Comissão Permanente / Temporária
TIPO :
DEBATE PÚBLICO
Da
FRENTE PARLAMENTAR DE PROTEÇÃO E ATIVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL DA ZONA OESTE DO RIO DE JANEIRO
REALIZADA EM
04/29/2024
Íntegra
Debate Público
:
FRENTE PARLAMENTAR DE PROTEÇÃO E ATIVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL DA ZONA OESTE DO RIO DE JANEIRO, INSTITUÍDA PELA RESOLUÇÃO DA MESA DIRETORA Nº 10668/2021
DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 29 DE ABRIL DE 2024
(Parque de Realengo)
Presidência do Senhor Vereador William Siri.
Às 16h44, no Auditório Vereador Aarão Steinbruch, sob a Presidência do Sr. Vereador William Siri, tem início o Debate Público sobre a construção do Parque de Realengo.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Boa tarde a todos e todas. Obrigado pela presença.
Dou por aberto o Debate Público sobre a construção do Parque de Realengo. Hoje, nós vamos debater aqui nosso querido Parque de Realengo. Já são anos e anos de muita luta. Algumas coisas avançaram, mas sabemos que tem muita coisa ainda a ser feita.
Este Debate Público está sendo feito pela Frente Parlamentar de Proteção e Ativação do Patrimônio Histórico-Cultural da Zona Oeste, da qual sou presidente.
A Mesa está assim constituída: Senhora Secretária Municipal de Ciência e Tecnologia, Teresa Paiva; Senhora Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Laura Di Blasi; e Senhora Larissa Monteiro, representante do Movimento Agenda Realengo 2030.
Nós convidamos a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC), e me parece que não tem ninguém de lá, mas quero agradecer aqui à Secretária Teresa Paiva. A Fundação Parques e Jardins (FPJ)... Eu acho também que não veio ninguém. Bom, obrigado por vocês estarem aqui.
Eu acho que vai ser importante. Faltaram algumas representações, mas acho que vamos conseguir fazer um bom debate sobre algo que é histórico para a Zona Oeste. Eu, sendo Presidente, muito com esse olhar com o qual a gente vem debatendo a cidade como um todo, mas como a gente sempre fala: olhar a cidade a partir da Zona Oeste é fundamental, porque são os lugares marcados pela desigualdade. Quando a gente fala de patrimônio, também estamos falando de todo o patrimônio em Realengo, que é a luta de muito tempo por esse parque, que é fundamental para a nossa cidade.
Eu estava fazendo alguns levantamentos, e ali onde tem – na semana passada, ou retrasada – que nós fomos, foi semana retrasada, eu acho, que nós fomos lá ao Parque Realengo. Foi a última vez que eu fui, mas acho que em 2021 nós fomos também. Em 2022, como tinha todo o processo da possibilidade de fazer um parque ainda. Tinha toda a lógica de os movimentos sociais disputarem ali para ser 100% verde, até que ficamos sabendo que a Prefeitura queria fazer um parque ali. Aí, toda aquela confusão. Então, decidiram fazer em um território, acho que não chega a 50%. São 47%, eu acho, onde estão fazendo o parque ali.
Enfim, nesse trabalho todo, no tempo passando, a gente foi entendendo cada vez mais como é que seria pesquisando, porque eu acho que faltou muita transparência até o momento, de como seria o parque e tudo mais. Nós fomos lá na semana retrasada. Uma coisa que nós tínhamos como preocupação, que eram as ruínas, por exemplo, e aí chegamos lá, e infelizmente, foram derrubadas, algo que é um patrimônio nosso.
Como que a Zona Oeste é muito marcada por essa desigualdade, por que nós vemos ali no Cosme Velho – o Largo do Boticário – eu me lembro de que, em dezembro de 2021 o Eduardo Paes foi lá. Um lugar que estava realmente abandonado, e teve todo um orçamento específico para refazer, vamos colocar assim, ou revitalizar – não é nem a melhor palavra – colocou ali um orçamento, e deixou vivo o Largo do Boticário, que agora está muito bonito.
Mas é isso, não é? É um lugar da Zona Sul. A gente vem falando muito sobre isso, não é? Que quando se trata da Zona Oeste, infelizmente, por isso esta Frente Parlamentar é de extrema importância.
Quando nós ouvimos lá o arquiteto que nos acompanhou nessa última visita, quando eu lhe perguntei o que deveria ser feito para manter aquela estrutura, ele foi categórico, dizendo: “Iria aumentar o custo em 10% da obra”. Aí, eu fico pensando... Patrimônio é algo que é isso: muitas vezes, é imensurável mesmo, mas tem de deixar ali por toda a história. A gente vê que, por causa de 10% da obra, não feito, não é mantido ali um patrimônio que é vivo, e que teve uma preocupação, estava no termo inicial da obra. Quando chegamos ali, não estava. Já tinha...
Enfim, por coisa de 10% que seria a mais, por toda a trabalheira que eles colocaram, foi derrubado. Então, isso nos preocupa muito. Essa questão da desigualdade até mesmo nisso. Quando se trata da Zona Oeste.
O segundo ponto também que nós vimos ali é a questão daquela árvore de lata, que é assim que os movimentos, nós estamos colocando ali aquela árvore de lata, qual é o custo daquilo? Efetivamente, é algo muito mais para chamar a atenção, mas você vê que, ao mesmo tempo em que naquele lugar onde tem uma árvore de lata ali agora, havia diversas outras árvores reais, e que foram derrubadas. Isso é um problemaço, tratando-se ainda, mais uma vez, de Realengo, entendendo que ali há uma, se há uma lógica do racismo ambiental, da emergência climática, Realengo, Zona Oeste, Bangu, cada vez mais precisam manter suas áreas verdes. A gente vê que, mais uma vez, tem uma árvore de lata ali. Enfim, isso também é bem a cara do Eduardo Paes, mas a gente vai debater sobre isso também aqui.
A terceira coisa, eu acho que é um avanço. Eu acho que a gente não pode negar também, porque, para quem mora, nós que somos da Zona Oeste, sabemos que é importante ter esse tipo de investimento. É um avanço, sim, porém a nossa luta é o 100% daquele território verde.
A gente vai discutir aqui hoje esses 47%, o que está acontecendo. Tem muita coisa ali que eu acho que dá para ser ajustado, por isso este Debate Público aqui é vem sendo feito. Estava até falando com a Secretária Teresa aqui antes, sobre a Nave do Conhecimento, que eu acho que ela vai ter a oportunidade, daqui a pouco, de falar sobre, e que eu acho que é muito importante para a nossa região.
Ao mesmo tempo, tratando-se também dessa lógica, do que representa aquele território. Pensar na energia solar ali, que todo o parque não está tendo. Não é só na Nave do Conhecimento, mas toda a lógica do parque, que não está pensando, por exemplo, em um lugar em que incidem muitos raios solares, vamos colocar ali, e por que não está pensando nessa lógica também de energia solar?
Um dos pontos que eu acho que todo mundo aqui vai tentar contribuir, justamente, neste Debate, mas compreender que ainda há outra parte, não é? Porque parece que saiu um pedido de licenciamento do Exército para a construção. Eu acho que aí vale, e parte muito de nós, a nossa resistência, para a gente avançar para todo aquele território ali se manter, as árvores se manterem de pé e, ao mesmo tempo, manter toda uma lógica ali, entendendo a questão das mudanças climáticas, e pensar o parque 100% verde.
Eu acho que esse é mais ou menos o contexto que nós estamos aqui. Aí, vou passar, não sei para quem primeiro. Quer apresentar você primeiro, Larissa? Depois, eu acho que a Presidente do IRPH e também a secretária podem falar. Pode ser assim? Então, fechou.
É isso, gente. Obrigado, mais uma vez, pela presença de vocês aqui. Eu acho que nosso debate vai ser bem frutífero, principalmente se tratando da nossa querida Zona Oeste.
Larissa, é com você.
A SRA. LARISSA MONTEIRO – Obrigada. Boa tarde.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Eu acho que o dela não está indo, não.
A SRA. LARISSA MONTEIRO – É, acho que não está ligado.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Agora, foi.
A SRA. LARISSA MONTEIRO – Foi, foi. Boa tarde. Eu me chamo Larissa Monteiro. Eu faço parte da Agenda Realengo 2030, mas também sou arquiteta. Eu participei do projeto de concepção do projeto básico das arquiteturas do parque.
Eu vim aqui meio que nessa dupla função, para falar um pouco sobre as expectativas da Agenda Realengo para a parte que já está construída, assim, em um olhar mais de incidência. Mas também acho muito importante colocar aqui o que o Siri já trouxe sobre as ruínas e sobre como isso foi levado a cabo e como está acontecendo a execução, não é?
(Inicia-se a apresentação de slides)
A SRA. LARISSA MONTEIRO – No projeto do parque, inicialmente, para esses 50% quase da área, foi previsto algum complexo de arquitetura, que dava conta tanto de algumas questões sociais, quanto de algumas questões culturais. Eu não sei se é de conhecimento geral, mas já há algum tempo existia aqui, nessa lateral do parque, uma ocupação. Então, no projeto inicial de paisagismo, a gente tentou o máximo possível colocar alguns equipamentos abertos aqui, para que essa ocupação tomasse esse espaço aqui em tempo integral, não dependendo da abertura do parque.
Nessa área aqui existia uma série de ocupações comerciais, e a gente redesenhou esse equipamento aqui, prevendo realocação desses comerciantes. O mesmo aconteceu por essa área aqui. Então, essas duas áreas abrigariam lojas.
Aqui, a gente teria o que a gente desenhou como um centro cultural, como foi solicitado pela FPJ, e que agora vai ser ocupado pela Nave do Conhecimento. Isso aqui seria o segundo mercado, seria uma estrutura de cobertura, tal qual essa, que seria aberta para receber diversas outras atividades, tanto comerciais quanto de caráter de feira, enfim.
As torres estão aqui, seria um marco visual solicitado pela FPJ e pela Prefeitura do Rio, que a gente, dentro do projeto de arquitetura, tentou combinar com as estruturas de caixa d’água. Então, essas duas branquinhas aqui em cima receberiam os castelos d’água para suprir todo o parque.
Essa cobertura aqui teria, em toda ela, placas solares para receber e captar energia solar. Enfim, estou tentando um pouco dar um panorama do que seria o projeto para a gente partir desse primeiro ponto.
O que aconteceu na verdade é que as ruínas ficariam aqui. Aqui, a gente teria, se eu não me engano, quatro ruínas e aqui uma quinta, que tem a chaminé, que de forma comitrágica foi demolida e permaneceu apenas a chaminé hoje em dia. Então, a gente fez o projeto prevendo todos esses equipamentos e prevendo o escoramento dessas ruínas para que a gente conseguisse proceder tecnicamente com a estruturação delas e algum trabalho de manutenção dessa camada que estava descascando, enfim.
