos é que fazer neste país, e vale para Funcef, vale para todos os fundos de pensão, nós temos que construir talvez uma legislação que coloque os fundos de pensão como uma cláusula pétrea, de maneira que o dinheiro que assegura as nossas aposentadorias não seja motivo da sanha tanto de políticos como de empresários que meteram a mão no nosso fundo, como fizeram agora com os trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro, metendo a mão no Rio Previdência. Aliás, nós todos aqui podemos fazer uma homenagem aos nossos companheiros da Caixa Econômica que impediram que o Banco Master e Vorcaro colocassem seus títulos podres dentro da Caixa.
Esses companheiros merecem nosso respeito, nossa atenção e nosso apoio. De modo que nessa noite, meu caro Vereador Leonel, você e o nosso Deputado Federal Reimont estão com esse encontro aqui, com essa mobilização, trazendo uma dose cavalar de energia, de força, de força política. Nós não vamos aceitar tirar do nosso bolso mais do que já tiraram. O Saúde Caixa é nosso patrimônio.
Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Por favor, Samuel. Depois, pode se aproximar ali do púlpito a Maria Cristina Macedo.

O SR. SAMUEL CAVALCANTE – Gente, boa tarde. Eu me chamo Samuel Cavalcante, sou técnico de TI da Caixa Econômica Federal.
Senhores, eu estou cheio de ódio, senhores. Cheio de ódio. Por que, senhores? Por que a gente faz greve, porque está feliz? Velho, desde as 8 horas da manhã fazendo piquete, tentando conversar com meus amigos, tanto de TI, quanto com gente de qualquer agência, com todo mundo, para mobilizar por essa greve. Por quê? Porque eles não querem o Saúde Caixa. E porque o desgraçado, nesse final de semana, ainda ousou tentar tirar nossos auxílios, nosso VA, nosso VR e nossa Saúde Caixa! Está de sacanagem? Senhores, por favor, senhores! Fora, Vieira! Vieira, fora! Fora, Vieira! Vieira, fora! Fora, Vieira! Vieira, fora!
É isso mesmo. Senhores, TI tem um problema sério, que é desvio de função. O que é isso? Desde que entrou na Caixa, essa empresa promete para a gente novas funções, novos cargos e salários. Mas nada. Todo ano, promessa, promessa, promessa, fala, fala, fala e não faz nada. Enquanto isso, a gente continua como sendo técnico bancário, fazendo funções e atribuições do pessoal de TI.
Esse desvio de função, senhores, é ruim por dois motivos: a curto prazo, desmotiva todo mundo, todo técnico bancário a continuar trabalhando, como também desmotiva o pessoal que ficar bom, que ficar talentoso, e a Caixa precisa que essas pessoas continuem nessa empresa. A gente trabalha com sistemas críticos, como o PIX, como loterias, como diversos auxílios, que é algo de que o povo precisa. E, quando a gente fica bom nesses, as empresas de fora estão todas olhando para a gente e contratam a gente a preço de ouro. E vocês continuam com um sistema... A gente continua com o sistema precário. Isso tem que mudar e tem que ter cargos e funções para TI.
O segundo aspecto, senhores, que me dói muito... Muitas vezes, eu me toquei disso, na verdade, quando o meu amigo Waldir... O Waldir ficou com câncer e ali eu aprendi o que significa não ter aposentadoria pós 2018. Porque o Waldir entrou pós 2018. Ele estava mais preocupado em ficar vivo, sobrevivendo com câncer, do que morrer. Por quê? Porque, se ele ficar vivo, ele vai perder o... Ele pode ser considerado inválido, porque o tratamento é pesado e ele vai ficar disfuncional, não conseguindo fazer o trabalho dele, perdendo a função, perdendo o emprego dele e perdendo o plano de saúde de que ele precisava para continuar o tratamento, senhores.
Quando você mais precisa, simplesmente você não tem o seu plano de saúde. Eu particularmente não acredito que vou me aposentar. E eu estou com medo de ficar doente. Porque eu sei que hoje foi o Waldir, amanhã pode ser eu, amanhã pode ser qualquer um de nós que entrou pós 2018. Por isso, eu peço, com carinho, que mesmo aqueles que entraram antes de 2018, por favor, se solidarizem com essa luta e não aceitem nenhum tipo de acordo que não inclua o pós 2018.
Outra coisa, esse VP de pessoas que odeia gente velha deveria entrar no banheiro, se olhar no espelho e se demitir, porque ele é velho para caramba, gente! Pelo amor de Deus! É isso, meus amores. E não se enganem: se tiver teto de gastos, se tiver teto no Saúde Caixa, não tem plano de saúde. Viu teto de gastos na proposta? Não precisa – viu, Rodrigo? – nem aceitar, pode levantar da mesa. Isso não é para a gente, não.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado, Samuel.
Por favor, Maria. Maria Cristina Macedo é aposentada, não é? Por favor.

