Comissão Permanente / Temporária
TIPO :
DEBATE PÚBLICO
Da
FRENTE PARLAMENTAR PELA DEFESA DA CULTURA HIP-HOP
REALIZADA EM
05/28/2025
Íntegra
Debate Público
:
FRENTE PARLAMENTAR, INSTITUÍDA PELA RESOLUÇÃO Nº 13.303/2025, “PELA DEFESA DA CULTURA HIP-HOP”
LANÇAMENTO DA FRENTE PARLAMENTAR REALIZADO EM 28 DE MAIO DE 2025
(Defesa da Cultura Hip-Hop)
Presidência da Sra. Vereadora Maíra do MST.
Às 19 horas, no Salão Nobre Antônio Carlos Carvalho, em ambiente híbrido, sob a Presidência da Sra. Vereadora Maíra do MST, a abertura do evento de lançamento da “Frente Parlamentar pela Defesa da Cultura hip-hop, instituída pela Resolução Nº 13.303/2025”
A SRA. PRESIDENTE (MAÍRA DO MST) – Boa noite, pessoal, todos e todas. Vamos já chegando aqui, ocupando nossos assentos para que possamos da início ao lançamento da nossa Frente Parlamentar. Todo mundo comeu feijão do MST? Assim que é bom.
Dou por aberto o Lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura Hip-Hop, conforme Resolução da Mesa Diretora nº 13.303 deste ano legislativo.
A Frente Parlamentar está assim constituída: Excelentíssimos Senhores Vereadores: Maíra do MST, Presidente; Átila Nunes, Deangeles Percy, Dr. Gilberto, Flavio Pato, Gigi Castilho, Inaldo Silva Junior da Lucinha, Leniel Borel, Leonel de Esquerda – tem representação do mandato aqui, que eu vi, iremos anunciar –, Marcio Ribeiro, Monica Benicio, Pedro Duarte, Renato Moura, Rick Azevedo – que também está com representação do mandato aqui –, Rodrigo Vizeu, Salvino Oliveira, Thais Ferreira, Vera Lins e Willian Coelho. Eu queria pedir uma salva de palmas porque esse trabalho coletivo é muito importante para que a gente consiga aprovar os nossos projetos.
(Compõe-se a Mesa)
A SRA. PRESIDENTE (MAÍRA DO MST) – A Mesa está assim constituída: Bruno Rafael Castilho Alves, do Instituto Brasil 55 e da Casa Hip-Hop Brasil; Laura Zúñiga, da Roda Cultural Batalha do Engenhão; Fernando Lopes, o “Da Ira”, produtor e organizador da Roda Cultural da Pedra do Sal; Eduardo Nascimento, Coordenador do Escritório do Ministério da Cultura (MinC) no Rio de Janeiro.
O SR. ARK – Licença para chegar, rapaziada. Eu me chamo Ark, muito boa noite. Então, vou recitar um slam. Como eu falei, me chamo Ark. Vim lá de Campos do Goytacazes, interior do estado. Faço Geografia na UFF de Campos, e estou terminando minha graduação, e sou MC, mais conhecido como Ark Rapper.
(Ouve-se a apresentação)
O SR. MC ÍNDIO – Licença para chegar. Boa noite a todos nesta Casa. Quero falar que este debate é muito importante.
Meu nome é MC Índio, e eu sou um dos primeiros MCs de batalha do Brasil, desde 2003, fazendo essa arte. Eu quero trazer aqui, hoje, uma poesia também. Eu sou um dos organizadores da Batalha Marginal, e o Hip-Hop Vive também está na Casa. Eu quero trazer hoje um verso cujo nome é “Reflexões”, de momentos tão difíceis, a gente nunca pode perder a fé e a esperança de que a gente vai conquistar o nosso. É mais ou menos assim:
(Ouve-se a apresentação)
A SRA. TSANT – Valeu, valeu, valeu! Licença para chegar.
Eu me chamo Tsan, mas para vocês não esquecerem, Tati.
Boa noite.
(Ouve-se a apresentação)
A SRA. PRESIDENTE (MAÍRA DO MST) – E com essa abertura mística, a gente inicia a nossa abertura da Frente Parlamentar.
Antes de iniciar a minha fala, queria registrar algumas presenças muito importantes. A primeira é do Senhor Cleverson Portilho, representando a juventude do PT Carioca – salve, Clevinho! Allanis Pedrosa, Coordenadora Nacional do Levante Popular da Juventude; Pack, representando o Vereador Leonel de Esquerda; Luana Carvalho, representando a Deputada Estadual Marina do MST; Victor Franco, representando a Deputada Estadual Dani Monteiro; Alexandre Campos, também representando a Deputada Dani Monteiro; Gabriel Monteiro, fundador da Federação de Blocos Afro e Afoxé do Estado do Rio de Janeiro; Ray Ferreira de Mesquita, fundador da Batalha da UEF, Coletivo Hip-Hop Vive e Batalha Marginow; Sarah Vicente, organizadora da Roda Cultural do Caju; Lucas Sporques, coordenador do Grupo Hip-Hop Vive e da Batalha Marginow.
Pessoal, antes de a gente abrir aqui para a Mesa e também para outros momentos, vou falar bem brevemente, porque eu acho que o objetivo aqui é a gente ouvir mais e falar menos. Mas quero dizer que, para mim, estar presidindo esta Frente, compondo esta Mesa, na verdade é uma alegria, uma honra, mas principalmente uma responsabilidade.
A Frente Parlamentar Municipal em Defesa do Hip-Hop só existe porque existem os movimentos de hip-hop historicamente nesta cidade, que fazem essa cultura pulsar e existir em cada canto da cidade. Foram esses movimentos, essas organizações, que pautaram uma frente nacional, uma frente estadual e que hoje abrem essa frente municipal no chão da nossa cidade, onde a nossa cultura acontece. O nosso mandato e a nossa Frente estão aqui para somar com esses movimentos na construção de políticas públicas culturais para o movimento hip-hop.
