Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da Frente Parlamentar pela Neurodiversidade e Deficiências Múltiplas

REALIZADA EM 05/12/2025


Íntegra Debate Público :

FRENTE PARLAMENTAR, INSTITUÍDA PELA RESOLUÇÃO Nº 12.875/2025, "NEURODIVERSIDADE E DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS”


ÍNTEGRA DO DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 12 DE MAIO DE 2025


Presidência da Sra. Vereadora Tânia Bastos.

Às 10h20, no Salão Nobre Vereador Antonio Carlos Carvalho, em ambiente híbrido, sob a Presidência da Sra. Vereadora Tânia Bastos, Presidente, tem início o Debate Público da Frente Parlamentar, instituída pela Resolução da Mesa Diretora nº 12.875/2025, “Neurodiversidade e Deficiências Múltiplas”.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Bom dia.
Dou por aberto o lançamento da Frente Parlamentar da Neurodiversidade e Deficiências Múltiplas, instituída pela Resolução da Mesa Diretora no 12.875/2025. Bem como fazer a entrega de Moções de Reconhecimento e Aplausos.
A Frente Parlamentar da Neurodiversidade e Deficiências Múltiplas está constituída pelos Senhores Vereadores: Tânia Bastos, Presidente; e os Membros Deangeles Percy, Dr. Gilberto, Flavio Pato, Flávio Valle, Gigi Castilho, Helena Vieira, Inaldo Silva, Jair da Mendes Gomes, Junior da Lucinha, Maíra do MST, Marcelo Diniz, Marcio Ribeiro, Marcos Dias, Pedro Duarte, Poubel, Rafael Aloisio Freitas, Rick Azevedo, Rodrigo Vizeu, Vitor Hugo, Wagner Tavares, Welington Dias, William Siri, Willian Coelho e Zico.
 Eu sou a Vereadora Tânia Bastos, estou com uma camisa azul, com uma saia preta; meu cabelo é na altura do ombro, castanho claro, sou uma pessoa de pele morena, olhos castanhos e me considero bonita. Inclusive, recebi hoje um elogio da Isabel – cadê ela? Cadê a Isabel, da TV Inclusão? –, que falou: "Você está muito bonita". Então, peguei para mim a mensagem da Isabel.
Gente, eu quero muito agradecer a participação de todos vocês. Essa Frente Parlamentar veio para fazer história na Cidade do Rio de Janeiro. Não estamos aqui apenas para fazer um debate, esquecer tudo e guardar na caixinha, não. A Frente Parlamentar vai estar nas ruas, conversando com a população, falando nas escolas e trazendo para perto toda a sociedade.
Quero muito agradecer a todos vocês por estarem aqui conosco.
A Mesa está assim constituída: Excelentíssima Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência, Senhora Helena Werneck; Superintendente Regional do Trabalho do Governo do Estado, Senhor Alex Bolsas; Senhora Bruna Mannarino Serpa, do Instituto Helena Antipoff; Doutora Ana Paula Pacheco, pesquisadora de Emprego Apoiado; e a Professora de pós-graduação da PUC-Rio e consultora em projetos de diversidade e inclusão, Senhora Flavia Cortinovis.
A Flavinha, querida, tem nos dado muito apoio, inclusive com ideias também, para lançarmos vários projetos importantes para a cidade, não é? Obrigada.
Quero registrar as seguintes presenças: Senhora Heloísa Rocha, Subsecretária da Pessoa com Deficiência; Senhora Denise Aragão, presidente e fundadora do Grupo Mundo Azul; Senhor Antoniel Bastos, Presidente da Rede Incluir; Senhora Flávia Fabers, Presidente do Sorrindo RJ; Senhor Ubirajara Bento Alves, Presidente da Associação Portas Abertas; Senhora Monique Seabra, do Conselho Tutelar do Centro do Município do Rio de Janeiro, nossa Conselheira; Senhor Carlos Monteiro, professor e escritor Kadu; Senhora Bruna Daniel, Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência; Senhora Alexandra Braga, Diretora da Escola Especial Municipal Rotary Club; Senhor Bruno Almeida, do Compartilha; Senhora Daniele Favatto, Coordenadora-Geral da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência.
Do Instituto Vivarte, está aqui conosco a Lili, a Ivana e a Dominique Perez. Elas que trouxeram as atividades lúdicas para as crianças interagirem. Obrigada, Vivarte. Mais uma vez, esteve conosco na nossa caminhada – não é, Denise? – do Mundo Azul, no Leblon. Eles participaram com uma tenda, foi muito procurado, foi bastante procurado. Olha, inclusive, o Vivarte está com vagas. Pessoas que moram na altura da região da Zona Sul, eles estão com vagas para atendimento às pessoas com deficiência, não só a crianças e adolescentes, mas também jovens. Obrigada.
Bem, eu vou dar início rapidamente aqui com uma frase que achei muito interessante recentemente quando a li, que diz assim: "Na maternidade atípica, a força não vem apenas da resistência emocional e do amor incondicional que você tem pelo seu filho. Ser mãe atípica é uma jornada desafiadora, mas cada obstáculo superado é uma prova de sua incrível força interior”.
Hoje, no Mês das Mães, eu quero aqui parabenizar todas as mães presentes e dizer que cada uma de vocês é muito importante para nós, parlamentares, porque é através de todas as experiências que vocês têm que nós conseguimos alcançar os nossos objetivos.
Quais são esses objetivos de um parlamentar? É justamente fiscalizar os órgãos da Prefeitura, é também contribuir com as leis para toda a sociedade e, através das experiências que vocês trazem, a gente consegue aqui realizar isso. Eu me lembro que, muitas vezes, ao sentar com a Denise Aragão, juntamente com a Bárbara também e o Bruno, do Compartilha, e por várias informações, ao conversar com eles, eu percebi o quanto a gente precisava avançar nessa pauta da pessoa com deficiência no Município do Rio de Janeiro. Já são 15 anos trabalhando pela pessoa com deficiência nesta Casa, 15 anos de muita luta, de muito choro, também de muita revolta. Quantas vezes a gente vai para uma unidade e a gente vê a necessidade dos pais, daquelas famílias, e a gente percebe o quanto nós estamos aquém daquilo que a gente tanto almeja, que é a verdadeira inclusão dessas crianças, adolescentes, jovens e adultos.
Quando nós observamos, dentro de uma unidade, quando recentemente nós, ano passado, visitamos e vimos também a força, a união dos profissionais, nós ficamos muito feliz. Nós visitamos, outro dia, o Rotary; conversamos com a direção, com a Alexandra, juntamente com alguns pais, e vimos também a importância do trabalho desses profissionais na vida dessas famílias.
A Frente Parlamentar que nós criamos vai ser muito mais além, como eu falei para vocês, de estarmos aqui, nessas portas fechadas da Câmara. Nós queremos ouvir, nós queremos estar com o olhar atento. Nós precisamos mostrar para o poder público que as pessoas com deficiências são pessoas que podem ser incluídas, sim, na nossa sociedade. O Emprego Apoiado, que recentemente aprovamos nesta Casa e que foi matéria do jornal O Dia – e o Sidney Rezende fez uma live e falou da importância desse trabalho –, é uma alegria muito grande quando a gente vê isso.
Então, é por isso que nós precisamos mostrar o quanto vocês são capazes. Mas, o tempo todo, a gente tem que ficar reafirmando isso, mostrando para o poder público onde ele está errando, para acertar; mostrando também, para a própria sociedade, a importância de termos pessoas trabalhando. Vimos recentemente, lá no Supermercado Mundial... E aí nós fizemos uma ação de entrega de moções para aqueles profissionais, e lá eu conheci uma senhora, a Dona Laura, que trabalha há mais de 30 anos, e ela é a responsável pelo coral do Mundial, o coral das pessoas com deficiências. Olha que bacana. E aí, às vezes até, eles se apresentam em alguns lugares. Então, assim, são pessoas que estão no anonimato, e a gente precisa mostrá-las pra sociedade.
Hoje esta Casa recebe as crianças, adolescentes e jovens da Escola Municipal Rotary. A gente fica muito feliz de recebê-los aqui. O rostinho deles, ao chegar aqui de ônibus, olhando deslumbrados com tudo isso, quer dizer, saindo daquele ambiente que é constante na vida deles, e vindo para outro local, que também considero um lugar maravilhoso, porque esta Casa é muito linda, é isso que a gente precisa fazer. A gente sempre usa aquela frase: “Incluir não é só você convidar essa pessoa para uma festa, mas é também convidá-lo para dançar”. É isso que a gente precisa fazer. Estou aqui com esses grandes profissionais de ponta que vêm se dedicando muito na sua vida pública para provar, para toda a sociedade, o quanto as pessoas com deficiências são capazes. Eu tenho profissionais aqui, como a Flávia, que abriu um espaço conosco, certa vez, ano passado, para falarmos muito sobre a linguagem simples, que hoje está sendo falada em rede nacional. A gente vê o quanto esta Casa tem contribuído com o nosso trabalho.
O Presidente Carlo Caiado está sempre se colocando à disposição. Infelizmente ele não pôde comparecer, mas mandou um forte abraço para todos vocês. Quero dizer que vocês podem contar conosco. Estamos aqui, e à disposição para fazermos o melhor. São 15 anos de muito trabalho, de muitas conquistas também. Nós temos várias leis para as pessoas com autismo e outras deficiências. E engraçado é que muitas vezes a gente recebe outras frentes nos procurando, e dizem: "Olha, eu preciso também que você lute por essa causa". E vamos embora, pegamos as pessoas desaparecidas.
Gente, vocês não têm noção do sofrimento – e ontem foi o Dia das Mães –
que essas mulheres passam. Levamos para elas uma lembrancinha na semana passada, na quinta-feira, entregamos em mãos e nos abraçamos, beijamo-nos, conversamos com elas e dissemos: "Olha, vocês fazem parte da nossa vida”. É muito triste você ver uma pessoa que nunca mais vai ver a sua filha que sumiu com 8 anos de idade, há 11 anos. É muito triste! Aquela mãe que levanta todos os dias, uma delas coloca o batom e diz que está aguardando o seu filho chegar. E lá se vão quase 15 anos sem vê-lo, mas ela tem a esperança de encontrá-lo.
Então, todas essas pessoas que nos procuram, nós abraçamos. Porque a gente se coloca no lugar do outro. É disto que a sociedade hoje precisa: colocar-se no lugar do outro. É muito triste quando a gente vê uma discriminação, quando a gente vê as redes sociais, a abre e vê um profissional que deveria acolher, mas que não tem paciência e bate numa criança dessa. É muito triste. Não deveria nem estar ali. A verdade é essa.
Cadu, que é um grande profissional da área da Educação Física, sabe dos desafios, sabe dos desafios. Então, se não se não tem mais paciência, nem fique. Se não tem mais estrutura emocional e física, nem fique. Vá embora. É melhor. É melhor para a família, e é melhor para aquela criança.
Então, abro o nosso encontro desejando a vocês muita saúde, muita força. E não desistam. Esta Frente Parlamentar que nós estamos fazendo hoje é para justamente mostrar para vocês o quanto nós necessitamos nos unir para dar o melhor para essas pessoas com deficiência – e o quanto nós necessitamos de vocês. É disto que eu preciso: da união, da força de todos vocês, para dar continuidade ao trabalho na Câmara Municipal. Que Deus abençoe as nossas vidas.
Obrigada.
Eu tenho a honra agora de iniciar este Debate Público e quero convidar, para falar primeiro, aqui na Tribuna, a Alexandra Braga, da Escola Especial Municipal Rotary Club.


