Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da VEREADOR ROCAL

REALIZADA EM 08/01/2024


Íntegra Debate Público :

DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 1° DE AGOSTO DE 2024
(II Encontro de Turismo de Saúde Rio-Niterói)

Presidência do Sr. Vereador Rocal

Às 9h57, no Salão Nobre Vereador Antonio Carlos Carvalho, sob a Presidência do Sr. Vereador Rocal, tem início o II Encontro de Turismo de Saúde Rio-Niterói.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Bom dia.
Dou por aberto o Debate Público para debater o Turismo de Saúde em um encontro de médicos e representantes da indústria hoteleira. Para esse desafio de participar do II Encontro de Turismo de Saúde, eu confesso para vocês que eu fiquei assim: “como assim turismo de saúde?”. Porque a Comissão de Turismo trabalha sempre com turismo natural, de belezas naturais, de visitação da população brasileira e estrangeira para conhecer o Rio de Janeiro. E aí, quando o desafio apareceu – turismo de saúde – confesso a minha ignorância. Eu falei: “espera aí, como assim? Visitar hospitais? Como é que seria isso?” E aí ele desconstruiu aquilo, por isso que a gente fala, e eu gosto de aprender, apesar de ser professor, eu gosto sempre de aprender, porque o aprendizado é diário. E aí eu gostei de aprender, porque desconstruiu aquilo que eu imaginava. O turismo de saúde é muito além daquilo que eu imaginava. Aí eu respondi para ele: eu topo; eu topo e coloco aqui a Câmara de Vereadores à disposição de construir esse segundo encontro.
Então, obrigado para vocês que vieram de longe. Tem gente de Niterói aqui que eu sei. Quantos são de Niterói? Atravessaram a nossa poça. Bem-vindos. Quantos são aqui da Capital do Rio de Janeiro?
Já é outro público. Há pessoas de outros lugares além de Niterói, Rio? Maricá, bem-vindo. São Gonçalo, bem-vinda. Itaboraí. Quem mais? Baixada Fluminense, bem-vindo. Itália! Que é isso?! Benevenuto! É assim que se fala? Bem-vindos a todos.
Oficialmente, está aberto o 2º Encontro de Turismo de Saúde Rio-Niterói. Bem-vindos.
Passo a palavra ao nosso querido Rômulo.


O SR. RÔMULO CAPELLO TEIXEIRA – Bom dia a todos. É uma satisfação muito grande.
Em primeiro lugar, quero agradecer ao nosso Vereador Rocal, um grande amigo, um grande parceiro. No primeiro momento, quando eu procurei o Professor Rocal, o nosso grande Ricardo da Fonseca, eu conheci o turismo de saúde, quando houve uma solicitação que nós pudéssemos comparecer no Museu do Amanhã. Isso foi antes da pandemia, antes da pandemia. E quando eu cheguei lá, eu falei: “O que é isso, não é? Como todo mundo. E nós conhecemos o que era e a magnitude e oportunidade de negócio em relação ao Turismo de Saúde.
Aquilo ali me chamou a atenção. Depois, fomos para uma reunião com o Secretário de Saúde, na Uerj. E aquilo, depois veio a pandemia e apagou tudo. E nós continuamos, e o Ricardo um incentivador, fiz com que ele pudesse conhecer a Associação Médica Fluminense por intermédio da Dra. Ilza e Dra. Zelina, que era presidente à época, e eles conseguiram desenvolver um trabalho lá e fizeram um encontro, em o qual tive oportunidade de estar.
Posteriormente, o Ricardo me procurou... com o Professor Rocal. Eu me lembro como se fosse hoje. Na Sala Inglesa, que é outro espaço da Câmara – eu falo nosso porque estou diretor aqui há 17 anos, então eu sinto como nosso mesmo, por estar aqui dentro –, quando cheguei para o Professor Rocal, eu falei assim: “Vereador, nós temos uma coisa chamado Turismo de Saúde”. “Ah, eu sei, médico gosta de passear, médico é rico, tem dinheiro”. Eu falei: “Não, não é nada disso, não, é outra coisa”. E aí ele comprou a ideia, um cara empreendedor, um cara com visão, ele faz isso, ele compra a ideia.
Juntei Ricardo ao Professor Rocal, deu um samba legal, aquele que o senhor cantou – o senhor tem uma voz maravilhosa para cantar. E aí, o que aconteceu? Juntou e deu a oportunidade para que todos nós pudéssemos estar aqui nessa manhã para discutirmos um assunto de grande importância e quiçá um grande empreendimento que o senhor está sendo piloto disso, pela Comissão de Turismo da Câmara dos Vereadores.
Então, parabéns ao senhor por ter essa visão, esse entendimento. Parabéns ao Ricardo também por ter essa persistência. E também a todos nós por acreditarmos que nós temos oportunidade de fazer o Turismo de Saúde na Cidade do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro, nos demais estados da federação e sermos uma referência mundial.
Muito obrigado. Bom dia a todos.

A SRA. CAROLINA NAVARRO – Na sequência, chamamos o CEO da Rio Health Care Initiative, o Senhor Ricardo da Fonseca, para sua apresentação, com o tema: “O cenário global. Potencial da região Rio-Niterói”.

O SR. RICARDO DA FONSECA – Bom dia, gente.
Antes de tudo, a gente tem que agradecer a oportunidade de estar aqui, a presença e o prestígio de vocês. Qualquer trabalho que a gente considere inovador, ainda que não seja novidade, mas a gente sabe que no Brasil, se você não tiver um grupo dedicado a focar em desenvolver uma iniciativa, muitas vezes as coisas não acontecem.
Então, o importante é a gente estar trabalhar para o Turismo de Saúde na Cidade do Rio de Janeiro, em Niterói, que é o primeiro momento do nosso foco. E, óbvio, que nada disso é possível se a gente não estiver junto, trabalhando e, principalmente, tendo apoio do pessoal da área da Saúde e do Turismo, especialmente as lideranças.

(Inicia-se a apresentação de slides)

O SR. RICARDO DA FONSECA – Antes da minha apresentação, que vai ser muito breve, eu precisava agradecer às pessoas. Eu não vou citar nomes, mas elas sabem quem são, que apoiaram essa nossa iniciativa desde o começo. Não é fácil, não é sacrifício, porque é prazer, mas, muitas vezes, as portas se fecham e você encontra pessoas que abrem essas portas para a gente de novo.
Eu considero que são meio que heróis anônimos, porque quando o processo do turismo de saúde se desenvolver milhares de pessoas vão ser bem cuidadas e bem tratadas. E mal sabem elas que, por trás disso, algumas das pessoas que estão aqui..., especialmente essas lideranças participaram desse processo. É sempre bom a gente lembrar o papel que a gente pode ter nas transformações – a gente não ficar só na plateia olhando as coisas acontecerem. O Brasil precisa de pessoas que saiam da plateia e comecem a trabalhar para uma cidade, por um estado e por um país melhor.
Eu vou ser muito breve, gente, porque a minha apresentação tem 73 slides –isso ia dá mais ou menos uma hora e dez minutos. Eu acho que ia ficar muito longo, como a gente está avançando na hora, o que a gente está fazendo? A minha apresentação era muito baseada em números, inclusive por uma orientação do doutor Rômulo, pois ele gosta desses dados concretos. Eu vou passar o slide, mas algumas partes eu não vou entrar em detalhe.
Podemos seguir? Pode passar! Só falar um pouquinho de mim, mas muito breve. Por que eu como jornalista estou trabalhando com turismo de saúde? Porque o jornalista é um profissional que conhece um pouco de tudo e tem a capacidade, pela experiência que a gente acaba tendo, de identificar oportunidades. E aí a gente identifica também quem são aquelas peças chaves do processo: médico, dentista, gerente de hospital, advogado. É um jogo que a gente tem que montar. Então, o nosso papel como jornalista – eu sempre falo – é o papel de peão que mexe na comunicação. Quem faz o jogo são os profissionais da saúde do turismo.
Não podia deixar de agradecer... Vocês receberam material sobre isso – que vocês prestigiem e depois confiram quem foram as empresas que apoiaram, as instituições que apoiaram este nosso encontro, porque é importante também a gente entender que muitas vezes a gente está na plateia, mas há associações trabalhando em off pela melhoria da nossa população, pela melhoria dos nossos profissionais. É importante a gente ter essa consciência.
Nós temos aqui a ONA, que é uma entidade importante, Cremerj, Somerj, associações de Enfermagem, médicas. É importante depois vocês olharem com calma. Não gosto de citar detalhadamente para não ser injusto. De qualquer maneira, são parceiros nossos que a gente tem que honrá-los com as nossas atitudes honestas e com dedicação. Vamos lá. Bom, eu vou fazer então essa explicação geral do que é o turismo de saúde, para quem não sabe, e por que ele ressurgiu. O turismo de saúde já é um mercado que funciona mundialmente e que, com a pandemia, deu uma arrefecida. Por quê? Porque as pessoas não podiam mais transitar entre as nações. O que acontece? Alguns governos e sociedades estão mais atentas a essas transformações e oportunidades. Mais uma vez a importância do papel de cada um de nós sermos protagonistas – ao vermos uma oportunidade, devemos buscar trabalhar nela. E o que acontece? No Brasil, a gente vem buscando fazer isso, a gente trouxe para o evento pessoas que já têm experiência com turismo de saúde – que eles não usam esse termo, porque se vocês perceberem, o médico já faz atendimento médico internacional há décadas, só que ele não usou esse termo “turismo de saúde”. Esse termo é o mercado do turismo que usa para agregar e para tornar um sistema, que eu vou usar entre aspas, “industrial”.
Então, enquanto um médico faz hoje um procedimento, uma cirurgia plástica, um atendimento, daqui a seis meses faz outro por indicação; e daqui a um ano faz outro, sempre por indicação. O que a gente quer, quando a gente agrega o turismo no processo, é que a nossa experiência de comunicação e turismo – e aí tem o Visit Rio, que é uma entidade forte de turismo na cidade – faça com que se promova o turismo de saúde em nível nacional e internacional, para trazer com maior regularidade o paciente para esses processos. E quando você traz paciente com mais regularidade, você começa a desenvolver o turismo de saúde na cidade e no estado. Ao longo da nossa conversa, vocês vão ver um case muito bacana do nosso amigo Felipe Caneno, que veio de São Paulo especialmente. Tem o pessoal que veio de Niterói, São Gonçalo, Maricá, da cidade, todo mundo com o seu valor. O cara vem de São Paulo pra trazer um pouco da experiência e do processo que ele tem lá que é muito... A gente vai mirar certamente nisso. O Felipe sabe que a gente está contando com ele, como a gente conta com todo mundo que vai falar hoje aqui. São lideranças que estão com a gente nesse processo.
Eu vou pedir um perdão pra vocês e eu não vou dar andamento à minha apresentação por uma questão de horário, porque esta Casa Legislativa também tem uma agenda. E a gente, usando o prestígio do nosso amigo vascaíno aqui, a gente conseguiu esse espaço, mas a gente tem um horário curto.
Então, eu prometo pra vocês que a minha apresentação eu vou mandar pro e-mail de cada um de vocês. Vocês vão ler com calma, porque inclusive a gente hoje tem essa tecnologia. Todo mundo pode ler com calma. Eu posso falar de números aqui, de percentuais que vocês nem vão reter, mas eu prometo que eu mando pra todo mundo pra vocês entenderem bem o assunto.
Eu sou a conexão de vocês com o pessoal do turismo, liderança e da saúde aqui do evento. O que vocês precisarem e quiserem conversar, falem comigo, porque eu não tenho autorização pra passar WhatsApp de ninguém. Falem comigo que eu passo o seu telefone para as lideranças e elas conversam com você.
O que a gente quer fazer aqui é desenvolver. Porque eu sempre falei, e algumas pessoas nunca gostaram disso... O tempo que eu fiquei trabalhando mais ativamente no turismo eu sempre falava assim ‘O turismo não tem dono’. E eu continuo acreditando muito nisso. O turismo tem lideranças, porque elas se predispõem a fazer coisas que muitas vezes a nossa preguiça não faz e eles levantam cedo pra fazer, mas – dono –, ninguém é dono do turismo. Todos nós podemos dar a nossa contribuição.
Então, eu vou me colocar aqui à disposição, vou pedir desculpas pra vocês por não fazer a apresentação, pra gente dar andamento na parte que eu considero que é honrada que é a presença dos nossos convidados. Obrigado, gente.
(PALMAS)

A SRA. CAROLINA NAVARRO – Bem, dando continuidade à nossa programação, iniciaremos agora o primeiro painel abordando os aspectos iniciais desse projeto.
Convido para se assentar aqui à frente o Doutor Lymark Kamaroff, advogado especialista em Direito Médico; a senhora Roberta Werner, diretora do Visit Rio Convention Bureau; e o senhor Ricardo Fonseca, como moderador deste painel.
(PALMAS)

O SR. RICARDO DA FONSECA – Gente, vocês não levem a mal essa administração, mas o que importa é o conteúdo, ok?

O SR. LYMARK KAMAROFF – Bom dia a todos. É um prazer estar aqui.
Quero agradecer ao Ricardo, ao Rômulo, ao Eduardo, ao nosso vereador, ao Yuri, a todos que estão aqui que vão contribuir de alguma forma e falar de um tema que é muito relevante. A grande questão é que a gente não sabe o quanto relevante ele é. A gente não tem essa ideia.
Então, a minha apresentação, também breve, vai passar um pouco dessa ideia da relevância do tema. Eu falo e você passa.
Isso é um pouco da minha formação que pra cá é relevante. O que é relevante é que eu já trabalho com isso já há algum tempo, desde a época do professor Ivo Pitanguy. Não sei se vocês sabem, mas ele foi um dos pioneiros com essa questão de turismo médico. A Rua Dona Mariana era conhecida mundialmente. Muitos atores, atrizes, reis e rainhas vinham para o Rio de Janeiro direto pra lá. Chegava lá no Galeão: “Dona Mariana?” Já vinha direto pra cá, já trabalhava em logística de turismo médico naquela época.
E, hoje, muitos profissionais já fazem isso também. Existe uma forma de fazer isso. E aí que eu quero conversar um pouco com vocês. Bom, o que nós sabemos sobre turismo médico? Basicamente, duas coisas: primeiro, é um mercado global. Então, nós não estamos falando apenas de turismo médico, por exemplo, que já existe e é muito forte, Rio-São Paulo; São Paulo pro resto do Brasil, que todo mundo vai pra lá pra tratamento. Isso é turismo médico. Eu poderia citar, por exemplo, no Maranhão, ou em Imperatriz do Maranhão, onde você tem um hospital-referência e várias casas com cuidadoras que recebem essas pessoas e todas elas tratam os parentes dos pacientes, com o que as pessoas não se preocupam.
Então, isso é exemplo nacional de turismo médico. Mas quando eu analiso o mercado global, vejo que é um mercado que está em crescimento. Foi estancado pela pandemia, mas é um mercado em crescimento, crescimento em números. Estamos falando de bilhões de dólares. Esse número é tirado, para vocês terem uma ideia, do uso do cartão Visa. Quando as pessoas viajam, você tem os gastos pelo cartão. Esses gastos são monetizados e vistoriados pela Visa. Então, temos gastos de bilhões de dólares, não só com o traslado do paciente, mas de seus familiares, não só no hospital, mas quanto ele deixa na cidade, fazendo turismo, comprando, comendo ou dormindo. Então movimenta muito dinheiro.
Como funciona nesse nicho? Como a gente faz? O que a gente trabalha com o direito médico focado no turismo médico? Como isso funciona? Através, como todo advogado, de cuidados. É tudo muito bom, é tudo muito bem, mas temos que ter algumas preocupações. Eu digo que é para todo mundo, está ao alcance de todos, mas nem todos conseguem alcançar porque não se preparam adequadamente.
O primeiro grande desafio é a comunicação. Quando falo em comunicação, falo da língua. Quando você fala em turismo médico, em que língua você quer atender? Inglês? Espanhol? Italiano? Bacana! Francês? Bacana! Árabe? Mandarim? E aí? Como você faz? Você está aberto parcialmente? Quem fala essa língua? Quem da sua equipe vai falar? Como vai ser o atendimento dessas pessoas? Como é a nossa comunicação, por exemplo, com o problema do plano de saúde nacional dele? Os planos internacionais de saúde, a carência, como isso funciona? De cada estado, de cada unidade, de cada país. E quando você faz o traslado da pessoa? E quando essa pessoa é um sem pátria? Como resolve isso? E quando essa pessoa está aqui foragida? Como resolve?
Quando se fala “eles resolvem tudo para a gente”, sabe o que estamos dizendo? Eu não sei como eles fazem, eles que se resolvam. Eu paguei, eles que resolvam esse negócio. Quando eu sou o usuário é isso que quero saber mesmo.
Imagina que eu tenha uma oficina mecânica, estou com meu carro com problema, levo meu carro lá e quero saber duas coisas: quanto custa e quando vai ficar pronto. Não adianta o cara entrar em detalhes técnicos comigo, que eu não sou mecânico e não sei nada. Show! Mas a partir do momento que decido ter uma mecânica, eu tenho que saber. Tenho que saber onde vou comprar peça, tenho que saber como conserto, o custo do mecânico, como vou fazer a divulgação da minha mecânica, qual é o público que vou atender, se vou atender carro híbrido ou não, se vou atender caminhão, se vou atender carro, se meu mecânico está pronto para atender isso. Então eu entendi exatamente esse ponto, mas aí comecei a entender do negócio. Não sou mais usuário do negócio, passei a entender isso como parte do meu trabalho. Aí não posso mais dizer “eles que se resolvam”. Já foge a um conceito, que vamos ver lá na frente, que é fundamental para isso tudo dar certo.
A segunda coisa com que vamos trabalhar é a segurança. Aí nos remete à responsabilidade desse paciente. Quem vai trabalhar com isso tem que saber que a responsabilidade começa quando o cara abre a porta da casa dele para vir tratar aqui no Brasil. Botou o pé para fora de casa, começou nossa responsabilidade. Então, eu tenho que controlar todos os processos dessa operação, desde que o cara sai da porta até ele voltar, com o tratamento, para a porta da casa dele em segurança.
Além disso, burocracia. E se o cara ficar preso na alfândega? Se o cara não conseguir entrar? Se o cara tiver algum tipo de problema com documentação? O cara esqueceu a identidade dele. E aí? Então, temos que estar preparados. Por isso eu falo que essa preparação é fundamental, porque isso tudo vai acontecer com a gente. Ele vai ligar para você do aeroporto: “Doutor, não consigo sair aqui da alfândega por causa disso, disso e disso. Como eu faço?” Não sei? não posso falar isso. Eu tenho que saber.
Além disso, você pode estar muito bem treinado, você pode saber o que fazer, e a sua equipe? E quem trabalha com você? E a enfermeira? Eu gosto muito de falar isto: “Doctors cure, nurses care”. Doutores cuidam, enfermeiras se importam. Eu gosto muito desse conceito, porque quem está lá no leito, tratando, é a enfermeira. Ela está treinada para esse tratamento, porque em cada tipo de país você tem determinados cuidados que são aceitos e outros não. Você tem os costumes, então eu tenho que estar preparado para isso.
Eu vou precisar de uma rede de apoio muito grande, seja para poder, por exemplo, os hotéis para saber onde vou hospedar esses familiares e como vou hospedá-los, até mesmo com empresas que vão fazer o translado, a empresa que vai fazer a segurança, o lugar onde vão fazer os exames, onde a pessoa vai sair para fazer compras, se tem Wi-Fi ou se não tem Wi-Fi, quando ela vai se comunicar com a família dela que ficou lá fora. Isso tudo, nós vamos precisar de rede de apoio, e é tudo necessário à nossa preocupação.
Obviamente, eu tenho que ter o marketing. Como é que vou divulgar isso? Como faço a captação desses pacientes lá fora? Isso tem que ser pensado, porque eu quero receber. Você está com o barco, você está com a vara de pesca, você está com o anzol e a minhoca. Qual a minhoca que você vai usar? Se não tem minhoca, você pode ter o melhor barco, a melhor vara, o melhor anzol, e nada vai funcionar. O marketing é a minhoca. Que minhoca você vai usar, para que tipo de peixe você vai pegar? Até porque você tem isca específica para peixes específicos.
Por fim, isso tem que ser validado. Eu gosto muito deste termo: validado. Eu uso muito isto lá no conselho: certificação. E é muito simples: como você prova que você é bom? Eu sou bom, mas prove! Prove! Advogado vive de prova. Essa prova vem com as certificações. A ONA, a Joint Comission International e várias outras são certificações e atestam que você é bom naquilo que faz. Então, todo esse processo tem que ser certificado.
E a parte jurídica? A parte jurídica entra em todo esse processo. Vamos lá, nós temos aqui – tudo que eu estou falando para vocês tem documento, tudo, óbvio. Nós temos que montar esse fluxo, o kit de documentos e o fluxo de uso desses documentos. Eu tenho que saber resolver os problemas de convênios internacionais. Resolver problema nacional já é um caos, imagine internacional! Tem que saber fazer. Não posso falar: “Eu pago, eles que resolvam.” Não dá para falar isso. Tenho que garantir a lisura de todo atendimento, porque pode parecer estranho, mas existe uma presunção de fraude. Então, tenho que garantir que não há isso.
Eu tenho que saber treinar minha equipe, e eu tenho que fazer toda a gestão dos riscos internacionais. Isso tudo é área jurídica dentro desse processo. Até porque esse vídeo é bem interessante. O tipo de informação que o paciente tem lá fora para processos internacionais é esse. Clica no vídeo. Esse parece ser o vídeo.
Não, volta. Tenta clicar no vídeo, que era para entrar automático. Não vai? Ah, então beleza, toca o barco. Isso era para ser um videozinho de uma propaganda de um escritório de advocacia lá fora que capta paciente. Para quem já teve oportunidade de ir lá fora, é muito comum você ter escritórios de advocacia específicos que têm a publicidade com muito mais amplitude que a nossa e que fazem pescaria nesse mercado, que é um mercado altamente lucrativo também.
Enfim, quando eu falo em turismo médico, gente, eu não consigo falar sem usar essa expressão, que é profissionalização. Saber fazer é uma coisa; isso é obrigação. Saber fazer é obrigação. Criar os processos adequados, saber se posicionar, como fazer isso, é profissionalização.
Concluindo, quer saber o que é profissionalização? É isso. O que, por quê, quando, onde, quem e como. Você está no centro disso. Então, quer montar qualquer projeto na sua vida, qualquer coisa na sua vida, até saber de que lado da cama vai acordar, você vai responder isto: o quê, por quê, quando, quem, quando, onde e como. É isso que vai motivar e vai te gerar o senso de profissionalização. Tem que fazer sentido.
Conclusão. Eu não sei se vai rodar o vídeo, mas se pudesse rodar, seria bem interessante. Será que roda ou não? Você pega a setinha e coloca dentro do vídeo, vê se vai. Isso aí, cara, espera aí, se segura. Então, acho que vai ou não. Ah, que pena.
A conclusão é a seguinte: não precisa ser grande para começar, mas para começar tem que ser grande. Ou seja, você tem que sempre dar o primeiro passo rumo à sua grandeza. Então, se você quer buscar esse mercado, não importa se você é pequeno agora, você caminha para a grandeza e a grandeza chega.
Muito obrigado a todos. Espero não ter tomado tanto tempo, Ricardo.