A SRA. MARIA CRISTINA MACEDO – Então, gente, eu queria fazer um discurso mais amplo aqui.
Na década de 70, em 1970 especificamente, a Simone de Beauvoir denunciava que, na terra do espetáculo, na França, os idosos eram colocados em asilo porque não mais produziam. E isso faz parte da lógica do capital.
Hoje, a Caixa Econômica vem com uma proposta que não só exclui os idosos, mas exclui antecipadamente esses idosos que já estão no processo de envelhecimento. Porque, segundo Kenneth Ferraro, o envelhecimento começa desde quando nascemos.
A companheira Maristela colocou: tem que se pensar em como você vai chegar à velhice. Porque, para o capitalismo, só tem direito à velhice quem tem dinheiro. O trabalhador é jogado apagado às traças. E é isso que agora, na era da barbárie, o capitalismo quer fazer com a gente. Por que querem atacar o Saúde Caixa? Porque isso esvazia e tira a responsabilidade da empresa, e isso torna mais fácil a privatização. Então, não temos que deixar que isso aconteça. O Saúde Caixa é nosso patrimônio. O Saúde Caixa, ele juntamente... Se a gente deixa, vai vir o ataque à Funcef.
Então, nós temos que colocar aqui primeiro: quem produz o lucro somos nós. Esses meninos que estão chegando agora, que já são discriminados por não terem direito a levar para aposentadoria, são os TI, que são sobrecarregados, ganhando um salário que, se vier esse Saúde Caixa, eles não vão ter como pagar, vão esvaziar o Saúde Caixa e não vai sobrar plano de saúde. Então, não temos que deixar.
Agora, estou aqui, tenho diversas críticas em relação às nossas direções, mas, no campo da luta, nós temos que estar juntos. E digo aqui, como Samuel, repito o que o Samuel falou: quando a proposta não é boa, tem que sair da mesa. Essa greve já tinha que ter acontecido muito antes. Nós tínhamos toda força.
E não basta fazer greve, não basta fazer greve, não basta cruzar os braços. Nós temos que fazer isso que estamos fazendo aqui, temos que ir para rua, temos que fazer atos, porque precisamos aparecer como trabalhadores, produtores da riqueza.
Abaixo, abaixo o ataque ao Saúde Caixa, 70/30 para todos, Saúde Caixa para todo mundo igual. Condições de trabalho igual. E vamos à luta, companheiros!