A SRA. ALEXANDRA BRAGA – Bom dia a todos.
Sou diretora da Escola Especial Municipal Rotary Club. As minhas crianças estão aqui. A gente chama de crianças, mas já são adultos. Poucas crianças nós temos, mas são jovens e adultos. É uma honra muito grande estarmos aqui hoje, termos sido convidados pela Tânia, que está sempre apoiando, sempre ajudando. E, temos a diretora do IHA, que rege à nossa rede de escolas especiais.
O que eu tenho para dizer é que o nosso trabalho é baseado em amor, não é? Porque sem amor a gente não consegue fazer nada no mundo. Mas, no nosso caso, com nossos nossas crianças, a gente tem que ter muito amor. Muito amor. É o que a Tânia falou: “Se não tiver amor, se não tem paciência, não vai tratar bem”. E se não é para tratar bem, se não é para educar, se não é para amar, é melhor ir embora mesmo e procurar outro ramo para trabalhar.
Mas o nosso trabalho é de excelência, nossos profissionais são maravilhosos. Sempre agradeço todos os dias à minha equipe por todo o trabalho, toda a dedicação a cada aluno e cada família, porque a gente não atende só os alunos, a gente atende as famílias, abraça, acolhe, e dá o que é necessário para elas. É isso.
Obrigada. Estou nervosa, não estava nem preparada para falar. Mas, de qualquer forma, eu acho que eu consegui dar meu recado. Um beijo no coração de cada um de vocês. Temha um ótimo dia.


A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Eu quero convidar também o Senhor auditor fiscal da Superintendência Regional do Trabalho, Marcelo Freitas.

O SR. MARCELO FREITAS – Bom dia.
Eu sou homem, tenho 1,72 m, cabelos castanhos, já meio grisalhos. Estou vestindo um terno preto, uma camisa social branca, uma gravata azul.
Estou aqui representando o Ministério do Trabalho e Emprego, sou auditor fiscal do trabalho. A gente trabalha, eu, no projeto de inclusão de pessoas com deficiência e reabilitados. Já faço isso desde 2017. Para a gente, não tem nenhuma outra função, pelo menos como fiscal, que tenha me trazido mais gratificação do que trabalhar incluindo essas pessoas que sofrem tanta discriminação. A gente sabe que o mais importante não é simplesmente a pessoa chegar e ser contratada, é a pessoa ser acolhida, ela ter acessibilidade dentro das empresas, ela não sofrer com capacitismo. Porque ela, muitas vezes, é contratada, não é colocada numa função onde vai poder desempenhar o seu trabalho com toda a potencialidade.
Para que a gente consiga uma inclusão real, o mais importante é o que a gente está fazendo aqui, é unir todos os poderes, o Poder Executivo, o Legislativo, o Judiciário, todas as esferas da nossa federação, o estado, o município e a união, e a sociedade também, porque, para a gente ter a verdadeira inclusão, a gente precisa de educação.
A gente precisa que todo mundo conheça esse assunto, que todo mundo saiba lidar com esse assunto, para que essas barreiras sejam retiradas. É, como diz hoje em dia, a definição do que é uma pessoa com deficiência, é aquela que possui limitações e impedimentos na sua interação com a sociedade e com o ambiente que a cerca. Então, muitas vezes, essas limitações estão na gente, elas não estão na pessoa com deficiência.
Eu mesmo já tive experiência lá no ministério, colegas meus que entraram por concurso público, a gente entra por concurso público, e que inicialmente eu achava que aquela pessoa não poderia desempenhar uma determinada função. E, com o conhecimento que eu passei a ter dela, não limitando o que ela poderia fazer, eu percebi, eu aprendi que ela podia fazer aquilo. Então, você fazer inclusão verdadeira é você estar aprendendo a cada dia o que a outra pessoa é capaz, o que ela tem o potencial de fazer, e não criar na sua mente antecipadamente o que ela pode ou não fazer, uma limitação.
Tenho aqui um papelzinho com um monte de números, mas eu não quero falar em números aqui, eu queria só deixar essa mensagem aqui de que a inclusão: depende de a gente, de a sociedade como um todo entender a potencialidade do outro, sem limitar.
Obrigado.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Muito obrigada, Marcelo.
Eu quero convidar o professor Carlos Monteiro, mais conhecido como Cadu, para fazer uso da palavra.