O SR. RICARDO DA FONSECA – Bom, gente, então agora a gente vai bater um papo aqui com Roberta e com Limark. A gente vai provocar um pouco essas questões. A primeira questão que a gente levanta é que o Limark falou sobre o turismo médico. É importante a gente identificar que existem as experiências pessoais e os focos de cada um. Hoje, quando a gente está falando em turismo de saúde, a gente amplia um pouco esse universo do turismo médico para trabalhar também o turismo de atendimento odontológico e o atendimento de reabilitação. Nós temos muitos profissionais de reabilitação que são renomados internacionalmente. Tem um, inclusive, que atende no clube Monte Líbano. E como hoje esse atendimento ainda é muito boca a boca, você é bem atendido pela pessoa e você indica. Então, nós hoje trabalhamos turismo de saúde em um primeiro foco, que a gente chama de illness, seria médico, odontológico e de reabilitação.
Além disso, o que não é foco dos nossos esforços nesse momento é o chamado wellness, que é o bem-estar, que seria a prevenção. O cara vem de fora do País para fazer yoga, entrar em algum tipo de retiro, mas esse mercado a gente não está trabalhando no momento porque a gente considera que o mercado de turismo de saúde de illness é muito mais importante, entre aspas, e é muito mais urgente, mais complexo e precisa de parceiros um pouco mais poderosos dentro do mercado, como a rede hospitalar. Se você não tiver um grande parceiro entrando nesse mercado, a gente tem uma dificuldade um pouco maior.

Bom, eu queria agora pegar vocês sobre esse assunto. A Roberta já está com cara feia porque ela sabe que eu falo demais, não é? Então, desculpa.
O Limark comentou a questão do turismo médico, da comunicação. Eu queria que você falasse um pouco de como entra o VisitRio como uma entidade de promoção do turismo nesse mercado de turismo de saúde.



A SRA. ROBERTA WERNER – Muito bem. Vou só tomar a liberdade primeiro de levantar para todos – eu sou tão baixinha –, mas só para cumprimentar aqui a plateia.
Primeiramente, quero agradecer muito a presença de todos vocês, sobretudo agradecer ao nosso Exmo. Vereador, que abre as portas desta Casa tão emblemática e tão importante em um ano tão importante, Rocal, que é justamente o ano de eleição que pode definir e pode decidir as nossas vidas nos próximos anos. Queria muito agradecer esta oportunidade, mas, mais do que agradecer a oportunidade, dizer que para a gente é uma honra estar aqui e entender que você, como um vereador, entendendo a proposta ou o propósito do evento e, sobretudo, quando a gente fala de uma temática tão relevante como esta, coloca-nos em outro patamar, em outro ambiente.
Agradecer também ao super Ricardo da Fonseca, um parceiro que fez essa provocação. A gente tem, durante esses últimos anos, discutido bastante sobre essa temática. E dentro dessa temática, da pergunta que você me fez, falar um pouquinho do nosso trabalho.
A gente está, como o Ricardo falou, em um ambiente de muita informalidade. Estamos entre amigos, não é? Eu também me sinto muito confortável. Meu pai era médico, então eu acho que, pela primeira vez, esse evento tem uma importância e um significado muito maior para mim porque estou conseguindo juntar as duas coisas que mais amamos, que são o turismo e a saúde, à medicina. Aliás, gostaria de fazer aqui um parêntese para um agradecimento. No dia 18 de outubro, sabemos que é o Dia do Médico, mas, para mim, todos os dias são o Dia do Médico. Para mim, é uma das principais e mais importantes profissões que temos, porque quando falamos de cuidado e hospitalidade, tudo está muito no DNA dessa vocação desses profissionais. Então, uma salva de palmas para os médicos porque, de fato, eles merecem muito, não é, Vereador?
Primeiramente, eu gostaria de perguntar para vocês: quem conhece o Visit Rio Convention Bureau pode levantar a mão? Sim, alguns. Então, a primeira coisa, vou falar um pouquinho da nossa história, mas queria convidá-los a acessar, a partir de agora, o nosso Instagram, que é o @visitrio. Por que estou fazendo essa provocação? Por dois motivos: ali vocês terão muitas informações, principalmente no nosso Instagram, para o público final, mas também no nosso Linkedin. A partir dali, vocês terão muitas informações complementares às que estamos trazendo aqui. Ao final, a nossa Carolina Navarro, da equipe, vai sortear um dia de passeio na cidade maravilhosa para quem estiver seguindo o @visitrio. Então, nos sigam e vejam um pouquinho do nosso trabalho.
Falando um pouco da nossa trajetória, do Visit Rio Convention Bureau, este ano, aliás, é um ano muito emblemático para todos nós. São 40 anos de história. Aqui temos a nossa participação diante desse público. Nossa história é de uma fundação, na verdade, 100% privada, e ao longo desses 40 anos, o que fazemos é justamente a promoção e a divulgação da Cidade do Rio de Janeiro. Como bem o Doutor Lymark falou, um dos pontos que ele destacou daqueles “to do” foi o marketing, a promoção, como a gente se vende. Dentro dessa trajetória de 40 anos, quando falamos da nossa história e das nossas responsabilidades, basicamente o Visit Rio trabalha com alguns pilares de atuação.
O primeiro pilar de atuação é a promoção do destino, é como nos mostramos para o mundo, seja nacional, seja internacionalmente falando. Hoje, vivendo em uma era digital, precisamos trazer conteúdos e narrativas específicos para cada público, porque, afinal de contas, cada público tem seu objetivo, sua vontade, seu desejo. Isso traduz muito bem o que é de fato o turismo na sua integralidade. Quando vendemos e empoderamos o destino nessa natureza, trazemos um Rio de Janeiro que oferece para diversos públicos dentro desse universo.
O turismo de saúde, como bem o Ricardo fala e como a gente bem emana, realmente tem essa raiz e esses elementos para provocar esse público a vir cada vez mais. Para vocês terem uma ideia, quando falamos de turismo de saúde, tivemos no último ano um crescimento na ordem de 15% a 20% de incremento desse viajante que escolhe o Rio de Janeiro e o Brasil para fazer procedimentos ou tratamentos, seja num processo, como bem o Ricardo falou do wellness, sobretudo no pós-pandemia, em que as pessoas ficaram realmente... Quando a gente fala do ser humano, existe realmente uma mecânica e números importantes e relevantes a considerar em relação a quanto essa questão da saúde precisa ser levada a sério.
Fala-se muito de saúde mental. Hoje estamos vivendo o momento dos Jogos Olímpicos e acabei de chegar de Paris com algumas ações que fizemos lá do Visit Rio. Vemos o quanto estamos sobrecarregados e o quanto precisamos cuidar da nossa saúde, seja de forma preventiva ou tratativa. Então, esse número é muito relevante para nós e queremos fazer com que esses números aumentem cada vez mais. Esse é um pilar de atuação, que é a promoção dedicada ao público final. O outro pilar de atuação é justamente a prospecção, captação e conversão de eventos para a Cidade do Rio de Janeiro. O Visit Rio na sua trajetória, nesses 40 anos de vida, tem uma responsabilidade e uma posição determinante para a conversão de eventos de qualquer natureza.
Então todos esses eventos que a gente traz para o nosso calendário que está disponível para vocês a tempo e a hora no nosso site
www.visitrio.com.br você vai ver exatamente todos os eventos que acontecem mês a mês e dia a dia na Cidade do Rio de Janeiro.
De alguma forma, todos os eventos que acontecem aqui perpassam pelo nosso trabalho e, quando a gente olha os segmentos de atuação para a conversão de eventos, o Rio de Janeiro é uma fortaleza dentro dos eventos técnicos e científicos. Para vocês terem uma ideia e é uma informação que a gente traz aqui importantíssima, estamos num ano par, não é, Ricardo? Mas historicamente os anos ímpares são fundamentais e a maior parte dos congressos nacionais e internacionais acontecem em anos ímpares e a gente já fez uma previsão de impacto econômico para o próximo ano que a gente cresce 18% no número de eventos. Por que a gente está trazendo esses números? A gente está trazendo esses números nada mais nada menos para a gente entender e mostrar para todos vocês aqui que a gente tem um público extremamente heterogêneo oriundo de áreas diversas, mas para dizer para vocês que o que a gente pretende com o trabalho do Visit Rio é trazer oportunidade para todos nós seja justamente para os médicos, seja justamente para a rede hospitalar que não deixa a desejar para ninguém, não é, Carol? A Carol tem feito um trabalho muito forte nesses parceiros.
Temos hospitais de ponta, ou seja, fazendo com que cada vez mais a gente se solidifique, cada vez mais a gente finque os nossos pés e o Rio de Janeiro seja considerado para que a gente não só possa fortalecer essa imagem e comunicar essa imagem, mas, principalmente, converter bons negócios, seja para equipes médicas, seja para jurídico, seja para hospitalidade, seja para os hotéis, seja para toda cadeia produtiva e todos os stakeholders que estão envolvidos nesse processo. E aí, só para a gente finalizar porque senão o Ricardo briga porque ele diz que quem fala demais sou eu e para ele não chamar minha atenção, mas só para a gente finalizar aqui essa fala inicial antes da gente partir para algumas perguntas, o nosso papel, enquanto Rio de Janeiro, é fazer com que esse visitante saia daqui absolutamente com uma experiência muito diferenciada. O nosso papel que, aliás, é o nosso grande diferencial competitivo que a gente costuma dizer dentro do hardware e do peopleware, nós estamos dentro do peopleware, o que a gente entrega diferente de qualquer outro destino seja no Brasil, seja fora do Brasil, é justamente a nossa carioquice, é exatamente a nossa humanização a todos os processos que muito bem os médicos sabem fazer com muita maestria.
Então era só para, principalmente, contextualizar esse primeiro momento. Muito obrigada.

O SR. RICARDO DA FONSECA – Fico até com medo de perguntar para a Roberta, vai dar três horas aí.
Lymark, o que acontece é que nesse mundo concreto a gente tem duas visões de estrangeiro. Muitos veem o Brasil como uma nação potente, organizada, eficiente,maravilhosa e outros têm muito pé atrás, muitas vezes por questões de um jogo de poder que existe na iniciativa privada, no Poder Público e que gera um pouco de insegurança que aí eu vou botar o termo “jurídica” no meio.
O cara que vai fazer um procedimento de saúde em alguns casos ele já está fragilizado, já tem medo, muitas vezes o idioma é uma garantia porque você está conversando com o médico de uma maneira humana e eu queria que você me falasse se a gente está viajando muito na maionese ou a nossa legislação é capaz de atender com plenitude esse paciente e dar segurança a esse paciente, inclusive eu não estou usando o termo “acreditação” como uma questão jurídica, mas sim como uma questão mais administrativa. Aí eu queria que você respondendo até falasse para o pessoal porque, às vezes, nem todo mundo conhece o termo, mas a gente pode dizer de peito aberto que a nossa legislação dá garantias para o médico que trata, para o dentista, mas para o paciente?


O SR. LYMARK KAMAROFF – A questão é interessante, falar de legislação numa Casa Legislativa. As leis são feitas por pessoas para serem aplicadas por pessoas, e em pessoas. O que isso quer dizer? Que no fundo são interpretadas por pessoas. A lei, por mais que você deixe mais claro possível, sempre vai depender de interpretação, não é o ChatGPT que vai interpretar para você, é alguém que vai interpretar para você. Para você passar à margem dessa interpretação, você tem que entender qual é o seu papel – aí faço uma provocação para todos os que estão aqui interessados no tema, e a pergunta é muito simples. Quem é você na fila do pão? Se você está percebendo que tem uma fornada de pão ali na esquina, em que posição você está nessa fila? Você vai comer pão? Vai comer pão quente, pão frio, pão duro ou não vai ter pão? Porque isso tudo que está sendo falado aqui é oportunidade de negócio para todo mundo.
Quando a gente fala em turismo médico nós estamos falando em turismo do médico para o paciente que vem visitar o médico, não só médico, médico dentista, vários profissionais de Saúde são referências, mas nós estamos falando dos eventos que trazem milhares de pessoas de uma vez só, nós estamos falando de atendimento hospitalar específico, e aí você que está escutando isso – e eu não sei a formação de vocês – deve se posicionar exatamente na fila do pão. E aí? Eu quero participar disso? O que eu tenho que fazer? Quem eu tenho que procurar? Como eu posso me capacitar para eu ter um diferencial competitivo de mercado do outro coleguinha e sair na frente? Lembrem-se, ganha dinheiro quem sai na frente, o empreendedorismo é assim e aí você vai se fazer essa pergunta para se colocar: eu vou empreender ou eu vou oferecer os meus serviços qualificados para quem está empreendendo? E se você decidir oferecer, como? Em que dessas hipóteses de todas que foram elencadas? Será que tem uma oportunidade no Visit Rio para mim? Será que tem uma oportunidade no Bureau para mim? Será que eu consigo falar com Ricardo? Será que eu consigo falar com o nosso amigo vereador para saber se existe algum projeto focado nisso onde eu possa participar?
Muitas vezes a gente espera que o Estado ou as pessoas façam alguma coisa por nós enquanto o poder está em nós em fazermos aquilo que é necessário. Então, eu quero deixar essa provocação.
Na parte da legislação, ela não vai ser diferente. Legislação termina como atuação. Qual é a diferença? A atuação depende de mim, a legislação não. Se você decidir ter uma atuação com segurança e você procurar conhecer a legislação, você passa em uma zona de conforto. O que vai tirar o seu conforto? É quando a sua atuação passa pelo desconhecimento, aí você entra numa zona de risco.


