Comissão Permanente / Temporária
TIPO :
DEBATE PÚBLICO
Da
VEREADOR EDSON SANTOS
REALIZADA EM
03/18/2024
Íntegra
Debate Público
:
ÍNTEGRA DO DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 18 DE MARÇO DE 2024
(Afroturismo – Cultura, Patrimônio e Desenvolvimento)
Presidência do Sr. Vereador Edson Santos.
Às 10h27, Salão Nobre Vereador Antonio Carlos Carvalho, sob a Presidência do Sr. Vereador Edson Santos, tem início o Debate Público sobre Afroturismo – Cultura, Patrimônio e Desenvolvimento –, com entrega de Moções de Aplauso e Louvor para as Baianas e Baianos do Acarajé.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Senhoras e senhores, bom dia.
Dou por aberto o Debate Público sobre Afroturismo – Cultura, Patrimônio e Desenvolvimento –, com entrega de Moções de Aplauso e Louvor para as Baianas e Baianos do Acarajé.
A Mesa está assim constituída: Senhor Presidente da Embratur, Marcelo Freixo; Senhora Subsecretária da Subsecretaria Executiva de Cultura, Mariana Ribas da Silva; Senhor Coordenador da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (CPIR), Yago Feitosa; Senhora Diretora do Museu da História e da Cultura Afrobrasileira, Sinara Rúbia; Senhora Presidente da Associação de Baianas de Acarajé, Rosa Perdigão; Senhor Milton Cunha, apresentador e carnavalesco; e Senhor Sandro Ifátorerá Babalaô.
Tenho a honra de registrar a presença do Senhor Emerson Menezes, representando o Caxambu do Salgueiro; do Senhor Fernando Chacau, representando a Tropa Corredor Cultural Beco do Pantera; do Senhor Luiz Claudio Peixe, diretor presidente do Movimento Cultural Ponto Chique Charme; da Senhora Beatriz Melo, representando o Instituto Erê; do Senhor João Carlos Martins, vice-presidente cultural do Renascença Clube; da Senhora Jorginete Costa, coordenadora do Projeto Afro Religioso e Cultural Batuca Axé; da senhora Sinara Rúbia, diretora presidente do Museu da História e da Cultura Afro-brasileira, que já está aqui à Mesa; e do Senhor Roberto Martins, presidente do Museu Mano Eloy.
Eu tenho uma vida muito ligada ao tema que a gente vai discutir hoje. Primeiro, eu fui nascido e criado no Horto Florestal, na área de trabalhadores da Zona Sul do Rio, com uma forte presença negra e uma tradição negra muito forte. Até por que, ali no Horto, nós tínhamos senzalas onde os escravos moravam. E ficou muito dessa história naquela região do Horto, que é uma Zona Sul que as pessoas pouco conhecem e pouco têm contato com esse lado da história, mas que existe lá. E, por outro lado, a segunda parte da minha vida foi na Cidade de Deus, também uma comunidade eminentemente negra, com origem de fruto da violência que a elite, na década de 60, promoveu contra a população negra que morava na Zona Sul. Então, Cidade de Deus é um produto dessa realidade. Mas tirando esse lado perverso da história, muita coisa ficou ali da cultura negra, afro, na Cidade de Deus!
Então, minha vida sempre foi muito vinculada a isso. E na vida política, também, a gente teve, assim, contato com temas caros, a história da população negra brasileira. Questão da Lei nº 10.639; do Estatuto da Igualdade Racial; da Lei de Cotas; do Feriado Municipal de Zumbi, que agora é um Feriado Nacional, devido a decisão do Presidente Lula de transformar em uma data nacional, equiparando Zumbi a Tiradentes, enquanto herói do Povo Brasileiro.
Então, minha vida sempre foi muito ligada a isso. A ideia de fazer essa discussão na Câmara sobre o turismo afroétnico, na Cidade do Rio de Janeiro, é com o objetivo de dar visibilidade a esse lado da Cidade do Rio de Janeiro, às pessoas que vêm conhecer o Rio de Janeiro, que vem visitar; que vem conhecer o Pão-de-Açúcar, Copacabana, Barra da Tijuca, que também está na moda, agora, Pão-de-Açúcar, mas que não vêem o outro lado da Cidade. A Pedra do Sal! As contribuições negras para a construção da sociedade carioca, onde pontifica o Samba, o Choro, o Cachambu, que está aí, ou o Jongo, para quem prefere chamá-lo assim. Ou seja, a contribuição negra para a formação da cultura daquilo que é a cultura carioca, podemos assim dizer.
Até mesmo o desfile da Escola de Samba, esse lado fica quase que meio invisibilizado; não fica tão invisibilizado porque tem uma bateria potente ali – não é Milton? – que dá o tom afro àquela festa. Mas não há uma visibilidade da questão da presença negra, da contribuição negra para aquele evento. A última figura, assim, que faleceu, recentemente, foi a Maria Lata D’água, que era uma mulher da Portela que desfilava com a lata d’água na cabeça. E foi a primeira figura, assim, que eu tive contato, no mundo do samba, que a minha família é toda de Portelenses, vocês vão me desculpar, eu também sou. A partir, conheci esse personagem Maria Lata D’água, que desfilava a avenida toda com uma lata d’água na cabeça, fazendo os passos do samba.
Então, eu faço isso muito dirigido ao companheiro Freixo aqui. O objetivo nosso é construir um ambiente para uma política pública que dê visibilidade a esse lado da Cidade. Quem vem ao Pão de Açúcar, vai à Pedra do Sal; vai conhecer uma Casa de Santo, seja da Umbanda, seja do Candomblé; vai frequentar uma roda de Samba; saber como surgiu essa manifestação cultural, originalmente carioca. Então, é dar esse tipo de visibilidade e riqueza àqueles que vem conhecer a Cidade do Rio de Janeiro, suas belezas naturais e sua diversidade cultural.
O objetivo foi esse. Eu acho que aqui nós teremos uma boa dinâmica de discussão e, ao final, faremos a devida homenagem às baianas do acarajé.
Então, posto isso, tinha um montão de coisas, aqui, para falar, viu? Dez folhas. Mas eu não vou fazer isso, já o fiz aqui. É só uma introdução.
Queria passar a palavra ao Marcelo Freixo, que é Presidente da Embratur, um órgão fundamental no sentido de vender a imagem do Brasil ou apresentar a imagem do Brasil no exterior. Então o Freixo vai saber, melhor do que eu aqui, o que poderá ser potencializado no âmbito de um turismo afroétnico cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Temos aqui representantes da prefeitura que poderão a partir disso, Mariana, interagir conosco na construção de uma possível política pública.
Com a palavra, Marcelo Freixo.
O SR. MARCELO FREIXO – Obrigado, meu amigo, querido Vereador Edson Santos, a quem eu sempre chamo de ministro, porque foi o ministro dos mais importantes que a gente teve nesse tema e é, acima de tudo, um grande amigo, uma pessoa que eu tenho muita honra de ter caminhado ao lado. E mesmo tendo que estar em Brasília, fiz questão absoluta de vir para cá e de participar.
Esse é um tema que acho muito central para a democracia brasileira, ele é mais importante. Ele não é só um tema importante para o Turismo, ele não é só um tema importante para Cultura, ele é um tema decisivo para democracia brasileira. A gente está em um momento onde a gente está falando de golpe, a gente está falando de República, a gente está falando de democracia. A democracia não pode nunca ser restrita ao direito ao voto, a democracia tem relação com a dignidade, de você viver num lugar que tenha dignidade para o conjunto das pessoas. Então esse é um debate sobre democracia e acho que assim eu queria começar.
Mas queria, antes de qualquer coisa, saudar o meu amigo, querido Milton Cunha, com quem convivo há muitos anos. Já fomos de programa de rádio juntos, o programa do Canázio. Bons tempos! E é uma figura que eu acho que é a alma de muito do que a gente vai falar aqui.
Você sabe, Milton, que isso aqui é a marca Brasil? Esse símbolo pequenininho, ele é a marca Brasil. A marca Brasil foi criada pelo primeiro governo Lula. O Lula cria o Ministério do Turismo, que não existia antes. Só existia a Embratur, que é muito antiga, vai fazer 60 anos a Embratur, mas o Lula cria o Ministério do Turismo. Quando ele cria o Ministério do Turismo, no primeiro governo do Lula se cria a marca Brasil, que é um conceito. De que maneira o Brasil vai ser visto lá fora, qual é a marca? E essa marca Brasil é um projeto chamado Aquarela, que é feito a partir de muitas conversas sobre os estrangeiros que vinham visitar o Brasil, como eles olhavam para o Brasil.
Isso é feito uma pesquisa profunda e esses estrangeiros diziam como eles enxergavam o Brasil e a que cor eles identificavam aquilo que eles mais gostavam. Então é evidente que o sol é retratado no amarelo da marca Brasil; o mar é retratado no azul; a mata, a natureza é retratada no verde; mas as religiões ou a religiosidade do povo brasileiro são destacadas como algo importante e que faz o mundo querer nos conhecer é a parte branca; as festas são identificadas a cor vermelha. E aí tem um elemento, Milton, que é curioso. Porque quando eu olhei a marca Brasil, eu falei: “E esse laranja?” Tem um laranja no meio, não é? Porque o resto é mais ou menos fácil de identificar. O laranja, eu não consegui identificar. Eu falei: “O laranja é o que?” E aí eu fui ler a pesquisa. O laranja é a alegria do povo. A alegria do povo é um produto. A alegria do povo é uma marca do País, porque esta alegria não é universal. Essa alegria, essa forma de receber, essa forma de viver, essa forma de se relacionar, que tem muito a ver com a nossa cultura, tem muito a ver com o nosso dia a dia, tem muito a ver com a nossa rua, isto é uma imagem do Brasil percebida e desejada no mundo. Então acho que isso a gente tem que entender e trazer para o eixo do que a gente vai aqui falar.
Mas quero saudar a Mesa inteira, a Mariana, com quem já debati em outros momentos a questão do audiovisual, que é um ponto estratégico também da Embratur. A gente quer um film commission brasileiro para trazer produções cinematográficas internacionais para filmarem dentro do Brasil. Eu não quero que as filmagens sejam só no Rio e São Paulo. Eu quero filmagens no interior, eu quero filmagens na Amazônia, eu quero filmagens no Centro-Oeste. Eu quero que esse Brasil seja mais democrático – e estou falando isso dentro da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. A gente precisa ter um espírito brasileiro mais profundo, e geração de emprego e renda é importante em todo o território nacional.
A Sinara, o Yago, a Rosa Perdigão – é um prazer estar te encontrando aqui novamente; o Milton, eu já falei; e o Sandro. Então é uma estar à Mesa. Quero ser muito objetivo.
A gente assumiu a Embratur – a Embratur tem como responsabilidade a promoção do Brasil no mundo, com a imagem do Brasil no mundo – em janeiro do ano passado. Assumimos a Embratur depois de dois anos de pandemia e quatro anos de pandemônio, não é? Então, a gente assume a Embratur no momento de uma imagem do Brasil muito devastada. Só para vocês terem uma ideia, quando eu fui para as primeiras reuniões sobre a questão do ecoturismo, no qual o Brasil tem uma potência enorme, a imagem do Brasil era o “vai passar a boiada”; a imagem do Brasil era a queimada do Pantanal; a imagem do Brasil era um presidente da República que não tinha nenhum compromisso com a questão climática e ambiental.
Essa era a imagem do Brasil, porque o mundo não quer muito saber que o presidente é um, depois é outro. É uma imagem do Brasil. Foram quatro anos de uma imagem muito nociva em relação à mulher, à democracia, à natureza, à cultura, e a questão racial também, muito fortemente. Quando a gente fala de um governo racista, fala de golpe, a gente está falando de um governo racista, a gente está falando de um governo machista, a gente está falando de um governo que tem um custo muito elevado para determinados segmentos da sociedade.
A imagem do Brasil era uma imagem, Edson, muito devastada. A gente teve de reconstruir essa imagem. E reconstruir essa imagem significava também dizer o seguinte: o que a gente vai fazer? Abrir o diálogo e dizer “o Brasil voltou”. Aí, o Presidente Lula nos ajudou demais, porque foi um presidente que desde o primeiro dia se preocupou com a política internacional, refez relações internacionais. Isso é muito importante. Por exemplo, a Europa: quando a gente olha para a Europa – e vou contar uma história rápida aqui que envolve a sua Portela... Todo mundo sabe que eu sou mangueirense, mas a gente convive bem... igual Flamengo e Vasco, a gente convive bem. Convive ganhando, mas convive bem.
Então, o que – eu não vou falar disso hoje porque pode parecer bullying depois de ontem – acontece? O país que mais emite turistas da Europa para o Brasil é a França, não é Portugal. O país que mais manda turista para o Brasil, da Europa, é a França. A França tem um interesse cultural muito grande pelo Brasil, sempre teve, sempre foi um país com boa relação com o Brasil. A França tinha simplesmente tirado o Brasil da prateleira de divulgação. Eu não vou lembrar porque tenho constrangimento, mas vocês se lembram de uma das razões, não é? A grosseria feita pelo presidente da República e por um dos ministros à primeira-dama francesa, dizendo que a primeira-dama era feia, algo inacreditável a grosseria diplomática feita pelo governo anterior. A França simplesmente tirou o Brasil de qualquer promoção, de qualquer divulgação. A gente precisava refazer isso. E aí, vou entrar no afroturismo por essa história.
Nós fomos à França, chamamos jornalistas franceses dos principais veículos – é uma coisa que no turismo a gente chama de prestrip, que é trazer jornalista internacional para vir para o Brasil. Aí, eu trouxe no carnaval – já que é para impactar, vamos fazer direito. E a gente trouxe um monte de jornalistas franceses para o Rio de Janeiro, no carnaval, para que eles passassem o carnaval aqui, fizessem matéria nos jornais da França, para que o Brasil voltasse a ser assunto na França. Essa é uma das ferramentas que a Embratur tem. E nós fizemos muito isso.
Eu já tinha tomado uma decisão na Embratur, junto com a equipe técnica, de colocar o afroturismo como eixo central de uma política pública de promoção do Brasil. Porque eu sou professor de História, não há história do Brasil sem a história africana. Não há possibilidade de se contar a história do Brasil sem a história da África. A história do Brasil é uma história africana. Não há possibilidade, não há o chamado portal do não retorno, que uma expressão muito forte da presença da África, do significado de tantos séculos de escravidão. Tem outro lado desse portal que é a construção de uma cultura e a construção de um país. Este país foi construído com sua história africana. Isso precisa estar em qualquer promoção brasileira, isso precisa estar em qualquer imagem brasileira. Então, essa é uma política pública do governo federal que a gente traz para dentro da Embratur.
Pois bem, dito isso, a gente traz os jornalistas franceses para passar o carnaval aqui. E aí, claro, eles foram, como Edson está dizendo, no Cristo? Foram. Foram no bondinho? Foram. Foram para Copacabana? Foram. Foram ao Copacabana Palace? Foram. Foram para o desfile? Foram. No último dia eu peguei esses caras e falei o seguinte: “Vocês vão fazer uma outra coisa agora. Vocês vão para Madureira comigo”. E nós levamos todos os jornalistas à casa da Tia Surica. Era um calor parecido com o de hoje. Aí, liguei para Tia Surica e ela estava de mau humor porque a Portela não tinha feito um bom desfile. Quem conhece Tia Surica de mau humor, não é um bom programa levar turista internacional. Mas, já estava marcado e eu tive que levar. Ela tinha preparado um mocotó. Era almoço, ao meio-dia. Quem conhece a casa da Tia Surica sabe que a garagem é uma folha daquela telha de amianto. Imaginem eu convidar os franceses para comer um mocotó, dentro de um micro-ondas. Era mais ou menos o quadro que estava colocado.
Aí, tinha uma roda de samba com Marquinhos de Oswaldo Cruz, mocotó e cerveja. E Tia Surica de mau humor. Eu falei: ou esses franceses vão morrer e só vão voltar dois ou três para a França, porque o resto vai ficar por aqui mesmo, vai ter um “treco’ com esse calor, ou esses caras vão adorar!
