Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da FRENTE PARLAMENTAR DESTINADA A PROMOVER ESTUDOS E DEBATES ACERCA DA TRICOTILOMANIA

REALIZADA EM 12/12/2023


Íntegra Debate Público :

FRENTE PARLAMENTAR, INSTITUÍDA PELA RESOLUÇÃO DA MESA DIRETORA Nº 11.790/2023, DESTINADA A PROMOVER ESTUDOS E DEBATES ACERCA DA TRICOTILOMANIA

DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 12 DE DEZEMBRO DE 2023

(Estudos e Debates Acerca da Tricotilomania)

Presidência do Sr. Vereador Dr. Rogério Amorim.

Às 14horas, no Auditório Vereador Aarão Steinbruch, sob a Presidência do Sr. Vereador Dr. Rogério Amorim, tem início o Debate Público da Frente Parlamentar instituída pela Resolução da Mesa Diretora nº 11.790/2023,

destinada a Promover Estudos e Debates Acerca da Tricotilomania.

O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Bem, pessoal, boa tarde.

Dou por aberto o Debate Público da Frente Parlamentar Destinada a Promover Estudos e Debates Acerca da Tricotilomania, de acordo com a Resolução da Mesa Diretora nº 11.790/2023, sob minha presidência e constituída pelos seguintes vereadores signatários: Átila Nunes, Carlo Caiado, Celso Costa, Dr. Carlos Eduardo, Dr. Gilberto, Dr. João Ricardo, Eliseu Kessler, Inaldo Silva, Jair da Mendes Gomes, João Mendes de Jesus, Luciano Medeiros, Marcelo Arar, Marcelo Diniz, Márcio Santos, Matheus Gabriel, Prof. Célio Lupparelli, Rosa Fernandes, Tânia Bastos, Veronica Costa, Waldir Brazão e Willian Coelho.

Queria agradecer a presença de todos vocês. Queria agradecer à Fabiana por ter nos trazido esse tema fundamental. Mais um tema envolvido em uma pauta que eu bato aqui desde o início do meu mandato, é uma pauta que eu trago como médico, na verdade.

Obrigado.

Retomando minha fala, é um tema que, desde o início do meu mandato, vindo da minha vida médica, é um transtorno que passa por um transtorno da saúde mental, diretamente relacionado a isso. Retrospectivamente, a saúde é feita de ciclos em que doenças, patologias, dominam a humanidade durante certos períodos, e nós passamos por diversas crises do ponto de vista infecciosas, câncer, o HIV, vivemos recentemente.

Se formos mais atrás na história, temos diversos exemplos. Vivemos, desde o início do século, a grande pandemia, desde o final do século passado até o início deste século, que são os transtornos da saúde mental. Não há a menor dúvida de que essa é a doença do século, é uma doença que hoje em dia é uma das que mais afastam do convívio familiar, das relações laborativas e as que mais incapacitam, é uma doença com diversas facetas, diversas caras.

Pior de tudo é a doença sem cara, porque, muitas vezes, por que eu tenho uma doença, há diversos espectros, mas desde aquele que tem um transtorno de ansiedade. Isso fica guardado para si e gera uma série de complicações, hipertensão, isolamento, até a sua forma mais grave, que é uma depressão tão severa que leva ao autoextermínio. Cada dia mais nós vemos pessoas nos mais diferentes estágios de uma doença extremamente grave. Isso tudo foi agravado pela pandemia por diversos motivos, já falei isso muitas vezes, o medo da morte, o afastamento, a quebra financeira, o fim dos seus negócios, mãe que não via filho, filho que não via a mãe, o próprio isolamento e a necessidade de convivermos foi cada vez mais nos retirado durante essa pandemia e, ao mesmo tempo em que esses reflexos nos trouxeram graves abalos, o foco do poder público foi totalmente direcionado ao contrário do que deveria quando se falava que era necessário, obviamente, como sempre foi salvar a vida. Mas a gente tinha que pensar em estratégias para as sequelas, para aquelas vidas que passariam depois disso tudo e nós, muitas vezes, não pensamos nisso – e continuamos sem pensar.