O SR. CARLOS MONTEIRO – Vou falar primeiramente aqui só para me situar na posição em que eu me encontro e fazer uma audiodescrição. Essa é a parte mais difícil, quando eu começo a falar de mim mesmo.
Estou usando um sapato branco, uma calça cinza escura, uma blusa social cinza clara, com um blazer azul; sou de pele branca, estou utilizando óculos de hastes pretas. Agora essa é a parte mais difícil: eu ainda me considero com cabelo, tenho pouco cabelo, mas ainda tenho alguma coisa aqui que representa algo na minha cabeça, está bom?
Primeiro, quero agradecer, mais uma vez, a oportunidade de estar nesta Casa. É sempre muito feliz estar aqui para falar de um tema de extrema importância.
Hoje eu sou profissional de Educação Física, tenho doutorado em Ciências, no qual eu trouxe uma temática de extrema importância para nossa sociedade: avaliação de coordenação motora para crianças autistas. A gente não tem muitas ferramentas para serem utilizadas e, quando a gente consegue, dentro da ciência, utilizar isso na prática, a gente consegue enxergar como anda esse desenvolvimento motor.
Então, dentro disso, a gente vai estudando, vai vivenciando e buscando. Inclusive, também sou professor universitário. Eu já trouxe até uma aluna minha aqui, da disciplina de educação física inclusiva, mostrando também a importância do profissional de educação física nesse cenário.
E quando eu falo da importância desse profissional não só na Educação Física, mas por que não no ensino superior como um todo? Por que não tem uma cadeira dessa disciplina, inclusão, de forma obrigatória? Fica aqui a minha sugestão para que todas as áreas, não somente áreas da educação ou da saúde, mas por que não também nas demais áreas, direito, arquitetura, engenharia? E assim a gente começa a fomentar mais essa inclusão no ensino superior, que muitas vezes é muito distante para alguns – e não é.
Na verdade, a gente está preparado, porque eu não estou falando de tecnologia. Estou falando de pessoas. Então, quando eu trato de pessoas, eu tenho que lidar muito bem com elas, saber tratar. E nada melhor do que a gente falar isso no nosso ensino superior. Eu digo isso porque eu tive um aluno, no semestre passado, e esse aluno não quis falar sobre o seu diagnóstico. Então, quando eu vejo alguns traços, pelo fato de eu estar estudando, vivenciando, atuando de forma ativa nessas áreas, eu vejo assim: esse aluno está possivelmente dentro do espectro. Só que eu, como profissional de educação física, dentro do meu conceito ético, eu não posso diagnosticar, porque é área médica, mas eu posso enxergar e observar algumas coisas que vão me trazer luz para que eu possa fazer um suporte necessário para esse indivíduo, para aquela pessoa.
Pois bem, aquela coisa foi acontecendo dentro do semestre. Dentro do semestre, quem entra em contato comigo? A mãe. “Poxa, professor, você pode liberá-lo da apresentação da turma? Ele está dentro do espectro, e eu não quero que ele participe, porque ele está nervoso.” Eu falei assim: “Não, fica tranquila, eu já tinha imaginado que ele estivesse dentro, mas ele vai participar, sim”. E ela: “Mas, professor...”. Eu disse: “Vai, ele tem que estar participativo, da maneira que ele puder passar ou participar”. Simplesmente eu tirei a foto, ele estava lá no grupo dele, mesmo que passando o slide da apresentação do trabalho, mas ele foi pertencente àquele grupo. E aí mostrei aos demais, aos colegas da turma o quanto é importante a gente tratar, relatar e falar mais sobre isso.
Tenho um prazer enorme de estar junto com a Ana Paula aqui também. A gente conseguiu colocar alguns alunos no estágio, para fazer o seu estágio, porque é a primeira entrada de acesso a um emprego. Então, por que não a gente atuar?
Aí vem aqueles rótulos, não é? A vida inteira é feita de rótulos. Por que o profissional de educação física não pode ser também uma pessoa com deficiência? Por que isso? A gente tem que tirar esses rótulos. Imagine, olha como sou e me encontro. Estou com sobrepeso, não é? Estou usando um blazer, não estou de shorts, não estou de chinelo, estou aqui fazendo uso da palavra neste momento, em um cenário tão importante, e falando do quanto é importante a gente falar sobre esse profissional de educação física também estar dentro do cenário de uma pessoa com deficiência.
Existe uma frase que eu gostaria de falar para fechar aqui a minha palavra, que vem de Carl Jung: “Conheça as teorias, domine as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.
Muito obrigado pela apresentação de vocês.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada, Cadu.
Vem para cá, Denise Aragão, representando o Mundo Azul.

A SRA. DENISE ARAGÃO – Bom dia.
Eu sou a Denise Aragão. Eu sou mulher, tenho pele branca, cabelos loiros. Eu estou usando uma saia estampada branca e preta, uma blusa preta. Cabelos loiros – acho que eu já falei. Eu gostaria muito de agradecer a Vereadora Tânia Basto pela oportunidade, pelo convite, e agradecer a todos os presentes pela presença, e parabenizar a Vereadora por essa iniciativa.
E gostaria de começar a minha fala relatando um dado muito interessante. Cerca de 85% das pessoas com autismo estão fora do mercado de trabalho. Isso é um dado muito impressionante. Então, a gente tem aí um número, um contingente enorme de adultos autistas alijados do mercado de trabalho. Pessoas capazes, pessoas formadas, alguns até mesmo com mestrado, pessoas com doutorado, mão de obra qualificada, muitas vezes fora do mercado de trabalho. E a gente precisa incluir esses jovens. Trabalho, emprego apoiado é cidadania. Emprego para qualquer um de nós é cidadania.
Mas aí eu deixo também a reflexão: estar empregado não necessariamente é o mesmo que estar incluído, se esse emprego não proporcionar a esse indivíduo condições adequadas para que ele se mantenha nesse emprego. Porque, muitas vezes, o jovem, Tânia, consegue a vaga. Ele é empregado. Mas se essas condições forem adversas, ele não permanece. O emprego apoiado existe justamente para fazer com que esse jovem tenha condições de ficar no emprego, acomodações sensoriais. Tem que cuidar da equipe, treinar essa equipe que vai receber esse jovem.
Então, é uma série de pequenas mudanças que precisam ser feitas para que ele permaneça nesse emprego. É muito mais do que apenas contratar esse jovem. E quando eu digo que estar empregado não é o mesmo que estar incluído, o jovem é contratado, mas será que ele vai permanecer nesse emprego? Será que essas condições serão propícias? A empresa precisa entender, olhar esse jovem com carinho. A equipe que vai lidar com ele tem que ser treinada, capacitada, entender o perfil desse jovem.
E aí eu lanço também mais outro ingrediente, porque a gente tem que tem que pensar. Eu gosto disso, eu gosto dessa coisa de levar a gente a pensar um pouco além. Acho que a gente tem que pensar “fora da caixinha” muitas vezes. Eu sou mãe de um jovem nível dois de suporte. Então, a gente fala muito, e quando a gente fala de emprego apoiado, muitas vezes, a gente pensa apenas no nível um de suporte. E quando eu penso em emprego apoiado, eu penso em emprego apoiado para outros níveis de suporte, porque autistas são capazes. O céu é o limite para todos.
Existe uma frase da psicóloga e zootecnista, Temple Grandin, que diz o seguinte: "O mundo precisa de todos os tipos de mentes”. O mundo seria muito pobre se todos nós fossemos iguais, se todos nós pensássemos iguais.
Com essa frase, ela quer falar em diversidade. Jovens com transtorno do espectro do autismo acrescentam para a gente. Então, as empresas precisam entender que ao olhar para essas mentes com toda a diversidade que elas possuem, elas estarão ganhando. Ganha a sociedade, ganhamos nós, ganham todos. A riqueza que eles têm para acrescentar. Mas não é apenas contratar. Eu volto a dizer, é proporcionar condições. Meu filho, há cerca de 10 dias, teve uma oportunidade de trabalhar por algumas horas, por meio da Ana Paula Pacheco.
O meu filho é um nível 2 de suporte, eu já mencionei, e ele trabalhou de uma forma brilhante. Emocionei-me, fui às lágrimas. Ele e outros jovens nível 2 de suporte. Então, eu acredito na inclusão. E é preciso que as empresas olhem com esses olhos. Olhar para esses jovens com a diversidade que eles possuem. Proporcionar condições a eles de permanecerem nas empresas. Contratar psicólogos nas empresas para que eles sejam uma ponte. Eles são capazes. Eu termino a minha fala dessa forma. Eles são capazes. Muito obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Eu quero convidar o Senhor Bruno Almeida, do Compartilha.