Acho que todo mundo sabe, a gente sente, a gente vê isso no cotidiano, que o Rio de Janeiro respira cultura em todos os cantos da cidade. E por isso nós temos um desafio. E eu estou, enquanto Vice-Presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal, com um desafio fundamental, que é fazer com que os nossos fazedores de cultura tenham acesso a recursos públicos para continuarem transformando o Rio de Janeiro todos os dias. Quer dizer, a gente faz tanta coisa sem dinheiro, sem orçamento, sem incentivo do poder público, imagina se de fato o poder público, o Poder Executivo, olhasse com carinho e olhasse com investimento para essa política cultural, que é uma política de vida.
É por isso que a gente está aqui na Câmara Municipal com uma tarefa muito importante, que é aprovar o Plano Municipal de Cultura. Desde 2018, quando foi lançado o Sistema Municipal de Cultura, que estabeleceu diretrizes para esse plano, nós aguardamos o envio do Poder Executivo para que a Câmara Municipal possa analisar.
Lutar pelo Plano Municipal de Cultura é nosso desafio e compromisso na Comissão de Cultura, porque ele vai resvalar em todas as ferramentas culturais da Cidade do Rio de Janeiro.
A Frente Parlamentar do Hip-Hop é mais uma iniciativa em defesa dos nossos fazedores de cultura do movimento hip-hop. Nesta Mesa forte, com os sujeitos que constroem o hip-hop no dia a dia, eu não pretendo me alongar muito sobre o movimento. Só quero registrar que, entre os cinco elementos do hip-hop, que são os MCs, os DJs, breakdance, grafite e o conhecimento, quero reafirmar a importância do lugar do conhecimento.
O conhecimento é o que transforma o hip-hop em consciência, em ferramenta de libertação. O conhecimento é o que dá sentido à ocupação urbana, que constrói memória a partir dos grafites da nossa cidade, que denuncia a violência do Estado através do rap e muito mais. Com o conhecimento, o hip-hop ocupa as cidades com trabalho, política e resistência.
Por isso, meu mandato, a partir desta Frente Parlamentar, tem pensado em algumas políticas públicas que possam contribuir com o movimento, mas também para que a gente consiga cobrar, sobretudo, leis que já foram aprovadas ou que estão tramitando dentro da Casa. E quero aqui saudar um vereador que foi muito importante para este movimento aqui na Casa, o Vereador Edson Santos, que tem uma série de legislações que estão protocoladas, que estão em trânsito na Casa e que eu acho que a gente precisa desarquivar para fazer de fato as coisas acontecerem.
Mas, no sentido do que a gente quer construir e dizer, Bruno, porque isso veio muito a partir dos diálogos que a gente fez. A gente não tirou nada da nossa cachola, vem tudo a partir dos diálogos que a gente vem construindo.
A primeira é a criação de uma política municipal permanente, não é? Um diagnóstico é que não existe um plano específico para o hip-hop como existe para outros gêneros musicais e culturais da cidade. As ações são pontuais e fragmentadas. Por isso, elaborar uma política municipal garante condições para que a totalidade desse movimento cultural seja respeitada na sua integralidade.
Um segundo é a facilitação do acesso aos editais. A gente vem recebendo, dialogando com muitos coletivos que relatam as dificuldades dos editais, sobretudo no que tange à sua burocracia e que, em sua maioria, acabam favorecendo os grandes produtores, dificultando o acesso dos movimentos periféricos. Um terceiro, que é a garantia do uso dos espaços públicos. Se a cidade é feita por nós, ela precisa ser ocupada por nós. E é fundamental que um mandato popular que se pretende construir dessa forma, esteja com os ouvidos abertos, mas principalmente muita disposição para que nenhum tipo de intervenção autoritária, arbitrária, siga perseguindo os movimentos culturais, sobretudo da cultura negra da nossa cidade.
Então é muito importante que a gente garanta o uso dos espaços públicos para que as coisas possam acontecer. Em diálogo com a Coordenadoria de Territórios e Cidadania Cultural da Secretaria de Cultura – a gente dialogou com a Secretaria para que estivesse aqui –, em outro momento a gente vai fortalecer também essa relação, de forma que a Secretaria de Ordem Pública (Seop) não atue na repressão com o movimento.
Também é muito importante o reconhecimento do hip-hop como patrimônio cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Diferentemente do samba, o hip-hop ainda não é reconhecido como patrimônio imaterial no Município do Rio de Janeiro. Eu quero colocar aqui o meu mandato à disposição para que a gente consiga, ao longo desses próximos quatro anos, de fato, fazer essa declaração. Já vamos protocolar. Joice, Marcelo, vamos fazer essa semana.
Para finalizar, a gente precisa também pensar na criação de um circuito carioca de cultura hip-hop que possa cobrir os territórios, instituir a Semana Municipal do Hip-Hop no Calendário Oficial da Cidade e reivindicar o cumprimento e ampliação do decreto da Rede Carioca de Ritmo e Poesia, de 2021.
Acho que, para além do Rio de Janeiro, a gente também pode pensar outras experiências parlamentares, legislativas e em outros municípios. Eu queria destacar aqui três experiências em âmbitos municipais, diferentes cidades que acho que são bem interessantes. A primeira, uma experiência em Recife, a partir da criação do Fundo Municipal de Hip-Hop. Isso é muito importante, porque faz com que o Executivo tenha um orçamento, ou seja, seja obrigado a ter um orçamento destinado diretamente para a pauta.
Uma segunda experiência, que é na Cidade de Porto Alegre, com a Lei do Hip-Hop, Lei nº 16.049, de 2018, que “reconhece o hip-hop como patrimônio cultural da cidade e obriga o poder público a apoiar eventos, espaços e projetos ligados ao movimento”.
E uma experiência aqui pertinho, que a gente sabe que a Deputada Estadual Dani Monteiro também aprovou na Alerj, mas em âmbito municipal, na Cidade de Nova Iguaçu, com o projeto Hip-Hop nas Escolas.
Se a gente fala no elemento do conhecimento, dentre os cinco elementos, é fundamental que as nossas escolas municipais possam dialogar com o cotidiano desses estudantes. O cotidiano desses estudantes é fazendo resistência na sala de aula, fazendo resistência nos seus territórios, falando sobre a sua realidade. A gente precisa trazer isso também para o Município do Rio de Janeiro.
A partir disso, quero encerrar a minha fala de abertura e, mais uma vez, dizer que essa Frente Parlamentar só existe porque existem esses movimentos sociais, políticos e culturais da cidade há muitos anos. Nós queremos ser porta-vozes disso e incentivar esse conjunto de iniciativas que existem historicamente no Rio de Janeiro.