Essa Frente Parlamentar dá luz a um espectro, a um galho dessa grande árvore que são os transtornos da saúde mental. É uma doença que as pessoas muitas vezes se envergonham, muitas vezes se mutilam, por que não dizer assim, e que nós precisamos de alguma forma trabalhar no esclarecimento, na ajuda e, sobretudo, pensar juntos soluções. Eu sempre falo que problemas complexos na maioria das vezes não têm soluções simples. Não esperem de mim uma caneta... A partir de agora vamos definir de todos que todo ambulatório da Prefeitura vai ter um centro de assistência à saúde mental... A mulher e ao homem com tricotilomania, não vai sair essa solução daqui.

O primeiro passo é isso aqui que nós estamos fazendo, é cada um de nós falar sobre o assunto, divulgar o assunto nas nossas famílias, nos nossos convívios sociais, nas nossas redes sociais, que é uma arma importante hoje em dia para dar luz a um grave problema.

Então, eu me coloco à disposição. O meu mandato é colocado à disposição, para que possamos avançar nessa importante pauta. Eu queria agradecer, mais uma vez, a presença de todos e chamar para fazer uso da palavra a Fabiana, para estar aqui ao nosso lado, para falar um pouco da sua experiência e deixar a cargo dela. Mas não sem antes, Fabiana, fazer essa singela homenagem a você, da Câmara Municipal, por dar luz a um assunto tão polêmico, tão silencioso, que é esse singelo reconhecimento do seu trabalho e do seu esforço. É importante, muitas vezes, sairmos da sombra, nos expormos e, literalmente, como se diz por aí, colocarmos a cara a tapa, para que possamos vencer e dar luz a um assunto tão importante.

Essa singela homenagem é uma Moção da Câmara Municipal.

(Entrega-se a Moção)

(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Com a palavra para fazer sua consideração. Obrigado, Fabiana.

A SRA. FABIANA PEREIRA – Assim o senhor quebra as minhas pernas, Vereador.

Boa tarde a todos. Obrigada pelo comparecimento de vocês, amigos aqui presentes. É claro, fato e óbvio que estou extremamente nervosa e emocionada, porque é a minha vida. O que eu vou relatar aqui para os senhores trata-se da minha vida. Peço até desculpas, porque quem me conhece sabe que eu não sou de ler. Eu gosto muito de falar, não tenho dificuldade, mas hoje a emoção me toma. Então, não posso esquecer nada e de ninguém.

Primeiramente eu quero agradecer a Deus por esta oportunidade, por Ele ter me dado mais uma vez o sopro da vida. O Vereador também acompanhou um processo que passei há bem pouco tempo. Eu estava diagnosticada com câncer, metástase, e sofri durante um ano e oito meses. Então, eu acredito que tive o sopro da vida. Afinal, as minhas dores vêm desde o ventre da minha progenitora. Eu fui gerada à base do alcoolismo, justamente o que acabou de ser falado aqui na Frente Parlamentar anterior.

Durante os nove meses, minha mãe só bebia álcool, era alcoólatra mesmo, de rua, foi assim com 12 filhos. Aí, quando nasci, ela resolveu simplesmente me parir em casa, cortou o cordão umbilical, me amarrou, me colocou dentro de uma toalha e me jogou fora na lata do lixo, literalmente. Ali eu fiquei 48 horas.

Dou graças a Deus porque Deus resolveu enviar um anjo, que foi a minha tia, irmã desse meu pai biológico. Quando ela chegou, perguntou por aquele bebê que estava no ventre daquela mulher. Ela disse: “Aquilo eu já joguei fora”. Eu começo assim. Minha tia correu, foi na lata do lixo, e eu ainda estava lá por vontade de Deus, porque o lixeiro já tinha passado. Ela me pegou, me levou para o Hospital Geral de Bonsucesso e lá eu fiquei os quatro primeiros meses da minha vida. Dizem que eu fui e voltei duas vezes – sou teimosa, não é?

