Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da FRENTE PARLAMENTAR COM A FINALIDADE DE COMBATER E FISCALIZAR A PRECARIZAÇÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

REALIZADA EM 08/28/2025


Íntegra Debate Público :

ÍNTEGRA DO DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 28 DE AGOSTO DE 2025
(Vamos debater as problemáticas do novo cartão carioca Jaé?)

Presidência do Sr. Vereador Rick Azevedo

Às 10h45, Salão Nobre Vereador Antonio Carlos Carvalho, sob a Presidência do Sr. Vereador Rick Azevedo, tem início o Debate Público com o tema “Vamos debater as problemáticas do novo cartão carioca Jaé?”.


O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) - Bom dia. Dou por aberto o Debate Público da Frente Parlamentar COM A FINALIDADE DE COMBATER E FISCALIZAR A PRECARIZAÇÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO com o tema “Vamos debater as problemáticas do novo cartão carioca Jaé?”, de acordo com a Resolução da Mesa Diretora de nº 12.921/2025.
Agradeço a presença de cada trabalhador e trabalhadora, estudante aqui hoje que está presente nesta Casa, a Casa do Povo, para que a gente possa ouvi-los. Estamos aqui à disposição para pegar as demandas e levar até os órgãos competentes.
Esse debate é parte do compromisso do nosso mandato com a qualidade do transporte público carioca. Esse debate é mais um dos nossos compromissos. A gente tem esse compromisso que é de ouvir a sociedade, de fazer um mandato popular para que a gente possa de fato entender as problemáticas a fundo. E a gente só pode entender ouvindo quem enfrenta, no dia a dia, essas problemáticas. Não tem como a gente olhar por cima e falar “Está acontecendo”, e só com os nossos olhos tentar resolver. A gente precisa trazer aqui à Casa os verdadeiros afetados por essa situação toda. Então é um compromisso bastante incisivo que a gente leva muito a sério, que é ouvir a sociedade.
A Frente Parlamentar está assim constituída: Excelentíssimos Senhores Vereadores: Rick Azevedo, Presidente; Deangeles Percy, Felipe Pires, Flavio Pato, Inaldo Silva, Junior da Lucinha, Leonel de Esquerda, Luciana Novaes, Maíra do MST, Marcelo Diniz, Monica Benicio, Paulo Messina, Rosa Fernandes, Tânia Bastos, Thais Ferreira, Vitor Hugo, William Siri e Zico.
A Mesa está assim constituída: Guilherme do Nascimento Silva, morador da Barreira do Vasco, estudante de Logística no Senai. Experiência com o Jaé: teve problemas com a perda do cartão, enfrentou diversas filas, teve muita demora, a mãe encontrou ainda muita dificuldade para receber a gratuidade dela. Ou seja, tivemos aí um novo sistema, mas poucos se importaram com o que os trabalhadores e a população iriam enfrentar. Então é disso que a gente vai falar.
Temos também aqui a Julia Couto, a nossa influencer, importantíssima, moradora de Vargem Grande, estudante do 4º período de Pedagogia na Uerj. É professora e dá aula de danças, trabalha em uma cafeteria, produz conteúdo para a internet desde 2021, e viralizou nas redes sociais após as repercussões do Jaé. Temos aqui uma grande influencer que usa as redes sociais para falar daquilo que realmente importa, para lutar pelo coletivo. É uma honra estar com você nesta Mesa. Muito obrigado por ter aceitado o convite.
Temos também aqui o Senhor Pedro Imperiano da Costa, diretor do Sindicato dos Rodoviários. Muito importante a presença do senhor aqui. A gente vai enriquecer o debate 100%, porque ouvir os rodoviários, com certeza, é parte crucial desse debate, para que a gente possa, de fato, fazer um debate coeso, um debate verdadeiro, um debate onde a gente esteja escutando quem realmente importa e quem realmente enfrenta essas problemáticas na pele.
Eu quero também aqui, obviamente, registrar a ausência da Secretaria Municipal de Transporte que por motivos de força maior não pôde comparecer. A Secretária Maína Celidonio não pôde comparecer para falar com a sociedade por motivo de força maior. Eu fico me perguntando o que é maior do que a sociedade, a população, a classe trabalhadora que sustenta tudo isso aqui, que sustenta a cidade, que sustenta a Câmara Municipal, que sustenta a Prefeitura, que sustenta as secretarias? Então, por aqui a gente vê que houve, de fato, um descaso. É isso, não vamos poupar palavras.
Antes de iniciar, de fato, a nossa discussão vou chamar aqui o nosso artista Biskui, que vai abrir esse debate com uma poesia para que a gente possa refletir e para que a gente possa ter mais criatividade no nosso debate. A arte faz parte da nossa luta.
(Faz-se a apresentação)


O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Bravo! É isso, a arte tem esse poder de fazer a gente se revoltar cada vez mais e com esse discurso, essa poesia, essa narrativa poderosa, eu acredito que a gente já tenha combustível suficiente para começar.
Então, a partir desse discurso, a gente pode entrar justamente nas problemáticas do novo cartão carioca - o Jaé. A gente percebe um grande descaso com a população e aí quando a gente fala “a gente percebe” não é só “a gente percebe”, as pessoas sentem isso na pele. As pessoas estão deterioradas, cansadas desse descaso e aí, obviamente, que a gente sabe que o Riocard, que era o cartão anterior, tinha, sim, os seus problemas.
O que nos traz a esse debate não é a questão de “Ah, a gente tentou uma nova atualização para tentar solucionar os problemas que já havia”. A questão aqui não é essa, a questão é que a gente sabe que quando é para beneficiar a sociedade, quando é para tentar algum benefício para a classe trabalhadora que enfrenta o transporte público constantemente, não tem uma responsabilidade profunda, é “vamos trocar” porque a gente sabe que tem outros interesses por trás, ninguém aqui é inocente e aí “vamos trocar de qualquer jeito” é meio que trocar seis por meia dúzia. Vão simplesmente trocar e dane-se quem vai enfrentar essas problemáticas porque, nos últimos dias, nas últimas semanas, o que eu mais ouvi aqui de vereadores da base do governo é que é normal – “trocamos agora, acabou de ser atualizado, é normal acontecerem problemas pontuais”.
Aqui na Câmara de Vereadores todos os vereadores têm carro por conta da Câmara. Se fizerem uma troca e os vereadores ficarem uma semana sem carro, vocês acham que seria normal? Vocês acham que isso iria acontecer? Não ia acontecer.
Então, quando é para beneficiar uma pequena parcela da sociedade – e aí eu me incluo porque eu vim da classe trabalhadora, mas agora eu faço parte desse outro lado – eu vejo que é tudo muito fácil. Se tiverem que fazer uma substituição aqui na Câmara de carros, por exemplo, é tudo muito rápido, é de um dia para o outro e é tudo muito correto, é tudo muito certo. O vereador não pode ficar a pé, o vereador não pode ficar sem transporte, o vereador não pode ficar sem combustível, mas a sociedade pode enfrentar as problemáticas de um novo cartão, onde muitos trabalhadores estão ficando sem saldo porque há essa dificuldade, onde muitos trabalhadores não estão conseguindo manusear esse novo sistema porque tem esses problemas para poder manusear, porém a gente é obrigado a ouvir de parlamentar aqui nesta Casa “Ah, são problemas pontuais, é assim mesmo”. É “assim mesmo” para você que tem os seus privilégios nesta Casa, que anda no ar-condicionado com carro bonitinho, mas para quem tem esse único cartão como meio de transporte não é só “é assim mesmo”, é um grande problema.
Então, a partir disso, o que a gente quer discutir aqui – e, obviamente, levar para uma discussão mais aprofundada e apresentar para a Secretaria de Transporte – é a solução desses problemas de forma imediata para agora, para hoje, não dá para deixar para amanhã. Tiveram tempo para isso, tiveram tempo para se organizar, tiveram tempo para ver o que tinha que ser feito para que a sociedade, para que a classe trabalhadora não enfrentasse esses problemas que para muitas pessoas podem ser pequenos, mas são problemas que impactam diretamente no dia a dia da sociedade.
São pessoas que não estão conseguindo chegar ao trabalho, pessoas que estão tirando do próprio bolso porque fazer a integração de município para município ainda não é possível e a empresa não quer saber se a problemática foi do cartão Jaé, se foi da Prefeitura, se foi do Eduardo Paes, se foi do vice-prefeito ou se foi da secretaria..., não quer saber. Você vai ter que chegar ao trabalho e se a passagem não der, você que tire do seu próprio bolso.
Então, este debate é para que a gente possa de fato levar até a Secretaria Municipal e aí a gente também não quer parar por aqui porque, se for o caso, a gente quer reunir mais trabalhadores, reunir o movimento VAT (Vida além do trabalho) e fazer uma manifestação ali em frente à secretaria, começar a constranger essa gente. Porque nós estamos falando aqui das vidas que movimentam essa cidade, que estão sendo impactadas por algo que deveria ser simples, que é um cartão de um transporte público, mas que por puro descaso, por puro descuido, por não estar nem aí com o que iria acontecer depois dessa mudança, simplesmente a gente está vendo inúmeros trabalhadores pagando o pato, digamos assim, pagando o preço por um serviço que deveria funcionar perfeitamente.
Bom, e aí não é só uma questão do Jaé, quando a gente fala de transporte público. Porque agora a gente querer jogar toda essa problemática do transporte público para conta do Jaé, a gente está falando, de fato, de um descaso que vem, dia após dia, que agora com o Jaé piorou, que agora com o Jaé as pessoas estão enfrentando mais esses problemas. Porque, quando a gente fala de transporte público carioca, a gente sabe que o trabalhador e a trabalhadora enfrenta um verdadeiro descaso constantemente. Então, é a partir disso que a gente quer debater aqui esse assunto que é urgente.
Bom, a gente recebeu inúmeras reclamações. Uma delas, acesso ao aplicativo, dificuldades para realizar login: falhas no envio de códigos de acesso, SMS ou e-mail e problemas após a troca do número de celular; recuperação da senha: impossibilidade de redefinição por falta de recebimento de SMS ou e-mail, bloqueando o acesso à conta; atraso na entrega do cartão; longos prazos para produção e envio, em alguns casos superiores a um mês, enquanto cobranças continuam sendo realizadas;problemas na recarga: valores que não são creditados, além de máquinas que retém o dinheiro sem concluir a operação; cobranças indevidas: descontos sem justificativas relatadas por diversos usuários;atendimento ao cliente: dificuldade de contato com o suporte e ausência de respostas eficazes; integração com o Riocard: necessidade de manter dois cartões, Jaé e Riocard, para quem utiliza modais estaduais, metrô, trem e barcas, o que gera incômodos e custos adicionais; problemas de utilização: casos em que o cartão não é aceito ou em que a transação é negada; problemas no reconhecimento facial: impossibilidade de cadastro para irmãos gêmeos, exigindo deslocamento a um posto físico para a conclusão do processo.
Bom, esses são uns dos inúmeros relatos que nós recebemos constantemente. Desde que o Jaé foi, de fato, implementado na Cidade do Rio de Janeiro, que a gente tem recebido esses relatos de como o trabalhador, a trabalhadora e a sociedade está enfrentando esses problemas. Problemas esses que estão impactando no dia a dia de cada pessoa dessa cidade.
Então, agora, para que a gente, de fato, ouça quem entende, quem enfrenta, quem está no dia a dia olhando para esse problema e vivenciando esse problema, a gente vai começar a ouvir os nossos convidados e também a gente vai ter a parte de inscrição. Então, quem tiver um relato aí importante para fazer, eu peço que vocês se inscrevam, não deixem de falar. É um momento muito importante para a gente registrar e para a gente cobrar o Poder Público dessa cidade.
Então, agora, com a palavra o nosso convidado mais que especial, o Guilherme do Nascimento, que acompanha o nosso mandato aí, mas que hoje está aqui, mais uma vez, para agregar nesse debate para que a gente possa, de fato, ouvir quem entende. Guilherme está com a palavra.