E quero dizer para vocês o seguinte: 80% das matérias que esses caras fizeram não foi falando do Cristo, não foi falando do Copacabana Palace, não foi falando do Pão de Açúcar; foi falando da Tia Surica, foi falando do Carnaval, foi falando sobre Madureira, foi falando sobre a experiência de viver um Rio de Janeiro tão potente como este.
Estou contando uma história que aconteceu ano passado, forte e real. E isso fez um sucesso imenso. Eu só ficava pensando se a casa da Tia Surica virasse um ponto de visita de turismo internacional, que é problema que eu não iria arrumar para minha vida, mas, enfim, isso é uma potência muito grande, porque é uma experiência vivida. É um lugar que a gente precisa entender que é riqueza cultural. A riqueza cultural que a gente tem não está só nos museus; ela está no dia a dia.
Então, quando a gente pensa no afroturismo, a gente pensa num resgate, a gente pensa numa identidade e aí a gente pensa num elemento muito importante, que é protagonismo. O afroturismo tem o papel no turismo de dar protagonismo à população negra, de fazer com que os eventos do turismo possam ter como protagonistas a população negra, invertendo um pouco esse papel. Não é um evento de turismo onde, de repente, entra uma roda de capoeira, que é extremamente, importante, e ali está a presença dos negros durante um debate sobre o turismo, sai e acabou. Só tira uma foto. Não! É você rediscutir os roteiros. Ninguém vai deixar de vir para o Rio de Janeiro para visitar Copacanana. Ninguém precisa deixar de vir para o Rio de Janeiro para visitar o Cristo. Podem fazer isso, mas a gente precisa apresentar um Brasil mais profundo, um Brasil mais legítimo, um Brasil mais autêntico, que gere produção de emprego e renda.
O turismo, hoje, é responsável por 8% do PIB. É muito, gente! Óleo, gás e petróleo são 12%, com Petrobras, com um século e meio de exploração de petróleo, Milton. O turismo é 8%. Então, quando eu olho para o Século XXI, eu não tenho a menor dúvida de que o que vai gerar emprego e renda, o motor da nossa economia pode e deve ser o turismo. Mas um turismo que não é vender o Brasil só como sol e praia. O Brasil sol e praia é potente. Beleza! Vai continuar sendo visto assim. O Brasil é sol e praia, mas o Brasil é cultura, o Brasil é natureza, o Brasil é gastronomia.
Quando você discute o acarajé, quando você vai para a Bahia, na Bahia eu fiz um projeto, o afroturismo a gente começou por Salvador, e a ideia hoje é ampliar por todos os lados. Foi Salvador, por razões óbvias, não preciso explicar, apesar de estar claro que o Rio de Janeiro, Minas e Maranhão têm uma potência enorme, porque o Brasil é muito forte de ponta a ponta nisso. Mas a gente com Salvador.
Na Espanha, no início deste ano, Salvador ganhou um prêmio internacional de política de afroturismo. E é inacreditável que nunca tenha acontecido como uma política pública. E não estou dizendo que nunca teve afroturismo, porque é claro que teve. Mas nunca foi uma política pública articulada nacionalmente o tema do afroturismo. Então, a gente está atrás do tempo de recuperação. Por isso é muito importante que a gente possa fazer isso juntos.
Tem muitas ferramentas acontecendo. A gente tem uma produção de documentários, visando à questão do audiovisual. Uma das coisas que a gente fez foi um documentário sobre os quilombos no Brasil, com rotas quilombolas, que são rotas chamadas Da Liberdade. Então, a gente vai apresentar agora no final deste mês na França, no Festival de Cinema da França, um vídeo sobre o Quilombo Kalunga, no Centro-Oeste, na Chapada dos Veadeiros, e toda uma produção de turismo baseada na história dos quilombos, feita por quilombolas. Isso vai ser apresentado na França, já na recuperação desse processo.
A gente recuperou muito neste primeiro ano. Não foi um ano só de arrumar a casa. No ano de 2023, a gente teve a maior arrecadação de toda a história do Brasil com turismo internacional. A gente arrecadou mais do que no período da Copa do Mundo. Então, a gente gerou emprego e renda através do turismo. E o mais importante: não foi através de um turismo óbvio; foi através de um turismo que está desafiando essa narrativa, essa imagem do Brasil. Foi com o afroturismo, foi com o audiovisual, foi pensando numa experiência de vida indígena, ribeirinha, e quilombola. Então, isso é muito importante para que a gente possa repensar os produtos brasileiros que a gente, ou a imagem do Brasil, que a gente vende lá fora.
Enfim, não quero me estender mais do que devo, mas as galerias que a gente organizou. A gente organizou as chamadas Galerias Visit Brasil do lado de fora do mundo. Em todas elas a gente tem uma presença muito marcante do afroturismo. A gente tem uma gerência da Embratur exclusiva de afroturismo. Não é feita por pessoas que viveram a sua vida inteira construindo o afroturismo. Estou aqui falando porque está todo mundo em Brasília trabalhando, mas quem poderia e deveria estar aqui é a Tânia Neres que é quem fala pela Embratur sobre isso. Estou aqui atendendo ao convite do Edson, mas a gente tem quem fala sobre isso mais apropriadamente dentro da Embratur, tem toda uma equipe para isso.
Tem algumas coisas que eu queria só terminar falando. A gente fez alguns projetos que eu queria só anunciar aqui. Um deles é uma parceria com Airbnb. Hoje é uma realidade. A gente sabe que o Airbnb é uma realidade hoje. Muitos imóveis estão sendo alugados no Rio de Janeiro. Isso é muito forte. A gente está fazendo uma parceria com a empresa, com o Airbnb em que a gente vai ter um dispositivo para quem aluga, para o dono do imóvel que aluga e para quem aluga o imóvel para que ele possa ter acesso a um roteiro no Rio de Janeiro, a um roteiro de afroturismo no Rio de Janeiro quando ele aluga o Airbnb.
Então, os apartamentos de Airbnb que serão alugados no Rio de Janeiro, quem aluga vai ter acesso a um roteiro de afroturismo no Rio de Janeiro, através de inovação. Acho que isso é uma coisa muito bacana, porque eu não quero só dizer o seguinte: “olha, tem afroturismo”. Aí o cara tem que correr atrás para saber o que quer dizer isso. O cara tem que descobrir onde é a Pedra do Sal, o cara tem que descobrir qual é o terreiro que ele pode frequentar, o cara tem que descobrir o que é a Pequena África. Eu preciso criar algo que chegue no cara, que desperte o interesse, porque a gente tem um atraso histórico muito grande.
Então, se eu consigo fazer algo que o cara aluga um apartamento, e ao alugar o apartamento, ele já tem acesso a um roteiro da história africana no Rio de Janeiro, eu levo esse cara para lá. Então, a gente se utiliza também de uma coisa chamada inovação que é muito importante. A gente está utilizando a inovação. A gente criou o Embratur Lab que fica no Rio, quer trazer a tecnologia e inovação para nos ajudar a chegar aos lugares que não são óbvios, porque para o cara que vem para cá eu não preciso divulgar Copacabana, eu não preciso divulgar o Cristo, não preciso divulgar o Pão de Açúcar. Ele já vai, mas eu preciso divulgar a Pequena África, eu preciso divulgar a Pedra do Sal, eu preciso divulgar Osvaldo Cruz e Madureira. Eu preciso divulgar o que é esse outro lado do Carnaval que é tão rico e que é o ano inteiro, Milton, e que é o ano inteiro o Carnaval... Quero que eles visitem o barracão da escola de samba durante o ano, quero que eles tenham guias que sejam jovens, que saibam falar sobre isso, formados para isso.
Por fim, tenho muita coisa aqui para falar, mas o que é mais importante... A gente vai inaugurar agora as rotas literárias, também com tecnologia. A gente vai ter, eu vi que alguns países do mundo fazem isso. Estive em Lisboa e vi que lá tem a rota literária de Lisboa, você anda por Lisboa através da literatura, o que é muito bacana, mas eles não têm inovação. A gente vai fazer isso com o QR Code. Não tem QR Code para um monte de coisas, algumas até que são meio chatas, tipo restaurante. Eu não gosto, prefiro o cardápio, mas tem lá o negócio de QR Code que é chato para cacete, porque todo mundo tem celular hoje em dia, todo mundo está mexendo com o celular.
Então, que a gente vai fazer? A gente vai fazer uma rota literária do Machado de Assis, por onde os personagens do Machado de Assis viveram no Centro da cidade. E aí o cara vai com o telefone dele, descobre, ele vai à Rua do Ouvidor, tem lá um QR Code que vai contar a história do personagem de Machado de Assis que passa pela Rua do Ouvidor. Aí vai ter outra rota literária que passa pelo Gabinete Real de Leitura Portuguesa, pela Biblioteca Nacional, passa aqui na Cinelândia e em outros lugares. Um desses lugares é a Pequena África, que vai está na rota literária da gente. E isso é importante dizer. E tem uma rota literária que eu vou fazer, vou chamar o Milton para fazer isso, que é a rota literária do samba. A gente vai começar, não tem o trem do samba, famoso, todo 2 de dezembro que sai da Central do Brasil lotado de gente com todos os sambistas, vai para Osvaldo Cruz e depois de Osvaldo Cruz Madureira? Pois é, a gente quer fazer uma rota literária do samba onde tem o QR Code na Casa do Candeia, no Monarco, no Paulo da Portela. Nós vamos formar guias de Osvaldo Cruz e de Madureira para que esses guias contem a história do seu bairro, a história do samba. E a gente quer fazer, não só no dia 2 de dezembro, mas com que todo sábado tenha a visita guiada como um dos pontos turísticos. Então, o cara vem para o Pão de Açúcar, porque o cara não pode achar que a gente está querendo acabar com o turismo tradicional do Rio de Janeiro. Não! Mas, o cara vai para o Pão de Açúcar, o cara vai para Copacabana, o cara vai para o Cristo Redentor, e ele fica um dia a mais, fica dois dias a mais, no Rio de Janeiro, e ele vai para Osvaldo Cruz, e ele entende que Osvaldo Cruz é um lugar turístico brasileiro, Osvaldo Cruz é um lugar de turismo no Brasil; Madureira é um lugar de turismo no Brasil, porque a gente está mudando o protagonismo. A gente muda essa história, e a gente passa a olhar de outra forma. O Brasil é muito potente. Estou dando exemplos do Rio – tem coisas no Brasil inteiro –, mas é porque a gente está na Câmara de Vereadores do Rio. Isso tudo vai ser, agora este ano, colocado em prática. É importante que a gente faça isso juntos, não é?
Para terminar, gente, eu estive muitas vezes na Bahia, por conta da Embratur. Quando a gente vai ao Pelourinho, que é um lugar evidentemente turístico, o Pelourinho tem uma igreja, que é a Igreja Rosário dos Pretos, muito conhecida. A Igreja Rosário dos Pretos, para mim, é uma das coisas mais bonitas do planeta. Você entra na Igreja Rosário dos Pretos e tem missa toda terça e domingo. A missa, que é uma missa católica, é rezada com os atabaques do candomblé, e tem sempre a presença de um pai de santo na missa.
Na última vez que eu fui, Milton – você ia gostar – o Terreiro Folha Seca foi homenageado, e era homenageado na missa, e todo o terreiro estava na missa, com a música do candomblé e a música da umbanda. Quando acabou a missa – tem as oferendas durante a missa –, o almoço era no terreiro, e eu fui lá tomar cerveja com o padre. Isso é Brasil, isso é o afroturismo. Quando o mundo faz guerra por causa das religiões, a gente faz festa. O Brasil é uma grande lição para o mundo. Transformar isso na nossa imagem é chamar as pessoas para conhecer o Brasil que a gente quer viver. Não pode ter um Brasil para o turista e outro Brasil para o brasileiro, é um Brasil só. E esse Brasil não é racista, esse é um Brasil gerador de emprego e renda, com protagonismo para todo mundo, porque tem espaço para todo mundo.
Obrigado e parabéns pelo debate público.
(PALMAS)
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Obrigado, Marcelo Freixo.
Eu queria anunciar aqui a presença da Dida Nascimento, empresária e chefe de cozinha especializada em culinária afrobrasileira, a quem eu queria convidar para vir para a nossa Mesa aqui. E o companheiro chefe do Escritório Regional do Ministério da Cultura, Edu Nascimento.
Bom, dando andamento aqui, eu queria convidar a Mariana Ribas para fazer uso da palavra, a Subsecretária de Cultura.
A SRA. MARIANA RIBAS DA SILVA – Obrigada, vereador.
Primeiro, eu queria dizer que eu estou muito feliz com a sua iniciativa. Não dá para discutir e falar sobre turismo sem falar sobre a nossa cultura, e não dá para a gente falar sobre a nossa cultura sem falar da população negra, sem falar da história do Brasil.
Então, estou muito feliz de estar com todos vocês aqui, meus colegas de Prefeitura, o presidente da Embratur, com quem eu já estive anteriormente falando sobre audiovisual, a Sinara, o Yago, a Rosa... Enfim, todos vocês que estão aqui interessados em debater esse tema, porque a gente não consegue avançar, se vocês não estiverem juntos da gente.
E eu queria destacar a importância não só de se investir na cultura, mas no afroturismo, propriamente dito. E acho que a gente precisa sair daqui com esse dever de casa. O que a gente vai fazer para fomentar ainda mais o turismo, mas sob o ponto de vista que eu venho falar de cultura. Aí, eu queria destacar aqui três pontos da importância do investimento na nossa identidade, na cultura da Cidade do Rio de Janeiro, dos povos originários, da população negra, dos nossos personagens e da nossa história, que é uma história tão forte, uma história da qual a gente não se orgulha o tempo inteiro, mas que a gente não pode esquecer em momento nenhum.
E o primeiro ponto que eu queria destacar é o ponto de vista da nossa memória e da nossa preservação. A gente precisa valorizar a nossa memória, a gente precisa que as crianças entendam e saibam de onde vem a nossa história, saibam de onde vem o nosso povo. E, sem que a gente faça isso, a gente não consegue por exemplo, fomentar absolutamente nada do afroturismo. Porque se a gente não olha, primeiro, para dentro, a gente não consegue mostrar a nossa história para fora. Então, a primeira coisa que a gente tem de fazer é focar no Brasil, focar na nossa cidade.
Segundo, quando a gente investe em projetos de cultura afro, quando a gente prioriza e coloca a população negra como protagonista, a gente também está combatendo o racismo. Isso é uma das coisas que a gente tem muito em mente o tempo inteiro, em absolutamente todos os projetos e todos os editais que a gente fomenta através da Secretaria de Cultura.
Por último, destacar o ponto de vista econômico. A gente está falando de geração de emprego, de geração de renda, de economia para a nossa cidade. E é sempre com foco na população negra, na geração de renda e economia para a população negra, através das atividades que a gente já conhece e sabe que tem que desenvolver um pouquinho mais.
Eu fiz umas anotações aqui. Todo o evento que eu vou, eu digo que a gente, às vezes, fala, a gente conversa muito, mas a gente precisa partir para a prática. E eu queria prestar contas aqui para vocês do que a Secretaria de Cultura tem feito, principalmente ao longo dos últimos anos, e que tem como foco as políticas para a cultura afro e que, ao final das contas, ajudam a gente a desenvolver o afroturismo na Cidade do Rio de Janeiro. A gente está aqui com a Cíntia, que é a nossa coordenadora de territórios e de diversidade.
Hoje, nós temos um edital para as zonas de cultura que tem foco em Madureira, a região do Porto e da pequena África. A gente hoje tem grupos, tem agências que fazem visitas guiadas tanto à Madureira, à região do Porto, à Pequena África, ao Cais do Valongo, à Pedra do Sal, ao Viaduto de Madureira e às nossas escolas de samba. A gente precisa se conectar com essas pessoas de alguma maneira, mas, hoje, a gente já tem um edital que completa três anos, agora, em 2024, que a gente vai publicar em breve para vocês. E a gente tem aí três regiões, duas delas são Madureira, Porto e Pequena África. Foram investidos R$ 4,5 milhões nesse edital, no ano passado, e a gente quer ver cada vez mais essas atividades inscritas e contempladas dentro do desenho, do resultado dessas políticas que a gente tem implementado.