Vamos embora, vamos juntos.
Para fazer o uso da palavra, quero já convidar o Senhor Bruno Rafael Castilho Alves.
O SR. BRUNO RAFAEL CASTILHO ALVES – Boa noite, pessoal!
Fiz uma anotação rápida, senhores, para não passar despercebido. Queria parabenizar a Ministra dos Povos Indígenas, a Sonia Guajajara, pelo título de doutora honoris causa, que acabou de receber hoje na Uerj. Eu não pude estar na Uerj, fui convidado, não podia estar lá por conta desse compromisso na Câmara. O Edu estava lá representando a Maíra também. Conseguiu estar lá.
Aproveitar também, Maíra, porque eu, enquanto liderança do movimento hip-hop, me solidarizo por você, por tudo que você está passando na Câmara. Quero deixar claro que isso não está passando despercebido. A gente está atenta a tudo que está acontecendo aqui, então me solidarizo com essa situação que aconteceu essa semana, que todo mundo aqui acompanhou também, com a Ministra do Meio Ambiente, a Senhora Marina Silva. Para deixar claro que são pessoas que lutam por nós. A gente acompanha muito a luta da Maíra, da Marina e da própria Sônia. Então, queria deixar registrado, está aqui o meu carinho e a minha solidarização por vocês.
Eu fiz um texto de ontem para hoje, com a ajuda das tecnologias, para falar um pouco da importância da Casa do Hip-Hop, porque eu acho que poucas pessoas não entenderam o significado dessa importância de ter essa casa no Estado do Rio de Janeiro e no município. Mas eu fiz aqui um texto breve e vou explicar para vocês.
Primeiramente, quero agradecer novamente à Vereadora Maíra por dar todo esse suporte, por estar dando voz para a gente estar aqui falando sobre o movimento Hip-Hop, a importância, discutir e debater sobre decretos e leis para o nosso movimento – e o fomento é o mais importante.
Agradecer à Larissa, assessora, por todo o suporte. Tudo o que sempre pedi a ela, sempre fortaleceu. Toda hora ela me manda mensagem para a gente resolver alguma pendência. Graças a Deus, já deu tudo certo.
À sua equipe também, porque deu todo o suporte para a gente fazer este evento lindo hoje. Para você ver a importância de as pessoas saírem de casa para estar aqui, em dia de semana, e prestigiarem este evento. É importante ter essa Frente em Defesa do Hip-Hop.
Também agradecer a Ed Wheeler, porque a luta não é de hoje. A gente vem nessa batida desde 2013, 2014, quando a gente elaborou a primeira lei junto à Aspásia Camargo – à época, deputada estadual. Foi a Lei nº 6.910/2014 e, sucessivamente, veio outras após essa lei, o que foi muito importante.
A lei do “Hip-Hop nas Escolas”. Também tem a lei, mas, me falha a memória agora, a lei que a Verônica também protocolou que é um fomento para o hip-hop. Poucas pessoas estão tendo conhecimento sobre isso. Mas, enfim.
É com grande honra e responsabilidade que eu ocupo este espaço hoje, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, para celebrar um marco histórico: o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Hip-Hop. Mas quero dizer que este espaço é de todos nós. Estamos aqui para afirmar que o Hip-Hop é cultura, é educação e, acima de tudo, é política pública.
Sobre a importância histórica da Casa de Cultura Hip-Hop, hoje eu venho falar sobre um projeto que representa um passo essencial na nossa trajetória, a Casa Hip-Hop. Essa é a primeira casa do Estado do Rio de Janeiro e do município. E não só é um espaço físico, Maíra, é um território de afirmação da construção coletiva, de cuidado e de formação. Essa é a preocupação nossa de ter esse espaço.
Infelizmente, a gente teve iniciativas e, à época, a gente não tinha um Legislativo e um presidente que acolhesse o hip-hop, um espaço onde o hip-hop pudesse ser atendido com a sua a potência transformadora.
A Casa nasce para ser um centro de referência e acolhimento da juventude preta periférica, promovendo arte da cidade, a criatividade, a educação, a cidadania e as oportunidades reais – um espaço que a gente elabore projeto, que tenha curso de gestão financeira para todo mundo. Ou seja, um espaço que ensine o que é também guardar dinheiro, investir no movimento hip-hop.
Formalização e sustentabilidade para garantir a seriedade e longevidade do projeto. A Casa Hip-Hop já está organizada juridicamente. O nosso CNPJ tem 16 anos. Isso mostra para vocês que é mais do que uma idéia, é uma realidade construída com muito esforço, muito tempo. Desde 2011, eu tenho essa iniciativa, desde que eu fiz esse intercâmbio na Europa. Então, já voltei com essa ideia, porque lá já tinha isso. Quando eu vim com esse compromisso de a gente elaborar essa lei de 2013, a gente também já estava debatendo com a Aspásia sobre um espaço da Casa de Cultura.
O projeto da Casa começou a ser pensado após o nosso tour. Enfim, nosso projeto é inovador, é justamente para unir a cultura urbana, tecnologia e educação em um mesmo lugar. A casa vai oferecer uma programação contínua com eventos, festivais e palestra gratuita voltada para o fortalecimento dos Cinco Elementos, que são: Conhecimento, MC, DJ, Break e Grafite. Além disso, vamos desenvolver formações fundamentais para a juventude, que é o nosso objetivo. Curso de gestão financeira, curso de produção de audiovisual, curso de produção cultural, curso de idiomas – inglês e espanhol –, acesso à internet... A gente sabe muito bem que muitos trabalhadores estão no Centro da cidade e, às vezes, precisam de um espaço para ler, para ter acesso à internet e a gente não tem. Infelizmente, a gente não tem aqui esse espaço em que você tenha uma internet gratuita e um espaço para você se reunir.
Para concluir, a Casa de Cultura Hip-Hop é a política pública construída pela base, com pessoas da base do hip-hop, com os pés no chão da favela e olhos voltados para o futuro. E é por isso que a criação dessa frente parlamentar é tão importante. Precisamos de política pública, Maíra, que reconheça o Hip-Hop como ferramenta legítima de transformação e de espaço, e que nos permita crescer, criar e resistir.