O SR. RICARDO DA FONSECA – Então eu vou fazer mais uma perguntinha para cada um.
Roberta, em breves palavras, como a gente pode ter esse olhar concreto de captação de paciente internacional? Quer dizer, esse paciente, um a um, o Visit Rio não fará, mas o Visit Rio já tem uma expertise profunda em participar de feiras e eventos internacionais.
Como entra, então, essa questão da divulgação de um turismo de Saúde na Cidade do Rio de Janeiro, que é o foco do Bureau?


A SRA. ROBERTA WERNER – Sem dúvida. São vários exercícios e movimentos que a gente precisa fazer. Quando a gente fala de Visit Rio a gente tem, como eu falei anteriormente, toda a cadeia produtiva associada ao nosso ambiente. Você tem hotéis, você tem agências de viagens, você tem aeroportos, você tem todos esses stakeholders trabalhando para isso. Aí, na ponta, ou seja, é muito necessário que a gente coloque o Rio de Janeiro nessa prateleira, que a gente disponibilize esse conteúdo, que a gente faça essa provocação para chegar à ponta, ou seja, para o paciente entender que o Rio de Janeiro é uma possibilidade para um tratamento. Então, a gente tem que trabalhar muito a questão da comunicação visual, a comunicação integrada, o marketing digital e, mais do que isso, a gente tem que ter esse parceiro local aqui, como bem o doutor falou, para que a gente possa recepcioná-lo. É uma composição de fatores que vão fazer com que a gente consiga converter isso da melhor forma possível. E aí, dentro desse cenário, a gente está falando: “Bem, o Brasil recebe seis milhões de turistas internacionais por ano – o Rio de Janeiro, 1,5 milhão. Acho que tem uma oportunidade gigantesca para a gente trabalhar, principalmente porque a gente vive um momento em que o câmbio é muito favorável”. E toda vez que a gente fala de procedimentos, toda vez que a gente fala de tratamentos, o Rio tem uma oportunidade gigantesca, não só por excelentes profissionais, pela infraestrutura excelente, mas principalmente por conta exatamente dessa grande equação.
Acho que é um pouco dentro desse universo que a gente precisa cada vez mais estar sólido, forte e fazendo que com que a informação chegue lá à ponta, seja através de nós, Visit Rio, seja através também de outros parceiros públicos que trabalhem a promoção do destino.


O SR. RICARDO DA FONSECA – Bom, gente, só para encerrar este painel, vou perguntar para o Lymark. Na tua experiência, você já teve experiência internacional com direito médico? O que normalmente você vê como os problemas que podem ocorrer nesse relacionamento? Porque a gente quando está falando basicamente de turismo de saúde nesse momento, de tratamento de um paciente internacional, tem toda essa parte turística que já está estruturada para receber turista. Muitas das coisas que você comentou que é importante ter, já existem, porque é turismo. Só que na parte Saúde a gente tem um poder e um know how em Saúde, em atendimento, em cuidados. Contudo, cuidado de um paciente internacional é uma coisa bem diferente, porque existe uma questão cultural, inclusive de expectativa dele em relação a um país em que ele está chegando. A minha pergunta é: nessa tua experiência, o que normalmente acontece, inclusive seja paciente de hospital, paciente médico, o que é comum de acontecer de problema, e como é que você tem visto o Direito resolver? A magistratura está preparada para esse tipo? A magistratura está preparada também para analisar essas questões?


O SR. LYMARK KAMAROFF – Bom, o juiz está preparado para tudo. Não sei se você conhece juiz, juiz está pronto e sabe de qualquer coisa sobre qualquer assunto a qualquer momento. Está sempre pronto para tomar uma decisão. Então, decisão vocês vão ter, certa ou errada, aí depende de quem ganha ou quem perde na decisão.
Eu gosto desse tema dos problemas. Eu me deparo com outro dilema, que é o preparo. Por exemplo, vocês vão viajar de férias de carro, com a família inteira no carro. Antigamente era comum, vejam como evoluiu a coisa, você pegar o carro e levar o carro na revisão. Vou viajar com a minha família, vou levar o carro à revisão para saber se está tudo certo, ver pneu... É um dado estatístico. Esse número caiu drasticamente. As pessoas não fazem mais isso, isso se perdeu no aspecto cultural. Aí nós temos alguns aspectos: confiança e perda de medo. E isso envolve todas as áreas, principalmente na área médica. A gente estava conversando isso mais cedo, as pessoas começaram a perder o medo e se arriscarem mais, o que diminui o preparo. Por isso eu bati nesta tecla: quando você vai trabalhar com um paciente internacional, você pode ter duas atitudes ou “mata no peito e joga”, “vem que o pai está on”, e essa é uma atitude, uu se preparar para isso ponderando tudo aquilo que pode acontecer, principalmente por um detalhe. O paciente não gostou ou teve uma intercorrência, uma complicação que pode acontecer. E aí? Voltando para o exemplo do carro, e se o pneu furar? Você olhou seu estepe? E se tiver uma pane elétrica? Você tem um cabo de chupeta lá? O seu seguro está em dia ou você tem o telefone do reboque para ligar?
Percebam que o dever de cuidado vai de uma coisa tão simples, que é quando você viajar com a sua família em um carro, até um negócio tão complexo como esse. O que vai determinar a segurança é como você encara isso, é a sua atitude face ao risco, ou você pode ignorar e falar que você não tem medo ou você pode se preparar para enfrentar os desafios.

O SR. RICARDO DA FONSECA – Bom, gente, Carol, a gente encerra, então, esse painel, tá? Eu só quero agradecer, mais uma vez, a presença de vocês dois, não só a presença física aqui, a presença emocional nesse processo que a gente está construindo, porque a gente precisa de gente de comunicação, de divulgação, gente do direito, assim como os profissionais da saúde e do turismo em geral. É uma grande construção. E a gente não quer fazer mal e nem errado.

A SRA. ROBERTA WERNER – Ricardo, deixa eu só, rapidinho, fazer um comentário. Na verdade, contar uma história bem curtinha, eu prometo. Eu estou, na verdade, enfim, eu queria trazer esse case para a gente entender o quanto que é importante esse processo da excelência nesse ambiente.
Eu me lembro que, quando eu trabalhava no Copacabana Palace, e aí são as intercorrências, são as adversidades que a gente tem. Tinha um cliente do hotel que veio para turista, e etc., e isso pode acontecer, e aí a gente está falando de turismo de saúde também. E aí, no meio da viagem, estava tudo muito bem, simplesmente esse hóspede teve uma crise gigantesca de coluna, absurda, mas, assim, em um grau muito máximo, acho que já vinha de um histórico. Moral da história: o negócio foi tão grave que esse passageiro, esse viajante, ele precisou fazer uma cirurgia de última hora.
E aí, então, vocês imaginam: você está em um país diferente, você está com um idioma diferente, você está com pessoas desconhecidas, você está em um ambiente absolutamente diferente do teu, da tua proteção, e aí como é que a gente pode mudar isso tudo? Através de nós, não é? Através de pessoas, o quanto que você consegue minimizar esse processo trazendo, estabelecendo um profissionalismo, seja através do atendimento ali do receptivo do hotel, seja através do próprio médico, seja através da confiança que você gera. E aí, o resultado disso tudo, foi um processo muito feliz, mas, no final da história, o que foi mais feliz ainda é a gente ter conseguido reverter esse grau de insegurança desse visitante, desse hóspede. E, mais do que isso, ou seja, ele sair daqui absolutamente encantado com aquilo que a gente faz de melhor, que é encantar, que é, justamente, poder mudar a vida desse viajante.
Então, pessoal, muito obrigada, Ricardo. Era só um pequeno depoimento aí.

O SR. RICARDO DA FONSECA – Deixa só, então, eu fazer um breve parêntese sobre isso que a Roberta falou, mas é breve, breve. Isso, só reforça, gente, que o nosso processo de construção do turismo de saúde não é, não será e não pode ser uma coisa aventureira. É acolhimento, é conhecimento jurídico, é conhecimento médico, é paciência. A gente não tem pressa de o processo acontecer. Agora, a gente está juntando pessoal bacana, bom, dedicado, com foco para que a gente possa fazer algo que a gente tenha orgulho e que não gere nenhum tipo de nesga, de sofrimento para o processo todo.
Mais uma vez, obrigado a todos vocês pela presença.

O SR. LYMARK KAMAROFF – Obrigado, pessoal

A SRA. ROBERTA WERNER – Obrigada.

A SRA. CAROLINA NAVARRO – Bem, dando continuidade à programação, agora no nosso segundo painel, com o tema "O atendimento internacional a pacientes em clínicas e hospitais da região Rio-Niterói", convido aqui à frente o Doutor Eduardo Duarte, cirurgião plástico da Clínica de Cirurgia Plástica Eduardo Duarte; a Doutora Iza Fellows, diretora-presidente do Promovendo Conhecimento com Ensino; e o Doutor Roberto Miúra, diretor médico da Glowe Brazil.


O SR. LYMARK KAMAROFF – Eu sou moderador. Muito bem. Então, convido, por favor, podem sentar. Prometo moderar sem falar muito. Vou seguir o script que está aqui. A Eduarda vai fazer a apresentação, o Doutor Roberto também. Doutora Ilza, quer falar primeiro? Primeiro as damas.

A SRA. ILZA FELLOWS – Bom dia a todos. Vereador, muito obrigada por essa acolhida. Meu presidente Rômulo, sempre. E obrigada, Ricardo, e a todos os organizadores deste evento, por nós podermos compartilhar.
Meu nome é Ilza Fellows. Eu sou médica, pediatra, mas atuo na área de gestão há muitos anos. Fui diretora em plano de saúde, na saúde suplementar, fui diretora de hospital, fui diretora de serviços diagnósticos e minha última experiência foram 13 anos à frente do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), em Niterói, especificamente.
Mas eu queria falar dessa experiência e do nosso olhar, como o Ricardo falou, como é que a gente vai empreender, como é que nós, prestadores de serviços, podemos nos posicionar. A gente está falando de um mercado de US$ 54 bilhões em 2020 e que tem uma perspectiva aí de um crescimento de 21% ao ano até 2027, chegando a US$ 207 bilhões. E aí eu fico lembrando que, em 2001, 2002, mais ou menos, eu estive em Jacksonville, na Flórida, visitando uma unidade da Mayo Clinic. A Mayo Clinic é uma estrutura do norte dos Estados Unidos. O que ela fazia com uma unidade na Flórida? Turismo médico.
Ela montou uma unidade que era voltada 100% para dar suporte a exames periódicos de grandes executivos. E era um modelo muito interessante, porque as pessoas visitavam e eram das mais diversas línguas. Atualmente, você pega um celular, tudo é traduzido. Em 2001, isso não existia. Então, quando você chegava lá, você tinha pessoas falando as diversas línguas. Eles sabiam quem ia chegar e, quando você era direcionado da recepção inicial, você já saía com mapinha e, quando você chegava à recepção do andar, a pessoa do andar já lhe cumprimentava na sua língua. Depois, todo o laudo era traduzido também para a língua daquele visitante, daquele paciente. Em 2001.
Se vocês se lembrarem também, a gente teve um filme chamado, se eu não me engano, “O Exótico Hotel Marigold”, que fala de turismo médico. Eram aposentados britânicos que foram para a Índia, e uma das britânicas estava indo fazer uma cirurgia de quadril. Está lá. Se vocês olharem, o filme fala disso. Então, isso não é uma novidade. Isso é uma situação já de muitos anos, e a gente fica pensando no internacional, mas a gente tem modelos nacionais. Ou seja, aí eu vou falar da nossa experiência em Niterói.
Niterói, o hospital se especializou muito na área de transplante de medula óssea. E como medula óssea, óbvio, que Niterói, que tem 500 mil habitantes, não tem população suficiente para gerar paciente para o transplante. O que nós fizemos? Fomos buscar fora de Niterói. E, buscando fora de Niterói, a gente tem toda aquela preocupação que o Lymark estava falando: a família vem e não tem que ficar internada. Onde ela dorme? Onde ela lava roupa? Onde ela come? Porque o turismo traz tudo isso, que não é turístico de passeio, mas que é de acolhimento, como a Roberta estava falando. Então, sem dúvida nenhuma, a gente, enquanto empreendedor, tem que ter esse olhar, seja internacional ou seja nacional. Quando nós partimos para o internacional, deparamos-nos com algumas questões legais. Por exemplo, o Brasil trabalha com fertilização, mas é proibido barriga de aluguel no Brasil. Então, quem não tem um parente na escala direta para gestar, tem que sair do Brasil, por que no Brasil não se pode.
No Brasil, temos a fila única de órgãos. O estrangeiro não pode chegar aqui e furar a fila. E aí eu estou falando de “doador-cadáver”, mas temos o doador vivo. Porém, o doador vivo também tem que ter grau de parentesco direto, porque se não, temos o risco da venda de órgãos ou da dúvida da venda de órgãos. Então, existe a necessidade, até para que possamos estimular mais determinadas frentes nas quais o Brasil é forte. O Brasil é muito forte em transplante. É como definimos a legislação para que o brasileiro esteja protegido, mas que abramos a possibilidade desse mercado. São coisas para pensarmos um pouco mais à frente.
Eu acho que, sem dúvida nenhuma, essas situações de gestação, e aí hoje vemos Dubai investindo muito nisso, especificamente está investindo na fertilização. E cada país vai ter a sua vocação. Nós temos o histórico, principalmente por causa do Pitanguy, da questão estética – e a odontológica está vindo. E apesar, Ricardo, de termos uma demanda muito grande do wellness, o Brasil vai ser forte, porque essa é uma vocação brasileira. Eu não sei se não vale o olhar para a gente olhar esse wellness, mas é isso.
Muito obrigado. Boa tarde para nós.


O SR. LYMARK KAMAROFF – Obrigado, Dra. Ilza. Eu vou convidar agora o Dr. Eduardo Duarte para dar sua apresentação.