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Julia Eberhardt, não sei pronunciar, desculpe. Julia.
A SRA. JULIA EBERHARDT – Boa tarde a todos. Meu nome é Julia, sou da oposição bancária e sou assistente na SR Baixada Fluminense. Então, em primeiro lugar, eu queria saudar todos que estão aqui dentro, os que estão lá fora. Eu acho que é uma greve histórica o que a gente está vivendo.
Só de pensar, eu me emociono o tempo todo, já falo isso sempre, que eu sou a pessoa mais empolgada com essa greve que existe. Acho que existe uma aliança histórica, das agências que aderiram em peso, os gestores que vêm sendo massacrados, nos últimos anos, e que não iam à greve, com os setores da área meio, especialmente da TI.
Essa combinação está fazendo com que essa greve seja uma greve extremamente especial, uma greve que foi para cima da direção da Caixa, uma greve que é uma greve espontânea, de dentro para fora. E isso faz com que a gente chegou no momento em que a gente sentiu o gosto do nosso poder, a gente sentiu na nossa mão o quanto a gente tem capacidade de botar esse presidente da Caixa para negociar com a gente.
Então, o problema foi: a gente passou anos após anos fazendo a negociação do Saúde Caixa fora da campanha salarial. E tem aqueles acordozinhos que a gente foi perdendo. Primeiro, perdeu pagando 13ª mensalidade no Saúde Caixa, que é um negócio sem precedente, que ninguém nunca viu. Depois, a gente aumentou a contribuição sobre o dependente, e aqui no Rio de Janeiro, a gente sempre foi vanguarda em rejeitar essas propostas.
As duas últimas propostas, os dois últimos termos aditivos foram rejeitados no Rio de Janeiro. Então, nós aqui do Rio de Janeiro já estamos falando há muito tempo que a destruição do Saúde Caixa nós não aceitamos.
Agora foi o primeiro ano em que o aditivo do Saúde Caixa caiu junto com a campanha salarial. E é isso que nos deu poder, é isso que permitiu que a gente fosse para essa greve histórica, para a construção desse caldeirão de raiva e indignação com que os trabalhadores da Caixa hoje estão.
A gente tem uma greve que não é uma greve fácil, porque não é uma greve contra o Carlos Vieira, não é uma greve contra o Alexandre Amorim. Infelizmente, essa é uma greve contra este governo, o governo Lula, assim como o governo Temer, assim como o governo Bolsonaro, que tem atacado os trabalhadores e o funcionalismo público das empresas públicas e estatais.
A gente tem lutado para defender o nosso Saúde Caixa, assim como os colegas das outras estatais também têm defendido seus planos de saúde. A gente tem lutado para defender os nossos fundos de pensão, que a gente sabe que também estão na mira. O pessoal da Funcef que o fale, acabou de vir por equacionamento, nunca se sabe quando vai ter outro.
A gente sabe que está sob fortes ataques, que não são projetos de um ou outro governo, mas um projeto de destruir o funcionalismo público nesse país. Então, por isso que eu digo, é uma greve muito dura, mas a gente sente também qual é o nosso poder.
E agora vamos falar sobre Saúde Caixa. Eu acho que não existe a menor possibilidade de que se feche um acordo nesse momento separando o tema de Saúde Caixa. Isso é um escândalo! Isso é um escândalo!
Nós, trabalhadores da Caixa Econômica, não fomos consultados sobre isso e soubemos, tivemos uma notícia, soubemos pelo Instagram, que a Contraf, que é a nossa direção, tinha protocolado uma solicitação para negociar e separar do Saúde Caixa. Nós não aceitamos isso! Nós não aceitamos isso! Nós estamos na rua, nós estamos parados, e sabemos que qualquer tentativa de jogar isso para frente é uma tentativa de nos desmobilizar. Nós não vamos parar, nós já estamos em greve. Agora, vamos até derrubar esse teto. Agora, vamos até a volta do 70/30. Agora vamos até a incorporação dos colegas pós-2018, porque isso é um patamar mínimo para discutirmos daqui para a frente. Não aceitamos nada menos do que isso.
Obrigada, gente.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Senhor Leandro Sampaio, gerente de PJ, Leandro. Depois do Leandro, Vander Alexandre, técnico.

O SR. LEANDRO SAMPAIO – Boa tarde a todos. Eu me lembro, ainda como se fosse hoje, quando veio aquela bomba do Super Caixa no ano passado. E eu falo aqui não como bancário, mas como psicólogo, porque muitos colegas me ligaram chorando porque, com essa mudança, foram embora os planos, viagens, situações que as pessoas já tinham planejado com as suas famílias e simplesmente acabaram do dia para o outro, sem qualquer tipo de negociação. Eu não tenho outra palavra para isso, é crueldade. Não tem outra palavra para isso.
Só que, naquele momento, eu criei um grupo de WhatsApp, o grupo cresceu, e agradeço a todos que deram a força. Mas a Maria apareceu e me acolheu, me deu o direcionamento e de lá para cá eu acho que, tirando a minha esposa, a Maria é a mulher com quem eu mais falo. A gente se fala quase todo dia. Obrigado, Maria. A gente se fala, a gente cria ideias, projetos, isso é muito bacana. Então, o tempo foi passando e, na semana passada, apareceu outra mulher na minha vida, que é a Samanta, ela está lá em cima. Eu estava indo fazer a minha prova da primeira fase da OAB, ela me ligou: "Leandro, vamos fazer um grupo aqui para falar sobre isso, para falar sobre o momento que a gente está vivendo. Eu falei: "Vamos".
E aí essa ideia veio desse nosso grupo de uma demanda que era a seguinte: o gerente me ligava, o funcionário me ligava e dizia: "Eu quero fazer greve, mas eu não sei se meu colega do lado vai fazer". E aí? Então, vamos reunir isso. "Minha agência vai fazer, mas eu não sei se a agência do lado vai fazer". Beleza. "A minha sede vai fazer, mas eu não sei se a outra sede vai fazer". Então, vamos resolver isso. A gente faz um grupo, todo mundo se vê, todo mundo se fala, cada um bota ali a sua agência e, a partir daí foi crescendo, junto com o sindicato, junto com a Fenag, junto com a Fenae, e a gente não consegue fazer nada se não for em conjunto.
Eu vejo colegas falando sobre sair do sindicato, se desfiliar, isso é a maior burrice que existe. A gente não consegue fazer nada se não for em conjunto. Se você tiver uma ideia diferente, leva. O espaço está aberto, o debate está aí, o espaço democrático serve para isso. Mas a gente não pode fazer com que as entidades se enfraqueçam. Isso é muito importante, a gente precisa entender isso. E agora, para finalizar, eu digo que, no ano passado, eles tiraram o nosso dinheiro do Super Caixa. Semana passada, queriam tirar nosso Plano de Saúde, a nossa saúde, saúde dos nossos filhos. E agora ameaçaram tirar comida da nossa mesa. A gente não vai aceitar isso, é até o final.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Vander. Vander é técnico bancário, é isso? Depois do Vander, pode se aproximar João Vitor.