O SR. BRUNO ALMEIDA – Bom dia a todos.
Eu me chamo Bruno, tenho mais de 79, sou da pele branca, estou usando calça e sapato preto e camisa social listrada cinza e branca.
Então, queria agradecer à Tânia pelo convite, por estar aqui. Quero falar sobre a importância da criação dessa Comissão, porque estou falando aqui como um pai. Um pai de um grupo que se chama Compartilha, que são cinco, são três casais. E onde vimos a luta quando o meu filho tinha dois anos, dois anos e meio quando meu filho foi diagnosticado, quando não tinha nenhum tipo de tratamento, nenhum tipo de inclusão, não sabíamos o que estava acontecendo com o nosso filho. Médicos não eram apropriados, não eram capacitados e fomos buscar ajuda internacional. A gente está aqui como prova disso, porque só tinham artigos em inglês, tinha que procurar traduzir para que pudéssemos ter uma base para começar a tratar os nossos filhos. E fomos à busca de leis e quem pudesse ajudar a levar esse assunto à frente.
Hoje em dia, temos bastantes ganhos. Temos leis, temos visibilidade, estamos sempre correndo atrás, sempre buscando o melhor para os nossos filhos. Não só pelo pela parte do autismo, mas também por qualquer deficiência que aqui se incluam e que tenha essa necessidade.
E hoje, como eu falei, já ganhamos bastante coisa. Mas só que temos que ter a cobrança, temos que ter a fiscalização, porque a falsa inclusão é o que mais acontece hoje em dia. A escola acolhe, mas não dá nenhum tipo de suporte diferente para essa criança que está ali esperando ser bem atendida. Não só na parte de educação, mas também na parte médica. Não temos médicos capacitados e hoje em dia tudo para com 18 anos.
Brigamos muito pelos centros de tratamento para nossos filhos, que agora conseguiram sair do papel, já temos alguns centros de tratamento, mas só que para com 18 anos. Então, nosso filho voltou à estaca zero. Como se o autismo deixasse de acontecer. Então, venho deixar esse apelo aqui, Tânia, para você cobrar bastante e em busca de que essas pessoas acolham realmente, incluam nossos filhos. Que precisamos estar sempre unidos para poder ter a empatia de todos eles. E a nossa caminhada, a gente vê que está tendo resultado, porque, por meio das nossas caminhadas, mostrando para a sociedade o que é, realmente, não só o autismo, mas como a deficiência, temos o exemplo de vocês, criando essa Comissão para poder ter esse suporte e dar mais apoio a gente.
Mais uma vez, agradeço pela oportunidade de estar aqui! Muito obrigado, Vereadora Tânia Bastos. Parabéns!


A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Muito obrigada, Bruno!
O Bruno realiza a Caminhada na Ilha do Governador; e a Denise, na praia do Leblon. Agora, essa edição foi a 12ª – e, na Ilha, foi a 9ª Caminhada. Mas paramos dois anos por conta da pandemia, então seria um pouco mais.
Quero convidar também o Senhor Antoniel Bastos. Inclusive, tem meu sobrenome, mas não somos parentes, ele é do Instituto Rede Incluir.

O SR. ANTONIEL BASTOS – Bom dia a todos.
Vou falar fora do microfone, para que possam me localizar. Sou um homem moreno, claro, de pele clara. Sou moreno, careca. Não tenho... desculpe, Cadu, não tenho, não tenho... Estou usando um blazer azul marinho, uma calça clara e um sapato social preto. Quero agradecer à nossa Vereadora e a todos da Mesa.
O nosso trabalho do Instituto Rede Incluir tem, como entidades, seis anos. Nós trabalhamos para o desenvolvimento e a empregabilidade das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho. Nós, hoje, por intermédio da parceria com a Superintendência Regional do Trabalho – e aqui, também, com o nosso coordenador, o Auditor Fiscal Marcelo Freitas, nós produzimos o circuito Dia D, uma feira de empregabilidade, voltada para as pessoas com deficiência; nessa caminhada de quase 10 anos já incluímos mais de 30 mil pessoas no mercado de trabalho.
O Instituto Rede Incluir tem quase seis anos, agora, de fundação. O nosso trabalho é levar a empregabilidade dentro das empresas, conscientizar as empresas dessa capilaridade e dessa potencialidade que são as pessoas. Eu ouvi aqui a mãe falando da pessoa autista. Nós tivemos, no ano passado, um profissional autista, que ele era autodidata na área de TI. E uma empresa não quis contratar porque ele não tinha todos os certificados. E aí eu falei: então, dê uma prova para ele e o certifique. “Ah, mas se eu fizer isso, eu vou quebrar a questão tradicional da empresa”. Então, a empresa, realmente, só tem o rótulo de inclusão de diversidade, mas não inclui ninguém.
Aí, a prova era muito simples. Era uma hora para quebrar um código. Ele quebrou em 18 minutos! E, mesmo assim, a empresa não quis contratá-lo. Por quê? Pelo processo organizacional. A lei de cotas, quase 34 anos, mas ainda patinamos nela. O Instituto Rede Incluir lançou o DIVAGA, que é: Diversidade, Inclusão e Vaga. O único portal no Estado do Rio de Janeiro, sendo testado para que essas pessoas possam se cadastrar.
Além dela, as entidades, também, para colocar no portal e aplicativo os seus assistidos. Nós não temos um banco no Estado do Rio de Janeiro. E o Divaga buscou isso, por meio da Rede Incluir, com ajuda da iniciativa privada, tirarmos do papel um projeto que há mais de 10 anos estava sendo aclamado pelas entidades e também pelas pessoas com deficiência. O projeto está saindo. Nós já estamos testando, já temos contratações. No banco, nós já temos quatro mil pessoas com deficiência cadastradas. Porém, pasmem! Que ainda o nosso processo de recrutamento e seleção é um trabalho arcaico, ainda da década de setenta, de sessenta, de oitenta! Mudamos? Não, não mudamos, porque o processo ainda é: currículo e divulgação de vaga. Isso não é inclusão! Isso não é inclusão, porque cada um tem a sua capilaridade.
O trabalho nosso é este, levar para a sociedade a inclusão, de fato! Hoje nós não temos clientes. O Instituto Rede Incluir tem empresas parceiras. Como é isso? Nós só entramos numa parceria com a empresa, quando, de fato, a cultura organizacional dessa empresa busca inclusão.
Um dado interessante: 75% das empresas que vêm à Rede Incluir, vêm pelo jurídico; 20% vêm pelo CEO ou sócio dono ou diretoria; e somente 5% vêm pela área de diversidade e RH. Existe uma diferença muito grande. Quem deveria buscar seria o topo de 75%, e não 5.
Então, hoje, nós conseguimos incluir muito mais quando o jurídico – ele que está ali diretamente na lei –, se sensibiliza. Temos visto isso de perto, o jurídico exercendo o papel de gestão. Isso tem nos levado à inclusão de empresas que não tinham nenhum profissional e hoje têm no seu quadro todos dentro do universo da pessoa com deficiência. Esse é o nosso trabalho.
Muito obrigado a todos.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – São dados importantes que a gente não sabe, eu mesmo não sabia, não conhecia. Parabéns! Que bacana isso. Foi bom a gente iniciar este Debate aqui para poder realmente entender e conhecer. Muito bom, muito bom mesmo.
Eu vou agora fazer a composição na Mesa, já iniciando com a fala da Flavia Cortinovis. Por favor, Flavia.