Quero agradecer a todos os presentes e a você por dar todo esse suporte. E que seja uma frente que é o começo de muitas vitórias para a Cultura Hip-Hop, independente se eu estou aqui, independente se eu estou ali sentado. Na verdade, isso... Eu só estou aqui mais por essa questão de organização mesmo. Mas, todos que estão aqui, Maíra, representam igual a mim nesta Mesa. Então, só foi mais a questão mesmo de organização e de explicar o que é a Casa do Hip-Hop. E esse projeto foi pensado, porque é uma referência pedagógica, política, estrutural e para inspirar outras iniciativas que queiram construir espaço semelhante.
Só para explicar para você, Maíra, a Casa do Hip-Hop vai servir de modelo. Então, eu participei de uma reunião em que muita gente me perguntou, estava com dúvida em relação à casa. Mas, esta casa vai servir de modelo e também vai ser o suporte para outras casas também. Eu não acho, e não quero também isso, que seja só a Casa do Hip-Hop aqui minha. Eu vou ajudar e vou dar dar todo o suporte. A gente vai criar todo o passo a passo de como a gente pode elaborar outras casas, seja em São Gonçalo, em Niterói, na Baixada Fluminense, na Zona Oeste, na Zona Norte, em qualquer lugar do Rio de Janeiro. Vai ser um modelo de negócio para outros lugares. Enfim, estamos falando de um projeto que, com a metodologia clara, com gestão democrática, CNPJ ativo, porque é bom lembrar que tem que ter três anos com CNPJ ativo. Tem que ter também equipe que faça a prestação de conta, porque isso é essencial, infelizmente. A gente está tendo muito problema com prestação de conta, então, vai ter toda essa assessoria também para prestação... E ensinar a prestação de conta que respeita as necessidades reais dos territórios. Essa organização é essencial para garantir sustentabilidade, acesso aos editais, emendas parlamentares, parcerias institucionais e com a empresa privada. E, mais que isso, a Casa de Cultura Hip-Hop é um espaço feito pela comunidade, para a comunidade, e é um espaço que pode ser multiplicado, adaptado e recriado conforme a realidade de cada território. Cada território vai ter a casa de cultura conforme a comunidade deseja.
Enfim, por final, é fortalecer a Casa de Hip-Hop, é fortalecer um povo, é gerar oportunidade e construir um futuro a partir das nossas raízes.
Muito obrigado. E, qualquer dúvida, pode tirar comigo, que estou aqui para ajudar vocês.
A SRA. PRESIDENTE (MAÍRA DO MST) – Obrigada Bruno.
Convido Laura Zúñiga para poder fazer o uso da palavra.
A SRA. LAURA ZÚÑIGA – Boa noite pessoal.
Quem me conhece sabe que eu não gosto muito de falar em público, mas vamos lá. Sou muito tímida.
Mas quero agradecer, começar agradecendo o convite para fazer parte dessa frente parlamentar que eu acho que, assim, por princípio, deve ser múltipla, diversa. E eu acho que aqui a gente tem só um pouco do que já começou a ser pensado para essa frente. E a frente não significa ter necessariamente um lugar de liderança. Mas, eu acho que é nas comunicações, enfim, como cada um se articula que é fundamental, assim, para a gente conseguir ver alguma mudança. Então quero começar agradecendo o convite da Ed, da Daíra, o convite de pessoas que já estão há muito tempo aqui nesse movimento e assim para mim é uma honra fazer parte. Eu sou produtora da Roda Cultural Batalha do Engenhão, uma roda cultural majoritariamente feminina e negra, lá, do Engenho de Dentro, Zona Norte carioca. Quem não conhece está vivendo errado. Mas vão lá conhecer porque sexta-feira a gente está lá e enfim eu só queria dizer que eu acho que é muito importante reforçar que eu acho que é importante esse movimento e a gente ter representantes no Legislativo que são aliados, que não estão contra – que é o normal da sociedade –, mas que estão pelo menos juntos e caminhando juntos. Eu espero que a gente consiga fazer muito mais articulações para ver esses resultados. Maíra aqui já falou alguns pontos que vão ser trabalhados depois, é, enfim, e outros muitos. Eu acho que tem que ter o diálogo também com os frequentadores e não só de rodas culturais, mas pessoas que são do hip-hop e que não necessariamente são de roda cultural, porque vai muito além do movimento de roda cultural. Mas que todos possam ser ouvidos, e a gente colocar os problemas, as dores e possíveis soluções.
Eu quero agradecer mais uma vez e eu espero que realmente a gente tenha muito trabalho pela frente. Não tem nenhuma criança aqui, eu acho que todos são maduros o suficiente para saber onde e com o quê a gente está se comprometendo. Eu fico feliz de estar junto de vocês nessa luta, porque eu acho que é uma batalha mesmo, batalha de rima, batalha de grafite, de break, são batalhas que a gente enfrenta diariamente na nossa vida. Acho que se a gente enfrentar juntos, porque eu acho que no final das contas, apesar de terem algumas mudanças, a gente quer a mesma coisa. Assim pensando no movimento, pensando nesse movimento coletivo. Eu também espero que os desejos individuais de cada um fiquem em segundo plano e a gente sempre pense na melhoria para o coletivo. E lembrando dos recortes que são muito importantes, assim, agora trazendo de volta para as rodas culturais, os recortes de rodas que são femininas, tem rodas que são no meio da comunidade e que aí tem que lidar com outros tipos de problemas. Enfim, tem várias questões, então que a gente consiga auxiliar também nesse processo, nessa comunicação e nessa articulação.
E é isso, vamos juntos, gente, bora lá. Hip-hop vive!
A SRA. PRESIDENTE (MAÍRA DO MST) – Obrigada, Laura! Trazendo a potência das mulheres. Muito bom.
Agora, Fernando Lopes para fazer uso da palavra.