O SR. VANDER – Boa tarde, companheiros, companheiras e colegas. Para quem não me conhece, meu nome é Vander, eu sou funcionário da Caixa Econômica Federal, atualmente na agência Nilópolis. Represento o Sindicato de Bancários da Baixada Fluminense. Primeiramente, gostaria de agradecer o espaço aos parlamentares nesse momento tão importante da nossa luta. Na verdade, se a pararmos para pensar, há 40 anos, nós tivemos uma luta histórica, 1985. Então, faz 40 anos que a gente não faz o que hoje a gente está presenciando aqui, que é a greve histórica, a mais forte greve da Caixa Econômica Federal. É a greve que conta com todo mundo, gerente, técnico bancário, caixa, todo mundo se unindo numa revolta só. Hoje está difícil a gente chegar aqui e sorrir. Por mais que a gente seja um momento de encontrar colegas, a gente hoje está conseguindo refletir o que a gente passa no dia a dia da Caixa Econômica. É um vocabulário diferente, é um momento diferente que, muitas vezes, as pessoas não estão vendo. Sistema que não funciona. Saúde Caixa, esse absurdo que todo mundo está acompanhando aí, na verdade, a gente acompanhou passivo isso durante muitos anos.
Essa é a verdade, porque a Caixa cansa, a Caixa cansa a mente de todo mundo. Ali você esquece de família, ali você esquece do seu lazer, ali você vai adoecendo silenciosamente. Então, assim, a gente tem que valorizar esse momento em que todo mundo acordou junto. A gente está forte na greve, forte, de um jeito que eu nunca vi na minha vida. E olha que eu sou bancário desde 1987. Eu nunca vi uma força dessa. Não é momento para a gente recuar, não é momento para a gente ceder. Nunca existiu um momento tão forte quanto esse.
A Caixa é que tem que mudar a estratégia dela. A nossa tem que continuar. O Saúde Caixa tem que ficar na mesa. É isso que está preocupando a Caixa, é isso que está desesperando a Caixa. Esse Centrão, gente, a gente está num momento com uma direção absurda, e olha que a gente já passou foi governo. Só que do lado de cá a gente está forte demais. Então, assim, podia ser o governo que tivesse, o Centrão, quem tivesse lá, se a gente quiser conquistar mesmo, a gente vai continuar agora, vai seguir agora. Importante a gente ficar atento, gente. A luta, ela é assim, cada dia é uma diferença, cada dia faz falta, cada dia, no momento atual, é fake news, agora tem isso, são 10 anos que a gente não faz o movimento, parece até que a gente incorporou o hábito de não fazer greve.
A Caixa achou que a gente tinha incorporado isso, se fodeu. Então, assim, gente, a gente já tem incorporado no nosso sangue, a luta. A gente, quem trabalha no dia a dia sabe, cara. Você olha para o lado, você vê: cara, esse cara trabalha. Porra, esse cara trabalha. Então assim, gente, só fortalecer. Meus parabéns a todo mundo, a todo mundo que está lá fora assistindo a gente na chuva. E a gente vai sair, vai continuar o movimento lá forte, porque a gente não veio aqui pra brincar hoje não. A gente veio de longe. Baixada Fluminense está aqui também. E a gente vai até o final aí.
O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado, Vander. João Vitor. Cadê o João Vitor? Foi embora? Então, Antônio, Antônio Vazquez, Caixa Executivo, é o último orador, depois a gente vai para os encaminhamentos finais, saudações finais e encaminhamento.
Rui César, estava inscrito? Cadê ele?