O que acontece hoje, assim, em termos de construção, diferentemente do que foi planejado no projeto inicial, para execução é que essas lojas aqui não estão sendo executadas. Parece que elas foram solicitadas pelo Corpo de Bombeiros, que ocupa essa quina aqui e que posteriormente talvez elas fiquem para a Guarda Municipal. Eu não sei exatamente ao certo como está porque eu não participei do projeto de execução.
Essa parte aqui foi inaugurada depois de um advocacy que a gente fez pela agenda previamente a todo projeto do parque. Foram entregues essas lojas, ou seja, foram entregues 11 lojas e mais as 20 que estariam aqui nessa lateral não vão ser entregues para realocação dessas pessoas.
Essa lateral do parque me parece que foi toda gradeada. Então, ela não vai ser aberta como foi previsto no projeto original, e as ruínas foram demolidas, apesar de contarem, como Siri falou, no termo de referência, porque elas foram projetadas e foram orçadas para que a licitação do Executivo abarcasse esse valor total com a execução das escoras das ruínas.
Eu vou trazer aqui um pouco do que foi apresentado pela agenda como incidência para essa área. Eu acho que é muito sintomático que a parte que a gente mais se debruçou em falar foram essas ruínas. Tem uma coisa na arquitetura que a gente fala muito, que é uma concepção de tábula rasa, que é você chegar a um lugar, ignorar todas as condicionantes sociais e materiais, enfim, que estão no lugar e botar tudo abaixo para construir.
Foi o que a gente tentou não fazer nesse projeto, tanto que a gente olhou para a situação dos comerciantes, olhou para essas ruínas e a gente projetou essas ruínas para que elas abarcassem coisas que já estavam ali, tanto essa memória material de uma fábrica de cartuchos que, enfim, seja qual for a problematização de ser uma fábrica de cartuchos, ela existia, ela tinha um movimento operário, ela tinha uma história e ela, a nosso ver, ela deveria abarcar toda essa luta, toda essa história desse território.
Não só no projeto, porque elas foram projetadas para serem executadas, esse escoramento, enfim, essa manutenção, a agenda previa que essas ruínas fossem uma espécie de memorial a céu aberto. Então, a ideia seria que ela recebesse, que esse complexo de ruínas recebesse um percurso expositivo, que abarcaria um circuito de uma tipografia que acolhesse uma pesquisa de uma pesquisadora do bairro que se chama Marta, que há muito tempo já tem um acervo de memória catalogado por ela. Enfim, a ideia seria digitalizar tudo isso, colocar ali permanentemente, como exposição permanente, dentro desse circuito de ruínas, onde não só o material que ela traria, mas também o próprio espaço expositivo estaria contando ali qual é a memória desse terreno.
Não por acaso, acho que, como já foi falado, a exemplo do Largo do Boticário, a gente tem ali também o Parque das Ruínas, que é um local que tem uma ideia muito semelhante, é um espaço, uma construção que foi restaurada e que recebe, de tempos em tempos, exposições. Então, a ideia seria manter esse caráter tanto da história construída quanto da história pesquisada. Enfim, toda essa memória ali nesse lugar.
A gente tem aqui uma imagem do que seriam essas ruínas dentro do projeto. Elas teriam esse piso mais elevado, que entraria e conectaria entre elas. Então, a gente conseguiria fazer todo esse percurso expositivo.
Seria lindíssimo. Para a gente que projetou foi uma grande perda, mas, também, para a gente que é do movimento. Eu sinto isso duplamente, porque, para a gente que é do movimento, a gente falava muito sobre o quanto elas eram a parte mais importante desse projeto, por manterem, junto, óbvio, com as lojas de realocação dos comerciantes, por manterem a memória local. Então, a ideia seria...
Eu vou prosseguir para o restante do projeto. A ideia seria que a Nave do Conhecimento, que foi projetada como centro cultural também, tivesse dentro dela um acervo dessa memória. Enfim, todas as coisas que não estariam expostas seriam digitalizadas, seriam colocadas dentro desse acervo, junto com a administração do parque, com essas administrações culturais.
A gente queria muito que essas demais lojas fossem construídas, porque ainda existem comerciantes que não foram realocados. Acho que teve um processo que atravessou tudo isso, que foi começar a demolição antes de fazer o cadastro dessas pessoas. Então, hoje, a gente nem sabe bem ao certo quem eram as pessoas que ocupavam, o que, a nosso ver, é um absurdo, já que foram projetados espaços para realocar essas pessoas.
Mais absurdo ainda é não contemplar, já que isso foi orçado dentro do projeto, a construção dessas lojas, que elas sejam descartadas também e não sejam construídas. Então, existe um prejuízo dentro da concepção do projeto; existe um prejuízo social; existe um prejuízo na lógica mesmo territorial e social que abarca toda essa construção desse parque.
Eu acho que tem um descolamento muito importante, que é uma pergunta que a gente tem sempre que fazer: para quem esse parque está sendo construído? O movimento vem atuando há mais de 20 anos pedindo esse parque. Pessoas do território solicitam essa construção, mas, quando ela está sendo efetivada, a gente vê, tanto na dinâmica de construção das lojas, quanto nas ruínas, que tudo isso que vem sendo colocado e debatido, ao longo de muitos anos, está sendo cortado, para uma imagem de um parque que é de revista, que não engloba todas essas questões.
Enfim, a última... Para a gente pensar daqui para a frente também o que poderia ainda ser feito, tem uma solicitação muito grande, que é de projetar uma cobertura e construir uma cobertura para esse anfiteatro – que hoje é a céu aberto –, que é superinteressante, mas esperar o tempo dessas mudas que foram plantadas agora para fazer sombra, para que as atividades sejam exercidas ali, não parece viável.
A ideia é que, daqui para a frente, a gente consiga pelo menos construir uma cobertura, para que as atividades culturais que já acontecem, já aconteciam na ocupação, antes da construção do parque, consigam acontecer nesse anfiteatro, de maneira que elas sejam não só depois das 17 horas, que seria quando o sol começa a baixar, mas que elas aconteçam durante todo o dia. Enfim, aqui tem algumas inspirações que a Agenda Realengo 2030 traz.
Uma última coisa, que é muito mais simples, seria que existissem essas áreas destinadas para parcão, que a gente sabe que é uma coisa que acontece muito comumente na Zona Sul, mas que nesses parques pensados na Zona Oeste e na Zona Norte não acontecem tanto.
Aí, algumas inspirações também. Eu acho que, na parte da Agenda, é isso.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, Larissa.
Antes de passar para a Teresa, eu gostaria de fazer umas perguntas para a Teresa e para a Laura também. Aí, já vou passar de uma vez só. Aí, se puder responder alguma coisa, seria importante.
Nós fizemos alguns questionamentos também para a FPJ, mas não está, mas eu vou ler também, e para a SMAC, e também vou ler.
Bem, primeiro para o IRPH: qual é justificativa para a derrubada de ruínas, se elas já estavam previstas no termo de referência? Não sei se consegue responder também, e se há previsão de implementar um circuito cultural para resgatar a memória e história do parque. Aí, depois, com a sua fala...
Aí, para a FPJ, seria por que a escolha de forjar uma natureza com tantos gastos de manutenção e instalação em uma área em que era tão vasta a preservação do verde? A segunda seria se há alguma projeção de conquistarmos os 50% para frear o avanço da especulação imobiliária. Seria para a FPJ, mas como tem... Ninguém mais queria colocar isso aqui.
Para a Ciência e Tecnologia, para a Teresa, se existe algum planejamento para oferecer projetos e cursos na Nave do Conhecimento do Parque em Realengo e qual será o quantitativo de vagas disponíveis para a comunidade.
Aí, para a SMAC, seria diante da remoção de tantas árvores, como se dará o replantio no parque. A segunda pergunta seria: nas dependências do parque haverá uma horta e um pomar, qual será a integração desses espaços com a comunidade? Enfim, Teresa, se puder responder, eu te agradeço.
A SRA. SECRETÁRIA TERESA PAIVA – Boa tarde.
É um prazer estar aqui. Agradeço o convite, e a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia (SMCT) tem muita disposição de falar sobre as Naves do Conhecimento.
Você, na sua fala inicial, falou dos projetos que são feitos para a Zona Sul do Rio de Janeiro. Eu acho que é um grande orgulho da SMCT a gente poder falar que, sem nenhuma sombra de dúvida, a nossa prioridade não é a Zona Sul. As Naves do Conhecimento estão todas em região periférica, então Penha, Padre Miguel, Parque de Madureira, além da Nave de Realengo, que a gente vai inaugurar agora, que vai ser a Nave Bertha Lutz. É a primeira Nave que a gente está dando o nome de cientista, e, a partir de agora, essa vai ser uma tônica. É uma Nave para a ciência e para a tecnologia. A SMCT, dominada por mulheres, então, serão mulheres cientistas a dar nome às Naves, cientistas cariocas.
Acho muito importante a gente valorizar isso. As Naves do Conhecimento têm essa tônica de fazer inclusão digital. Sim, a proposta das Naves é oferecer cursos diversos, então, nas outras Naves a gente já tem cursos de informática básica, Excel, Canva, WhatsApp para pequenas empresas e desde os cursos mais básicos, até os cursos mais avançados oferecidos pela Cisco. Então, a abertura de cursos certamente vai acontecer, e a gente espera a provocação da comunidade.
Vamos oferecer mais Canva, ou mais cursos Cisco? A nossa ideia é que, inicialmente, a gente ofereça os cursos mais básicos e, com a demanda da comunidade, a gente passe a oferecer cursos mais avançados. A Nave também conta com uma LanTable. Então, a gente espera que aquela LanTable sirva para engajar a meninada da comunidade.
Começa usando para jogar um jogo e, a partir da presença, se engaje. Os coordenadores são muito importantes nesse sentido de convidar as pessoas a não ficar só jogando, a fazer os cursos também. Então, essa é a nossa proposta.
O número de cursos, eu pedi aqui uma cola para o Antônio. Eu acho que a gente ainda não tem. Por Nave, próximo a 200 certificados por mês. Eu tenho os números gerais das Naves. Em 2023, foram 1.300 cursos e 52 mil atendimentos. Então, a gente está aumentando o número de Naves.
A gente espera que esse número cresça em 2024, e esta é a proposta oferecer: cursos e qualificação digital nesses locais, em especial, abrindo a Nave de Realengo. A gente sabe que tem muitas escolas no entorno da Nave, não é? Tem o Pedro II ali, tem um Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) em frente, tem outras escolas municipais e estaduais. Então, a ideia é atender não só o público estudantil, mas também a comunidade em geral.