O SR. EDUARDO DUARTE – Bom dia a todos.
Primeiramente, quero agradecer o convite carinhoso do Ricardo; e agradecer ao Vereador por nos receber nesta Casa maravilhosa que eu não conhecia.
Olha só! Alguns de vocês daqui também não devem ter tido o prazer de conhecer e estamos vivendo essa beleza aqui dentro – não é, Felipe? Bom, gente, eu vou me apresentar. Eu sou Eduardo Duarte, sou, por formação, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Fiz MBA em Gestão em Saúde na Coppead e hoje sou gerente de relacionamento médico do Complexo Hospitalar de Niterói.
Fui, durante 25 anos, chefe do centro cirúrgico de lá, então tenho uma experiência grande, principalmente com o relacionamento que temos. Médico, sabemos que não é uma classe muito fácil de lidar. Estávamos conversando sobre isso mais cedo. Mas a minha proposta aqui, bem rápida, é passar para vocês a visão do médico. Tivemos a Roberta falando aqui de hotelaria, do recebimento do paciente; o Lymark que nos deixa com medo, pois quando conversamos com o advogado a gente não tem vontade de fazer mais nada. Mas esta é a função do advogado: trazer todas as premissas, as dúvidas e, ao final, pensamos que não vamos entrar nessa porque é difícil, mas é isso mesmo. A gente tem que permear em todos os todos os campos, ter segurança de tudo o que a gente está fazendo, para que a gente não esbarre lá na frente em processos.
Falando um pouquinho da Medicina brasileira no cenário mundial. Quando eu venho aqui falar sobre cirurgia plástica, na verdade a gente tem que entender que esse mercado de turismo médico vai além da cirurgia plástica. A cirurgia plástica sempre é muito falada pela facilidade que a gente tem de trazer o paciente. Normalmente, o paciente de cirurgia plástica é um paciente mais hígido, é um paciente que normalmente não tem comorbidade – comorbidades mais leves, como pressão alta, às vezes, diabetes –, diferentemente de quando a gente está falando aqui de fazer um transplante. É um paciente que já tem algumas comorbidades que fazem com que a gente não possa ter um tempo certo em que o paciente vai ficar num determinado lugar distante da casa dele.
Só pra ressaltar que, além da cirurgia plástica, o Brasil já tem essa excelência em fertilização e, principalmente, nos procedimentos dentários, que nós somos muito procurados. Pode passar o próximo. E aí eu venho aqui com um destaque, só pra a gente ilustrar.
Aqui é na cirurgia plástica. Além do Brasil, a Tailândia e o México são os lugares bastante procurados; tratamentos dentários na Costa Rica e no México; fertilização na Espanha, Estados Unidos e Índia; cardiologia em países como Índia e Singapura; ortopedia nos Estados Unidos e Alemanha; oncologia nos Estados Unidos e Alemanha; e, oftalmologia, nos países da Turquia e Singapura.
Sempre é bom ressaltar, e já foi falado aqui na outra mesa, que quando a gente fala de turismo médico nós não necessariamente estamos falando só do turismo internacional. A gente já faz o turismo nacional. Então, é o que a Ilza mesmo falou do CHN. O CHN hoje é o hospital realmente referência pra transplante. A gente hoje consegue trazer pacientes do Brasil inteiro para serem transplantados em Niterói. E isso realmente é um orgulho. A gente tem hoje toda essa preocupação, principalmente um paciente, que a gente faz muito transplante de medula, são pacientes que às vezes precisam ficar internados durante seis meses. A gente tem uma estrutura lá que a gente chama de Dubai, porque realmente é um andar excepcional dentro do hospital – não é, Ilza? E como ficam esses familiares que vêm acompanhar um paciente, vai ficar internado seis meses? Então, esse tipo de preocupação... Não é, Roberta? Até você tinha falado aqui, a grande logística disso não é só em torno do paciente, e sim também dos acompanhantes e dos familiares.Pode passar o próximo.
E aí só um pouquinho bem rápido da minha história. Eu fiz minha formação com o professor Pitanguy. Tive essa honra de passar pro serviço dele. Trabalhei com ele durante muito tempo e, depois, fui professor do serviço durante 15 anos. E aí foi todo o meu início do meu primeiro aprendizado, como o Lymark falou, porque o professor foi o pioneiro em Turismo Médico. Ele fazia turismo médico de uma maneira... Não era rudimentar, porque tratava de uma classe AA no mundo e trazia, realmente, reis, rainhas,artistas do mundo inteiro. A Dona Mariana parava quantas vezes....
E ele, de uma certa maneira, acolhia da maneira que ele tinha. Todos sabem que ele tinha uma ilha – a Ilha dos Porcos, em Angra –, e muitos desses pacientes ficavam hospedados lá. Muitas das vezes na casa dele, algumas pessoas mais importantes; e na clínica, na própria clínica, tinham pacientes que ficavam. A clínica dele tinha suporte para isso. Ficavam internados, às vezes, um mês, como um hotel. A gente aprendeu muito com isso. Desde tudo que vocês falaram aí... A língua oficial dentro da clínica era o inglês, justamente por conta disso, de a gente poder... A comunicação com esse sou eu... Sou eu aí, bem novinho aí, já me formando. Já são 25 anos de cirurgia plástica.
E o professor ensinou muito a gente, porque o brasileiro já tem – a Roberta até falou – a cordialidade, o acolhimento. Isso soma muito, além do que.... No que o Brasil entra no ranking, principalmente de cirurgia plástica, que no caso é a minha especialidade? Custo e qualidade. Nós somos extremamente bem reconhecidos no mundo lá fora pela cirurgia plástica, principalmente por conta do professor Pitanguy. Quase todas as grandes técnicas de mama, abdome e face foram desenvolvidas por ele, descritas por ele. Na verdade, isso difundiu o nome dele e a cirurgia plástica, por conta da excelência que ele trouxe e das pessoas importantes que ele operou. Quando ele operou Niki Lauda na clínica, durante muito tempo, todo mês de julho vinham 60 crianças, entre adultos, para cuidar de queimados. E ele fazia também, paralelamente, um turismo que era o turismo nacional na Santa Casa de Misericórdia, que todos aqui conhecem, no Centro do Rio, onde a fila chegava a 150 a 200 pessoas por dia querendo se inscrever para ser operadas na Santa Casa. Foi ali que o serviço começou. Ele formou muita gente.
Vou falar um pouquinho mais na frente, porque as oportunidades que o turismo médico traz não só para o paciente, mas para os empresários, todo um entorno que acontece, porque, vejam vocês, o benefício, as indústrias que se atrelaram a isso. Ricardo sabe disso, do trabalho que temos para fazer essa roda girar. Existem muitas oportunidades envolvidas para que o projeto siga.
O início de tudo, a gente fala do eixo Rio-Niterói, eu trago muito um pouco de Niterói, vocês vão entender o porquê. Isso é um pouquinho da minha experiência, porque eu comecei, depois que estava no Pitanguy, a fazer turismo médico individual. Aí começou tudo com um relacionamento inicialmente em Dubai, que eu tinha sido convidado a ir para lá. Mas as dificuldades de sair daqui para outro país… Porque sou médico aqui, mas não sou médico lá.
Então, isso dificultou esse avanço. Depois, tivemos um relacionamento com a Alemanha, um anestesista quis começar a esboçar o turismo médico em 2012. Desenhamos tudo, a coisa não andou. Com os Estados Unidos conseguimos fazer. Até hoje trazemos pacientes para operar aqui. Acordos com Angola, mas depois eu não quis ir, porque eles queriam que eu fosse operar lá. Eu achava um pouco perigosa a situação do jeito como eles colocaram. Então deixei de lado. E hoje, desde 2022, vimos cada vez mais intensificando isso aí.
Por que Niterói? Eu falo um pouco de Niterói, mas é o eixo Niterói-Rio, mas é porque temos realmente um hospital de excelência. Como médico, eu tenho que trazer a questão da segurança e da qualidade. Vir para Niterói, estamos dizendo que estamos atravessando 13 km desde o Rio. É uma cidade que tem um IDH alto, uma força econômica, é a terceira cidade mais forte no turismo no estado, bem urbanizada. Temos um símbolo que está no mapa, que é nosso Museu de Arte Contemporânea – quem não conheceu, por favor –, praias exuberantes. Enfim, temos várias questões para que o paciente possa… O Rio de Janeiro é muito grande. Hoje, temos hospitais grandes na Barra da Tijuca. A distância da Barra ao Centro do Rio ou de Niterói ao Centro do Rio é praticamente igual. Os meios de transporte fazem isso com facilidade. Eu tenho consultório no Rio e em Niterói. Os pacientes não se importam de ir operar em Niterói, porque começamos a falar de custo. Quando se fala principalmente de cirurgia plástica esbarra-se muito na questão de custo e temos um hospital de excelência lá com um custo mais acessível que no Rio.
Como eu falei, para isso, precisamos desses serviços fundamentais para dar a largada nesses projetos, que é ter qualidade, segurança e confiabilidade, tanto no médico quanto no hospital e no entorno de tudo que está acontecendo.
Só para trazer um pouquinho da imagem do hospital. A Doutora Ilza, durante muitos anos, é responsável por esse crescimento. Esse hospital tinha, na verdade, uma unidade. Durante a gestão de 13 anos da Doutora Ilza, o hospital cresceu até sete unidades. Estamos indo, agora, para a oitava unidade. Então, hoje, podemos dizer que é o maior hospital do Estado do Rio. Muitas pessoas não conhecem; temos tudo isso dividido. As unidades quatro e cinco, não sei se dá para vocês verem daí, mas só para vocês terem uma ideia em termos de dimensão, estamos falando de 10 andares com 2.000 metros quadrados em cada andar.
Hoje, temos o maior centro cirúrgico do estado, estamos caminhando para 18 salas, e é um centro cirúrgico que ocupa – vejam se conseguem imaginar – as unidades um, três, quatro e cinco. Todo o 3º andar dessas unidades compõe o centro cirúrgico do hospital. Então, é o único hospital que tem heliponto, então nós temos todas as facilidades para poder trazer esse tipo de paciente, como já fazemos para operar aqui.
Em termos de dados, a quantidade de atendimentos que fazemos, de emergências, internações, nós chegamos a realizar quase 12 mil cirurgias por ano. E quais são as facilidades para esse projeto? Geograficamente, a localização privilegiada do Rio de Janeiro e o clima favorável. Quis trazer isso porque sou muito visual, e às vezes, quando falamos e estamos vendo, conseguimos gravar mais. A tração dos pacientes, combinando tratamento médico com lazer. Vou dar um exemplo: neste mês, vou receber alguns pacientes dos Estados Unidos. Isso facilitou muito, sabe, Vereador? O fato de hoje do CREMERJ nos permitir fazer consultas online, pois conseguimos falar com o paciente à distância, conversar, trocar algumas ideias. Não é uma análise final, mas é uma ideia que podemos dar ao paciente.
E, quando ele vem para cá, já vem com tudo estruturado. O que propomos e queremos que esse projeto dê certo é que eu não quero e nem posso me preocupar com onde ele vai se hospedar, qual aeroporto ele vai descer, ou se ele vai para São Paulo primeiro. Eu tento fazer isso de uma maneira rudimentar, mas que me dá trabalho. Preciso me preocupar especificamente com a cirurgia e cuidar do paciente, acolhê-lo. Eu preciso de um entorno para cuidar das outras partes que fazem parte desse processo, como a hotelaria e o passeio.
Por exemplo, esse paciente que vai chegar agora me pediu: "Quero ficar uma semana no Rio de Janeiro, quero ver o Cristo Redentor, quero visitar o Pão de Açúcar e quero operar depois, porque não poderei sair após a cirurgia." Basicamente, esse é o conceito que trazemos. As questões financeiras: os custos aqui no Brasil são mais baixos, a oportunidade de ofe
recer pacotes completos, redução de custos operacionais, atração do paciente pelo custo-benefício.
As estratégias incluem a colaboração com outros profissionais de saúde. Porque a gente está falando só do cirurgião, mas temos toda uma gama de profissionais envolvidos, como fisioterapeutas, clínicos, cardiologistas, etc. O facilitador do paciente vir de outro país ou estado, fazendo todos os exames aqui antes. Muitos usam seus seguros internacionais, outros pagam porque realmente o custo fica muito menor, e eles acabam preferindo fazer os exames aqui. Há também a oportunidade de desenvolver parcerias com clínicas e hospitais internacionais.
Próximo ponto, para não me alongar: as vantagens do turismo internacional. O acesso aos pacientes internacionais, o reconhecimento internacional, o aumento da diversidade de casos, a oportunidade de networking e parcerias, a geração de receitas adicionais para os pacientes, os profissionais de saúde e os empresários, que têm a oportunidade de aumentar suas receitas, como eu havia dito.
E a oportunidade de networking, parceria e colaboração com profissionais internacionais, parcerias com instituições médicas estrangeiras, participação em conferências e eventos. Acabamos criando redes de contato com outros médicos e hospitais.
Hoje, já temos a medicina diagnóstica, que é discutida à distância. A gente tem isso inclusive no hospital – não é, Ilza? Estabelecimento de redes de referência e desenvolvimento de parcerias empresariais. Bom, é basicamente isso que eu queria trazer.
Muito obrigado. Estou à disposição para perguntas e dúvidas.

(PALMAS)

O SR. LYMARK KAMAROFF– Obrigado, Dr. Eduardo.
Agora vou chamar o Dr. Roberto Miura para também fazer a sua apresentação.



O SR. ROBERTO MIURA – Bom dia a todos.
Vou cumprimentar o nosso Vereador Rocal. Cumprimentando o senhor, cumprimento todos os servidores desta Casa de Leis: Dr. Rômulo; meu amigo Bruno Matos, Subsecretário de Turismo; Roberta; meu vice-presidente do Cremerj; e Dr. Yuri. Cumprimentar também as autoridades da Mesa.
Meu nome é Roberto Miúra. Eu sou coronel médico do Corpo de Bombeiros, fui diretor-geral de saúde. Agora estou na reserva, em uma vida associativa. Então estou na diretoria da Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro, na Sociedade de Turismo Médico e na diretoria médica da Global Wellness Brazil, que é uma empresa de turismo médico que a gente vai falar um pouquinho aqui nesse primeiro momento.

(Inicia-se a apresentação de slides)


O SR. ROBERTO MIURA – Aqui eu vou só fazer um parêntese, porque se falou muito do Ivo Pitanguy, e eu sou ex-aluno do Santo Inácio, estou fazendo 40 anos de formado no Santo Inácio este ano. Vi várias vezes a Rua Dona Mariana ficar fechada por causa de pacientes do Ivo Pitanguy. Isso é uma coisa que eu vi várias vezes acontecer
Um convite: nós vamos ter de 10 a 12 de setembro o IHF, que é o International Hospital Federation, o maior congresso hospitalar do mundo. Vai ser aqui no Rio de Janeiro, no Windsor Barra.
Turismo médico: o Ricardo já definiu. Quero agradecer ao Ricardo pelo convite. O Ricardo já definiu turismo médico. Os pacientes viajam por conta de qualidade de serviço, por conta de economicidade. E tudo isso vai gerar um valor, que é o que a gente vai tentar falar um pouco aqui.
O Brasil tem 500.000 médicos e 4.500 hospitais. A Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro tem 200 estabelecimentos de saúde no Rio de Janeiro, e ainda se congrega na Federação Brasileira dos Hospitais, que tem 7.000 estabelecimentos de saúde no Brasil. Nós temos 900 operadoras e inúmeros hotéis. Com relação a hotel, tem alguém de hotel aqui, da hotelaria? Não tem ninguém da hotelaria, não é? Foi convidado. Bom, tem aqui o Convention Bureau.
O hotel é um stakeholder importante. Então, quando a gente fala em turismo médico, tem que falar em hospital, atendimento médico, mas tem que falar em hotel, restaurante. A gente está falando de pós-operatório. O paciente vai precisar de dieta especial, dieta branda, dieta líquida. Então o restaurante é importante, é um parceiro que vai ter que ter, também transporte para esse doente. O paciente vai pegar no aeroporto, não pode se perder no meio do caminho no transporte. Então, tem uma série de fatores que envolve isso tudo, como segurança pública.
O turismo médico vem crescendo de uma forma muito importante. Uma questão importante são os planos de autogestão. Isso aí, nos Estados Unidos, tem muito. A Walmart americana trata os funcionários dela na Costa Rica. É muito mais barato pegar um avião, mandar o paciente do Texas, que tem uma apendicite, para a Costa Rica, operar e voltar com um custo muito menor do que se ele fosse fazer isso nos Estados Unidos.
O Rio de Janeiro vem num crescente em termos de turismo, de turistas em geral. A gente tem falado muito aqui da questão das cirurgias eletivas, que é um braço do turismo médico. Eu sou urologista. Se você imaginar um paciente em Nova Iorque vai fazer uma prostatectomia robótica para um câncer de próstata, o seguro dele vai custar lá 100.000 dólares, fácil. Por 20.000 dólares, ele faz no Brasil. Então, esse mercado é o mercado da cirurgia eletiva, que não é tão simples de ser desenvolvido, mas é um mercado que a gente tem que trabalhar. E aí o Felipe está aqui, do Sírio-Libanês, e eles já estão muito na vanguarda nesse mercado. Eu vou falar mais sobre a urgência e emergência.
O turismo médico vem numa crescente, a população está envelhecendo, as doenças degenerativas. Hoje em dia a informação passa muito fácil. O Dr. Eduardo falou aqui do prontuário médico do Cremerj. Então você faz uma consulta hoje em dia com um paciente do Japão no seu computador. Então isso facilitou muito.
Por que o Brasil para turismo médico? Isso já foi falado também. Como médico, eu digo para vocês aqui que Rio de Janeiro e São Paulo não deixam a desejar em nada em termos de equipamento e experiência médica em comparação a qualquer hospital americano. Não há diferença. A cirurgia robótica é feita com o mesmo robô, o Da Vinci, que tem no Sírio-Libanês, no Copa Star e no Américas. É o mesmo robô. A certificação do médico é internacional, então, para sentar e operar o Da Vinci, você não simplesmente se senta e começa a operar. Você faz um curso e treinamento que resultam em uma certificação internacional. Então, é a mesma certificação, porém com um custo realmente mais em conta.
A Stems é a Sociedade de Turismo Médico e Saúde aqui do Brasil. Estamos lá na secretaria da Sociedade, que procura fomentar esse tema. O doutor Bruno Matos, um amigo que ajuda muito nessa propagação, merece nosso agradecimento, como sempre. Um braço da Stems que estamos procurando realizar são as acreditações. Precisamos acreditar hotéis amigos do turista, que é um hotel com um concierge que fala a língua do turista. O hospital amigo do turista... Estou falando do Felipe aqui porque ele é um expoente no turismo médico, mas o Sírio-Libanês tem concierge em sete idiomas. Meu avô era japonês. O japonês chega ao Sírio e tem uma pessoa para falar em japonês com ele. Isso faz diferença.
O que é a Global Wellness Brazil? A Global é uma empresa privada que trabalha na intermediação desse mercado junto com a seguradora americana Passage Health International. A Global Wellness Brazil faz a parte de call center, verifica os benefícios do segurado e direciona o caso para atendimento médico, clínico ou hospitalar. Existe todo um preparo para isso. Fizemos um estudo, por exemplo, sobre a incidência das doenças entre turistas no Brasil: 40% dos turistas vão ter doenças dermatológicas. Parece incrível, mas eles pegam piolho, dermatite, micose. São 20% com problemas gastrointestinais, como diarreia, e 20% é gripe. São 80% de casos clínicos, e apenas de 15% a 20% necessitam de hospitalização. Muitos casos podem ser resolvidos com atendimento clínico sem precisar direcionar para o hospital.
Somos representantes no Brasil da Passage Health International. A Passage Health é uma seguradora americana que representa 1.400 seguros internacionais de saúde. Um dos lemas da Passage Health é “deixa que a gente vai fazer a cobrança para você focar no seu paciente”. Vou tomar a liberdade de citar o caso da Roberta, do Copacabana Palace, não sei há quanto tempo atrás. Não conheço esse caso, mas, hipoteticamente, um paciente teve uma hérnia discal aguda da coluna vertebral, ficou com paralisia e foi para o centro cirúrgico do Copa Star. Após a cirurgia, ficou no CTI. No mínimo, esse cartão de crédito foi cobrado em US$ 20 mil. Quantas pessoas têm um cartão de crédito de US$ 20 mil? Conheço o doutor Rômulo, ele é rico e deve ter, mas eu, que não sou... Isso mostra que o paciente hipotético do Copacabana Palace tinha um problema, que era a hérnia de disco, e após a hospitalização, ficou com dois: a hérnia e o cartão. Ele passou a ter dois problemas. O objetivo de organizar esse mercado através da Passage Health e da Global Wellness é retirar esse encargo do cartão de crédito do paciente, que é como funciona hoje. Hoje funciona assim.
O nosso turismo médico nos Estados Unidos também, não sei se alguém aqui já teve algum problema de saúde lá. Se você entrar em um hospital americano com seu seguro de saúde, você vai deixar US$ 20 mil em meia hora. Você coloca no cartão, vem para o Brasil e depois busca reembolso daqui a 60 dias. Não é fácil colocar R$ 100 mil num cartão e pegar o reembolso em 60 dias. Não é simples, é uma coisa complicada. O objetivo da Global Wellness é organizar esse mercado para que o paciente se preocupe apenas com o problema de saúde, não com seu cartão.
Atualmente, os providers, que são os hospitais, não conseguem falar com as seguradoras americanas porque não tem um NPI, e aí vou tomar liberdade de citar o Felipe novamente que está aqui representando o Sírio Libanês que, talvez, é o maior hospital do Brasil e não tem o NPI, então a gente não consegue falar com as seguradoras americanas, a gente não tem acesso às taxas do medcare, que são as melhores taxas internacionais que tem, e a gente tem que cobrar ou do paciente diretamente ou através de empresas de assistência.
Uma seguradora americana que vem com esse propósito, tem esse NPI, que essa identificação, então ela fala com as seguradoras americanas e, por ser americana, ela entra nas taxas do medcare que são as melhores taxas internacionais hoje em dia, muito melhores do que as praticadas aqui atualmente no Brasil.
Nosso objetivo é tentar cuidar do doente, do turista que venha para o Brasil para que ele possa curtir o turismo dele e se, eventualmente, tiver um problema de saúde, que ele não se preocupe com os custos disso no cartão dele, porque fica inviável. Era isso que eu ia falar. Obrigado.

