Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da VEREADOR JOÃO MENDES DE JESUS

REALIZADA EM 12/04/2023


Íntegra Debate Público :

DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 4 DE DEZEMBRO DE 2023

(Utilização de Libras pela Administração Pública Municipal)

Presidência do Sr. Vereador João Mendes de Jesus.

Às 18h56, no Auditório Vereador Aarão Steinbruch, sob a Presidência do Sr. Vereador João Mendes de Jesus, tem início o Debate Público com a finalidade de acompanhar, estudar e analisar a utilização de Língua Brasileira de Sinais (Libras) pela administração pública municipal para a acessibilidade de surdos e deficientes auditivos.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Senhoras e senhores, boa noite.
Dou por aberto o Debate Público com a finalidade de acompanhar, estudar e analisar a utilização de Língua Brasileira de Sinais (Libras) pela administração pública municipal para a acessibilidade de surdos e deficientes auditivos.
A Mesa está assim constituída: Senhor Fernando Costa, intérprete e tradutor formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Senhor Clayton Rangel Fidélis, Secretário da Associação Xander Apoio aos Surdos (Axas); e Senhora Débora Ricio, docente e intérprete de Libras da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).
Tenho a honra de registrar a presença da Senhora Joelma Ferreira, assistente social da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Senhoras e senhores membros da Mesa, senhoras e senhores convidados, senhoras e senhores telespectadores da Rio TV Câmara, este importante Debate Público está a ser realizado nesta Casa de Leis graças à instalação da Comissão Especial para Acompanhar, Estudar e Analisar a Utilização de Libras pela Administração Pública Municipal, para a acessibilidade de surdos e deficientes auditivos. A Comissão inicia seus trabalhos por intermédio da Resolução nº 1.607/2023, aprovada pela Câmara dos Vereadores, que considera essas questões de muita relevância.
Agradeço a presença de Vossas Senhorias por participarem deste evento tão importante, a fim de debatermos publicamente as realidades de pessoas com deficiência, especificamente os surdos e os deficientes auditivos, além dos que têm deficiência mental e transtornos do espectro autista (TEA).
Reconheço as pessoas presentes neste debate como sendo cidadãos solidários e profissionais, com amplo conhecimento e plenos de recursos que os levam a atuar com precisão e clareza no que é relativo a atender às pessoas com deficiência auditiva e também com deficiência mental, a oferecer um trabalho competente ao tempo que humanizado para todos aqueles que necessitam de seus serviços, porque seu principal propósito é a inserção social das cidadãs e dos cidadãos que têm dificuldades para se comunicar e se inserir no contexto social dos tempos modernos.
O conjunto dessas valências e vivências, a começar pelo empenho e dedicação, tem como meta principal fazer com que os que têm deficiência auditiva, por meio da linguagem de Libras, consigam compreender e se fazer compreender, de maneira que a rotina do dia a dia se torne mais eficaz e com menos incompreensões e preconceitos contra aqueles que, por motivos óbvios, necessitam ser apoiados de forma que nada seja relativizado, mas sim consolidado, que é a indelével obrigação da sociedade de incluir todo ser humano bem como respeitar seus direitos, que são inalienáveis, conforme reza a Constituição.
Admiro o empenho de quem quiser aprender os difíceis e complexos ofícios de cooperar para que pessoas que têm deficiência sejam tratadas com dignidade e sejam totalmente respeitadas no que é concernente ao direito de ser parte importante e produtiva da sociedade brasileira e carioca, o que os tornam mais importantes ainda para a sociedade, de maneira a termos um país que preze pelo direito da inclusão social. Porque o queremos sempre mais justo, democrático, igualitário e com pessoas imprescindíveis à sociedade, no que concerne às suas importantes ações em prol da saúde e da cidadania das pessoas com deficiência.
Portanto, incluir e propagar a linguagem de Libras é, no serviço público e em especial na esfera municipal onde eu atuo como vereador da Cidade do Rio de Janeiro, que tem de ser de fato uma cidade amiga dos idosos, amiga dos animais, amiga das crianças, do meio ambiente, do consumidor, mas que tem também a obrigação de ser cidade amiga dos surdos, amiga dos deficientes auditivos e das pessoas que têm deficiência mental e autismo.
Para termos uma cidade humanizada e plenamente democrática, é essencial o empenho e a dedicação em busca de melhorar a condição de vida das pessoas que têm deficiência, porque o serviço público municipal tem de ampliar seu atendimento e por isso a mobilidade e o acesso às pessoas surdas e com deficiência auditiva, por exemplo, não pode ficar restrito e limitado a pequenos nichos, que é o caso da Prefeitura do Rio de Janeiro, a segunda maior do país.
Por isso que queremos e lutamos pela utilização da linguagem de Libras no serviço público municipal, de maneira a socializar e, com efeito, permitir a acessibilidade das pessoas com diferentes deficiências, quando de seus atendimentos por parte do Poder Público. Porque o deficiente é também cidadão ou cidadã e necessita resolver seus problemas e pendências na Prefeitura e nos órgãos. Para isso necessitam que a Libras seja adotada como linguagem universal, de forma que as pessoas com deficiência se sintam parte de um município que preza por seus cidadãos e valoriza a cidadania.
Para termos o uso da linguagem de Libras como rotina dos servidores públicos é necessário que eles sejam selecionados e treinados. Sendo assim, os servidores de cada órgão, corporação, fundação, secretaria passam a receber treinamento especial, no sentido de que eles possam realizar suas atividades profissionais de forma mais efetiva e tranquila. Além de serem considerados como cidadãos muito importantes para as pessoas com deficiência e suas famílias, bem como para a sociedade carioca que tem a honra de contar com o apoio e o serviço de cidadãos e cidadãs tão valorosos como os servidores públicos treinados para atender, com respeito e consideração, as pessoas com deficiência.
Adotar a linguagem de Libras no serviço público municipal significa saber como lidar com esse processo difícil, mas factível e, principalmente, despir-se de qualquer preconceito ou medo.
Receber o deficiente auditivo e surdo com naturalidade aumenta e muito a possibilidade de inclusão e integração à sociedade, além de estimular sua capacidade de participar e desempenhar suas tarefas como qualquer outro cidadão carioca. O gestor deve ter em mente as diferentes necessidades que cada deficiência contém, incentivando a inclusão e o respeito às diferenças. Acima de tudo é importante compreender as capacidades limites e ritmos individuais dos servidores e das pessoas com deficiência.
Aproveito também a oportunidade de anunciar que elaborei um projeto de lei para que a linguagem de Libras seja integrada ao dia a dia do povo carioca, em especial as pessoas com deficiência que necessitam desse diferencial para a sociedade civil, que é termos servidores públicos especializados em Libras, aprovados por concurso, além de treinados para atender as pessoas, os cidadãos deficientes que tem o direito a ter acesso a todos os direitos, conforme reza a Constituição.
Muito obrigado a todos e que Deus os abençoe!
Convido agora para fazer uso das suas falas os debatedores da Mesa. Vamos começar pelo Senhor Fernando Costa, intérprete e tradutor formado pela UFRJ, com interpretação de Débora Ricio.