Uma coisa bem interessante que acontece nas Naves: a gente vê muita terceira idade, não é? “Eu não quero pedir para o meu Neto usar o WhatsApp para mim”. Tem toda uma parte de cidadania. Hoje em dia, se você não sabe usar o WhatsApp para mim, e tem toda uma parte de cidadania. Hoje em dia, se você não sabe usar o computador, como é que você entra no SouGov.BR e até participa dos projetos sociais do governo federal ou de qualquer instância? Então, é muito importante a gente, dentro da Nave, também prover esse tipo de auxílio.
Então, estou aberta aqui a mais questões. É isso.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, Teresa. Valeu.
Vou passar então para a Presidente Laura, que dispõe dos minutos que desejar.
A SRA. LAURA DI BLASI – Primeiro, quero cumprimentar todos, agradecer o convite. Eu acho sempre bom a Câmara e a Prefeitura nesta gestão ter este histórico de a gente estar sempre aqui esclarecendo, tirando dúvidas e explicando até onde é possível, porque nem de tudo a gente tem conhecimento.
Eu tomei conhecimento do projeto do parque hoje, mas, enfim, é um prazer estar aqui com vocês e espero ajudar, colaborar com alguma informação adicional. Agradeço ao vereador também.
Só uma coisinha. Larissa, você é da empresa que fez o projeto, que desenvolveu o projeto?
A SRA. LARISSA MONTEIRO – Não, é porque, na verdade, foi uma licitação para uma empresa de paisagismo. A empresa de paisagismo subcontratou arquitetos para fazerem as arquiteturas, e eu participei do projeto das arquiteturas.
A SRA. LAURA DI BLASI – Ah, sim, mas a licitação então foi uma empresa que...
A SRA. LARISSA MONTEIRO – Foi uma empresa de paisagismo.
A SRA. LAURA DI BLASI – Foi uma empresa de paisagismo que ganhou. A minha primeira pergunta, até respondendo à questão das ruínas, é por que essa empresa não consultou o órgão de patrimônio.
Nós somos um órgão que não executa, mas é normativo. A gente orienta. Tem uma legislação no município, agora eu não vou lembrar o número do decreto, que é muita coisa, que fala que qualquer intervenção em edificação anterior a 1938 tem que ter a oitiva do órgão de patrimônio. Vou explicar por que esse 1938.
Só um aparte aqui, essa área onde está localizado o parque está fora da área de abrangência do tombamento da antiga fábrica de cartucho. Tinha um decreto de 1992 que foi revogado por um de 1995 e aí estabeleceu o perímetro e o que é protegido. Então, essa área do parque, especificamente, não tem proteção pelo patrimônio municipal nem por outro patrimônio, nem estadual, nem federal, mas há uma legislação no município que fala exatamente isso que eu falei. Essa é uma medida cautelar.
Por que 1938? Porque em 1937 o arquivo da Prefeitura sofreu um grande incêndio, então o IPTU mais antigo que a gente tem em qualquer imóvel da cidade é 1938. Então, a gente usa isso como uma medida cautelar, que às vezes está marcando 1938, mas é uma antiga sede de fazenda de 1870, enfim. Entendeu? Então, como medida cautelar, há essa legislação que diz que qualquer intervenção em imóvel ou área que tenha edificação anterior a 1938, tem que ter a oitiva do órgão de patrimônio.
Se esse projeto estivesse atentado a essa legislação e tivesse consultado o órgão, muito provavelmente o projeto iria ser diferente, porque a gente já via identificado algumas benfeitorias que poderiam ser aproveitadas, mesmo como ruína ou como marco na paisagem, como é o caso da chaminé, que era um dos pontos que a gente tinha identificado. Acontece que, assim, a gente trabalha também sob demanda, o projeto chega, a gente faz as orientações.
A gente fez essa orientação quando chegou um projeto do Exército, que é a área, até onde eu sei, é do Exército. O Exército queria construir um grande condomínio lá, e a gente identificou essas ruínas e pediu para eles inserirem no projeto deles. Não eram todas, não, que alguns eram uns galpões. A gente identificou que era marco na paisagem, que é a questão do caso que eu falei, da chaminé, e uma casa que fica bem na esquina, que é uma casa que acho que está mantida, não é? E outras duas ruínas, que a gente identificou como seria parte dessa história do bairro e da antiga fábrica de cartucho. Isso poderia ser, a gente, na época deu até sugestão. Poderia ter um desses imóveis, poderia ser recuperado. Ali, ter uma exposição permanente, com o histórico do bairro, enfim, a gente teria dado esse input nesse projeto, mas só que, infelizmente, o projeto do parque não foi enviado para a nossa análise.
De verdade, eu estou sendo aqui muito honesta e franca. Hoje, eu ocupo o cargo de Presidente do IRPH, mas eu sou funcionária pública de carreira; estou na Prefeitura; estou no Órgão de Patrimônio da Prefeitura há 32 anos. Então, assim, a minha fala é mais técnica do que política.
Esse é o histórico que eu tenho dessa área. Infelizmente, muitas vezes, os projetos não passam por nós, não tem a nossa oitiva. A gente cuida da cidade inteira, eu falei é Paquetá a Santa Cruz. A gente não tem...
Hoje, a gente tem 40 pessoas. A gente vem sofrendo perdas de pessoas que aposentaram. Eu mesma já podia ter me aposentado, e estou aqui. Eu acho que não é uma questão só do IRPH; acho que a Prefeitura inteira está com problema de gente que se aposenta mesmo, que sai e não tem reposição. Na verdade, a gente precisa de concurso público para repor esse pessoal que aposentou e saiu. Então, era isso.
Eu acho que eu não sei se eu respondi todas as... Quanto ao circuito cultural, eu acho que a gente pode ajudar a identificar esses locais e, junto com vocês, que são os mais apropriados para falar isso, qual a identidade que vocês...
A gente pode fazer um circuito. A gente está aberta. O IRPH funciona ali na Gago Coutinho, 52, 3º andar, em Laranjeiras. Se vocês quiserem marcar uma agenda com a gente para conversar sobre esse patrimônio da Zona Oeste, de Realengo, a gente está aberta. No caso específico do parque, eu só lamento de o projeto não ter passado por nós, que, com certeza, a gente iria orientar nesse aspecto da manutenção.
Eu acho que isso é uma tendência na cidade inteira! Não só na Zona Oeste, como na Zona Sul também. Na cidade, a gente tem orientado isso, de manter os casarões históricos e fazer as novas construções. A gente sabe que a cidade é dinâmica, que a cidade precisa ter os seus... Tem espaço para todos. Então, a gente tem aprovado muitos empreendimentos.
Esse do Exército é um case, onde a gente mantém os casarões históricos. E aí vira área de uso comum! Isso em condomínio, que foi o caso aqui do primeiro projeto que a gente analisou, que era esse condomínio do Exército. Vira área de uso comum, vira até unidade habitacional também.
É muito interessante, que quando há um mix da construção nova e o casarão histórico ser transformado também em residencial, o primeiro a ser vendido é o do casarão. Porque é o que eu falei: é o diferencial, é o que dá identidade da nossa cidade, é ali que a gente vai contando a nossa história! A cidade é uma cidade viva, que se move, que abrange outras construções e tal, mas a história está ali junto, conversando. É por isso que o órgão de patrimônio existe. O intuito do patrimônio não é congelar a cidade. É fazer, exatamente, com que a história da cidade permeie os novos rumos que a cidade está tomando.
Era isso, gente. Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Laura, primeiro, obrigado pelo seu jeito, franqueza em falar, porque, assim, ao mesmo tempo em que você fala que não é uma fala política, mas é uma fala técnica, sendo morador da Zona Oeste, mas pensando a cidade como um todo, dá um sentimento um pouco de raiva assim.
Não de você, pelo amor de Deus, mas é um pouco dessa lógica que nós estamos vivendo, não é? Quando a gente vive uma lógica de “temos que construir, construir, construir, construir e construir, mas sem preservar nada”, é isso. Você constrói, e uma coisa que todo mundo quando vê aquela foto ali, cabe totalmente dentro do conceito que vocês montaram, que é manter algo histórico que é fundamental para nossa cidade como um todo.
Quantas cidades no mundo não vivem, literalmente, dos patrimônios de séculos e séculos atrás, e a gente podendo já construir, permanecer esses patrimônio, a gente literalmente por conta de que “vai ser 10% a mais, então eu prefiro derrubar”. É de uma pobreza de um pensamento de cidade terrível e maldoso. Enfim, paro por aqui porque senão a gente acaba se excedendo.
Obrigado mesmo assim, porque eu acho que é uma fala importante, e a gente vê esse espírito da Prefeitura agora, que tem muito nessas construções, que muitas das coisas são fundamentais, mas você vê que há uma falta de diálogo entre a própria Prefeitura para manter. “Eu avanço, mas também vou mantendo aqui, vou preservando algumas coisas”, mas parece que isso não está hoje no cerne da construção e desse pensamento que há na Prefeitura como centralidade.
Eu não estou falando de vocês porque eu sei que tem toda uma boa vontade para manter aqui, mas é isso, um pouco também da lógica da centralidade hoje que vem do Eduardo Paes. Mas, enfim, tem coisa tem coisa. Acho que vejo coisa boa aqui porque essa nossa luta é fundamental para a cidade em que nós vivemos.
Pode, lógico.
A SRA. LAURA DI BLASI – Eu acho que também há um pouco de desinformação dos profissionais que vão realizar projetos.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Sim.
A SRA. LAURA DI BLASI – Eu acho que... Não sei se isso é uma falha das faculdades. A gente do patrimônio sofre muito com isso. Porque o profissional chega, arquitetos, empresas, escritórios: “Ah, eu não sabia”. Eu acho que, antes de pegar qualquer projeto, a empresa tem que fazer um checklist de toda a legislação incidente lá. Então eu também, assim, eu acho que há certa falha nisso também, tá?
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Sim.
A SRA. LAURA DI BLASI – Show! Quer falar, Larissa?
A SRA. LARISSA MONTEIRO – Eu queria, inclusive sobre isso, queria fazer um adendo. Eu acho que, não sei o quanto que tem de conhecimento sobre como acontece hoje o processo de licitação, mas ele é bem problemático na verdade.
Hoje em dia, para fazer uma obra pública desse tipo, você precisa de um projeto básico, que foi o que a gente fez e enviou, para fazer o orçamento. Aí, com esse projeto básico, orça-se o total da obra. Então, é uma primeira licitação que contrata um projeto básico.
Esse projeto básico serve, não para execução do parque ou da obra pública, mas acontece simplesmente para fazer um orçamento de quanto aquela obra ali vai custar. Quando eu falo que “Ah, essa obra estava prevista...”, é porque, quando a gente projetou, a gente orçou o quanto seria para executar, com um corpo de arquitetos, engenheiros, enfim, para executar essa manutenção das ruínas.