Essas são as minhas dores preliminares, mas eu não faço delas uma dor única. Não levo isso pra frente. Eu sempre vejo essa mulher como alguém que também precisava de atenção, alguém que precisava de cuidados, e não teve.

Hoje, podendo estar aqui com todos vocês, tratando desse tema tão delicado e de ter essa coragem que Ele me deu, que foi me alimentado por alguns anjos aqui na Terra, esses anjos, os meus amigos que aqui estão, outros a distância. Nesse momento, eu peço para representar todos numa só pessoa. Sem politicagem, esse homem a quem Deus deu o dom da medicina humana, em primeiro lugar. Não pensou duas vezes quando bati à sua porta no gabinete e disse sobre o projeto, na mesma hora: “Estamos juntos, tem que sair do papel. Vamos cuidar de todos”.

Ele me abraçou e me fez enxergar definitivamente que não deveria buscar parlamentares para esse projeto, e sim pessoas com empatia, humildade, respeito e cidadania. É com uma imensa gratidão, respeito e hombridade que peço uma salva de palmas para o meu amigo, Vereador e médico Rogério Amorim, padrinho do nosso projeto.

(Ouve-se uma salva de palmas)

O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Obrigado.

A SRA. FABIANA PEREIRA – Quando saí do gabinete, percebi o tamanho da porta que se abriu e pude ouvir Deus dizendo: “Não fui eu que te ordenei? Seja forte e corajosa. Josué 1:9” E resolvi sair do armário, acender essa luz, criar essa coragem para pedir ajuda não só por mim, mas também por outros sofredores com esse problema, por não ter como pagar consultas no particular e esperar meses ou até anos por uma consulta pública. Consulta de apoio, tratamento e informação para a família com os profissionais da área. E como eles são importantes para nós. As técnicas, as estratégias, as consultas, tudo!

Precisamos levar isso ao SUS e dar dignidade a quem precisa. Quem me conhece um pouco sabe que não sei pensar só em mim. Pensei no coletivo com esse projeto. Todos que sofrem calados com isso, após uma crise pelas madrugadas, as crianças que, assim como eu fui, se escondem no quarto ou no banheiro para tal ação. E quando olhamos no chão e vemos um bolo de cabelo, ao olhar no espelho, vemos isso e perguntamos para nós mesmos: “Por quê? Por que eu faço isso?” E ainda tem os que comem, por prazer ou para esconder. Esses sofrem mais ainda, com crises de dores estomacais, dores de cabeça e constipação.

Olhamos e sentimos nossos dedos machucados, unhas quebradas. Temos tendinite. Se a crise for na cabeça, logo vem a enxaqueca e a crise de choro por estar cansada disso tudo e não conseguir vencer algo invisível. O projeto Movimento Asterisco, que traz trico dentro do seu nome, vem dele. Vem trazendo não só esses transtornos obsessivos compulsivos de trico, mas também outros tão graves quanto roer e comer as unhas, descamar a pele com a própria unha, tirar casquinhas de machucado, morder o interior da bochecha 24 horas, se cortar para ver o sangue e chupar; e um dos casos mais impactantes que chegou a mim através de uma mãe desesperada que quase perdeu sua filha para o Conselho Tutelar após várias denúncias: a criança, desde os dois anos de idade, sente necessidade de se masturbar. Hoje ela está com oito anos, e nada mudou.

Todos são manias, todos são TOCs, são calmantes. Todos são automutiladores e destroem vidas. Clamamos ao poder público com esse projeto que tenhamos onde nos tratar: pessoas de baixa renda, famílias desesperadas, relacionamentos por um fio, pessoas que perdem seus empregos, crianças que sofrem bullying. Queremos e precisamos de espaços públicos para levar a informação a todos os pais, acompanhantes e portadores, que agora eles não estarão mais sozinhos.

