Comissão Permanente / Temporária
TIPO :
DEBATE PÚBLICO
Da
VEREADOR DR. ROGÉRIO AMORIM
REALIZADA EM
12/04/2023
Íntegra
Debate Público
:
DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 4 DE DEZEMBRO DE 2023
(Desordem Urbana na Zona Sul)
Presidência do Sr. Vereador Dr. Rogério Amorim.
Às 13h27, no Auditório Vereador Aarão Steinbruch, sob a Presidência do Sr. Vereador Dr. Rogério Amorim, tem início o Debate Público com o tema “Desordem Urbana na Zona Sul”.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Boa noite.
Dou por aberto o Debate Público com o tema “Desordem Urbana na Zona Sul”.
A Mesa está assim constituída: Excelentíssimo Senhor Vereador Dr. Rogério Amorim, Presidente da Comissão.
Não tenho poder de convocação, e não poderíamos fazer neste momento porque, regimentalmente, nós demandamos tempo regimental para poder convocar alguns Secretários. Porem, deixou muito claro que apesar de um debate público, a intenção é mesmo dar voz ao público. O protagonismo não está na Mesa, está com vocês. E tentar encontrar soluções para aquele assunto aqui que nós estamos debatendo no caso, especificamente o ordenamento urbano na Zona Sul.
Deixo claro, e sempre faço esse discurso ou algo parecido quando eu presido uma audiência pública ou um debate público, que quem está falando aqui é o Presidente da Comissão de Segurança e Ordem Pública, e não a pessoa física do Vereador Dr. Rogério Amorim. Por que falo isso? O Vereador Dr. Rogério Amorim é oposição ao Governo, e eu aqui presido dentro dos critérios de impessoalidade. Então eu não estou aqui para atacar A, B ou C, não estou. Estou aqui para dar voz a vocês e, sobretudo, discutir soluções.
Como no Debate Público, eu convidei a todos os envolvidos da Prefeitura que pudessem ter pertinência com a pauta. Eu fiz esse discurso, esse preâmbulo de que não estou aqui falando como membro da oposição porque teria que ser duro agora. Teria que ser duro no seguinte motivo: infelizmente, a Prefeitura ignorou qualquer um dos seus dos meus convites. Todos os representantes... se alguém aqui for representante da Prefeitura do Rio, por favor, pode levantar a mão, mas ninguém foi apresentado até o anunciado como tal. Para variar, nenhum representante da Prefeitura se faz presente.
Eu, infelizmente, não tenho o poder de convocá-lo nesta Audiência, mas foi feito o convite a todos eles. Eu vou citá-los nominalmente como uma forma de exposição a eles, para mostrar que muitas vezes nós não estamos ocupando por um problema, e eu vou falar aqui de um deles, que não é culpa deles. Eles não têm como gerenciar nisso. Eles podem ajudar e ser parte da solução, mas não é o todo da solução. Acho uma falta de respeito, não comigo, mas com vocês. Então eu faço a mais absoluta questão de nominá-los porque faltou com respeito aos senhores. E alguns deles aqui, pelo menos um deles aqui, que eu vou citar também, é um pré-candidato a vereador e vai pedir o de vocês.
Primeiramente, o Excelentíssimo Secretário Municipal de Ordem Pública (ou de “desordem”), Senhor Brenno Carnevale. Então esse sujeito mais uma vez falta ou não manda qualquer representante. Não preciso citar a importância dele como Secretário de Ordem Pública da Cidade do Rio.
O Inspetor-Geral da Guarda Municipal, Senhor José Ricardo Soares da Silva, que não mandou ninguém também. Normalmente, até manda, faço esse parêntese, dessa vez ignorou. Mas também não preciso dizer por que foi convidado: é o Comandante-Geral da Guarda Municipal.
Flávio Guimarães do Vale, Subprefeito da Zona Sul. A intenção aqui é debater a desordem na Zona Sul. Ele é o representante direto da Prefeitura do Rio dentro do bairro de vocês. É o representante direto. Para que serve uma Subprefeitura? Para representar o Prefeito naquela macrorregião. Então é assim que vocês estão representados pela Prefeitura do Rio, por um Subprefeito que ainda que ele não viesse, nós aceitamos, as agendas estão aí, mas não ter um representante nesse “show de comissionados” que é a Subprefeitura. Com mais de 30 nomeados, será que não tem um que possa vir representá-lo? Então está aqui o candidato, pré-candidato a vereador, Senhor Flávio Vale. Ontem ele estava no trem do Samba, tocando tantan, tamborim, sei lá o quê.
Ah não sei, provável... Não porque ele estava lá com o Lula.
Carlos Alexandre Ramos, representante da Superintendência Executiva de Licenciamento e Fiscalização e Controle Urbano, a nossa CCU. Foi convidado porque é ele que dá licença para os comércios de rua, para desordem de barulho, de dia a dia. É ele que tem o poder de caçar alvará na cidade para esses restaurantes, comércios, bares que não nos respeitam. Então é a pessoa da fiscalização.
Eu faço questão de citá-los porque não vieram. Fica aqui o meu comprometimento como presidente de fazer, de fato, uma audiência pública em que a presença é obrigatória. Logo agora no retorno do ano, eu não fiz agora por quê?
Como impacta junto com a votação do orçamento, regimentalmente os prazos mudam, e eu não teria prazo regimental para colocar ainda este ano o início dessa discussão. O início não, porque já fizemos outras, mas já para iniciar o ano legislativo com debate. Mas, no ano que vem, fica o nosso compromisso de convocar uma audiência pública, de fato, onde a presença é obrigatória, pelo menos regimentalmente.
Eu queria agradecer a presença de todos os senhores. Eu já vou abrir a fala a vocês, mas já vou citar qual o cenário... Quero citar a presença do Senhor Eduardo Salgado, fundador da Associação de Moradores da Praça Cardeal Arcoverde – é uma honra ter o senhor aqui; do Coordenador da Secretaria Municipal de Habitação, William Correia – temos, então, um representante da Prefeitura do Rio de Janeiro da Secretaria Municipal de Habitação. Confesso que não foi convidado nesse sentido, porque eu não vi pertinência no momento com a Habitação, por isso que a Secretaria Municipal de Habitação não foi por nós convidada, também não foi criticada. Agradeço a presença.
Senhora presidente da Associação de Moradores do Movimento Cidadão Presente, minha sempre presente, amiga e querida Lúcia; da presidente da Associação de Moradores do Leme, também sempre presente, Déia. Obrigado, sempre presente. E fora outras presenças que não pediram fala, mas que serão registradas ao serem chamadas e convidadas a fazer uso da fala.
Queria só fazer um panorama rápido de alguns pontos-chaves que julgo cruciais em que a Comissão de Segurança age e tenta sempre mudar. Primeiro, que fique claro uma coisa, que é a questão do comércio ambulante. O comércio ambulante sempre foi, por nós, o nosso foco de atuação, porque somos peremptoriamente contra o comércio irregular e ilegal. Eu sempre comentei isso. Aquelas pessoas quem têm mais proximidade comigo sabem que o problema do comércio ambulante não é a concorrência. Aí, estou falando especificamente com a Zona Sul, porque em outros pontos da cidade, o que vou falar agora não é verdadeiro – contudo, na grande maioria das vezes, sim. Na Zona Sul, com certeza.
A grande questão do comércio ambulante não é a concorrência com a loja. Nenhum dos senhores vai deixar de consumir uma roupa em uma loja ou vai deixar de ir a um restaurante, porque em frente está vendendo coxinha. Você não vai deixar de ir ao restaurante para comer. Ou se está vendendo uma blusa, você não vai deixar de ir à loja para vender. O grande problema do comércio ilegal é que inviabiliza o ir e vir, enfeia. Traz a sensação de segurança e acaba acontecendo um cenário que nós estamos vivendo hoje, que é o fim do comércio de rua, em todos os bairros da cidade. Você repele aquelas pessoas da rua e as confina dentro de um shopping. Com todo o respeito que eu tenho ao Shopping, mas as senhoras, a minha esposa, por exemplo, os senhores que aqui estão não sentem mais conforto de andar nas nossas ruas? Então, parte disso é pela desordem que o ambulante faz.
Em contrapartida, eu entendo vocês. Eu sei que vocês compactuam com essa minha idéia, mas também compactuam que não é espancando vendedor de mate, da praia, que vamos resolver esse problema. O vendedor de mate que já está lá há 120 anos e que já faz parte de um cenário nosso ali. Há uma coisa que eu faço questão de dizer, até para esclarecer como atuação pessoal minha, porque já fui alvo de críticas em dois pontos. Em uma, o tempo mostrou que eu estava correto. Por duas coisas, eu sou criticado às vezes por parte da imprensa que nos apóia no sentido da ordem, da Segurança Pública.
Eu fui criticado em dois pontos. O primeiro ponto pelo qual fui criticado foi quando votei contrariamente à escala da Guarda Municipal. Alguns de vocês, dos senhores, da imprensa falaram: “Está vendo? Está fazendo oposição por fazer”. Eu, à época, já fazia um discurso de que o problema não era a escala. Mudando a escala naquele momento, iríamos trazer dois graves problemas. Primeiro, um grande índice de baixa da Guarda Municipal, e está acontecendo. Segundo, aquilo ali era só a ponta do iceberg. A escala mudou, e nós continuamos sem ver a Guarda Municipal na rua, atuando no que deveria atuar, que é ajudar a Polícia Militar a combater aquele crime de menor potencial ofensivo.
Vimos, agora, recentemente, um senhor sendo espancado por cinco, seis pessoas em Copacabana. Se não me engano, em Copacabana, espancado por alguns meliantes marginais, sem arma. Foi espancado. A Guarda Municipal não poderia ter evitado o crime, se ele estivesse...? Será que precisa a nossa Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro cuidar do crime organizado, da milícia, do Comando Vermelho, até do batedor de carteira da praia de Copacabana. Hoje está assim! O Segurança Presente hoje faz o trabalho da Assistência Social, que a Prefeitura deveria fazer. Os assistentes sociais do Programa Segurança Presente são muito mais ativos e combativos do que a Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Agimos muito fortemente. Somos contrários ao comércio ilegal. Mas fiscalização de ambulantes não pode ser feita por pessoas de calça jeans e camisa como a minha, e um colete Azul. Tem que ser feita com pessoas identificadas. Por que você não traz nenhuma legitimidade a isso. Pergunto aos senhores: “Vocês entregariam o documento do carro de vocês a alguém com um colete, sem qualquer identificação, uma calça jeans e uma camisa?” Eu não entregaria o meu documento nem pararia em uma blitz assim. Com todo respeito que eu tenho à Polícia Militar do Rio de Janeiro e à Polícia Civil.
A Polícia Civil, por cultura e por ofício, não anda – o Guerreiro pode dizer o que é isso –, porque é um policial civil que não anda fardado, mas quando vai fazer abordagem ao cidadão, está identificado com o distintivo e com a roupa da Polícia Civil,colete da Polícia Civil. O que é esse grupamento das suboperações especiais da Secretaria de Ordem Pública faz é totalmente equivocado a meu ver, porque não traz legitimidade.
Para findar esse assunto, já digo de antemão que nós nos colocamos totalmente, como sempre estivemos em nosso mandato, e exigimos aqui, favoráveis ao recolhimento, acolhimento compulsório dos usuários drogas das rua. Isso é ponto claro. Sempre foi. Falo isso como médico, falou isso como cidadão, falo como Vereador e falo como Presidente da Comissão. É algo que eu falo desde o meu primeiro dia de mandato. O cara que está sob efeito de droga nas ruas não tem juízo de valor. Ele não pode optar se vai, ou se não vai.
O meu filho de 7 anos não faz uma opção se ele vai para escola de manhã ou não vai. Eu o acordo e ele tem de ir para escola. Querendo ou não querendo. Isso não é questão de democracia. Não existe. É um menor incapaz. Do mesmo jeito que um drogado, ainda que não menor, é incapaz. Eu não posso ter o direito de ele escolher, e ficar ali, e esfaquear um ser humano de bem. Ele está colocando em risco outros. Só por isso já é motivo para retirá-lo. Eu não posso, o meu direito termina quando começa o do outro. Eu não posso permitir isso. Então sou totalmente favorável – que fique muito claro isso.
A gente tem de achar alternativas, apesar de mais uma vez haver certa incongruência, porque eu apoio, mas eu me alio àqueles que não apóiam. Fica complicado. O que acontece hoje na Prefeitura do Rio de Janeiro? Ele diz apoiar, mas ao seu redor só tem pessoas que são contrárias a isso. Então fica difícil nós trabalharmos. Qual é a nossa função? É daqui, já tabularmos algo. E digo, para terminar, descumprindo minha palavra que era para terminar no assunto anterior. Nessa, o meu papel aqui é fiscalizar, legislar. Eu não tenho, infelizmente eu não tenho a caneta de execução. Isso cabe ao Executivo.
Então, eu já ouvi e entendo. Algumas pessoas falam: “Não adianta nada esse tipo de coisa, porque nós vamos às audiências, mas nada muda”. Nós temos duas opções. Ou continuamos, tentando remar, lutar e dar publicidade àquilo que nós achamos correto, ou vamos para a cama e nos deixamos levar pelo que está aí. Eu sou daqueles que: o não, eu já tenho. Eu vejo que, em curto prazo de tempo, não vou poder terminar de criar os meus filhos nesta cidade. Então eu tento remar contrariamente a isso. Eu sou daqueles que, ainda que muitas vezes eu chegue à minha casa à noite, com a frustração da não realização, eu ao menos durmo com a certeza da luta, mas não com a culpa da omissão.