O SR. LYMARK KAMAROFF – Como moderador, vou fazer uma pergunta para cada um. Não tomei nota para prestar atenção em tudo e de uma forma sucinta eu vou começar com a Doutora Ilza para a gente poder ter uma visão um pouco mais prática daquilo que eles podem agregar para o conhecimento geral. Doutora Ilza, minha pergunta para a senhora é a seguinte: do ponto de vista hospitalar, e eu já sei que o Felipe vai ser referência para falar, já sei disso, já estou sabendo, mas hoje, se a gente pudesse elencar talvez os dois maiores desafios de se montar uma estrutura hospitalar própria para isso, na opinião da senhora, quais seriam esses grandes desafios, os dois principais?

A SRA. ILZA FELLOWS – Bom, primeiro a gente tem que definir a vocação do hospital, o que ele vai vender, digamos assim, como é que ele vai captar, aonde ele é o diferencial efetivo. Em cima disso você vai entender o perfil daquele paciente e automaticamente as demandas que ele e os seus familiares vão ter por tempo de permanência, por necessidade de retorno e aí você vai desenhar toda a estrutura que você vai precisar de retaguarda e aí a gente está falando se ele vai precisar ficar próximo ao hospital depois do procedimento, estadia para ele, para a família e etc. Se ele vai ficar dentro do hospital por um período longo e o familiar com ele, que tipo de suporte o familiar vai precisar. A gente pensa que é besteira, mas não é. Lavar roupa, onde é que você lava a roupa, onde come, porque a comida do hospital em algum momento não vai deixar o indivíduo feliz.
Então eu acho que você tem que conhecer a sua vocação para você fazer esse passo a passo.

O SR. LYMARK KAMAROFF – Muito obrigado, Doutora Ilza. Essa é uma mensagem importante. De novo, não é para quem quer, é para quem pode. Você tem que conhecer, saber como você vai agir primeiro, qual é a sua vocação. Achei isso interessante, é minha vocação? Essa é a segunda pergunta que tem que fazer. Se você falar que é a sua vocação, a terceira pergunta é se estou preparado e depois você avança.
Doutor Eduardo, dentro desse conceito e, agora, vou falar da parte médica. O médico hoje jovem começando a bombar no Instagram, começando a tentar fazer captação, utilizando inteligência artificial para falar em várias línguas sem ter a mínima noção daquilo que ele está falando, só a inteligência traduzindo, esse profissional hoje que muitas vezes não tem medo de utilizar técnicas novas a qual ele não está devidamente preparado e que ele quer somente focar no atendimento e na linda mensagem passada pelo Instagram. O maravilhoso mundo mágico do Instagram, onde não tem derrota, só tem vitória. Para esse tipo de médico qual conselho que o senhor daria para quem vai trabalhar ou quem queira trabalhar com turismo médico? O que o senhor falaria para ele?

O SR. EDUARDO DUARTE – Eu gostei muito da pergunta. A gente já discutiu isso em outros fóruns e isso é superimportante porque, na verdade, a gente tem que trazer mais responsabilidade, principalmente o médico. Eu acho que as mídias sociais, hoje, deixaram a imagem, quer dizer, não a mídia social, mas as pessoas estão utilizando as mídias sociais de uma maneira errada, de uma maneira, às vezes, que a gente pode dizer até vulgar, para poder se difundirem.
Na questão médica, especificamente, eu não acredito – e eu acho que vocês também não devam acreditar – que você vá procurar um médico especificamente só pelo que ele está projetando numa rede social. Eu acho que a rede social dá um engajamento, eu tenho a rede social. Durante muito tempo a sociedade discutiu a possibilidade de você estar mostrando os seus resultados, principalmente em cirurgia plástica, do antes e depois, mas até que ponto a gente pode considerar que aquilo é real, se hoje você tem Photoshop e você tem meios de você adulterar, manipular aquela imagem.
Então, eu entendo que esse médico jovem de hoje está muito focado nisso, ele não está focado em se preparar, a gente lá no hospital, não é, Ilza? Quantas vezes nós tivemos discussões a partir do princípio de quem vai tratar de nós, quem é que vai tratar dos meus filhos e quem é que vai tratar dos meus netos porque a medicina hoje tomou um rumo em que há muitas faculdades de medicina, jogando no mercado milhares de jovens médicos, que acabam procurando isso e na maioria das vezes eles não querem se profissionalizar, eles não querem ter especialidade.
Quem é que quer, vamos pegar o exemplo da cirurgia plástica, seis anos de medicina, dois anos de cirurgia geral e mais três anos de cirurgia plástica? Vão aí totalizar 11 anos de estudo para entrar no mercado. Hoje o nosso colega jovem quer sair da faculdade de medicina, entrar num plantão, ele dá dois plantões que ele entende que ele não tem responsabilidade sobre o paciente porque o doente é institucional, ele acaba o plantão dele e vai embora e aí ele coloca uma grana no bolso, continua morando com papai e mamãe, que é essa geração aí que falam de Z ou Y, que eu já nem sei mais, e ele quer viajar, ele quer namorar, ele quer ter carro novo...
Aí eu deixo a pergunta que nos preocupa muito: quem é que vai cuidar dos nossos filhos? Porque nós não estamos formando profissionais com qualificação e adequados para um futuro porque esses que estão aí infelizmente daqui a pouco estão parando e estão indo embora.
Então, essa preocupação eu acho que o governo..., a gente precisa ter essa conscientização de estar formando. Eu acho, Lymark, te respondendo objetivamente, que mídia social tem que ter muito cuidado. Você é um que sempre me orienta, está liberado, sim, para a gente poder, hoje, divulgar os casos, mas não é divulgar por divulgar, é contar uma história como aquilo aconteceu, não é isso? Você vai pegar um caso lá, urológico, na urologia não dá para mostrar muito, mas você pode contar um caso de sucesso, que de certa maneira isso vai ser interessante para as pessoas. É isso.

O SR. LYMARK KAMAROFF – Obrigado, Doutor Eduardo.
É, na urologia ficar mostrando o antes e o depois não é muito bom, tem gente que faz, tem gente que mostra.
Doutor Roberto, gostei muito da sua apresentação, depois quero o seu cartão porque eu acho que há várias possibilidades de negócios. Essa é outra lição que quero deixar para vocês. O negócio acontece onde você está e está disposto a fazer.
Então, se você está aqui, está conversando com a pessoa ao lado, está conversando com a outra, esse é o momento de você interagir, isso é o que a gente chama de networking. Networking não é tomar cafezinho com a pessoa, é falar: “Poxa, achei interessante. O que você faz?”. Muitas pessoas têm vergonha de falar o que fazem e aí você não fala o que faz e você não sabe como pode ajudar a outra pessoa e principalmente como aquela outra pessoa pode te ajudar.
Então, Roberto, nós vamos fazer negócio juntos, já gostei, vi que a questão da dor que o senhor trata é a financeira e aí dentro dos principais problemas financeiros que eu já imagino uma porção, porque hoje, obviamente, não estão preparados, e qual é o tempo hoje que demora, por exemplo, para um paciente estrangeiro conseguir resolver, dar entrada na papelada junto com os seguros internacionais e conseguir resolver, ele tem que ter caixa para isso hoje só o cartão dele resolve. O médico que vai trabalhar com turismo médico... Eu quero trabalhar, eu quero atender... Doutor Roberto, olha o doutor Lymark falou que o senhor é o cara que vai resolver a questão financeira. Qual é o projeto de implementação disso para quem quer começar nessa área?


O SR. ROBERTO MIURA – Bom, tudo isso está contratualizado. Então, o hospital é contratualizado, a equipe do hospital médico é contratualizada. O turista veio aqui passar o carnaval, aí chegou à terça feira de carnaval teve uma dor de barriga. Ele vai entrar em contato com o nosso call center, e a gente vai fazer o VOB, que é o Verification of Benefit, a gente fala com Estados Unidos, e ele vai dar um número do seguro. O seguro americano vai falar para gente: “Olha, pode internar no hospital tal, que está tudo autorizado, os custos todos”. A gente o encaminha para o hospital – se ele precisar de ambulância, vai uma ambulância. O turismo médico movimenta um volume gigantesco de serviços. Então, vai uma ambulância, o busca no hotel e o leva para o hospital. Ele faz o procedimento cirúrgico dele. O tempo de resposta da seguradora americana é de 20 minutos a uma hora. Então, em uma hora você já tem uma solução. E todo o trâmite financeiro, o paciente vai ser operado, vai ter a alta, vai voltar para o hotel, fazer o pós-operatório, vai pegar o avião e voltar para casa. É o trâmite financeiro-administrativo.


O SR. LYMARK KAMAROFF – Muito legal. Ou seja, eu diria que o Dr. Roberto é um facilitador. Quero começar a fazer isso... Conversa com o homem. Pessoal, pelo adiantado da hora a gente não pode ficar muito tempo. Quero agradecer a participação de todos por abrilhantar o evento e agradecer a todos que estão aqui assistindo e passar a palavra para o Dr.Ricardo para o próximo painel.
Obrigado.


A SRA. CAROLINA NAVARRO – Bem, seguindo aqui com a nossa programação para o terceiro painel, eu tenho a honra de convidar para moderador o Exmo. Sr. Subsecretário de Turismo do Município do Rio de Janeiro, Bruno Matos. Convido também o Dr. Rômulo Capello, Presidente da Associação Médica Somerj; o Dr. Yuri Lutz, Secretário Executivo do Conselho Regional de Medicina (Cremerj); e que continue conosco o Dr. Roberto Miura, agora como representante da Associação dos Hospitais.


O SR. BRUNO MATTOS – Bom dia a todos.
Quero agradecer aqui o convite para poder participar em nome da nossa Secretaria de Turismo no município. Quero dizer que a Cidade do Rio de Janeiro é uma cidade de vocação turística que atende praticamente todos os segmentos. Então, esse turismo aqui hoje, sobre o turismo de saúde, a gente hoje já vinha conversando muito com o Dr. Miura – que estava aqui agora – e o pessoal dos hospitais. É um turismo que acho que a cidade tem muito a ganhar, muito a crescer. A Secretaria agora, desde o ano passado, passou a investir um pouco mais no turismo gastronômico. Nós agora também estamos nessas parcerias de aumentar esse turismo, porque a gente sabe que tem uma potencialidade muito grande.
Então, gostaria aqui de agradecer aqui aos meus amigos, aos companheiros, ao Dr. Miura.
Vamos nos apresentar. Peço aqui para se apresentarem.



O SR. RÔMULO CAPELLO TEIXEIRA – Bom dia a todos mais uma vez. Sou Rômulo Capello Teixeira. No momento estou como Presidente da Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro, também sou conselheiro do nosso Conselho Regional de Medicina.
O Rio de Janeiro tem um representante na Associação Médica Brasileira da qual fui eleito Diretor Cultural no ano passado, e estou como diretor na Associação Médica Brasileira. Aqui, sou um dos diretores na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, já estou há 17 anos trabalhando com os nossos vereadores. E aqui eu faço uma ressalva aqui de agradecimento extremo ao nosso Vereador Rocal por entender a importância do tema quando foi trazido aqui para a nossa Comissão de Turismo, e ele prontamente comprou essa ideia e está trazendo esse evento maravilhoso em que nós todos estamos ganhando muito, porque estamos aprendendo.
Quando foi feito o convite a mim, eu falei assim: "Bem, nós, como representantes de uma classe, que é a classe médica, que é um dos players desse movimento do turismo de saúde, eu tenho que falar um pouco do que representa o médico." E o que eu fiz? Vou trazer um pouco do histórico.
No governo Brizola, ele criou uma coisa chamada Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista. Essa delegacia é a atual Delegacia Antissequestro (DAS), fica ali no Leblon, em frente ao Shopping Leblon. Quando ela foi criada, o comandante, meu comandante da minha primeira turma do Corpo de Bombeiros, virou e falou assim: "Você vai coordenar essa delegacia, o espaço lá”. Porque era um espaço que tinha Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Grupamento Marítimo, porque era uma fonte de orientação para todos os turistas do Rio de Janeiro em relação às condições de mar, como é que podia ir, para onde podia. E, e ao mesmo tempo, nós tínhamos uma equipe de médicos e técnicos de Enfermagem 24 horas, sete dias por semana. Vocês imaginem o que era formado. Para quê? Para os atendimentos voltados para as urgências e emergências dos turistas do Rio de Janeiro.
O Miura já deve ter visto, mas eu vi pela primeira vez uma fratura de pênis. Foi quando eu fui chamado em um dos hotéis, e um turista lá, em uma belíssima noite de amor, fez uma fratura de pênis. Nunca tinha visto. E como é que funcionava isso? Funcionava o seguinte: cada hotel tinha uma clínica ou um serviço de referência em que tinha parceria com os seguros, e os próprios hotéis chamavam essas clínicas, e as clínicas iam lá. Ou seja, isso eu posso falar para vocês que foi na década de 90. Então, a gente pode falar que o turismo de saúde, naquela época, já se fazia dessa monta, não tão estruturado quanto é hoje e não tão muito mais estruturado quanto vai ser amanhã, mas já existia alguma coisa dessa natureza.
Ao mesmo tempo, mais ou menos nessa época, eu era médico do hotel, o nosso Le Méridien, ali na Princesa Isabel. Que coisa maravilhosa, imagina, cheio o tempo todo, tanto os funcionários quanto os hóspedes. E era da mesma forma: eram gastroenterites, lesões de pele, queimaduras e coisas afins. E nós fazíamos esse primeiro atendimento e tinham clínicas também especializadas nessa parte.
Aí vem outra coisa: nós também fazíamos e mostramos lá para o público lá fora. Nessa época, mais ou menos, eu era diretor de operações dessas ambulâncias do Rio de Janeiro, do Corpo de Bombeiros e eu fui para Angola. À época, o nosso comandante do Corpo de Bombeiros, Secretário de Estado, foi em 2003. Nós fomos para Angola para fazer o quê? A implantação de serviço pré-hospitalar em Angola. Isso foi superinteressante, mas antes disso, nós tínhamos ido para os Estados Unidos, na Flórida, sabe para quê? Para fazermos um benchmarking em termos de quê? Atendimento pré-hospitalar.
Aí, o que o Dr. Miura e todos falaram aqui foi fundamental. Atendimento pré-hospitalar. Passei 10 dias no Rescue americano. Saía de ambulância com tudo bacaninha, tudo. Aí, chegamos e atendemos uma senhora, uma senhorinha, coitada, desmaiada em via pública, coisa que a gente vê todo dia e toda hora. Aqui você pega a pessoa, examina, faz os exames preliminares, leva para o hospital. No hospital, ela chega, faz atendimento, não paga nada, vai embora, graças a Deus e viva o SUS, maravilha. Lá nos Estados Unidos, a senhorinha chegou desmaiada, aí você faz dosagem de glicose, faz não sei o quê, aí lá faz eletrocardiograma, tomografia de crânio, ultrassom abdominal, ultrassom transvaginal, você faz isso, faz não sei o quê, porque a questão também em relação às ações contra médicos, contra a saúde. Alguns de vocês podem não saber, mas alguns estados dos Estados Unidos não têm alguns especialistas, porque o médico tem que ter um seguro tão caro que ele não consegue ter. Então, alguns estados dos Estados Unidos não têm alguns especialistas porque não conseguem ter. Sabe quanto foi a conta dessa senhorinha naquela época? $11.000. Um atendimento que ela teve um mal súbito na via pública. Então, isso tudo é uma preparação.
Quando eu falei que ia falar, eu vou falar de médico. Aí, eu peguei uma matéria que saiu na Revista Hospitalar de 2023, do nosso querido irmão do Glauco, ele é o presidente da..., ele fala assim: “O Brasil tem se estabelecido como destino cada vez mais atrativo para o turismo de saúde, atraindo pessoas que buscam qualidade, custos competitivos e serviços médicos de excelência”. Aqui eu quero falar justamente sobre o maior player disso aqui, que é o médico. “Ah, eu estou puxando brasa para a minha sardinha”. Claro que eu tenho que fazer isso. Como médico, representante de uma classe médica, eu tenho que falar que o médico é importante nisso.
Por quê? Quando se fala em custo, a gente tem dois valores que a gente tem que ver, um é valor e o outro é preço. O nosso valor é monstruoso, e o nosso preço é extremamente competitivo. Por que é competitivo? Um para R$5,59; um para R$5,80. Nosso preço é competitivo. Foi o que se falou aqui. Uma coisa que você faz por US$ 100 mil, chega ao Brasil e você faz por US$ 20 mil. Só isso interessa? Não. Eles estão buscando o quê? Valor. Qual é o valor disso? O valor é qualidade. E como é que você vai encontrar qualidade no serviço? É claro, a estrutura médica, a estrutura hospitalar é uma necessidade para oferecer as condições para que o médico pratique uma boa Medicina. Mas e esse médico? Como se falou há pouco, foi mostrado aqui 510 mil médicos no Brasil, 60% não tem especialização, e 60% é médico generalista. É ruim? Não, desde que tenha formação, desde que ele tenha atualização. São os programas de atualização médica continuada. Isso é importante para a gente. Mas somente uma parte, como 40%, tem especialização. E isso da especialização é que faz com que nós vamos aos Estados Unidos, lá na Alemanha, lá na França, lá no México e tudo, e fala assim: “Eu vou para o Brasil”. Por quê? Valor e tem o quê? O preço acessível.
Então, isso tudo faz parte. Mas como você vai fazer parte dessa competitividade? Se você tiver bons médicos formados. De que forma você faz isso? Você tendo escolas médicas de qualidade. Aí aqui, como defensor de uma classe, eu tenho que falar: não dá para se abrir qualquer tipo de escola médica, em qualquer momento, em qualquer lugar, sem a devida qualificação para que esses profissionais que saiam dessa escola, ou que estejam nessa escola, tenham hospital escola, tenham leito para eles sentirem... Médico faz diagnóstico pelo cheiro. Médico faz diagnóstico pelo andar do paciente. Médico faz diagnóstico pelo comportamento. Médico faz diagnóstico pelo tique que aquela pessoa apresenta. Isso tudo é fundamental.
Mas como vamos aprender isso, se nós não temos um devido hospital escola, se nós não temos um devido hospital que tenha isso como referência. A gente já tem que começar a pensar. Eu qualifico um profissional quanto mais eu mostro para esse profissional o que nós podemos encontrar no dia a dia.
Aí vem outra fala aqui muito interessante: um dos principais é a reputação internacional de nossos profissionais de saúde. “O Brasil possui médicos, como um todo, altamente capacitados e reconhecidos mundialmente por sua competência e especialização. Além disso, muitos deles são membros de sociedades médicas internacionais e que reforça a confiança dos pacientes em busca de tratamento de qualidade”. De novo, aqui vem o que nós chamamos o seguinte: todos têm que estar no Convention Bureau, todos têm que estar associados a Visit, todos têm que estar dentro de algum processo em que você tem o processo associativo como catalisador das melhores práticas. E nós unidos vamos fazer o quê? Vamos fazer isso que nós estamos fazendo aqui, dividindo, somando informações.
Quando você tem as sociedades médicas de especialidade... Dr. Yuri é anestesista, então ele está lá como membro da Sociedade de Anestesiologia. Mas como ele chega lá? Se ele fizer residência médica, se ele fizer a prova de título de especialista, se ele for ao Conselho Regional de Medicina e tiver o Registro de Qualificação de Especialidade (RQE) dele, e se ele tem o título de especialista da Associação Médica Brasileira. É fácil? Foi como o Dr. Eduardo falou, sete anos depois de seis anos de faculdade, 13 anos. Aí tem uma explicação: hoje, as escolas médicas têm 60% dos seus assentos de mulheres. Há uma previsão de que daqui a pelo menos 10 a 15 anos, a ter 80% de mulheres sentadas no banco das escolas médicas. Vocês vão perguntar o porquê. Porque muitas das vezes o homem, que é mais afoito, quer ter uma formação de menor tempo, quer cair no mercado de trabalho e ganhar dinheiro – mas, na Medicina, não é assim que se consegue. Não basta se formar em seis anos e pegar uma situação como essa aqui, entrar em um grupo e falar: “Tem plantão onde? Ah, tem plantão no final de semana e no outro, no outro, no outro...” O cara soma e fala: “Este mês eu quero ganhar 35 mil.” Vai ganhar? Vai. Qual o tipo de qualidade que ele vai oferecer? Eu não sei. Então, isso tudo é extremamente importante. Por este motivo que nós temos que ter sempre os processos associativos, que são fundamentais. Isso tem que ser lembrado.
Comparando com outros destinos de turismo de saúde, como os Estados Unidos, Canadá ou países europeus, o Brasil oferece procedimentos médicos de alta qualidade e preços consideravelmente menores. Volto a dizer, para este médico operar em robótica, o médico precisa ter treinamento em robótica. Quantos dos nossos hospitais oferecem hoje, no Rio de Janeiro, em São Paulo e outros estados do Brasil, treinamentos e têm a robótica como uma base de fácil acesso? Nem todos os hospitais têm isso. Muitas pessoas pensam: “Ah! Eu quero aquele negócio de videoparaloscopia” – isso já é uma rotina. “Ah! Eu quero robótica.” Pare, pense e vamos ver quantos de nós estamos capacitados, treinados e adaptados.
Ainda ontem tivemos uma palestra na nossa associação médica em que discutimos sobre inteligência artificial na Medicina. Não vai substituir o médico. Ela vem para ser um componente facilitador na Medicina. No Instituto do Cérebro, usando a inteligência artificial, eles fizeram nove cirurgias programadas muito antecipadamente com o uso da inteligência artificial. Quantos podem utilizar a inteligência artificial? Então, é isto que quero deixar como mensagem: que tudo isso é muito importante. Próximo, por favor. Tem como passar? Não, não foi.
Só para finalizar, a Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro é uma federada da Associação Médica Brasileira e temos as nossas filiadas. As nossas filiadas estão em todo o Estado do Rio de Janeiro, que são associações médicas das regiões e das cidades. O que fazemos com isso? Aqui, internamente, temos, sim, um turismo de saúde forte no Rio de Janeiro. O hospital que a Dra. Ilza foi presidente e diretora, e ela é a nossa secretária-geral da Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro, é uma das referências para todo o interior, na região de Itaperuna, Campos. Alta complexidade, tudo ia para ali. Ou seja, essa parte do turismo está de parabéns, porque temos que incentivar. É um dos movimentos de maior valorização e fomento de negócios, como foi já falado aqui. Principalmente, vai exigir que nós, médicos e toda a cadeia que está em volta da medicina, como as outras especialidades, que não podemos deixar, sejam tão ou mais qualificadas quanto qualquer médico ou qualquer player do concierge, onde quer que seja. Essa cadeia tem que ser uma cadeia isonômica, de qualidade, que vai oferecer, para quem está lá fora, que vem para cá, toda a qualidade que podemos ter e mantermos a qualidade e alto nível no turismo de saúde.
Quem está saindo daqui hoje fomente isso, converse, multiplique essas informações e compartilhe, porque é importante para todos nós. Pode ser que um dia precisemos usar, mas, principalmente, quem vier aqui tem que saber que está bem entregue ao Rio de Janeiro e a todos que fazem parte deste negócio do dia de hoje.
Muito obrigado.