Com esse orçamento, abre-se um novo edital de licitação. Esse novo edital vai contemplar o valor total dessa obra. Aí, outra empresa, que precisa ser uma empresa que faça a construção, que faça a execução, vai pegar esse edital e vai, enfim, geralmente é
por tomada de preço, vai se candidatar para fazer essa execução e vai pegar esse projeto básico. Só que não existe, até onde eu saiba, uma vinculação prévia de que você precisa fazer exatamente o que estava no projeto básico. Então, o que acontece em muitos dos casos é que essa...
No caso, acho que quem deveria estar aqui também respondendo é a Cony Engenharia que está fazendo essa execução, são construtoras que têm, via de regra, interesse simplesmente monetário, de lucro sobre essa execução. Aí, o que acontece é que esse tipo de empresa acaba cortando várias coisas e modificando substancialmente os projetos.
Acho que tem um ponto que não é da minha área, mas, enfim, conversando com o pessoal que fez o paisagismo, que fala muito, é que várias árvores foram tiradas de lá por serem espécies exóticas. Aí, existia um interesse de criar um bioma nativo ali.
Por exemplo, a própria Cony Engenharia tem procedido replantando espécies exóticas, o que não faz nenhum sentido, já que você tirou para manter espécies nativas apenas. Então, acho que é um gargalo, isso precisa ser falado até para repensar os processos de se respeitar o que foi pensado e pesquisado durante um processo de orçamento. Foi um processo que...
Embora, enfim, não tenha a participação popular, tem uma série de problemas que existiram de fato no processo do projeto básico, mas que foi feito ali com vários profissionais que respeitaram ali todas as condições.
Acho que, como eu mostrei, o projeto dá para ter uma noção de que foram respeitadas condições sociais, culturais, as próprias ruínas, enfim, e que não se vincula esse projeto de execução. Então, isso é problemático.
Eu acho que dentro do... Isso precisa ser estudado e melhorado de fato, porque não pode acontecer isso, de um projeto ser totalmente descartado, sabendo que ele foi orçado a partir desse projeto inicial.
A SRA. LAURA DI BIASI – O nosso... O trabalho do IRPH começa antes de o projeto ir para o papel. O papel... ou para a tela. Agora, ainda sou do tempo do papel. As pessoas, os técnicos e profissionais que estão acostumados a trabalhar com a gente, eles, antes de comprarem às vezes o terreno, eles vão fazer a consulta, e a gente já dá os parâmetros, já orienta: “Olha, aqui você pode, aqui você tem que...”. Então, eu acho que é isso que faltou nesse processo. Nesse processo todo.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – É triste, não é? É muito triste, porque quando você colocou ali deu uma tristeza maior ainda, porque eu nunca tinha visto a apresentação de vocês, não. Enfim...
Bom, acho que neste momento a gente pode também passar para quem quer se colocar aqui. Não sei se tem já alguém inscrito.
A SRA. TERESA PAIVA – Pessoal, eu queria pedir desculpas. Eu tenho outro compromisso. Eu espero ter apresentado as Naves e...
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado.
Ângelo. Vou dar uns três minutinhos, mas, enfim, dependendo, você faz uma reinscrição, dependendo de quantas pessoas vão falar. Pode ser? Fechou. Você tem o quê? Mais uns 15 ou 20 minutinhos? Meia hora? Quem tiver alguma pergunta para a Presidente Laura, para fazer, porque ela tem mais meia horinha, pois depois vai ter outra reunião. Então, são 17h28. Até 18 horas ela permanece aqui...
Pode ser. Se quiser.
Quem quiser se inscrever, é aqui.
O SR. ÂNGELO JOSÉ IGNÁCIO – Eu me chamo Ângelo Ignácio, sou da Pastoral da Ecologia Integral, da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Sou da Articulação Carioca por Justiça Socioambiental e sou do Movimento Parque de Realengo Verde desde o começo, quando a gente ainda tinha todos os prédios.
Eu vou tentar ser breve, mas é que eu preciso falar algumas coisas. Vereador Siri, responsável pela Cidade do Rio de Janeiro, entende o espaço como um espaço importante para a Cidade do Rio de Janeiro. Eu não sou vereador, então o espaço é importante para o mundo.
Aquele espaço não é um espaço qualquer. Aliás, Realengo não é um espaço qualquer. O bairro de Realengo... e aí, vou me lembrando do Professor Venceslau, Professor Carlos Venceslau. Ele tinha... tem livros e tal falando. O bairro de Realengo é uma... porque quando... quando o Império acabou, a parte militar da República se instalou em Realengo, que era o espaço mais distante que tinha, porque aquela fábrica era na Urca, eu acho. Uma fábrica de cartucho, fábrica de bomba, era na Urca. Não podia, então foi para um lugar distante. Hoje não está mais lá exatamente por isso. Ela sai de Realengo por isso. A urbe começa a ficar muito... Então, esse espaço ali é um espaço construído.
Ele é turbinado para poder garantir que os nossos Pracinhas tivessem armamentos lá na guerra contra os países do Eixo: Japão, Alemanha e Itália, que se reuniram para escravizar a gente, os mestiços. Eles entendiam que a gente servia para ser escravo, que a gente não tem raça, que nós somos vira-latas. Graças a Deus, é um orgulho para nosso Brasil, nosso país, essa viralatice, essa mestiçagem. É orgulho para a gente. A gente é o único país do mundo que vai à praia para ficar preto. A gente quer e gosta disso, dessa mistura.
Esse foi o lugar onde se construiu todo armamento para defender a gente desse povo que acha que é melhor do que os outros. A gente não tem na Cidade do Rio de Janeiro nenhum marco que diga isso, que no Brasil houve resistência contra os fascistas e os nazistas. Essa fábrica é o único lugar que a gente poderia colocar. A gente tem o Monumento dos Pracinhas no Aterro do Flamengo, ele foi construído para isso; ele não viveu essa coisa. Era um lugar para nós, moradores do bairro, para nós, cidadãos brasileiros de muita importância.
Tirando esse registro – porque a gente não viveu nessa época, não viveu a guerra –, nós não saímos da guerra, não tivemos essa vivência. Foi o espaço onde o bairro vivia. Tem a história do bairro em torno da fábrica de cartuchos. Muitas pessoas que estão vivas hoje, já morrendo, trabalharam na fábrica. Inês, que era uma militante do Parque de Realengo, que já foi e que Deus a tenha, tinha lembranças daquele lugar, tinha registros. Tinha campo de futebol, Realengo tinha muitos campos de futebol. Onde hoje é a Capitão Teixeira era um campo de futebol, vários campos de futebol. Tinha um ali, dentro da fábrica de cartuchos, que se chamava Ideal Futebol Clube, nome da comunidade que tem ali ao lado.
Tinha uma caixa d”água, marco referencial. Tinha uma caixa d’água importantíssima para você se localizar: “Em que lado estou? Onde é o campo de futebol do Ideal?” – era a caixa d’água. A gente tem registros de quando demoliram a caixa d’água e você escuta, na queda, a comunidade gritando lá fora. Você escuta.
Para a gente foi muito difícil e tem sido muito difícil. Olhar para aquela paisagem, hoje destruída, com as árvores – porque eles arrancaram todas –, é uma loucura, um negócio completamente absurdo. E tem dois processos em curso por causa das árvores.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Ângelo, você tem cinco minutos.
O SR. ÂNGELO JOSÉ IGNÁCIO – É uma loucura. Estou muito emocionado, porque é muito tempo lutando. Enfim, eu queria registrar meu protesto e dizer carinhosamente para nossa presidenta que a gente respeita muito o funcionário público – muito!
Nosso trajeto de vida todo foi entendendo os funcionários públicos como o maior patrimônio público. Mas o problema são os prefeitos. O problema do Parque de Realengo Verde é o Prefeito Eduardo Paes, é ele. O nosso registro é incansável nesse sentido. É um absurdo que um projeto como esse, que não nos contemplava...
Ela sabe – e a gente já disse isso para ela com muito carinho – do carinho que a gente tem por ela. A gente sabe que, se houve algum momento em que esse projeto registrou o que a gente queria foi porque ela estava presente, senão não teria registro nenhum. É o Eduardo Paes destruindo toda a memória do bairro, porque ele é assim, e destruindo a fundação que cuida do patrimônio, destruindo a FPJ, destruindo a Secretaria de Meio Ambiente. Ele vai destruindo, ele vai destruindo, porque ele é um capitalista selvagem; ele é uma pessoa que entende que a cidade tem de dar lucro, e ele diz isso para a gente. E a gente ainda o elege.
Ele continua sendo a pessoa que acha que esse parque em Realengo tem que ser... tem de dar lucro! E aí ele faz essas coisas que são intoleráveis, que são inadmissíveis com a nossa cidade, que é maravilhosa por causa do seu povo. Ela não é maravilhosa por causa das árvores, das montanhas, é maravilhosa porque tem um povo lindo, porque tem um povo maravilhoso. Por isso a cidade é maravilhosa. E o povo maravilhoso não pode ser tratado dessa maneira pelo Poder Público.
Registro aqui o meu protesto de maneira muito enfática, muito, e pretendo trabalhar muito para que esse cara não volte a administrar a nossa cidade, senhores, para que essas coisas não se repitam. Já é a terceira gestão, e é a terceira gestão que ele destrói a cidade dessa maneira, algo absolutamente impensável.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, amigo. Obrigado, Ângelo.
Vou ser um pouco mais criterioso aqui, e desculpe porque fico em uma situação muito ruim, porque sei que é um momento em que todo mundo quer falar, é um debate público, mas todo mundo precisa falar. E a presidenta aqui tem que sair ás seis horas, conforme o combinado com ela.
Vou chamar, então, o Paulo Novaes. Paulo, eu vou ser um pouquinho mais criterioso quando for aos três minutos, está bem?
O SR. PAULO NOVAES – Boa noite a todos e todas.
Primeiramente, uma informação: em se tratando de que, no parque, vai ter uma horta, mesmo que tenha alguma isolação lá, em se tratando de que vai ter um pomar, aí aparece uma preocupação, que é o solo daquele terreno. Antes da construção, aquele terreno foi ocupado, e foi ocupado por uma empresa ligada ao saneamento. Se não me engano, foi a Zona Oeste Mais ou a Foz Águas... Eu faço uma confusão. Eram caminhões, dias e noites, de rejeitos lá para dentro daquele terreno. A gente não sabe como está aquele solo; a gente sabe que aquele solo está contaminado, isso a gente sabe. Agora, a gente não sabe de que forma. Então, acho que deveria ter um estudo, até para que a gente pudesse cuidar e tomar cuidado com algumas coisas.