Teremos um Censo brasileiro para sabermos quantos somos. Pesquisadores debruçados em nos estudar, profissionais nos atendendo todo mês e dando amparo para os pais. Pais esses que, por muitas vezes, não sabem como conduzir esse problema e, com uma violência verbal ou física, pioram o nosso quadro, nos deixando mais nervosos e chorosos. Quantas foram as surras que recebi, as ameaças de queimar as minhas mãos no fogão e dormir com elas dentro de uma meia amarradas com barbante. Eu não o culpo. Somando como uma psicopatia, era o descontrole que a minha doença levava a ele, meu pai, o que me criou. A ignorância leva um psicopata ou não a piorar toda a situação.

E o Movimento Asterísco quer trazer vida, quer trazer esportes, quer trazer terapias, oficinas de arte como estratégia para cansar as nossas mãos, ajuda a depressão, que temos após cada crise, cultura, educação e perspectiva de vida. Afinal, somos aproximadamente 19% da população com trico. Isso precisa mudar. Precisamos parar e contamos com todos vocês.

Esse projeto, Vereador, eu pensei muito como trazer ele, porque em nenhum momento eu queria parecer que eu ia querer ficar assim como uma pobre coitada, mas eu precisava dar cara a ele, porque eu tenho a trico há 38 anos. Eu tenho desde os quatro anos. Eu hoje estou com 42 e chegou aquele momento que eu cansei. Eu não aguento mais. E eu estou sozinha, porque eu estou há um ano e meio na fila do Sisreg esperando uma primeira consulta de psicologia, não tem.

E eu sei que eu não estou sozinha, sofrendo isso. E quando eu bati na sua porta é porque eu acredito no seu trabalho. Primeiro, como médico; segundo, como parlamentar. Eu sei as causas que o senhor abraça. Eu acompanho o seu trabalho, tanto aqui quanto fora. Sei do seu potencial, sei o quanto que o senhor se debruça em um problema como esse, como todos os outros.

Então, por isso que eu falei que é sem politicagem. O senhor é humano de verdade. Assim como eu tenho amigos aqui e que estão à distância. Ronaldo, meu amigo, meu braço direito nesse projeto. Se não fosse você, não teria essa coragem de estar aqui hoje. Você sabe disso. E aí eu gostaria de passar a fala, então, para uma especialista, uma médica que, ontem, pelo Instagram do Movimento Asterísco, ela respondeu no direct, respondeu no comentário e aí eu chamei ela no direct. Nós conversamos e ela se disponibilizou, de uma forma única, em estar aqui hoje. Realmente ela me surpreendeu aqui na escadaria quando ela chegou. Doutora Ana, por favor, eu gostaria que a senhora viesse falar, até mesmo porque a gente precisar falar muito dessa Síndrome de Rapunzel, que é a tricotilofagia, que assim quanto as minhas dores quem come o cabelo tem consequências seríssimas, porque passa por um processo cirúrgico muito traumático e só pode passar até no máximo duas ou três vezes. E aí ninguém melhor para falar sobre o assunto do que a própria psicóloga, especialista. O que a gente precisa aqui, nesse espaço, hoje.

O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Obrigado, Fabiana. Queria agradecer as palavras a meu respeito. Fico emocionado e sei da gravidade do assunto, de todos os transtornos da saúde mental, e tudo aquilo que eles podem ocasionar na vida de cada um, e o seu depoimento foi belíssimo.

Queria registrar a presença da Senhora Silvana Cândido, representando o Projeto Ressignificar, alívio da ansiedade. Obrigado pela presença. Falávamos que a saúde mental tem diversos galhos. Essa árvore é imensa. E a ansiedade talvez seja um dos primeiros desses galhos. E cada vez mais e mais pessoas vivem ou conhecem alguém que sofre com o problema, e que muitas vezes olha para o lado e se vê sozinho.