O SR. FERNANDO LOPES – Boa noite. É, só para quebrar o clima, como diz aquele “meme” do pica-pau: em todos esses anos nessa indústria vital, é a primeira vez que isso me acontece, né? Eu não sabia como falar, eu podia fazer texto, fiquei tão nervoso que errei até o bigode, tive que tirar tudo. Brincadeiras à parte. Primeiramente, agradecer o convite da Maíra, a Ed, a confiança do Bruno também. Para quem não sabe, sou o Daíra. Sou mais de 15 anos aí no movimento hip-hop. Se for contar o tanto de rodas que eu já fiz aí, bota mais de 150 aí, de 2017 para cá. Hoje em dia eu articulo a Roda Cultural da Pedra do Sal, Roda Cultural Bairro 13, Roda Cultural do Karatê, Batalha do Azul, lá, no Flamengo, na Zona Sul. E fora isso, eu e mais uns amigos também que fazem roda na Cidade de Deus fazemos parte do Conselho de Rodas. O Conselho de Rodas foi criado para nos blindar, nos fortalecer, dividir o que nós temos e multiplicar mais ainda porque a Cidade de Deus é o único lugar do Rio de Janeiro de todo o Estado que tem cinco rodas que funcionam. E que tem um conselho que decide por muitas das vezes como vai ser o futuro em relação às rodas culturais, aos movimentos culturais. Eu tenho por mim que são quatro elementos e o quinto elemento, que é o conhecimento, ele se dá através daquele elemento que você primeiro consome. Se você sendo “Mc”, você acaba tendo uma noção como b-boy, como DJ, como grafite e isso já te torna teu quinto elemento que é o conhecimento, que te dá a percepção disso tudo.
Fala-se muito na Casa de Hip-Hop, que é um sonho para mim também. Fala-se nas leis de consolidação de trabalho de cultura e arte na rua. Tem decreto que até hoje o Estado não respeita. A gente, que vive de produção cultural, faz áreas conflagradas pelo tráfico e pela milícia, tudo tirando do bolso.
Aí, quando a gente chega para os lá de cima e fala: “pô, tem que liberar o edital”. Antes do Lula sancionar, aquela coisa toda de 2022 – precisa lembrar – a gente disputava edital com outros tipos de cultura também. Então, para uma pessoa que está ali avaliando, o que ela vai considerar mais à frente? Nada contra, mas uma organização de Jongo, que está há mais de 400 anos, ou uma organização de Hip-Hop, que está há 50 anos só? Vai prevalecer o Jongo.
Então, eu acho que o que aconteceu em 2022 foi um marco para a gente ter mais possibilidades e ter mais reconhecimento, informação e se informar através disso, porque ficou bem mais provável a gente conquistar o que é nosso, que é de direito, certo?
Só que, muito além disso, muito além de edital, parece que – sei lá! – na visão de alguns de lá de cima: “vou mandar um edital para o pessoal ali”, igual à Funarj (Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro) fez, de R$ 7.000,00, com todo respeito, se você quer fazer um evento, você sabe que na Roda Cultural, a maioria do público não tem condição; vai de graça, porque é de graça, e lota. A Roda Cultural diminui até 80% dos índices de criminalidade na região, aumenta a rentabilidade social e local. Posso citar vários exemplos de várias rodas, mas não vem ao caso.
Então, não só edital. É como eu estava falando com o amigo ali. A finalidade é chegar ao patamar que as Rodas Culturais, as batalhas de MC dos eventos culturais, tudo que engloba o movimento e a cultura Hip-Hop seja de mesma fomentação como são as Escolas de Samba todo ano no Rio de Janeiro. E, uma vez, Maíra, eu falei até isso para uma parlamentar e ela disse para mim: “Ah, mas o Carnaval é turismo.” Eu falei: “O turismo e a batalha de MC também é. Carnaval é manifestação cultural, Roda Cultural, Movimento Hip-Hop por si só, se é uma política pública, é uma manifestação cultural popular”. Então, é muito fácil, por parte da Secretaria de Cultura da Prefeitura, ou do Estado, querer só ver o samba.
Muito se valoriza do samba. Quem não gosta de samba aqui bom sujeito não é, bom sujeito não é. Só que não é só o samba. Você também está promovendo o turismo. Eu faço uma batalha na Cidade de Deus, ou faço uma batalha na Pedra do Sal, ou, por exemplo, se tiver lá na batalha da Marina, ou se tiver lá no Caju, na Cidade de Deus, seja onde for, você vê MC de todo lugar do Rio de Janeiro, até de fora do Rio de Janeiro. Como não pode dizer que isso também não é turismo?
Eu falo por mim, porque muitas vezes eu deixei várias pessoas falarem por mim. Às vezes, muitas dessas pessoas que eu achei que fossem falar por mim, não falaram por mim, ou não falaram pelo coletivo; falaram pelo que elas acham. Só que ego e vaidade a gente tem que deixar lá no espelho, quando a gente acorda cedo. Não pode ser deixado aqui no coletivo; aqui está por uma melhoria. Já fiz roda assim: o Caveirão na esquina; já fiz roda na época da intervenção militar, em 2028; já fiz roda no meio do tiroteio; já fiz roda que o Bope queria impedir a gente de entrar, de fazer a roda, e a gente fez. Então, é resistência. Só que essa resistência tem que vir daqui e saber que tem entendimento. Muito vem daquela coisa: “Ah, Hip-Hop e política não se misturam”. Ah, se misturam! Quer dizer, se envolvem, mas não se misturam, até porque água e óleo não se misturam.
Então, o que eu quero dizer para vocês? Eu vou falar uma parada para vocês que uma vez o Marechal me falou e eu guardei isso e guardo isso na minha cabeça. Tem o suco de laranja. Tem o suco em pó e o tem o suco da fruta. O suco em pó é um suco instantâneo. Você vai lá, dilui e está feito. Para o suco da fruta, você tem que plantar. É o plantio, certo? A árvore, com certeza, vive muito mais do que o ser humano, mas você não pode estar na terra, mas as pessoas que foram provar daquele suco de laranja do pomar vão saber quem foi que plantou.
Muito obrigado mais uma vez que comprou essa ideia, comprou esse barulho. Porque muita gente fala de cultura de arte, mas a verdadeira base está na molecada, está nos mais jovens que vão nas rodas, sabe? Já tirei gente do tráfico, já ajudei muita gente. Tiveram meninos meninas que eu não consegui ajudar, mas aí já foi por negligência até do próprio Estado, sabe? Se eu for contar histórias e histórias e histórias, isso não vai caber no dia de hoje e todo mundo tem seus compromissos depois.