Acho não, eu penso que a chegada de um parque com essa proposta de parque, para nós, não foi um avanço; para nós, não foi uma vitória. Significa atraso. Por quê, não é? Porque o planeta está doente; a temperatura do planeta, a cada dia, sobe um pouquinho mais. Realengo, Bangu, aquela área, a gente sabe da realidade climática daquela área. E aí eu tiro as árvores, não é? Lá era terra, não tinha grandes concretos, embora existissem os prédios construídos. A gente tira e coloca concreto, aí a gente coloca estrutura metálica, cobertura metálica, asfalto...
É assim, não é? Os nossos bairros são assim. Você vê a sua casa: a sua casa tem a laje, tem o telhado... Mas aí você olha e está calçado, a gente vai à rua e está calçada; aí vem o asfalto de novo, daqui a pouco vem um prédio, vem uma fábrica. Então, é só concreto. O sol bate ali, esquenta, a brisa que vem do mar quer entrar, mas não consegue. Essa é a nossa realidade.
Por isso, eu não consigo entender que, para nós... Se eu olho do ponto de vista de cidade, eu poderia mudar a minha opinião. Mas se eu olho do ponto de vista climático, para nós é um baita atraso. Também não quero me estender, há outras pessoas querendo falar. Há uma questão importante que o professor Edson deve comentar aqui, que é a questão do Souza Lima. O Souza Lima foi vendido.
O Governo do Estado comprou o Souza Lima – me parece que o preço era R$ 4 milhões, e o Governo comprou por R$ 7,5 milhões, entendeu? Alguns parlamentares estavam defendendo que naquele prédio seja construído um colégio cívico-militar. A Fundação Habitacional do Exército diz que é dona. Não é dona. O Exército não tem o terreno. O terreno é da União. A Fundação já entrou com uma solicitação lá com o Bulhões, já pedindo autorização para construção dos prédios. Resumindo, é isso.
Obrigado pela oportunidade.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, Paulo.
Paulo, só uma coisa que eu coloquei na minha fala, na questão do avanço, quando o senhor fala que é atraso. A minha grande questão é que, entendendo a lógica que a cidade vive com o Prefeito Eduardo Paes, era um pulo para ser 100% tudo ali condomínio, entendeu?
Então, sabendo que, por conta de uma luta enorme já de muitas décadas, de algumas décadas, incidindo ter ali principalmente 47% do jeito que está, nós estamos discutindo se tem alguma coisa para mudar. Aí sim está o avanço.
Mas é óbvio que o nosso sonho sempre foi a gente um dia administrar aquilo que fosse 100% verde, com a nossa ótica ambiental e climática. Mas a gente sabe que, hoje, a ótica da nossa cidade é cada vez mais da especulação imobiliária e neoliberal. Então, acho que é importante colocar esses parâmetros, porque nós vivemos em uma realidade. Então, nessa realidade do que está posto e do que está sendo a gestão, querendo ou não é um avanço, sim. Mas nós não gostaríamos que fosse, mas de fato é. É lógico, não tenho a menor dúvida. Esse é o nosso grande desafio.
Gente, eu vou fazer uma coisa aqui só porque estou preocupado – já são 17h42. A gente pode ficar aqui até mais tempo, mas como tem o nosso compromisso às 18 horas... Nós temos sete pessoas: Pedro, Edson, Marcelo, Luiz, Juliana e Sérgio. Das pessoas que eu falei, tem alguém especificamente com perguntas para nossa querida presidenta? Então posso colocar a Juliana na frente por justamente ter a possibilidade de respondê-la? Pode ser assim? Alguém é contra?
Então, Ju, é com você. Pode fazer a sua fala normal e também sua pergunta.
A SRA. JULIANA BAPTISTA – Boa tarde a todos.
A minha pergunta, acho que é um pouco no sentido de... A gente viu que claramente tem uma falta de diálogo dentro da própria administração direta e indireta, quando a gente vê que a empresa de engenharia que construiu o Parque, que foi contratada pela Prefeitura, não sabia que tinha que acionar o órgão do patrimônio da Prefeitura para entender se era possível manter ou derrubar.
Aí se fez um cálculo estrutural analítico-matemático, em que se deduziu que economicamente talvez não fosse viável. Eu estava lá no dia que o mandato foi fazer a visita ao Parque. Falando com o arquiteto responsável, ele prontamente se apressou em dizer que o dinheiro já tinha sido investido, porque era uma rubrica que já estava designada. Nós perguntamos o que tinha acontecido, e ele deu essa justificativa de que era muito caro. Eu sou estudante, tenho mestrado em Memória Social estudando Realengo. A gente sabe que, quando se trata de memória e patrimônio, é sempre tudo muito caro. É sempre um cálculo que está pensando muito mais em um custo monetário do que em um valor social.
Quando a gente trata da administração pública, o valor social é muito mais importante – ou pelo menos deveria ser, no sentido daquilo que a gente pensa. Então, como alguém que quer acreditar que não está tudo perdido, a gente está se articulando com o pessoal da Nave do Conhecimento para, de alguma forma, a Nave poder receber também esse acervo enquanto um acervo digitalizado que possa ser acessível, como tem o Arquivo Público do Rio de Janeiro, por exemplo – que isso, de alguma forma, possa estar ali.
Mas a gente pensa também como o IRPH pode, de repente, nos ajudar a fazer com que o projeto de centro cultural e que o espaço da Chaminé... A gente entendeu que a chaminé é tombada pelo Iphan, então por isso ela ainda está lá e não foi derrubada, que foi o que o arquiteto disse com muito medo, inclusive. Chegou para a gente e falou: “Não, a chaminé está lá porque é tombada pelo Iphan”. Eu falei assim: Ah, está bem, pelo Iphan não pode derrubar, não é? Então, está bem.”
Aí a gente entendeu que talvez tenha um espaço ali. Eu acho que pelo menos a minha luta agora vai nesse sentido, de como a gente conseguiria fazer efetivamente que um centro cultural que pense a história de Realengo seja criado, e isso seja nessa primeira parte da execução do parque, seja no futuro, enfim, como a gente pode fazer isso e como a gente pode contar com RPH enquanto movimento para fazer com que outras formas de derrubada como essa não aconteçam. De que forma a gente consegue acessar informações ou consegue de alguma forma mudar a legislação para incluir mais participação social nesse tipo de transação?
Enfim, queria dizer também que a agenda está aqui, eu sou integrante da agenda e eu quero ir à Gago Coutinho conversar e saber sobre o que a gente pode fazer efetivamente de melhoria em relação à memória do bairro. Porque é isso, acho que caiu, a gente está aqui, não é? Derrubaram as ruínas, mas o que a gente pode efetivamente fazer por essa que ainda está lá? E as possibilidade de efetivamente fazer o circuito cultural e de memória como a gente pensou.
Obrigada, gente. Desculpa.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado.
Então, vem. Está tudo bem, então... É importante ser no microfone.
Quer vir aqui, meu amigo? Aí você faz a sua fala e termina porque...
Eu só estou neste momento revertendo a ordem, porque quem tem perguntas faz sua fala e já faz a pergunta para ela.
O SR. EDSON GUEDES – Beleza.
Meu nome é Edson Guedes, sou morador de Realengo há uns 55 anos e sou do Movimento pela Democracia na Comunicação. Mas a gente vem, desde o início, na luta porque, por exemplo, meu filho nasceu em Realengo, ao lado, e a gente não tem um espaço sequer para brincar, principalmente no condomínio – está o Luiz ali, que já chegou primeiro. Nascendo ali, aonde eu iria levar meu filho para brincar? Não tem, entendeu?
Hoje eu continuo o levando para a Praça Guilherme da Silveira ou da..., alguma coisa assim. É impressionante, em um local como Realengo, a gente não ter um espaço onde a criança possa andar de bicicleta, correr, alguma coisa assim. É lamentável.
Mas a minha pergunta diretamente para o Iphan é por conta do seguinte: a gente descobriu nessa caminhada que o Exército não é proprietário daquilo. O Iphan, eu diria assim, por acaso, para fazer qualquer especificação da área a quem tem necessidade, precisa ter esse conhecimento ou não precisa ter conhecimento?
A gente sabe, por exemplo, que o Dom Atacadista tem uma área que era dos cavalos – onde eram a estribaria, hoje é o Dom. Eles vendem. Quem faz isso afinal de contas? Quer dizer, há alguma licença? É consultado, mas é questão de propriedade. A gente sabe que a gente vive em um sistema capitalista. Então, essa é a questão.
Mas a questão que a gente está atravessando, e não tem como fazer qualquer apoio à candidatura do Senhor Eduardo Paes, é uma forma violenta, agressiva e desumana – violenta, agressiva e desumana! Nós tivemos que fazer uma barreira para impedir ou para possibilitar que a comunidade, que foi destroçada pelo Eduardo Paes sem qualquer comunicação, sem qualquer respeito à pessoa humana, foi de forma agressiva... Disse me disse de lá e de cá, nós temos todo esse registro é em vídeo.
O Eduardo sequer tem essa sensibilidade com as pessoas humanas. Denunciar um caso tão grave no entorno do parque, o Senhor Eduardo construiu calçadas no entorno do parque, em toda área, nos 142.000 m², ele não separou o que é do parque e o que será possível do condomínio da FHE ou da Poupex, seja lá de quem for. Ele não fez nenhuma separação.
Até hoje, a comunidade, a área, a Rua Pedro Gomes com a Rua General Azeredo, continua... Recolhimento, espaço de lixo... Ao mesmo tempo, nem sequer – bárbaro! – a comunidade pode atravessar, porque teve a parte construída das lojas, das onze lojas, mas até para atravessar você tem que atravessar na lama. Criança para ir à escola, em dia que chove, os pais têm que carregar. É um negócio bárbaro. No dia de sol, espalha tudo. Ou seja, é essa insensibilidade que a sociedade, que a Cidade do Rio de Janeiro está vivendo, com o Senhor Eduardo Paes. É drástico.
Para completar, só mais um segundo: meu amigo Paulo Novaes colocou aqui, e eu tenho denunciado constantemente com vários vídeos já colocados na rede, já na Assembleia Legislativa, é a aquisição do imóvel do Souza Lima, que conseguiu destroçar. O último vídeo que eu fiz agora, já mandei para a Marina; já mandei para uma série de deputados aí. Bárbaro! Arrancaram tudo que você possa imaginar da unidade escolar. Tudo! Eu entrei e fui ver. Eu saí de lá, enquanto educador, entristecido.
E a complementação, junto com a secretária e o Senhor Bulhões, vamos dizer o seguinte: nós estamos preocupados, sim. Vamos construir um colégio cívico-militar. Parece-me uma articulação entre a Prefeitura, o Governo do Estado e essa Poupex. Tudo articulado para ganhar, sugar o dinheiro do município, do estado e nosso. É lamentável. A gente vem, mas fica entristecido.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, Edson.