Prefiro a tristeza por uma derrota a ter dor na consciência por uma omissão. É o mesmo que vocês compartilham. Eu já os conheço aqui, a grande maioria, então eu sei que vocês compacto com esse meu pensamento.
Mais uma vez, agradeço a presença de todos. Vamos começar aqui.
Agora eu vou passar a fala, e já agradecer a presença, por gentileza, à Senhora Vice-Presidente da Associação de Moradores Movimento Cidadão Presente, Flávia. Também sempre combativa.
Não a citei antes porque eu já tinha visto que você já tinha pedido a fala. Então, eu gostaria que a senhora fizesse uso da fala, agradecendo, mais uma vez, sua presença.
(Exibe-se o vídeo)
A SRA. FLAVIA HOMSY – Bem, eu vou começar falando sobre isso, eu recebi em casa uma americana. Esse é o pai dela. Perguntei o que achou. Eu nunca senti tanta vergonha, mas tanta vergonha de receber uma pessoa de fora na minha casa. A impressão que tinha é que, quando você está dentro de casa, você controla tudo para que as coisas sejam limpas, arrumadas e receba bem, confortável as pessoas. Só que eu fiquei em uma situação de impotência.
Cada rua que a gente passava, eu tinha vontade de apagar as luzes e fechar o carro. Se tivesse uma cortina, eu baixava, porque eu não deixava nem ele andarem só na rua passeando.
O que eu quero dizer é que Copacabana é o turismo, cidade turística. Copacabana e Leme é o que é conhecido mundialmente. Quando você chega lá fora, você fala de qualquer coisa, não, mas, quando você fala de Copacabana, as pessoas brilham os olhos. Hoje eu já não sei se brilham mais.
A gente está chegando a uma degradação tão grande que eu imagino que, se Copacabana está nesse estado, eu imagino o resto dos outros bairros, porque Copacabana ainda tem essa arrecadação de turismo.
O tipo de turismo que a gente traz hoje para Rio de Janeiro e para Copacabana principalmente não é o turismo de tempos atrás, que vinham turistas que realmente vinham agregar. Hoje, exceto as pessoas que vêm visitar familiares e amigos, hoje o turismo vem para depredar também. É turismo sexual, é um turismo
de um valor que não acrescenta em nada.
Então, assim, isso falando da questão turística. A gente está aqui, no nosso grupo, acho que há mais ou menos uns oito anos que a gente vem vendo as coisas acontecerem e só vejo piorarem.
Essa nova gestão, nova gestão, que já está há três anos, disseram para mim logo no início que, quando chegasse no último ano, uma pessoa que já conhece bem política, foi..., até eu vou falar porque eu falo os nomes, é o Índio da Costa, ele numa reunião falou: “Você pode ter certeza de que, quando chegar no último ano, ele vai fazer as coisas, vai fazer acontecer”. Aí eu falei: “Bom, resta a esperança do último ano”, só que eu estou vendo chegar ao último ano e nada está acontecendo, muito pelo contrário, as coisas estão piorando porque ele está pegando onde ele recebe votos e está colocando lá e não é Copacabana que dá votos para esse senhor porque pelo menos eu acho assim. A gente está vendo o que a gente está passando esse tempo todo e é a teoria da janela quebrada, quem não conhece procura saber exatamente o que é a teoria da janela quebrada porque eu não vou dissertar aqui para não ficar perdendo tanto tempo, mas basicamente diz o seguinte: é um estudo feito por um cientista político e um psicólogo, onde eles chegam à conclusão da casualidade, da falta de ordem pública com a criminalidade e é exatamente o que está acontecendo em Copacabana.
Hoje bicicletas em cima da calçada, bicicletas elétricas em cima da calçada, a gente não pode caminhar na calçada tranquilamente, lembrando que Copacabana é um bairro de idosos. Então, os idosos já nem saem mais e quando saem têm o risco de serem atropelados porque quando você ainda reclama leva um palavrão, reclama de novo e fala assim: a minha amiga falou “Cuidado!” porque o cara vinha passando em alta velocidade na calçada e ele falou: “Cuidado você”, ou seja, onde a gente vai andar? Vamos voar pela calçada? Não tem como. E atravessar a rua você tem que atravessar olhando para os dois lados, quase fui atropelada, eu pessoalmente fui atropelada por uma bicicleta porque olhei só para um lado e vinha a bicicleta do outro lado e ele ainda gritou comigo: “Presta a atenção”. Eu falei: “Eu estou olhando do lado certo”.
Então, hoje, estão acontecendo coisas absurdas, a desordem vai chamando a criminalidade.
Lúcia foi assaltada por um cara de bicicleta em cima da calçada, ela estava com o telefone na mão, o cara passou com a bicicleta e foi assaltada. Se a ordem estivesse sendo cumprida, a ordem pública, não tinha bicicleta em cima da calçada porque a gente, quando vê um guarda municipal e chega para ele e fala: “Olha só, você não pode coibir isso?”.
Como na área de lazer ali no domingo, aberta, as pessoas andando na área de lazer, tem escrito na placa “Bicicleta até oito anos” e tem bicicleta elétrica, todo o tipo de bicicleta andando na faixa. Eu fui comentar com um guarda municipal e ele falou: “Eu não posso fazer nada porque não tem multa”. Eu falei “Bom, se você me der a sua farda eu vou fazer acontecer aqui, posso te garantir” e muitas de nós aqui, acho que todas que estamos aqui, se a gente veste uma farda da Guarda Municipal, a gente vai botar ordem. Gente, não é preciso dinheiro, precisa de boa vontade e de poder político. Esse Brenno Carnevale eu espero que ninguém vote nele e que vocês façam campanha contra porque é uma porcaria. A gente esteve lá no primeiro dia que ele entrou, fomos lá e demos uma lista, dizendo onde tem pontos de táxi ilegal, onde tem comércio ambulante, a Atlântica tombada é aquela vergonha e nada foi feito, só piorou.
O Vereador estava falando sobre o comércio ilegal. Eu acho que é muito fácil, eu já tive tempos quando eu tinha 17 anos, que eu também pensava como muita gente fala: “Coitados, estão só trabalhando” e, apesar de eu nunca ter votado em esquerda, eu tive esse pensamento, eu pensava assim: “Coitado”, até que alguém me explicou, como a gente hoje sabe. Meu pai explicava, me orientava muito e acabei entendendo e hoje não são só os problemas que o Vereador falou, traz a criminalidade. Ali na orla aqueles ambulantes que ficam no calçadão, eu já vi, eles ficam ali meio que associados aos bandidos que passam roubando, eles jogam o celular lá para o meio deles, eles fazem um corredor polonês, a pessoa vai passando, o bandido vai roubando e eles vão jogando o celular ali no meio daquela desordem. É a desordem urbana trazendo a criminalidade.
Praia, é pena que hoje não veio uma menina que tem uma barraca legalizada na praia, que ela falou: “Eles estão ali” e aconteceu isso, não é Sandra?, com uma amiga nossa, agora na sexta-feira, na praia, eles cobrando uma caipirinha R$ 100,00, R$ 200,00, passando R$ 20.000,00 no cartão do turista, ou seja, tínhamos uma delegada maravilhosa, a Doutora Valéria Aragão, que brigava com a Prefeitura que eles tinham que ter colete e credencial.
Qual a dificuldade de a Prefeitura fazer isso? Mas não tem, e a Polícia pode fazer o quê? A Polícia vai sair catando todos? Mas se tivesse uma identificação seria muito mais fácil para a Polícia poder agir. E, nisso, é em tudo, sabe? Eu acho que é essa criminalidade que vai acontecendo.
Os bares não têm fiscalização. As pessoas não podem dormir. São idosas. Então, assim, fala-se muito do Estatuto da Criança e do Adolescente: tem o Estatuto do Idoso. O idoso tem que descansar, tem horas para descansar. O idoso que mora em cima desses bares e restaurantes não pode descansar. Aí, a gente vai reclamar com o vereador que fez a lei, ele diz assim: “Ah, mas tem que ter fiscalização”. Pois você sabe que não tem fiscalização, então por que ele próprio não fiscaliza com a Prefeitura? Obriga essa fiscalização a ser feita. Porque é impossível a gente viver, também as pessoas quererem ir dormir e não ter. Porque quem quer sair do bar ali, vai para casa. Cansou? Vai para casa, vai dormir, mas também não quer bagunça na porta da casa dela.
Então, a gente tem que começar... é como o Vereador falou e eu cresci escutando: “o meu direito termina quando inicia o dos outros”. Hoje, não acontece mais isso, hoje todo mundo faz o que quer. E, para isso, existe a lei. A lei é justamente para isso, para que os direitos de um não ultrapassem o direito do outro, e, hoje, está tudo atrapalhado. Porque, aí, o comerciante acha que já que ele paga, ele também tem imposto, ele bota a caixa de som alta para o lado de fora, para poder vender. Ou qualquer um que quer bota um pano e um monte de porcaria vendendo. Ou seja, eu estou muito assustada com Copacabana. Estou com muita vergonha de Copacabana.
Essa pessoa que falou, agora, no vídeo, falou da Comlurb que não faz uma coleta. Nós temos um gerente da Comlurb maravilhoso em Copacabana e Leme, é o Grande. Ele é uma pessoa, assim, que ele se desdobra. Ele vai para rua para poder resolver, só que a Comlurb não pode dar conta com carros velhos que não funcionam. Com a coleta de lixo, de morador de rua que abrem os sacos. Agora, o que custa a Prefeitura, como fazia antigamente – hoje todo mundo está desobrigado de tudo –, o porteiro botar o lixo na hora em que o caminhão passa? “Ah, o caminhão não tem hora para passar”. Tudo bem, o porteiro, o meu porteiro bota o lixo na hora. Não tem essa história. Nunca foi um saco nosso rasgado dentro de container.
Antigamente, o prédio era multado. Se o prédio começar a ser multado, ele vai dar um jeito. Ele vai dar o jeito dele, tem que dar. É como se a gente morasse em um condomínio: “Ah, a gente tem um problema de uma conta de luz, de água altíssima”. A gente tem que se virar. Tem que todo mundo dar o seu jeito e vai resolver. É a mesma coisa: se for multado, ele vai funcionar.
Mas não tem ordem pública, mais uma vez. O prédio, com as calçadas todas quebradas, tudo remendado, a calçada, aquela pedra portuguesa já não existe, está tudo um remendo só. Se o prédio foi multado, vai dar o seu jeito. Quer dizer, essas coisas, não precisa que a Prefeitura tenha dinheiro, porque... Engraçado que o dinheiro aparece para onde eles têm voto, mas não aparece para a Zona Sul, porque não tem voto na Zona Sul. Mas tudo bem, ainda assim, poderia se resolver o problema só com a fiscalização, e a gente não tem fiscalização. Gente, estou bem cansada e é isso o que eu tenho para falar.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGERIO AMORIM) – Obrigado. Parabéns pela fala.
Compactuo com tudo o que você disse. Queria registrar a presença do Senhor Ricardo Salen dos Santos, está aí ou não? Está ali, representando o Excelentíssimo Senhor Presidente Vereador Carlo Caiado, Presidente da Casa. Obrigado pela presença. Jorge Lima Pinel, empresa Pinandrilin Expresso Limitada, obrigado pela presença. O Senhor Marcelo Lucas, representando a Associação de Trabalhadores da Praia do Flamengo. Está aí ou não? Deve ter ido lá tomar um café ou falando ao celular lá fora.
Gostaria de convidar a Senhora Angela do Rio, síndica do Condomínio Barão de Itapetininga, por favor. Obrigado, Angela.
A SRA. ANGELA DO RIO – Boa tarde a todos. Eu sou moradora de Copacabana, nascida e criada no bairro. Então, eu vi a transformação do bairro, no que o bairro era e no que o bairro se transformou. Quando eu falo isso, sou chamada de saudosista. Nós estamos vivendo, eu tenho que me adaptar à nova época, à nova era, mas eu pergunto: como assim? Quer dizer que, agora, a nova era é desordem? É piorar o bairro? Quer dizer que eu não posso ter aquela lembrança do bairro em que eu nasci, do bairro em que eu me criei, do bairro que eu vivi, que eu estudei, que eu me formei, que eu casei, tudo. É errado pensar desse jeito. A gente tem que melhorar o bairro e não torná-lo cada vez pior.
A minha amiga aqui já disse tudo que eu gostaria de falar, mas acrescendo assim, está uma desordem total. Copacabana está uma desordem total, adianta reclamar do meu pedaço, é do Posto 0 ao posto 6, é do Leme ao posto 6. É uma confusão.
Nós agora estamos passando por um sério problema, na parte da tarde em Copacabana. Quer dizer, é o dia inteiro, mas a parte da tarde está sendo bem pior, porque está vindo bandos, estão vindo os bandos pela Nossa Senhora de Copacabana, mas em bandos. Assusta gente. Vinte, trinta menores, são, coitados, os excluídos da sociedade, coitadinhos, eles estão entrando e não é assaltando, tirando tudo das lojas.