A SRA. FLÁVIA CORTINOVIS – Bom dia.
Obrigada, Tânia, por esta oportunidade, por ter sugerido e executado a Frente Parlamentar da Neurodiversidade e Deficiências Múltiplas, trazer o emprego, algo tão fundamental, como primeira ação. E o bom é que a nossa querida Denise já disse um monte de coisas de porque que a gente precisa trabalhar o emprego apoiado.
Mas eu queria, Tânia, trazer alguns outros elementos para que a gente possa, além de entender a importância do que é o emprego, como acontece o emprego apoiado, diferentemente daquele modelo tradicional, em que as pessoas simplesmente compartilham uma vaga e vão lá com vários candidatos, e um deles é escolhido, e a coisa acontece. Se todos fossem iguais, a gente poderia ter somente esse método, que é o método tradicional, convencional.
Já vou fazer minha autodescrição porque, ao vivo, eu me esqueci. Eu sou uma mulher branca, de cabelos lisos, pretos, na altura do ombro. Estou vestindo uma camisa preta e uma saia bege, sapatos pretos, camisa preta e coisas de bijuterias douradas, um brinco e um colar.
E, Tânia, eu diria que a gente está vivendo uma grande pandemia terrível e que está se estabelecendo e eu só veria isso piorar se não fosse aqui o Rio de Janeiro ser o primeiro município a ter uma lei de emprego apoiado. Por que isso é fundamental? A nossa galera, eu sou mãe de pessoa com deficiência, meu filho tem
14 anos, daqui a pouco ele está entrando no mercado de trabalho. E meu filho tem síndrome de Down, deficiência intelectual, por isso ele provavelmente vai precisar de algum tipo de apoio. E, para ele, o mercado tradicional, convencional, possivelmente, não vai atender as suas habilidades, as suas potencialidades, porque ele provavelmente vai se tornar uma mascote na empresa, como diz bem a Denise.
Ele não vai ser incluído, ele vai fazer parte. E fazer parte não fazer com que o cognitivo dele funcione, não vai fazer com que ele, de fato, possa exercer aquilo que é a potência que ele tem, porque a empresa não vai conseguir enxergar. Quem faz com que isso seja enxergado é exatamente essa mediação que é feita pelo consultor de emprego apoiado, por mim, pela Ana Paula, pela Secretaria da Pessoa com Deficiência, que faz emprego apoiado desde 2022, deixando para lá uma prática de oficinas onde as pessoas ficavam eternamente sendo preparadas para o mercado e nunca sendo incluídas. Porque a preparação é muito diferente do mundo real.
E eu também, deixando outra mensagem de por que isso é tão importante, Tânia, o doutor trouxe isso tão claro, para mim uma das coisas que é a principal pandemia, hoje, é ver essa galera chegar potente aos seus 16, 18, 20 anos, e não ter uma política pública que possa acompanhar a vida adulta da pessoa com deficiência ou qualquer tipo de neurodivergência, que precisa de algum apoio. E aí, nesse caso, não faz sentido, Tânia, porque a gente é criança e adolescente um quarto da nossa vida. E isso a gente vai preparando durante esse 1/4 para os 3/4 seguintes.
E, aí, a gente tem uma interrupção da política pública, ela termina. Os centros vão até os 18 anos, a reabilitação acaba. E o que a gente faz com tudo que a gente aprendeu? Digo a você o que está acontecendo: cada vez mais famílias e pessoas com deficiência estão adoecendo, desenvolvendo novos transtornos, novas comorbidades e simplesmente perdendo as suas funções cognitivas, as suas habilidades, e fazendo com que toda a família adoeça.
Emprego apoiado, Tânia, tem o potencial de transformar custo de saúde em emprego, em geração de renda. Talvez a gente ainda não tenha esses números, mas é essa pesquisa que a gente está preparando junto com a Fiocruz para conseguir provar que investir em emprego apoiado é efetivamente uma maneira de trocar custo de saúde, que não é pouco, porque a gente tem tido muitos diagnósticos.
E esse dado que a Denise trouxe é de 2019, quando o IBGE constatou que 85% das pessoas com autismo estavam fora do mercado de trabalho. Você consegue imaginar agora? A gente não tem pesquisas novas, mas pós-pandemia e pós muitos diagnósticos, eu imagino que deva ser um pouco pior ainda, Denise, infelizmente.
Então, Tânia, o que você trouxe hoje para a Cidade do Rio de Janeiro tem um potencial de transformar não só vidas, mas a sociedade inteira, porque cada pessoa que tem a sua dignidade e sua potencialidade respeitada na vida adulta, é capaz de movimentar toda uma sociedade, é capaz de mostrar que é, sim, possível. E para as empresas que também não conhecem o emprego apoiado, elas continuam com essa velha coisa de não dá, não sei, elas precisam conhecer o emprego apoiado.
A gente precisa trazer o emprego apoiado para a pauta de discussão das organizações, para dentro da superintendência, em todos os eventos, para que a gente possa mudar a nossa retórica que é essa velha opinião formada de que não dá, não sei, difícil. Mas o emprego apoiado vem com esse objetivo de mediar empresa, candidatos, família, ambiente, todas as questões ambientais, sensoriais. Esse é o objetivo. Mas elas não sabem disso, e por não saberem disso, a gente não consegue ter isso na pauta.
Para terminar, eu queria dizer o seguinte: o emprego apoiado não serve apenas para trabalhar com CLT, isso é fundamental. Eu tenho vários casos de que a gente tem contribuído para o desenvolvimento do empreendedorismo individual e familiar, inclusive, de um caso de autista nível 3 de suporte que está sendo hoje capacitado, está praticamente trabalhando na parte de café, de cafeteria, fazendo diversas atividades. Então, isso é muito importante, porque a gente pode ter diversas possibilidades, não somente o mercado formal. Isso é muito importante para que as famílias saibam que o emprego apoiado também se desenvolve em projetos de vida pensado no empreendedorismo.
Então, mais uma vez, Tânia, eu queria agradecer pelo que você está fazendo. Quero saudar toda a mesa, saudar todos vocês, e dizer que a gente tem muito trabalho pela frente ainda, não é, Ana Paula?

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Flávia, muito obrigada pela sua participação. Muito nos honra. Você, que já esteve também junto com a querida Helena Werneck na Secretaria, agora está mais na área privada, deixou o público para ir para a área privada, muito obrigada pela sua participação.
Eu quero aqui convidar também a Doutora Ana Paula Pacheco, que é pesquisadora de Emprego Apoiado.