O SR. FERNANDO COSTA – Uma excelente noite para todos e todas.
Muito obrigada, vereador, pelo convite. Nesse sentido, eu gostaria de mostrar que sou surdo, sou professor, sou tradutor de Libras, sou formado pela UFRJ. O nosso objetivo aqui juntamente com o senhor vereador é representar a nossa língua: a língua de sinais. Porque tem muitos surdos que estão no anonimato, embora sejam formados, eles ainda não apareceram. A questão de mostrar o surdo é referente ao tradutor intérprete que, na maioria das vezes, não tem proficiência em Libras. Então é preciso que tenha essa ética porque...
Ele está fazendo esse sinal assim, isso significa que é um intérprete que sinaliza mal, que não é profissional, então é muito fraco. A língua pode ensinar, ela tem toda uma gramática, uma estrutura gramatical que precisa ter essa proficiência. Então, os intérpretes estão prejudicando os surdos.
Por exemplo, é muito difícil: tem tradutor que eu não consigo entender nada do que ele está falando. Não tem sintaxe porque não tem experiência, não tem contato com a pessoa surda. Então, quando tem contato com o surdo consegue; precisa ir à Associação de Surdos, precisa ter essa empatia e participar da vivência com o surdo, para que possa conhecer a cultura surda, mas esses ouvintes que se formam tradutores não têm esse contato com o surdo. É por isso que não tem essa proficiência. Nesse sentido, eu agradeço o seu apoio, vereador. Muito obrigado.
Tomara que o senhor consiga dar esse lugar de fala e essa voz para as pessoas surdas que são formadas. Nós precisamos dessa equidade. Por enquanto, estamos nesse desequilíbrio, em que o ouvinte acaba ocupando as vagas. Nós precisamos estar nos lugares de fala. Só tem ouvintes tradutores de Libras, cadê a pessoa surda e deficiente auditiva?
Eu sou capaz. Eu sou formado pela UFRJ. Eu faço palestras. Eu sou surda, mas eu sou intérprete. O surdo é capaz de ensinar a língua brasileira de sinais, de fazer essa representação. Então, é bom para que os surdos possam compreender e eles possam derrubar essa barreira junto com o senhor, vereador.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Muito bem, gente. Obrigado, Fernando, pelas suas palavras. Foi por essa razão que, conversando com a Débora, nós decidimos começar e formar aqui, na Casa de Leis, uma comissão especial para acompanhar e estudar essa questão, que é ligada aos surdos e deficientes, buscando introduzir no Município do Rio de Janeiro o estudo de Libras, de forma efetiva e treinada para corresponder às necessidades dos deficientes auditivos.
Eu passo a palavra agora para o Senhor Cleyton Rangel Fidélis, Secretário da Axas, com interpretação de Débora Ricio.