A gente tem – só um minutinho, gente – um edital também de diversidade, que foi lançado pela primeira vez no ano de 2013, e ele acontece praticamente todos os anos. Tem uma linha voltada para projetos antirracistas e tem uma linha voltada para LGBT também, uma linha voltada para pessoa com deficiência. Ma
s a gente tem uma linha antirracista muito forte, que é a primeira linha que a gente fez quando a gente lançou o programa de fomento em 2013. Ela acontece todo o ano e aconteceu novamente, também, no ano passado. Para além disso, todos os nossos editais têm uma reserva de vagas para indígenas e para negros, e a gente tem uma variação que vai de 50% a 70 % do resultado de todos os editais do ano passado.
Isso é resultado de política pública. Isso é resultado de muita conversa que a gente tem com os articuladores locais, com as lideranças, com a Sinara, que é muito presente o tempo inteiro, nossa diretora do Muhcab, que sempre fala lindamente e vai falar muito melhor aqui para vocês do que eu. Mas a gente precisa começar a pensar em ações mais práticas: onde a gente está? Aonde gente quer chegar? Com quem que a gente precisa conversar? Porque sempre há muito que melhorar, e aqui, como o Poder Público, eu vou deixar esse canal aberto, porque a gente ainda vai fazer muita coisa em 2024. E tudo o que a gente tem feito até agora está confirmado através de dado e está confirmado através de número, porque é isto que a gente precisa no final das contas: resultado. Resultado da prática daquilo que a gente está fazendo e implementando, de fato, para que a gente amplie as nossas conversas e transforme tudo o que a gente está falando aqui em planejamento. É isso, gente.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Bem, gostaria de anunciar aqui a presença da Carla Wendling, representando a Associação de Blocos e Bandas da Folia Carioca; do Senhor Mestre Everaldo Lima, Presidente da Federação Fluminense de Capoeira; da Senhora Alba de Yoá, representando Sandro do Afoxé Ómó Ifá. Espero que esteja falando certo; Senhora Suelyemma Franco, representando o Deputado Federal Reimont; Senhora Adriana Rodrigues, Presidente e representante do Instituto Odoyá.
Convido o Senhor Coordenador da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, Yago Feitosa para fazer uso da palavra.
O SR. YAGO FEITOSA – Bom dia a todos, bom dia a todas. Gente, suceder bons oradores é uma tarefa a que eu estou tendo que me acostumar. Então, Mariana Ribas, Marcelo Freixo, eu acho que a fala de vocês estão bem alinhadas aqui com que a sociedade civil vem reivindicando e que o Poder Público vem tentando implementar por meio da Embratur, Secretaria Municipal de Cultura, através do MUHCAB e a própria Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial.
Para mim é um prazer e eu gostaria de saudar o Vereador Edson Santos pela iniciativa porque eu acho que qualquer projeto que queira construir uma narrativa da nossa cidade tem que partir do povo negro, isso porque a gente entende que a cultura carioca está centrada na cultura afro-carioca. Para a gente explicar isso a gente precisa fazer uma digressão histórica muitas vezes para justificar as nossas iniciativas como esta que está acontecendo hoje.
Marcelo Freixo falou da construção de uma narrativa para o exterior e muito dela parte do princípio de que do Rio de Janeiro atrai os turistas por conta da sua vocação natural, por causa das praias, das florestas, cachoeiras e tudo o mais. Isso é um ponto de atração da Cidade do Rio de Janeiro, mas nós temos outra também.
A Cidade do Rio de Janeiro tem um caráter global também, ela recebe grandes eventos, assim como recebeu as Olimpíadas, que deixou grandes legados para a nossa cidade, mas a gente tem que colocar à frente a questão afro, a cultura carioca é marcada pela descendência africana e pelas heranças que nós recebemos.
Então, toda a mobilização e articulação que nós temos aqui são voltadas para isso. Quando a gente fala do Rio de Janeiro, a gente tem que colocar a população negra à frente de qualquer coisa e nessa digressão histórica eu acho que vale lembrar que o Brasil passou por um momento que chamamos de diáspora brasileira. Essa diáspora se deu por conta da crise de cana de açúcar, as grandes estiagens na região Nordeste, especialmente a população baiana desceu para o Rio de Janeiro e desembarcou aqui trazendo a sua linguagem, a sua percepção, o seu modo de ser e estar no mundo e isso trouxe para a gente aqui outra configuração de linguagem, outra configuração histórica, inclusive, porque essas pessoas que desceram aqui no Rio de Janeiro..., e aí eu quero fazer menção, Rosa, às tias baianas, que quando vieram aqui, cumpriram um papel fundamental para que essas pessoas fossem recebidas aqui, que naquela época se tratava de uma cidade hostil à população negra.
Então, eu gostaria aqui também de fazer menção às tias baianas, que não só receberam essas pessoas, mas também deram perspectivas de vida a partir da sua vocação afro-empreendedora e, quando a gente está falando do afroturismo, a gente está falando, como o Marcelo Freixo trouxe aqui e a Mariana Ribas, também de construção de perspectiva de renda. Então, falando de afroturismo, a gente está falando de sobrevivência também.
Bem, o Rio de Janeiro é uma cidade que passou por grandes requalificações urbanas e eu acho que a maior delas, a última, se deu no Cais do Valongo, na Zona Portuária. A Zona Portuária, o Vereador Edson acompanhou essa transformação. E nós acompanhamos a derrubada da perimetral. Veio a derrubada da perimetral e nós redescobrimos o Cais do Valongo, o que os historiadores já sabiam que estava lá. O povo negro já sabia que estava lá. Mas, precisou de políticas públicas para que aquele local fosse revelado e fosse preservado e valorizado.
Então, a gente hoje tem o Cais do Valongo como mote turístico, também, de valorização da cultura afro-carioca.
Quando a gente, enfim, e um dos dados da importância do Cais do Valongo e as Zonas de Amortecimento, como a Pedra do Sal, Cemitério dos Pretos Novos, quando acontece isso, a gente precisa também lembrar de que a Pequena África, espontaneamente, passou a se designar para identificar aquele local. Que, originalmente, a Pequena África, ela é a Praça Onze. A Tia Ciata, a casa dela era ali na Praça Onze. Então, olha o poder da política pública na leitura que uma cidade, ela, passa a ter sobre si.
Então, a Pequena África se expande para a Zona Portuária. Ou seja, a gente entende, enquanto Poder Público, que a valorização parte muito do diálogo com a sociedade civil. Quando a gente vê que a sociedade civil passa a atribuir à Zona Portuária como Pequena África e toda a sua Zona de Amortecimento, é necessário políticas públicas. A gente, em relação a isso, a Cidade do Rio de Janeiro vem anunciar o Territórios Inventivos. Marcelo Freixo sempre contou aqui sobre o QR Code, da rota literária do Machado de Assis. Nós vamos fazer algo parecido lá com os Territórios Inventivos. Nós lançamos, semana passada, e esse Territórios Inventivos visa construir uma perspectiva junto com os moradores e articuladores locais, ali, da Pequena África.
O que nós vamos fazer na primeira etapa? Nós vamos fazer um levantamento bibliográfico, tudo aquilo que já foi historiografado sobre a Pequena África. Mas, o mais importante é a coleta de narrativas das pessoas que moram lá, para não se corra o risco de novos apagamentos. Nós temos personagens, e você conhece, Vereador, a Tia Doca da Portela. Que é pouco falada, quando se trata da Pequena África. É um personagem importantíssimo, ali, na Providência. Nós temos também a Tia Lúcia. Que não é mencionada em nenhum livro, nenhum registro histórico, senão os museus que abraçaram, como o MUHCAB, as obras da Tia Lúcia.
Então, nós vamos fazer esse levantamento indo às pessoas que conheceram elas. E tratar da história que elas exerceram, a influência que elas exerceram naquelas localidades. E, por fim, a partir desse contato direto com os moradores e os articuladores locais, nós vamos fazer isso que o Marcelo Freixo mencionou com a rota literária do Machado de Assis, ali, na Pequena África, com os personagens que são mencionados pela própria população.
Eu ia até fazer essa proposta de a gente integrar, porque eu acho que é um projeto, é um único projeto, vamos integrar e trazer a sociedade civil para essa discussão, para que elas participem dessa construção também e fortalecer ainda mais a identidade, para a gente não correr o risco de colocar um monte de turista dentro de um carro e subir o morro para ver como é que a gente vive, como é que a gente come, o que a gente faz. Não! É uma maneira de a gente narrar a nossa cultura, nós mesmos, com o nosso protagonismo.
Então, gostaria de convidar a todos a conhecer um pouco mais sobre Territórios Inventivos, que é um marco importante da narrativa da Pequena África, já, agora, reconhecendo a Zona Portuária como Pequena África.
Muito obrigado a todos e a todas.
(PALMAS)
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Estão falando aqui a mesma linguagem e convergindo para o mesmo caminho. Isso é que é importante, é isso que se busca. Quando tem aqui o Presidente da Embratur, a Secretaria de Cultura, Coordenadoria de Igualdade Racial, o objetivo é a união desses entes na construção de políticas públicas que potencializem o protagonismo negro na vida carioca.
Eu estava até pensando aqui, por exemplo, o Freixo falou assim: “Pô, tem o Quilombo do Calunga”. Lá longe, lá em Goiás! A gente tem uma imagem de quilombo muito distante da gente, quando a gente tem quilombo muito próximo da gente. Na semana passada, eu passei a manhã no Quilombo do Camorim, ali em Vargem Grande. Passamos a manhã toda lá conversando com as lideranças quilombolas.
Há um tempinho, eu fui no Sacopã. Tudo isso são historias negras, não é? O Sacopã, ali era o Morro Macedo Sobrinho, aquela região ali que retiraram todo mundo e ficou só uma casa, a casa da família do Luiz Sacopã, ali, resistindo. E é um quilombo, porque é um espaço de resistência negra em um ambiente até muito hostil à presença dessa família lá.
Então eu acho que nesse roteiro afro, a gente vai chegar a abraçar também a existência dessas comunidades quilombolas.
Tem o quilombo Aquilah, que a Rosana está aqui, representando o quilombo Aquilah, em Jacarepaguá. E é fundamental que a gente dê relevo. Por quê? Porque são espaços de resistência, principalmente em uma cidade que vem tendo o setor imobiliário crescendo para aquela região e essas comunidades acabam ficando imprensadas pelo movimento empresarial em torno dela. E é fundamental manter-se como elas estão ali.
Então, ao incluir no roteiro, em um calendário de visita, fortalece a luta dessas pessoas, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista político também, do ponto de vista institucional. Então, o Yago, principalmente aqui, e a Mariana, a inclusão desse segmento quilombo nos roteiros Afro será fundamental para manutenção dessa Cultura aqui no Rio de Janeiro.
Vou passar aqui para o próximo, para a Sinara. O Freixo está aqui me ajudando a enxergar, viu?
A SRA. SINARA RÚBIA – Bom dia a todas as pessoas presentes.
Vou falar um pouco aqui, apresentar alguns aspectos que colocam o Muhcab em diálogo e como que esse espaço de memória totalmente ligado à história desta cidade tem dialogado e contribuído com esse campo, que é esse setor do afroturismo. É importante ressaltar a importância desse diálogo, desse debate, porque é um setor que tem feito entregas importantes e que nós precisamos colocar uma lupa sobre essa atividade que tem acontecido. Porque, certamente, ela contribui para essa luta nossa, histórica, de construção de uma sociedade mais justa, mais equitativa, uma sociedade que se pretende efetivar uma democracia. E a gente sabe que democracia no Brasil não pode ser feita sem a nossa tão almejada igualdade racial. Essas coisas estão interligadas e esse setor, com certeza, certamente tem contribuído muito para esse caminho que nós estamos traçando.
O Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Mucahb), ele se situa ali, ele faz parte de um dos pontos, está situado em um dos pontos de memória do Circuito da Herança Africana, que tem como marco zero o Cais do Valongo, que já foi falado aqui. É importante ressaltar, eu sempre gosto muito de pontuar isso, apesar de ser sabido por muitos de nós, mas o Cais do Valongo é o principal porto de entrada de pessoas para serem escravizadas na América. É importante também ressaltar o lugar que o Brasil ocupa nessa violência histórica colonial. Nós somos o país que mais recebeu pessoas para serem escravizadas no mundo.
O Rio de Janeiro é a cidade que mais recebeu essas pessoas. O maior desembarque dessas pessoas para serem escravizadas no mundo foi no Rio de Janeiro. Então isso é para ressaltar o nosso compromisso, sobretudo que esta cidade tem com essa historia de reparação e de políticas públicas que precisam ser elaboradas.
Então, esse museu é um dos pontos de memória desse circuito. Está situado no prédio conhecido como José Bonifácio, que foi construído no final do século XIX, para ser uma das escolas do Imperador Dom Pedro II. Depois, ela se tornou uma escola pública; e nos anos 80 se tornou Centro Cultural José Bonifácio. A partir desse momento, esse lugar de memória é totalmente ligado com o movimento negro carioca, brasileiro. É um lugar que foi gerido por produtores e artistas, por nomes importantes da história da construção da negritude do País, como Abdias Nascimento, Januário Garcia, Conceição Evaristo, Carmem Luz, pessoas que têm nome importante na construção dessa história, sobretudo da cultura, que sempre foi o espaço onde o povo negro conseguiu se recriar, ressignificar-se, construir novos paradigmas culturais, a partir da contribuição da diversidade de povos e grupos que vieram aqui para esse território para ser escravizado.
Esse é um museu que é importante dizer que está situado na região que tem esses pontos de memória, porque a gente tem essa memória sensível. A gente tem essa memória de dor, mas também é uma região que conta, que narra como esse povo fez para se ressignificar. Um dos paradigmas desse museu é narrar essa história, mas a partir do protagonismo, a partir do paradigma do protagonismo. Eu tenho dito que a gente sempre ouve muito dizer que pessoas negras contribuíram para a história do País. Nós somos agentes protagonistas. Nós somos presentes, temos presença importante, relevante, contundente em todos os setores de produção do conhecimento, em todos os setores de produção da vida.
Uma das premissas desse lugar, que sempre foi, desde os anos 80, é narrar essa história a partir desses aspectos. Em 2017, nós temos o decreto do museu, o Centro Cultural José Bonifácio se torna um museu, pois há uma demanda, uma demanda histórica para que fosse construído. Ainda é construído com um nome um pouco controverso, criticado por vários setores do movimento negro, que é o Museu da Escravidão e da Liberdade, mas nós já negamos há algum tempo contar essa história negra a partir da escravização. A escravização é uma interrupção da nossa história, não é o início da história. Então, em 2019, a gente tem o decreto que muda o nome desse museu para Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab).
Só em 2021, no início dessa gestão do Prefeito Eduardo Paes, é que a gente abre esse museu ao público e ele passa a ser frequentado para visitação. Nesse momento, ele começa a estar muito alinhado e a contribuir para esse afroturismo da região, dos aspectos desse tema, desse conceito que ainda está sendo discutido, porque nós precisamos pensar na importância e na participação de pessoas negras nesses espaços. Então, quando a gente fala afroturismo, a gente está falando de um roteiro negro, de pessoas negras, de pessoas negras viajando, visitando e se reconectando com a sua história. Esse é um dos aspectos mais perversos que nós vivemos nesse racismo estrutural, que é a negação da nossa própria história. Esse museu se coloca nesse lugar a partir do seu acervo, que narra a história a partir dessa perspectiva, e se coloca nesse lugar a partir dessas ações, dessa atividade. É um museu também que trabalha a partir dos aspectos da afirmação, da reparação e do legado. Nós contamos uma história a partir da memória, do orgulho, da identidade. Quando fala em reparação, é importante pensar que eu também estou falando de mobilizações de recurso. Então, nós temos uma secretaria e uma prefeitura que têm pensado e mobilizado os recursos para a potencialização daquele lugar.