Inaugurou agora a Drogaria Pacheco na minha esquina, que eu moro na Rua Duvivier, na esquina inaugurou uma Pacheco. Nessa Pacheco, vieram em um bando, eu estava do outro lado, eu vi, ninguém me contou, eles entraram na Pacheco, eles levaram tudo que estava de fralda descartável e chocolate. Tudo, levaram, coitado do segurança, nada pode fazer, um rapaz magrinho, pequenininho, vai lutar contra vinte. Levaram tudo, sairam fazendo aquela limpeza. E gritando, eles andam gritando, falando umas palavras de ordem deles lá que eu não sei. Logo do lado tem um restaurante, na 245 da Nossa Senhora de Copacabana, o cara acabou de inaugurar o restaurante dele, uma gracinha, pequenininho, um bistrozinho, quebraram tudo. Estou com as fotos, se você quiser ver. Quebraram tudo, tudo.
O cara falou para mim: “Eu vou fechar, eu não aguento. Não dá ninguém. Copacabana não vai sobreviver, ele falou isso para mim. O senhor pode passar que o senhor vai ver todas as fotos. Quebraram todo o restaurante, todo. Entraram lá, fizeram uma arruaça, quebraram tudo. Está um problema muito sério o entardecer em Copacabana. A praia está inviável, não se pode mais ir à praia.
Meu filho é policial em Minas Gerais. Polícia mineira. Ele veio passar alguns dias de férias comigo, desistiu, foi embora. Ele foi à praia, chegou da praia apavorado: “Mas, mãe, o que está acontecendo aqui?”. E ele nasceu em Copacabana. O quê está acontecendo aqui, mãe? Digo como, meu filho. Eu não vou à praia há mais de 20 anos. Moro na esquina da Atlântica. Ele falou: “Mãe, eu só vi tornozeleira eletrônica, todo mundo de tornozeleira eletrônica, oferecendo bebida e por trás da bebida, mãe, passando tóxico. Ele viu. E disse para mim até o número da barraca, onde a coisa acontece. Ele viu um turista argentino ser assaltado. Levaram mil dólares. O cara da barraca foi reclamar, quer dizer, são tudo comparsas, que foi reclamar com os garotos que roubaram, a turma do roubo e o cara, a turma do roubo: “Aqui, fica frio, fica frio que nós vamos dividir com você, você não vai ter prejuízo na sua barraca”. E o cara foi reclamar que as pessoas iam parar de consumir na barraca dele. Estão sendo assaltadas ali. Não, não, a gente vai dividir com você o lucro aí, fica frio que você não vai ficar na pior.
Quer dizer, isso está acontecendo na praia, na cara de todo mundo. Eu pergunto: não pode se colocar um policiamento mais ostensivo na praia, na areia? Como tem... E tem que coibir essas coisas.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Essa é a questão que eu acho que...
A SRA. ANGELA DO RIO – Eu não sei qual é o problema. O problema não sou eu que tenho de resolver, o problema quem tem de resolver é a Prefeitura do Rio, que para isso eu pago meus impostos.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Só, só o que a senhora colocou é uma coisa importante. O que aconteceu nessa gestão do atual Prefeito do Rio de Janeiro? Houve, eu tenho, eu sou médico, eu apoio a prática de esporte, esporte é vida, mas o que aconteceu foi uma verdadeira proliferação de projetos esportivos na praia. Eu fui com meu filho, eu fui, não na Zona Sul, mas eu fui com meus dois filhos na praia do Recreio. À praia que eu fui, eu não consegui ir à areia, de tantas redes de projeto esportivo ali.
O barraqueiro não podia trabalhar, porque ele vendia a bebida lá dele no meio, a Coca-Cola, a água de coco, esquivando das boladas, da criança. Eu tenho um filho de 7 anos, eu tive que sair porque não dava mais, porque era bolada, era chute, era não sei o quê, toda hora – tive de ir embora. Isso tudo, além de dificultar a visão.
Outra coisa, só para ilustrar, pegar carona no que a senhora falou, que a senhora coloca muito bem, porque é o senso comum, a gente sempre pede mais patrulhamento, mas eu vou falar com toda certeza, não estou aqui para defender ninguém, mas é impossível uma metrópole como o Rio de Janeiro ter policial, Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, ostensiva na cidade toda. Ainda mais a cidade violenta do jeito que está, que tem que se combater com arma de guerra ao miliciano, ao Comando Vermelho. O que não dá é há três semanas o prefeito da Cidade do Rio dar uma entrevista dizendo que não tem o que fazer pela segurança. Ele disse em Brasília “Eu infelizmente não tenho o que fazer pela segurança”. Eu pergunto: cadê aquela Guarda Municipal de 93/94? Que eu me lembro pequeno, na Praça Xavier de Brito, na Praça Saens Peña, na Praça Nossa Senhora de Copacabana, nas grandes praças, no Centro da cidade, nos grandes centros movimentação não existisse o Segurança Presente à época, e nós víamos a Guarda Municipal atuando na prevenção desses pequenos crimes, como o desses caras que invadiram a Pacheco.
Ali é um crime de baixo potencial, se você tiver 4 ou 5 guardas municipais, esse crime não vai ser cometido. E eu sou daqueles que defendem o treinamento da Guarda e o armamento da Guarda Municipal. “Ah, você está inventando isso!”. Não! É o que acontece em São Paulo. Em São Paulo, você tem uma guarda civil metropolitana que está adquirindo carabina. Então, é possível. “Ah, não, mas São Paulo é maior” – tudo bem, concordo. São Paulo é a primeira cidade do Brasil, mas nós somos a segunda. Será que a segunda, a Cidade do Rio de Janeiro, não tem capacidade de treinar uma Polícia Militar? A maior receptora de turistas do País. Gente, isso é inviável. Mais uma vez, eu insisto que nós temos de sair um pouco desse senso comum de sempre... A polícia tem de agir, sim, não dá para Polícia Militar do Rio de Janeiro deixar a Avenida Brasil do jeito que ela deixa. Aí eu concordo...
Não, não, também acho certo.
Eu perguntei e vou reproduzir a resposta. Eu vou reproduzir a resposta. Primeiro, falando da escala, eu também sou contrário. Eu não acho que escala 12 por 60, como era... Não era 12 por 40, não. Era 12 por 60. Só que essa escala nunca existiu, porque quando fui estudar o assunto das escalas, essa escala nunca existiu. A escala 12 por 60, só fazia o reabilitado. Isso dava um total de mais ou menos una 400 e poucos guardas nessa escala, são guardas que não iam para rua mesmo, porque eles estavam readaptados, tinha problema de coluna, problema de não sei. Em vez de deixar o cara em casa, coloca na escala de 12 por 60, burocrática. A escala sempre foi 24 por 72.
O que esse Secretário de Ordem Pública fez? Em uma manobra vil, foi faltando mais ou menos uma semana para votação da escala, ele passa todo mundo para 24 por 72, para dar a impressão de es
vaziamento. Eu concordo que 12 por 60 não existe também, só que é a ponta do iceberg. Mudou e a gente continua sem vê-los na rua. O que eles respondem? Que não tem efetivo, que na Zona Sul inteira só tem 83 guardas municipais. Só que você tem que colocar isso aqui nas escalas. São 83 no geral, não são 83 por turno. São 83. Só que ele fala: “Não, nós temos o nosso Grupamento Especial, se precisar”, mas o Grupamento Especial não é para agir no dia a dia. É o GTM que eles chamam, o Grupamento Tático Móvel deles, que é o cara que fica ali em uma: “Vamos fazer hoje um jogo do Flamengo”. Esses caras vão para rua, porque têm de ir, de fato, igual vai o Batalhão do Choque, que tem de ir para a rua. Então, eles não fazem.
Para terminar isso. Nós temos hoje que o efetivo da Guarda Municipal deveria ser de 13 mil homens, por que eu estou falando? Porque é baseado no número da população da Cidade do Rio de Janeiro. Então, no mínimo, 13 mil. Hoje, em atividade, você só tem 5 mil; só que, desses 5 mil, mil e duzentos estão cedidos para estes que ficam andando de colete azul, que foi o que agrediu o rapaz do mate, o que fez blitz de trânsito na Avenida Brasil. Os caras fizeram uma blitz de trânsito na Avenida Brasil! Eu sou totalmente favorável que multe todo mundo que passe na seletiva. Agora, a Guarda Municipal fazer uma blitz? Para rebocar carro? Cadê a atribuição dela? Estão nesses 1.200 que estão fazendo e o prefeito se nega a abrir concurso ou chamar os concursados que já foram aprovados de 2012. Então é isso que ele fala. Nós temos representantes aqui de outros vereadores. Infelizmente, vereadores nessa Casa.
A de 24 por 72... Eu garanto ao senhor que, pelo menos, 85% da Guarda. 24 por 72.
O que acontece é que eles não fazem 24 por 72, porque esses que vestem a boina azul, o colete azul deles, primeiro, que eles não fazem 24/72, só do papel, mas vocês não os veem à noite patrulhando ninguém.
Segundo, esses ainda ganham um aditivo a mais. Que ganhem. Eu quero mais que ganhem bem mesmo para combater a criminalidade, tem de ganhar. Só que o guarda municipal que está na sua rua e na minha, esses caras ganham três paus. Desculpe o termo: R$ 3 mil, líquidos. Enquanto esse cara que está espancando o vendedor de mate e tem que retirar o camelô, sim. Tanto é que, na audiência pública que teve aqui, eu falei para o rapaz que teve a mercadoria apreendida: “Meu amigo, se você não era legalizado, infelizmente sua mercadoria tem de ser apreendida mesmo”. Só que não dá é para espancar, para roubar o relógio dele, como roubaram.
Qual a coisa que nós temos de ter? É porque eu falei da publicidade. O que não dá é a Prefeitura do Rio de Janeiro fingir que a coisa está funcionando e que não é culpa dela. E, dos 51 Vereadores da Casa, nos temos mais cinco que estão criticando isso todo dia.
A SRA. ANGELA DO RIO – Inclusive, eu recebi um elogio ontem sobre isso.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Trânsito? Eu posso falar uma coisa sinceramente para a senhora? Eu concordo com a senhora: corrupção imensa do trânsito, realmente, na Guarda Municipal tem muita gente. Agora, eu garanto para a senhora que a corrupção das barracas de camelô, tem guarda? Tem! Sabe quais são os principais envolvidos? Os agentes da Subprefeitura. Falo isso com toda a certeza. Esses comissionados da Subprefeitura levam dinheiro deles. Porque o Prefeito fez um decreto dizendo que eles têm autorização para fazer fiscalização. Então, eu lhe garanto que tem parlamentar desta Casa e tem membro subprefeitura que leva dinheiro nisso, nessa falta de fiscalização.
Eu aqui não estou fazendo papel de defender a Guarda, não, porque já viram que eu bato muito nela. Mas a Guarda Municipal, em sua grande maioria, está sendo colocada contra o povo. Não é a Guarda Municipal, não, são esses caras de colete azul que estão agindo dessa maneira.
Pode terminar, desculpe-me. A senhora deu luz a um monte de discussão.
A SRA. ANGELA DO RIO – Nada. Imagina. Assim, eu falei o que eu tinha que falar.
Outra coisa, não sei qual alternativa, o que poderia ser feito em relação aos pontos de ônibus, ou seja, a linha 474. Acho que eu toquei em um ponto nevrálgico da situação. Mas o 474 está trazendo as outras linhas para fazer rivalidade. Está um negócio estranho. E aí o que poderia ser feito?
Eu tenho uma amiga que é gerente de uma joalheria que fica no Posto 6, no Cassino Atlântico, ali é um hotel seis estrelas maravilhoso. E o 474 toca terror ali. Os turistas ficam apavorados. Ela vê cada assalto que é um absurdo. E os seguranças do Cassino Atlântico dizem: “Olha, nós não podemos fazer nada, não podemos nem chegar perto”. Porque, se chegar perto, eles já começam a gritar que estão apanhando, que estão isso, que estão aquilo, já vem o direito “dos manos” em cima, é uma confusão. Então, o que poderia ser feito? Como poderia ser reposicionado esse ponto de ônibus? Pelo amor de Deus, tirar da porta de um hotel seis estrelas, que traz divisas para o Rio de Janeiro, traz turismo e está afastando. Os turistas não querem mais ir para lá. Turista de grana.
Espere, deixe-me terminar. Então, isso acho que tem que ser visto, tem que ser revista essa posição dos pontos de ônibus, dessa linha de ônibus, principalmente essa linha, o 474.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Nós vamos fazer um ofício quanto a isso.
A SRA. ANGELA DO RIO – Agora estou sabendo que o 456, 457, está todo mundo envolvido no mesmo.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Obrigado pela fala. O 474 é importante. Vou procurar saber como podemos fazer.
A SRA. ANGELA DO RIO – Está vendo?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Pode deixar.
A SRA. ANGELA DO RIO – Levantando aí, um monte de...
E uma atenção, assim, não é? Eu acho, eu moro no Beco das Garrafas, não sei se você já ouviu falar. Pois é, ali nós temos um centro cultural, não é? O Beco é da história de Copacabana e da história do Rio de Janeiro. Agora, o Beco nada mais é do que latrina a céu aberto, mas por causa de quê? Porque não tem fiscalização nas bancas de jornal.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Outro problema cidade.