A SRA. ANA PAULA PACHECO – Vou fazer minha autodescrição. Eu sou uma mulher de 52 anos, com o cabelo um pouco abaixo dos ombros, com luzes, estou vestindo uma calça bege, uma camisa branca e um blazer azul.
Eu sou doutora em emprego apoiado, mas acho que o grande diferencial é unir a prática à academia. E acho que isso eu faço, modéstia à parte, muito bem. Quem me apresentou o emprego apoiado há 10 ou 12 anos foi Flávia Cortinovis. Antes, eu fazia apenas inclusão laboral, que também é muito importante. Mas a gente precisa diferenciar o emprego apoiado da inclusão laboral.
Então, após 12 anos trabalhando com Flávia, conhecendo o emprego apoiado, fui me apaixonando. Trabalho, sou concursada da Faetec, trabalho também no Instituto Priorit com emprego apoiado. Minha maior preocupação hoje é essa parte em que virou adulto. Temos 40 anos aí, agora, como adulto. O que é que nós vamos fazer?
E aí, eu queria agradecer à Vereadora Tânia e queria pedir gentilmente que eu pudesse dedicar hoje ao nosso usuário de emprego Iago Benedicts, que faleceu – hoje faz uma semana. Também queria falar para as mães que estão aqui que emprego apoiado é dignidade. Iago faleceu de uma forma repentina e foi digno, foi cidadão, foi feliz e tenho certeza de que o emprego apoiado fez toda diferença na vida dele. Ele era uma pessoa que, sem emprego apoiado, não teria...Não é que não tivesse capacidade de trabalhar; mas seria muito mais difícil trabalhar. Ele trabalhava, tinha o dinheiro dele, ia viajar agora! Enfim, Iago, a gente está lutando e tenho certeza de que a gente está lutando por você e por muitos.
E o que eu queria deixar aqui? Eu queria deixar aqui a prática. Vereadora, a gente tem muito trabalho pela frente. Eu queria agradecer à senhora por esse passo. E queria me colocar, tanto pela Faetec, quanto por Ana Paula Pacheco, como pelo Instituto Priorit à disposição. A gente tem muita coisa. A gente estava conversando: a gente tem que fazer vivência laboral; a gente tem que fazer a primeira fase do emprego apoiado, que é o perfil vocacional; a gente tem que fazer a segunda fase, que é desenvolver os empregos; a gente tem que fazer a terceira fase, que é colocar e manter. A gente tem muita coisa para fazer! Muita coisa! Mas a gente está começando.
Queria agradecer muito por a senhora estar nesse passo. O que precisar, a gente está junta. Muito obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Ana Paula, você abrindo esse espaço para a gente. Olha, a gente vai abusar um pouquinho – não é, Ana Cláudia? Ana Cláudia é minha chefa de gabinete. Abriu espaço, a gente já entra com tudo. Mas é para ajudar, não é? Isso é o que é mais importante. A gente está aqui para ajudar o outro. Parabéns pelo seu trabalho.
Quero convidar também Bruna Mannarino Serpa, do Instituto Helena Antipoff.

A SRA. BRUNA MANNARINO – Bom dia.
Hoje estou representando, como Diretora do Instituto Municipal Helena Antipoff, o nosso Secretário de Educação, Renan Ferreirinha. Sou uma mulher branca, estou com um casaco bege, um vestido bege também, cabelos na altura dos ombros e fios loiros nas pontas, e uma sandália também bege. Estou toda praticamente branca.
Mas é com muito orgulho e muita alegria, Vereadora, que digo que nós, enquanto Secretaria Municipal de Educação, entendemos o quanto é importante a inclusão, iniciando desde a Educação Infantil, indo até o Ensino de Jovens e Adultos. É claro que nós, enquanto Educação, precisamos ainda refinar nossas práticas, alinhar cada vez mais nossas ações. Mas hoje, digo que a Educação, quando os nossos números de matrícula aumentam, isso é proporcional à busca de um ensino com qualidade.
Podemos dizer que somos mais de 30 mil alunos hoje matriculados na nossa rede, com deficiência, com transtornos e altas habilidades. Configuramos, reconfiguramos todo o nosso plano educacional, porque entendemos que a educação precisa estar direcionada para o nosso aluno. A escola precisa estar pronta para receber o aluno com deficiência ou até mesmo sem deficiência. A família não pode sair buscando uma escola que tem uma prática inclusiva. A inclusão precisa estar no nosso cotidiano. É fácil? Não, não é fácil. Temos barreiras físicas e barreiras comportamentais? Temos ainda. Mas uma coisa, enquanto Educação, e que vem fortalecendo, é a formação para nossa equipe de profissionais da rede; é o nosso Plano Educacional Individualizado (PEI), que hoje está dividido em quatro etapas, e lá onde a gente olha o aluno fora, ele no seu ambiente social e ele dentro do ambiente escolar, para que a gente possa definir ações pedagógicas com muito mais eficiência.
O saber é construído na prática. Muitas vezes a gente não nasce com a fórmula do acertar e do fazer certo. A gente vai construindo cada dia mais. Digo como professora, porque sou professora da rede há 24 anos. E a cada dia nós vamos aprendendo. O maior professor nosso é o nosso aluno. Até porque é olhando para ele que eu vou aprimorando a minha prática e as minhas ações pedagógicas. Então, digo a vocês, enquanto Educação: é fácil? Não. Não é fácil para nenhum aluno que chega à escola, mas nós enquanto adultos precisamos olhar para eles e colocá-los no ponto de foco, até porque quando a gente olha aquele espaço e entende que todos têm o mesmo direito, independentemente da sua condição física, da sua condição social, nós podemos mudar e transformar ações de uma sociedade. A escola é que possibilita uma concepção de uma sociedade mais inclusiva.
Se eu, enquanto escola, trabalho o meu aluno respeitando as diferenças, esse trabalho vai desdobrando para fora da escola. A família vai sendo transformada de acordo com o que a criança leva para casa. Até porque, Vereadora, digo, enquanto Educação, que nós temos um contato muito grande com as nossas crianças. E nós, enquanto escola, precisamos trazer esse olhar sensível. E digo: a inclusão é estabelecida pelos laços afetivos. Se eu não tenho carinho, eu vou ser uma pessoa dura e não vou conseguir transformar uma sala de aula e lá romper frases e ações que trazem exclusão. Então nós, enquanto adultos, somos os principais mediadores dessa inclusão. A nós cabe o olhar sensível com os nossos alunos e trazer ações sensíveis que nos permitam a inclusão na sua essência.
Então, sempre falei isso como professora, como diretora de escola, agora diretora: o sucesso dos alunos é o meu sucesso. Se os meus alunos não crescem socialmente, alguma coisa eu preciso rever na minha prática. E é isso que eu sempre convido a nós, enquanto instituição – digo todas, enquanto instituição família, escola, poder público, tudo. O que nós que estamos aqui numa posição mais avançada de idade estamos fazendo e o que nós estamos desenvolvendo para as nossas crianças? Porque elas vão reproduzir o que nós somos hoje. E, se nós somos pessoas mais duras, mais frias, mais excludentes, a gente não vai mudar isso no futuro.
Por isso que, sensibilidade, ser sensível, independentemente, é ali que a gente começa a mudar a história de uma sociedade, e a gente já vem vendo isso, histórias de 10 anos, e hoje a gente já tem um mercado de trabalho que já começa a sentir e essa inquietude de se adaptar, de mudar, de olhar para esses jovens que ficavam fora. E digo que hoje, enquanto educação lá, educação infantil, o maior número de alunos matriculados, ensino fundamental, primeiro e segundo ano. Isso mostra que a família já começa a olhar para a sociedade com um olhar mais... confiando, mesmo. Porque, por muitos anos, nossos alunos, nossas crianças, nossos jovens e nossos adultos ficaram escondidos dentro de casa, com medo da exclusão.
Quando a gente se detém a pensar em políticas, começa a mudar essa concepção de estar escondido, e trazer eles para o lugar que é deles. Estar conosco juntos, sempre.
Agradeço, Vereadora, e coloco a Secretaria Municipal de Educação à disposição. Entendemos o quanto é importante o setor público olhar para os nossos alunos e para os nossos jovens que estão conosco.
Obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada, Bruna. A Bruna assumiu o Instituto Helena Antipoff....
Claudia Medina, que eu conheci, ficou muito tempo lá, não é? Ficou muitos anos no Helena Antipoff, muitos anos mesmo. Mas aí, agora, a gente vê o porquê de o Renan Ferreirinha colocar a nossa querida Bruna, pelo trabalho, pela competência, pela dedicação e pelo amor também ao que você faz.
Quero convidar o Superintendente Regional do Trabalho, o Senhor Alex Bolsas.