O SR. GUILHERME DO NASCIMENTO SILVA – Obrigado. Obrigado, Rick. Bom dia a todos. Meu nome é Guilherme. Sou morador da Barreira do Vasco e tive problemas desde dezembro do ano passado com a inscrição para ter direito ao cartão físico Jaé. Ele está aqui na minha mão, mas foi muita dificuldade para eu poder ter esse cartão. E por que eu prefiro o cartão físico e não o QR Code? É importante ter os dois, sim, a gente sabe, ter possibilidades dentro de uma metrópole, como o Rio de Janeiro, mas o físico, para mim, é muito necessário, porque eu pego o ônibus ali na altura da Uruguaiana e ali é uma área muito complicada, tem muitos meliantes ali e não dá para a gente ficar tirando o celular do bolso para poder passar o QR Code no ônibus, enquanto eles já estão de olho nisso. Então, eu prefiro utilizar o cartão físico.
E foi desde dezembro do ano passado, eu já tentei me antecipar, só que foi muito difícil para poder conseguir. Lá no Jaé eles simplesmente perderam meu cartão. Eu passei horas na fila, foram mais de cinco horas na fila ali no Clube dos Servidores, atrás da Prefeitura do Rio de Janeiro. E tinham várias caixas de papelão. Era uma coisa medonha até. Você entrava ali, via aquele montão de caixa de papelão e as pessoas, os funcionários perdidos, tentando localizar o seu cartão, não encontrando e você olhando aquilo tudo. É uma cena humilhante tanto para a gente quanto para os funcionários que estavam trabalhando ali.
E eles não achavam e falavam para voltar outro dia e voltei outro dia e nada, enfrentava filas e filas e não encontraram. E aí, agora, em junho deste ano, já que eles pediram uma segunda via, eu consegui. Está aqui.
Também tive problemas com o cartão da minha mãe, que já é aposentada, tem 80 anos. Eu fiz inscrição para ela e enviaram esse mesmo cartão aqui, igual ao meu. Aí eu falei: “Ué, mas minha mãe tem direito à gratuidade, usa o cartão amarelo. Por que enviaram o cartão black para ela?” E aí reclamei, foi com muita dificuldade, tentando suporte com eles e nada. Demorou também bastante, chegou recentemente o cartão dela, acho que foi ontem, foi ontem que minha irmã mandou foto. “Está aqui, o cartão da sua mãe chegou”. Ainda não abri.
Então, foi bastante difícil. Então, ter possibilidade do QR Code e do cartão físico é muito importante e isso precisa ser emitido de forma rápida, o que não está sendo, está demorando muito para ser emitido o cartão físico para os trabalhadores. E também tem a questão de muitas empresas terceirizadas aqui no Rio de Janeiro que não tem essa informação. Empresas terceirizadas que não tem RH aqui no Rio de Janeiro, na capital, muitas das vezes tem RH em outros estados, Rio Grande do Sul etc. A gente sabe que tem muitas empresas e o RH dessas empresas não tem essa informação direito, porque eles não frequentam o transporte do Rio de Janeiro, não sabe como funciona. Então, as pessoas ficam meio perdidas.
Demora, o trabalhador precisa desembolsar do bolso. Muitas das vezes, a gente sabe que não é possível. Já tem aquela grana ali apertada, ganha um salário mínimo, então fica difícil a pessoa desembolsar o dinheiro da passagem, que é uma das passagens mais caras do Brasil. O Rio de Janeiro está aí.
Acho que é um pouco disso tudo aí, um pouco dessa luta aí que eu venho enfrentando. Então, o que eu quero, o que eu desejo, o que todos desejam é que seja emitido o cartão físico de forma rápida, organizada. É muito necessário, gente, muito necessário mesmo. Tem a opção do QR Code, mas também tem que ter a opção do cartão físico.
Com o Riocard, a gente utilizava somente cartão físico. Por que essa demora? Então, acho que é isso aí, Rick. Desabafei.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Importantíssimo, Guilherme. Muito obrigado pela sua contribuição. É disso que a gente precisa. Que realmente seja levado em consideração o que o trabalhador passa, o que a sociedade passa. Então essa sua contribuição agrega muito para o nosso debate, agrega muito para os nossos pedidos, para que a gente tenha mais subsídio e argumentos para levar para a Secretaria de Transportes, porque a Secretaria de Transportes pode achar que “Ah o Vereador está querendo causar, né?”, porque aqui tudo que é oposição é porque “quer causar”; mas, na verdade, a gente está trazendo demandas urgentes, demandas reais de pessoas que enfrentam esses impactos constantemente, então é muito importante.
Eu quero registrar a presença do Senhor Adriano Araújo, diretor do Sindicato dos Rodoviários; da Professora Vânia Regina Gonçalves; da Professora Clea Carvalho; do Senhor Mauro Henrique Araújo, diretor do Sindicato dos Rodoviários; do Senhor Adriano Pereira, diretor da base do Sindicato dos Rodoviários.
Bom, gente, dando continuidade aqui ao nosso debate, vamos ouvir, agora, a nossa influencer Julia Couto, que é uma voz bastante importante na internet denunciando as problemáticas do Jaé e denunciando outras problemáticas da cidade. A gente precisa realmente de vozes como a da Julia. A palavra está com você.