A SRA. ANGELA DO RIO – Outro problema seriíssimo, porque eu tenho uma banca na minha esquina, Duvivier. Ali, naquela esquina, ela vende de tudo, menos jornal e revista.
Em frente tem um morador de um prédio, hotel de idoso, que custa, o mais barato, R$ 10.000 por mês, porque eu fui ver para a minha amiga. Se ela quisesse um quarto individual era R$ 10.000 por mês, para dividir em seis, cinco. Moral da história: embaixo, só morador de rua. Só morador de rua dormindo ali embaixo desse hotel, que não é asilo, é hotel de luxo. E aí, essa banca de jornal funciona 24 horas, vendendo de tudo, mas ninguém está interessado em revista e jornal.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Vou pedir um favor para a senhora: mande-nos, no pessoal, a foto dessa banca, a rua, porque eu vou checar a legalização dela, por gentileza.
A SRA. ANGELA DO RIO – Pois é, o que acontece?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Para ver se tem algo ali de ilegal.
A SRA. ANGELA DO RIO – Então, quarta-feira, eles ficam a noite toda ali bebendo, fazendo tudo o que tem que fazer. Entram no Beco das Garrafas e, aí, eu não preciso falar o que é feito lá dentro, não é? Eu acho que todo mundo aqui tem cabeça para imaginar. É isso aí, gente.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Obrigado.
A SRA. ANGELA DO RIO – Eu agradeço a você por nos atender e nos receber.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Eu que agradeço à senhora pela fala.
Queria chamar o Senhor Diretor Financeiro da Associação de Moradores da Praça Cardeal Arcoverde, Alexander Felipe Ribeiro.
O SR. ALEXANDER FELIPE RIBEIRO – Olá, gente. Boa tarde! Tudo bem? Para facilitar, não é? Primeiramente, muito obrigado, Vereador. É fantástico cada evento desses.
Eu concordo com a sua fala no começo. Acho que parece “enxugação” de gelo, mas não dá para desistir, gente. Se nós desistirmos, quem vai suportar isso? Quem vai fazer uma frente a toda essa desordem, essa bagunça, não é? Bom, nossa Associação tem o privilégio de estar aqui com um dos nossos fundadores, não é? Isso é muito bacana. E eu vim aqui com uma mensagem, por incrível que pareça, um pouco diferente. Eu espero que o senhor não fique chateado. Eu estive com a Deputada Índia Amerlau um dia desses, e ela comentou – é muito bacana – comentou dos seus projetos. E uma das formas que ela está tentando conseguir os resultados é negociar também. A política faz parte de negociação.
É óbvio que nós estamos em extremos do ponto de vista moral, ideológico, mas a ordem pública, no Rio de Janeiro, chegou ao limite. Todos, muitos, eu vejo que a maioria, a minha impressão, que sou morador de Copacabana aqui, e eu ando muito, como todos vocês... Nós estamos vendo – não é, Vereador? – situações muito absurdas. Eu fui pessoalmente ao show do Alok, fui sozinho, depois fui... e tive que sair correndo. Mas fui sozinho para ver in loco – igual alguém comentou aqui, não é? Ninguém me falou. “Ah falaram, você viu o pessoal sendo?”. Não, eu não. Ninguém me falou, eu estava lá. Eu vi alguém, gente, sinceramente, eu sou um pouco alto, não é? Alguns moleques roubaram alguém ali no meio, vieram na minha frente e distribuíram assim.
Eu já estava com vontade de fazer alguma coisa. Infelizmente, eu seria preso se eu fizesse alguma coisa. Não podemos, não é? Na minha frente, eles estavam dividindo: “Ó, pega a bolsa, pega o dinheiro”. Na minha frente, os meninos desse tamanho, não deveriam passar de 14 anos, 12 ou 13. O pedido para o senhor, como um legislador, é que faça a sua parte. Nesse aspecto, eu entendo muito bem. A nossa, nós acompanhamos de perto bastante todo mundo que faz parte do Conselho de Segurança de Copacabana. Acompanhamos muito bem a Polícia, as forças de segurança, e a impressão que nós temos – que eu tenho, realmente – é que eles se esforçam muito, mas há muito pouco recurso. Do outro lado, tem o Judiciário, com o qual nós, infelizmente, não temos muito a ver, não é? Talvez os legisladores, principais federais, têm algum tipo de acesso. Aqui, infelizmente, do nosso lado, eu posso pedir só o trabalho que o senhor faz na Câmara, que é um trabalho mais legislativo, mais específico, que é esse trabalho de cobrança da Prefeitura, que é achar o caminho.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Eu que agradeço demais a palavra. É por aí: cada um dentro das suas atribuições, tentar lutar ali para fazer algo melhor para a nossa sociedade. Obrigado pela fala.
Queria chamar a Senhora Presidente da Associação de Moradores do Leme, Déa Maria de Faro Orlando. Tudo bem? Por gentileza.
A SRA. DÉA MARIA DE FARO ORLANDO – Bom, boa tarde.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Boa tarde.
A SRA. DÉA MARIA DE FARO ORLANDO – Hoje, eu vou falar alguma coisa um pouquinho diferente, mas é sempre no mesmo registro, não é? É a ocupação da praia. A ocupação da praia, lá no Leme, é assim: você chega à calçada, aí já tem os equipamentos de ginástica. São avulsos.
Você chega e pula para a areia. Quando chega à areia, estão as redes de vôlei, que são uma assim na outra. Aí, são quatro redes de vôlei até o mar, naquela direção. Então, você vai continuando aquele alinhamento das barracas, dos barraqueiros, e eles agora acham que estão na Europa, fazem, por exemplo, aquelas barracas que eles põem assim em linha reta, como se fosse um balneário. E eles tomam conta da praia.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Mas esses são os “quisqueiros”.
A SRA. DÉA MARIA DE FARO ORLANDO – Sim, os “quiosqueiros”.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Não são os barraqueiros, não, os barraqueiros sofrem com isso demais. Eles sofrem muito, como se fosse um balneário, a senhora tem toda razão. Eles pegam ali a área deles que são dois... os quiosques ultrapassando a zona, invadindo a areia.
A SRA. DÉA MARIA DE FARO ORLANDO – Sim.
E aí, tem esse alinhamento das barracas. Quer dizer, eles vão até o espelho d'água. Eu estou falando tudo isso é porque o morador não tem...
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – A senhora está certa, não tem mais espaço para o banhista tomar um banho de sol.
A SRA. DÉA MARIA DE FARO ORLANDO – Não tem.
Aí, vai lá, quando ele chega, ele vai até o espelho d'água. Quando chega ao espelho d'água, você passa e pensa que vai chegar lá alguma coisa? Não.
Tem o “altinha”. Altinha, eu li a lei, ninguém me falou: “é proibido”. Só pode jogar das cinco às seis da tarde, e eles não fazem isso. Eu moro na Atlântica em frente à praia e eu vejo, às seis, sete horas da manhã eles começam, até escurecer.
Então, quer dizer, isso é uma coisa muito difícil para as pessoas. Eu não vou mais à praia, não adianta, não é? Teve até uma coisa. Por exemplo, eu trabalho muito às vezes com o bombeiro marítimo, porque tem o salvamar que vai lá, todo fim de semana tem uns seis salvamentos. E o oficial, o coronel disse assim: “Déa, dá para você ver uma coisa assim na areia”, que ele me disse. Eu disse: “Vou”. Eu fui e não consegui passar entre as redes de vôlei, eu não consegui passar. Isso está um absurdo. Agora, tem que dar um jeito, porque isso tudo está ilegal. Então, tem que passar...
Sim. Sim.
Então, é uma coisa que a gente não sabe mais como fazer, porque a gente não pode mais ir à praia. Não dá para ir. A gente pede socorro para o simples mortal poder ir à praia. É isso que eu queria falar.
Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – A senhora tem razão. Queria agradecer a fala.
E é exatamente isso, a praia está realmente tomada. Importante aqui, recebendo um documento formal encaminhado à Comissão. Pode deixar que o que for da nossa competência, nós vamos agir duramente.
Queria chamar a presidente da Associação dos Moradores do Movimento Cidadão Presente, Senhora Lúcia.
A SRA. LUCIA UNGIERGOWICZ – É tanta coisa para falar que eu não sei se vai dar tempo. Várias coisas. Vou começar pela Guarda Municipal.
Quando ele mudou a escala, ele disse que nós íamos ter três vezes mais guardas municipais nas ruas com a nova escala. Nós estamos com três vezes menos. Não se vê um guarda municipal. Na verdade, você os vêeles fazendo um trabalho do qual a gente não precisa, eles ficam iguais dois de paus na Avenida Atlântica fazendo o que não sei, porque nós não precisamos deles como policiais, nós temos o Rio Mais Seguro, o Copacabana Presente, o 19º e a Polícia da Areia. Nós não precisamos de guarda municipal em pé fiscalizando a Av. Atlântica, não precisamos. Nós precisamos deles na ordem pública, mas isso eles não fazem.
O trânsito em Copacabana, eu fui almoçar com o comandante do 19º, saí da Rua Miguel Lemos para ir para Rua Figueiredo Magalhães. Ali deve ter um 1,5 km de distância, levei 43 minutos, por quê? Porque a pista da esquerda está tomada por táxi, por uber. Então você tem uma pista... Carga e descarga, duas da direita para táxi pilotado. E na esquerda é desordem total.
E é o seguinte, eu vou falar isso, porque eu tenho prova, a Guarda Municipal se transformou num órgão corrupto! Corrupto! Porque eles recebem dinheiro... Vocês viram as reportagens que saíram na televisão deles pegando dinheiro de quiosque para não multar o quiosque na perturbação do sossego. Eu já tive vídeo. A Lena falou do cara lá da Santa Clara, ele foi filmado recebendo dinheiro, sabe o que aconteceu com ele? Nada. Eu já fui vendida por guarda municipal para bicheiro, para apontador de bicho, eu e a Flávia. Eu fui vendida pelo seguinte: o guarda municipal mostrou para o apontador de bicho o meu nome, o meu celular, a minha demanda, e a minha foto. E quando eu passei na esquina o apontador me interpelou, falou: “Fez a denúncia? Está sabendo que isso aqui é jogo de bicho?”. Eu falei “Você está me ameaçando? É isso?”, porque você sabe que o jogo do bicho mata, quem atrapalha mata, eles andam até armados.
A Guarda Municipal precisa ser renovada. É muito estranho que o Prefeito não chame esses meninos concursados que fizeram um concurso dificílimo. A verba é empenhada, não pode ser usada para outra coisa. E eu quero saber qual é a justificativa? Por que esse homem não renova a Guarda Municipal? Não sei! Porque ele deve receber uma parte da propina, será que é isso? Eu não sei. Eu estou lançando essa dúvida aqui.
Em Copacabana, o problema dos bares, a ocupação das calçadas de você ter que andar no asfalto. Na Rua Bolivar – outro dia fui atravessar a Rua Bolivar – , na quadra entre a praia e a Aires Saldanha, os bares ocuparam a calçada inteira, não tem mais o respeito pelo um metro e meio. É impossível, você tem que andar pelo asfalto, por quê? Porque não tem fiscalização. A alegação é que não tem fiscalização, então você não pode aprovar uma lei que você não tem condição de fiscalizar, porque ele faz decretos e leis para inglês ver, porque agora ele fez o decreto das caixinhas sonoras na praia e está tudo lá dizendo que a Guarda Municipal pode pegar, mas não tem guarda municipal para ir lá pegar. Então isso aí é uma palhaçada. Agora fez um decreto que o guarda municipal pode multar e fechar o bar que estiver fazendo coisa contra perturbação do sossego. Não tem guarda municipal, não tem aparelho de medir o som...
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGERIO AMORIM) – Decibelímetro...
A SRA. LÚCIA UNGIEROWICZ – Decibelímetro... Então ele faz isso para enganar a população. Eu nunca vi uma administração tão podre como essa que a gente está tendo aqui. E o que ele faz? Ele quer o voto do camelô. Eu fiz uma declaração aí para alguém, falei que Copacabana está coberta por um negócio que eu batizei de shopping chão. Shopping chão são aqueles panos com todos os tipos de produto, pano de chão, eletrônico, tem de tudo, sapato velho. Eu quero que alguém ande na Siqueira Campos. Já chamei o Brenno Carnevale para andar comigo na Siqueira Campos. Tem brechó de sapato usado na calçada. É um negócio nojento, a rua é um nojo, você não consegue passar ali, tem de tudo, morador de rua tomou conta de Copacabana. Eles se jogam onde eles querem, faz cocô, faz xixi, come aquelas doações de quentinha e jogam os restos nas calçadas. É um negócio impressionante. E não tem uma guarda municipal.
Está estuprando, matando, mas está tudo bem! A Defensoria Pública e o Ministério Público têm essa audiência do dia 7. O Ministério Público já disse que é contra a dignidade humana você levar uma pessoa obrigatoriamente ou obrigar uma pessoa a ser internada. É contra a dignidade humana.
Eu não sei qual é o conceito que eles têm de dignidade humana, porque é digno uma pessoa morar na rua? É digno uma pessoa ser consumida pelo crack? É digno uma pessoa disputar a sua comida com rato e barata? É digno uma pessoa transar na rua? É digno uma pessoa defecar na rua? É isso que eles entendem por dignidade? Então, eu estou no mundo errado. Eu não sei... Eu estou em outro mundo.