Nós estamos fechados. Fechamos em dezembro. Estamos reformando aquele espaço, que precisa de reparos. É um prédio do século XIX, que ficou um tempo no governo passado jogado às traças, literalmente, às traças e aos pombos, e a todo o tipo de sorte de coisas que tinha naquele lugar. Já fizemos uma primeira reforma e conseguirmos reabri-lo em 2021, agora está fechado novamente para ser potencializado para que aquele lugar esteja à altura da história desse povo negro. A gente também trabalha a partir das parcerias com as instituições e grupos do território, porque é um lugar que faz muito sentido para esse território. Ele já foi escola, ele sempre foi um polo, um centro de educação. Ali é um lugar muito acessado, muito procurado por artistas e produtores da Cidade do Rio de Janeiro como um todo, com parcerias institucionais, e internacionais também têm sido feitas. Já vou concluir.
É importante também dizer que, no ano de 2023, nós vivemos um ápice ali. A gente tem os dados do Museu da Historia e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), o relatório desse espaço, que tem mostrado como esse lugar tem sido reconhecido e frequentado. A gente tem um número que vai aumentando a cada mês e, em dezembro, quando a gente precisa fechar para reforma, a gente tem o número lá em cima. A gente tem essa parada. Eu espero que todos possam acompanhar o trabalho do Muhcab.
Eu também me coloco à disposição para esse diálogo e para dar mais informações em outros espaços. Esse afroturismo, a partir das nossas visitas guiadas, recebeu durante todo o ano grupos grandes, porque, como um dos centros de memória da região, faz parte do circuito de herança africana. Quando a pessoa chega ao Muhcab, consegue entrar em contato com o letramento racial, coletivo, amplo e potente, a partir da nossa história contada de maneira legítima, sem estigmas e sem estereótipos.
A princípio, é isso.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Obrigado.
Com a palavra, o Senhor Freixo.
O SR. MARCELO FREIXO – Só quero agradecer e pedir licença e desculpas. Fiz questão absoluta de vir, escutei o máximo possível e queria muito ouvi-los, mas preciso ir para Brasília. É uma correria imensa, mas escutei no meu limite e vou sair correndo. A equipe vai ficar.
Muito obrigado e parabéns, Edson, por esta iniciativa.
Quero falar para Sinara e para Iago para fazermos uma reunião o mais rápido possível para integrar. A gente está há um ano, só, mas foi um ano em que a gente avançou muito. Essas coisas só podem acontecer se forem juntas e com a participação efetiva de quem já está na ponta. Então, se a gente puder, já na semana que vem, sentar e conversar, é bom para integrar isso.
Obrigado, gente.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Este é o espírito da coisa: juntar as forças aqui.
Boa viagem, Freixo. A gente está à disposição para ajudar no que for possível para esse casamento da Embratur com a Prefeitura.
Quero anunciar aqui a presença da Senhora Marli Benedito, coordenadora do Coletivo Aquilombando, na Lapa; Senhora Vânia Lúcia Castro, filha da Senhora Vera do Acarajé; Senhora Regina Cruz, representando o Instituto Genivaldo Nogueira; Senhor Alberto Rodrigues, representando a Academia Brasileira de Letras e Artes Pretas Originárias; Senhor José Emílio, representando a Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Aquilerj); Senhora Rosana Nascimento, representando o Quilombo Aquilar; Senhora Célia Domingues, Presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras; Senhor José Bororó, representando a Associação de Estivadores; Senhor Téo Lima, Presidente do Sindicato dos Músicos; Senhora Cláudia Manhães, representando a Liga do Centro e Bloco Te Vejo por Dentro, Sou da Radiologia – Liga do Centro; Senhor Orlandino dos Santos, representando o Projeto Segurança e Saúde nas Escola ... É Cláudio Manhães, desculpe, gente; E a Paula de Odé, representando o Instituto Ose Dudu; Senhor Israel Ofarerê, representando a Coordenação Nacional de Entidades Negras. Se eu errar os nomes aqui, vocês me perdoem, credito tudo isso a minha falha visão.
Quero convidar o Edu Nascimento, representante do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro. Aqui esteve a Embratur, tem a Secretaria de Cultura, Secretaria de Igualdade Racial e agora o Ministério da Cultura.
Vamos ver o que Edu vai falar com a gente aqui.
O SR. EDU NASCIMENTO – Valeu, gente. Bom dia. Bom, em primeiro lugar aqui, bom dia, gente! O teu café da manhã está fraco, vereador... Bom dia, gente. Agora valendo para a rede social... Bom dia! Bom dia, Vereador Edson, Yago, Mariana, Sinara – minha colega de conferência de cultura – Milton, Rosa Perdigão, Dida... É um prazer inenarrável estar aqui com vocês, estou com a voz meio rouca, porque a gente está nessa maratona do Ministério da Cultura que não para.
Como disse a nossa querida Secretária de Caxias, ela falou que foi subsecretária durante oito anos, mas nesses últimos seis meses ela trabalhou mais do que todos os quatro anos da vida dela. E a gente esteve lá em Brasília, pra quem não soube, nós tivemos a Conferência Nacional de Cultura, tem mais ou menos uns 10 dias que aconteceu, foi a maior conferência do Brasil, com 5.000 participantes, 1.400 delegados, 2.500 cidades do país mobilizadas. Quero lembrar que nós temos 5.000 municípios, então, foi um grande momento de discussão e de articulação de toda a cultura brasileira em todos os territórios.
Pela primeira vez, tivemos uma conferência tão grande, tão ampla e tão representativa. O Estado do Rio de Janeiro foi a maior bancada com 62 delegados participando de forma coesa, articulada e conseguiu aprovar propostas muito importantes para a cultura brasileira.
Então, acho que em breve a gente vai compartilhar com vocês todo o conteúdo discutido lá em Brasília que foi intenso. Foi bastante intenso. Foram cinco dias de discussão de manhã à noite. E a bancada era daquela que dizia o seguinte: ”olha, precisamos aprovar na sala tal...” E ia todo mundo para lá votar em bloco, e assim por diante. Então, o Rio de Janeiro liderou, conseguiu fazer, pactuar em termos nacionais e garantir uma série de propostas importantes. Acho que isso é importante a gente compartilhar.
A gente está aqui fazendo a ponte do Ministério da Cultura com o Estado do Rio de Janeiro... Na segunda-feira passada, eu participei acompanhando a nossa Secretária Nacional de Comitê de Cultura, Roberta Martins, a Mariana representante de Diversidade do Ministério da Cultura, os representantes do Iphan e da Fundação Cultural Palmares, nosso querido João Jorge na reunião do Comitê do Valongo. Também outro ponto importante que tem tudo a ver com essa pauta e com essa discussão. Eu tenho conversado muito, falado muito que a gente tem aí é não só a Pequena África, nós temos pequenas Áfricas no Estado do Rio de Janeiro, na Cidade do Rio de Janeiro que a gente precisa avançar.
Essa questão do turismo é muito importante. Imagino que o Presidente Marcelo tenha lembrado aqui, alguns colocam no ponto de vista da economia como o novo petróleo, que o turismo vai ser um encaminhamento. Eu ainda não sei, mas eu tenho muita fé. Sempre falo sobre economia criativa citando uma reportagem da revista Exame de 2010, vereador. Nela se falava que os países membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), lá do Oriente Médio, que os árabes estavam imitando os Emirados Árabes e mudando a sua matriz econômica, trocando o petróleo pela construção civil e turismo. E aí, em 2022. o portal UOL fez o ranking das cidades mais visitadas do mundo. Você sabe qual foi, Márcia, em 2022? Sabe qual foi a cidade mais visitada, João Carlos? A cidade mais visitada do mundo em 2022 foi Dubai.
Então, Dubai, em 10 anos de investiment, superou Londres, Nova Iorque, Roma, Paris, superou todo mundo... “Ah, eles são árabes, têm lá o dinheiro, não têm as restrições que a gente tem aqui, mas o investimento na cultura, no turismo, na economia criativa dá resultado. Então, acho que é um elemento importante para a gente colocar na pauta. Já alguns antigos falaram que depois do cargo de Secretário de Fazenda, o cargo mais importante do Município do Rio de Janeiro deveria ser o Secretário de Turismo. Acho que a gente deveria ter essa percepção do ponto de vista estratégico para a Cidade e para o Estado do Rio de Janeiro.
Dito isso, eu tenho acompanhado essa pauta. Estive, em 17 de janeiro, lá em Brasília, acompanhando o Secretário de Cabo Frio, Márcio Sampaio, numa agenda com a Embratur, com a nossa supermestre Tania Neres, discutindo a questão do afroturismo. No mesmo dia, a gente esteve com a nossa super Iêda Leal, Secretária Nacional do Sistema PIR, no Ministério da Igualdade Racial, e a pauta do afroturismo está bombando no Estado do Rio de Janeiro.
Se a cidade não, correr, vereador, vai ficar para trás. A Região dos Lagos está correndo atrás, o norte-fluminense com o Caminhos do Açúcar, a região serrana está se mobilizando, o sul-fluminense está se mobilizando com o Vale do Café. Por exemplo, o pessoal das comunidades jongueiras lá de São José ganharam um grande presente no PAC. Se vocês acompanharem, eles vão conseguir construir uma estrutura hoteleira ali para o Quilombo São José. É desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Então, o Estado do Rio de Janeiro está mobilizado nessa pauta. Acho que cabe ao Rio de Janeiro correr atrás. E acho que tem uma série de iniciativas que são importantes a gente pontuar aqui. O pessoal do Diáspora Black, o meu querido Carlos Humberto, o Guiadas Urbanas aqui da Carol, o Rolê dos Favelados lá do Cosme, o Rolê Carioca... Tem uma série de iniciativas. Então, é importante a gente trazer o setor privado, o setor do turismo da cidade e do estado para a gente conversar, de forma articulada e integrada, para poder avançar. Eu acho que tem um campo muito vasto. E o Ministério da Cultura, no dia 7 de fevereiro, foi publicado o decreto criando o grupo de trabalho do Programa Nacional Rotas Negras. Imagino que o Presidente Freixo tenha falado. Vai ser um programa interministerial do afroturismo, no Brasil, que é liderado pelo Ministério da Igualdade Racial, que vai fazer a Secretaria Executiva. Estamos aqui programando de trazê-los, Ministério da Igualdade Racial e a Embratur, para a gente discutir afroturismo aqui na nossa cidade. Acho que isso é um ponto muito importante para a gente poder avançar.
E acho que, para a gente concluir e finalizar, um dado importante é que nós estamos hoje há 21 anos da Lei nº 2.639. E aí, como a Subsecretária Mariana falou, fazer o afroturismo é combater o racismo. Acho que é importante a gente lembrar disso. E um dado fundamental e importante aqui: todas as leis federais de cultura – a Paulo Gustavo, a Política Nacional Aldir Blanc – têm cota racial, no mínimo, de 20%. E acho que é importante, no Rio de Janeiro, a comunidade negra se mobilizar, porque acho que está marcando toca. Você sabe quanto foi a cota na Bahia, na LPG? Foi 60% de cota racial na execução da LPG no Estado da Bahia: 10% para povos originários e 50% para gente preta. Então, qual é a diferença da Bahia para o Rio de Janeiro? Nenhuma. Se a gente tem mais gente, a gente tem mais gente preta. Então, acho que é importante os fazedores de cultura e os fazedores da área de turismo se apropriarem, se empoderarem e se engajarem na discussão da Política Nacional Aldir Blanc. O que é a Política Nacional Aldir Blanc? É o maior investimento, em cultura, da história do Brasil. São R$ 3 bilhões para 27 estados e 5.000 municípios durante cinco anos. Ou seja, em 2024, R$ 3 bilhões; em 2025, R$ 3 bilhões; em 2026, R$ 3 bilhões; em 2027, R$ 3 bilhões; em 2028, R$ 3 bilhões. Nunca na história, neste país, nós tivemos tanto dinheiro investido na cultura na ponta, nos municípios.
Então, é fundamental que cada um de vocês, nos seus municípios, aqui na Cidade do Rio de Janeiro, se aproprie e reivindique a atuação da Política Nacional Aldir Blanc, que permite um leque infinito de ações culturais que são insumo para o turismo.
Outro dado importante... Porque a gente tem uma reunião, esta semana, vereador, sobre o Programa Nacional Cultura Viva, que são os pontos de cultura, que é uma coisa fundamental e importante. Nos municípios com mais de 360 mil... Mariana, a PNAB é o quê, R$ 40 milhões ou R$ 38? São 37 milhões. Em todos os municípios com mais de R$ 360 mil... No Rio de Janeiro, R$ 37 milhões... Eu sou ruim de fazer conta. Tem que separar 1/4 desse valor, 25%, obrigatoriamente é para investimento no Programa Cultura Viva, que é apoio à Política Cultural de Base Comunitária. O que nós somos? No que nós atuamos? Tem a Política Cultural de Base Comunitária? Então, é hora de se apropriar, é hora de participar e investir para que a gente tenha essas iniciativas que se tornem pontos de cultura para eles poderem ampliar e avançar.
Um dado importante: na Política Nacional Cultura Viva, que vai estar sendo investida via PNAB, ela já traz consigo também o corte de cota racial, ela tem política para mestras e mestres da cultura popular, e um investimento direto na cultura popular. Então, você vai ter aí um cacife, um manancial muito amplo de investimento, porque é a hora e a vez de todos os grupos culturais participarem, se apropriarem e fazer a grande transformação que o nosso Presidente Lula está fazendo no Brasil. Muito obrigado. Um abraço da nossa Ministra Margareth Menezes; abraço à Secretária Nacional Roberta Martins. Estamos juntos.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Obrigado, Edu.
Queria anunciar aqui a presença do Senhor Israel; Senhora Arethuza de Oyá Alaxé, do Terreiro Omidayê, em São Gonçalo; Senhor Marco Souza, representando o One Week Rio; Senhora Sílvia Oliveira.
Convidar para fazer uso da palavra a Senhora Presidente da Associação de Baianas do Acarajé, Rosa Perdigão.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Olá, bom dia a todos. Vou tentar me levantar aqui, porque eu quero primeiramente saudar Exu, pelo dia de hoje. Eu não sei se é a coincidência, mas todas são segundas-feiras que a gente faz esse movimento. Sempre na segunda-feira que eu estou aqui em uma Mesa, então, eu saúdo o Exu. Saúdo essa energia, que é a do movimento, que não deixe de nunca movimentar isso. Saúdo a energia feminina, e eu também quero pedir todas as mulheres que fiquem de pé, agora, para a gente saudar as energias que são fundamentais. Sem a mulher não existem caminhos. Quero agradecer a presença de todos e dizer como é importante ver tantos pares, ver tantos amigos e amigas, famílias, baianas, a gestão pública aqui presente, nessa pauta.
Quando tive o convite do vereador para falar sobre o afroturismo. Flavinho é um irmão, um parceiro de sempre. Eu falei: “eu preciso ficar de pé e eu preciso movimentar”. Eu agradeço. Vocês podem sentar.
E falar de afroturismo sem falar de todo esse movimento – como Edson e Freixo, como outras falas aqui da Mesa também já trouxeram – não tem como dizer ou deixar de falar das Baianas de Acarajé. Eu estou hoje coordenadora geral do Rio de Janeiro da Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam). Em Salvador, a gente chega – em Bahia não é? – em torno de 5.000 baianas e, aqui, no Rio, a gente está em torno de 150 Baianas de Acarajé. E aí eu começo uma provocação, porque acho que Ribas, Sinara, Yago, Edu também já conhecem um pouco essa minha fala, não é? Qual é o lugar do Rio de Janeiro e o que querem as Baianas de Acarajé? Porque nós estamos falando das primeiras mulheres empreendedoras do Brasil. Estamos falando, sim, das ganhadeiras, daquelas que colocavam o seu tabuleiro na cabeça e iam comprar as alforrias dos seus familiares, do seu esposo e fomentar o que a gente sabe fazer de melhor. Porque não desmerecendo vocês, homens, mas a gente já nasce com o dom de empreender dentro de nós.