O SR. ALEX BOLSAS – Olá, pessoal!

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Pode ficar em pé, pode interagir, pode entrar, pode sair, pode ficar à vontade.

O SR. ALEX BOLSAS – Não, eu estou à vontade, apesar de ser o “bendito é o fruto” da Mesa, não é? Isso só mostra que esta Frente vai funcionar muito bem, porque só tem um homem para atrapalhar.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Eu só vou pedir uma salva de palmas para o senhor, porque estavam batendo palma e eu estava falando ao mesmo tempo.
(PALMAS)

O SR. ALEX BOLSAS – Muito obrigado, gente, olha. Foi uma felicidade incrível ter sido convidado. Hoje, eu estou realmente muito feliz de estar vendo esse movimento acontecer aqui, Vereadora Tânia.
Eu vou também fazer a minha audiodescrição: eu sou moreno, alto, minha mãe diz que eu sou bonito, mas eu sou zero sensual. Estou usando um blazer – dizem que é vinho – e uma calça marrom. Eu me chamo Alex, sou um auditor fiscal de carreira, auditor fiscal do Trabalho, com muito orgulho. Colega aqui da nossa prata da casa, o Marcelo Freitas, junto com o Antoniel, da Rede Incluir. Nós temos desenvolvido um trabalho na Superintendência que, na verdade, é nada mais do que o cumprimento da nossa missão. Mas é um trabalho de que a gente se orgulha muito, é o que faz realmente a diferença, é o que dá esse gás para a gente acordar e levar essa bandeira, sim, da defesa da inclusão da pessoa com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho.
Essa é uma questão muito cara para a gente, muito importante para mim, pela admiração que eu tenho pelas pessoas com deficiência, pela lição de vida que elas nos dão e os seus familiares, as mães... eu não tenho pessoa com deficiência na família, é por essa admiração que a gente, lá em 2017, quando eu assumi a chefia da fiscalização do Estado, a gente começou a trabalhar mais fortemente. E, depois, quando me convidaram para assumir a Superintendência, esse trabalho fluiu naturalmente. Foi uma continuidade.
Nós estamos aqui falando de inclusão de fato. Foi colocado por todas as pessoas da mesa aqui que quando nós estamos tratando, da Lei de Cotas, fazendo-a funcionar, que é a nossa missão particular da fiscalização do trabalho, da Superintendência do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, ali a gente está colocando o que de fato transforma vidas, que é o trabalho decente. Porque é por meio do trabalho decente, do trabalho digno, que a inclusão pode ser feita. É a alavanca. Não é, certamente, o único caminho – longe disso – mas é o mais imediatista quando a gente usa a Lei de Cotas para trazer a responsabilidade dos empresários que devem cumprir essas cotas, contratar pessoas e, por meio dessa inclusão ao mercado trazer, à reboque, toda a inclusão social, que é o mais importante.
É, eu parabenizo aqui não só a iniciativa, Vereadora Tânia, da Frente Parlamentar, porque está incluindo o Parlamento Municipal nessa frente que já existe. E é uma parceira de peso, uma Câmara do Rio de Janeiro, que é um município que vai ser o paradigma para o Grande Rio, para os outros municípios do Estado.
Espero que essa iniciativa, a senhora, com a disposição que tem, pelo pouco que eu conheço, mas eu já estudei bastante, eu sei que eu posso estar colocando algumas missões aqui – quem sou eu, mas eu abuso: imagine a gente ter um Fórum das Câmaras Municipais do nosso Estado brigando junto ao Estado, cobrando do Governo Federal essa disseminação da iniciativa que está sendo proposta hoje na Câmara? Isso vai transformar vidas, é importante. A gente, no Governo Federal, só pode estar à disposição dos municípios, porque é aqui que a coisa acontece. É aqui que está o Ensino Fundamental.
É aqui que quando você está brigando por um mediador, um tutor na sala de aula, é o básico. E agora a gente já não pode mais só cobrar o mediador, não é? Eu acho que a gente tem de cobrar o mediador qualificado, preparado para estar nessa posição. Aí, dependem necessariamente de uma parceria, Estado, federação, união e municípios para ter essa mão de obra do mediador qualificada. Eu levo para o professor que está em sala, ele também não está preparado para isso. A gente precisa entender que precisa avançar em criar condições para esses professores da rede pública se prepararem para receber esses alunos especiais. A gente tem que estar muito consciente de que iniciativas que existem, por exemplo, o CREI, o Sistema S por meio do Senac. A gente lida muito também. Pela posição do Ministério do Trabalho e Emprego, ele está no centro dessa rede articulada. A gente interage bastante com vários entes.
Você tem o Sistema S, o próprio CIEE, que são “obrigadores” pela causa, ajudam bastante, mas o Senac em si, por meio do CREI, está hoje se qualificando, apesar de ter um ano, um ano e pouquinho, um ano e dois meses de funcionamento, como um verdadeiro qualificador dos mediadores e professores. São parceiros da Secretaria Municipal. Exatamente.
E vão ser verdadeiros multiplicadores. Não porque por meio de um fórum no qual as prefeituras, suprapartidariamente as câmaras municipais se entendam. Por que não trazer pessoas do interior do Estado para se qualificarem com esses multiplicadores do nosso município? Essa é uma vontade, é um esforço. Dinheiro ninguém tem. A gente fica falando, falando, parece que estamos... Meu orçamento hoje em dia, a gente não compra nem café para não estourar o orçamento. É literalmente isso. Está tudo apertadinho. Mas não é por causa disso que a gente vai usar essa desculpa para não fazer.
O nosso papel de superintendência é fazer essa articulação, é pavimentar caminhos para a verba federal poder chegar aos projetos que são propostos. Isso nós fazemos. Por outro lado, ativamente, com a fiscalização do trabalho, difundir o melhor uso da Lei de Cotas. Difundir a empregabilidade como essa alavanca de inclusão pelo trabalho. Isso nós temos a nossa, a nossa competência. E a gente quer exercer. Mas não é só isso. Eu estou falando de qualificação, eu estou falando das feiras que são importantíssimas, que a Rede Inclusiva nos ajuda.
E eu estou falando muito mais de trazer a sociedade organizada, o Feai, os Fóruns – o Feai é o Fórum Estadual. Mas vários municípios têm assento nesse Fórum Estadual. Eu acho que esse também é um papel de articulação, que o Governo Federal tem de exercer nos seus estados. A superintendência se põe à disposição para isso.
Bom, eu acho que seria “chover no molhado” falar como Flávia e a Ana Paula colocaram aqui, mas é muito importante falar do trabalho apoiado. É uma iniciativa do nosso município, como sempre, Rio de Janeiro é vanguardista, a gente tem, há pouquinho tempo, uma lei estadual que dá prioridade à mulher nas vagas do SINE, e isso acabou virando uma lei federal. Você vê, nasceu no nosso estado.
Então, a gente tem que se orgulhar também, pois o Rio de Janeiro não é só pauta negativa, não; tem gente muito boa na nossa cidade, no nosso estado. E por aí vai acontecer. Nós estamos colocando uma forma de os recursos necessários para esse apoiador estar presente na empresa, para não ficar só o empresário com esse ônus. Só vai chegar, de fato, e se tornar apoiador esse mediador presente nas empresas, se a sociedade assim quiser. Então, é essa organização que está sendo proposta hoje aqui que pode trazer essa transformação.
Pessoalmente, coloco-me à disposição para fazer essa articulação com quem tiver o poder da caneta. E é o nosso dever, não é só ombrear, mas querer aparecer bem numa foto. Até eu, que não sou político, eu sou fiscal do trabalho. Quando eu sair daqui, eu continuo fiscal do trabalho, então, meu papel aqui é ser esse articulador; e eu gosto de fazer. E eu tenho tido alguns resultados, graças a Deus, nesses anos, isso mostra como que é importante essa rede articulada, a inclusão só através de rede, com trocadilho. Inclusão só através de redes organizadas, então, é o que dá força ao movimento.
O que faz a gente transformar a vida das pessoas é articular da maneira correta com as pessoas corretas. E esses resultados vão aparecer, não tenho dúvida. Então, hoje aqui foi mais para dar uma pilha, uma força, Helena, parceira antiga. A gente está sempre, todo dia, buscando essa força, mas sempre vem, sempre vem. Porque a gente está numa causa justa, está bem, gente? Então, só posso agradecer por ter sido convidado e me sinto muito honrado de estar nesta Mesa hoje. Muito obrigado a todos.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada, Alex.
Já saímos daqui agora com essa missão. Missão que eu e a Helena aqui já vamos fazer um trocadilho, e vamos fazer desta uma cidade inclusiva de fato, com o emprego apoiado. E você falou do sistema S, realmente é importante. Eu acho que a gente precisa trazê-los também para perto, a Firjan também, que também tem um papel fundamental. Então, eu acho que essa missão aí é missão dada, nós vamos cumprir.
Vamos ouvir a querida Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência, que tem realizado um trabalho muito bom, maravilhoso. Inclusive, estivemos, recentemente, junto com um grande especialista em trânsito e ele vai apresentar ao prefeito um megaprojeto para fazer da cidade bem mais inclusiva. E nesse projeto, junto comigo, está o Doutor Márcio, que é um especialista, advogado, enfim, uma pessoa muito competente nessa área, funcionário da Prefeitura, trabalha na CET-Rio. Ao conversarmos, Helena, ele apresentou um trabalho muito importante. E a Helena abraçou esse trabalho que ele apresentou e vai, agora, estar com o prefeito para dar início a isso aí. Vai ser o carro-chefe da Secretaria na questão da mobilidade inclusiva.