Nós estamos no mundo errado. Então, a ocupação das calçadas é uma coisa que eu vou pedir para... Eu, aliás, vou conversar com o Aloisio, com o vereador que fez a lei do... Vou conversar com ele, porque ele tem que reverter alguma coisa ou, então, ele tem que clamar pela fiscalização, porque o cara tem que ser responsabilizado pela lei que ele faz, não é?
Está ocupando vaga na garagem. E a pandemia virou desculpa para tudo. A pandemia está até hoje para servir a essas pessoas, porque, por exemplo, por causa da pandemia, o Prefeito acabou com o horário de carga e descarga na Nossa Senhora de Copacabana e na Barata Ribeiro. Acabou a pandemia, mas ele não voltou com o horário de carga e descarga.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Já está na hora de voltar.
A SRA. LUCIA UNGIERGOWICZ – E aí, o que acontece? Acontece a desordem da pista da esquerda, que ela chama também o táxi, o Uber e aí a gente não anda, não é?
O que mais que eu tenho para falar, gente? É tanta coisa que eu tenho para falar. Ah, sim. Estão construindo, não sei com a autorização de quem... Estão destruindo as calçadas para fazer deck para bar e rampa. E tiram as árvores para aumentar o espaço para colocar mesa de bar. Que é isso?
Eu acho que tudo é uma campanha eleitoreira. Ele está contando com o voto das comunidades, ele está contando com o voto dos bares, com voto dos camelôs. Um mistério que tem é a esquina da Santa Clara com Nossa Senhora de Copacabana. Tem uma feira livre lá, uma feira livre. Fruteiros... E o cara bota uma barraca. Agora tem teto. A barraca de fruta tem teto igual feira. Está ali naquela esquina. É o coração de Copacabana, esquina da Santa Clara com a Nossa Senhora de Copacabana. Ninguém entende o que acontece ali. Aquilo ali só pode ser alvo de alguma corrupção.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Lucia, só para fazer um adendo ao que a senhora falou. Uma vez, um representante da Prefeitura falou assim nesta na Casa: “Ué, você...”. A incompetência deles, eu cite a barraca. Ele quis me dar uma lacrada, não é? Citei uma lá. “Você que é tão capitalista, tão de direita, se tem a barraca é porque tem consumidor”. Eu falei assim: “O senhor deveria saber que quem consome da barraca não é o morador da Zona Sul. É aquele que vai lá ao comércio pendular, aquela pessoa que trabalha na Zona Sul e que vai lá, trabalha e volta para casa. Agora, pergunta para o morador se ele quer aquilo?
Sim. Legalizado. Exatamente. Mas só para contar, porque realmente é algo importante...
Três e meio.
Dinheiro tem, o que falta, realmente, é querer fazer. O que houve, por exemplo, vou dar... Nós estamos votando o orçamento agora. Só passar uma informação para o senhor, por exemplo: nós temos a Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro com o orçamento do ano passado de R$ 50 milhões. Você vai falar que o orçamento é pequeno perante o problema na cidade, que é o acolhimento do morador de rua. Em tese, está sob a incumbência da Assistência. Deveria estar sob a Assistência Social. Vamos lá.
Este ano, essa mesma Secretaria tem R$ 48 milhões. O que isso significa? Menos R$ 2 milhões para acolhimento de pessoas em situação de rua, sendo que nós aumentamos, nos últimos quatro anos, mais de 18% o número de moradores de rua.
Outro dado que eu vou dar para mostrar ao senhor que a questão não é o dinheiro: a verba em propaganda da Prefeitura é de R$ 700 mi, mi, milhões, quase R$ 1 bilhão. Só para ordem de comparação, a da Saúde é de R$ 2 bilhões. Ou seja, é óbvio que é maior, mas não é tão maior assim que com a propaganda.
A Secretaria Municipal de Esporte, ano passado, tinha R$ 70 milhões. Esse ano foi para R$ 140 milhões. Por quê? Porque ano que vem é eleição. Para ele agradar aos vereadores da base, ele vai distribuir projetos esportivos nas suas praças. Então, ano que vem, vocês verão nas suas praias e nas suas praças o dobro de projetos esportivos, o dobro de cabos eleitorais nas ruas fazendo propaganda para prefeitos e vereadores. Então, é isso. Então tem o dinheiro. Então o que há é irresponsabilidade com o orçamento.
Outro projeto: vocês vão entender porque são pessoas esclarecidas. O projeto chamado Cozinha Popular saiu de 25 para R$ 40 milhões. O que é o Projeto Cozinha Popular? Cozinha para morador de rua. Aí eu pergunto: para morador e população carente, você é contra dar comida? Não. Só que não seria mais lógico eu investir esse dinheiro em um centro de acolhimento e dar comida lá dentro? Em vez de reduzir R$ 2 milhões, não seria melhor pegar esse projeto de R$ 40 milhões e dar R$ 100 milhões para a Assistência Social, de fato, para fazer um lugar digno para eles se alimentarem e não distribuir quentinhas na rua? Não seria muito mais lógico eu fazer isso? Um centro decente? É isso?
Mas por que isso é legal? Porque...
Não, não. A internação compulsória do Prefeito...
Eu apoio totalmente. Mas vamos para dois poréns disso? Foi o que eu falei no início: incondicionalmente, eu apoio. Acho que tem que ser expandido porque a internação, o acolhimento compulsório é só para usuários de drogas. Para começar, mas é só. Já acho que é uma boa. Só que, segundo: mais uma vez, eu vejo como algo eleitoreiro. Por que demorou três anos para fazer?
E mais: isso está sob uma tutela de quem ele representa porque ele está abraçado com as pessoas que não querem isso. Então, quando eu olho o orçamento da cidade... Eu estou plagiando um artista que eu não gosto, mas ele fala, em uma das suas músicas, que “as suas ideias não correspondem aos fatos”. Apesar de eu não gostar dele como artista, essa frase da música é ideal.
Quando eu pego o orçamento e o estudo, isso é uma loucura porque eu vejo esse tipo de discrepância. Você tem uma secretaria, por exemplo, que cuida contra a intolerância religiosa – e eu não sou favorável à intolerância religiosa, pelo contrário, eu acho que todos somos livres para professarmos a fé que quisermos – levando a sua “quantiazinha” ali de R$ 3,5 milhões. Não preciso falar mais nada.
Zero? Tanto que este que vos fala entrou no Ministério Público para proibir isso. Vamos ver a resposta do Ministério Público?
Não se pode criar secretarias sem passar por esta Casa. A criação de secretaria é criação de despesa. Para ter despesa tem que estar no orçamento. Para estar no orçamento tem que ser votado. Então não pode se criar. Eu mandei uma representação ao Ministério Público. Só que claramente... Mais uma vez, não estou aqui entrando...
Foram R$ 500 mil dados, essa semana, a uma feira rural do MST na cidade do Rio de Janeiro. Sim, senhora. Sim, senhora. A uma feira rural...
Eu coloquei na minha rede: R$ 500 mil para o... Só para o senhor ter uma ideia, o secretário que fez isso é o Vice-Prefeito de Maricá, que é Secretário de Economia Criativa do Rio de Janeiro, uma Secretaria. É, o Zeidan, da Deputada Estadual, com todo respeito que eu tenho a qualquer político criticado de esquerda ou de direita. Mas essa é a realidade. Então, eu vejo R$ 500 mil saindo do meu bolso e do seu bolso para uma feira do MST. É isso que nós vivemos no Rio de Janeiro. São as mesmas pessoas que vão lhe pedir os votos no ano que vem. É isso.
A SRA. LUCIA UNGIERGOWICZ– Rogério, é o seguinte, não existe mais no Brasil uma cidade com nível de degradação do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro, que eu batizei “Medelin do tempo dos cafés”.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Mais ou menos isso. Estamos nos aproximando disso.
A SRA. LUCIA UNGIERGOWICZ – Eu fui sábado pega por essa horda de menores que corre na Nossa Senhora de Copacabana, no horário do término da praia, 6h30 da tarde. Eu tive que me abrigar com outras pessoas dentro da pizzaria da esquina da Miguel Lemos com a Copacabana. A menina que veio correndo com eles falou que eles vieram de Ipanema. Ela veio correndo apavorada. Eles vêm pela Francisco Sá, de Ipanema, porque eles sabem que a polícia agora está vistoriando o 474; então, eles vão por outros ônibus, vai para outro lugar.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Se não tiver dinheiro pelo menos para voltar e documento, a polícia não deixa entrar mais. A polícia militar está fazendo.
A SRA. LUCIA UNGIERGOWICZ – O que acontece? Tinha um guarda municipal parado na esquina da Miguel Lemos com Copacabana, onde eu e outro grupo de pessoas nos abrigamos. Ele não fez nada; sequer pegou um celular para avisar para alguém, para 190, para qualquer coisa. Ele estava lá com uma moto. Não fez nada. Um cidadão voou em cima dele, começou a chamá-lo de bandido, de canalha – quase deu “porrada”. O cara tentou agredir o cidadão, porque o cidadão estava reclamando e começou a dizer: “Você é um zero à esquerda, não serve para nada”. Ou seja, esse é o retrato da guarda municipal.
Eu quero fazer uma para as pessoas aqui. Nós precisamos mudar a Câmara Municipal. A votação para Vereador é fundamental. A gente não pode deixar, porque a pesquisa diz que ele vai se reeleger. Eu não sei se vai.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Não acreditemos nisso.
A SRA. LUCIA UNGIERGOWICZ – Eu não sei se vai.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Vamos lá, gente. Não é o momento. Eu tenho minha opinião. Mas não é essa a pauta aqui agora. Não é um ato político.
A SRA. LUCIA UNGIERGOWICZ – O mais importante é eleger uma Câmara Municipal conservadora e que prime pela ordem em Copacabana.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Obrigado. Lúcia, obrigado pela palavra. Sempre muito assertiva.
Quero chamar a Senhora Grécia Cavalcante, por gentileza, membro da Associação de Moradores do Leme.
A SRA. GRÉCIA VANICORE CAVALCANTI – Olá, eu sou Grécia.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Prazer, dona Graça. Obrigado pela presença.
A SRA. GRÉCIA VANICORE CAVALCANTI – Obrigada a vocês.
Sou da Associação de moradores do Leme, a Viva Leme.
Diante de todos os relatos veementes que nós ouvimos aqui, fica claro que há uma grande disfuncionalidade da Prefeitura. Mas não só. Existe, a meu ver, um projeto político eleitoral, do grupo político que ocupa a Prefeitura, e que visa, vamos dizer, o grande eleitorado, a massa, que são essas pessoas que geralmente cometem esses delitos de rua. Eu não estou dizendo que a classe alta não o cometa. Comete outro tipo de delito, às vezes até mais lesivos. Mas os relatados aqui, que nos incomodam, são basicamente os delitos de desordem urbana, os quais seriam coibidos por uma Prefeitura eficiente. O que não acontece.
Acho que essa disfuncionalidade existe, essa inoperância e até diria incompetência, mas não só. Parece-me um projeto político. Não está voltado para a classe média de Copacabana. Aliás, hoje a classe nós somos, estatisticamente, irrelevantes. Nós não elegemos ninguém. Então, a nossa força política é muito pequena e outro fator, que até quando a Lúcia e a Sandra me convidaram para essa reunião de hoje, eu falei “Ih, meu Deus, mas será que a gente vai conseguir botar o dedo na ferida ou vamos ficar com aquelas reclamações reiteradas?”.
Eu acho que o segundo problema, além do projeto político, é corrupção das corporações. Então, é claro que a gente não pode adentrar muito no assunto, se expor muito, até porque nós dependemos desses serviços e não nos cabe aqui muito ficar apontando, mas os relatos, os vídeos, têm sido contundentes nesse sentido e, se a gente observar, a gente vai ver que existem castas inatacáveis, inatingíveis.
Os pontos de táxi não sofrem nenhum incômodo. Flanelinhas é como eles atacam, agridem, as queixas são diárias. Parece que não, mas eles têm por trás uma representação muito forte. Outro segmento: fruteiros, estão ali todos os dias no mesmo lugar, não são reprimidos.
Ferro-velho: aquelas kombis anunciando claramente ali, facilmente. Essa instituição ferro-velho tem muito poder de corrupção, eles movimentam orçamentos consideráveis e vários outros segmentos que são inatacados. Os quiosques você chama e vem com muita má vontade um guarda municipal vai lá. Ele foi orientado a baixar. Muito bem, ele dá as costas e começa tudo de novo. É uma pantomima, a gente já sabe e são segmentos intocáveis.
É claro que o projeto político da Prefeitura é um projeto político, eles foram eleitos legalmente, só quando houver uma mudança, mas a questão da corrupção nessas corporações, que deviam reprimir esses delitos, eu não sei bem o que deveria ser feito. Eu até pergunto se há algo que possa ser feito e o resto nós todos já sabemos, os problemas todos que nós temos são os mesmos em todos os bairros se agravando.
Enfim, politicamente, é uma troca e como lidar com isso no momento o Vereador, mais do que ninguém, saberá dizer.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Eu queria agradecer e dizer que nós estamos diante de um problema grave realmente, mas, independente de lado, esquerda, direita, centro, eu tenho minhas convicções políticas, acho que já todo mundo percebeu isso, mas a arma que nós temos para combater isso é a independência, é o Legislativo fazer a sua função, que é a de fiscalização.