O SR. YURI LUTZ – Bom dia a todos.
Agradeço ao Excelentíssimo Vereador Rocal pelo convite, por abrir a Câmara de Vereadores para nossa manifestação. Agradeço a todos também por estarem aqui e dando este momento de atenção. Espero satisfazer a informação que desejam obter. E, principalmente, agradeço ao Doutor Rômulo por me dar o tema que eu vou dizer. É o tema mais chato, não é? Quando a gente vai falar de regulamentação.
Nós estamos falando aqui muito de negócios, turismo médico, toda essa possibilidade que nós temos de conseguir trazer para a nossa cidade pacientes que buscam mais saúde, buscam um procedimento estético, buscam obter na nossa cidade satisfação para a sua necessidade. Mas nada disso, infelizmente, funciona se a gente não se preocupar com um ponto fundamental, que é o quê? Regulamentação, legislação e fiscalização.
Eu sou hoje representante do Cremerj. E alguns dos colegas podem achar que represento os médicos. Desculpe. Eu não represento os médicos. Represento vocês, sociedade. Eu sou financiado pelos meus colegas, eu sou eleito pelos meus colegas, mas eu, como entidade fiscalizadora do ato médico, eu tenho a função a proteger vocês, sociedade carioca. E agora, no nosso contexto aqui, o nosso paciente que vem de várias partes do mundo, de várias partes do nosso país em busca do atendimento médico.
E por que isso é importante a gente ter entidades fiscalizadoras que regulamentem a profissão do médico e fiscalizem essa atuação? Porque o ser humano, infelizmente, é falho. Eu, obviamente, trabalho dentro dos ditames da minha consciência e da forma ética que eu considero correta. O Doutor Rômulo também é excelente profissional; o Doutor Miura também; o Doutor Eduardo, eu já conheço bem, cirurgião lá de Niterói. Nós temos instituições de extrema qualidade, como o CHN, em o qual trabalho também, uma reconhecida entidade. Digamos assim, a melhor unidade de saúde hoje de Niterói, diria eu, quiçá do Estado do Rio de Janeiro, para a gente prover o atendimento de qualidade dos pacientes que demandam tanto um atendimento clínico quanto cirúrgico.
Só que nós vivemos no Brasil. Ao mesmo tempo a gente tem Dubai e Angola, digamos assim, sem querer ser prejudicial aos colegas de Angola, mas enfim... Infelizmente nós vamos encarar uma realidade em que existem instituições boas e instituições ruins. Existem profissionais que atuam de forma ética e existem aqueles que se deixam levar pela situação e querem se aproveitar de alguma forma e saem de dentro da correção ética da nossa atuação.
Nesse contexto, o meu conselho vai ter uma função fiscalizadora. Nós tanto registramos os médicos como os fiscalizamos, como também as demais entidades fiscalizadoras. Nós temos aqui como apoiadores desse evento, por exemplo, o Crefito, que é da Fisioterapia. Nós temos outros conselhos profissionais, temos a Enfermagem, temos a Biomedicina... Existem diversos conselhos profissionais que vão fiscalizar os atos dos seus inscritos dentro das profissões reguladas e, da mesma forma, vamos ter o Procon, vamos ter a Vigilância Sanitária, vamos ter diversas entidades que vão fazer isto: fiscalizar para garantir que esse processo todo que nós estamos conversando hoje funcione de forma correta, de forma legal e garanta que esse paciente de fato nos procure, porque aqui ele vai encontrar o ambiente favorável a ter um atendimento médico de alta qualidade.
Nesse contexto, nós temos também que levar em consideração a questão “regulamentatória”. Não posso, eu como profissional médico, sair daqui e me apresentar como um cirurgião plástico. Ainda que a lei diga que a profissão médica é terminal, eu preciso ter uma entidade que fiscalize e regulamente quem pode se apresentar como especialista. Isso porque nós vivemos hoje, infelizmente – talvez felizmente ou infelizmente, enfim –, num mundo dominado pelas redes sociais.
Eu posso hoje fazer um perfil e me dizer cirurgião plástico. E se eu comprar seguidores, eu posso conseguir talvez um milhão de seguidores daqui uma semana e conseguir uma visibilidade muito grande para aquele meu perfil e me vender como um cirurgião plástico, só que eu nunca vou ser um cirurgião plástico se eu não fizer a prova, como o Doutor Rômulo muito bem salientou, e não fizer a formação, não fizer a residência. E quem vai me dizer se eu sou cirurgião plástico? Quem vai dizer para o paciente, que não é sequer deste país, que de fato ele está procurando, está entrando em contato com alguém que é cirurgião plástico? Não é o Instagram, desculpe. O Instagram é ótimo, tem inteligência artificial, tem moderação, mas ele não consegue dizer quem tem essa habilitação ou não. Quem consegue dizer é o conselho, porque um médico para se apresentar dentro do nosso país como especialista, não basta ele ter o CRM, não basta ele estar quite com a sociedade dele e especialidade. Ele tem que apresentar ao CRM e ser validado aquele registro de especialista. Com isso, eu consigo – dentro de um mundo em que a informação é extremamente acessível, mas ao mesmo tempo farta e incompleta – dar uma estabilidade e um norte. Aqui, se eu procurar essa fonte, vou ter uma informação de qualidade e confiança de quem, de fato, é ou não especialista, é ou não médico regulamentado. Isso vale não só para a Medicina, mas vale para a Fisioterapia, vale para a Enfermagem, vale para todas as áreas em que há essa fiscalização por parte dos conselhos profissionais.
Nesse quesito, hoje nossos conselhos não estão satisfeitos em fazer esse trabalho, digamos assim, cartorial. Nós passamos dessa etapa. Não me lembro quem citou, acho que foi o Dr. Eduardo, hoje regulamentamos inclusive como o médico deve atuar e damos as ferramentas para eles poderem atuar. No período da pandemia, nós criamos… No Rio de Janeiro, inclusive, eu diria que é o projeto de receita digital mais amplamente difundido do nosso país. Enquanto o modelo nacional, digamos assim, que o Conselho Federal estabeleceu tem na casa de dois a três milhões de documentos emitidos, nós estamos em 15 milhões, talvez até muito mais que isso agora enquanto estou falando com vocês. Por quê? Porque nós conseguimos, no momento da pandemia, em que ninguém tinha acesso a um médico, em que as pessoas estavam trancadas em casa e não conseguiam às vezes sequer procurar o pronto-socorro, porque estava lotado de pacientes com Covid-19, nós demos essa ferramenta que foi a receita digital. Depois evoluímos para o prontuário digital. Então, hoje, o médico que está inscrito no meu Conselho tem esses dois serviços gratuitos, inclusos na anuidade que ele paga, regulamentados, dentro dos ditames éticos, corretos e técnicos em que deve existir esse tipo de sistema, garantindo a segurança desses dados, que não são comercializados com terceiros, são dados que pertencem ao paciente, sob cuidados do médico.
Nós garantimos esse acesso para o colega poder exercer sua profissão. E evoluímos mais ainda com a telemedicina, que tentamos regulamentar durante anos e conseguimos regulamentar de fato depois da pandemia, que nos dá essa ferramenta. Hoje, não preciso esperar esse paciente que demanda um procedimento chegar ao nosso país para fazer a consulta. Esse paciente pode se consultar à distância, eu posso avaliá-lo inicialmente, ter uma ideia do que vou encontrar e, com isso, planejar o trabalho que vou executar em nosso país com aquele paciente. Mas isso pode parecer uma coisa simples, que fazemos como quem anda de bicicleta. Desculpa, não é? Para fazer isso, para poder regulamentar isso, é necessário o trabalho de colegas pensando, refletindo, revisando os casos de sucesso e de insucesso para podermos estabelecer para que os colegas trabalhem dentro da ética e da correção. Para proteger quem? Proteger vocês, proteger a sociedade da atuação incorreta e antiética de colegas que, infelizmente, podem eventualmente agir.
Não paramos por aí. Nós também trabalhamos com educação médica continuada. Como o Dr. Rômulo colocou muito bem, precisamos que esses profissionais estejam cada vez mais habilitados e capacitados para atuar. Se você olhar hoje o Instagram, vai encontrar cursos de tudo, desde curso de fazer bolo até curso de cirurgias complexas. Aprender não é uma coisa assim tão banal. Não podemos banalizar você aprender a tratar uma pessoa, executar um procedimento complexo como uma coisa que você simplesmente consome como consome um conteúdo de rede social. Nesse quesito, também participamos. Provemos educação continuada para nossos colegas e, junto com as sociedades de especialidade, conseguimos fazer esse trabalho de prover uma informação de qualidade, que vai aperfeiçoar nossos colegas para que eles ofereçam um atendimento de qualidade para a população.
Infelizmente, não basta termos uma regulamentação, o registro e a formação. Infelizmente, haverá aqueles que sairão da correção, que cometerão aquele famoso, que eu acho horrível a expressão, que seria o “erro médico”. Não diria erro médico, intercorrências ocorrem em qualquer tratamento. Cirurgias complicam, tratamentos, “não”, dão errado, pacientes sofrem lesão. Isso faz parte. Mas nós precisamos, de alguma forma, avaliar onde está a razão. Foi aquele profissional que agiu de forma incorreta, que não era capacitado e executou um ato de forma irresponsável, ou esse paciente de fato teve uma complicação que é prevista de ocorrer em um tratamento?
É preciso que alguém avalie isso e, nesse ponto, entram novamente os conselhos profissionais. Nós temos a função de fiscalizar colegas e entidades médicas, instituições de saúde, para garantir que eles funcionem de acordo com as normas. Porém, nós também atuamos posteriormente, quando avaliamos esses atos médicos para ter certeza de que eles corresponderam à ética, ou para punir aqueles que não corresponderam. Isso é importante porque precisamos afastar do nosso meio o profissional que não protege a população, o profissional irresponsável que vai causar dano. Se esse profissional continuar agindo livremente, ele vai “queimar o nosso filme”, literalmente. Internacionalmente, não preciso citar casos, mas já houve, na nossa cidade, colegas que infelizmente operavam dentro do próprio apartamento, realizando atos escabrosos com pacientes dentro das unidades de saúde sob seus cuidados. A gente não pode aceitar esse tipo de coisa, e cabe não apenas ao nosso Judiciário aplicar punições a esses colegas, mas também aos nossos conselhos, para que todo esse ecossistema de que estamos falando aqui possa florescer.
Nós, como conselho, vemos de forma muito favorável, inclusive, a questão da estética e do cuidado de saúde. Vou lembrar que, na minha própria área, uma área que está crescendo muito, a anestesia para tatuagem, quem imaginaria que aquela tatuagem que as pessoas faziam, sofrendo horas para realizar o procedimento, hoje em dia pode ser feita sem dor? Podemos prover ao usuário uma tatuagem extensa, que pega as costas inteiras, sem que ele sinta dor. Conseguimos fazer isso com muita qualidade. Nossa anestesia é reconhecida internacionalmente como de baixo risco e, melhor ainda, com um preço muito menor do que nos Estados Unidos e na Europa, onde esse serviço já existe. Estamos falando aqui de um custo de mais de U$ 50 mil por cada procedimento lá fora. No Brasil, com R$ 250 mil, você quase compra uma clínica para realizar esse tipo de procedimento. Então, precisamos fornecer, como instituição pública, as condições para que esse mercado floresça, ao mesmo tempo em que nos cabe fiscalizar para proteger a todos.
Agradeço, obrigado.