Mais alguém para finalizar?
Acho que ele é o último. Vai dar tempo de você responder certinho.
O SR. SÉRGIO ALVIM – Boa tarde a todos e todas. Meu nome é Sérgio.
É uma coincidência, mas eu não vou poder me furtar a aproveitá-la. Pelo que entendi, há um problema de comunicação muito grave entre as licitações, as secretarias, as instituições de governo. Elas não conversam. Por isso você efetivamente não consegue ter o quê? Licenciamento adequado. Porque o licenciamento, parece-me, é estanque em cada uma dessas etapas. E as secretarias, como é público e notório, foram destruídas. Na verdade, não são nem desmontadas; estão destruídas. Como a própria Laura falou aqui, falta funcionário, não tem incentivo, não tem nova contratação.
Eu vou me perguntar o seguinte: embora não tivesse a vinculação que você disse, Larissa, direta entre uma licitação e outra, o que permite esse tipo de descalabro? Porque, na verdade, se você recebe aquele projeto, você não pode modificá-lo na execução, até porque no orçamento está previsto aquilo. Só aí eu já acho que tem algumas irregularidades bem graves. Mas eu não vou me furtar ao seguinte: acho que, como não tem uma conversa muito clara entre os órgãos...
Vou usar o exemplo de um caso que a gente estudou, que lamentavelmente é o Pão de Açúcar, e tem um relatório do IRPH muito claro. Em março de 2022, o relatório diz claramente que não haverá corte de pedra. A empresa fala para todos vocês que não terá corte de pedra. O IRPH, mesmo com aqueles projetos em que tem uma plataforma sobre a pedra, tem uma passarela sobre a pedra, permite que o projeto continue.
Esse relatório nunca foi para o Iphan, nem para a Prefeitura. E aí, mais uma vez, modifica-se o projeto. Faz-se um projeto de gaveta, porque, na verdade, o que está aprovado é um, e o que se executa é outro. Então, me corrija se eu estiver errado, o IRPH não é hierarquicamente submetido ao Iphan. Se o Iphan, também equivocadamente, não verificou isso, não poderia o IRPH barrar esse tipo de andamento?
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, Sérgio.
Vou voltar depois – não agora, só para a Laura responder – para a Vânia, o Pedro, o Marcelo e o Luiz, porque não tem perguntas. Pode ser assim? Ok.
Laura, é com você.
A SRA. LAURA DI BLASI – Começando pela Juliana. Agradeço pela participação também. Na verdade, o órgão de patrimônio municipal existe para a gente segurar o que é caro para a nossa população, para a nossa cidade, a memória, seja Zona Oeste, seja Zona Norte, seja Zona Sul. Como eu falo, o IRPH tem abrangência municipal, então é de Santa Cruz a Paquetá que a gente cuida dessa memória, não é? A gente está aberta a... Eu vou passar aqui o email do IRPH e o telefone do gabinete. Se alguém quiser anotar para a gente marcar uma agenda, conversar, vocês conhecerem o nosso trabalho. Todos os funcionários do IRPH são servidores públicos, são concursados, são especializados, porque é uma matéria de especialização. Somos poucos, mas somos bem empenhados no nosso trabalho. É gabinete.irph.smpu.rio@gmail.com. Deu para pegar? É gabinete.irph.smpu.rio@gmail.com. E o telefone do gabinete é 2088-1473. Pode falar com a Vera Regina ou com Ariele. São minhas assessoras do gabinete.
Eu quero só fazer um esclarecimento aqui, porque eu acho que isso... Ah, a chaminé não tem proteção do Iphan, muito menos... Aquela região ali não tem nada tombado pelo Iphan. Eu só vou esclarecer, porque IRPH e Iphan, acho que isso cria uma confusão em todos, não é? O Iphan é o órgão de patrimônio na esfera federal; o Inepac, que é o órgão de patrimônio na esfera estadual; e o IRPH é o órgão de patrimônio na esfera municipal, está? Não há hierarquia entre os órgãos de patrimônio, está? Porque quando tem tombamento duplo ou triplo, a gente se conversa, a gente chega ao consenso, não é? Vou dar um exemplo clássico. Por exemplo, o Copacabana Palace – está lá a nossa Madonna hoje – é tombado pelas três esferas. As três esferas sentam, conversam e resolvem as questões pertinentes àquele imóvel específico. Não há hierarquia. Muitas vezes a gente diverge, mas a gente sempre tenta chegar a um consenso.
O IRPH é o órgão municipal, está? Como acho que o Sérgio falou? Acho que falou alguma coisa sobre a tirolesa, o Pão de Açúcar. Eu não vou nem entrar nessa questão, porque isso é outro debate, é outra situação. A informação do IRPH foi informação da análise do projeto e que foi passado pela empresa que estava fazendo o trabalho, está? Mas acho que isso é outra questão.
Quanto ao Senhor Edson – desculpa. A gente atende independentemente de a pessoa ser proprietária ou não. Como eu falei no início, às vezes, a gente atende pessoas interessadas em comprar um terreno. Ele não é nem proprietário, nem... Ele, às vezes, é o investidor. Ele é o arquiteto que quer fazer um projeto. Então, ele vai lá para consulta. O IRPH não é ó órgão que licencia. A gente é parte do licenciamento. Quem licencia, no caso de edificações, é a SMDU, não é? No caso questões ambientais é SMDU. Então, assim, as gerências locais de licenciamento têm essa preocupação de ver essa documentação.
O IRPH é assim: a pessoa entra para fazer uma consulta, qualquer um aqui pode ir lá fazer uma consulta. “Olha, eu estou pensando em fazer uma obra nesse prédio, o que é possível fazer, o que não é?”. A gente atende, porque a gente é um órgão consultor. A gente não licencia. A gente é parte do licenciamento. A pessoa abre um processo no licenciamento, aí tem que consultar o IRPH. Aí a gente analisa, emite um documento e ele encarta essa nossa orientação, nada opor ou, enfim, alguma exigência, nesse processo que foi aberto para licenciar. A gente não abre processo de licença. Ficou claro, gente? Nós somos um órgão consultivo, a gente é parte. Por exemplo, tem que escutar CET-Rio, tem que escutar a Rio-Águas, tem que escutar o IRPH. Isso tudo é parte do licenciamento, mas não é a gente que emite a licença.
Eu não sei dizer para o senhor se o Exército é de fato... Se o imóvel é da União, normalmente quando é um imóvel... Eu sei porque a Prefeitura é assim. Por exemplo, a Prefeitura é dona de um imóvel e esse imóvel pode estar cedido a uma Secretaria. O dono é a União e pode estar cedido para o Exército. Pode ter acontecido isso nesse caso. Estou chutando, eu não sei. A propriedade, na verdade, não é do Exército; a propriedade é da União e está cedida ao Exército, que faz parte da União, porque no Município acontece isso também.
Eu também quero falar para a Larissa. Não é nada pessoal, eu sei que você está aqui representando uma estrutura enorme que está por trás de vocês, mas eu volto a dizer: independentemente se é licitação ou concurso, eu acho que o profissional tem essa... Eu sou arquiteta, então acho que o profissional que vai trabalhar em cima de qualquer território, seja parque, seja edificação, seja lá o que for, tem consultar a legislação vigente e saber quais órgãos que têm que acionar...
Senhor, o assunto aqui é Parque Realengo. Se o senhor quiser falar sobre... Não, a gente não está falando sobre a atuação dos órgãos, mas no assunto específico do Parque Realengo. Vou falar muito sucintamente. A análise do IRPH na tirolesa é paisagem. O morro não é tombado por nós. O Iphan e o IRPH estavam juntos nessa análise. Não teve nenhum projeto de gaveta.
O senhor, assim, está, ofendendo. O Senhor ofendeu! Tá?! A nossa análise é paisagem. Agora, o senhor me deixe terminar. Aquilo ali é sítio da Unesco. A análise do IRPH é a paisagem. O impacto da tirolesa na paisagem... De acordo com as visadas definidas pela Unesco, o morro é tombado pelo Iphan. Então, essas formações sobre o impacto na rocha é Iphan e GeoRio. Cada Órgão tem sua competência. A competência do IRPH era analisar o impacto da tirolesa visto pelos pontos demarcados pela Unesco.
Peço, por favor, para a o senhor não falar coisa que o senhor não sabe e insinuar que teve projeto de gaveta, que o nosso despacho não foi para o Iphan. Os Órgãos de patrimônio... minuto. Os Órgãos de patrimônio, eles falam entre si. E o nosso despacho está no Iphan, como o do Iphan está com a gente.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Entendi.
A gente pode, no futuro... Não, não, não, não, de boa! Mas eu acho que é muito pertinente, estamos aqui para isso. A Casa do Povo é exatamente para isso, não tem nenhum cerceamento aqui. Mas como teve um debate acalorado, digamos, acho que depois a gente pode ver, Sérgio, para tentar fazer um debate público sobre a tirolesa, até para aprofundar. Não, de boa. Não, Sérgio, não, não, não, sem cerceamento nenhum. Acho que faz parte também.
Gente, todo mundo respondeu? Mais alguém, acho que é isso. Estava marcado para as 6 horas. Eu acho que até já se passaram sete minutos.
Presidente, eu quero lhe agradecer pelo esclarecimento.
A SRA. LAURA DI BLASI – Nada, a gente está à disposição para prestar qualquer esclarecimento.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, mesmo, está bem?
Eu fiquei feliz, pois esse olhar como técnica, como servidora pública, é muito diferente do que a gente vê quando vem simplesmente uma análise política –não é errado, mas, enfim, é um fato. Mais uma vez, agradeço-lhe.
A SRA. LAURA DE BLASI – Só uma coisinha que eu esqueci de falar com a Juliana. Também acho que você deve procurar a Secretaria de Cultura, que é mais apropriada para ver essa questão de acervos, de centros de referências. A gente tem alguns centros de referências na cidade que são ligados à Secretaria de Cultura. Eu acho que é bastante interessante. A gente pode ajudar na questão da pesquisa, mas isso de montagem do Centro de Referência do Bairro... Acho que a Secretaria de Cultura é uma boa, está bom?
Obrigada a vocês. Boa noite!
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigada, minha querida.
Boa noite! Valeu! Até!
Gente, para dar andamento, vou chamar a Senhora Vânia.
Vânia, aqui.
A SRA. VANIA MARIA – Boa noite, gente!
Já se falou muito do Parque, mas a gente não esgota. Luiz também levantou agora, esses dias eu li muito o blog do Luiz. Eles têm um trabalho muito grande em Realengo, registrando tudo. Há um registro lá, de 2015, de quando a Foz, era Foz – à época era a Foz 5. Ela jogava o entulho que ela tirava, aquele entulho que vai e volta. E ela matou uma palmeira imperial em frente, enunciado, foto do Luiz. Eu vim pensando nisso.