O SR. CLAYTON RANGEL FIDÉLIS – Em primeiro lugar, gostaria muito de agradecer ao nobre Vereador João Mendes de Jesus. Está olhando para o senhor. Então, eu gostei muito desse convite. Eu sou da Associação Xander Apoio de Surdos e vim aqui para falar que tem muitos surdos. Eu reitero o que o Fernando falou: a maioria das traduções não é feita com proficiência. Isso é um preconceito.
Nesse sentido, eu gostaria de sugerir ao senhor vereador uma banca de profissionais surdos proficientes em Libras, que possam avaliar se realmente aquele tradutor tem proficiência ou não. Porque, está difícil, vereador. É muito erro de linguagem. Não consegue atingir o foco, não consegue da língua-fonte para a língua-alvo. Antes de querer ser tradutor, tem que ter empatia para que o surdo consiga de fato compreender e se colocar no lugar do outro.
Esse é o sinal de empatia. Faz o sinal, Samara, de empatia. Para que o surdo possa estar atuando junto com essas profissionais ouvintes. Nós sofremos muito inacesso, muito capacitismo. Nesse sentido, essas dificuldades se impõem a nós, enquanto pessoas com deficiências.
Nós temos o nosso valor, nós precisamos desse respeito, que cada um compreenda. Então, é por isso que eu o agradeço, vereador, muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Bem, neste momento, eu gostaria de ouvir e passar o microfone aos oradores da plateia. Tem alguém que queira falar, que queira se pronunciar? Por favor, o microfone está a sua disposição.
Com a palavra, Washington Roberto Moraes, com interpretação de Débora Ricio.