O SR. ANTÔNIO SANCHEZ – Boa tarde aí, pessoal.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Não apareceu?

O SR. ANTÔNIO SANCHEZ – Leonel, posso começar?

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Desculpe, por favor, Antônio.

O SR. ANTÔNIO SANCHEZ – Um grande abraço, Leonel. Encontro esse camarada em todos os movimentos, esse cara importantíssimo, nosso amigo Reimont também.
Eu estou nessa empresa que se chamava Caixa Econômica Federal. Aí um vagabundo chamado FHC transformou em Caixa para privatizá-la, assim como ele fez com a Petrobras, botou um “X” para privatizá-la e não conseguiu. No mesmo dia que ele botou o “X”, de manhã, ele teve que tirar o “X” 3 horas da tarde. Esse vagabundo FHC, que é o responsável por essa porra desse movimento de merda que tem aí, que se chama bolsonarista, que isso daí não é nada mais do que nada menos que a escolha da escravidão. É a escravidão que eles querem colocar de novo na gente. Eles querem tirar todos os direitos de você. Um vagabundo, traficante, segundo Kim Tagaguiri chamou ele de traficante, falou: esse camarada, além de usar droga, é traficante, do Flávio, não sou eu que estou falando, não, falou isso dele há 3 anos e até hoje não tomou processo.
Pois bem, esses caras falam para você: vou tirar teu fundo de garantia, teu INSS, tudo que você tem de direito trabalhista, e vota em mim. Quem é que vai votar numa porcaria dessa, gente? Para de ser burro, caramba!
Aí, hoje nós temos aqui, vem uma companheira aqui para igualar Bolsonaro a Lula. Eu tenho aqui todas as diferenças com Lula. Ele botou um Campos Neto lá piorado que esse Galípolo, galinha verde lá de São Paulo, que só serve para arrasar a economia desse país. A Selic era para estar em 8%, está em 14%. Ele está enchendo o rabo de dinheiro de quem é banqueiro. Não podemos admitir um negócio desses. Fora Galípolo, fora Vieira, acaba com essa porcaria dessa usura que o povo não aguenta mais. O Bolsa Família mata a fome, a Bolsa de Valores mata de fome. Fora toda essa corja do Centrão!

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado, obrigado, Antônio. Esse cara é doido, bicho. João Victor apareceu? João Victor, a última fala, por favor.