Infelizmente, numa Casa em que, dos 51 vereadores, nós temos pelo menos 40 agarrados fielmente ao sistema, à Prefeitura do Rio de Janeiro, fica muito difícil nós partirmos para uma fiscalização real e aqui eu não sou o dono da verdade não, nós temos vereadores que lutam muito e que fiscalizam também. Independente da ideologia, algumas pessoas que vou falar aqui até ideologicamente não coadunam comigo. Por exemplo, Pedro Duarte não tem a mesma ideologia que eu, do ponto de vista do conservadorismo etc., mas é um vereador combativo e que preza pela fiscalização, apesar de discordar em alguns pontos de pautas conservadoras, sou contrário a ele, mas tem que fazer essa menção. Vereador Carlos Bolsonaro, um vereador que, dentro do seu modo de agir ali, muito combativo, muito crítico ao sistema também, agindo no papel de fiscalizador. Vereador Felipe Michel, ali também na trincheira da fiscalização, da luta etc.
Então, aqui eu estou dando alguns exemplos, mas, infelizmente, posso estar aqui neste momento fazendo algum tipo de injustiça com algum colega, mas podem ter certeza de que não há muitos. Tenho dificuldade de lembrar alguns, mas esse aqui eu cito como uma Casa independente. Então, assim, desses que eu citei, são dois do campo da direita, do ponto de vista do... o Novo eu digo que é um ponto de vista de uma direita econômica, financeira, mas não do conservadorismo dos costumes, das pautas de aborto, de drogas etc. Mas cito o Felipe Michel, a mesma coisa, é de outro partido que não é da direita, que nem o meu, mas lutam muito por essa questão de ordenamento.
Agora, infelizmente, nós precisamos de uma Casa combativa para independência, para poder fazer isso. E uma instituição que funcione de verdade, porque é hierárquico. Dentro de todas essas corporações, nós temos uma Corregedoria que cuida disso. Agora, quem fiscaliza a Corregedoria ou deveria fiscalizar somos nós, vereadores. Só que é importante a união dos vereadores, e nós conseguimos muitas vezes nos unir e termos um trabalho bom, mas muitas vezes quando nós vamos para uma fiscalização mais da carne, muitas vezes nós fazemos requerimento de informação, não somos levados em consideração, não somos respondidos.
Tentamos abrir uma CPI na Educação, porque depois daquele episódio do “cavalo taradão” alguma parte dessa verba de campanha de uma OS foi aumentada na Educação, uma OS que presta serviço de educação teve seus contratos aumentados próximo do período eleitoral, e esse, em tese, pelo menos, o que consta ali no Portal da Transparência, o dono dessa ONG seria um dos doadores do Secretário de Educação em sua campanha. Infelizmente, eu não estou acusando de nada, era para investigar, pode ser um erro material ali do site, etc., mas eu pedi um requerimento de informação, não foi respondido, então eu queria abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para fazer a fiscalização disso. Conseguimos sete assinaturas, quando precisaríamos de 17.
Então, para fazer uma investigação mais a fundo como essa, muitas vezes nós temos que lançar mão de frentes parlamentares, de comissões parlamentares e, para isso, eu preciso de 17 pessoas pelo menos.
Hoje, nós temos um cenário que nós não conseguimos nada contra o governo, porque nós não temos... Eu não estou falando aqui de ser oposição por ser oposição, não. Tanto é que eu parabenizo e digo que a compulsória é excelente. A gestão passada, muito ruim, muito ruim. Essa está pior, mas a passada foi muito ruim. Tanto que o primeiro ano, todos nós fomos benevolentes com a gestão. Ainda com pandemia, ainda com heranças da outra gestão. O que não dá é para continuar no segundo e no terceiro e eu me manter ali onde eu estava, que é na tolerância ao Executivo. Então, eu preciso disso, respondendo à sua pergunta.
Lúcia, você tem toda a razão. Eu concordo. E a senhora está pontuando, Lúcia, o que é um pingo no oceano. Nós, vivendo numa metrópole do tamanho do Rio de Janeiro, que é uma metrópole mundial, regional, é uma cidade do tamanho do Rio de Janeiro, o Prefeito do Rio de Janeiro tem muito mais o que fazer pela segurança. Vou dar alguns exemplos aqui, já que ele falou que não tem. Primeiro, uma Polícia Civil, uma Polícia Municipal treinada, decente, cumprindo a sua função. Segundo, ordenamento da cidade. A gente anda pela cidade, essas luzes de LED parecem Natal, pisca-pisca de Natal, mal iluminada. Nós temos a conservação da cidade, repleta de moradores de rua, de comércio ambulante. Isso é um cenário para crime, teoria da janela quebrada, câmera facial, Cidade do Rio de Janeiro. Quem foi a Nova Iorque... Eu estive recentemente em Nova Iorque em um congresso médico. E lá você vê... Garanto a você, o que vou falar eu garanto: você vê muito menos policial na rua do aqui, muito menos. Só que, em cada local que você está, tem uma câmera de reconhecimento facial te olhando. Se você estiver devendo alguma coisa para a polícia, imediatamente aquilo ali está identificado. Se você fizer alguma coisa, imediatamente também está identificado. Então, tem muito a se fazer. Mas, infelizmente, falta vontade.
Eu queria chamar, para terminar, o Coordenador da Secretaria Municipal de Habitação, William Correa, para fazer uso da palavra.
William, só para fazer justiça, o senhor vem e fala como morador – que sei que é – ou como Coordenador da Secretaria Municipal de Habitação?
Como morador. Então está bem.
O SR. WILLIAM CORREIA – Na verdade, eu vim mais para ouvir do que para falar. Mas, como no início o Presidente falou que eu era da Prefeitura, eu pensei: vou me explicar, até porque...
Eu sou morador do bairro desde que nasci há 36 anos. Hoje, há quatro meses estou lotado na Coordenação de Inclusão. Trabalho com pessoas com deficiência, doenças raras, acessibilidade. Estou na Prefeitura, mas vim como morador para ouvir um pouco da Casa do que a gente pode, enquanto morador, cobrar e o que a Prefeitura e os vereadores têm para fazer em prol da segurança pública.
Apesar de saber que a segurança pública é de competência do Estado, eu acredito que, sim, a Prefeitura tem o seu papel de, pelo menos, ajudar ou intervir. Ouvi diversas coisas aqui, e acho não é só porque estou na Prefeitura que vou deixar de criticar. Vocês podem olhar minhas redes sociais. Vocês sabem que eu não tenho rabo preso com ninguém: quando tem que criticar, eu critico, mas acho que a gente tem que entender também questões de competência, de guardas municipais, se é da competência ou não. Eu acho que vai muito além de ser competência municipal, até estadual. A gente pode levar até a parte da União, de leis realmente mais duras.
Hoje, como os policiais militares enxugam gelo, que a gente sabe, aos guardas municipais também não competem muitas coisas do que ouvi aqui que são cobradas. Não estou criticando, acho que tem que cobrar mesmo, mas a gente precisa entender a quem cobrar. E aí, cabe aos senhores vereadores também tentar arrumar uma forma de legislar em prol disso.
Além de ser morador, eu tenho um grupo. Criei um grupo chamado Copacabana Informa, e todos os dias a gente tem vários, vários relatos. Quem está acostumado a viver em Copacabana sabe. Tudo aqui que eu ouvi, já estou acostumado, já fui a eventos do conselho de segurança. Não sei se o Horácio estava aí. Já estamos acostumados.
O problema não é só dessa Prefeitura. Volto a dizer, não estou passando a mão, quem sou eu. Isso está sempre ali, independente da gestão. Eu citei só o nome, não estou entrando no mérito de...
Eu não vou mais porque não via justificativa de ir. Espero mesmo que esta audiência pública não fique só no debate, porque ficar debatendo aqui, Vereador, não vai adiantar. A gente precisa de medidas drásticas. Eu fiz um vídeo que viralizou, duas semanas atrás – alguns devem ter visto –, dentro das Lojas Americanas. Mais de dois milhões de visualizações. Eu estava com minha família, e um grupo de 20... Eles não invadiram, eles entraram como se fossem clientes normais. As Americanas da Barata Ribeiro, onde eu moro, ali no Lido, não tinha segurança. Eles entraram, pegaram tudo, com sacolas, mochilas, e sem pressa nenhuma. O que me causou estranheza é que não foi um assalto, tipo: “Ah, vou correr com medo de ser pego”.
A impunidade está tão grande que eles não têm nem mais medo de correr porque sabem que ninguém vai fazer nada. Eles pegaram, eu botei minha esposa e minha filha aqui. Ainda tentaram se engraçar, mas eu falei: “Ó, aqui não vai se meter”, e saíram. E ainda peguei um desgarrado, dois ou três, peguei as mochilas de alguns... Tamanha a impunidade.
Acho que nós temos, sim, que apontar responsáveis, mas temos que nos juntar para que isso realmente acabe. Porque eu já passei por isso, hoje o RJ postou o vídeo – a gente postou até no grupo – do rapaz tomando soco na cara. Uma idosa já morreu ano passado, se não me engano, e nada mudou. O que vai aparecer na televisão vai causar aquela comoção, mas daqui a pouco passa. Daqui a pouco vem outra notícia, daqui a pouco vêm várias e várias, e não muda. Está desgastante, está desanimador continuar acreditando. Realmente a gente precisa até parabenizar por esta Audiência Pública, que mais pessoas com mandatos tenham essa iniciativa, não é? Realmente, a gente precisa estar nas ruas.
Ontem, eu fiz um vídeo, até chamando os moradores em relação a 2015, não sei se o senhor lembra que eu juntei alguns, até fiz o movimento de alguns moradores de Copacabana, que eram professores de artes marciais, porque a revolta naquela época também estava muito grande.
Fomos para rua e os botamos para correr – e parou. Então, é isto que o Governador está esperando: que nós e os professores de artes marciais fôssemos para rua e tomássemos, que façamos o que a polícia hoje não faz. Aí, nós fazemos, mas acabamos sendo punidos.
Hoje, se a gente pega um trombadinha e dá um tapa na cara, é capaz de eu ser preso e o cara responder em liberdade. Teve um vídeo recente que o rapaz foi preso e falou assim: “Daqui a pouco eu estou na rua”. Aí, eu postei no meu grupo, e no dia seguinte ele estava na rua – e, inclusive, comentou no meu grupo. E falou assim: “Está vendo aí, otário, já estou na rua”.
Hoje a gente virou motivo de chacota. Então, assim, venho aqui, não ia falar, mas acho que é importante cada um estar falando, é realmente um pedido de socorro, porque Copacabana está irreconhecível. Apesar de eu falar que realmente a gente já sofre isso há anos e anos, mas está assustador, no sentido de quantidade de pessoas.
Antigamente, a gente pegava grupo de 3, 4. Hoje são grupos de 20, 30 e 40. E, assim, depois da praia, a praia é deles, a praia é deles. E aí, assim, as senhoras, nos meus grupos, falam: “Hoje eu fico em casa com a minha família. Sábado e domingo de sol, eu não vou mais para a praia à noite”.
Aí eu vou entrar no mérito do 474, que também é uma pauta que a gente já vem cobrando há muito tempo. Não sei se alguns de vocês aqui são moradores. Esse ônibus, ele ia até o Leblon, até o Jardim de Alah. Por que parou? Os presidentes das associações de moradores são fortes, não sei por que são mais fortes do que os presidentes da Associação de Copacabana, e proibiram de ir até Ipanema e Leblon. E aí, agora vai ser só em Copacabana.
Quando a gente deu entrada para proibir também que ele passasse por Copacabana, a gente foi duramente criticado. “Ah, porque você está proibindo pessoas de comunidade do Jacaré a ir”. Então, assim, porque quando foi até o Leblon proibiu, e Ipanema, e quando foi proibir em Copacabana, não? Porque, para mim, tinha que acabar.
Eu sou a favor de acabar essa linha. Só que também não adianta acabar a linha, por quê? O que acontece hoje? Está tendo uma blitz ali ao lado da minha casa, em frente à Demétrio Ribeiro, depois do túnel. Eles ficam ali, descem, e depois são liberados. E eles vão pela Prado Júnior praticando os arrastões. Não muda efetivamente. E aí, o que acontece? Tem até um rapaz que trabalha comigo, que é morador do Jacaré, ele me falou: “William, agora eles sabem que os 474 são vistoriados, eles descem na Praia de Botafogo, trocam o ônibus e vêm em outro ônibus, sentadinhos”.
Eu já vi, porque, às vezes, eu saio da Prefeitura, eu pego o ônibus e eu vejo eles sentadinhos. Aí quando passa ali, eles sentam no chão, eu fico olhando, “ah, agora está com medo, está se escondendo para passar batido?”. Tem como fazer. Nós moradores, mais do que ninguém, sabemos o que acontece. É só eles ouvirem a gente e realmente quererem fazer.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Só para ele concluir, gente.
O SR. WILLIAM CORREA – Só para concluir, eu acho que todo mundo tem ideias, a gente sabe como fazer. Eu gostei até de uma senhora que falou assim: “Se a gente tivesse com a roupa da Guarda Municipal, a gente ia saber o que fazer”. E não só da Guarda, mas de tudo. Hoje passou que os PMs estavam no celular. Eu não estou aqui para agredir instituição.