Então, é o meu compromisso, a partir de agora, fazer por onde, ter trabalho suficiente, explicar para vocês, conscientizar vocês, passar para vocês o que pode ser melhor para a gente. Acho que, na hora de falar sobre poder, muita gente quer puxar sardinha para o lado. E eu tenho visto isso há muito tempo e isso me deixa bastante chateado, porque a gente não sabe qual é o verdadeiro intuito da pessoa. Você está numa equipe ali, você está fazendo uma roda, você está dando o seu sangue. Mas será que a pessoa do teu lado está realmente da mesma vibe que você, no mesmo rolé que você? Então, vai de cada um, da consciência de que o Rap é compromisso e união. Depende. Bom senso. União é açúcar. Muito obrigado, gente.
A SRA. PRESIDENTE (MAÍRA DO MST) – Muito obrigada. E antes de passar para o Edu, para finalizar a Mesa, quero registrar mais duas presenças. A primeira é da Senhora Flávia, representando a Frente Nacional de Mulheres do Hip-Hop. E do CK, assessor parlamentar, representando a Deputada Estadual Verônica Lima.
Tenho outro informe aqui também pedindo... A gente tem uma lista de presença que está rodando com um QR code para entrar no grupo de discussão sobre a Frente. Então, peço para todo mundo participar, para que a gente consiga manter esse vínculo e esse diálogo cotidianamente.
Vou passar aqui pro Eduardo Nascimento pra gente poder finalizar a Mesa e dar os encaminhamentos necessários.
O SR. EDUARDO NASCIMENTO – Vou falar em pé também para ficar... Esse aqui está mais baixo ou é o mesmo volume? Está ouvindo bem? Está beleza? Então, boa noite, Hip-Hop. E, vereadora, o feijão estava fraco, hein? Boa noite, Hip-Hop! Ah, agora sim ficou bonito, bacana. É sempre uma emoção.
Meu querido parceiro, Zézinho Andrade, melhor fotógrafo da história preta do Rio de Janeiro. Palmas pro Zézinho, que é história viva do movimento negro em imagem. É muito bonito, vereadora, chegar aqui e ver esta casa tão cheia e bonita de gente preta, não é? Ver a Câmara Municipal se tornando um grande quilombo. Parabéns pelo mandato, parabéns pela construção nacional do Rio de Janeiro, por movimentar a Casa, que está parecendo um grande quilombo, é uma grande emoção. Muitas vezes a gente roda esse país, roda esse estado e o único preto que tem na Mesa é a gente. Então, ver que tem outros irmãos e irmãs aí é muito bacana.
Gente, sou Edu Nascimento, sou jornalista, estou com a honra e com a missão de estar à frente da representação do Ministério da Cultura aqui no estado do Rio. Estamos correndo gira lá em Paraty, do Quilombo Caiçara, de São Gonçalo e nosso querido Vaguinho, até Quissamã, Fazenda Quilombo Machadinha, correndo, de ponta a ponta, o Estado. Trago a saudação do nosso P
residente Luiz Inácio Lula da Silva, que, no seu primeiro dia 20 de novembro, todos lembram, fez o primeiro Dia da Consciência Negra no seu terceiro mandato, inaugurando um decreto da política nacional do Hip-Hop, trazendo uma série de ações.
Nunca antes, na história deste país, o Hip-Hop teve um protagonismo federal e interministerial dialogando com vários setores. Trago a saudação da nossa Ministra Margareth Menezes, uma mulher preta, da Bahia, que está trazendo a cultura.
E, Maíra, eu tenho a honra de ser liderado não só por uma mulher negra, eu sou liderado por duas mulheres negras, a nossa querida Secretária Nacional dos Comitês de Cultura, Roberta Martins, mulher preta aqui do Rio de Janeiro, da Portela. Acho que é um tema muito importante com muita história, muitos amigos e parceiros de jornada.
Queria saudar aqui a nossa querida Edd Wheeler, porque vocês que são da nova geração, eu estava lá em 1993, com o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), que lançou o disco Tiro Inicial. A primeira coletânea do hip-hop do Rio de Janeiro, que lançou, entre outros, MV Bill – veio dali, cadê a Edd? Cadê a Edd? Levante aí, Edd! Você estava lá com Damas do Rap. É a história do hip-hop aqui em nossa cidade. Muito importante esse registro.
Acho que a gente tem muita coisa bacana para avançar. Quero compartilhar com vocês que essa semana foi de muita emoção para a gente do Ministério da Cultura. Na segunda-feira, foi o último dia de adesão dos municípios para a Política Nacional Aldir Blanc. Não sei se todo mundo está ligado no que é a Política Nacional Aldir Blanc, que é recurso federal. Nós tivemos a Lei Aldir Blanc I, na época da pandemia, que contava com recurso federal para cultura, para os estados e para os municípios. Tivemos a Lei Paulo Gustavo, que também era da mesma maneira. E, em vez de se tornar uma lei Paulo Gustavo II, se tornou uma Política Nacional, de cinco anos, cinco anos de investimento. Tivemos, em 2024, o primeiro ciclo, e agora nós vamos ter o segundo ciclo, em 2025, 2026, 2027 e 2028. Serão R$ 3 bilhões que vão chegar para cultura, para estados e municípios. A Cidade de Rio de Janeiro tem R$ 38 milhões em 2025, em 2026, em 2027 e 2028.
Nunca na história desse país tivemos tanto recurso federal chegando aos municípios. E qual é a nossa grande alegria, uma grande vitória da cultura brasileira? A gente conseguiu chegar a todos os municípios brasileiros. Do Oiapoque ao Chuí, conseguimos 5.067 municípios. Faltaram dois do Estado de São Paulo para gente gabaritar o Brasil inteiro.
Nunca uma política pública brasileira conseguiu ser tão eficaz, ser tão capilarizada e chegar à base. Ou seja, a cultura está movimentando o Brasil. Isso é uma vitória de todos nós, gente. Vamos bater palma para gente. Significa que com a política Aldir Blanc, nós vamos ter dinheiro, recurso federal até 2028. E, há um mês, o Presidente Lula sancionou a mudança da política Aldir Blanc, colocando ela com mais longevidade. Então a gente tem um ciclo de cinco anos e mais possibilidade de ter um ciclo de mais cinco anos de investimento. Nunca na história desse país tivemos tanto recurso para a cultura.