Então, queria agradecer a presença da senhora. Também a presença da Helen. Obrigado, Helen.

Gostaria de passar a palavra para senhora e agradecer a presença.

A SRA. ANA RIBEIRO – Boa tarde a todos. Para mim, foi uma grande surpresa na verdade o convite da Fabi, estou gelada aqui, porque foi uma surpresa mesmo esse convite de está aqui, de estar falando um pouquinho.

Deixa eu me apresentar. Eu sou a Ana Ribeiro, sou psicopedagoga clínica e terapeuta TRG. O que é TRG? Terapia de Reprocessamento Generativo. Quando eu vi o relato dela e nós conversamos no Café com Propósito. Eu tenho alguns movimentos sociais, alguns movimentos de network no Rio de Janeiro acontecendo, unindo mulheres com uma causa nobre. E falamos acerca da Fabi rapidamente e eu falei para as meninas sobre a TRG que trata esse transtorno também como outros transtornos. Eu vi também que estavam falando sobre fibromialgia. E como chegar a uma solução desse transtorno da trico? O que acontece? Por que nasceu? Da onde veio? Que causa depressão, que dispara ansiedade e faz com que a Fabi desesperadamente busque uma solução. A Fabi relatou brevemente e emocionadamente o que aconteceu na infância dela.

Então, os traumas e os bloqueios que vieram na primeira infância da Fabi dispararam com sintoma da trico. O alívio desse transtorno, o alívio desse desespero, como tratar com terapia? Para quê? Para gente reprocessar, doutor. Já ouviu falar da TRG? Para gente reprocessar esse inconsciente que está em sofrimento, porque esse disparo, esse gatilho, essa busca de fuga é um sofrimento mental. Esse inconsciente está pedindo desesperadamente socorro. Você sofre com isso há quantos anos? 38 anos! A gente tira um pelinho da gente e dói para caramba, não dói? Você imagina essa menina e outras pessoas fazendo isso anos da vida sem conseguir ajuda, porque nós sabemos que, quando entra na fila do SUS, já era, você vai ter que esperar e se virar nos 30 para conseguir ajuda. Que tipo de ajuda? Doutor, muito prazer te conhecer, a gente tem muita coisa para conversar e não só a trico, a TRG trata, mas todos os transtornos TDH, TOD, TDI, ansiedade, depressão, muitos, reprocessado esse inconsciente que está pedindo socorro.

E aí, eu criei um grupo de terapeutas espalhados pelo Brasil inteiro para atender socialmente, Doutor, porque o SUS não vai atender. Então além da Ana Ribeiro atender, eu tenho esse grupo espalhado pelo Brasil inteiro, porque é online, a sessão terapêutica é online. E vai tratar a trico? Vai! E a gente vai acessar essa dor, lá, entendeu? A gente vai acessar essa dor e organizar esse inconsciente. Como? Com a técnica assertiva, com a técnica que vai lá naquele momento daquela dor, porque o inconsciente tem os seus funcionamentos. E quando a gente entende com clareza como que é o funcionamento desse inconsciente, a gente consegue acessar essa dor, a gente consegue acessar esse medo, essa angústia.

E aí cada um, Doutor, vai expressar de uma maneira, ela com trico, ele com ansiedade, ele com TOD, ele com TDH, ele com a fibromialgia, ele com outro transtorno. Tudo o que é emocional, a TRG vai lá e trata. É uma terapia breve de resultados. Milhares e milhares de pessoas não têm a força que essa mocinha tem e vão até para tirar essa vida, porque não aguentam mais.

Hoje eu sou uma das terapeutas, Vereador, querido, abençoado da Associação de Mães de Adolescentes com Depressão e Ansiedade (Amada) Cachoeiro. E a Silvana também faz parte. A Amada Cachoeiro está lá em Cachoeiro de Itapemirim. Um dia o cantor gospel Anderson Freire fez um pedido, um clamor pedindo profissionais da área da saúde mental, ajuda, porque tem crianças tirando a própria vida e se mutilando. E eu entrei e comecei a fazer um trabalho com as mães e com os pais. Por quê? Vítimas de bullying escolar.