Eu quero resolver, eu não quero só reclamar, porque eu já reclamei muito e a gente não consegue chegar a um denominador comum. A gente precisa realmente se unir e tentar resolver. Qual é a forma? Aqui, como o senhor está fazendo. Eu me deixo à disposição, acho que a gente precisa se unir cada vez mais. Não esperar político fazer, porque sabe que daqui a pouco está começando campanha eleitoral, e aí, vão vir os salvadores da pátria, entendeu?
Na verdade, quem conhece o bairro somos nós, que somos moradores. Não adianta a gente sair daqui e não continuar cobrando. E hoje, a gente usa muito a ferramenta da rede social, e a rede social incomoda. Incomoda o Prefeito, incomoda o Governador, incomoda o Presidente.
A gente precisa se unir e chamar a atenção para isso. E a forma melhor é realmente se unindo, e não esperar da Associação de Moradores. Eu acho que o morador, não criticando, mas se eu vejo o rapaz trocando, eu vou me meter, eu tenho isso comigo. Eu fiz até um vídeo, eu falei: “Cara, eu não estou incitando ninguém, mas eu tenho isso comigo. Quando eu vejo um assalto, eu me meto”. Eu posso estar assim botando em risco a minha vida, mas é meu. Então, eu não estou incitando ninguém a fazer, mas a gente não pode se acalmar em relação a essa. Não estou falando para ninguém dar pancada em ninguém não, mas, assim, chamar o guarda municipal, por mais que não seja competência dele...
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Não é competência dele, não?
O SR. WILLIAM CORREA – De Segurança Pública?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Lógico que é.
O SR. WILLIAM CORREA – É
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – A Guarda Municipal hoje em dia faz parte...
O SR. WILLIAM CORREA – Ele pode atuar?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Pode não, deveria.
O SR. WILLIAM CORREA – A lei permite hoje?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Ele faz parte do conjunto da Segurança Pública.
O SR. WILLIAM CORREA – Ele como guarda municipal, a lei respalda?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Eu até discordo da pauta de que esperar da Polícia Militar do Rio de Janeiro que combata 20 delinquentes de 14 anos de idade. Isso não é função da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Se formos a São Paulo, por exemplo, você não vê a Polícia Metropolitana, que é a estadual, a nossa Pmerj, andando na rua fazendo combate crime de batedor de carteira, não. Eles não fazem isso.
O SR. WILLIAM CORREA – É, eu não sei se a lei é igual de lá para cá,
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Nacional. Só pegando o gancho, quando o senhor coloca que os lutadores têm que pegar, eu sou a favor de bater em todo mundo mesmo, mas eu acho que é ruim. Mas, assim, eu já vejo que o Estado tem “N” falhas, eu insisto aqui, e se nós formos discutir a desordem na Avenida Brasil, eu sento a pancada na PM. É inadmissível que a PM permita, eu sei onde é que estão os bondes. Se o governador Cláudio Castro quiser, eu digo para ele onde estão passando os bondes para ele botar a Polícia Militar. Agora, colocar nas costas do Estado, e aí eu estou falando do Estado mesmo, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o ônibus 474 é um absurdo. Colocar o batedor de carteira que entrou na Lojas Americanas, menino de 12 anos, na conta de um Policial Militar ali, tendo Guarda Municipal não fazendo absolutamente nada nessa cidade...
O SR. WILLIAM CORREA – Porque o que nos repassaram é que, às vezes, a gente cobra no grupo, e aí falam que não é de competência, por lei, da Polícia Militar agir ali. Inclusive, falam que a Polícia Militar também, às vezes, não faz porque é enxugar gelo. Aí vai para lá e não resolve nada. É um empurrando o outro. Depois, se o senhor puder me mandar, porque, pela lei que a gente pesquisou, não é de competência da Guarda Municipal.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – O quê? O Ordenamento e a Segurança Pública?
O SR. WILLIAM CORREA – É.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Inclusive é sua.
O SR. WILLIAM CORREA – Sim, como cidadão eu posso...
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Qualquer cidadão diante de flagrante delito pode agir.
O SR. WILLIAM CORREA – Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Eu, se quiser, você ali na loja andando, você poderia ter pego, ainda mais um guarda municipal atribuído a farda do município. Esse tem mais obrigação ainda. É flagrante delito. Se você falar para mim que ele não pode fazer abordagem a suspeito, aí é uma seara de discussão.
O SR. WILLIAM CORREA – Em flagrante delito, todo mundo pode fazer.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Agora, ele ficar parado, passou alguém, roubou a Dona Lúcia, ele pegar e fazer... Eu posso fazer – ainda mais ele, que é imbuído disso. Então faz parte do Conselho de Segurança, sim. Esse é um dos grandes problemas: o Governador tem os seus milhares de erros, eu acho que ele demorou muito a fazer uma Secretaria de Segurança. A desordem que o Rio de Janeiro tomou conta dentro das favelas e das comunidades é um absurdo, o tráfico invadindo uma a outra.
O que foi feito em Jacarepaguá não existe. O Comando Vermelho tomou conta de Jacarepaguá de uma ponta à outra, isso é um absurdo. Você hoje não consegue mais ir à Tirol, na Colônia, na Gardênia, porque você tem barricada no meio da rua. Isso é um absurdo do estado, eu não vou aqui ser moleque e insano de criticar o Prefeito Eduardo Paes. Não posso, isso é culpa da Polícia e do Governador Cláudio Castro.
Agora, essa desordem de tudo jogado na praia, um projeto de esporte por cima do outro... Isso aqui do Estado, isso aqui da Prefeitura, por isso que eu setorizei. Eu falei: “Zona Sul”, porque é diferente a realidade da Zona Oeste, que é dominado por milícia, por não sei o quê. Agora, Copacabana, Ipanema e Leme, não – isso é descaso. Falo isto com tranquilidade: descaso da Prefeitura. Então, assim, até não como pasta afim, mas como alguém da Prefeitura do Rio de Janeiro que leve isso lá para a gente, por favor, porque boa parte dessa desordem é da Prefeitura, sim, porque é omissa.
O SR. WILLIAM CORREA – Eu conversei até com próprio Cavaliere, Chefe da Casa Civil, e falei: “Eu estou entrando, mas eu tenho um papel específico de morador de repassar tudo que acontece”. Então, assim, eu não posso ser julgado também de criticar a Prefeitura, mas também não posso ser julgado de defender na parte que eu acho que eu tenho que ter defendida, entendeu? Só para finalizar a outra parte, porque é a minha pauta de vida. Foi falado aqui sobre a questão de acessibilidade nas calçadas. Realmente, está uma bagunça. É até uma crítica como “Copacabana Informa”, não como coisa da Prefeitura, ao Flávio Valle, da subprefeitura, que a gente não consegue resolver nada. O 1746 hoje tem uma dificuldade. A gente não consegue, não consegue. E aí, não sei se por conta dos vereadores, também, que se aparelham e tal... Eu não vou entrar nesse cunho político. Mas a acessibilidade hoje, a gente que fiscaliza vagas para as pessoas com deficiência que não são respeitadas, a gente fiscaliza aquela acessibilidade, realmente. Eu não estou dizendo nem de buraco. Eu estou dizendo de mesas no meio do caminho. E eu tenho levado isso muito e não tenho conseguido êxito. Então, eu vou levar o Cavaliere por estar lá na Prefeitura. Eu me sinto nesse direito de levar essa demanda que não é só minha. Eu vi que outras pessoas aqui já falaram. O Cavaliere é é o secretário da Casa Civil. Então, me coloco à disposição mais que como membro da Prefeitura, mas como morador e criador do grupo “Copacabana Informa” para levar isso, sim, ao Prefeito.
Muito obrigado.
Eu faço coro a isso. Você coloca muito bem, William – me permita chamá-lo assim –, um ponto muito bom que é o seguinte: eu cheguei à política em meu primeiro mandato. Sou médico, neurocirurgião e continuo atuando na Medicina. Hoje vou operar. Vim para cá porque realmente tinha me cansado dessa coisa de nada fazer, de nada acontecer.
Ele tem toda razão. Eu falo como cidadão. Eu estava conversando com um colega Vereador aqui da Casa, dizendo que amanhã, se eu não vier candidato, ou se eu perder a eleição, meus filhos vão continuar estudando onde estudam, morando onde morando e viajando para onde viajam porque meu dinheiro vem da Medicina. Eu entrei aqui porque gosto. Então não muda em nada a minha vida. Como ele, eu estou tentando dar a minha participação. Então, não depositem, realmente, a sua esperança em políticos ou em candidatos. Depositem em vocês mesmos. Se nós não fizermos nada, ninguém vai fazer por nós porque esse é um grande jogo de interesse. Então, não adianta falar “político”, “papo de político” ou “papo de pretensos candidatos”. Nada adianta. O que vale mesmo é o arregaçar de mangas de cada um de nós. De fato, é isso que muda, realmente.
Vou passar a palavra ao senhor para fazer a saideira.
Muito obrigado.
O SR. EDUARDO SALGADO – Muito obrigado, Vereador. Nós falamos aqui sobre a praia imunda, calçada cheia de camelô, tudo abandonado. Acho que nessa reunião a gente poderia usar a palavra “vergonha”. Copacabana está uma vergonha, sem segurança, sem guarda municipal.
Mas eu estou sentindo falta aqui de um representante do comércio. Não foi nenhum convite para a Associação Comercial?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Acabou já faz um tempo, não é?
O SR. EDUARDO SALGADO – Desculpe-me.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Acho que já tem uns 10 anos que não tem.
O SR. EDUARDO SALGADO – Eu estou sentindo falta deles. Eles não foram convidados?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Não foi um debate público...
O SR. EDUARDO SALGADO – E a rede hoteleira? Porque foi falado aqui sobre gringo sendo assaltado...
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Só para eu dar uma explicação ao senhor: convite oficial nós fazemos para os membros do Executivo.
O SR. EDUARDO SALGADO – Nós aqui representamos o povo.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Para os outros, são as redes sociais e o Diário Oficial, porque sai no Diário Oficial.
O SR. EDUARDO SALGADO – Nós estamos beneficiando o comércio...
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Concordo com o senhor plenamente.
O SR. EDUARDO SALGADO – Nós estamos beneficiando a rede hoteleira, o transporte público. O transporte público, que o pessoal muda de ônibus de um lado para o outro. Nós estamos beneficiando eles, e eles nem aparecem aqui? Eu acho uma vergonha. Eu vou sempre às reuniões e peço sempre a presença de um representante do Metrô. Lá em Copacabana nós temos três estações, e é uma vergonha. A praça Cardeal Arcoverde é onde eu moro. É uma vergonha. É assalto, é gente fazendo xixi, fazendo outras necessidades. E o Metrô não faz nada.
Um momentinho. Eu pedi para falar. Então, o que acontece?
Muito obrigado. Muito obrigado. Então, vamos fazer uma forcinha para, na próxima reunião – sou eu que tenho de agradecer –,vir um representante do comércio, para vir um representante do transporte, porque nós estamos lutando por eles. A minha família não é dona de transporte de ônibus. Não há ninguém da minha família ganhando dinheiro no Metrô nem no comércio. Então, nós temos que lutar por isso.
Falaram aqui que as Lojas Americanas estão sendo assaltadas, falaram em rede hoteleira. Eu acho que temos que lutar porque eles têm de estar presentes. Não é a minha palavra que vai valer, não; é a palavra de todos. Eu estou aqui como morador.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Concordo.
O SR. EDUARDO SALGADO – Moro há 50 anos em Copacabana, mas, assim como a senhora, não vou à praia.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Consegue andar, não é?
O SR. EDUARDO SALGADO – E vejo a praia imunda.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Só um minuto, gente. Só um minuto.
O SR. EDUARDO SALGADO – Com gente dormindo, com gente fumando, com gente assaltando.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Gente, só um minuto. Gente, vou pedir silêncio, por gentileza.
O SR. EDUARDO SALGADO – Eu vejo assaltos na paria – essa vergonha. Eu chamo Copacabana, hoje, uma vergonha. Eu poderia acrescentar desordem. vergonha. Era só isso.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Muito obrigado pela fala. Eu me comprometo, de fato, conforme já disse, a fazer uma audiência pública, não um debate. O senhor tem toda razão. Nós vamos fazer a convocação, o convite ao comércio de representatividade e distribuir nos comércios ali, próximo à data da audiência, tudo direitinho, porque é de interesse direto deles. Quem está tendo a loja, o patrimônio quebrado, são eles. Você tem toda a razão.
Queria uma participação mais ativa dos barraqueiros da praia também.
Aqui é público. Vai ser uma honra. Estarei presente. Estarei presente. Obrigado.