O SR. ROBERTO MIURA – Boa tarde.
Quero, novamente, cumprimentar o nosso Vereador Rocal. Agora, estou aqui representando a Associação dos Hospitais, trazendo um abraço do Dr. Marcos Quintela, que é o nosso presidente. Cumprimentando o senhor, cumprimento as autoridades aqui presentes. Vou ser breve, porque o Ricardo já está preocupado com o horário ali, viu, Roberto? Não é só com você que ele implica, está vendo?
Vou falar rapidamente, Vereador, sobre um tema que é do Cremerj. O Cremerj foi muito proativo em relação ao turismo médico, já criou um grupo de trabalho para uma eventual Câmara Técnica de Turismo Médico. Acho que o Dr. Lymark é um potencial convidado para debater com a gente sobre as questões éticas dos médicos no turismo médico. Estou tomando a liberdade aqui, Presidente, de falar em nome do Cremerj.
Vou falar um pouco da epidemiologia, só para termos uma noção do mercado. Vereador, o Brasil recebeu 6 milhões de turistas no ano passado. Entre 2,5% a 5% desses turistas precisaram de atendimento médico de urgência. Eu sou médico, sou ruim de matemática, então vou fazer a conta com 5% só para facilitar. 5% de 6 milhões são 300 mil atendimentos médicos de urgência no Brasil no ano passado. O tíquete médio é de U$ 3,5 mil a U$ 5 mil. Multiplicando U$ 5 mil por 300, temos U$ 1,5 bilhão por ano em atendimento de urgência a turistas no Brasil. É um mercado que não podemos desprezar nem tratar de qualquer maneira. É uma grande indústria que o Brasil não está sabendo explorar direito. O Rio de Janeiro recebeu 1,5 milhão de turistas, segundo a Roberta. Se você fizer a conta, são 50 mil atendimentos médicos por ano. Multiplicando por U$ 5 mil, temos U$ 250 milhões apenas no Município do Rio de Janeiro. É muito dinheiro que não estamos sabendo explorar, não estamos sabendo trabalhar esse dinheiro em prol da nossa sociedade.
E aí, trago aqui dois desafios, vereador. Em nome da Associação dos Hospitais, estou aqui com as autoridades municipais, o Bruno, e o vereador. Um deles não é sobre turismo, mas sobre saúde. A saúde é o quinto maior empregador do Brasil e está fora da lei de desoneração dos 17 setores que mais empregam no Brasil. Eu sei que esse debate é federal, mas se começar um debate aqui, nós vamos provocar: por que a saúde não está na desoneração da folha.
O segundo desafio é na área do turismo médico. Quando a gente vai para a França, a gente tem que fazer um seguro de saúde por conta da Convenção de Schengen. Por que o francês, quando vem pra cá, não tem que ter seguro de saúde? Se ele tiver uma emergência, tem direito a usar o SUS sem nenhum ônus para ele? Ele tem direito a usar o SUS por uma questão humanitária, mas tem que ter um ônus financeiro por isso, não é? Isso não desagrega valor no turismo. Acho que é uma questão de reciprocidade, como tem o visto pra gente entrar nos Estados Unidos, tem uma questão de reciprocidade. Acho que o seguro de saúde pode ser uma reciprocidade também para o turista que vier pra cá visitar nosso estado.
Um último comentário que vou trazer aqui para a Roberta e para o Bruno: é um dado epidemiológico também, só pra gente conversar sobre hotéis, já que o hotel não está aqui presente, mas a gente tem participado muito de debate em hotéis.
Eu sou urologista: 0,5% da população masculina no mundo vai ter câncer de próstata. Os Estados Unidos têm 300 milhões de habitantes. Vamos dizer que metade é homem – 150 milhões. E 1% de 150 milhões dá 1,5 milhão, não é isso? Se a gente pegar 10% de 1,5 milhão, dá 150.000. E 1% de 150.000 dá 15.000 pacientes com câncer de próstata.
Vamos pegar 1% do câncer de próstata americano e trazer para operar no Brasil: são 1.000 pacientes de câncer de próstata para ficar aqui todo mês, de dezembro a dezembro, sendo operados no Rio de Janeiro. Não tem sazonalidade, porque o hotel trabalha com sazonalidade – Carnaval, réveillon. O câncer de próstata não tem isso, todo mês vão vir 1.000 pacientes, e só na próstata. Se a gente falar em bariátrica, plástica, olha o volume de hospedagem que a gente vai ter de uma forma permanente e perene. Eu queria tocar nesses três assuntos.
Quero agradecer mais uma vez ao Ricardo pelo convite. Vou dar um abraço no Felipe aqui. Cadê o Felipe? Falei tanto do Felipe. Eu não posso deixar de dar um abraço no Felipe no último momento aqui. Felipe não vai querer mais falar comigo depois.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Parabéns, obrigado. Para fechar, eu fiz questão de convidar o Bruno Matos para participar desse painel em agradecimento a tudo que a Secretaria Municipal de Turismo aqui da Cidade do Rio de Janeiro, na figura da nossa Secretária Dani Maia, vem fazendo em parceria com a Comissão de Turismo da Câmara de Vereadores. Então, Bruno, leve meu abraço a Dani. Agradeço por sua presença.
Agradeço a cada um dos membros desse painel maravilhoso. Toda família sempre tem um metido a médico, não é? Quer dizer, quem é médico vai ter por vocação, mas quem não é da área médica... Lá em casa o metido a médico sou eu. Pode ser um dedinho. Ontem mesmo estava lá passando sebo de carneiro no pé da minha mãe. Minha mãe: “meu pé está doendo”; vamos passar sebo de carneiro.
Brincadeiras à parte, quão importante é um evento como esse, em que a gente realmente ganha muito conhecimento por conta de estar no meio. Quando o Doutor Miúra diz que ser protagonista, a Comissão de Turismo está fazendo isso agora. Estava muito focado na questão das belezas naturais, Carnaval, réveillon e Rock in Rio, e hoje nós estamos aqui falando exatamente de turismo e saúde. É uma honra pra mim.
Muito obrigado.
(PALMAS)

A SRA. CAROLINA NAVARRO – Bem, agora para o último momento desse evento, convidamos o Senhor Felipe Kaneno, gerente de assuntos internacionais e corporativos do Hospital Sírio-Libanês, da Cidade de São Paulo, para sua apresentação.

O SR. FELIPE KANENO – Muito bem. Fui citado algumas vezes. Acho que eu criei expectativas e espero contribuir com o evento de vocês. Felicito também Ricardo e todos os presentes, porque essa é uma iniciativa que eu não vejo em São Paulo. E eu vejo realmente um interesse muito genuíno do Estado do Rio de Janeiro em promover turismo médico.
Então, começo minha fala parabenizando pelo encontro e pela importância do tema. Espero poder ver essa iniciativa em outros estados também, como São Paulo.

(Inicia-se a apresentação de slides)

O SR. FELIPE KANENO – No Sírio-Libanês, nós temos uma estrutura voltada para o atendimento ao cliente internacional, e vou detalhar um pouco sobre isso para vocês. O Sírio-Libanês já é uma instituição centenária, composta por mulheres das comunidades síria e libanesa que, ao chegarem ao Brasil, desejaram angariar fundos para abrir um hospital devido ao acolhimento que receberam aqui. Tudo começou por um conselho de senhoras, e até hoje o hospital é gerido por mulheres. Temos gerentes, diretores, presidentes, presidente médico, todos reportando a um conselho de mulheres até o dia de hoje. Temos muito orgulho dessa história e do fato de ter sido uma instituição lançada e idealizada por estrangeiras, que hoje atende ao público internacional.
O Sírio-Libanês é uma instituição filantrópica. Muito se fala sobre o Sírio-Libanês e outros excelentes hospitais como sendo muito caros ou para poucos, mas, na realidade, é uma instituição filantrópica que mantém muitas iniciativas vinculadas ao SUS e ao desenvolvimento do sistema público de saúde.
O Sírio-Libanês tem uma história muito pioneira, o que nos tornou referência em temas de saúde tanto no Brasil quanto na América Latina. Trouxe alguns exemplos disso: o Sírio foi a primeira instituição a contar com o serviço de radioterapia na América Latina; nós fomos também o primeiro hospital a ter serviço de terapia intensiva no Brasil; e, em 2000, realizamos a primeira telecirurgia guiada por robô de todo o hemisfério sul. A gente fala disso com muito orgulho, por pensar que nós tivemos esse pioneirismo de trabalhar com essa tecnologia aqui no Brasil em comparação a todos os outros países do hemisfério sul. Tivemos também a criação do primeiro centro de treinamento em cirurgia robótica e a criação de uma escola de transplantes. Em 2017, um pouco mais recentemente, tivemos o primeiro PET-SCAN digital do Brasil.
Por conta das diversas certificações que atestam nossa qualidade assistencial, o Sírio-Libanês é acreditado pela JCI e tem o selo da ASCO Certification, voltado para oncologia. Foi a oitava instituição na América Latina a contar com esse selo e o primeiro grande hospital no Brasil a ter essa certificação, que avalia processos de oncologia de maneira bastante criteriosa. Além disso, temos diversos outros selos. Não vou percorrer por todos aqui, mas cito e reforço com muito orgulho o selo Women on Board, que reforça nossa gestão feminina e o cuidado perceptível em nossos serviços.
Em grandes números, o Sírio-Libanês tem nove mil colaboradores, três unidades em São Paulo, quatro unidades em Brasília, três mil médicos no corpo clínico e muitas unidades de saúde populacional. Posso dizer isso aqui porque já está na mídia, mas em breve teremos unidades no Rio de Janeiro, de atenção primária, vinculadas a corporações. Atenderemos a mais de 400 mil vidas em atenção primária e estamos muito felizes de trazer essa notícia de que teremos serviços no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, tenho grandes números. Na unidade da Bela Vista, com 586 leitos operacionais. Esse é o nosso principal complexo, com 26 salas cirúrgicas, 149 leitos críticos, a nossa principal estrutura e o nosso principal parque tecnológico. Em Brasília, chegamos há 12 anos, começando com um centro de oncologia e diagnósticos, e em 2019 abrimos nosso complexo hospitalar, atualmente com 105 leitos operacionais, cinco salas cirúrgicas e 25 leitos críticos. Trouxemos para o cenário de Brasília a mesma qualidade assistencial observada em São Paulo, com os mesmos padrões, certificações e tecnologias, como a cirurgia robótica. Fomos a primeira instituição em Brasília a contar com esse serviço e o primeiro hospital acreditado pela JCI na região Centro-Oeste, realmente trazendo a qualidade assistencial de São Paulo para a região de Brasília.
Trouxe exemplos da cirurgia robótica, um pouco das nossas acomodações e, enfim, a gente pode falar sobre o cliente internacional. Temos uma população de 12 milhões de habitantes em São Paulo e três milhões em Brasília. Quando pensamos no Rio de Janeiro, temos aqui quase sete milhões de habitantes na cidade – 16 milhões pensando em Estado. Agora, fazendo um comparativo com outros países de América Latina, pense nesses grandes números: 12 milhões em São Paulo; seis milhões no Rio de Janeiro.
A gente tem países como Uruguai, por exemplo, com 3,5 milhões de habitantes em todo o país. Quando a gente pensa no Paraguai, a gente tem aproximadamente sete milhões de habitantes; Bolívia com 12 milhões de habitantes.
Percebam e reflitam a respeito disto: em São Paulo ou no Rio de Janeiro, a gente tem uma população que é compatível com países vizinhos, só que com a Medicina que observa muito mais casos, muito mais pacientes doentes quando a gente compara com esses países. Nós temos médicos mais capacitados, mais experientes e que, com maior freqüência, observam diagnósticos de alta complexidade. Por essa razão, a gente tem muitos pacientes de América Latina viajando para atendimento no Brasil.
É muito interessante a gente fazer esse paralelo porque a gente falou sobre pacientes americanos viajando para cá, pacientes da África viajando para cá, mas vejam como existe um potencial gigantesco para trabalhar o mercado de turismo de saúde e pensar que, nesses países vizinhos, não estão disponíveis algumas tecnologias que nós temos aqui, e eu cito exemplos: no Uruguai, com 3,5 milhões de habitantes, existe apenas um equipamento de... para o país inteiro. O Sírio tem dois. Na Avenida Paulista, acredito que temos 12, e a gente está falando só de uma cidade, de uma avenida, de um bairro de São Paulo, então imaginem que este paciente viajante ele não viaja apenas para alta complexidade, ele não viaja apenas para procedimento cirúrgico, ele viaja para procedimentos diagnósticos, ele viaja para uma segunda opinião médica.
É interessante observar que a gente não precisa focar exclusivamente no procedimento de alta complexidade, naquele paciente que vai representar de repente um custo ou uma receita hospitalar muito expressiva, mas ficar atento também a esses outros pacientes que vêm para procedimentos teoricamente mais simples, já que não necessariamente eles estão disponíveis nesses países vizinhos. Pensando numa população total, a gente acessa, só na América do Sul, 422 milhões de habitantes versus 215 que temos no Brasil. A gente pode, sim, olhar o mercado nacional, os viajantes de outros estados que estão buscando atendimento médico. Contudo, uma vez que a gente pensa no turismo médico, a gente está acessando, só na América do Sul, uma população de 422 milhões de habitantes que já reconhecem o Brasil como um centro de excelência, já reconhecem as instituições brasileiras como referência para esse cenário de saúde.
Enquanto setor, pensando em relações internacionais, a gente tem diferentes perfis de clientes. Primeiro deles é o nosso objeto aqui que é o estrangeiro em viagem para o Brasil. Segundo, nós temos estrangeiros residentes no Brasil. Aqui, no Rio, vocês têm muitos exemplos disso, consulados que estão, por exemplo, alocados no Rio de Janeiro e que são expatriados vivendo aqui e exercendo atividade profissional. Será que estamos preparados para atender esses residentes estrangeiros? Será que os nossos hospitais, clínicas, centros diagnósticos estão olhando para esse perfil de clientes que já residem no Brasil?
Temos também os brasileiros com seguros internacionais, e esse também é um movimento crescente em que cada vez mais brasileiros entendem que é interessante contar com a possibilidade de sair do país para um procedimento, sim, mas também pensar que existem muitos brasileiros viajantes e que médicos precisam contratar seguro-viagem, um diretor de empresa precisa contratar um seguro viagem. Também passam a perceber que é relevante contar com um seguro de saúde internacional, ele pode utilizar em território brasileiro e pode também utilizar no exterior sem a necessidade de obrigatoriamente contar com o seguro viagem, pois já conta com uma apólice vitalícia de seguro de saúde.
Aqui a gente traça esse mercado potencial e aqui é o que a gente entende como cenário de relações internacionais. Vale a pena fazer um recorte aqui, pois os estrangeiros em viagem ao Brasil podem ter diferentes propósitos. Então, pensando em turismo médico, é aquele paciente que viaja com o objetivo de realizar um atendimento médico, não é uma viagem por turismo que gera uma necessidade de saúde, certo? Aqui também esse ponto de atenção, porque nos traz possibilidades de trabalhar diferente esse paciente que viaja com o propósito específico de um procedimento médico.
No Sírio Libanês, então, nós temos habilitação com 72 seguros de saúde internacionais, com o objetivo de facilitar essa vinda e esse processo burocrático do paciente enquanto ele está em tratamento. Por meio dos seguros internacionais, então, ele garante uma cobertura, não tem nenhuma despesa no hospital, tem a parte de honorários médicos todas cobertas pelo convênio e, por consequência, esse perfil de paciente não se importa em ficar num excelente hotel, em contar com atrações de turismo, usar os melhores restaurantes disponíveis porque ele não está gastando nada no hospital. Isso representa hoje para nós 60% dos clientes internacionais; outros 40%, então, realmente pagam pelo tratamento e precisam de opções econômicas para a rede hoteleira, econômicas de alimentação... Então, vejam que existe uma distinção desses dois públicos.
Nós temos também parcerias com hospitais na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai, ou seja, não apenas o paciente buscando, nós temos também hospitais que são afiliados ao Sírio-Libanês e que direcionam esses pacientes de alta complexidade para o Sírio, ou seja, se eles não têm uma equipe que de repente tenha experiência em algum diagnóstico, não têm um equipamento cirúrgico necessário, eles mandam esses pacientes para o Sírio.
Temos também acordo com 15 consulados e embaixadas, até para atender esse público de expatriados, mas algumas dessas instituições, inclusive, captam pacientes que precisam de algo específico, não disponível no país de origem, e mandam para o Sírio-Libanês.
E fazemos também a gestão de casos médicos, que é aquele paciente que não conhece nenhum médico no hospital, não tem uma referência, um médico já renomado naquele diagnóstico e busca o Sírio. Então, nós temos mecanismos institucionais para selecionar aqueles profissionais que são mais indicados, mais capacitados ou mais experientes em algum diagnóstico.
Nós temos dois escritórios exclusivos com uma equipe dedicada ao atendimento internacional, um dentro do hospital e nesse ano nós inauguramos uma oficina, um escritório, dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos, para fazer um primeiro acolhimento a esse paciente viajante, ou seja, desde o desembarque nós temos um escritório no aeroporto para poder acolher esse paciente e facilitar opções de traslado, facilitar agendamentos, verificação de coberturas, além de uma equipe de hospitalidade com 48 concierges só na estrutura de São Paulo. Em Brasília, temos mais 10, 12 concierges, ou seja, são profissionais que, independente da minha atuação enquanto comercial, vão acompanhar esse paciente durante a jornada, vão poder assessorar esse paciente em questões idiomáticas e também oferecer esses serviços que são extra-hospitalares. Esse paciente vai ser acompanhado, vai ser conduzido e terá garantida uma boa experiência para esse atendimento.
Em termos de especialidades, o Sírio recebe principalmente casos de oncologia, cardiologia e neurologia e com os principais serviços de radioterapia, os exames avançados, hemodinâmica, cirurgia robótica, segunda opinião médica e também check-ups em saúde. Então, pacientes que viajam especificamente para fazer uma bateria de exames e muitos brasileiros que moram no exterior e que retornam exclusivamente para a realização de check-ups médicos e aí entra a questão do valor, eles percebem que é muito mais vantajoso pagar por uma passagem, pa
gar hospedagem, aproveitar para ver familiares e fazer todos os exames aqui no Brasil ao invés de realizar esses procedimentos no exterior.
Nas nacionalidades mais atendidas, então, a gente tem principalmente América Latina como originadores de atendimento, mas também muitos atendimentos prestados aos Estados Unidos, Europa, alguns pacientes de Angola, como foi citado e a gente percebe uma questão mercadológica interessante aqui porque Angola já foi o nosso número 1 de pacientes encaminhados, só que eles começaram a utilizar outros países. Angola atualmente vai muito para Portugal, vai muito para a África do Sul e vai muito para a Turquia. E quando foi, então, que nós perdemos a mão? Por que eles passaram a buscar outros serviços? Por que eles não estão mais contando com a mesma intensidade com o Brasil, que tem o mesmo idioma e indo para a Turquia, para um local teoricamente desconhecido?
Então, é esse o ponto de reflexão e inclusive a importância de estarmos reunidos aqui hoje porque essa é uma questão, inclusive, de poder acessar outros mercados e continuar desenvolvendo porque outros países e outros mercados de saúde também estão olhando para esse mesmo cliente, que é o ponto de discussão hoje.
Voltando um slide aqui, observem que nós temos clientes japoneses em atendimento. O Sírio foi o primeiro hospital aqui no Brasil, e o primeiro hospital inclusive da América do Sul, a contar com um desk de atendimento em japonês. Nós temos um serviço concierge voltado paro público oriental.
A gente passou, em três anos, de 100 atendimentos anuais ao público japonês para 600 atendimentos anuais ao público japonês. Imaginem que a gente tem executivos aqui que não falam português, não falam inglês e precisam de uma orientação e ajuda no idioma nativo. Então, é muito interessante observar o quanto a questão idiomática nos apoia e nos auxilia, inclusive nesse processo de captação de pacientes.
Nós criamos no ano passado uma nova página com conteúdos em espanhol. Isso era um incômodo pessoal que eu tinha, porque todas as comunicações do Sírio eram feitas no idioma inglês, e nós não tínhamos comunicação em espanhol, sendo que 90 % dos estrangeiros que acessam o hospital falam o espanhol como idioma nativo. Então, aqui também fica o convite para todos observarem quais são essas principais nacionalidades que atualmente vocês recebem aqui no Rio e o quanto a gente está preparado para essa comunicação.
Estou falando do site, mas e o contrato de prestação de serviços? E o termo de consentimento cirúrgico, pré-anestésico, ou quando vou fazer um procedimento de diagnóstico que envolve qualquer tipo de contraste ou num quimioterápico que tem diversos riscos associados ou possibilidades de intercorrência de aplicação de um quimioterápico? Toda essa documentação vista pelo paciente também precisa, até por uma questão jurídica e legal, para respaldo da instituição e muita clareza para o paciente também, para que ele conheça os riscos desse tratamento a que ele está sendo submetido.
Com muita alegria trago para vocês que nesse ano nós inauguramos, então, o nosso escritório dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Por meio disso, nós conseguimos atuar em um horário expandido. Estamos atuando desde as 6h da manhã até as 23 h. Antes estávamos em horário comercial, agora a gente tem um horário ampliado de atuação, inclusive em finais de semana. Isso faz com que, por exemplo, seguros de saúde e seguros de viagem que têm uma necessidade ou algum viajante que precisa de um encaminhamento podem contar com hospital, inclusive nos finais de semana, sem a necessidade de uma intervenção comercial.
Ele já tem disponível um atendimento em outros idiomas e uma equipe que vai direcionar esse paciente e também esse seguro viagem para que ele percorra com facilidade o serviço de saúde. Dentro desse setor, então, isso replica o que a gente faz na estrutura hospitalar. Nós verificamos cobertura, agendamos consultas e procedimentos. Apoiamos a admissão do paciente, auxiliamos no processo de transferência bancária, realizamos orçamentos para os procedimentos que vão ser realizados no hospital, fazemos a coordenação de traslados médicos internacionais, emitimos documentos que são necessários para o processo de reembolso desse paciente.
Temos também processo de indicação de hotéis que podem ser utilizados e já validados, tanto pela nossa área quanto pela hospitalidade, e que estejam próximos desse circuito, próximos das nossas localidades do hospital; além da gestão de casos médicos junto com a governança clínica do hospital. É uma maneira de a gente prestar um primeiro acolhimento e fazer esse receptivo direto no aeroporto, garantindo muito mais conforto, muito mais segurança para esse paciente.
Voltando com aquele cenário, imaginem um uruguaio que mora num país com 3,5 milhões de habitantes e chega a São Paulo que, sozinha, tem 12 milhões de habitantes – é outro cenário. Ele não imagina que vá levar uma hora para sair do aeroporto e chegar ao hospital e que pode se atrasar na consulta médica se não pensar nisso. Então, são algumas orientações e alguns critérios que, para esse paciente que vem de localidades menores, são mínimas, mas são relevantes. Eles não imaginam que vão se deparar com um cenário e uma realidade muito diferentes dos que eles têm hoje.
Aqui eu personifico para vocês um pouco dessa equipe. Hoje a gente tem a maior equipe de relações internacionais no Brasil. São 13 pessoas dedicadas ao cliente internacional, somadas aos 48 concierges que a gente tem dentro da instituição. Essa é uma equipe que mantém contato direto com os seguros de saúde internacionais que viabilizam essas coberturas e também fazem todo esse planejamento financeiro para o hospital.
É muito interessante a gente ver os caminhos possíveis. A gente não tem, por exemplo, sendo muito franco com vocês... eu não tenho empresas de transporte articuladas nesse processo. Eu não tenho acordos comerciais com hotéis. Eu tenho uma validação de hotéis que a gente já visita previamente. Eu entrego 20 hotéis de opção para esse paciente. Eu não faço nenhuma reserva, mas, até para que a gente permaneça isento nesse processo. Mas por que não uma agência que possa se responsabilizar ou apoiar esse paciente? A mesma questão com restaurantes ou com opções em museus. Então, aqui são muitas etapas que a gente sabe que pode percorrer e que a gente fica muito feliz em poder desenvolver esse mercado. A gente sabe que potencial médico, potencial em estrutura, potencial em turismo tradicional, como é o Rio de Janeiro, com belezas naturais e muitos eventos, isso a gente tem. O que a gente precisa é conseguir mostrar isso para o exterior. E a gente, no Sírio, faz nas condições que temos, mas é muito importante esse envolvimento de outros agentes, de outras esferas do turismo, que não apenas uma organização hospitalar.
Esse é um vídeo, eu não sei se a gente consegue passar. Isso, exato. Ele tem som.