E o que é importante para o movimento hip-hop se ligar? Primeiro, a Política Aldir Blanc consiguiu elementos de democratização, e a gente tem que se empoderar deles. Primeiro, tem um percentual mínimo de 20% do recurso para periferia e comunidades tradicionais. Ou seja, em todos os 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro, estou falando de Varre-sai, de Duque de Caxias, de Saquarema, de Parati, Cachoeira de Macacu, Seropédica, Nova Iguaçu, todo mundo vai ter dinheiro para cultura, e 20% desse recurso são para periferia e para comunidades tradicionais. Percentual mínimo! Mais 20%, ou seja, 40% são para ação afirmativa de recorte racial, gênero, LGBTQIA+, PCD – 40%. Isso é um percentual mínimo!
Você sabe quanto foi o percentual de racial na Lei de Paulo Gustavo no Estado da Bahia? Sabe quanto foi? Você sabe quanto foi, companheiro? E você, César, sabe quanto foi? Foram 60%! A sociedade civil, o povo preto se uniu e garantiu no Estado da Bahia que 60% do recurso da Lei Paulo Gustavo fosse para gente preta.
Portanto, é hora do movimento hip-hop se apropriar, se empoderar e reivindicar os seus direitos, as suas melhorias.
Além disso, nós temos uma política, que é o legado do nosso querido Ministro Juca Ferreira, Ministro Gilberto Gil – e Juca Ferreira, que é o Cultura Viva e o Ponto de Cultura, Apoio à política cultural de base comunitária. Para mim, toda roda de rima, todo movimento hip-hop é Ponto de Cultura.
Então é o momento para o movimento hip-hop se apropriar. Você está junto no edital das linguagens gerais e está junto no edital de Ponto de Cultura. Todo encontro, todo coletivo de hip-hop é Ponto de Cultura. A hora de fazer e acontecer, a Vereadora se unir, trazer a universidade, trazer o Comitê de Cultura para estar junto, como nós fizemos no edital do hip-hop, se lembram?
Nós fizemos a reunião, trouxemos o pessoal de Brasília, que foi lá explicar, trouxemos a UFRJ, Maíra, que fez uma oficina de elaboração de projeto e garantimos lá na Nave Madureira, que ficou o dia inteiro com uma quantidade de computadores à disposição do movimento hip-hop para apresentação de projeto. Está na hora de a gente fazer esse movimento circular. Isso é um grande momento de mudança e transformação que a gente precisa para poder avançar. Tem uma série de propostas colocadas na Política Nacional do Hip-Hop que eu acho que servem de parâmetro, e é importante ter a Frente Parlamentar Estadual e ter a Frente Municipal para a gente trabalhar e lutar contra a marginalização e a criminalização do movimento Hip-Hop e avançar.
Notamos em 2025, 22 anos da Lei 10.639. Para quem não sabe, em 9 de janeiro de 2003, o primeiro ato do Presidente Lula foi sancionar a lei que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas. E o Hip-Hop dialoga diretamente com isso, não é? Em todas as suas linguagens, em todos os seus momentos, como bem detalhou aqui a vereadora, o conhecimento.
E todo mundo falou da roda de rima, eu quero falar de outro elemento aqui: o grafite. O poder transformador da cultura Hip-Hop. Tenho andado pelo estado, tenho ido muito a Volta Redonda, que é uma cidade em que o grafite está transformando aquela cidade, que vai se transformar em capital da arte urbana. Tem mobilizado os moradores da cidade, mobilizado o turismo, como bem colocou aqui o companheiro. O grafite está sendo um elemento turístico da Cidade de Volta Redonda. Já é, mas eu digo que Volta Redonda está se transformando pelo grafite.
E, mais do que isso, Bruno, lá a população já se apropriou. E eles estão reivindicando grafite no seu bairro. Cada bairro, a população está querendo montar grupos para escolher os temas do grafite a ser desenvolvido na sua população. Se está acontecendo em Volta Redonda, pode acontecer aqui no Rio de Janeiro.
Então, o poder do transformador do Hip-Hop nos seus vários elementos é o elemento de transformação que tem que fazer para garantir a cidadania.
Para finalizar, e ouvir vocês, como temos muita coisa para fazer, muita coisa para garantir, o Ministério da Cultura é parceiro. Semana passada nós fizemos a reabertura do Palácio Gustavo Capanema. Estamos fazendo as adaptações. Mas quem sabe, Bruno, fazer ali um espaço para as reuniões, para os encontros, para a formação do Movimento Hip-Hop. Vai estar aberto ali para todo mundo.
E quem sabe, LP, fazer um baile Hip-Hop ali no Capanema, hein? Olha aí. Eu não falei nada disso não, vocês estão falando.
Gente, muito obrigado.
Para fechar, como diz a nossa querida Ministra Margareth Menezes, eu estou aqui, mas eu sou daí. Forte abraço.
A SRA. PRESIDENTE (MAÍRA DO MST) - Obrigada, Edu.
Máximo respeito.
Quero convidar aqui, também para fazer uma saudação, o mandato da Deputada Estadual Dani Monteiro, que é presidente da Frente Parlamentar do Hip-Hop lá na Alerj, no estado, por meio do Xande MC para fazer essa saudação.
O SR. ALEXANDRE CAMPOS - Boa noite, tropa. Boa noite também à galera aqui da Mesa.
Eu sou Xande MC, faço parte do mandato da Deputada Dani Monteiro também, que é presidente da Frente Parlamentar Estadual. Infelizmente ela não pôde estar aqui, ela estava lá na Uerj com a ministra. Então eu acho que ela não vai conseguir chegar a tempo, mas mandou um grande abraço.
E também saudar a iniciativa da Maíra aqui, que está construindo a Frente Municipal do Hip-Hop. É um passo muito importante, acredito eu que isso vai fomentar muito a cultura no município. Existem diversas rodas culturais passando por diversos perrengues. Então, acredito eu que vai ajudar bastante.
Tem roda também precisando de fomento na ocupação das praças, do espaço público. Então, acho que a frente pode ajudar bastante, além do fomento também que a galera também está precisando, não é? Acho que uma questão, como a galera já disse aqui, além do turismo e tal, que as rodas culturais oferecem, a gente precisa pensar no transporte, na logística dessa juventude que está circulando pela cidade em busca de um espaço para poder curtir e frequentar alguma atividade cultural.