O SR. WASHINGTON ROBERTO MORAES – Boa noite, Vereador João Mendes de Jesus. Muito obrigado por este convite. As pessoas com deficiência auditiva e os surdos sofrem muito com o inacesso. Às vezes, eles perguntam se eu sei oralizar, mas eu sou surdo, então isso me incomoda, ficar gesticulando, mexendo com as bocas.
Falam que eu sou um coitado, que eu não entendo. Aí, eu fico triste, tem que ter paciência, porque a sociedade pensa que o surdo é difícil de lidar, quando na verdade eu não sei escrever português. A maioria dos surdos não sabe, porque português é uma língua oral-auditiva. Então, eles chamam a gente de coitado: “Você não pode trabalhar, porque você não sabe ler o português”.
A maioria trabalha como apoio. Pensam que nós somos preguiçosos, mas não é isso. Falta o quê? O tradutor surdo, falta o surdo no lugar de fala, falta o surdo enquanto proponente.
Por exemplo, o surdo precisa interagir nos hospitais, treinando as equipes médicas para que possa aumentar o número quantitativo de surdos nos serviços do município. Então, precisa convocar, chamar esses surdos, fazer essa capacitação, para que eles possam trabalhar.
Não precisa ter pena do surdo, nós precisamos de capacitação.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Já estamos, então, Washington, estamos dando o primeiro passo aqui na Câmara. Eu desconheço se algum outro parlamentar já tratou desse tema aqui, não tenho essa informação.
Penso que é a primeira vez que estamos iniciando uma comissão especial para tratar desse assunto. Eu fico muito grato de poder ter a oportunidade de poder estar com vocês e iniciar esse trabalho aqui na Câmara.

O SR. WASHINGTON ROBERTO MORAES – Por exemplo, quando vai ao médico, pedem para explicar, aí o médico não compreende, não tem paciência de esperar. Por isso é que nós precisamos, vereador, montar comissões com as pessoas surdas e ouvintes para estarem nesses locais, especialmente nos hospitais, bombeiro, corpo de bombeiro, qualquer lugar em que a sociedade viva, conviva.
Como o senhor falou, não é só ficar na tela, porque a internet falha, às vezes o intérprete não é proficiente; às vezes, é um programa de outro estado, que Libras é diferente. Eu não quero esse programa lá de São Paulo, que traduz e é completamente diferente do Rio de Janeiro. Não quero.
Isso, ele falou que não quer, não está satisfeito, que os serviços de acessibilidade são muito precários. Precisa ter tradutor surdo e ouvinte nesses lugares.
Obrigada.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Isso aí!
A palavra continua franqueada a quem da plateia que queira se pronunciar.
Com a palavra, o Senhor Sandro Moreira Cruz, com interpretação de Débora Ricio.

O SR. SANDRO MOREIRA CRUZ – Boa noite, Senhor Vereador João Mendes de Jesus.
O meu nome é Sandro, e gostaria muito de agradecer ao senhor, porque é presidente da Comissão. Há muitos anos, eu tive um amigo que, quando tinha 14 anos, ficou surdo. A mãe dele ficou doente e o pai também já estava com Alzheimer. Eles tiveram pouquíssimo acesso, e nós tivemos muitas dificuldades.
Antigamente, não tinha quase tradutores de Libras. Eu também não sabia como me comunicar. As pessoas ficam mexendo a boca, e eu não entendo nada, quando ficam fazendo leitura labial comigo. Eu tento escrever, mas também não consigo. A falta de acesso se perpetua com o capacitismo. Aí, sempre as pessoas estão ocupadas. Nesse sentido, a importância desta comissão, dessa proposta da formação de tradutores. Todos os surdos vão apoiar o senhor.
Por exemplo, nós precisamos dessa força para o trabalho para hospitais. Nos lugares que nós vamos, precisa ter esse trabalho junto com os surdos. Então, quando o senhor conseguir realmente efetivar, eu irei agradecer muito. Isso é importante. Eu fico triste, eu fico em casa, eu sei que não têm pessoas proficientes. Isso não é só um problema no Rio, mas é um problema que é recorrente em todo o Brasil.
A maioria dos surdos, não importa a formação, eles sempre trabalham como faxineiros, mesmo sendo formados com faculdade, com nível superior, acabam sendo enquadrados em vagas de pessoas com deficiências (PcDs), com salário-mínimo, R$ 1.300,00, enquanto o ouvinte ganha R$ 4 mil, R$ 5 mil, e coloca o surdo para baixo: “Ah, bem feito. Vai trabalhar, mesmo, o problema é seu”. A gente fica triste.
Esses intérpretes têm preconceito conosco, surdos e nativos da língua. Por isso, a importância da capacitação e qualificação para os surdos. Quem é que vai fazer isso por nós, esses intérpretes que não sabem sinalizar? São intérpretes fake? Tem legenda, mas eu não sei ler em português. Eu quero acompanhar o intérprete, e ele está mentindo. Não estou compreendendo o que eles falam.
Entendeu? Essa é a nossa dificuldade. É isso o que nos deixa tristes: é o capacitismo e o inacesso. Nós queremos equidade.
Agradeço muito, também, à Débora, que está sempre na comunidade surda. Também agradeço ao Criador, a Deus, e agradeço também ao nobre vereador.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Eu que fico honrado.
Muito obrigado pelas palavras, também, Sandro, você trouxe luz para o debate. Cada vez mais que a gente vai sabendo da necessidade, da amplitude que é o treinamento em Libras, para a sociedade como um todo, não somente nos hospitais, mas também nos órgãos públicos em geral e na sociedade. Deveria ser a segunda língua.
Eu acho que as escolas deveriam também trabalhar, ter essa cadeira nas escolas municipais e estaduais, enfim, nas universidades também. Não sei se já tem alguma coisa. Eu acho que não. Mas vamos “botar a boca no trombone”. Vamos falar a respeito dessas coisas.
Com a palavra, o Senhor Felippe Pompili, com interpretação de Débora Ricio.