A SRA. JULIA COUTO – Obrigada, Rick. Bom dia a todos. Eu me chamo Julia Couto. Eu faço vídeos para a internet, sou estudante de Pedagogia também e eu convivo diariamente no meio do transporte público. Então eu presencio as minhas dificuldades, mas também de muitas outras pessoas da população e muitas outras dificuldades.
Então, na verdade, os meus vídeos estão bem públicos em relação às minhas reclamações do Jaé. Eu tive muitos problemas e muitas demandas como a dificuldade do cadastramento pelo aplicativo, pelo site, presencialmente. Eu fiz esses três trâmites para tentar fazer o meu cartão e eu sou gratuidade por hipossuficiência, porque eu estudo em rede pública. Então, eu tive muita dificuldade para efetuar esse cadastro de fato e demorou muito para eu conseguir. Só que aí tem aquele viés das redes sociais, que impulsionam muito esses fatores de visibilidade.
Então, que bom que eu pude ser ouvida, que bom que o senhor pode me dar a palavra também, mas também fui ouvida. E hoje eu sirvo meio como uma intermediária, uma mediadora entre a população e a gestão pública, os órgãos públicos. E que bom que eu pude ser ouvida, mas também muitos outros ainda não são. Hoje eu acato muito essa responsabilidade, porque é uma responsabilidade muito grande, é um fator que me choca um pouco. Eu não esperava tamanha repercussão, mas em relação aos problemas que eu tive, eu fiquei meio desesperada com essa transição, porque a gente sabe qual a dificuldade do estudante de pegar um ônibus, de pegar um transporte público, um metrô, uma van, porque a gente já é sempre invisibilizado na sociedade. A gente que quer estudar, que quer estar presente nas instituições de ensino, a gente tem muita dificuldade, para além do trabalho, porque eu também trabalho, então a gente já tem esse fator agravante que a gente já não é privilegiado nesse sentido.
Então, eu tive que correr atrás porque a transição estava chegando e eu admito que deixei um pouco para cima da hora, assim como milhares de pessoas deixaram, e tudo bem porque a gente tinha um prazo a seguir. Então eu tive que correr atrás, fui pelo aplicativo, não consegui porque nem aparecia, só aparecia o informativo. Então não consegui fazer o cadastramento pelo aplicativo. Não sabia que tinha a existência da possibilidade de fazer pelo site, então, eu fui presencialmente no posto da Alvorada, cheguei lá a funcionária não sabia me instruir de forma correta. Então, ela me falou: "Olha, o seu viés tem que ser feito pelo site". Aí, eu falei: "Ah, tudo bem. Eu não sabia que tinha como fazer pelo site. Então você pode me passar". E aí, ela me passou o site direitinho. E aí, eu fui vendo o que eu tinha que recolher de informações minhas, documentos e tudo mais. E aí, eu enviei umas duas vezes, nada de chegar nenhuma confirmação para mim. Eu falei: “Não foi aprovado meu cadastro, tem alguma coisa errada”, mas se não foi, eu devia receber alguma coisa me comunicando que não fui, não fui aprovada, não fui aceita, não estou nos pré-requisitos. Certo? Enviei novamente uma terceira vez, possivelmente, já faz um tempinho, não lembro. Acho que na terceira vez enviei e aí eu recebi a confirmação, um e-mail. Aí, eu falei: "Tudo bem, agora vai". Aí, eu recebi: "Ah, você foi aprovada. A partir de amanhã você pode usar o seu QR Code". Aí, eu falei: "QR Code? Isso é novo, né? Tudo bem, praticidade, como o Guilherme falou, importante. Mas para essa praticidade a gente também tem que ter as duas opções, e se eu fui furtada? Ano passado eu fui furtada duas vezes. Se eu estou sem meu celular não ando. Porque eu sou gratuidade, já não tenho outro cartão preto que você tem. Só possuo a gratuidade. Se eu estou sem celular, não ando. Tudo bem, solicitei meu cartão presencialmente, porque eu já tinha ouvido relatos de outras pessoas nos meus vídeos em relação a não chegada em domicílio do cartão, essa demora em produção há muito tempo. Eu pude falar com o Prefeito pessoalmente e ele falou realmente: “Ah, é dos lotes”, e tudo mais. Só que eu falei: “Tudo bem, mas a gente precisa do cartão”. Eu fui lá cobrar. O cartão é essencial para gente no dia a dia, porque eu, pessoalmente, fui furtada já dentro do transporte público.
Então, para mim é inseguro de fato. Então, eu prefiro utilizar o cartão, e que bom que eu pude recebê-lo em mãos. Mas muitas pessoas ainda não possuem o cartão e isso é preocupante. Porque essa demora não pode ocorrer. A gente precisa ter. Se tem duas possibilidades, a gente tem que ter duas possibilidades em mãos. E que isso seja revisado o quanto antes, implementado de forma eficiente. Continuarei cobrando, continuarei com essa ponte direta entre a população e a gestão pública, continuarei ali, contribuindo com o meu papel para representar a população de alguma forma, a sociedade de alguma forma.
Hoje, eu consigo utilizar tanto o QR Code, tanto o cartão, porém a gente ainda também tem as questões das ilegalidades das vans, porque eu tenho muitos problemas, porque eu moro num lugar mais afastado. Então, eu tenho que fazer muitas baldeações e essas baldeações acabam me prejudicando, porque eu vou pegar uma van, o motorista não deixa eu embarcar, porque o limite é de duas gratuidade, mas tudo bem. Eu sempre pergunto antes para eu não ter nenhum tipo de constrangimento. Então: “Motorista já tem gratuidade?”. “A gratuidade é só para idoso”. Aí, eu vejo ele partindo com a van, indo embora. Aí, eu fico como? Eu tenho que ir para o trabalho, eu tenho horário, eu tenho que estar na faculdade, eu moro a 33 km da minha faculdade. Eu trabalho a quase 40 km. A população, no geral, precisa dessa praticidade, precisa da competência dos órgãos públicos para melhor nos atender.
Então, que bom que eu estou aqui nesse espaço, ocupando esse espaço e dando voz a muitas pessoas que não podem estar aqui hoje, mas tem que ter pessoas representando isso, representando e dando voz a essas camadas. Então, continuarei com as minhas cobranças, levando diretamente agora. Então, fiscalização, que é uma coisa muito importante no dia a dia do transporte público, porque eu vejo muitas coisas erradas, superlotações, infraestrutura, muitos danos que acabam prejudicando a nossa mobilidade urbana, que é essencial na vida do trabalhador, do estudante, que são invisibilizados todos os dias e sofrem todos os dias com essas pendências, com esses problemas, com esses encargos que acabam prejudicando muito a gente.
Então, hoje, como eu disse, consigo utilizar o Jaé, mas ainda vou continuar lutando para pessoas que não tenham conseguido, porque eu recebo demandas todos os dias nas minhas redes sociais de pessoas com dúvidas, de pessoas pedindo minha ajuda. Então, eu,voluntariamente, me ofereço para estar ali, para ajudar da forma que eu pude fazer, que eu pude me entender ali no meio. Hoje, eu contribuo dessa forma, continuarei contribuindo e continuarei cobrando para que seja eficiente e que esteja na mão de todas as pessoas, tanto o cartão, o aplicativo, de forma mais eficaz, de forma mais prática, porque muitos idosos não têm celulares e PCDs; e muitas pessoas que não têm essa demanda e que têm o cartão físico, principalmente, para a gente não ter mais problemas no dia a dia.
É isso, Rick.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Julia Couto, muito obrigado pela sua contribuição. Importantíssimo a gente ouvir essa jovem, que é uma voz bastante importante na sociedade, na internet, uma trabalhadora, estudante; que tem usado aí as suas plataformas para reivindicar o que é certo, para reivindicar direitos para quem constrói essa cidade.
Então, assim, você está realmente de parabéns. Você está fazendo um papel muito importante, porque é disso que a gente precisa. O Poder Público muitas vezes fica à vontade para cometer descaso com a cara da sociedade, porque não tem quem cobre de forma tão incisiva. E a gente precisa fazer isso. Eu sei que a culpa é deles, mas a gente também não pode deixar o Poder Público confortável para fazer o que bem quer com a cara de quem constrói, de quem paga tudo na cidade. Porque quem constrói a cidade, quem está trabalhando, dia após dia, para sustentar a nossa capital, que é a capital maravilhosa, a cidade maravilhosa, aí, que é tida como um dos principais pontos turísticos do mundo, quem paga são vocês. Trabalhadores e trabalhadoras que estão aí lutando constantemente.
Então é muito importante que tenhamos vozes como a voz da Julia e como a voz de todo mundo que está aqui presente para fortalecer esse debate.
Bom, eu quero também saudar quem está acompanhando pela TV Câmara. Temos aí a nossa audiência que está acompanhando esse debate, pessoas que não puderam comparecer, presencialmente, mas que estão acompanhando esse debate mesmo que à distância para se inteirar dessa pauta, desse assunto, desse debate que é extremamente urgente e importante.
Bom, agora continuando aqui a gente vai ouvir o nosso convidado importantíssimo que é o Senhor Pedro Imperiano, que é um rodoviário, que é muito importante nessa luta quando a gente fala de transporte público; quando a gente está falando das dificuldades, das problemáticas do transporte público, a gente tem que ouvir os rodoviários. Porque eles estão, ali, diretamente, na linha de frente, vendo cada trabalhador, cada trabalhadora, que entra e que sai. E que eles também são trabalhadores que enfrentam o dia inteiro aí essas problemáticas.
Então, agora, vamos ouvir aqui com muita honra o senhor, para que o senhor possa contribuir com a gente e enriquecer esse debate. Esteja à vontade.