Queria ainda falar que é muito importante esse espaço para que se criem outras organizações, se crie o fórum municipal inclusive, porque eu acho que, uma disputa que a gente tem de entrar também é nos Conselhos Estaduais, nos Conselhos Municipais.
Então, acredito eu que essa galera que está aqui possa ajudar a construir isso, o que só vai ser possível com a colaboração de todo mundo. E também fomentar os DJs, as formações de DJs, os mutirões de grafite pela cidade, que é igualmente muito importante.
É isso.
Muito obrigado a todo mundo. E vamos que vamos.
A SRA. PRESIDENTE (MÁIRA DO MST) – Obrigada, Xande.
Depois de a gente ouvir essas falas potentes, diversas e plurais, e antes de a gente encerrar também, acho que grande parte do desafio desta Frente é a gente conseguir consolidar uma organicidade, um movimento, aqui no Legislativo, unificado com o movimento que está na rua, na correria e conversando um pouco com os diversos movimentos que estão compondo esta Frente.
A gente está propondo, na verdade está constituindo aqui, como um dos objetivos da Frente, um conselho civil dos movimentos de hip-hop com algumas representações, com 12 representações, para ser mais exata.
Eu vou antes situar que eu acho que esse é um caminho muito importante para a unificação dos trabalhos, para que a gente dê encaminhamento para esse trabalho que precisa ser coletivo e ser cotidiano. No conjunto das falas, a gente tem uma série de elementos, uma série de desafios, mas eu acho que é no cotidiano que a gente consegue ir dirimindo e identificando tanto os processos legislativos aqui na Casa quanto principalmente como a gente consegue fortalecer no cotidiano, na rua.
Então, vou aqui citar as 12 pessoas e pedir para que fiquem de pé, para que a gente consiga se reconhecer e compor esse conselho civil na nossa Frente.
Primeiro, Lúcio Pedra do IQFênix do Break Carioca. Está por aí? Não veio, não? Mas a ideia é que ele componha, não é? A partir da indicação dos movimentos.
Bruno Rafael, Instituto BR 55, Casa Hip-Hop Brasil. Fique de pé.
Nossa querida Edi, tão mencionada, do projeto Minas na Cena e área jurídica da Frente Nacional de Mulheres do Hip-Hop. Essa mulher que sempre dá aulas, não é? E que a gente ouve com bastante carinho.
Laura, nossa querida Laura aqui também. Fique de pé para compor o nosso Conselho, da Roda Cultural da Batalha do Engenhão.
Da Ira, que também está aqui na Mesa, da Roda Cultural Pedra do Sal e Coletivo Bairro 13, para compor esse Conselho.
Querido Chacal, está por aí? Da ONG Tropa da Solidariedade. Foi dar um giro, mas está compondo também o nosso Conselho.
Ju Dorotea, produtora da Dinastia Sabah, pesquisa os bastidores do hip-hop. Também compondo. Chega mais aqui para frente.
Annie, do projeto Arte e Transformação, produtora Mutirão das Minas e Festival de Rap e Cultura do Complexo do Alemão, para compor também.
Mestre LP, nosso querido facilitador, DJ. Levanta aí, LP. Instituto 55.
GB do Flow 021, está por aí?
Marcos Borges, do Coletivo B2C, está por aí?
Para finalizar, Paixão MC, Casa de Cultura da Zona Oeste.
Então, esse foi o conselho civil constituído a partir dos diálogos que foram construídos entre o mandato e o conjunto dos movimentos.
Quero, antes de finalizar, falar da presença também do meu querido Eduardo Familhão, produtor cultural que está aqui prestigiando o nosso evento.
Quero, mais uma vez, colocar essa Frente Parlamentar Municipal à disposição para fortalecer todas as iniciativas, ideias, propostas, reafirmando o compromisso com os movimentos culturais e com a construção de políticas públicas coletivas que sejam transformadoras.
Uma breve lembrancinha aqui para nossa Mesa.
A Frente está criada com a força dos movimentos sociais, com a força da nossa coletividade. E ela se move com quem vem da rua, da correria, da luta, de quem está junto para somar e não dividir. Vamos construir isso juntos.
Para finalizar, quero agradecer a presença de cada um de vocês. Como o Bruno falou, a maior correria. A gente tendo que disputar o tempo cada vez mais. Quero agradecer imensamente – hoje a quarta-feira foi supercorrida – a cada um que esteve aqui. Quero agradecer também a nossa equipe da Câmara Municipal, esses trabalhadores e trabalhadoras que estão sempre aqui contribuindo com os nossos processos legislativos.
Agora, a gente vai fazer uma cultural, com o microfone aberto, é claro, até umas dez horas. Uma grande foto daqui para cá. Pode ser? Isso. Show. A gente faz uma foto. Antes de a gente tirar a foto, vamos fazer uma foto da Mesa aqui, uma foto com todo mundo e, depois, uma foto com o pessoal que vai compor o Conselho.
Quero registrar a presença do César da Febarj, que está aqui prestigiando esse evento.
Quero encerrar a nossa atividade com vocês, LP, microfone aberto. Vamos embora.
Dou por encerrada o “Lançamento da Frente Parlamentar pela Defesa da Cultura do Hip Hop”.
(Encerra-se o evento às 20h05)
LISTA DE PRESENÇA
Ediviller dos Santos; Aline Santos; José Anilton; Larissa Reis; Carlos dos Santos; Victor Fanco; Lucas Moraes; Alexandre Campos; Juliana Lopes; Flavia Souza; Vanessa Viega; Doris Barros; Silvana Coelho; Luciana Xavier; Vagner Teixeira; Marcos Borges; Felipe Andrade; Agata do Albuquerque; Carla de Felizardo; Annie Ribeiro; Alexandra Froument; Sam Lima; Frederico Lopes; Katelyn Carvalho; Lucas Sporquies; Gabriel Monteiro; Paulo Cesar Xavier; Ray Ferreira de Mesquita; Cleverson Portilho; Sarah Vicente; Arthur Henrique Batista; Anderson Reef; Patricia Moreira.