Então, além de todo o trabalho paralelo que eu tenho da TRG com todos os transtornos emocionais, a gente atende também. A Silvana faz parte da Amada. E a gente não pode ficar esperando o poder público se manifestar. É cada um de nós pegando, realmente, na mão dessa moça, daquela outra, daquele outro e, vamos lá, vamos fazer um trabalho. “Ah, mas todo mundo tem que ganhar’. Exatamente. Só que eu estou ganhando muito mais vendo que ela se recuperou, tendo uma vida normal, natural, sem automutilação

Então, estou aqui. Encontrei essa menina ontem. Não estava te seguindo. Eu falei: “Opa, vem cá. A TRG trata, hein”. E ela: “Por favor, vamos lá”. Eu falei: “Vou”. Fechei a agenda e falei com a Silvana: “Silvana, eu vou lá na Câmara. Não sei nem o que vai acontecer”, mas estou lá disponível para ajudar essa moça e todos que precisam de ajuda.

A minha proposta é que a gente amplie essa ajuda, porque o atendimento é on-line, doutor. Eu atendo on-line. Eu atendo e quebrei a barreira da geografia. Não tenho que ter um espaço físico, parado, para atender a pessoa que está lá no Nordeste, que não tem condições. Não tenho que parar para atender num lugar fechado alguém que está aqui do meu lado, no Rio de Janeiro. Ele está dentro da casa dele, dentro do conforto. Eu vou abrir a tela do meu celular, vou fazer o atendimento e vou fazer as técnicas corretas para acessar.

Quantas mães estão sofrendo com crianças se mutilando? Quantas mães estão desesperadas com o laudo? “Meu filho tem TDAH!”. Porque é moda agora, não é, doutor? É moda. O que é TDAH? Essa criança está agitada. Vamos fazer uma anamnese para descobrir? E, para minha surpresa, quando a gente descobre, fazendo a anamnese, não é TDAH. A gente tem que tratar a família, a gente tem que tratar a mãe, tem que tratar o pai. É em conjunto que se trata. Porque eu posso trazer para a clínica, como psicopedagoga clínica, fazer todo o trabalho, mas ele vai voltar. Ele está convivendo com quem? Com esse pai, com essa mãe que está em sofrimento mental também.

Nós costumamos dizer que somos vítimas de vítimas. Meu pai e minha mãe não sabiam o que estavam fazendo comigo. Seu pai e sua mãe não sabiam o que estavam fazendo comigo. É o inconsciente, ok? Você ressignificou muito bem. Você está firme. Você está aqui não só pela sua vida, mas pela vida de uma multidão.

Por que eu entrei para a saúde mental? Porque meu filho, em 2019, também foi diagnosticado com transtorno bipolar, surto psicótico. Cinco internações traumáticas. Fui buscá-lo pelado, bebendo água de vala, lá em Sorocaba. Nós moramos aqui no Rio de Janeiro. Traumas e bloqueios que eu, com a minha parentalidade inconsciente, liberei na vida do meu filho. Então, a gente trabalha não só o filho, mas os pais também.

A gente precisa se unir. E nós não vamos esperar. A política demora demais, a burocracia é grande demais. Nós precisamos romper essa barreira. Eu rompi. Esse grupo está disponível para te atender e para atender as pessoas que precisam dessa ajuda. E vamos crescer falando, mostrando o porquê que tem, de onde vem, qual é a causa, porque os sintomas nós já conhecemos. Se eu acesso esse bloqueio e esse trauma, que está lá no inconsciente, eu consigo tratar a dor – essa dor que hoje a Fabi tem.

Estou à disposição de vocês. Obrigada a todos.