O SR. PEDRO IMPERIANO DA COSTA – Muito obrigado. Bom dia a todos. Em primeiro lugar, eu quero agradecer pelo convite em nome da minha diretoria e em especial do Presidente Sebastião José, que por motivo também superior, lá, de médico, ele não pôde vir, mas estarei aqui procurando contribuir com esse assunto tão complexo e delicado como é essa questão do transporte público; e, em particular, essa novidade que é o Jaé.
Eu sou Pedro Imperiano da Costa, lido, aliás, com o transporte coletivo desde 1960. Pasme os senhores! Em 4/11/60, eu comecei a trabalhar em transporte público, que naquela época era trocador. Depois passamos para cobrador. Aí, com o decorrer do tempo, eu passei a ser motorista e acompanhei essas várias transformações em relação ao que eram as passagens; que naquele tempo de trocador, a gente trocava o dinheiro, o passageiro colocava o dinheiro na caixinha coletora. Depois, começamos a ter as fichas que no ônibus do Rio de Janeiro, no município, nós tínhamos as sessões. Você saía daqui, pegava um ônibus daqui do Largo de São Francisco para ir para a Zona Oeste, Campo Grande ou Santa Cruz. Saía daqui até Deodoro, tinha uma sessão, depois pagava outro, direto. Isso em relação à passagem.
A partir daí, com o decorrer do tempo, chegou a questão do vale-transporte, para poder chegar no Jaé, que eram os talõezinhos. Na época, tinha um monopólio do Unibanco, essa confusãozinha que hoje eu vejo aí, essa briga de gato e rato, de Poder Público falando muito em questão de caixa-preta, mas isso já vem de muito tempo. Aliás, permita-me uma falha, eu tenho um registro, lamento a ausência da Secretária de Transporte, porque tudo isso tem a ver conosco, e aqui estão justamente presentes os atores: Poder Público, Legislativo, o usuário e o rodoviário, que têm uma ligação direta.
Mas seguindo a linha do tempo, depois do problema do vale-transporte, começaram a vir os validadores, que é novamente a questão que hoje está sendo substituída. Eu não entro no mérito e eu quero fazer uma separação da questão técnica. Não é que nós não tenhamos noções, não temos uma profundidade, porque para instalar é uma questão técnica. Eu me atenho muito à operacionalidade, que é o dia a dia, que nós convivemos diretamente com o usuário. Aliás, eu sei que muita gente não olha por esse conceito. Empresa de onde, empresário, isso e aquilo. Mas, para nós, como rodoviários, o nosso verdadeiro patrão é o povo, porque é ele que paga tudo.
Quando um passageiro coloca o pé no estribo, ele está pagando ali depreciação de capital, remuneração de capital da empresa, os encargos sociais, quantos feriados têm no Brasil que são da mão de obra, custo operacional, isso tudo está embutido na tarifa. Mas tem algo que nos causa espanto.
Até certos governos – não estou aqui fazendo apologia de governo A, B ou C –, no saudoso Leonel de Moura Brizola, quando a gente discutia o problema de transporte público, estava lá presente a comunidade, o rodoviário, o Poder Público municipal e até o federal. Porque tinha uma questão de relação de emprego entre capital e trabalho e a gente entrava nisso. E se discutia tudo isso, o povo tinha voz. Lamentavelmente, sem aqui prejulgar ninguém, veio o Governo Moreira, tirou todo mundo e ficou a poderosa Fetransportes fazendo o que quer e o que não quer, dando braçada em alto-mar e fazendo, me desculpa o termo um pouco, fazendo a farra do boi. Transporte público aqui sempre foi isto, sempre foi essa desorganização, para não dizer uma bagunça.
Está começando a haver uma nova modalidade. Aí, uma briga do Prefeito com as empresas em relação ao transporte, que passou de ser as catracas, começou a vir a introdução do Jaé. Ótimo, não somos contra a modernidade. A tecnologia está aí.
Porém, o que tem faltado, a nosso ver, à maneira de ver do Sindicato dos Rodoviários, discutiu-se a implantação do Jaé, assim como toda a alteração, mas faltou eles chamarem os autores para discutir conjuntamente. Não tenho nada contra técnicos, longe disso, senhores. Mas uma coisa é eu estar dentro de um ar-condicionado, que é ótimo, dentro de uma sala, teorizando medidas, que começaram a copiar como é lá na Europa, Estados Unidos, que têm uma tradição, e esquecer de olhar o nosso povão aqui, a nossa realidade do dia a dia. E aí começou a vir o quê? As coisas de cima para baixo. Tanto que está aí. Há quanto tempo sem uma implantação direta do Jaé? Porque eles mesmos se enrolaram.
Aí começa a ter, chegou a hora da verdade, que a meu ver e até de uma boa parcela da minha diretoria, essa novela de reorganização, que é necessária no Município de Rio de Janeiro, ela vai pressionar até o final do ano e, no máximo, até março, porque depois vêm as eleições e vamos pensar aqui nas renovações, o que é natural. Mas o problema está aí. Não podemos fugir dele.
E mais uma vez eu quero agradecer a iniciativa de Vossa Excelência com os seus pares de continuar insistindo em ter esses debates, essas audiências públicas, em ter essa participação da sociedade, porque nós vamos ser resilientes e vamos continuar. Nós estávamos justamente marginalizados do processo.
Eu sei que não é objeto dessa discussão hoje, mas já que Vossa Excelência sempre nos acolheu quando nós solicitamos, nossa audiência pública vai ser agora em 1º de outubro em relação ao próprio senhor com seus pares, BRT, que é uma realidade excelente como está, com carro novo, uma coisa, uma maravilha de última geração. Mas esquecer de ver também o seguinte: a mão de obra. De que adianta eu ter um carro de R$ 1,5 milhão ou mais, articulado e aquilo outro, mas estão se esquecendo de quem opera. Que é ele que está conduzindo a carga mais preciosa dessa
terra, que é a vida humana, que é o passageiro.
E quando eu digo que o meu patrão, que o empresário, ele é um mero repassador de dinheiro, que quem paga tudo é o povo. Agora e o poder concedente? Onde está o seu papel fiscalizador? Aqui tinha uma indústria que ainda tem até hoje, ele fala para o inglês ver, mas como ele não está aqui no Brasil. Eu tenho multa, mas na regra do jogo que está lá, no código disciplinar, tem sempre lá aquele negocinho que diz que ele pode recorrer. E aí fica aquela brincadeira. “Não, multamos em tantos milhões!”, e quando é no outro dia eu recorro e fica “tudo como antes no quartel de Abrantes”. Por isso que temos que continuar.
E eu quero aqui também enaltecer e parabenizar essa jovem que está insistente, e nos colocamos já à disposição para interagir com vocês nessa comunicação para com a sociedade. O Sindicato dos Rodoviários se coloca à disposição. Mesmo assim quero fazer um registro: estamos até hoje lutando para ver se tem um acesso na Secretaria Municipal de Transporte ou com Sua Excelência o Prefeito para debatermos o assunto. Nós somos parte integrante. Nós queremos ter sempre uma interação e ter um bom convívio com quem usa o transporte público.
Hoje, senhores, eu quero fazer outro registro. Antigamente não tinha aqui... aumentava a passagem, hoje não, porque agora tem problema de quilometragem e aquilo outro. Mas quando tinha um aumento, quem sofria o primeiro embate quando nós tínhamos aqui os cobradores, o passageiro não sabia o que é que vinha e já entrava no ônibus revoltado. Aí eu vou voltar ao assunto nosso aqui: Jaé. Várias transformações. E para surpresa nossa, que eu também acho que tem que ter a integração, está mais uma vez o Poder Público anunciando que quer a integração, que já tem uma integração, mas que quer ampliar para chegar a regiões metropolitanas como Baixada Fluminense e Niterói. E se os senhores observarem, tem ônibus que já estão tendo três validadores dentro do ônibus, Senhor Vereador. Três!
E por que eu estou dizendo isso? Porque eles intencionam ter o validador que é para ser dos que vão vir com a baixada, o que já é o projeto, que é justo, já que eu tenho que ter horário e aquilo outro. Mas estão esquecendo, desculpa até o termo, de combinar com os russos. O que é o “combinar com os russos” na nossa maneira de ver? É a Secretaria trabalhar na divulgação, gente.
E aí o que está acontecendo? Chega o passageiro na hora do rush, principalmente, aí fica aquele tumulto, um ainda está desorientado, aí fica... Olha só, começa a ter a retenção. Como vamos ter uma fluidez do tráfego?! E o que é que acontece? Aí começa novamente o rodoviário a pagar o pato como aqui se falou. Por quê? Porque começa a irritação. Eu sei que muita gente aqui pensa – e a sociedade sempre tem, não são todos, tem as suas exceções – que o rodoviário é malcriado. Porque ele trabalha mal ou aquilo outro. Eles estão olhando apenas os efeitos. E a causa daquilo? Por que é que o rodoviário ou qualquer trabalhador hoje em dia nesse país é estressado? Vamos olhar as explorações, daí não vou entrar no mérito, entre o capital e o trabalho, porque a mais-valia para essa gente é tudo na vida. Aí se começa a querer crucificar A, B e C, mas ainda é uma cultura da nossa sociedade não procurar analisar as causas. Eu olho o efeito e eu procuro primeiro o Cristo para baixar o c*.
Então, quando eu falo em relação a essa introdução do Jaé, fora esses relatos que os senhores fizeram aqui, e as condições técnicas, que não vou entrar no mérito, é preciso que haja mais um aperfeiçoamento. Eu sei que todas as mudanças trazem algo complicado, mas o que nós temos aí? Eu sei que outros vão falar, não vou aqui tomar o precioso tempo dos senhores. Mas quero dizer que o Sindicato dos Rodoviários está disposto.
E eu faço aqui um apelo a Vossa Excelência com os demais: ajudem-nos a, no mínimo, quando for oportuno e se tivermos condições de debater o assunto com as autoridades, algo que venha falar em transporte coletivo, no mínimo, leve essa sugestão do Sindicato dos Rodoviários: procurem pelo menos ouvir os atores. Porque não adianta eu ficar idealizando algo que – com todo o respeito que eu tenho, tem muitos técnicos que conhecem o ônibus porque passou a três quarteirões da casa deles, um VLT, aquilo outro, mas não sabe como é a operacionalidade. Por que como é que um carro daqueles está na rua? O que é? Como é que faz?
E por fim, o Jaé também teve um problema sério conosco. Eu sei que é uma condição de relação de trabalho, porque para nós, rodoviários, que não é uma tradição, isso foi uma conquista – eu fui membro de uma comissão de salário em 1962 –, que o rodoviário, para se deslocar, ele não paga a passagem. Mas não é nada de graça, não. Na época, deixamos de ganhar no nosso salário para poder ter isso aqui. E foi uma confusão danada de como nós vamos nos movimentar. Conseguimos através da convenção coletiva. Mas é um “Deus nos acuda” porque foi preciso ter muito debate. Porque hoje tem aquele negócio: prevalece o acordado sobre o legislado. Mas ainda tem muito a ser resolvido.
E tem essa questão: a nossa preocupação é ter tranquilidade de servir bem à sociedade. O conceito da nova diretoria – e por isso que eu lamento muito a ausência da Secretária. Já estive com ela em várias vezes, em outros eventos. Eles não nos recebem, não querem ver porque antes tinha uma visão de diretoria, que se a pessoa tinha os seus hábitos, não era muito saudável, salutar, mas nós estamos tentando justamente ter essa aproximação porque, de vez por todas, queremos ter voz, só isso. Ninguém quer emprego, cada um no seu cada um.
E para encerrar, senhores, quero, mais uma vez, além de parabenizar essa iniciativa, agradecer o convite e apelar para que nós possamos continuar tendo esse contato. Muito obrigado.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Muito obrigado, Senhor Pedro Imperiano. A gente que agradece a disponibilidade, a contribuição. É bastante importante escutar uma voz tão experiente como a voz do senhor. A gente fica extremamente grato por ter vindo até aqui, trazer esses relatos, trazer essas verdades, porque o que a gente vê é que são verdades de quem vive, de quem está no dia a dia, de quem já viveu, de quem de fato entende dessas problemáticas e não só uma fala crua. A gente vê uma fala realmente com experiência, uma fala que contribui muito para que a gente possa ter um debate concreto e também para que a gente possa levar essas demandas que são urgentes para a Secretaria de Transportes.
Reitero com o senhor que é lamentável a ausência da Secretaria de Transportes nesse debate. Por aí a gente vê o descaso, o tanto faz. A justificativa, volto a dizer, é “por motivos de força maior”. Ou seja, não é tão importante ouvir o que a sociedade tem para dizer, ouvir o que os verdadeiros afetados com essa situação toda do Jaé têm a trazer, têm a reivindicar, têm a tentar ajudar, porque, na verdade, as pessoas estão aqui tentando ajudar. Julia, Senhor Pedro, Guilherme, vocês estão aqui tentando ajudar a solucionar essa problemática. Então, é lamentável a ausência da Secretaria de Transportes.
Bom, e agora vamos dar continuidade. Temos alguns oradores inscritos. As inscrições estão encerradas, mas a gente tem aqui alguns oradores para fazer uso da palavra, com o tempo de três minutos, correto? Então, a gente vai chamar agora o jovem Flávio Paiva, que é do Movimento Rua, para fazer uso da palavra e trazer uma contribuição bastante incisiva para o nosso debate.
Muito obrigado pela presença.