Então, eu fico muito agradecida. Agradecer também ao Edson, que no caos de todo o movimento da nova gestão, de articular sobre as licenças que estavam paradas em relação à organização das Baianas de Acarajé... Eu lembro foi em setembro, ou finalzinho de outubro, uma reunião junto com a Secretaria, junto com o Secretário Calero, que abraçou a causa. E, hoje, eu posso dizer que está ali uma comissão linda do território, não é? Cíntia, Bárbara, todas meninas que estão acompanhando isso. Em breve, nós vamos ter novas 23 Baianas de Acarajé sentando nos seus tabuleiros, documentadas, autorizadas e cientes da importância de cada uma. Porque você olhar uma Baiana de acarajé foi sempre a minha luta de mudar essa visualização. Não é somente a macumbeira vendendo uma comida de Orixá, não é somente uma mulher vendendo uma comida de santo, nós estamos falando das nossas ancestrais, nós estamos falando do que a gente tem de mais lindo na nossa cidade, que é a cultura. Nós estamos falando e reverenciando as primeiras empreendedoras do Brasil.
Esse olhar é além da religião, a gente fomenta o empreendedorismo e a cultura. Eu falo que é um combo, é um kit que esse lugar tem que ser muito valorizado e, por mais que a gente é patrimônio imaterial, certificados, reconhecimentos, falta um pouco desse olhar humanizado porque a gente ainda tem boletins de ocorrência abertos em ano de 2024, temos denúncias ocorrendo por conta de preconceito, por conta de intolerância. Eu prefiro acreditar que isso é falta de informação.
Quando me convidam para essa pauta, para falar do afroturismo, eu digo: “Opa, é a necessidade de multiplicar, é a necessidade de passar o conhecimento para o outro”, porque às vezes tem dúvida ou não sabe. O afroturismo nada mais é do que o movimento de a gente valorizar o que a gente tem esquecido um pouquinho. A gente fala, fala, mas na prática é um pouco deixado de lado.
Quando o Freixo fala sobre esse projeto, vereador, a gente está falando em valorizar os quilombos, os terreiros, os afoxés, o samba, as baianas de acarajé, as chefes gastronômicas, é tudo isso que eu falo que é o início. Eu ouvi hoje esta frase: “Não tem como falar de Brasil sem falar de África, jamais”. Isso não pode ser esquecido, a gente não pode deixar de, antes de nos reconhecer, reconhecer os que vieram antes de nós e isso é muito importante.
Eu acho que essa pauta é o início de um debate, a gente tem à Mesa pessoas de muito peso, que eu sei que vão estar de mãos dadas para poder fazer isso acontecer na prática. Como o Edu disse, “é o momento”, é muito peso na questão de fazer acontecer. Acredito que este é o ano. Como o Edu mesmo disse, “a gente não pode ficar para trás sendo uma capital, sendo tudo isso que nós somos, e deixar o vizinho estar fazendo muito mais do que nós”.
Esse projeto, o início desse debate, que se torne um programa real na prática, que a gente continue de mãos dadas. Eu trago uma frase também de “desconstruir para a gente construir”. Eu falava muito que a gente precisa se unir para construir e eu, nessa minha fase, que eu vou abrir. Estou aqui em poucos amigos e muitos amigos e conhecidos, mas não sei se todos sabem que tive um AVC recentemente. Ouvi: “Você é nova, por que isso aconteceu?”. Só a ancestralidade pode explicar, mas eu digo que esse momento de desconstruir e construir está sendo importante internamente para mim. A gente precisa olhar para o outro, sim, mas a gente precisa estar bem para poder se doar para o outro, a gente precisa desconstruir essa imagem da intolerância, do preconceito e do racismo para construir novamente ou construir uma nova história de valorização. Conto com cada um de vocês, porque eu sei o peso da forma de importância cultural, gastronômica.
Eu estou vendo aqui muita gente que já está conosco nessa luta, que não é há pouco tempo. Eu volto a falar, nós estamos em 2024 e a gente ainda tem que debater sobre o afroturismo, é uma coisa que já era para estar inserida automaticamente até na própria escola – a gente tem uma lei feita para isso. Falo que: “Quando na escola, a criança já começa a aprender, já começa a ter essa consciência do que é o afro, o afroturismo, o afro-brasileiro, a religião de matriz africana”. Quando ele cresce, ele sai daquele grupo preconceituoso. Então, é triste a gente ter de começar a conversar ou debater sobre isso em 2024. Ao mesmo tempo, fico muito alegre porque há portas abertas como essa, do Vereador, que trouxe esse assunto que é muito importante. É muita alegria estar aqui deste lado, olhando esse Salão Nobre. A gente sabe que esta Casa é, em sua maioria, de brancos. Ver hoje 90% do nosso povo, do colorismo, dos torços coloridos, isso me faz muito bem internamente!
Agradeço a presença de todo mundo. Motumbá aos meus mais novos; aos meus mais velhos, Iboru! E seguimos juntos desconstruindo toda essa bagunça para construir dias melhores.
Gratidão.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Eu lembro que quando eu era pequeno, bem pequeno mesmo, tinha o Tabuleiro da Baiana. O Tabuleiro da Baiana era no Largo da Carioca. Vinha aqui com os meus pais, principalmente no Carnaval. Naquele tempo tinha bonde. Gente, não vai... Eu já estou velhinho, já, já vivi bastante coisa. Naquele tempo tinha o bonde. Então, a gente vinha de bonde para passear no Tabuleiro da Baiana e comer alguns quitutes. Acho que isso precisa ser recuperado na vida do carioca, já que a presença da Baiana na nossa vida cultural foi uma coisa muito forte, tanto que hoje você tem uma verdadeira ala – obrigatória, não é, Milton? –
nas Escolas de Samba, que é a ala das baianas, dessas mulheres e tal.
Nessa questão do afroturismo, a gente também vislumbrar essas figuras históricas que foram as baianas, ou que são as baianas no Rio de Janeiro. A gente teve, efetivamente, uma conversa com o Secretario Calero, muito boa, para falar das questões que afligem as baianas no Rio de Janeiro. E eu espero que tenha dado frutos aquela conversa. Se não tiver dado fruto, a gente vai falar com o Secretário, de novo, para ir corrigindo rumo.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Não! Deu bons frutos, como eu falei, temos 23 novas baianas, futuramente, sentando nas ruas do Rio de Janeiro.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Ah, que bom! E o nosso papel é esse, estamos aqui para isso.
Quero convidar a Dida para fazer uso da palavra, por favor.
A SRA. DIDA NASCIMENTO – Bom dia a todas e a todos.
Eu quero agradecer o convite feito pelo Vereador Edson Santos e dar um bom-dia para a Mesa – essa Mesa tão forte, não é?
Aproveitando a Mesa, onde há vários representantes, Embratur, Secretaria de Turismo, o Secretário de Cultura, para a gente falar um pouco sobre essa expansão que está tendo do afroturismo. É uma coisa que a gente está se preparando. A gente está vendo que o Rio de Janeiro está tendo um reconhecimento significativo, principalmente na gastronomia. Isso aconteceu comigo, quando eu trouxe a gastronomia africana. Eu fui à África para saber, trazer novos pratos, com todo agradecimento às baianas que trazem a comida baiana, a comida que a gente tem desde os nossos ancestrais, aqui! Eu fui lá para verificar novos pratos e os trouxe para cá.
Acho que o reconhecimento foi visto quando eu fui chamada para apresentar os pratos africanos para o MasterChef. Os pratos que tem lá do outro lado e que não são consumidos aqui. Então, eu fiquei muito feliz com isso.
Mas, hoje, eu estou aqui não para falar só do Dida, eu estou querendo falar sobre o Zungu e pedir o apoio a vocês. Por quê? O que está acontecendo? A gente tem vários estabelecimentos de gastronomia de negros que, para vocês terem uma ideia, a gente fez o mapeamento, depois eu vou distribuir para vocês, que é o guia de gastronomia preta.
A Prefeitura, em 2021, nos ajudou a fazer esse guia aqui. Em 2023, a gente o renovou. Nós verificamos que: dos 20 bares, em 2021, 7 faliram. A gente vê um crescimento muito grande dentro do turismo gastronômico, mas os negros mesmos, os donos dos bares negros, eles estão falindo. Eu aproveito para pedir à Secretaria de Turismo e à Embratur para ajudar esses bares. Porque ainda teve mais, na hora em que a gente estava fazendo esse Guia de 2024, no final de 2023 para 2024, faliram dois bares negros. Eu vejo assim: uma expansão muito grande no Largo da Prainha; eu vejo um crescimento em vários setores.
Acho louvável o que está sendo feito dentro do guiamento, de estar indo em vários pontos do Rio de Janeiro, aqui no Cais do Valongo e outros lugares, mas só que os negros mesmo estão perdendo os estabelecimentos deles, eles estão falindo! Eu queria ver, através desse Zungu, com o que a Secretaria e a Embratur poderiam ajudar na divulgação desses bares. Aqui tem quilombo, o Aquilah está aqui dentro. A gente tem vários bares, há bares famosos, mas tem muita gente aqui dentro que está lutando para continuar com o seu negócio e estamos ficando cada vez mais esquecidos. Se você vir bem, no Largo da Prainha, as pessoas, os donos mesmo dos negócios são brancos, não são pretos. Então a gente tem que mudar um pouco essa realidade. Vontade de crescer a gente tem, e a gente tem também vontade de conquistar novos espaços. Então é isto que eu coloco: a provocação para a “gente estar se unindo”.
O Zungu foi uma união. Como foi criado o Zungu? O Zungu foi criado na pandemia. Quando a gente viu que a gente poderia... Os bares estavam quase todos falindo, a gente se reuniu, inclusive tem a Rosa aqui também representando as baianas, a gente se reuniu e resolvemos um dar força para o outro. Então a gente está aqui com um Guia superbacana. Agora, há de ter visitação de turista lá também, para poder a gente continuar a trabalhar. O Dida, graças a Deus, falando pelo Dida, nosso bar, ele está indo bem. A gente está tendo varias visitações, vários turistas, principalmente americanos, de outros países, mas só que aqui tem 20, não é só o Dida. A gente tem de ver como a gente vai trabalhar, para a gente fazer um futuro melhor para a gente mesmo, os negros.
É isso. Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Obrigado, Dida.
Milton Cunha, fale.
O SR. MILTON CUNHA – Oi, gente! Meu lugar de fala é de admirador, admiração. Estou aqui para divulgar esse encontro. Um golaço, golaço do Edson. Porque no final o afroturismo vai fazer o dinheiro voltar para o bolso do protagonismo negro. Isso é louvável, porque dinheiro importa, sim! Claro que é cultura, claro que é beleza, história, “pa-ra-rá, pão duro”, mas a luta é não deixar o acarajé virar o bolinho de Jesus.
A luta, com esse dinheiro voltando, é pegar um prédio chamado José Bonifácio. Porque é incrível como a “branquitude” batiza tudo. E aí não tem o espaço, mas ai a negritude vai lá, se apossa do prédio, ressignifica e transforma. É impressionante o apagamento, é impressionante a invisibilidade desses cinco séculos, e agora esse golaço de retomada de luta. Contem com a minha divulgação, com o meu apoio, com o meu aplauso e com o meu amor.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – É um pouco por aí, esse é o objetivo, é o espírito da coisa.
Queria convidar o Sandro Ifatorerá para fazer uso da palavra, por favor.
O SR. SANDRO IFATORERÁ – Bom dia para todas as pessoas ilustres. Eu vou falar um pouco aqui nesta Mesa muito forte sobre a experiência das minhas idas e vindas da Nigéria, da África, de um modo geral, das cidades que eu conheço, para vocês. Porque o cidadão africano, de um modo geral, falando de forma coletiva, quer conhecer o Rio de Janeiro, quer conhecer a Bahia, quer conhecer o Brasil.
Estamos tendo um problema próximo dessa data em que nos encontramos hoje, um ano atrás, quando a comitiva do Ooni de Ifé foi recebida pelo Presidente Lula, em Brasília. Nós fizemos parte dessa comitiva, eu e Rosa Perdigão, e naquele dia muitas coisas foram conversadas e desenvolvidas – inclusive, o Presidente Lula esteve agora, recentemente, na Nigéria e na Etiópia. Simplesmente, as autoridades de Estado – autoridades de Estado – da Nigéria não estão conseguindo liberação do visto para vir para o Brasil. Reis, autoridades culturais nigerianas não estão conseguindo tirar seu visto para vir ao Brasil. Essa tentativa era para o mês de novembro, o mês da Consciência Negra. Não aconteceu. É uma comitiva grande. A gente sabe que existem dificuldades quando falamos de muitas pessoas, mas você pensa no país que se organiza para ver seus filhos. De 70 pessoas, nenhum visto foi liberado até hoje.
Então, depois tentamos trazer para o Carnaval do Rio de Janeiro e no Carnaval do Rio de Janeiro eles pudessem ver a sua arte, o que eles deixaram aqui como legado, o que foi seguido pelos ancestrais. E também não conseguiram. Agora, dia 21 de março, se não me falha a memória, o dia das religiões de matriz africana – 21 de março – vai completar um ano que Ooni de Ifé esteve aqui no Brasil e também até agora nenhum movimento concreto de liberação de visto para cidadãos nigerianos que estão em visita no Brasil.
Minhas instituições: sou presidente do Afoxé Ọmọ Ifá, sou presidente nacional. Sou presidente da Casa de Ifa e presido o Instituto Irê. Nossas instituições sempre fizeram os convites para essas autoridades. E a gente está percebendo que, não sei se tem a ver com o governo anterior, não posso falar muito de política, não entendo muito, sou sacerdote, e a gente percebe que está tendo uma dificuldade, e a gente não sabe por quê. Ninguém sabe por que está acontecendo isso. Mas está acontecendo.
Então, na minha casa, quando sempre recebemos, são duas décadas recebendo esse conhecimento. Então, a gente não entende bem o que está acontecendo no Consulado do Brasil na Nigéria, em especial na Cidade de Lagos. E estou aqui para falar porque sei que como estou falando aqui hoje, além de ser um evento poderoso, sei que muitos confrades meus, talvez centenas da Nigéria, vão vir.
Diante de falarmos de toda essa tradição, de todos os costumes e culturas que temos aqui no nosso Brasil, é muito interessante que, quando estivemos na Nigéria, o rei da Cidade de Ile Ife, recebe todos os brasileiros, ele próprio. Ele próprio recebe todos os brasileiros, abre suas portas, apresenta a história para a gente, ele conta a história para a gente, um por um. Se amanhã vocês forem, ele vai fazer a mesma coisa. Não sou eu que sou especial. São, na verdade, os brasileiros. E a gente não recebe... e é muito triste falar sobre isso, porque eles nos recebem muito bem lá. Mas muito bem mesmo. Tem pessoas que estão aqui que me acompanharam em comitivas – a Iya Lakara, que recebeu o título, porque você representa a mãe dos acarajés.
Então, o ofício de Baiana do Acarajé foi um reconhecimento do rei. Por que um reconhecimento? Porque conhecimento você já tem; não está se ensinando nada de novo; está reconhecendo o que vocês fazem. Ela representou todas. O rei fez isso. E é muito estranho quando a própria comitiva desse rei, agora, dignitários mandados por ele também, além do governador de vários estados, não consegue o visto. É estranho. E a gente está nessa luta, tentando reverter isso, pedindo aqui o apoio do nosso vereador, que abriu a Casa para nós. Chegamos a conversar agora, eu e Freixo. Ele não está sabendo desse assunto que estamos falando agora. E nós falamos de todas as instituições, nós apresentamos um evento lá no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB) onde fomos muito bem recebidos.
Então, eles querem ver essas instituições, querem conhecer também. É um potencial, entenderam? Essa comitiva era só de 70 pessoas. É o equivalente a um avião fretado. Eles estão, de alguma forma, tentando vir para cá. E fazem exigência, aumentam os valores de depósitos bancários, de comprovação bancária e nós estamos falando de autoridades, não estamos falando de concidadãos.