O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Eu que agradeço. Parabéns pelo trabalho, doutora. E vamos pedir para passar meu telefone, meu contato para a senhora, para a gente estreitar isso

Fabiana, queria agradecer pela presença. Que fique claro que esta Frente Parlamentar está sendo aberta, oficialmente, hoje.

Silvana, por favor, pode falar. Só quero pedir desculpas e pedir para, regimentalmente, ser breve, porque, às 16 horas... Em tese, teria que ter encerrado há cinco minutos. Eu teria que ter encerrado há cinco minutos. Eu teria que ter encerrado por causa do Plenário, porque o Plenário já está rolando. Então, peço para a senhora, rapidamente, fazer uso da palavra.

A SRA. SILVANA CÂNDIDO – Boa tarde.

Eu sou Silvana Cândido, graduada como enfermeira e atuo na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sou diagnosticada como transtorno bipolar. Por que eu fiz o projeto Ressignificar e estou escrevendo a série Ressignificar, Alívio da Ansiedade? Porque as pessoas dizem assim: “Virou moda, né? Ansiedade”, “Nossa, agora é tanta gente com autismo”. Quando em 2005 eu tive o meu primeiro surto de transtorno bipolar, fui estudar e vi quantas crueldades se faziam com os doentes mentais. Na década de 1990, infelizmente, nós da saúde achávamos que ansiedade era frescura, era piti. Não sei se o senhor se lembra disso.

O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Lógico.

A SRA. SILVANA CÂNDIDO – Chegava alguém... Em 1999, quando comecei a ter ansiedade, eu morria de vergonha, porque estava tendo frescura e escondi. Aí, conto minha história até aqui. A última gota d’água foi quando descobri que a minha filha não lutava com a epilepsia, e sim com uma paralisia cerebral, e tive um surto. Só que por que fui estudar?

Hoje sou atuante dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sou profissional de Enfermagem, sou acompanhada por uma equipe médica da Divisão de Serviço de Trabalhador, tenho psiquiatra, tenho uma psicóloga que trabalha com a Psicanálise, tenho assistente social. Eu sou um retrato de que se você tiver um acompanhamento especializado, é possível dar vida, e vida com abundância ao cliente de saúde mental. Ele só precisa ser cuidado, só precisa ser amparado. Minha família teve cuidado, eu tive cuidado. Então, se é possível para mim, como cidadã brasileira, é possível para qualquer um.

No projeto Ressignificar, também sou... trabalho com a Ana. No projeto Ressignificar, a gente atende de duas formas: quem pode pagar e quem não pode pagar. Quem não pode pagar vai ser atendido de qualquer maneira. A gente faz um acompanhamento com a Sociedade de Psicanálise e vai ser atendido pelos acadêmicos do Doutor Renato. Paga taxa de R$ 15,00 mensais e é atendido com eles.

Então, estamos enxugando gelo desesperadamente para ajudar essa população a diminuir a taxa de ansiedade. E nós temos tido êxito. Graças a Deus, todos os nossos clientes atendidos estão tendo vida, e vida em abundância. Então, se é possível para mim, é possível para o Ressignificar, é possível para você também, Fabi.

(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (DR. ROGÉRIO AMORIM) – Obrigado pelas palavras.

Só para constar, conforme eu estava falando, isso é o início do projeto da Frente Parlamentar, e vamos trabalhar na conscientização, tentar levar esse serviço... Eu me coloco à disposição. Meu chefe de gabinete vai falar com vocês no final para colocarmos esse contato e ver como a gente pode avançar junto nisso.

Conforme eu falei, a doença da saúde mental é o grande mal do século. E do mesmo jeito que nós vencemos os outros grandes males do século, esse também é possível de vitória. E vamos juntos seguir. Contem sempre com o nosso mandato. Com certeza, a Câmara de Vereadores estará junta nessa missão.

Obrigado a todos. Vamos seguir em frente.

Dou por encerrado o Debate Público.

(Encerra-se o Debate Público às 16h08)