O SR. FLÁVIO PAIVA – Boa tarde, gente. Queria começar saudando a iniciativa do mandato nessa atribuição fundamental de diálogo, de fiscalização da Prefeitura, de diálogo com a sociedade e com os movimentos sociais. Acho que esse debate do Jaé é muito importante, porque inclusive eu também sou estudante universitário. Eu consegui a minha gratuidade, Julia, mas agora que eu tenho o cartão eu não consigo desbloquear. Então, eu estou passando também um pouco por essa saga que acho que um conjunto de jovens tem enfrentado, no sentido do acesso, dessa mudança do Riocard para o Jaé.
Objetivamente, eles cancelaram todas as gratuidades do Riocard sem que as pessoas tivessem acesso ao cartão físico do Jaé, o que, na verdade, contribui para a obstrução de um acesso não só ao nosso direito de ir para a universidade ou para a escola, mas ao nosso direito de ter acesso à cidade, a equipamentos culturais, ao hospital, enfim.
E não é sobre a gente ser contra, por exemplo, o estabelecimento de uma autoridade metropolitana de controle da bilhetagem ou de um controle mais público do serviço de transporte. Esse é um debate que, por exemplo, a gente do Rua já tem travado há algum tempo, mas o central para nós é que esse controle público esteja a serviço da qualidade do serviço para a população, o que não está acontecendo.
Por óbvio, a gente quer que essa caixa-preta do transporte seja desmontada, mas que isso se traduza, efetivamente, na qualidade do serviço prestado pelo transporte público metropolitano na nossa cidade. Então, eu acho que, nessa briga entre a Riocard e a Prefeitura, eu adoraria dizer que estou do lado da briga, mas na prática quem está sofrendo com isso somos nós, a população.
Acho que um pouco do que o Pedro apresentou mostra para a gente como a história do transporte público na nossa cidade também é uma história de exclusão, de dizer quem tem e quem não tem acesso à cidade. E ouvindo também a Julia e o Guilherme, acho que eles apresentam elementos que na verdade estão no dia a dia de todo mundo que depende de transporte público.
Meu amigo, por exemplo, na semana passada, conseguiu a gratuidade do Jaé só no celular. Foi assaltado no ponto de ônibus e, por óbvio, não tem mais como pegar o ônibus porque não tem mais o QR Code. Acho que, para além disso, existe uma demora, como foi apresentado, para a produção e para a entrega dos cartões, principalmente nesse quesito da integração entre os modais, como tinha antigamente com a Riocard. Só agora, que entrou o Jaé para o metrô.
E também, como cancelaram a gratuidade do cartão do Riocard para todo mundo e agora a gente não ter acesso ao Jaé físico, na verdade estão obstruindo esse direito de quem, no seu corre diário, faz a cidade funcionar.
Para além disso, inclusive, fui tentar dialogar com várias pessoas no sentido de tentar entender um pouco mais dos problemas do Jaé. Já me apresentaram: “Cara, para a gente ter problema com o Jaé, a gente precisa ter o Jaé.”
Então, por exemplo, várias gratuidades ainda não foram liberadas. Na UFRJ, estamos até tentando se organizar para fazer uma manifestação e que bom que tem essa sinalização do mandato no sentido de contribuir para, de fato, fazer essa pressão com o Poder Público. Hoje a gente vê um conjunto de problemas no transporte público, a gente vê tarifas abusivas, um serviço péssimo de qualidade, ainda mais nos ônibus que estão fora do eixo Centro-Zona Sul e, para nós, é fundamental que a gente consiga avançar no sentido de retomar um debate sobre o passe livre, como a gente tem feito e também fazer um debate de tarifa zero para que todo mundo tenha acesso ao direito ao transporte.
Acho que é um debate que está avançando, por exemplo, em Belo Horizonte, é fundamental que a gente consiga fazer aqui no Rio de Janeiro também.
Muito obrigado, gente.

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Muito obrigado, Flávio, por sua contribuição. Muito obrigado pela sua voz e pela sua atuação. É uma atuação bastante importante para a sociedade. Precisamos de jovens engajados, conscientizados, ligados nessas problemáticas e espalhando a palavra mesmo. Falando: “Olha, a gente tem que lutar, a gente tem que ir para a rua, a gente tem que reivindicar, a gente tem que mostrar para o Poder Público que não estamos satisfeitos”. Esse é um papel crucial que cada um tem que fazer. Não adianta falar que é assim mesmo; ah, não vou falar por que não dá em nada.
Se a gente falar que não vai reivindicar por que não vai dar em nada, quem vai comemorar de fato é o Poder Público que já não quer fazer nada. E aí se a gente não cobrar, junta a fome com a vontade de comer. Então é isso, muito obrigado mesmo pela sua contribuição bastante importante.
Agora vamos chamar o nosso segundo orador, que é o Senhor Sérgio Adriano, diretor do Sindicato dos Rodoviários.