O SR. JOÃO VICTOR – Boa noite, categoria bancária! Meu nome é João Vitor. Eu sou técnico bancário de TI da Caixa Econômica Federal, entrado em 2024; também sou militante do partido PCBR e faço parte da oposição sindical Bancários de Luta.
Eu começo dizendo que eu assino embaixo de tudo que meu colega Samuel falou, do que a Júlia falou, que a Cris falou: não tem fim dessa greve sem o fim do teto de gastos da Caixa Econômica, no Saúde Caixa.
Nós não podemos aceitar essa barganha de tentar dividir o acordo, porque isso só vai enfraquecer a nossa mobilização. Eles querem jogar isso pra depois das eleições, que é o óbvio. E quando isso acontecer, nós não vamos ter a mesma força para pressionar eles.
Eu acho que meus colegas anteriores já deixaram esse ponto bem claro e eu posso ver aqui que todos concordam. Então eu queria falar agora uma coisa diferente. Quando a gente entrou, muitos inclusive dos novos, quando viam todos os problemas que os anteriores aqui listaram, falavam e perguntavam de greve, a gente escutava muitas vezes, inclusive do sindicato, que não tinha certeza se greve ainda funcionava hoje em dia, se ainda era tempo de fazer greve. Vocês têm alguma dúvida, com o nível de ataque que a Caixa está fazendo contra nós, que eles não estão morrendo de medo que essa greve continue?
Tem prova maior que a greve funciona do que a quantidade de ataques que a gente está sofrendo querendo que ela acabe? Se ela não funcionasse, eles estariam esperando e não tremendo de medo, precisando nos ameaçar a tirar o plano de
saúde, tirar o VR. Tinha muitos colegas com medo de nem receberem o salário. Sim, greve funciona, sim. Funcionou no passado, funciona hoje e vai continuar funcionando sempre, porque somos nós que produzimos todo o valor, todo o lucro que a Caixa se apropria, assim como toda outra empresa. Sempre que os trabalhadores cruzarem os braços, greve vai funcionar.
Eu também ouvia muita preocupação dos colegas de rede sobre as pessoas da TI, se a galera da TI iria parar. A TI hoje está parada porque a TI também é categoria bancária. Não tem diferença se é de agência ou se é da TI. Inclusive, muitas das mazelas que vocês sofrem nas agências, nós da TI também sofremos. Eu acho que a única exceção talvez seja ter que lidar com o público, que a gente sabe o estresse que é. Tirando isso, assédio moral, tudo que você puder imaginar, até inclusive, fora mesmo do setor bancário, o setor de TI é também uma das categorias que mais sofre de doenças mentais. Tem inclusive sintomas psicológicos da pressão do trabalho. Inclusive, mais de 40% tem todos os sintomas do burnout.
Então, vocês imaginem uma TI de banco, não fica mais fácil. Nem um pouco. E eu queria que isso reforçasse justamente o que eu falei, que não existe diferença entre a TI e a agência, porque a luta de um é a luta de todos. Quando um bancário sai perdendo, todos os bancários saem perdendo. Quando um trabalhador sai perdendo, todos os trabalhadores saem perdendo. Não existe essa diferença. Então eu fico muito feliz aqui de ver diversos colegas da rede com os nossos adesivos que a gente trouxe, incluindo o adesivo que é específico da nossa pauta de TI. Como meu colega Samuel falou, que a gente, desde que entrou, a Caixa fez um concurso para 2 mil vagas de TI, desde o início, sabendo que essas duas mil vagas ficariam sofrendo desvio de função de forma indeterminada, e ainda estão sofrendo até hoje, como eu estou sofrendo. Eu não tenho função, então a gente está lá trabalhando, e o nosso colega do lado pode estar ganhando duas vezes, três vezes para fazer o mesmo trabalho, exatamente o mesmo trabalho que a gente faz. E isso por meio de promoções completamente arbitrárias.
Eles fizeram esse Caixa Verso, acredito que muitos aqui da rede devem conhecer, que basicamente a gente tem que ficar trabalhando fora do expediente por mais de três meses para ter a chance de concorrer a ser promovido. Eu tive que escolher entre faltar a esses cursos, que têm presença, senão é eliminado, ou faltar a minha faculdade, porque eu faço faculdade de noite, porque não é o horário que eu estou trabalhando, não é o horário que eu deveria ter que me preocupar com o curso do trabalho. É tanta coisa que fica difícil lembrar tudo.
E assim como o colega falou, eu também quero trazer também a atenção para a taxa Selic, porque esses ataques que a gente sofre, que as estatais sofrem, que os programas sociais como Bolsa Família sofrem, como se fosse tirar dos mais pobres que fosse resolver algum problema econômico. Não, é justamente da classe mais rica, é justamente dos banqueiros, dos capitalistas, é para aí que está indo o dinheiro, não é para os mais pobres, não é para os trabalhadores, não é para as estatais.
E a única forma de a gente melhorar isso é a gente combater esta Selic que está absurdamente alta. Fora, Galípolo! Não deixar de fazer a pressão só porque estamos no governo do PT, porque nos foi prometido que era para eleger o Lula para gente fazer o que a gente está fazendo aqui hoje, para a gente fazer greve, para a gente fazer as reivindicações, porque ia ser realmente uma democracia na qual a gente poderia conversar e estabelecer um acordo. Não adianta de nada se a gente elege e depois fica com medo de ir para a rua, fica com medo de fazer greve. Fico muito feliz que isso não colou na Caixa Econômica Federal.
É isso, continuamos a luta, camaradas.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado.
Olha, gente, vamos para os encaminhamentos e saudação final. Então, um minutinho para cada um da Mesa. Estou anotando aqui junto com o Reimont os nossos encaminhamentos, não é, Reimont? Aí, vou pedir para o Reimont colocar isso, as saudações finais. Vou começar aqui pelo Matileti, pode ser? Saudação final, um minutinho, por favor, e encaminhamento. Encaminhamento e saudação final.

O SR. PAULO CÉSAR MATILETI – Quero, mais uma vez, agradecer a todos. Esta greve é magnífica, esta greve coesa que engloba todo o corpo funcional da Caixa. Isso é importante, continuarmos, não aceitarmos essa migalha do Carlos Vieira e da sua diretoria. Eu acho que todos aqui têm consciência, e a responsabilidade do que nós estamos enfrentando e que não, isso não vai para a justiça, não vai para a justiça, quem tem que resolver isso é diretoria da Caixa Econômica Federal.
Uma boa noite, bom regresso à casa de vocês. Obrigado a todos.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Obrigado. O pessoal que está saindo, peço só, se quiser sair, ok, mas esperem lá fora. Vamos fazer o movimento grande com o povo lá fora, está bom? Vamos lá. Campanate, por favor.