Vamos lá, pessoal. Eu faço questão, em sendo convidado, de estar presente. Assumo o compromisso de fazermos uma audiência pública mais ampla, com o convite a essas instituições de comércio, hotéis. Mas também gostaria de pedir a participação de alguns segmentos em especial. Primeiro, vejo o meu amigo ali, aos barraqueiros da praia. Eu acho que todos falaram aqui, nós já falamos isso, vocês falaram isso: a praia, hoje, é de todo mundo, menos do banhista. Está lá o barraqueiro se escondendo, entre uma venda e outra, da bolada do projeto esportivo. Então, é importante que eles participem e trabalhem de uma maneira efetiva nesse setor. Segundo ele, que trabalha em Copacabana... Flamengo... Não é isso? Flamengo? Corrija-me, se eu estiver errado. Flamengo, não é? Então, eu acho que tem que ter uma participação mais próxima disso. Porque o que nós vemos, hoje em dia, é um barraqueiro para seis redes. Justamente, é um barraqueiro com seis redes. E eles não estão conseguindo nem mais arrumar a barraca deles ali, porque eles estão no meio do fogo cruzado... da bolada cruzada. Não é fogo, é bolada cruzada.
Nós temos... eu preciso do apoio de vocês, moradores, no seguinte sentido: não dá mais... nós fizemos uma audiência pública; o secretário Guilherme Schleder nada fez e a Ordem Pública fez menos ainda. Na minha concepção, não dá mais para as areias da praia estarem loteados de redes, bolas e traves, do jeito que está. Nós precisamos, de fato, que a população entre nessa questão aí, e nos ajude nisso.
Exatamente. Paga lá. Então, nós precisamos incluir nessa audiência pública a questão dos projetos esportivos e os barraqueiros novamente; voltar a essa pauta.
Eu sei. Mas a Marinha, de fato, coloca. E eu concordo com ele. Quando eu conversei com o Exército, em relação a outra pauta, ela falou assim: “Gente, se nós pusermos a Marinha para mediar um conflito entre projeto esportivo, acabou a soberania nacional. Eu vou tirar a Fragata de lá, cuidar da área...”
Não. Mas é uma questão de soberania nacional.
Está entendendo o que eu quero dizer? É a mesma coisa o Exército... ali perto da Tijuca, tem uma região... só rapidinho, porque eu faço questão de passar a palavra. Mas só para completar esse raciocínio.
Ali em frente a General Canabarro, na Tijuca – quem não conhece, é a que vai dar na Praça da Bandeira –, tem a residência oficial do Comandante do Exército, do Batalhão da Polícia do Exército. Na frente da casa dele, virou uma bagunça, disso aí, de botar mesa e cadeira e gritaria e etc. Foram reclamar com ele. Ele veio falar comigo, com razão: “Vereador, se eu tiver que botar o Exército, que é uma força letal... Eu ainda sou da Polícia do Exército, para controlar barulho de bar, acabou a soberania nacional. Como é que eu vou agir nisso?”. Ali é um papel eminentemente da Guarda Municipal! A Marinha disse a mesma coisa conosco: “Eu cuido aqui do marítimo. Eu cuido do jet ski passando aqui. Disso, eu cuido”. – que não deveria, porque o jet ski também tem a Guarda Municipal Marítima para isso, que não faz nada – “Mas eu não posso sair para cuidar da areia, desse conflito ali da areia, senão fica uma coisa muito complicada”. Eu entendo ele.
Então, vamos trabalhar ferozmente... com força nisso, para achar o equilíbrio.
Por favor, Guerreiro, meu amigo, morador raiz também ali na Zona Sul, Botafogo.
Excelente colocação. Não tem nada de social. São licenças a troco de ou dinheiro ou de projetos políticos ali da área.
É social. Verdade. Está R$ 200?
Só para fazer uma confirmação do que você está falando. O meu filho mais novo faz Escolinha de Futebol do Flamengo, não na Gávea, mas nessas escolinhas espalhadas. Para ele ter dois dias de futebol, eu pago R$ 170. Você vê que é o preço compatível com uma grande grife.
Boa. Também. Você vê que é o preço compatível também, semelhante a uma grande grife.
Excelente colocação.
A senhora concorda comigo? É o esporte. É até as dez, mas vá lá ver como está. O senhor está certo! É até as 10, e após as 18 ou 19. Até as vinte...
Verdade. Tem professor que não é professor ali. Já que o senhor levantou isso, eu vou falar outra coisa que averiguei in loco, então posso dizer. Eu fui à praia averiguar isso. Eu ganho uma licença para uma rede. Eu estou colocando duas, três, e estou sublocando a rede.
Eu tenho a minha licenciada, bonitinha aqui. Só que eu, “malandramente”, boto outro poste aqui e puxo outra rede, e outro poste aqui e puxo outra rede. Chego para ele e falo assim: “Você quer dar aula? Pague-me uma prata. Você quer dar aula? Pague-me uma prata”. Aconteceu algumas vezes, já. Cadê o social disso?
Eu tenho uma honra muito grande de ter o guerreiro aqui, porque, além de morador da Zona Sul de muito tempo, policial civil, de fato atuou ali e conhece bem.
O projeto esportivo. Só que não é feito...
Por favor, eu não lhe anunciei porque chegou um pouco tarde. Mas é uma honra tê-lo aqui! Por favor! Esse é uma lenda! Taekwondo? Mas Caratê também ou só o Taekwondo? Taekwondo? Então está bem. Está meio parado. Sei disso! Quem não te conhece não é do Rio. Toda razão. Deixe-me fazer uma pergunta para o senhor. Quanto tempo para os dois que são do esporte? Quantos anos de praia?
Eu tenho quarenta. Muito menos experiência. Mas eu digo: quando se viu um conflito tão grande nas areias como nós vemos hoje? Nunca teve um conflito tão intenso! Eu ia para a praia e eu me lembro de que eu ia para a praia com o meu pai, depois com minha mãe e, depois, sozinho. Eu me sentava na minha cadeirinha, consumia a minha Coca-Cola e meu biscoitinho lá da barraca, bonitinho. Depois passava o vendedor de mate, e eu tomava o meu mate misturado com limão. Jogava o meu futebolzinho com meu irmão e com meus amigos, e nunca teve isso.
Nós transformamos o espaço mais democrático do Rio de Janeiro, que atrai mais turistas no Rio de Janeiro, para um centro de conflito e desordem, de caos!
Olha só que curioso, para terminar a Audiência Pública...
Claro!
Não, isso aí, vamos lá, do ponto de vista técnico, vamos lá, eu termino essa audiência pública, fazendo uma reflexão sobre o Rio de Janeiro. Eu moro, todos sabem que eu não moro na Zona Sul, eu moro na Tijuca. Eu moro na Zona Sul da Zona Norte, que é a Tijuca. Com muito orgulho que os outros bairros não nos escute, mas eu costumo brincar com meu amigo, meu chefe de gabinete que da Zona N
orte, falo assim: eu não sou da Zona Norte, eu sou da Tijuca que é algo à parte do Rio de Janeiro. Eu sou tijucano. Então, como tijucano, eu tenho um gentílico próprio, então, tenho muito orgulho, mas reconheço a importância da Zona Sul, porque, não é uma questão, eu sou médico e como médico, melhor do que ninguém eu sei que vida não tem preço, não tem custo, só que assim, o impacto para uma cidade, para o país inteiro de um assassinato em Copacabana, é o impacto que traz uma conseqüência enorme para outra cidade, para o Estado e para o Brasil, tendo em vista que aqui é porta de entrada, é a vitrine, é aquilo que eu exponho ao mundo, principalmente, a Zona Sul. Principalmente, por causa da sua orla, das suas belezas naturais e da sua praia.
Eu tenho a mais absoluta consciência da importância de Zona Sul na cidade do Rio de Janeiro, porque para eu ter uma Tijuca forte, uma Tijuca boa, uma Zona Norte forte, uma Zona Norte boa, eu preciso de dinheiro. Para ter dinheiro, eu preciso de investimento. Para ter investimento, eu preciso de quem queira investir. E para isso preciso de uma Zona Sul forte, de um centro da cidade forte para dali a riqueza, as glórias se interiorizarem para as outras regiões e possam chegar na ponta, que é onde nós mais queremos.
Estava na Tijuca, falei isso tudo para dizer que eu estava na Tijuca, na Tijuca conversando com conjunto de moradores, como eu, e hoje em dia eu falei para ele: olha que curioso morar perto de uma praça no Rio de Janeiro se tornou um calvário. Ninguém quer morar mais perto de uma praça. Antes nós procurávamos um apartamento em frente às praças para falar, eu pensava, todos nós pensávamos: eu vou, eu tenho um filho pequeno, meu neto, meu sobrinho vai vir na minha casa para poder ir até a praça brincar, eu sou criado de frente para uma praça tradicional do Rio de Janeiro que é a Xavier de Brito, a famosa praça dos cavalinhos, então, ali eu andava de bode com meu irmão pequeno. Jogava futebol com meu pai. Brincava com os meus amigos, andava de bicicleta lá de rodinha e hoje em dia a Prefeitura do Rio de Janeiro transformou a Praça Xavier de Brito em uma zona, numa bagunça danada, é música alta é bebida, é chopada, é pessoal cantando. Só que, infelizmente, esse que o consomem a praia, pegam seus carros e vão embora. E não consomem aquilo. E a mesma coisa está se tornando a Zona Sul do Rio de Janeiro.
As praias e as ruas da Zona Sul, que antes era o orgulho e continua sendo um orgulho e paga o maior IPTU da cidade do Rio de Janeiro, porque vocês pagam o maior IPTU da cidade do Rio de Janeiro e o IPTU é a segunda a forma de arrecadação dessa cidade, só perdendo para o ISS, hoje vocês pagam e não têm o retorno de nada disso. E, consequentemente, um depoimento como isso aqui, que foi o primeiro exposto, repercute internacionalmente e é menos dinheiro não é para Zona Sul não. É isso que a sociedade tem que entender. É menos dinheiro para educação, é menos dinheiro para transporte, é menos dinheiro para a inclusão, é menos dinheiro para a Zona Oeste, é menos dinheiro para ordem pública.
E nós precisamos sair desse ciclo vicioso e em algum momento iniciar um ciclo que seja virtuoso. Se vai ser através de um debate público, de uma audiência do meu mandato, eu estando, eu não estando, mas assim como cidadão, eu retomo, para terminar, as minhas palavras iniciais, nós temos duas opções ou vamos para casa e deixamos a vida nos levar, como está, e eu não quero isso para mim e para os meus filhos, ou tentamos, de alguma forma, brigar, lutar e dar luz a tudo isso que nos incomoda.
Eu queria agradecer a presença de todos. Antes de terminar, o senhor quer só complementar por gentileza? De fato, para terminar agora.
No microfone, por gentileza.
O SR. JORGE LIMA PINEL – Vou falar uma coisa que, talvez, ele não saiba. Você sabe por que o Carrefour fechou?
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Sei. Porque não aguentou a comunidade de frente.
O SR. JORGE LIMA PINEL – E com vocês da Zona Sul vai acontecer a mesma coisa. Vocês podem... Ainda não aconteceu uma revolução civil do Brasil. Ela está muito perto. No dia em que o Comando Vermelho mandar entrar nos supermercados, eles invadem tudo. No dia de o PCC mandar... Só um detalhe para vocês...
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Só para ele concluir.
O SR. JORGE LIMA PINEL – Eu moro no Morro do Pinto, no Santo Cristo. No domingo, para eu sair da garagem, tinha o carro do dono do morro. Aí eu cheguei lá e falei: “Pô, cadê o cara para tirar esse carro daqui?”. Ele veio: “Pô, o senhor desculpa, pelo amor de Deus, nunca mais vai acontecer”. Se fosse aqueles lá da tua zona, eles não iam fazer isso, iam agredir.
Nós estamos vivendo uma situação muito difícil. Eu sou descendente de um dos maiores homens que o mundo teve até hoje, tá? Meu bisavô foi um dos autores da Queda da Bastilha. A Queda da Bastilha foi ocasionada pela fome, pelos moradores de rua, você sabia disso? Meu bisavô foi banido do palácio porque era médico de pessoas. Daí começou a Revolução Francesa.
Nós estamos em uma fase tremenda. Olha, só para vocês terem ideia: eu projetei a maior tirolesa do Rio, que seria a quinta atração turística, uma tirolesa em Grumari. O processo, desde 2018. Um dia, o cara falou assim: “Eu não quero mais isso”, e mandou arquivar o processo. Porque a Câmara também é omissa. Teria que ter um órgão aqui, dentro da Câmara, em que eu chegasse: “Eu sou fulano de tal, esse projeto está aqui, eu quero colocar ele aqui, quero resolver”. A Câmara teria que ter um estudo, juntar cinco vereadores e falar: “Vamos aprovar isso, não vamos aprovar isso”, e teríamos a solução. O mundo todo tem riquixá. Riquixá é uma bicicleta elétrica. Ela dá à Índia tranquilidade. Ela ia melhorar Copacabana, porque as pessoas iam trabalhar, ia melhorar todo aquele morro vizinho, que está lá parado desde 2018. Ninguém quer dar emprego.
Enquanto não se der emprego no Rio e no Brasil e não mudar essas leis... Eu acho que é de 1999, foi a Constituição que deu licitação. A licitação, no Brasil, destruiu o país, sabe por quê? É só rico que tem o direito a tudo. Ou seja, eles vão ter direito tudo e nós vamos ser miseráveis.
Felicidades pra vocês.
O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Muito obrigado pela palavra. Não há melhor forma de terminar. Agradeço a presença de todos. Agradeço a presença de todos os setores, à equipe técnica da Câmara Municipal, sempre presente, e a todos aqueles que compareceram.
Dou por encerrado o Debate Público. Muito obrigado, pessoal.
(Encerra-se o Debate Público às 15h36)