O SR. SÉRGIO ADRIANO – Bom dia, Mesa. Bom dia a todos que estão aqui. Eu venho em nome do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro e também sou motorista de ônibus, dirijo ônibus há 21 anos e venho fazer esse apelo em nome dos trabalhadores e em nome do sindicato.
Hoje, se fala muito em tecnologia, modernização, mas na prática nós operamos de forma manual, como a circulação de dinheiro espécie dentro dos ônibus que coloca em risco a saúde e a segurança dos trabalhadores e prejudica a eficiência da modernidade urbana.
Por isso, pedimos aqui que seja colocado em pauta o fim da circulação do dinheiro no ônibus, mantendo o pagamento somente virtual ou no cartão. Essa medida representa mais tranquilidade para os passageiros e avanço para a sociedade.
Eu venho fazer uma reivindicação dos trabalhadores sobre a questão da operação do validador do Jaé. O motorista, hoje, quando vai prestar conta, dá sempre um erro com o Jaé, chega ao final do dia e tem que pagar de cinco a 10 passagens do bolso dele. Se ele não puder pagar, fica impedido, toma falta e perde seu ticket de alimentação. Essa falha está penalizando os nossos companheiros, tendo que pagar do seu próprio bolso a passagem. Isso é injusto e inaceitável.
Por isso, peço atenção à questão operacional para que haja uma melhor integração entre o Jaé e os nossos validadores, garantindo a condição, a tecnologia e mais segurança justa, assim o trabalhador será menos prejudicado por esses erros que não são deles. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Muito obrigado, Senhor Sérgio Adriano, pela contribuição, pelas reivindicações, com certeza vamos receber aqui com muita responsabilidade. Vamos te convidar outras vezes para estar vindo aqui para que a gente possa articular essa luta que é bastante importante.
Quando a gente fala de rodoviários, a gente não pode esquecer o que os motoristas de ônibus passam no dia a dia, sem contar que estão na horrorosa escala 6x1 que muitas vezes ultrapassa a escala 6x1. Eu tenho passado em alguns pontos de ônibus e quase todos os motoristas falam que muitas vezes não é só 6x1, acabam trabalhando mais que isso, o que é ilegal porque a escala 6x1 já é incompatível com a realidade humana. Passando disso já é um crime absurdo contra o ser humano e a gente não está falando de qualquer profissional, a gente está falando de um profissional que faz a cidade girar o dia inteiro, a noite inteira ali, fazendo a cidade girar e não tem sequer uma escala de trabalho justa, muitas vezes esses trabalhadores não param nem para almoçar. Eu estou falando aqui relatos de motoristas que já falaram para o nosso mandato, de quem já fez essa denúncia, de quem já fez esse desabafo de que muitas vezes não conseguem almoçar porque não param.
Então, é muito importante que o nosso mandato e os rodoviários façam essa conexão, para que a gente possa trazer mais importância para essa luta, trazer mais firmeza, trazer mais visibilidade porque, quando a gente fala de lutar pela classe trabalhadora, a gente sabe que são inúmeros problemas, mas a gente tem alguns problemas que são mais urgentes, como, por exemplo, a escala de trabalho, a remuneração, enfim, as condições básicas para que as pessoas possam pelo menos ter força para lutar porque no modelo atual muitas pessoas não estão tendo força para lutar, para reivindicar. As pessoas estão cansadas, deterioradas, sugadas com essa lógica, que é um descaso com cada trabalhador e trabalhadora que sustenta esta cidade.
Dando continuidade, a gente vai chamar, agora, o Senhor Adriano Araújo, que é Diretor do Sindicato dos Rodoviários, para fazer uma contribuição aqui para o nosso debate.
(PALMAS)

O SR. ADRIANO ARAÚJO – Bom dia a todos, bom dia à Mesa. Desde já o Sindicato dos Rodoviários quer agradecer ao Senhor Vereador Rick por este convite e por abrir a porta para a gente. Não foi a primeira porta em que a gente bateu para estarmos aqui.
Sobre a Excelentíssima Secretária, já tiveram alguns outros debates em que ela deixou de fora o rodoviário, fez até um convite a uma pessoa que nem representa a categoria e nos deixou de fora porque eles não querem escutar a verdade.
Quando a gente fala, como o Pedro Imperiano foi bem claro quando falou sobre gratuidade, não é bem uma gratuidade do rodoviário. O rodoviário, para transportar a população, levanta de madrugada e, às vezes, por falta de condução, tem que fazer várias baldeações, tem que pegar vários tipos de condução para chegar ao trabalho e quando sai do seu trabalho, Rick, ele tem que sair do ponto do ônibus e ir para a prestação de conta.
Imagine se o trabalhador tivesse que pagar todas estas passagens. Então, além de a gente transportar vidas – e Pedro colocou muito bem isso – a vida é o patrimônio principal da humanidade. Se vidas não estão sendo tratadas, de que vamos tratar aqui? De um ônibus de R$ 1,5 milhão, que é você quem paga? Você já leu o que está escrito do lado dos BRT? Que é saído do seu dinheiro, do seu fundo de garantia que é depositado lá, que é retido.
Então, eles estão usando o dinheiro da população para atender a população, para ser um trampolim político ano que vem, mas não estão tratando de quem tem que ser tratado, que é da população, da classe operária e principalmente dos rodoviários, que não estão tendo voz, Rick.
Você falou de condições de trabalho e da escala 6x1, mas é muito mais do que 6x1 porque o rodoviário é obrigado a trabalhar, a dobrar a escala de trabalho. Ele sai 4 horas da manhã ou 3 horas da manhã e chega, às vezes, 10 horas da noite na sua casa, mal tem tempo de dar um beijo na esposa, como se diz, de dar um chute no cachorro e voltar para o trabalho, transportando vidas.
Às vezes, acontecem os acidentes e a primeira mão que a sociedade aponta é para o motorista, para a nossa classe, mas ninguém vê o que a nossa classe está passando. Nós não temos banheiro digno nos pontos finais, não temos nem direito à água potável. Refeição? Eu fui motorista de ônibus por 25 anos, depois passei para operacional. Eu cansei de almoçar no trânsito, no engarrafamento, para poder entrar na dobra, para eu poder dar uma vida digna para minha família. Eu, graças a Deus, tenho filhos formados, hoje, pelo suor do meu trabalho. Mas essa é a condição que hoje o rodoviário vive.
Aí, a Secretária fala que o rodoviário não tem direito a ter o Jaé, porque quer cumprir o que está na CLT, que todo trabalhador tem que ter o vale-transporte e descontar 6%. Mas a lei diz que o acordado está sobre o legislado. Se a gente tem uma convenção coletiva, ela tem que ser respeitada. Porque a convenção coletiva é feita por noite de suor e luta, não é “aconteceu, fizeram uma lei e jogaram”, não. É feita diante de uma categoria que está sendo suprimida aí fora aí, sendo atacada por todos.
Então, Rick, eu peço a você, estou te conhecendo agora, mas o nosso companheiro Ricardo que abriu esse canal de conversa com você, não pôde estar aqui hoje, porque teve uma perda da sua avó, faleceu, ele está dando apoio à família, mas ele sempre tem falado que você é um cara de luta e eu quero acreditar. Eu tenho muitos conhecidos aqui na Câmara, que eles só procuram a gente a cada quatro anos. E eu quero acreditar que esse teu trabalho seja contínuo. Bota na pauta o rodoviário, porque é uma categoria de 21.000 trabalhadores que faz essa cidade movimentar.
Então, eu peço não somente a vocês, a toda a sociedade que olhe com bons olhos quando você vê um motorista atrás do volante, porque ali tem um pai de família que, às vezes, passa 14, 15 horas trabalhando para poder dar o melhor para sua família. E assim eu agradeço a todos, agradeço à Mesa por tudo.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Muito obrigado, Senhor Adriano. A gente que agradece a sua contribuição, a sua verdade, a sua sinceridade.
De fato, é uma categoria que merecia muito mais respeito, merecia muito mais dignidade, merecia mais consideração, digamos assim, porque é uma categoria que, de fato, movimenta a cidade. Para que a cidade seja essa cidade, para que o Rio de Janeiro, para que o Município do Rio de Janeiro seja esse município turístico que atende, que está aqui pronto de portas abertas, a gente precisa dos rodoviários para que a cidade possa girar.
Então, é uma categoria que a gente tem dialogado e a gente quer dialogar cada vez mais, porque as condições de trabalho dos rodoviários estão cada vez mais precarizadas. Condições absurdas, condições que não são humanas. A gente está falando de trabalhadores que, como acabou de relatar aqui, almoçam no trânsito. Como é que a gente pode normalizar um absurdo como esse? Como é que a gente pode simplesmente dizer: “não, é assim mesmo, faz parte do trabalho”. Não, não faz parte do trabalho. O trabalho é para que a gente possa viver e não para que a gente morra prestando esse trabalho. E não tem como a gente falar de vida além do trabalho, de vida digna, de vida saudável com essas condições precarizadas que os rodoviários enfrentam constantemente.
Como foi dito aqui na Tribuna pelo nosso amigo, passa de 6 x 1. Tem trabalhadores que trabalham 10 dias para folgar um. Eu já vi esses relatos. Até 15 dias. Gente, 15 dias trabalhando. E não é qualquer trabalho, é rodando, girando pela cidade. São 15 dias para ter um dia de folga.
E olha que a gente está falando só de escala, não estamos falando do salário. Estamos falando apenas de uma escala mais digna, mais justa. E também falamos aqui de um crime, porque isso é um crime. Uso aqui da minha prerrogativa para afirmar que é um crime. Um trabalhador trabalhar 15 dias para folgar apenas um. E a gente tem que continuar falando, a gente tem que continuar denunciando. E, mais que isso, a gente tem que unir as categorias, porque quando a gente fala de classe trabalhadora é isso, é unir as categorias, porque quando a gente fala de classe trabalhadora, é isso, é unir as categorias, para que a gente possa frear esse abuso contra os trabalhadores e as trabalhadoras.
Porque a classe política que está na política para representar o empresariado, eles se unem. Quando eles querem, eles se unem. Como, por exemplo, agora em Brasília temos um momento polêmico, a PEC da impunidade. Estão lá tentando aprovar a todo custo uma PEC, uma Proposta de Emenda à Constituição, para que, caso um parlamentar, um deputado federal ou uma deputada federal cometa um crime, o próprio Parlamento decida se ele vai ser julgado ou não.
Então, a gente vê que, para conseguir os seus direitos, para fazer malabarismo para continuar cometendo crimes e sugando a sociedade, eles se unem, e a gente tem que pegar esse exemplo e se unir contra eles, para a gente conseguir uma vida minimamente digna para a classe trabalhadora. A gente está falando aqui do básico, para que as pessoas possam pelo menos viver. Obviamente que a gente quer muito mais, a gente quer mais direitos, mas por ora a gente está falando do básico, a gente está falando de uma escala de trabalho, por exemplo.
Então, é isso, que a gente possa sair deste debate mais indignados. Eu costumo dizer que a revolta, a indignação, o ódio organizado resolvem. Se a gente ficar parado não dá para resolver. A gente precisa ter esse ódio dessa gentalha burguesa que toma conta das instituições para fazer política em prol deles mesmos. Defendem a família, a família deles, o povo deles, a sociedade deles, os grupos deles. Então, vamos nos manter revoltados e indignados.
Dando continuidade, vou chamar agora também o jovem Gustavo Ferreira, o Biskui, nosso artista, para fazer uso da palavra, que dispõe de três minutos. Muito obrigado.