(Exibe-se o vídeo)

(PALMAS)


O SR. FELIPE KANENO – Obrigado. Tem um último slide na sequência com alguns dos desafios, então. E essa é a minha perspectiva, na minha realidade do Sírio-Libanês. Acredito que vocês tenham outras vivências e possam até complementar esses desafios, mas o primeiro deles, que eu coloco, é a organização de agentes.
Nós vemos países como, por exemplo, a Tailândia, que se organizam e se mobilizam em torno do turismo médico. Na Tailândia, por exemplo, o governo tem uma relação com mais de 20 hospitais e o próprio governo direciona os pacientes que desejam atendimento lá. O Bumrungrad é um desses principais hospitais e 70% dos casos hospitalizados são pacientes estrangeiros. Imaginem esse cenário, essa realidade: 70% dos clientes hospitalizados são estrangeiros. Então, é com esses players e com essa organização, não apenas do hospital, mas também órgãos públicos que colaboram para esse processo, é com esses players que nós estamos aqui concorrendo.
Então, sim, o Brasil é mais econômico quando a gente pensa em Estados Unidos ou Europa, mas ainda assim a gente tem que ser mais econômico do que países asiáticos, inclusive, porque esses pacientes dos Estados Unidos também saem para outras localidades. E digo mais, são muito mais acostumados desde já a irem para outros países e não para o Brasil. Então, eu coloco a nossa realidade do Sírio-Libanês, em que a gente recebe muitos pacientes da América Latina, e ainda assim somos vistos como um hospital caro para a América Latina, enquanto a gente começa a receber alguns casos da América do Norte.
Nesse ano, por exemplo, a gente recebeu, inclusive foi um caso de transplante, um paciente canadense para realizar um transplante no Brasil. E para nós também foi um marco muito importante, porque veio a questão regulatória. Eu precisei traduzir todos os meus documentos, não para o inglês, como eu já tinha, mas também para o francês, porque ele falava francês, não falava inglês. Então, a gente precisou construir algumas questões internas para poder viabilizar isso. E, mais importante ainda, era um doador vivo e a gente precisou respeitar todas as premissas do SUS para poder realizar um transplante. Existem, sim, questões regulatórias que são muito sensíveis e a gente precisa ter tanto esse interesse genuíno em seguir em frente, não se deixar, de repente desistir, porque a gente percebe que é um caminho longo, mas, uma vez que ele acontece, o movimento é contínuo.
Esse paciente canadense veio, porque um amigo dele se tratou conosco, quando ele estava em um compromisso aqui no Brasil, em São Paulo, e ele passou mal e precisou do Sírio-Libanês por uma razão de urgência-emergência. Então, é a mesma questão que a gente fala de estar em linha com a rede hoteleira, porque foi um paciente assim que originou um transplante posteriormente.
Então, imaginem como essa questão de prestar o acolhimento, de fazer essa boa impressão, prestar um bom serviço médico, e saber que dois anos depois esse paciente ainda se lembrava que ele foi muito bem-tratado no Brasil e que ele poderia voltar ou indicar para uma pessoa que estava necessitando naquela ocasião.
Então, esse é o ponto principal. A gente percorre aqui muitos outros desafios, como idioma, fluxo administrativo, receber em outra moeda, a educação dos próprios pacientes, porque, muitas vezes, eles não sabem como é a nossa cultura. Quando vocês conversam com pacientes africanos, a educação é outra. E não estou falando que é pior ou melhor. Os costumes são outros. E a gente precisa saber lidar com isso. A gente tem contato com pacientes indianos e existe uma questão machista na sociedade, e a gente não pode julgar que aquela criação, que aquela pessoa que a gente está recebendo não quer conversar com executivas do hospital, mulheres. Ele só queria conversar com executivos homens. E a gente não pode julgar esses valores. É a criação. Por mais que a gente entenda que pode ser diferente, que a nossa sociedade funciona diferente, existem questões culturais que acompanham esse paciente.
O engajamento do corpo clínico é muito importante também para que ele também se sinta confortável em receber um paciente estrangeiro. Dos 3.000 médicos que a gente tem, nós mapeamos 600 que falam outros idiomas. Então vamos trabalhar com esses 600 que se sentem confortáveis e seguros para atender um paciente estrangeiro.
O desenvolvimento de mercado, referência e contrarreferência, também é um ponto importante. Eu estou recebendo esse paciente, quando ele voltar para o país dele, como ele vai ser recebido? Os protocolos que eu sigo serão também mantidos quando ele voltar para o país dele? Existem, na região, as drogas, as medicações que ele precisa utilizar ou eu preciso prescrever alguma coisa diferente, porque não está disponível no país dele? Então, não apenas sermos uma referência de saúde, mas termos as contrarreferências e poder também orientar e indicar outros hospitais no exterior para que ele faça o procedimento complexo conosco, mas possa voltar e ele não fique dependente de um serviço de saúde por meses, só porque nós não temos uma contrarreferência.
Então, essa é minha mensagem. Eu faço o convite para todos vocês também para que visitem o hospital. Se passarem pelo Aeroporto de Guarulhos, visitem também nosso escritório, serão muito bem-vindos. E, mais uma vez, eu parabenizo o espaço de vocês e também esse evento que está sendo formatado, porque isso é relevante.
Quero também ver esse mesmo encontro acontecendo em São Paulo, porque lá eu não vejo. Então, parabéns, parabéns mesmo. Obrigado.

O SR. RICARDO DA FONSECA – Eu vou só terminar um assuntozinho rapidinho e a gente vai fazer uma foto com todo mundo, um encerramento.
Eu acho que vocês viram o que a gente tem aqui, gente. Nós temos uma mina de ouro, mas não é uma questão mercantil. Nós estamos falando em algo além disso. Então, o que a gente vem trabalhando na nossa área, que é jornalismo, que é comunicação, e por isso que a gente tem agregado e chamado, quer dizer, enquanto o movimento dos médicos faz algo, enquanto os enfermeiros fazem algo, o dentista faz, o nosso papel... advogados fazem, o papel da comunicação é agregar as forças. Então, nós não temos a pretensão de ser ainda os melhores, nós estamos construindo, como já dizem alguns poetas, nós estamos construindo o caminho caminhando.
Então, uma das iniciativas que a gente está trabalhando hoje e isso tem muito a ver com o VisitRio, porque apoia na questão turística, mas a nossa relação... infelizmente, eu não pude fazer apresentação das minhas 77 páginas, porque estavam maravilhosas. E tem um dado lindo que foi um slide que o Rafael, que pode ser um Tiago, me mandou da Rio-Galeão.
Isso é garantido, porque é Rio-Galeão. Ele me apresentou num encontro que nós fomos do VisitRio um mapa do Brasil e um mapa do RIOgaleão apenas, e os destinos para Houston, Dallas e Uruguai. Tudo isso pra gente, em um nível internacional, é potencial de prospecção de trabalho. Mostrou um mapa, que eu ia mostrar, mas vou mandar para vocês, do Rio de Janeiro para o resto do país também. Porque, daqui a um tempo, vocês vão me desculpar, mas vocês vão estar em segundo lugar. No que a gente está trabalhando? Nós estamos desenvolvendo, também em uma consultoria da experiência do Visit Rio, uma publicação. A nossa proposta é ser a primeira publicação de turismo de saúde do Rio de Janeiro. A nossa negociação junto com o Visit Rio é para que, quem sabe, a gente consiga que o RIOgaleão compre a ideia e a gente possa distribuir essa publicação em alguns voos.
Então, nós estamos desenvolvendo uma ação de comunicação que é parte do processo. Tem o dever de casa da área médica, do Cremerj, dos hospitais. É um processo, que o Felipe colocou ali, bem detalhado, porque ele vivencia isso. Eu sempre falo, tenho estudado esse assunto, mas não tenho a vivência na área de saúde e nem vou ter. Quem vai ter vivência na área é esse pessoal que a gente trouxe pra cá, do Direito, porque não dá para fazer sozinho e não dá para esperar o outro fazer. É agora que a gente tem que puxar as pessoas para trabalhar.
A nossa equipe desenvolveu uma marca chamada Healthcare in Rio. Essa marca é que vai nortear todas as nossas ações de comunicação nacional e internacional. Por quê? Porque a comunicação tem que ser uma coisa de marketing, tem que ser uma coisa direta – não pode ser prolixa, como a Roberta é, tem que ser uma coisa mais objetiva. E nada como uma marca que fala do Rio, que fala de saúde e que seja suave. Então, nós estamos apresentando essa marca para vocês, para que entendam que não vamos parar e que cada um dos segmentos vai trabalhar.
Antes de passar a palavra ao meu querido amigo Rocal, quero de novo agradecer a presença de vocês. Acho importante quando nós conseguimos juntar pessoas que querem fazer alguma coisa por um lugar melhor.
Quero agradecer à equipe médica que está aqui, aos médicos, ao pessoal de Enfermagem, Fisioterapia, Direito, gestores, enfim, todo mundo que pegou seu tempo e trouxe aqui pra gente começar uma nova construção. A nossa preocupação não é dinheiro. Dinheiro todo mundo aqui já ganha trabalhando. É também dinheiro, mas é a gente poder oferecer o melhor que nós temos, que é esse sentimento de acolhimento, esse amor ao próximo, esse desejo de construir uma sociedade melhor. Então, agradeço de coração a presença de vocês e gostaria que o Rocal viesse aqui para encerrar o evento.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Antes, porém...
Essa voz... o Rômulo fala que eu tenho que cantar. É o que eu gosto de fazer, e essa voz ajuda. Queria chamar o Rômulo aqui, só para fazer um fechamento em nome da Comissão aqui da Câmara, que ele também coordena...
A importância de ser no Palácio Pedro Ernesto, nossa sede do legislativo municipal... Rômulo, rapidamente, suas considerações finais.

O SR. RÔMULO CAPELLO TEIXEIRA – Bem, mais uma vez, quero parabenizar o Vereador Rocal por ter comprado essa ideia. Quero agradecer a presença de todos que estão aqui hoje e por, principalmente, termos o privilégio de estar dentro de um Palácio, o Palácio Pedro Ernesto. Digo ainda que aqui nós temos o Visit Us, temos visitas guiadas, que são feitas diariamente. É um Palácio lindo, com um potencial histórico monstruoso, excelente, e nós recebemos essas visitas.
Ao mesmo tempo, quero colocar aqui, Doutor Felipe, se o senhor puder levar a São Paulo... É o seguinte, acho que isso que nós conseguimos fazer aqui, se vocês conseguirem levar para a Cidade de São Paulo também... Aqui eu tenho certeza de que o Vereador Rocal se coloca à disposição para formatar, para que as pessoas possam também entender o potencial que o Brasil tem. Nós temos que pensar em unidade, em federação. Então, isso é muito importante. Obrigado pelos conhecimentos que o senhor nos trouxe.
E aqui como um todo, eu costumo falar o seguinte: se você faz uma festa e não tem convidados, não faz sentido ter essa festa. Mas aqui hoje valeu muito, Vereador, em termos esse evento, porque esse público que teve hoje presente aqui, que está presente aqui, será um grande multiplicador de tudo que foi falado aqui. E o que nós mais precisamos é... Eu sou fã de um cara chamado Chacrinha: “Quem não se comunica, se trumbica”.
Então, verdadeiramente, eu acho que aqui nós nos comunicamos muito, essa galera presente aqui. E mais uma vez eu quero agradecer à Casa, a nossa Casa, a nossa Câmara dos Vereadores, todos os servidores que estão aqui presentes, que foram os facilitadores que nós tivéssemos esse evento, né? E ao senhor, em primordial. Como médico, eu me sinto muito honrado de o senhor ter aceito e feito esse evento maravilhoso com pessoas da primeira extirpe relacionados ao Turismo de Saúde. Então, ao senhor muito obrigado e parabéns por essa iniciativa.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Falou mais do que político.
Mas, na verdade, eu quero chamar aqui o Ricardo e chamar também aqui a Roberta, por favor. Nada disso seria possível se a idéia não chegasse. Então, Ricardo, Roberta, muito obrigado. É só agradecer. Obrigado pela oportunidade de trazer esse tema relevante para uma Casa de Leis, a Casa do Povo que não deixa de ser a representação maravilhosa da nossa cidade.
Então, considerações finais, 30 segundos.

A SRA. ROBERTA WERNER – Ele está fazendo esse bullying comigo, sabe por quê? Porque ele fala demais e eu corto. “20 minutinhos, né?”. Eu ‘É. Exatamente’. É a vingança.
Mas é isso. É só reiterar, realmente. Eu acho que foi como todos, né? Os nossos convidados, palestrantes aqui, presentes, visitantes colocaram. Ou seja, é só realmente um processo de muito entusiasmo, porque, no final das contas, a gente tem que fazer tudo, não só com muito otimismo, mas com entusiasmo. Eu acho que realmente a gente sai daqui com a nossa cabeça muito provocada por idéias. E essas ideias realmente podem fazer com que se transformem sonhos em realidade.
Então, muito obrigada, Ricardo, por essa parceria e por trazer pessoas de tanta importância, não só de conteúdo, mas realmente de uma importância e de um valor significativo para o nosso projeto.
Muito obrigada a todos vocês.
(PALMAS)

O SR. RICARDO DA FONSECA – Ela falou menos. Posso pegar os 10 dela? Não, já tinha falado, gente. Eu só quero reforçar é que a gente está muito grato. Eu não costumo citar nome, porque é um hábito, mas assim, as pessoas sabem por quem a gente está grato por terem acolhido a gente nesse processo, ok? Estão no coração e a gente está junto, aí, ok? E obviamente, cara, agora, agradecer ao Rocal, que, às vezes, a gente acaba sendo injusto quando a gente não cita nome, mas quando cita também. Mas quem me conhece sabe que as pessoas que eu estou grato estão no coração, inclusive nosso querido vascaíno e futuro flamenguista.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Eu já estou vendo duas marcas na verdade: Health Care em São Paulo e Visit São Paulo. A parceria.
Agradeço a presença de todos, aos assessores, à Comissão de Turismo, a comissão técnica da Câmara municipal, às autoridades presentes que compareceram a esse debate público e dou por encerrado.
Muito obrigado. Boa tarde.
Eu queria convidar a todos para aquela foto oficial aqui do Painel.
Ainda acabei esquecendo de uma coisa importante, só para lembrança. Na tarde de hoje, a Câmara volta de recesso, a Comissão de Turismo vai dar entrada no projeto de lei que vai ser apreciado pela Câmara dos Vereadores.

(Encerra-se o Debate Público às 12h58)