O SR. ROGÉRIO DA COSTA CAMPANATE – Eu vou abrir mão da minha fala porque a gente tem que ir lá para fora para dar atenção para aquele povo. Vou abrir mão, agradecer a presença de todos e vamos para lá. Fora, Vieira!

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Por favor, Dra. Maristela.

A SRA. MARISTELA GUERRA – Só agradecer, vereador e deputado, pela oportunidade e chamar os colegas para ninguém largar a mão de ninguém. Juntos nós somos mais fortes. E vamos lá para fora com os outros colegas que estão lá nos esperando.

A SRA. VERA LÚCIA FARIA DE MORAES – Eu gostaria só de dizer uma coisa: a rede pede socorro. O pessoal de agência merece todo o respeito. A rede pede socorro, Caixa.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Vinícius, por favor.

O SR. VINÍCIUS DE ASSUMPÇÃO SILVA – Só agradecer a presença de todos, dizer que a gente está junto nessa luta. Vamos juntos até a vitória. Eu vou fazer que nem o Campanate. Vamos juntos, gente. Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Por favor, Maria.


A SRA. MARIA OLIVEIRA – Eu só quero agradecer a presença de todos vocês, agradecer aos nossos parlamentares, e dizer que esta Mesa é histórica, com todas as entidades juntas. Mas isso aqui se faz por diversas construções e conquistas que já fizemos juntos, porque é essa união que traz as conquistas do Rio de Janeiro.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Por favor, José Ferreira.

O SR. JOSÉ FERREIRA PINTO – Companheiros, a minha expectativa para este Debate Público era primeiro que a gente conseguisse quebrar, furar esse bloqueio que a mídia tradicional tem feito com a nossa greve. Para essa mídia, parece que não está tendo a greve dos empregados da Caixa Econômica. Então, cada um, cada uma de vocês que lotou essas galerias, que lotou este Plenário está de parabéns.
Eu, enquanto estava aqui à Mesa, em alguns momentos, peguei o celular. São jornalistas procurando a gente para saber o que está acontecendo. Nós já estamos com a greve na segunda semana e tem jornalista que ainda não sabe que estava acontecendo a greve. Mas isso é responsabilidade de vocês que estão aqui, que ajudaram a construir esta belíssima atividade.
E quero agradecer ao meu companheiro Leonel de Esquerda e ao companheiro Reimont por esta iniciativa e por esta aliança firme com os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa. Parabéns a vocês! Esse é um dia que orgulha a todos nós!

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Doutora Vera, saudações finais.

A SRA. VERA LÚCIA FARIA DE MORAES – Eu quero só agradecer a todos. A luta continua. E, olha, foi lindo, em 54 anos de Caixa Econômica Federal, rever meus amigos de luta ali. Foi maravilhoso!
Outra coisa: nós somos mais fortes do que nós pensamos. Estamos juntos!

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Reimont, vamos aos encaminhamentos.

O SR. DEPUTADO FEDERAL REIMONT – Pessoal, muito rapidamente, quero dizer que amanhã, às 10 horas da manhã, tem uma audiência lá na Caixa Econômica, com o Carlos Vieira. E, representando a nossa bancada de deputadas e deputados do Partido dos Trabalhadores, estará a Deputada Erika Kokay, que é também empregada da Caixa. Então, a nossa expectativa é de que essa reunião de amanhã traga frutos para nós. A gente está querendo ver todo mundo voltar ao trabalho depois de resolver isso, e vai resolver muito rapidamente, é a nossa luta.
Depois, quero dizer que a Erika me pediu, aqui por WhatsApp, que a gente mande para ela registros fotográficos do debate de hoje, vídeos... Então, a minha assessoria está organizando já, e a gente vai mandar para ela, para ela expor amanhã na reunião. O Rio de Janeiro, de fato, conforme disse o Nilton Salomão com muita propriedade, é caixa de ressonância para o Brasil. E amanhã o Carlos Vieira vai ver e vai ouvir o que nós falamos aqui no Plenário de hoje. De maneira resumida, mas vai.
Esse é o nosso encaminhamento. E o encaminhamento mais potente dessa nossa atividade é vocês saberem que a gente está junto e que a gente vai continuar nessa luta, porque o que vocês reivindicam é direito. Nós aqui estamos querendo nada mais do que fortalecer a Caixa, porque a gente sabe da importância dela. E fortalecer a Caixa é fortalecer a vida e os direitos dos empregados da Caixa Econômica.
Quero agradecer a todos vocês, dizer muito obrigado. Mas me permitam fazer três menções a pessoas que eu admiro e de quem gosto muito. Quero falar aqui do Cyro; quero falar do Eliomar Coelho, que foi meu companheiro aqui, fomos vereadores juntos, um baita companheiro; e falar também do Nilton Salomão. E na pessoa deles, abraço cada um e cada uma de vocês. E, à nossa Mesa maravilhosa, quero dizer para a Dona Vera: Dona Vera, só amor, só love, só love. Estamos juntos.