Quando nós fizemos a primeira visita técnica lá, eu estava com o Ângelo e a gente tirou várias fotos. Eles jogaram um pó. Agora, a Zona Oeste Mais; a Foz, em 2015: Governo Eduardo Paes. Aí a Zona Oeste Mais entra. “Ah, foi o Governo do Crivella!” Mas permanece no Governo Eduardo Paes.
Eles estavam matando várias árvores. Já tinham derrubado a caixa d’água – que eu já não sei mais em qual governo foi –, já tinham derrubado os prédios. E agora a gente tem a notícia de que as ruínas também foram ao chão. Eu penso, quando ligo a televisão, eu vejo lá: “Passaram na escultura tal, passaram não sei o que lá e fizeram um grafite, fizeram um...” Não é grafite, não. O que eles fazem é pichação, mas para mim é tudo grafite. Fizeram um desenho e olha: “Vândalo! Vamos colocar um processo.” E como a gente faz para processar o Eduardo Paes? Eu não aguento mais, não aguento mais!
Eu sou moradora da Rua Helena, a rua paralela. A Bruna está ali, a Bruna é moradora da General Raposo, a gente está em frente. Sabe quantas árvores eles cortaram na calçada, árvores nativas? Eu plantei com as minhas mãos: pé de cajá, pé de goiaba, pé de aroeira – são árvores nativas. Eles cortaram todas! Tinha amoreira! Eu tenho vídeos, está tudo registrado. Eles cortaram tudo, sem nenhum critério. “Ah, aqui vai ter uma quadra.” Tudo bem, mas ali vai ter o quê? Ali não vai ter nada.
Fizeram aquela cratera! Vocês tinham que ver como foi construir aquela cratera, para botar aquelas cinco árvores de ferro. Cinco árvores de ferro, de lata, do que for, que vai iluminar. Tem um senhor, em uma época passou um vídeo dele; não sei se ele é engenheiro ou o que ele é da obra. Ele dizia: “Lugar muito quente. Essas árvores vão jogar aguinha.” Vai jogar aguinha onde, gente? Vai jogar aguinha onde? Esse homem tem que ser processado. É isso que eu vim pedir aqui. Como que a gente processa esse homem?
Esse homem tem um dedo... Sabe desenho animado, alguém via desenho animado? Tem aquele mau que chega e bota tudo cinza porque o sonho dele é botar o mundo cinza. O Eduardo Paes tem o sonho de fazer um mundo de lata. A Clínica da Família é de lata; a Academia Carioca é na beira da estrada para o velho morrer mais rápido. Ninguém fala isso, nem o médico, porque ele ganha R$ 20 mil, R$ 30 mil, sei lá quanto. É uma vergonha! O Município do Rio de Janeiro é uma vergonha.
Só tem um jeito: a gente tem que começar a denunciar. Tem que ter uma forma de denunciar, tem que ter uma forma de processar. Eu só entendo isso, só quero isso. Eu quero o parque, quero que o outro lado seja parque. Eu não quero que corte mais uma árvore. Eu quero o parque de qualquer jeito. Eu moro em frente, eu quero! Eu vejo as crianças passarem para lá e para cá.
O que o Edson falou... Eu moro na Rua Helena e, para ir à padaria, tenho que passar por aquele lamaçal, tenho que passar por aquele poeirão. Mas os moradores dali não sabem disso. Eles estão felizes com a praça. Eles não conseguem entender. E eu os entendo, porque eles nunca tiveram nada. O Eduardo Paes sempre deixou o lixo na porta deles. O Eduardo Paes tirou o gari comunitário de dentro do Ideal. Ele sempre botou uma lixeira enorme para todo mundo de Realengo jogar o lixo na porta deles. Agora ele botou o Ecoponto.
Larissa estava com a gente quando a gente falou para a engenheira da FPJ que aquilo era racismo ambiental. Ela disse que tinha muitos doutorados e que aquilo não era racismo ambiental. Falou na nossa cara! É um absurdo! Eu sou moradora dali desde 1978, no exato ano em que fechou a fábrica, mas eu vi os moradores ainda irem de uniforme. Eu escutei o apito. Ele tinha que ter colocado o apito. Ele tinha que ter conservado as ruínas. Era o mínimo que esse prefeito tinha que fazer. Era o mínimo. Fez cinco árvores de lata. É uma desgraça esse homem, uma desgraça! É isso que ele é. Eu ainda sou funcionária, mas...
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Não vai mesmo. Qualquer coisa, nós estamos juntos!
Luiz, se passar, não vai ter ninguém para te perturbar.
O SR. LUIZ CARLOS FORTES – Boa tarde.
Meu nome é Luiz Carlos Fortes. Não sou nada forte, é só o nome.
Ângelo, dá-me uma ideia aí, para o pessoal que está presente. Qual a data do início do movimento?
Sim. Ainda era do movimento Pró-Escola Técnica? Então, Realengo é pautado em lutas sociais desde o movimento Pró-Escola Técnica, e que eu, depois, gostei muito, não pude participar e criei um nome parecido. Criei um espaço de cidadania participativa chamado Blog Pró-Realengo, baseado no Pró-Escola Técnica. Esse Blog recebeu, no dia 10 de agosto de 2009, uma sugestão de um morador – ele enviou por e-mail, que está lá na internet até hoje: sugestão para lazer em espaço sem uso, exatamente onde hoje está se fazendo o Parque. A ideia de usar o espaço da antiga fábrica de cartuchos seria uma opção para os moradores de Realengo, como lazer.
Já que não possuímos calçada à beira-mar, teríamos uma belíssima área com quiosque, anfiteatro, pista com caminhadas, lagos, local ideal para as crianças poderem usar as bicicletas com mais tranquilidade, sem trânsito. Área essa que até os bombeiros poderiam usufruir para os seus exercícios matinais, já que me refiro à área que está localizada próxima ao Corpo de Bombeiros. Seria toda gradeada, com portões abrindo às 6 horas e fechando às 18 horas, com a Guarda Municipal fazendo a segurança. Temos, como referência, o Campo de Santana, no Centro do Rio, e, por sua vez, os bombeiros que estão próximos fazem exercícios pela manhã – lugar ideal para a primeira, a segunda e a terceira idade.
Quem sabe um dia nossas ideias não possam sair do papel, ou melhor, dos blogs. Para Deus, nada é impossível. Essa é uma ideia de alguém que espera ver um Realengo melhor. Aí, observação: o Pró-Realengo complementa essa sugestão com pistas e rampas de skate, quadras poliesportivas e mesas de jogos de damas, xadrez...
Isso aí gerou muita discussão. Graças a Deus, eu fiquei muito satisfeito de vir fazer parte logo no início do movimento Parque de Realengo Verde. Posteriormente, eu me retirei por uma divergência. E eu também faço parte do movimento SOS Rio Catarino. E em uma reunião com Crivella e o movimento Parque Verde, foi colocado pelo prefeito: “Vocês querem obra no Rio Catarino ou no Parque Verde?”.
Eu não concordo com isso, porque obra no Rio Catarino é obrigação fazer. Não é barganha política. Aí, então, eu me retiro, porque nunca podia fazer parte do movimento querendo o Parque e o movimento que teria que... não ia fazer as obras no rio. Aí, eu me retirei. Mas eu consegui fazer um bom registro fotográfico com a ajuda do Ângelo – nós visitamos o local –, do Edson. Muitas e muitas fotos de como era a área anteriormente. As ruínas, já que elas não... A dona Laura falou que não sabia muito como era o projeto, estava conhecendo agora, então não adiantava nada eu tocar no assunto naquele momento. Por isso que... mas eu vejo que o Parque hoje é uma boa.
Nós queremos o Parque. Foi totalmente desvirtuado do que nós discutimos no início. A gente queria trazer para mais perto a Unirio, fazer uma base da Unirio lá – ela já tinha aceitado. O Instituto Benjamin Constant queria botar um espaço lá também definido. Então, tinha inúmeras situações. Ia aumentar o IFRJ na parte... então, não era só o Parque. Era o Parque, mas estava trazendo outras coisas. Há alunos que vêm só aos sábados para ter aula na Unirio.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Um complexo, não é?
O SR. LUIZ CARLOS FORTES – Um complexo. Então, é lazer, é área verde, é educação, ampliação de IFRJ, graças a Deus, e o que a gente tinha lá de monumento era da mesma idade do Pedro II. E o Colégio Pedro II está lá em pé, foi restaurado e está funcionando. Por que as ruínas dentro do Parque não puderam ser respeitadas?
O dia em que caiu, quando eles derrubaram aquela caixa d’água – eu estou aqui arrepiado! – eu chorei! Chorei porque era tudo que a gente estava tentando preservar no bairro sendo jogado no chão. A gente luta pelo bairro. Eu fiquei muito revoltado naquele dia.
Eu estou aqui pelo “Jornal Realengo em Pauta”, que me convidou. Eu nem estava sabendo disso. O blog sempre esteve aberto para as coisas de Realengo; é pró-Realengo, em prol, promover o progresso do bairro de Realengo. É tudo que nós queremos. Nós, que eu digo... Não sou eu, que sou redator do blog, somos nós, os moradores de todo Realengo participam, enviam mensagem, enviam sugestões. A gente publica. Graças a Deus está lá até hoje publicado.
Vão aparecer muito Paes, botando faixa “Eu sou Paes...” Aquela palhaçada toda que os políticos fazem. Eu vou botar essa carta de novo. Morador pediu, tenho fotos do movimento que sai às ruas pegando assinaturas. Tenho fotos de um monte de gente assinando. Vocês são os pais que assinaram pedindo o parque. Infelizmente, não está como nós queríamos, mas está saindo. Aqui parece que vai sair alguma reclamação a respeito disso. Ótimo. Mas, infelizmente, não é como nós queríamos o que está acontecendo.
Eu fui falar ali com a Laura rapidamente. Tem outras coisas em Realengo que a gente precisa. Tem o cinema de Realengo, que é particular, mas é tombado. Ele tem dois afrescos da Primeira Missa do Brasil e do Grito do Ipiranga pintados na parede, lindos de morrer! Precisa manter aquilo ali. Mas está nas mãos de uma igreja evangélica. Beleza. Mas que eles mantenham. Isso é preservação da memória local.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Obrigado, Luiz.
Marcelo vai querer falar? Então está em casa.
Acho que terminamos aqui. Vou voltar para a Mesa, para dar encaminhamento e para encerrar. Larissa, por favor.
Acho que é importante, pelo menos para ter alguma coisa para deixar registrado. Boa! Acho que a gente consegue, em uma possível reunião com a Laura e também movimentando internamente na política, para ver se a gente consegue inserir isso no projeto lá.