Existe um trabalho que é feito na Nigéria por nós há mais de duas décadas, ou há mais ou menos duas décadas. E existe um trabalho feito recentemente com a vinda do Ooni de Ifé para cá. Convencer um nigeriano que pode viajar para o exterior, convencê-lo a não ir a Londres, a não ir aos Estados Unidos, a não ir à China é difícil, sabem? E a gente fala sobre o Brasil. Como eles nos veem, de fato, como irmãos, eles querem vir de alguma forma. Não para trabalhar, para tomar a vaga de ninguém, sendo que essas vagas já foram tomadas. Então, é muito difícil a gente entender por que isso está acontecendo.
Diante de um evento desses, eu gostaria, na verdade, de expor isso para vocês, porque poucas pessoas sabem disso. Isso não é uma coisa muito falada, de alguma forma isso é abafado, mas eu acredito que a gente tem que falar para descobrir o que está acontecendo, porque não é normal.
Eu tenho dois títulos na Cidade de Ile Ifé. Mas não estou falando só por Ile Ifé; estou falando pela Nigéria, pelo Benin, que também conheço, pelos amigos que eu tenho na África. Então, sei que essas centenas vão também querer saber um pouco do que foi conversado aqui hoje. E quero passar essa informação para eles. Mas só quero que vocês saibam que esses movimentos estranhos continuam de alguma forma acontecendo.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Senhor, depois vou pegar os detalhes para a gente procurar saber com o Itamaraty o que está ocorrendo.
O SR. SANDRO IFATOTERÁ – Obrigado. Eu acho que agora, ficam as perguntas para vocês em relação ao que está acontecendo. Mas que a sociedade se una, diante dessa boa ideia que está sendo feita aqui hoje. De fato é uma boa ideia de pessoas que querem fazer, e vocês fazem parte disso. Temos um salão cheio aqui de lideranças, de representantes.
Então, quero só agradecer novamente o convite e parabenizar as Baianas e os Baianos de Acarajé por estarem aqui hoje, recebendo essa Moção. Meu bom dia novamente!.
(PALMAS)
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Muito obrigado. Vamos ver de que forma podemos ajudar a desenrolar esse processo que está acontecendo.
Há quatro pessoas inscritas, da Plenária. Nós vamos conceder três minutos para as falas.
A primeira é Karolynne Duarte, Guiadas Suburbanas.
A SRA. KAROLYNNE DUARTE – Obrigada. Boa tarde.
Primeiro, gostaria de pedir licença a todos vocês. Sou a mais nova aqui, mas sempre estou na minha caminhada, respeitando os mais velhos. Senti um pouco de falta, Senhor Edson, de ter pessoas da ponta do turismo aqui à Mesa para falar sobre isso, porque se hoje a gente tem afroturismo acontecendo é porque tem a ponta, que são os guias, que fazem todo esse trabalho de conexão, de apresentar as Baianas do Acarajé, apresentar esses lugares de memória. Então, queria só fazer primeiramente essa observação de que não tem nenhuma agência e nenhum guia para representar esse nicho do turismo que hoje existe com o nome de afroturismo. Nós fizemos esse trabalho de trazer esse olhar mais para esse recorte, que antes era chamado de turismo étnico, e durante muito tempo já se fazia o trabalho de afroturismo, mas em função da pandemia – para muitos que não sabem – , quando você colocava o termo “afroturismo” na internet, no Google, por exemplo, aparecia a palavra agroturismo. Aí, começou todo o movimento da galera de fortalecer essa o afroturismo, porque não se reconhecia esse recorte do turismo afro.
Então, queria só primeiro começar a falar sobre isso, é muito importante ter pessoas que são da ponta. Eu faço parte da Rede Afroturismo Brasil, a gente conhece várias pessoas que trabalham no território do Brasil todo, e a gente faz essa conexão.
Acho também importante falar sobre, já com um passo mais largo, quando a gente fala de políticas públicas com relação a essa área do afroturismo, a gente que está trabalhando nessa área, a gente não quer que as pessoas criem só o fomento, e que olhem para esse lugar, mas que também haja um olhar bem minucioso de mapear quem já faz o trabalho. Por exemplo, eu, Karolynne, sou arquiteta e urbanista e fui trabalhar com o turismo para trazer visibilidade para o território que é território do subúrbio carioca, que é Madureira. E aí, quando a gente está falando desse lugar, que é Madureira, na verdade, é a grande diáspora da Pequena África, a gente está falando de um grande caldeirão de cultura afro. E aí, a gente está falando desse lugar, que não era olhado pelo turismo como um lugar turístico. Hoje a gente está batalhando, faço meu trabalho há 12 anos, só de pesquisa, tenho 20 anos de pesquisa. O que a gente quer também que quando se faz um trabalho de política pública, se vai fazer formação de guias, por exemplo, que se procure quem já atue no território. Quando for fazer uma política de fomento que não coloque a gente em disputa com pessoas que vão trazer talvez o mesmo material disputar com quem nunca fez.
Então, acho importante... Não tem como colocar eu, Karolynne, sou ponto de cultura... Eu quero reconhecimento do trabalho que eu fiz. Não é sobre isso. Mas acho que é covarde, é muito covarde eu trabalhar 12 anos no meu território, e aí chega no final das contas, eu tenho que disputar um edital para disputar com outras pessoas um trabalho que eu faço há 12 anos. Acho que é importante esse reconhecimento de mapear quem são as pessoas que fazem acarajé, que fazem um trabalho na rua, que fazem todo esse trabalho acontecer no amor, na luta nossa diária de divulgar o nosso trabalho, que não é só um trabalho, é um trabalho de militância, que é um trabalho de buscar respeito por esse lugar.
Então, acho importante que isso fique registrado, que nós não queremos que se abra edital de fomento para que a gente dispute com os nossos e com quem ainda nem entrou nesse mercado. Eu, por exemplo, fui atuar na cultura muito, porque além de ser guia, arquiteta, sempre fui muito brincante de roda de cultura popular, sempre participei de roda de jongo, estive lá com o pessoal de Caxambu do Salgueiro, a gente fez o projeto lá para poder trazer as caxambuzeiras de volta para esse cenário da cultura.
Então, acho importantíssimo entender que nós estamos numa luta diária, e que não tem que ficar esperando estar nesse lugar de disputar com outros esse edital, mas, sim, que haja um mapeamento, um reconhecimento, a valorização de quem já faz esse trabalho.
Era só isso que queria dizer. Obrigada.
(PALMAS)
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Obrigado. Quero só dizer, Karolynne, que agora nós estamos numa reunião pioneira. Não é uma reunião executiva. Executiva aqui é que é do Executivo. O Freixo, a Mariana, o Yago que são pessoas ligadas à execução das políticas públicas, o Edu também ali... que a gente chamou para comprometer com essa política pública.
Agora, o desenrolar disso... Vai ter reunião da Embratur, com a Prefeitura, criou a partir desse desenho que vai se ver a forma de inclusão das pessoas que já fazem isso, não é pegar a história e jogar fora, mas as pessoas que já fazem isso estarem incluídas no processo.
Não, que isso! Não, foi ótimo!
Eu queria chamar o João Carlos Martins do Renascença Clube.
O SR. JOÃO CARLOS MARTINS – Bom dia a todos. Quero cumprimentar o Vereador Edson Santos, os vereadores, e todos da Mesa.
Queria começar falando sobre um tema. Eu queria que estivesse presente o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e eu queria, vereador, que depois a gente tivesse uma conversa sobre os clubes negros no Brasil.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Perfeito.
O SR. JOÃO CARLOS MARTINS – Porque Isso está esquecido. E as irmandades negras, porque a história do Brasil passa pelos clubes negros e as irmandades negras, que são da área urbana, onde se desenhou todo o desenvolvimento do Brasil. O quilombo, a gente já sabe que está lá, como o próprio vereador falou, distante. Mas, no núcleo urbano, a luta do negro foi muito grande pelos clubes negros e as irmandades que lutaram. Só no Brasil, temos mapeados 150 clubes negros, e muitos até não existem mais por especulação imobiliária e outros motivos. É uma discussão muito grande, que a gente precisa do apoio da Fundação Palmares, do Ministério da Igualdade Racial. E eu queria, vereador, o seu apoio nessa parte com a Embratur.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Já tens.
O SR. JOÃO CARLOS MARTINS – Então, isso aí é importantíssimo. E o Renascença é um desses clubes negros, dos 150 clubes negros. Nós fazemos parte da executiva nacional e estamos sobrevivendo com muito custo, porque qualquer instituição negra sobrevive com muita dificuldade. Então, nós sabemos o que é manter o Renascença vivo, porque ele é um ponto de cultura, pertencimento e empoderamento do negro na Cidade do Rio de Janeiro, entendeu? O Poder Público tem que entender a importância do Renascença para a Cidade do Rio de Janeiro.
E o território de que a gente tem falado, em Madureira e Pequena África... O território da Grande Tijuca é onde há mais negros também. Não é só em Madureira, não. É porque a Grande Tijuca é invisibilizada. Ali só tem morro com muito negro: Formiga, Boréu, Andaraí, Macaco, Mangueira, Turano... Só tem negro, só que é invisibilizada a cultura negra na Grande Tijuca. Está aí o Caxambu, do Salgueiro, o representante, o nosso irmão. A gente tem que fazer um trabalho muito forte, políticas públicas para poder colocar o negro no território da Grande Tijuca, dentro do processo civilizatório da Grande Tijuca, que é racista historicamente, todos nós sabemos disso.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Conclua, por favor.
O SR. JOÃO CARLOS MARTINS – A gente não precisa de muito assunto sobre isso aí.
Então, eu queria políticas públicas no território da Grande Tijuca, incluir esse terceiro território, porque eu só vejo falar em Madureira, Valongo... E ali?
Porque as escolas de samba estão ali: Unidos da Tijuca, Império da Tijuca, Flor da Mina do Andaraí, que homenageou o Renascença este ano. O tema do Flor da Mina do Andaraí foi “Renascença, Quilombo Urbano, Resistência Negra”. Nós fomos tema, o Dida sabe disso. O Dida foi convidado até para desfilar, não é? Mas, então, é muita história na Grande Tijuca, e a gente tem que colocar a história do negro, porque ali está o turismo, entendeu? Ali você tem o Engenho Velho. Tem o Engenho Novo, tem o Engenho Velho. São as regiões que foram formadas por negros e ficaram em cima dos morros. Há muita história para contar. É Jonga, é Caxambu, é roda de samba, é samba de terreiro, tudo o que você imaginar do negro está dentro da Grande Tijuca, que está esquecida. E o Rena é um ponto focal. O Renascença hoje tem um visibilidade muito grande e precisa do apoio da Embratur e da Riotur, vereador, para fazer esse fomento como polo agregador daquela região. Nós já fazemos isso informalmente. Mas os guias de turismo, o pessoal do trade, tem de ir para o Renascença, porque ali a gente gera emprego e renda para muita gente, ali é um polo gerador.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Conclua.
O SR. JOÃO CARLOS MARTINS – Cada evento que nós fazemos ali são 150, 200 pessoas beneficiadas.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Conclua, por favor.
O SR. JOÃO CARLOS MARTINS – E nós fazemos quatro eventos por semana. Pelo menos de samba, segunda, quarta, sábado e domingo, gerando renda. O Edu está aí, que é nosso irmão da família Renascença, e sabe dessa nossa luta. Então, ali é um pólo gerador de renda, não é? É o garçom, é o pessoal do Uber que se beneficia, do táxi, é o pipoqueiro, o menino que vende amendoim, o outro que vende camisa, os afroempreendedores ali. Nós temos uma... Pode dar o testemunho, não é, minha irmã? Ela é uma das afroempreendedoras lá do Renascença.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Pode contar comigo.
O SR. JOÃO CARLOS MARTINS – É isso que eu queria terminar, com essa fala, porque é muito importante. O samba, como diz o Carlinhos Brown, “é o diferenciador do social do Brasil”, não é? É o grande agregador social do Brasil o samba, que cria toda essa união de grupos. Então, a gente precisa transformar, porque a gente também tem a história não contada, como a Viola Davis falou, não é? A história do negro ainda não foi contada. Se a gente tem que a história do nego não foi contada, e o maior agregador social deste País é o samba, então está na nossa mão esse afroturismo. Eu queria resumir isto: que o afroturismo está na nossa mão. Precisa de políticas públicas direcionadas e recursos, porque eu vejo muita fala, mas recurso não vem – como a própria nossa irmã Dida falou, entendeu? Não é edital que vai resolver isso, não. É outra coisa. Tem uma discussão, a gente pode chamar, eu faço questão de fazer parte do teu grupo para a gente discutir isso. A gente sabe o caminho, agora tem que ter recursos.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Ótimo. A gente já registra essa questão dos clubes, clubes negros, o Renascença. E eu tenho a certeza de que é óbvia a inclusão do Renascença em um roteiro afroturístico.
Flavio Galiza, Rede Carioca das Rodas de Samba. Mas aí vamos ser rígidos no tempo, viu? Vou cortar mesmo agora.
O SR. FLAVIO GALIZA – Bom dia a todos. É muito satisfatório poder estar fazendo esta fala, inclusive com uma Mesa tão importante, com falas tão fortes em relação à nossa negritude e ao trabalho que a gente faz. Eu sou da Rede Carioca de Rodas de Samba. A gente representa 95 rodas na Cidade, distribuídas em todas as regiões da Cidade, em todas as APs, desde Cosmos, Inhoaíba, Campo Grande, Ilha, Centro, Zona Sul... Dentro das falas que já foram feitas, inclusive, a menina de Madureira, esqueci o nome dela, perdão. Carol, isso. Ela falou sobre ótica de quem faz a cultura, de quem está na ponta, e eu, também, vim por esse mesmo propósito, de quem vem da ponta.
A gente que vem fazendo nos territórios, entendendo as necessidades dos territórios, e os fomentos que são construídos dentro de uma perspectiva para que possa abraçar a todos. Mas ainda há muitas questões que estão nos territórios. Na hora de um curador dar uma olhada no edital de um, de outro, no projeto de um ou de outro, a gente ainda fica aquém com várias questões. Uma roda de samba, por exemplo, quando ela faz um flyer, ela bota a data e tal e, de repente, está o artista principal, o Zeca Pagodinho está lá na capa do flyer. Mas o cara que toca o tantã não está. Quando ele escreve o edital, como que ele vai provar que ele é parte daquilo, na hora do portfólio? Então, eu sei que são muitas questões. Muita gente é vista assim: “Ah não, o cara é o tantã e tal”. Mas aí, na hora de tirar a nota, o outro lá, da orquestra sinfônica, está lá tudo bonitinho e descrito, ele ganhou 10, e o cara ganhou sete e ficou de fora. E, aí, por isso, a gente também identifica nos fomentos que muitas rodas de samba acabaram não entrando em alguns projetos, enfim.
A gente se reúne e busca também esse fomento direto, para que a gente possa ter esse fortalecimento, até mesmo para a galera poder aprender a fazer de uma forma, que também se calce, para lá na frente não precisar estar aqui pedindo para que as coisas sejam organizadas de outra forma. Mas que a gente possa concorrer de igualdade com todo o mundo.
Então, também quero saudar a Mariana Ribas; as meninas do gabinete, Bárbara, Cíntia, que tão fazendo um
trabalho muito legal com a gente aí, da nova reconstrução do Decreto; Vereador Edson Santos também, através da Comissão de Cultura, que deu um suporte muito grande para a gente.
Só pra terminar: a baiana até falou sobre as Baianas do Acarajé, sobre a educação, não é? As pessoas veem as outras pessoas indumentadas na rua e “é o mal, é o demônio”, aquelas coisas todas, e a gente tem uma Lei na Educação que já poderia estar minimizando esse problema. As rodas de samba, com os seus sambas, podem ajudar também nessa questão. Muitas escolas já utilizam letras de samba, como antigamente eram feitas, as escolas de samba tinham as letras...