O SR. PRESIDENTE (LEONEL DE ESQUERDA) – Gente, então, o encaminhamento da assembleia... Essa parte é muito importante. Qual é o encaminhamento? Que se reabram imediatamente as negociações e que cessem imediatamente as ameaças, por parte da Caixa, para com seus funcionários. Não vamos tolerar a ultratividade. E a relatoria deste Debate Público será encaminhada amanhã através de você, Reimont. Você leva a relatoria deste Debate Público, que contou com a unidade de todos os sindicatos envolvidos, da Federação, das associações. Uma pequena divergência com a Julia. Nós não estamos fazendo greve contra o governo, nós estamos fazendo greve pelo governo que é nosso, pelo governo que deve ser nosso, que deve respeitar os trabalhadores. É a disputa pelo governo que a gente quer.
Mas eu concordo com tudo que a Julia falou, com certeza, e nós estamos do mesmo lado. E isso vale para a Contraf, isso vale para os sindicatos, isso vale para as associações. Pode no meio do caminho ter algum equívoco estratégico, mas isso não importa. O que importa é que está todo mundo com muita sede dessa vitória, com muita disposição e muita garra para continuar essa greve.
Contem com o meu mandato, contem com esse cara aqui, com esse humilde sindicalista aqui, que já fez muita greve no Governo Lula, Dilma, e muito mais no Governo Bolsonaro e Michel Temer. E vamos para cima deles, porque a vitória é logo ali, é até que o último de nós vença.
Dou por encerrado aqui este Debate Público.
Obrigado.

(Encerra-se o Debate Público às 17h07)

LISTA DE PRESENÇA

Cosme Eduardo Ribeiro Vianna; Vinton Salomão; Leandro Sampaio; Samuel Cavalcanti; Vander Alexandre Menezes; Maria Cristina Macedo; Julia Eberhardt; Julinaa Martins; Alexandre Rodrigues; Elias dias; Sergio Amorim; Pedrina Egg da Costa; Janaina Barbosa da Costa Maia; Sandra Maria dos Santos; Marcos Paulo Ferreira Barbosa; Flavia Lins Ventura; Afonso Henrique Costa; Maria Izabel Correira Campello; Antonio José Vazquez; Fabio Kiglio Sampaio; Gledson Vinicius da Silveira; Gyinther Rugaro; Karen Bautzer; Sonia da Silva Pereira; Isabella Telles Rieiro Lai; Sabrina Bras Ferreira; Tabata Alves Schwenck; Carlos Fernandes Coutinho; Vanessa Antonio Teixeira; José Sergio Omiz; Aline Moreira; Welington Vasconcelos Costa; Paulo Cesar Matileti; Maria Lucia Moura de Sousa; Renata Coutinho; Carlos Lima de Barros; Fernanda Borborema; Gilson Guilherme Aid de Lacerda; Sergio Leonardo Ferreira Bispo dos Santos; Milton Salomão; André Salomão; Jasmine Freire; Laís Rangel; Rafael Pinheiro Alexandre; Carlos Eduardo Melo dos Santos; Helena Alves de Oliveira Farias; Wilson Alves Moura; Anderson Vieira Santos; Cyro Garcia; Eliomar Coelho; Felipe de Melo Mesquita; Maristela Nunes Meireles; Akaihito da Silva Takeda; Sebastião Rufino; José Matheus riveiro; Elaine Cristina de Souza; Keli Freitas dos Santos; Henriqueta coelho; Patricia Bezerra Pereira; Carlos Augusto Ramos Duarte Junior; Ronaldo Pessanha; Aline Ferreira de Oliveira; Júlia Evehardt; João Victor.