O SR. GUSTAVO FERREIRA – Licença, licença.
Eu queria começar minha fala me desculpando com meus amigos motoristas, porque, como estudante da rede pública que pega ônibus todo dia e tem o Jaé on-line, e não o cartão, direto e reto preciso pedir para entrar por trás e não posso. E, às vezes, é rebatido com uma fala engraçada, com um xingamento. “Pô, seu celular está descarregado, o problema é seu” e sai andando. E é difícil ter que lidar com essa situação como população que sofre com isso e não responsabilizar quem está trabalhando ali, dirigindo aquele veículo, está ligado?
Então, é algo que vai retroalimentando o ódio entre a gente mesmo, trabalhador para estudante, estudante para trabalhador. E não duvido quanto deve ser difícil. E aí a crítica deveria ser maior, deveria ir para outra estrutura. E, realmente, se preciso ter a declaração de estudante para entrar por trás, por que todo aluno não tem essa orientação? Canso direto de precisar ter que entrar por trás do ônibus e não conseguir. E a população que dá calote ainda é a mais prejudicada, porque corre risco e ainda é criticada.
Então, acho que esse debate vai muito além. Então, só queria começar me desculpando e trazer outra pauta. Eu, de novo, reitero que sou estudante, e a minha escola é de frente para um ponto do Riocard. E lá desse ponto do Riocard sai o 669, que é um ônibus que passa de frente ao Engenhão, que é o ônibus que pego todo santo dia. E quando pego esse ônibus, dia sim, dia não, sempre tem um grupo de idosos que está pegando o mesmo ônibus me perguntando onde que fica o Engenhão para ir para a Nave do Conhecimento, onde vai tirar o Jaé. Porque a comunicação com a população idosa é de 100% de descaso. Porque falam: “Você tem que tirar um cartão novo”. Aí o idoso vai, se locomove lá da Baixada até o centro do Méier para fazer no Riocard, quando a parada, na verdade, é no Engenhão.
E aí, você chega ao Engenhão e novamente tem outra problemática. Quando não está aquela fila imensa, está o posto de atendimento, que é onde acontecia uma roda cultural. Roda cultural essa que movimenta cultura, que movimenta a discussão familiar, que movimenta muita coisa positiva. Mas estão pouco se lixando, para não falar outra parada, não é?
Então, novamente o descaso. E alimenta o ódio entre nós mesmo, porque até o movimento que era para estar sendo positivo, que era a cultura, que era para falar sobre amor, a gente tem que sofrer como organizador e como público para achar outro espaço ali perto para fazer. Porque enquanto a gente está tentando fazer o bem, tem gente que está pouco se importando e está prejudicando ainda mais. Então, além de não ajudar, está atrapalhando.
Então, como parte das pessoas que estão tentando ajudar, peço desculpa aos meus amigos motoristas, peço respostas. A Secretária que não pôde estar presente, acho isso f***, para não falar outra parada. Acho esculacho com a população, acho esculacho com o estudante, com o motorista e com toda a sociedade no geral.
Queria agradecer ao Rick. Fiz parte de algumas das manifestações que teve e acho muito incrível, mas, além disso, acho muito triste a invisibilidade que esse movimento tem de uma forma ou de outra. Era para esta sala estar lotada com um monte de gente lá fora gritando. Então, infelizmente esta sociedade em que a gente vive, mesmo manifestando, ainda assim a gente não é ouvido.
Então, só queria agradecer pela voz, agradecer pelo convite, pedir que tenhamos força e continuemos, a todos que estão aqui. Você é brabo! Você é brabo!
Agradeço geral que me escutou.
Licença.

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Muito obrigado, Gustavo. A gente que agradece a sua presença, a sua disponibilidade.
E você fez uma fala muito importante: que é uma armadilha de quem está dentro das instituições, uma armadilha burguesa fazer com que os próprios trabalhadores se odeiem entre si. Então, a gente acaba se indignando com o serviço que está ruim por responsabilidade das instituições, dos órgãos competentes, mas às vezes a gente acaba querendo descontar na pessoa, no trabalhador que está ali só realmente dando a cara à tapa e enfrentando também essa problemática. É uma armadilha, digamos assim. E a gente precisa realmente ficar bem atento relacionado a isso. A gente precisa realmente se unir, a gente precisa se acolher, a gente precisa ter mais empatia com a gente mesmo, porque essa classe que domina tudo, eles são muito unidos, né? Eles são unidos. Eles são unidos, e a gente precisa se unir também. Então é isso.
Agora, para finalizar, vou chamar também aqui o jovem João Pedro Alves, que vai fazer uso da palavra e dispõe de três minutos. Esteja à vontade.