Eu já estou encerrando. Então, havia as letras das escolas de samba que educavam muito, eram utilizadas nas escolas. Portanto, é importante a gente também entender que o samba precisa ser contemporâneo – e a gente só consegue fazer essa mudança com a gente empoderando, fortalecendo quem vem depois e fortalecendo o diálogo, senão os garotos que estão chegando agora escutam o rap. Quando a gente fala de uma letra de samba de 1920, de 1930, a gente está falando um vocabulário que eles não entendem. Como a gente fala da parabólica e não sei o que, eles nunca nem vão sonhar o que é uma parabólica.
Então, se eu tocar uma sanfona em uma parabólica, eles não vão se sentir pertencentes àquela cultura. A gente precisa que a cultura seja renovada o tempo todo de quem está fazendo agora.
Queria agradecer à Rafale. Perdão pelo tempo.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Não, que isso! Esse barulhinho foi uma forma de descontração.
Eu queria convidar o Herick, do Quilombo do Camorim, com quem falei que passei um sábado com vocês.
O SR. HERICK SANTOS – Olá, bom dia a todos e a todas.
Eu sou Herick, do Quilombo do Camorim. É um quilombo datado de 1614, é o mais antigo da era colonial. A gente sofre muito com o apagamento histórico, tanto o Quilombo do Camorim, quanto os outros quilombos pelo Brasil afora. Isso posto, já estendendo o convite a todos que quiserem visitar o nosso quilombo.
Lá no Quilombo Camorim, a gente trabalha também com um turismo de pedagogia, que é o afroturismo que é falado aqui. Nós trabalhamos com escolas, com crianças, nós trabalhamos com todo o público, para poder conhecer um pouco da nossa história, da nossa vivência e também além do nosso quilombo tem o Quilombo Astrogilda, que também trabalha com gastronomia, tem agricultura, artesanato, todos os nossos quilombos têm uma infinita riqueza, só que, infelizmente, com o apagamento histórico, a gente acaba não podendo mostrar a nossa cultura. A gente não consegue mostrar a nossa verdade e a nossa vivência. Com o afroturismo, a gente tem esperança de que, partindo daqui do vereador e de outros do Parlamento, a gente consiga mostrar um pouco da nossa cultura, da nossa história, da nossa resistência e poder mostrar a nossa alegria, a nossa felicidade, como as baianas estarem pelo Rio de Janeiro, poderem passar e você ver a alegria delas trabalhando. Isso é muito importante para a nossa cultura, para a nossa história.
Eu gostaria de agradecer pela oportunidade desta fala. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Vale a pena uma visita ao Quilombo do Camorim.
Agora eu queria convidar Arethuza Dória. Nós estamos caminhando para o encerramento já.
A SRA. ARETHUZA DÓRIA – Bom dia.
Meu nome é Arethuza Dória, sou Arethuza D´Oyà, sou Ìyálasé do Egbè Ilè Ìyá Omidayè Asé Obálayó, sou filha carnal da mãe Márcia de Oxum.
Eu queria parabenizar o Vereador Edson Santos pela iniciativa, pela bela iniciativa e, parabenizando-o, eu parabenizo todos aqui presentes, tanto à Mesa, quanto os meus irmãos que estão aqui presentes.
Lindo encontro, potente debate, mas eu senti falta da efetividade deste debate. Estou percebendo muito na fala muito bem colocada, eu estou apaixonada, embevecida com a fala grandiosa de cada um de vocês, mas eu gostaria de saber, pensar e provocar como está no radar de vocês efetivar isso na ponta, já que eu transito muito no Estado do Rio de Janeiro – os meus queridos aqui sabem disso – e percebo que a ideia é maravilhosa, mas quando vai botar isso em prática há uma dificuldade enorme de isso virar a chave, de isso ser efetivo. E como assim? Vou falar de um dos trabalhos que eu desenvolvi no Estado. Eu fui a pessoa que fui a pesquisadora. E o nosso terreiro foi o que deu entrada nesse processo, do primeiro registro de patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro, o maior processo desse registro na história do Estado, que é o registro dos Blocos Afros e Afoxé, que a gente conseguiu concretizar esse ano.
Esse processo nos gerou o entendimento de uma iniciativa básica – e o Babalaô faz parte desse processo, enfim, muita gente aqui conhece, e os filhos de Gandhi, que estão aqui presentes. A gente entendeu que, para se ter dignidade – dignidade, essa é a palavra – de botarem os Blocos Afros e Afoxés na rua, precisa se pensar numa planilha orçamentária inicial de R$50 mil. Dignidade! Não é riqueza do que estou falando. Não é ostentação, é dig-ni-da-de! Ainda mais se a gente pensar que os shows gospels, que estão tomando as ruas, nacional, é papo de milhões! Então, R$50mil é dignidade. E quando pensam em convidar os nossos irmãos dos Blocos Afro e Afoxé, são R$2 mil, são R$5 mil, são R$10 mil, e a gente que se vire como sempre.
Então, quando eu penso isso, e por que eu penso isso? A gente está falando aqui de afrobrasileiro. Eu criei um aplicativo chamado IGBA. Ele é português-ingês. Ele existe desde 2019. Foi uma política pública que alcancei. A Rosa Perdigão é uma das Coordenadoras. É através da LAB 1, pensando no Etnoturismo e afro-brasileiro.
Então, Vereador, ele atualmente trabalha com cinco culturas: Baianas de Acarajé; Terreiros, em especial, que é o meu forte; Blocos Afros e Afoxé; Capoeira. E eu fui tentar três vezes, por gestões diferentes, uma parceria na Secretaria de Turismo do Estado. Entendendo que isso gera um etnoturismo e fortalece o afro-brasilerio. Todos foram negados, porque isso esbarra no entendimento de religiosidade, que é uma ignorância pensar isso! Uma falta de pertencimento pensar isso.
Também estou atualmente com esse mesmo projeto atualizado e aprovado na SMS e na Secretaria de Cultura e Economia Criativa no Estado do Rio de Janeiro, parado por falta de patrocinador. Porque a gente está falando de afro-brasileiro, mas quem é quem consegue patrocinador de reconhecimento da importância de projetar isso para eles? Então, a gente precisa pensar o seguinte: Tudo bem, a gente já sabe que a gente tem que produzir o afro-brasileiro, mas de onde vai vir esse recurso e qual é... O que a gestão está pensando em propor de parceria para os patrocinadores, a galera que investe para que esse afroturismo aconteça efetivamente, não fique só no entendimento? A palavra é linda, mas a gente precisa provocar isso, para ela ser uma política efetiva.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Perfeito.
A SRA. ARETHUZA DORIA – Então, já eu estou finalizando a minha fala para essa provocação, nesse sentido, de pensar nessas parcerias; de repente, propor o que esses patrocinadores podem ter de benefícios, quando ele “linca” a marca dele ao afro-brasileiro? Porque isso precisa ser pensado em todas as instituições para ser efetiva. E, aí, pensado também no acesso à política pública, seja através de edital de cultura e tudo mais, a gente precisa também pensar, também, ainda, no afroturismo, como a gente vai preparar os nossos, para estar recebendo esse afroturismo, porque a gente sabe que se a gente se esbarra nas outras instituições. A gente precisa dizer para os nossos que a gente precisa se preparar. A gente precisa ter rampa de acesso. A gente precisa ter Corpo de Bombeiro ativo, nesses lugares. Então, a gente precisa também pensar nessa condição de preparativo, para depois não dizer o que dizem anos sobre os nossos: nós não somos preparados; nós não somos organizados. Mas é porque a ponta não nos passa, foi-nos negado esse acesso.
Então, muito obrigada. Espero que isso seja, efetivamente, mas a gente precisa dessa preparação para ser efetiva de ambos os lados.
Muito obrigada! Parabéns! Obrigada!
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Eu que agradeço.
A próxima oradora é a Carla Wendling. Carla, por favor.
Gente, eu vou ser rígido, aqui. Não é nada contra você, mas é que precisamos... Ainda tem outra parte deste evento, que é entrega de Moção para as Baianas
Vou deixar você falar! Só estou alertando que a gente vai ter que ser rígido. Por favor.
A SRA. CARLA WENDLING – Bom, um prazer estar aqui com vocês! Boa tarde, acho que já é um boa-tarde.
Fiquei muito feliz com a proposta. Eu sou Carla Wendling, sou da Folia Carioca. Nós somos 18 blocos e bandas espalhados por toda Cidade do Rio de Janeiro. E aí, quando eu vejo uma proposta linda dessa, me vem algumas imagens, algumas histórias que eu quero dividir com vocês, que é quando o governo entra na história e acaba destruindo essa história tão linda. Como muitos devem lembrar aqui, como era o ano novo em Copacabana, era feito pelo povo pobre, preto e de matrizes africanas, de religiões de matrizes africanas, não é?
Aí veio com a desculpa de que suja muito. Hoje, quando você abre o ano novo, a primeira reportagem é a quantidade de pessoas que foram ali e o lixo. Parece que o lixo do branco é bom e o lixo do negro é ruim. Aqui também tínhamos uma festa maravilhosa no Campo de Santana, que é a festa de São Jorge. Hoje, depois que o Poder Público falou que ia organizar, eu não vou mais. Eu me nego a ir, porque aquilo para mim é um desrespeito, porque era uma festa maravilhosa. Haja vista o que nós estamos vendo no carnaval. Quando o governo chega para organizar essa festa, infelizmente, nós temos uma parceria de desconstrução do carnaval pela esquerda, quando vem com o politicamente correto através das músicas e depois veio com o politicamente correto através das fantasias, a gente está vendo o que está acontecendo.
Eu que faço parte de uma associação onde a maioria dos blocos são blocos de bairro ainda, de marchinha, marcha-rancho e de sambas autorais, não temos vaga, não temos apoio nem o olhar do governo, muito pelo contrário. Nós temos até a negação. Se você pegar hoje os blocos e bandas que estão cadastrados para o desfile, eles estão diminuindo. Mas nós temos o apoio de blocos que vêm de fora, como os blocos baianos. Nada contra, gente, mas o dinheiro é daqui e tem que ser usado aqui. Nós temos vários músicos, vários blocos que não conseguem sair, porque não tem recurso. Porque se vendeu o carnaval de uma forma tão linda, mas quem faz de fato o carnaval que são os blocos de rua, blocos de bairro, não tem recurso, porque não tem apoio. Então eu fico muito preocupada é de falar do povo pobre, do povo negro e este não estar inserido ou está aqui só batendo palma.
Se fizer uma construção de fato de uma política para o povo, quem tem que participar é o povo! É ele que tem que dizer o que ele quer, não é? O que não acontece no carnaval do Rio! Infelizmente, nós tivemos uma conferência nacional, onde o carnaval não estava. Eu ia, mas fui negada, infelizmente. O pessoal ainda tem uma ideia que diz que carnaval de rua se confunde o carnaval de escola de samba, que é totalmente diferente. Volto a dizer: estamos acabando com os blocos afros da Avenida Chile, que foram retirados.
Outra, essa obra linda para ficar com cara de Paris, foi justificada ficar com cara de Paris e pegamos onde era o Marco do Carnaval de Rua foi enfiado um punhal, porque ali era a referência dos blocos, de todas as referências de blocos do povo pobre, preto e periférico era ali na Avenida Rio Branco. Hoje está jogado na Avenida Chile. Então, o que a gente quer é respeito. Apesar de eu ser branca, que eu tenho direito a fala, não quero me colocar nesse lugar, mas eu sei muito bem o trabalho que eu faço em relação aos blocos que eu organizo.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Para concluir.
A SRA. CARLA WENDLING – É ainda respeitando e preservando a tradição do Carnaval de Rua.
Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Há uma pequena correção. A questão do lugar de fala, a gente tem que levar em conta o lugar de classe, de que lado a pessoa está. A cor não importa. Preto, amarelo, azul, o importante é de que lado está. Esse é o meu parâmetro, pelo menos, mas é uma discussão importante que você traz aqui e que nós vamos levar em consideração.
O próximo é o Jeff.
O SR. JEFFERSON RAMOS SIMÃO – Boa tarde.
Eu sou angolano, sou produtor cultural e artista. É um prazer imenso falar para vocês. Deixe-me primeiro fazer um ajuste no nosso irmão sacerdote. Nossos irmãos nigerianos só não estão a vir aqui porque o mundo se abriu para África, mas o Brasil se fechou para África, ok? Eles pensam que se nossos irmãos vierem aqui vão querer ser refugiados. Eles entendem a África como fome, como miséria, como doença. A África é hoje milhares de anos a luz à frente, e o povo brasileiro ainda não entendeu isso. É uma questão política de acertos que precisamos refazer. Só por isso é que nossos irmãos não estão a vir aqui. A África que fala português é tranquilo, mas a África Subsaariana que fala francês, inglês ainda existe essa coisa travada com o Brasil. Você vai ver a música africana ganhando o mundo, ganhando Grammys, mas o Brasil ainda está dormindo, na sonolência de entender que o momento é a África. Então, precisamos fazer esses ajustes.
Em relação ao tema, eu, produtor cultural, fico feliz em ver conceitos desse gênero. Estamos a trabalhar em conceitos de dinamização da cultura africana aqui no Brasil. Por acaso, vamos agora lançar a primeira plataforma do maior evento de entretenimento africano no Brasil, que vai ser agora no mês do continente. Estamos a negociar com agências de turismo africanas. E o africano quer conhecer o Brasil com respeito. Na África ensina-se sobre Cais do Valongo, e na África ensina-se sobre Muhcab, ensina-se onde ficaram nossos ancestrais, por onde passaram, querem conhecer o Brasil de qualquer forma. Conceitos culturais com entretenimento, que visam mostrar a África como é, devem ser debatidos em formatos desse gênero.
É importante que a gente comece a pensar conceitos quando se fala em afro, em ligar o continente. Não podemos só falar “afroturismo”, “afro tal”, “afro tal”, “afro tal”, e a gente se esquece dos originários de África. Quem são os imigrantes africanos? Onde estão nesta sala? Ninguém sabe. Então, precisamos começar a fazer o contexto porque eles querem vir conhecer onde seus ancestrais ficaram. Os seus ancestrais pararam aqui no Cais do Valongo, na Pequena África; pararam em Salvador, onde ensinaram o acarajé, ensinaram a música, ensinaram a cultura, mas não conseguimos ter uma rota de ensino, mas com globalização. Ninguém quer falar mais de dor, ninguém quer falar mais daquela coisa chata que a gente vem falando, que, aos poucos, vai vitimizando. Nós queremos falar de entretenimento, queremos falar de cultura.
Por esse motivo é que, no dia 25 de maio, a gente lança essa plataforma, que é exatamente mostrar a África moderna, a África que está ganhando o mundo, a África milionária, a África de reis, essa África que o Brasil precisa conhecer. E é por isso que a gente quer sentar mais uma vez com o vereador, para discutirmos essa África como uma vitrina de ouro, não aquela África das dores.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Obrigado.
Emerson, do Caxambu do Salgueiro. Tudo bem?
O SR. EMERSON MENEZES – Olá. E Káàró. Meu Motumba Axé a todas as minhas mais velhas, meus mais velhos.
Sou Emerson. Desci a favela, o Morro do Salgueiro, na Tijuca, para parabenizar o senhor, vereador, por este debate, por este encontro supernecessário, e dizer que no Morro do Salgueiro temos a nossa matriarca, Tia Dorinha, uma senhora de 95 anos, nascida e criada no Morro do Salgueiro, que nos diz que aprendeu caxambu em uma época em que as crianças nem podiam fazer parte de rodas do caxambu com os avós dela. Então, vocês imaginam o quão centenário é esse morro, quão centenário é esse lugar.
Desta Mesa aqui, quero dizer que o caxambu já dialogou com muitos de vocês. Nós já estivemos no Muhcab fazendo uma roda num momento de Festa Literária das Periferias, Flup, de integração. Fomos entrevistados por você, Milton, no Muhcab também. Estivemos no próprio morro a visita do Edson Santos, desse vereador importante. Esteve lá conosco, viu todo o legado do caxambu. Quero falar que, inclusive, Dida, que você falou de um circuito gastronômico afro, e nós certamente nem estamos dentro desse circuito.