Acho que não é só alterar o projeto. Acho que é algo muito... Não sei responder, sou economista, não tenho cabeça de arquiteto e de engenheiro efetivamente. Não sei se você pode responder isso. Mas esse tipo de monumento, eu acho, não é algo tão absurdo. Juliana pode até me lembrar, mas acho que eles iriam fazer um parque onde estavam as ruínas, um lugar para a galera sentar e tudo o mais. Acho que a gente pode realmente fazer alguma coisa ali, ter um memorial, ou algo do tipo.
Quer falar sobre isso?
Algum pedaço, alguma parada, é verdade. Que raiva disso...
Literalmente, é para sumir. Juliana falou isso...
Pode... Sim...
É... Tem um pacote dos parques e tal...
Quer falar, minha querida? É... Não, assim pode. Ampliar, sim.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Mais alguém?
Pode voltar para a Larissa, para a gente ir encaminhando.
A SRA. LARISSA MONTEIRO – Queria agradecer à Frente Parlamentar de Proteção do Patrimônio Histórico e Cultural da Zona Oeste, em nome da Agenda Realengo. Se for possível pensar em algum tipo de encaminhamento, eu acho que era importante pedir vistas ao projeto executivo. Acho que para a gente, mais do que especular o que vai estar no lugar dessas reuniões para tomar conhecimento de verdade, para pensar o que a gente pode encaminhar de construção para o lugar, para manter essa memória.
É muito importante também a gente encaminhar que o restante das lojas seja construído na lateral do parque. Acho que isso: as lojas da lateral e também vistas ao projeto executivo, para saber o que vai substituir essas ruínas.
É o mercado interno, ele está sendo construído, mas é só uma cobertura. Na verdade, não seria para realocar, seria um espaço livre para feira.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Acho que a administração do parque vai botar quando tiver um evento de feira, vai colocar ali. Não é algo fixo. É algo muito mais...
A SRA. LARISSA MONTEIRO – Transitório, sim.
Paulo, quando eu falei que a Prefeitura não efetivou o cadastro... A gente esteve lá, eu participei de algumas reuniões, o Paulo fez esse cadastro. Essas pessoas que seriam realocadas podem ser consultadas com o Paulo, com parte do movimento e com o Edson.
Acho que é isso de encaminhamento. Nesse momento da construção ainda, são as lojas e entender o que vai ter efetivamente no lugar das ruínas...
É onde ainda dá para construir, de qualquer forma.
Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (WILLIAM SIRI) – Larissa, obrigado.
Para ir finalizando aqui, eu queria falar rapidamente sobre três pontos, porque acho que esse debate serviu para, primeiro, até compreender, pela falta de transparência. Acho que a Larissa foi fundamental nisso, e a nossa visita lá também, Ju, foi fundamental nisso para compreender o que vai ter ali efetivamente.
A especulação era muito grande, rodou, teve uma foto, mas a gente viu ali que realmente as ruínas tinham sido derrubadas. Então, acho que esse debate serviu para ver essa concretude do projeto, o que tinha antes e o que efetivamente está acontecendo lá. Isso foi importante para todo mundo ficar meio ciente e, ao mesmo tempo, entender um pouco essa lógica da cidade cada vez mais vigente, esse espírito que o Eduardo Paes vem trazendo na sua terceira gestão, que é uma cidade de construção, em alguns lugares, óbvio.
Ao mesmo tempo, onde ele está construindo, ele quer deixar a marca dele, deixando qualquer tipo de preservação cultural e histórica para lá. Isso é muito visível e, ao mesmo tempo, é triste, indignante. Essa fala da presidenta Laura, quando coloca que “o projeto não chegou para a gente, então eu nem sei, estou tomando conhecimento agora”, isso é uma coisa surreal. Com todo respeito a ela, é a presidente do Instituto falando isso. Só que é um instituto – como ela mesma vem falando – que está sendo cada vez mais precarizado, como vários órgãos da Prefeitura também vêm sendo precarizados, como estão fazendo agora na educação, contratando e deixando servidores cada vez mais para lá, não fazendo concurso.
Essa marca, essa lógica capitalista cada vez mais da especulação, do dinheiro neoliberal, é a marca do Eduardo Paes. Ao mesmo tempo, acho que também serve para a gente se unir, mesmo em algumas divergências. Mas acho tem muito mais convergência nessa luta para que esses 52%, ou cinquenta e dois vírgula alguma coisa, que está nessa possibilidade de construção de um condomínio ali, que a gente, sim, Marcos... Estão meio que... a Realengo que queremos, não é?
Queremos que efetivamente tenha ali mais um condomínio, a questão da habitação é fundamental, mas não do jeito que é, não da parte da especulação imobiliária, mas de ter realmente e efetivamente uma política de habitação. Não é ali que se deve ter mais um condomínio. Até mesmo nessa lógica, e com esse olhar, a partir da Zona Oeste, a gente vê que ali onde acontece o parque tem o Colégio Pedro II, é um cinturão que poderia ser um grande complexo. Falta muita política pública nisso.
Eu acho que a Agenda 2030 veio muito com esse olhar também – eu acho, como todo mundo, não é? Os jovens, há um pouco mais de tempo, também sempre tiveram essa preocupação de entender uma centralidade. Porque a gente fala muito sobre esta cidade maravilhosa. Eu não sei quem falou que é fundamental. Acho que foi o Ângelo, não é?
Esta maravilhosa cidade se dá, a maravilha dela está em seu povo, a partir do seu povo, e está em cada canto desta cidade. É fundamental que pensemos uma cidade descentralizada, que não só fique vendo a oportunidade de emprego, a oportunidade de manter a sua memória só no Centro, na Zona Sul, porque tem muita história aqui. A cidade toda tem muita história, Santa Cruz tem muita história. Que para quem está aqui, isso fica no outro lado da cidade. Mas para quem está lá, isso fica no começo da cidade, que somos nós.
É pensar essa descentralização, e começar a construir grandes complexos; é geração de empregos, geração de memória, que gera, que a população possa circular por esta cidade maravilhosa, pelo povo que tem. Se depender do capital, isso não vai acontecer. É só mesmo em alguns lugares, em pontos específicos desses grandes bairros para falar que teve alguma coisa. Mas eu sei que o que nos une aqui não é isso. É entender que, em momentos a partir dos fatos dados, da realidade imposta, há alguns avanços.
Não é o avanço que nós queremos, mas há de reconhecer que são alguns avanços. Ao mesmo tempo, é lutar para que o nosso movimento seja cada vez mais vivo, e muito consciente, para conseguir outras pessoas, e mudar a alógica desta cidade. Acho que é isso. É fundamental que mudemos a lógica da nossa cidade. Tenho muita certeza de que, para mudar a lógica da cidade, tem de vir com consciência coletiva, que vem muito a partir da periferia, e fundamentalmente a partir da Zona Oeste.
Por isso que esta Frente é muito... para o nosso mandato, mas para a consciência que nós temos de cidade.
Obrigado.
Não, eu estou. Estou, sim. Eu estou pensando, porque é tanta coisa. Na sua fala tem tanta coisa, há tantos grupos de poder que ganham dinheiro a partir de diversos setores naquele território, que é isto: um setor privado educacional. É o que está dado. Assim, ao mesmo tempo, há outra especulação. São tantos grupos ali que vem o seguinte na minha cabeça: “Olha, é um momento em que temos de estar juntos para resistir, e, ao mesmo tempo, precisamos de um projeto. Se não tivermos um projeto, não existe espaço vazio.
É. Não, mas eu acho que é isso, tem muita coisa que eu acho que entra, tem coisas que entram. Eu preciso terminar, porque são 18h40. Tem coisas que entram efetivamente no sigilo de justiça, tem isso também.
É isso, é real, eu sei disso. No fundo, é essa consciência coletiva que eu falo. Eu sei que é duro, mas é essa consciência coletiva, a gente precisa cada vez mais encontrar os nossos pontos de convergência. Porque o que precisa é um projeto para o nosso território, e não tem.
Tem uma lógica que há muito tempo vem, e agora está muito essa coisa – isso é bom, acho que é muito nosso, sabe? –, que a periferia estar na centralidade. A lógica de quem sempre fez e está na sua terceira gestão agora, vai colocando ali, vai dando uma margenzinha, botando um verniz ali.
Até o momento em que a gente não tiver um projeto nosso, nós estamos fadados a isso, a resistir. Eu tenho essa fala aqui, que é uma realidade, mas é uma fala que teve um avanço, um avanço a partir do nosso projeto. Mas é isso, é a luta para que o nosso projeto um dia seja maior e imposto.
Porque a democracia é isso, não tem jeito. A democracia é: a realidade está imposta desse jeito, e nós não temos hoje a lógica de poder para chegar e colocar. Ao mesmo tempo, é isso: juntar vários movimentos com uma consciência e entender que nós precisamos implementar nosso projeto. Não é agora, mas é uma luta perene. Não é o fim em si mesmo, mas é também isso. Depois, dentro disso, existem diversas...
Deus abençoe sua fala também. É isso. Gente, obrigado. Boa noite a todos e todas. Acho foi fundamental esse nosso debate, o debate é justamente para isso. A gente vai ouvindo muitas pessoas falando. Eu também vou tendo mais consciência e vou linkando com coisas que a gente vai vendo no dia a dia. Foi fundamental para mim, espero que para vocês também.
Larissa, minha querida, muito obrigado. Estamos juntos. Obrigado. Vamos tirar uma foto todo mundo.
Está encerrado o Debate Público.
(Encerra-se o Debate Público às 18h41)
LISTA DE PRESENÇA
Jurema Duarte de Moraes; Juliana Lignani; Aline Alves Ferreira; Paulo Cesar Castro; Amaury Fernandes; Giselle Garcia; Raphael Barreto da C. Barbosa; Luiza Escoral; Vicente Magno; Roberta Lemos Gadelha da Silva; Yoko Amentista; Eloa Ribeiro; Gleiciane ; Luana Teixeira Chiggino; Talita Barbosa Domingos; Jopari Silva; Luisa Trabuco; Iuri Matheus; Edilaine Ferreira; Leticia Souza; Viviane Marinho; Thais Arisa; Fernanda Sabrito; Jorge Antonio da Silva; Julio Mandes de Assis; Bruno Lopes; Lucas Goudenberg; Lidia Sivleira Arantes; Ana Paula Souza; Clara Silva Leal; Mariah Pereira; João Henrique Rabelo Camara; Maria Luiza Barreto M. da Silva; Jaqueline Paula; Andreia Ozava; Cristina Gimenes; Cristina Couto; Suzana Padrão; patrícia Nicolau; Rodrigo Azembuja; Mariana Fernandes;