O SR. FELIPPE POMPILI – Sou o Felippe Pompili.
Boa noite, Vereador João Mendes de Jesus, Vossa Excelência que é Presidente da Comissão e nos fez esse honroso convite. Meu nome é Felippe e este é o meu sinal.
Eu sou surdo, sou usuário de Libras. Boa noite a todos que estão aqui no auditório. Gostaria de cumprimentá-los e saudá-los.
Eu posso, aqui, fazer um recorte cronológico da minha história como pessoa com deficiência. Não consegui me comunicar vendo bocas se movendo, e eu sendo surdo. Eu aprendi a fazer leitura labial, aprendi a fazer oralização também. Estou acostumado. Acabei sendo obrigado a fazer a oralização. Eu prefiro me utilizar da língua de sinais, mas eu apoio também a Débora, porque ela é tradutora, está sempre com os surdos, promove os direitos de igualdade.
Agora, aqui, agradeço também ao nobre Vereador por ter tomado essa iniciativa aqui na Câmara, criando esta comissão, por meio da qual seja possível proporcionar o lugar de fala da pessoa com deficiência, da pessoa surda e deficiente auditivo. Agradeço a Deus, neste momento, por esta oportunidade, por este apoio, e nós precisamos caminhar juntos com os tradutores, com os intérpretes para que haja desenvolvimento, e os surdos vão ficar felizes com esse contato. Então, eu me sinto triste.
Eu não sei explicar, mas eu sei que nós estamos em uma desigualdade muito grande. Nós temos pessoas surdas que são autistas, temos pessoas surdas esquizofrênicas, que não têm acesso à psicologia, aos serviços de saúde, pessoas que não têm os direitos garantidos, como a Constituição Federal prevê. Nesse sentido, é muito importante esta comissão bilíngue, vereador, porque é o senhor que vai lutar por todos nós, pessoas com deficiência.
Vamos nos unir nesta luta também junto com a Débora. Nós precisamos do seu apoio, vereador. Nós, aqui, os surdos do Rio de Janeiro, estamos juntos com Vossa Excelência e agradecemos por este convite, por esta reunião, e por cada um que está aqui.
Nós precisamos nos esforçar. Esse é o primeiro encontro. Muitos não puderam vir, mas, nos próximos, eu acredito que Deus vai abençoar e mostrar para os surdos a importância. Em 2024, nós vamos fazer outras reuniões e chamar mais surdos, convidar também pessoas que queiram interagir e ter contato com surdos; convidar, nobre Vereador, pessoas representantes da Prefeitura, da comunidade, da sociedade civil, para que eles tenham esse olhar atencioso para nós, a população de surdos. Nós que somos sinalizantes, nós somos capazes também.
Muito obrigado, vereador. Agradeço a todos os senhores presentes aqui na plateia.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Muito obrigado, Felippe.
Estão registrados aqui todos seus apelos. É a primeira oportunidade que temos de ter uma comissão especial. Essa comissão especial será finalizada agora, no final de dezembro, mas nós vamos retomá-la no próximo ano. Porque é normal que as comissões especiais sejam finalizadas a cada Sessão Legislativa, mas nós estamos ainda em pleno mandato da nossa Legislatura e, no próximo ano, assim que voltarmos do recesso, a gente retoma, novamente, a comissão, para aí fazer os nossos trabalhos aqui.
Vamos fazer muitas reuniões, muitos debates e fazer chegar às autoridades executivas. É importante que o Prefeito Eduardo Paes e seus secretários, das suas diversas pastas, tomem conhecimento deste trabalho desta comissão, e possam, enfim, trabalhar em prol dela.
Bom, nós estamos chegando aos momentos finais, mas, antes, por exemplo, quero ouvir a nossa intérprete Débora Ricio, docente e intérprete de Libras da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJRJ e que também será permanente da Comissão Especial de Acessibilidade aqui da Câmara.
Com a palavra, Débora Ricio.