O SR. JOÃO PEDRO ALVES TAVARES – Bom dia a todos.
Meu nome é João Pedro Tavares, luto pela mobilidade urbana na Cidade do Rio de Janeiro. Quem quiser conferir mais detalhes da minha luta, pode ver o meu Instagram @joaopedrotavares13. Peço desculpas até por essa autopromoção.
Eu gostaria também de saudar o Vereador Rick Azevedo pelo espaço de fala aqui e a Mesa que está conduzindo a reunião.
Até aproveitando a fala do amigo Gustavo, vou te falar por que a sala aqui não está cheia e lá fora não está cheio: porque meu pai, Ronaldo Tavares, costuma dizer que só faz política quem tem tempo para fazer política, porque por causa dessa escala de trabalho maldita que, como o Vereador Rick e os amigos rodoviários já disseram, é desrespeitada. Então, ela por si só já é desumana e ainda consegue ser piorada.
Então, assim, mas enfim... Voltando ao Jaé. O Jaé foi uma medida importante, tendo vista que a nossa bilhetagem digital é dominada pela pelas empresas de ônibus que não visam a nada além do lucro. Visão essa que faz com que ocorram abusos, como os dos nossos amigos rodoviários aqui, que são colocados para rodar dia após dia, dia e noite, para rodar com ônibus sem ar-condicionado, com motor esquentando na perna, para ainda sofrer a ira do trabalhador que, infelizmente, não sabe a quem direcionar a raiva e direciona erroneamente ao motorista.
Quando como o Vereador falou “não há nada melhor do que um ódio canalizado”, porque às vezes a gente esquece e não sabe para quem direcionar a raiva. Vou falar para vocês: a gente tem que direcionar a raiva àqueles que nos exploram, àqueles que não nos escutam. Acompanhei as greves da Transportes Vila Isabel e da Viação Três Amigos. Apoio vocês com todas as minhas forças. Se for para vocês serem explorados, então a empresa não vai obter seus lucros. Se for para parar a empresa, que pare e que venha abaixo se não for para respeitar o trabalhador.
Vale lembrar também que, mesmo com a implantação do Jaé, a gente ainda continua com os mesmos problemas crônicos de sempre, com ônibus sem ar-condicionado, com ônibus lotado. E ainda vale lembrar que, em julho, a Secretaria Municipal de Transportes reduziu a quantidade de viagens de várias linhas da cidade do município, haja vista a 315, a 222. E lembrar que a Secretaria Municipal de Transportes faz parte do ente público que em teoria era para nos representar.
Então, pergunto: que representação é essa que complica a vida do trabalhador e complica a vida de quem serve ao passageiro carioca, que é o rodoviário? Portanto, acredito que a Prefeitura tenha que ter um respeito maior com os rodoviários do que só botar na vista do BRT “Obrigado, Rodoviários”, porque não é isso que acontece na prática.
Mas isso tudo, esse problemática, tem um nome que é a omissão da Prefeitura com a sua população, querendo terceirizar tudo que deveria ser responsabilidade dela: o transporte público, a tentativa de licitar o BRT, que aconteceu. Até fora do assunto aqui, da reunião, também o que está acontecendo no Jardim de Alah, que está sendo arrasado para a iniciativa privada poder explorar, e está tendo um movimento em massa dos moradores do Jardim de Alah, e estão sendo ignorados.
Então, vale lembrar que a Jaé é uma empresa privada, cujo direito de exploração foi concedido pela Prefeitura. Então, como ente privado, ela vai visar ao lucro. Ela vai querer fazer o máximo com o mínimo. As grandes filas que estão acontecendo e o mau atendimento são porque a empresa visa ao lucro, não ao bem-estar da população. Eles estão tentando passar um elefante pelo gargalo de uma garrafa.
Então, venho aqui finalizar minha fala pedindo que a Prefeitura, enquanto ente público, não se omita da sua responsabilidade com a população, que pegue a responsabilidade com a mão e vá fazer por si só, e não entregar na mão dos outros.
Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (RICK AZEVEDO) – Muito obrigado, João Pedro.
A gente agradece a sua contribuição, a gente agradece a sua força.
E é exatamente disto que a gente precisa: dessa revolta, dessa indignação, desse desconforto, porque a gente... a gente não tem conforto, não é? Em momento algum. A sociedade em si não tem, mas muitas vezes meio que a gente fica ali, preso, que é o que você acabou de falar, relacionado à escala 6x1.
A escala 6x1 é um modelo de trabalho que é muito bem arquitetado e pensado. É justamente para prender as pessoas, para que as pessoas não tenham tempo, para que elas não tenham tempo para estudar, para pensar, para reivindicar, para ir atrás.
Então, a gente precisa dar um golpe neles. Um golpe, que eu digo, um golpe de pensamento. A gente precisa direcionar o ódio para a verdadeira raiz do problema. E a verdadeira raiz do problema é a burguesia infiltrada na política, porque eles falam: "Política e religião não se discutem". Eles colocaram isso na cabeça da sociedade, enquanto eles estão lá discutindo e decidindo por nós. Se a sociedade, se os jovens não resolverem entrar para a política e tomar esses espaços, a gente vai continuar por muito tempo sofrendo.
Porque as conjunturas das casas legislativas, do Congresso Nacional, são bem complicadas. Aqui no Rio de Janeiro, não preciso nem falar. A conjuntura aqui é simplesmente para servir aos poderosos. No Congresso Nacional, a mesma coisa. Se a gente vier ali para a Alerj, a mesma coisa. Porque a gente não tem representantes reais da classe trabalhadora decidindo a vida dos trabalhadores. Olha só que ironia. Quem decide a vida da classe trabalhadora é justamente a elite que está na política para defender os seus interesses.
Então, a gente precisa fazer essa reflexão, a gente precisa realmente redirecionar a rota. E peço para vocês continuarem engajando, continuarem realmente interessados em saber o que está acontecendo, tanto na Câmara Municipal quanto na Alerj quanto lá em Brasília, porque se a gente não se importar, fica muito confortável para esse grupo de poderosos que está dentro da política justamente para frear os direitos da classe trabalhadora.
Bom, indo já para a finalização, a gente tem aqui uma declaração do Prefeito Eduardo Paes que não vou nem ler, não vou nem fazer vocês perderem esse tempo. Porque, assim, se eu for ler, de fato, é muita linguiça. Encher linguiça aqui... porque são justificativas rasas, são justificativas baratas, são justificativas que subestimam o povo, são justificativas que não dizem nada com nada, são justificativas que de fato são daquelas pessoas que não vivem as problemáticas na pele. Pouco me importa, Prefeito, se não está dando certo. O que a gente quer saber é que tem recurso do povo para dar certo. Se vira nos 30. A Prefeitura tem condição. Os órgãos competentes têm condição. O que eles não têm é interesse real de resolver.
Pouco me importa e volto a dizer: quero saber se fossem carros da Prefeitura, carros da Câmara Municipal, se a gente estaria enfrentando essas problemáticas pontuais. Faça-me o favor. Faça-me o favor, Prefeito Eduardo Paes. Faça-me o favor, Executivo. Uma nota que não tenho nem coragem de ler para vocês. Estou aqui traduzindo esta nota patética, esta nota rasa, que tem a profundidade de um pires. E eu me recuso, de fato, a dar isto aqui para vocês como justificativa. O que a gente pode traduzir desta nota é que não estão de fato se importando com quem trabalha, com quem sustenta esta cidade; com quem está, dia após dia, fazendo a Cidade Maravilhosa que tanto o Prefeito Eduardo Paes tem orgulho de apresentar e de dizer: sou o Prefeito desta cidade.
Mas eu gostaria de lembrar ao Executivo que, para ele ser prefeito, as pessoas estão construindo dia após dia. E essas mesmas pessoas não têm sequer um transporte de qualidade, não têm sequer um transporte digno. Olha só o nível em que estamos. Estamos aqui dizendo que, houve uma mudança em um cartão de transporte público, ok. Não é proibido fazer mudança, mas não tiveram atenção para fazer essa mudança. Vamos fazer a mudança.
E aí as problemáticas, como já ouvi aqui de vereadores da base do Governo dizendo: “É assim mesmo. São problemas pontuais”. Preciso dizer que teve um vereador da base do Governo dizendo: “Ah, mas quando alguém abre um restaurante, e aí ele vai se adaptando”. Eu falei: “Vereador, você anda de transporte público? Você pega ônibus lá da Zona Sul para vir aqui para a Câmara Municipal? Teve esse problema? Não conseguiu embarcar devido a essa situação, que para vocês são problemas pontuais?”. Não. Então, é aquele ditado: “Não está doendo em mim, pouco me importa. Resolvemos depois. Deixa para depois. São problemas pontuais”.
Então, a função deste debate, além de obviamente levar as questões técnicas... Porque aqui o meu jurídico se encontra presente, analisando esse debate para que a gente apresente as questões técnicas à Secretaria de Transporte, que por sua vez fez pouco caso; a Secretária não compareceu; não mandou nenhum representante. E vou soltar isso nas redes sociais. Porque aqui falam na Casa que sou um vereador de rede social. Sim. Eu vou expor nas redes sociais. A rede social é uma ferramenta para que a gente possa expor esse tipo de descaso, esse tipo de abuso para com a sociedade. Porque é um abuso, é uma falta de respeito com quem paga o serviço, com quem sustenta o serviço.
Então, sim, vou deixar claro, por motivos de força maior, a Secretária da Secretaria de Transporte não compareceu e não mandou nenhum representante. Este debate não tem importância para a Secretaria de Transporte? Ouvir os rodoviários, ouvir os usuários, a sociedade? Não tem importância para a Secretaria de Transporte? Está provado que não. E aí, quando a gente coloca nas redes sociais, começa um tititi aqui nesta Casa, dizendo: “Ah, o Vereador Rick Azevedo adora expor as coisas nas redes sociais”. Sim. Gosto. É necessário expor. Porque ano que vem a gente tem, aí, Eduardo Paes, já pré-candidato a governo. Então, a gente tem que tocar o dedo na ferida.
E aí, para finalizar este debate, eu queria que a partir daqui a gente fizesse uma conexão mais incisiva, e o meu mandato já se encontra à disposição para que a gente marque um ato, uma manifestação, para que a gente marque algo mais constrangedor. Talvez um evento em que a Secretaria de Transporte esteja, que esteja a Secretária. Não convidou a gente, mas a gente vai, a gente vai de penetra. A gente entra, já que não pôde vir até aqui, a gente vai até ela, por motivos de força maior. A gente vai até ela, porque é importante. Não precisa de convite para ir à Secretaria de Transportes.
Então, a gente pode reunir aqui um grupo maior, juntamente com o meu mandato, obviamente estarei lá presente, e vamos fazer uma visitinha na Secretaria de Transportes. E, obviamente, vamos usar as redes sociais para divulgar essas ações. Se é assim que a gente tem que constranger o Executivo, se é assim que a gente tem que mostrar que esse debate é importante para a Secretaria de Transporte, é assim que a gente vai fazer. É assim que a gente vai executar.
Peço que vocês continuem acreditando, peço que vocês continuem engajados, peço que vocês continuem frequentando esta Casa, voltem mais vezes, acompanhem as sessões, observem os vereadores e as vereadoras desta Casa de Leis. Porque quando vocês não comparecem a esta Casa, fica muito confortável para que eles possam fazer o que bem querem. Começam simplesmente fazendo aquilo que a gente não quer, aquilo que a gente não gosta.
Gente, só uma coisa muito importante: não adianta dizer que não gosta de política. A política é a sua vida, a política é isso aqui que a gente está falando, é o transporte, é a moradia, é a alimentação, é o seu dia a dia, é o seu bem-estar, é a sua saúde. Porque fizeram uma separação de política em que há: a política está ali e a minha vida está aqui, e não vou me envolver. Não façam isso. Tenho incomodado, a minha presença aqui nesta Casa tem gerado incômodo, mas só um Rick não basta, a gente precisa de mais. A gente precisa de uma renovação bastante incisiva e completa para que a gente mude o rumo da política neste país. E, automaticamente, mude o rumo das questões urgentes e necessárias deste país.
Antes de finalizar, quero só registrar uma presença muito importante do nosso psicólogo Cálito que está aqui presente. Ele chegou atrasado, mas chegou, chegou no finalzinho. Queria uma salva de palmas, que é uma pessoa muito importante para o movimento VAT. Ele apoiou o VAT desde o início, desde o meu primeiro vídeo lá no TikTok que ele apoia o movimento divulgando a nossa luta, divulgando a nossa causa. É um influenciador nas redes sociais que também usa as plataformas de uma forma muito séria e responsável. Agradeço imensamente a sua presença aqui com a gente. Já já a gente vai conversar, falar mais da luta.
Gente, muito obrigado pela presença. Muito obrigado por terem comparecido. Espero que vocês voltem mais vezes.
Declaro encerrado este Debate Público, que foi extremamente importante, sobre as problemáticas do novo cartão Jaé.
Muito obrigado.
Está encerrado o Debate Público.

(Encerra-se o Debate Público às 12h24)


LISTA DE PRESENÇA

Júlia; Vau Hill; Mauro Henrique Mendes Araújo; Sergio Adriano Pereira; Pedro Imperiano da Costa; Adriana Araújo; Lucia Carvalho; Fabio Paiva; João Pedro Tavares; Luis Eduardo Aragão; Michel Brito; Gustavo Ferreira; Pedro Henrique Teixeira.