Nós temos, lá no Morro do Salgueiro, nosso vice-presidente, que é o Marcelo Paes, um afroempreendedor, que tem uma culinária afro, que tem uma culinária quilombola e, certamente, não está aí nesse guia, infelizmente, ainda. Então, dizer que há a necessidade realmente de a gente ampliar a cartografia, não é, Edu? Que esteve conosco também lá, representando o Ministério da Cultura, juntamente com a Fundação Palmares, num território que apesar de muito conhecido pelo samba – não é, Milton? –, mas, na verdade, é um território ainda invisibilizado para os negros.
Como você mesmo disse, Milton, na verdade o que acontece é que a “branquitude” batiza, dá o seu nome, e muitas vezes nos relegam ao esquecimento e à invisibilidade. O Morro do Salgueiro tem esse nome porque batizou um português que tinha terras nesse território e tinha escravizados sob seu jugo. Então, essa é uma questão que nós precisamos negritar, enegrecer esses espaços, precisamos ampliar essa cartografia, Dida, e mostrar o que somos, quem somos e onde atuamos. O Babalaô Sandro sabe que nós temos um movimento muito forte através da Mãe Taninha de Omulu, que faz um trabalho belíssimo com as crianças, contando com... nesse espaço sobre a importância de ser preto e de ser preta nesses espaços de quilombo urbano nesta cidade. Realmente, como o irmão do Renascença falou, nós estamos para além de Madureira, estamos para além do Centro, como Edu falou, há quilombos, há espaços realmente para além dos que já estão consagrados. A Tijuca é um desses espaços. As favelas tijucanas são pretas na sua essência, assim como o Morro do Salgueiro é preto na sua essência, nesses anos todos, uma das primeiras ocupações do Costão da Tijuca.
Quero agradecer, vereador, este momento em que estamos todos aqui, conjugados, compartilhando esses momentos de fala, todas essas narrativas. É importante dizer. E que isso se repita, que isso se amplie e que isso se propague.
Trago mais uma vez aqui minhas cordiais saudações da nossa Matriarca Tia Dorinha, da nossa Matriarca Presidente Tia Celina e, através das duas, parabenizo o que há dez dias comemoramos, que é o Dia Internacional das Mulheres. Vocês, mulheres, são parte de tudo isso. Há matriarcas poderosas. O senhor viu, vereador, no Morro do Salgueiro, benzedeiras, parteiras, erveiras, tudo isso invisibilizado.
Então, vereador, mais uma vez muito obrigado e muito obrigado a todos vocês pelo momento.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Eu que agradeço.
Estou aguardando a galinha com quiabo. Não esqueci, não. Dizem que tem uma galinha com quiabo maravilhosa, lá.
Baiana Sirlei.
A SRA. SIRLEI REGINA DE SOUZA – Boa tarde a todas e todos. Meu eterno Kolofé! Boa tarde à Mesa. Eu sou aquela ativista de Armação dos Búzios, Edson Santos, que te acompanha desde que você estava Deputado Federal. Por que a importância de acompanhá-lo? Porque é uma referência negra, é uma pessoa que sempre lutou por nossas causas. Por isso essa referência. E o nosso quilombo, da Região dos Lagos, também referenda o turismo étnico, que nós chamávamos, Karolynne, desde 2015, nessa discussão.
Sempre ativista, há 20 anos, e hoje Gerente das relações Étnico-Raciais da Secretaria da Mulher, do meu município de Armação dos Búzios, eu venho aqui referendar, salgueirense. Gratidão, imensa gratidão por nos lembrar como mulheres negras dessa história.
Minha fala é muito rápida, porém precisa. Faço menção ao que tange à responsabilização do vereador também levar para os deputados estaduais, porque assim, vereador, a gente consegue atender à nossa Região dos Lagos, ao nosso Município de Armação dos Búzios que já vem lutando – o senhor esteve lá há pouco tempo – com o Quilombo de Baía Formosa.
Gratidão, Botafogo, em Cabo Frio. Fazendinha Espírito Santo surgiu agora. Foram três. Campos Novos também. A Fazenda Campos Novos faz parte da Região dos Lagos.
Então, levar essa luta, como eu venho fazendo aqui há anos, há 25 anos, de minha história, de minha trajetória, é vir para levar aos nossos ancestrais, a nossa realidade de tradição não só do povo de Terreiro, que muito aqui foi falado e é fato. Devemos fazer com que, vereador, a Lei nº 10.639 e a Lei nº 11645 sejam exigidas na grade curricular da nossa educação. Sabem por quê? Porque isso vai fazer com que nós, enquanto Baianas do Acarajé, saiamos, sim, como nosso tabuleiro equipadas, paramentadas como se deve! Não temos uma Baiana do Acarajé com vergonha ou medo de ser linchada pelo conceito religioso! Precisamos sinalizar isso e fazer com que não só a Câmara de Vereadores, como também deputados estaduais, percebam isso. O senhor, que já ocupou a instância federal, conhece muito bem como podemos levar a essas instâncias todas as demandas que tivemos aqui.
Eu só vim reforçar isso, porque acho importante. Nós sabemos, vereador, o caminho das pedras. Como dizem vovó e vovô, é muito importante voltar ao nosso berço. Quando o senhor assume a vereança, o senhor está aqui para atender ao Município do Rio de Janeiro. Mas o senhor sabe muito bem como atender a toda a nação brasileira.
Então, hoje, Vereador Edson Santos que amanhã pode estar novamente sentado naquele Senado, como o senhor já esteve um dia. Leve esse clamor dessa comunidade baiana, dessa comunidade preta, dessa comunidade negra, mulheres e homens. Vamos criar, sim, essa comitiva para entender e levar essa necessidade que os nossos irmãos africanos trazem aqui, porque para mim nós somos ventre dessa linda África. Gratidão.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Obrigado.
Com a palavra, o Senhor Reinaldo Santana.
O SR. REINALDO SANTANA – Antes de tudo, queria pedir desculpas por estar de máscara, mas hoje em dia, se a gente tem uma gripe, a gente pensa no outro. Como eu sou filho de Omolu, eu tenho que pensar na cura do outro. Motumbá aos meus mais velhos e aos meus mais novos em nome da minha casa, Parque Fluminense.
Hoje eu venho trazer um desafio. Eu sou o filho do Rei Congá desta cidade, falecido, sou filho do Pai Santana, e quero fazer um desafio ao Edson. Esse desafio foi feito pelo povo de Guiné Bissau e de Cabo Verde que em setembro. Eu estou dirigindo a ópera Amilcar Cabral lá no Presídio de Tarrafal, onde todos os revolucionários ficaram presos. O Edson tem esse convite aí já há um ano que eles querem que ele vá lá participar de uma sessão pública, porque ele intercedeu no visto do pessoal de Guiné Bissau para vir ao Rio para participar do VI Encontro de Teatro Comunitário.
Agora o meu desafio é maior, é para o executivo. Quando se pensa alguma coisa na França, quando se pensa alguma coisa na Itália, nos Estados Unidos nós fazemos um ano de presença desse desafio. Rio de Janeiro foi a cidade que mais recebeu escravizados nesse planeta. Não teve um ano de África no Rio. Se o Executivo não fizer esse ano, projetar esse ano independente da eleição, de tudo, projetar para que se faça um ano de África no Rio onde todas as escolas de samba farão enredo sobre África, quando se abrirá um edital na Rio Filmes para a produção de audiovisual afrodescendente do Rio de Janeiro, quando a TV vai ter que ter uma programação voltada para isso, senão não adianta ficar fazendo falácias. Não adianta se nós não entrarmos de fronte, não vai ter. Está se reabrindo lá a Estação da Leopoldina. O Edson era ministro quando a Benedita colocou que seria ali um centro de referência. Vamos voltar aos papéis. Tem muito papel. Tem lá o Galpão Rebouças onde as nossas quituteiras, onde os nossos pretos... trabalharam, foi para a Cidadania e agora está vazio. Por que as baianas de acarajé, o pessoal de roupa tradicional não abre lá um mercado afro? Por que não fazer isso e projetar como lei municipal a cada dois anos um ano a África no Rio? É esse o desafio. Eu me coloco à disposição para ajudar a construir. Hoje eu faço parte da rede de realizadores de cinema em África e da rede de realizadores de teatro nas Américas afrodescendentes. Então, nós podemos juntar essas coisas.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Eu te agradeço, Reynaldo.
Chegamos ao final aqui do nosso evento, resistimos todos aqui.
Vamos lá, Marcelo.
O SR. MARCELO SANTANA – Vamos pela ordem alfabética.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Meninas, deixa eu só chamar a atenção de vocês que estão um pouquinho dispersas aí no fundo. Agora o vereador vai chamar pelo nome. Então, vocês fiquem atentas, cheguem-se um pouquinho aqui para frente para a gente receber a Moção de Reconhecimento.
O SR. MARCELO SANTANA – Alex Celestino de Oliveira...
Pessoal, só fazer um ponto aqui com vocês: eu vou chamar e, se a pessoa estiver presente, peço que ela levante a mão, mesmo que demore para chegar aqui, para eu não precisar chamar de novo ou não chamar a próxima pessoa e a pessoa ainda não chegar aqui. Está bem?
Ana Célia Lopes Fonseca; Ana Conceição; André Simpatia; Andrea Valentim; Angela da Motta.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Vou fazer aqui uma fala aqui, porque essa é a minha mais velha, dentro da Abam, Ana Conceição, Ana de Oyá. É porreta, é uma pimenta que, às vezes, a gente sai fervendo o dendê, mas no final a gente se ama.
O SR. MARCELO SANTANA – André Simpatia.
Pessoal que for receber a Moção, por favor, fique na frente do painel, Vereador, que eles tão posicionados para a foto. Está bom?
Ana Conceição, pode ficar ali do lado do Vereador, por favor, para fazer a foto? Ali ó, do lado do Vereador.
Andrea Valentin. Isso aí, gente, me ajuda, fala “não veio”, que a gente prossegue.
Ângela da Motta; Baiana Adryeli; Baiana Analys; Baiana Cida; Baiana Claudia; Baiana Eliane; Baiana Ellen; Baiana Ilma; Baiana Jô – Baiana Jô está presente. Yago, fica ali, no painel, por favor, com o Vereador e a Baiana Jô.
Baiana Joelice; Baiana Naise; Baiana Pillagya; Baiana Vera; Baiano Renato.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Renato, cadê o povo masculino? Cadê os baianos?
O SR. MARCELO SANTANA – Baiano Renato está chegando.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Está chegando. Gente, vamos nos posicionar para fazer a foto junto com o Vereador e a pessoa que está entregando.
O SR. MARCELO SANTANA – Representante do Baiano Renato aí, com o Vereador. Baiano Tonny.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Tonny, chegue, chegue. Esse é o Baiano da Barra, junto com a nossa Baiana Valéria.
O SR. MARCELO SANTANA – Pode aguardar, Baiano Tonny, por favor.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Chegue perto do Vereador.
O SR. MARCELO SANTANA – Representante do Baiano Renato, é só aguardar.
Bruna Celi; Carla Bueno.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Baiana Carla está chegando, é da área de Bonsucesso. Por favor, posicionem-se ao lado do vereador, perto do telão. Ela também representa a Vanessa, que é outra baiana, que é a filha.
O SR. MARCELO SANTANA – Cecília Egito; Chrystian Rennan Pedrosa.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Quem vai entregar a Moção do Chrystian? Babalaô, foi.
Vereador, chegue aqui para a foto. É importante a entrega de Moções para os baianos, que minha fala hoje é de baianas e baianos, porque a presença masculina também é hereditária do tabuleiro.
O SR. MARCELO SANTANA – Ciça do Acarajé; Cleide Pessoa Cordeiro da Silva; Daniela Cássia; Emília Maria de Souza.
(Entregam-se as Moções)
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Nossas baianas lá do lado da Barra se fazendo presentes. O fotógrafo Marcos se encontra presente?
Emília é outra guerreira nessa nossa luta.
O SR. MARCELO SANTANA – Gostaria de solicitar aos fotógrafos e cinegrafistas que ficassem no mesmo ângulo para dinamizar um pouco este momento das fotos.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Vamos nos organizar aí para termos bons registros.
(Entregam-se as Moções)
O SR. MARCELO SANTANA – Erlandia Mara; e Evaldelina Marciana.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Baiana Val, lá de Duque de Caxias.
O SR. MARCELO SANTANA – Gilmaria Santana de Melo. Ozânia Nascimento; Ignez Beatriz; Indiara Inácio; Isabel Cristina Santos de Oliveira; Israel Ofarerê; Ivonete Natividade de Santana; Jaciara Maria Santana; Jair Batista de Jesus; Josiane Freitas; Jozélia Soares; Jussiara – Baiana Juju; Kauany Ancelmo; Licienes Felix; Lindinair Quinto Galo; Luciana Érica Ramos dos Santos; Luciene Menezes; Márcia Corrêa Passos; Maria Aparecida da Silva Nascimento
(Entregam-se as Moções)
O SR. MARCELO SANTANA – Maria do Carmo; Maria José de Souza Silva; Maria José Lopes; Maria Aparecida da Silva Nascimento.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Baiana Cidinha.
O SR. MARCELO SANTANA – Maria José de Souza Silva
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Cadê a baiana Zezé? Ah, olha ela!
O SR. MARCELO SANTANA – Maria José Lopes; Marlúcia de Sarvalho Pereira; Maura Trindade; Meuri Araújo; Nice Baiana; Patrícia Conceição; e Regina Encarnação.
(Entregam-se as Moções)
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Meninas, deixe-me falar, o lanche que a gente trouxe para servir tem alguém que possa agilizar para poder...?
O SR. MARCELO SANTANA – Rosalvo Ribeiro; Rosana Soares da Silva
Rosângela da Silva Savares; Róseane de Assis Trindade; Rosemeire Souza; Sirlei Regina de Souza; Tatiana dos Anjos.
(Entregam-se as Moções)
O SR. MARCELO SANTANA –Valéria Santos Conceição Souza; Vanessa Pereira Bueno Maria; e Vinícius Vaz Candido dos Santos.
As pessoas que porventura não foram chamadas, peço que se dirijam ao púlpito para a gente poder anotar se houve alguma falta, e emitiremos a Moção.
Citando também os presentes: Glauciele Maria de Souza; Isamara Ribeiro
Ramon Medeiros; e Rosangela Gonçalves de Oliveira.
(Entregam-se as Moções)
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Gente, eu vou pedir para quem estava à Mesa fazer um registro da foto.
O SR. MARCELO SANTANA – Pessoal, gostaria de pedir que os presentes não saiam agora da Câmara. Se vocês puderem aguardar no Saguão, nós vamos fazer uma foto com todo mundo.
No momento, estamos rodando o acarajé, mas a gente gostaria muito que vocês participassem da foto lá na escadaria.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Reforçando a fala do nosso amigo, ele quer fazer uma foto geral na escadaria da entrada, das baianas, de todo mundo que está presente aqui no evento.
Vou passar a palavra à Sirlei, que fará a chamada para a entrega de moções às homenageadas que vieram da Região dos Lagos, mas não houve tempo para o preparo das Moções. Em seguida, o vereador encerrará a Solenidade.
A SRA. SIRLEI REGINA DE SOUZA – Gente, gratidão! Temos aqui Isamara Ribeiro; Ramon Medeiros; Glauciele de Souza e Roberto Martins Santos.
Este último é meu marido. Ele não gosta de tirar foto, mas tabuleiro sou eu e ele.
A SRA. ROSA PERDIGÃO – Obrigada pela presença de vocês, inclusive os que vieram da Região dos Lagos para estar aqui somando.
Vereador, muito obrigada mais uma vez.
O SR. PRESIDENTE (EDSON SANTOS) – Não há o que agradecer. Muito obrigado. Dou por encerrada a Solenidade.
(Encerra-se a Solenidade às 13h30)