A SRA. DÉBORA RICIO – A Samara vai fazer o espelhamento para o Felippe.
Boa noite a todos e todas. Muito obrigada, Senhor Vereador João Mendes de Jesus. Saúdo a todos da Mesa na pessoa do nosso Excelentíssimo Senhor Vereador João Mendes de Jesus e a todos os participantes. É uma honra para nós da comunidade surda essa comissão bilíngue de acessibilidade que visa a dar o lugar de fala para a pessoa surda e deficiente auditiva. Então, é um... É nosso primeiro encontro e é importantíssimo, vereador essa iniciativa.
No último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nós catalogamos 303 mil surdos na capital, no Rio de Janeiro, mas nós sabemos que esse dado é muito maior. Hoje, aconteceram imprevistos. A maioria não pôde estar presente por ser semana de prova lá não UFRJ, não é? Ficou muito apertadinho. É final do ano. Mas, para o próximo ano, nós estaremos reiterando convite para a comunidade surda.
Eu faço parte dessa comunidade porque o meu pai era deficiente auditivo. Então, desde a mais tenra idade, eu aprendi Libras. Hoje, eu sou tradutora e intérprete de Libras. Eu reitero a fala do Felippe, do Washington, do Fernando, de que a acessibilidade para o surdo, eu dar de maneira plena, eu não posso dar uma acessibilidade como se eu tivesse dando uma cadeira de rodas para um cadeirante faltando uma roda. Tem que ser um proficiente na Língua de Sinais.
Como foi relatado aqui que eles ficam sem entender nada do que está sendo dito porque não têm esse contato com eles, que são nativos da língua. Então, é muito importante esse contato. Ele se faz primordial.
Nesse sentido, vereador, eu agradeço ao senhor e à comissão bilíngue. Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – De nada.
Ok, Débora. Deixa eu só registrar para todos aqui uma... o registro feito pelo Vereador Welington Dias, que, impossibilitado de comparecer, por já possuir um compromisso marcado, não pôde estar conosco. Ele cumprimenta a todos.

A SRA. DÉBORA RICIO – Vereador, o Fernando, que está ali, queria...

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Com a palavra, Senhor Fernando Costa, com interpretação de Débora Ricio.

O SR. FERNANDO COSTA – Nós aqui, que viemos para esse primeiro encontro, precisamos... Muitos estão trabalhando, no horário de trabalho, estão estudando, mas precisam ter esse contato pessoalmente com o Vereador João Mendes de Jesus, que está fazendo esse movimento que nenhum outro vereador fez aqui na Cidade do Rio de Janeiro.
É muito importante para o próximo encontro chamá-los, convocá-los, para que nós possamos debater e discutir qual é a finalidade da utilização da Libras. Os outros vereadores falam assim: “Ah! Agora, não. Depois. Depois. Depois”. São preconceituosos, nunca deram valor para o surdo. Sempre deixaram o surdo para último plano. Então, falta respeito com a Língua de Sinais.
Nós estamos recebendo esse respeito, esse valor do senhor, vereador. Então, temos que tratar a Língua de Sinais com a mesma importância com que é tratado o Português. A nossa segunda língua é o Português. Agora, a minha primeira língua é a Língua de Sinais. Nesse sentido, textos, a gente pode também fazer essa troca com o senhor, vereador.
Infelizmente, nós não temos representantes. O senhor agora é o nosso representante. Eu estou muito admirado, muito feliz, pelo senhor estar atuando com autistas, com pessoas com deficiências. Cada tipo de deficiência, o senhor está tomando essa frente de nos ouvir, pelo menos. Isso é muito importante.
O senhor tem um objetivo real de trabalho de inserção de mercado no trabalho e de visibilidade. Os outros, não, é só palestra. Por isso que eu já conheço a Débora há muitos anos, a família dela, os filhos e toda questão relacionada aos surdos.
Nós, de todas as associações aqui do Rio de Janeiro, precisamos interagir com esse trabalho. Então, eu agradeço também a Débora. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Com a palavra, o Senhor Clayton Rangel Fidélis, com interpretação de Débora Ricio.

O SR. CLAYTON RANGEL FIDÉLIS – É nesse sentido, Senhor Vereador João Mendes de Jesus, que eu gostaria de corroborar aqui com a fala do Fernando sobre a questão de Libras. Tem que ter realmente essa semana do surdo com o ouvinte. Por exemplo, lugares onde possam atuar juntos sem tirar o surdo.
O que nós vemos é que não há esta empatia. Também temos surdos profissionais. Então, que isso fique registrado e que o senhor possa ter esse olhar acessível de nos incluir. Agora, nós temos o foco aqui no senhor.
O senhor tem feito pelos autistas, por nós e pelos surdos. Eu tenho interesse aqui no senhor. O senhor nos deu valor. O senhor fez essa empatia. Então, muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Estamos juntos, e vamos em frente. Estamos apenas começando e vamos trabalhar com muito afinco em favor da divulgação de Libras e vamos debater muito sobre isso aqui na Câmara dos Vereadores. Podem contar conosco.
Eu agradeço muito a Deus por essa oportunidade. Agradeço também à Débora Ricio, que tem trazido esse tema para nós. Eu fico muito honrado de poder trabalhar em favor da comunidade. Enfim, muito honrado mesmo e vamos trabalhar firme em cima disso aí.
Eu agradeço a presença de todos, aos meus assessores aqui presentes, aqui está o Wilson Santos, Alex também presente. Está ali o Mário. Está ali também o Wilson Pereira. José Paulo, está a Denise, a dama de vermelho. A Dona Vera, a Dona Abigail, a Joelma Ferreira, Assistente Social. Enfim, a Bela, que é nossa fotógrafa também, a Rio TV Câmara. Eu agradeço a todos vocês por participarem deste Debate.
Eu agradeço à equipe técnica também lá no seu local. Agradeço à Rio TV Câmara por estar presente aqui, já esteve conosco. Eu agradeço a todos. O Sândalo está aqui, e a Carla, que eu havia esquecido. Estão lembrando aqui que eu esqueci dois assessores importantes também. Eu falei da Joelma. Fora o Davis, que não está aqui, mas é o nosso grande jornalista.
Gente, muito obrigado a todos, que Deus os abençoe. Tenhamos todos boa noite e até breve, se Deus assim nos permitir. Obrigado, Bela. Que Deus abençoe vocês. Obrigado Fernando.
Muito obrigado. Está encerrado o nosso Debate.

(Encerra-se o Debate Público às 18h56)