A SRA. HELENA WERNECK – Bom, eu sou uma mulher “60 mais”, pele clara, cabelos castanhos na altura dos ombros, estou usando uma blusa preta e uma calça bege.
Bom, Tânia e todos, é um privilégio o convite para estar aqui numa inauguração, no lançamento de uma frente parlamentar de um tema tão importante para todos nós. Eu quero agradecer também a presença de todo o nosso corpo técnico da Secretaria, da área de empregabilidade, gerências e superintendência. Gente, ouvimos tanta coisa, tanta fala de pais, de empresas, que o que eu acho que precisamos desenvolver aqui é o seguinte.
Eu também sou mãe de uma jovem adulta com síndrome de down, que está no mercado de trabalho há 18, 19 anos e, nos últimos quase seis anos, junto com o emprego apoiado com a Flávia e com Ana Paula, em uma empresa, trabalha em um shopping.
Então, assim, falamos, seja empresa, sejam pais, falamos de um buraco que temos, chegando nessa fase adulta, e que nossos filhos, nossos alunos, toda a nossa sociedade fica em um buraco em que trabalhamos muito, como Secretaria como pais para desenvolver. Damos aquele empurrão para os nossos filhos, cada um dentro da sua capacidade e potencialidade, se desenvolverem e aí para a coisa.
E realmente a metodologia do emprego apoiado tem se mostrado de uma forma tão eficaz, tão segura e tão permanente. E eu acho que, não tirando o processo antigo, não é, Ana Paula? Como você falou, mas ir adaptando.
No outro dia, estávamos em outra reunião – não é, Antoniel? – falando como é importante fazer essa troca. Todo mundo falou aqui dessa troca, levar isso para dentro das empresas, porque elas também ficam ainda naquela posição defensiva e precisamos – não é, Denise? – levar esse conhecimento. Por isso, esses fóruns, essas organizações, esse encontro é muito importante para trocarmos conhecimento, acalmarmos o desespero como pai, a agonia das empresas do como vou fazer e de que forma.
Você falou muito bem, Alex. Obrigada. O ônus que fica para dentro das empresas. Vamos dividir isso.
Tânia e Alex, muito obrigada pela dica. Eu acho que o nosso compromisso aqui mesmo, Tânia, vai ser buscar isso. Porque o Rio de Janeiro começou, Flávia estava conosco na Secretaria, há uns quatro anos e trouxe essa metodologia. Nós continuamos a fazer isso, independentemente de ela estar, então somos todos juntos e trabalhamos juntos pela mesma causa, objetivo e resultado. Sabemos que o resultado está lá na frente, mas todo mundo aqui é um multiplicador desse assunto, que vai junto, cada um com a sua ideia.
Você falou dessa diversidade, é muito importante, você também falou, porque cada um pensa de um jeito, cada um contribui no seu conhecimento, na sua experiência e aí sim vai dar um bom resultado. Então, Alex, essa sua ideia é uma continuidade de tudo que estamos fazendo. Vamos perturbar a Vereadora – no bom sentido, não é, Tânia? Eu também me coloco, Helena, e coloco a Secretaria para trabalharmos juntos, porque nós temos muitos jovens adultos.
A Secretaria trabalha do pequenininho ao adulto e nós temos muitos, muitos jovens adultos com capacidade para serem preparados para esse mercado. E os que não têm tanta capacidade a gente corre para o empreendedorismo dele e da família. Então, tudo isso, Flávia, concordo com você, gera um custo para a sociedade, para o governo, para a gestão, um custo de saúde que essa família, essa pessoa, esse grupo poderia estar sendo produtivo e não onerando o Estado.
Realmente é apartidário isso, isso é uma conscientização, Tânia. Eu acho que o Rio de Janeiro, independentemente de estar sempre em uma vanguarda, tem capacidade e corpo técnico para que possa criar algo. Vamos nós, Rio de Janeiro, montar aqui, pensar realmente, convidar todos os outros municípios, porque é muito importante, muito sério o que estamos falando aqui, para que levemos isso e instiguemos isso tudo, cada município do seu jeito, do seu tamanho, no seu ritmo, mas que leve esse conceito para dentro a fim de que eles se desenvolvam, cada um no seu tempo.
Então, eu acho que nós vamos sair com um fechamento muito bacana, graças aqui ao Alex com essa ideia. O assunto “emprego apoiado”, cada um guarda aí o seu porque vai ser muito importante tratar disso.
Tânia, parabéns pela iniciativa. É inédito. E a gente tem toda esta Casa bela, esta Casa formada por muitos parceiros interessados nesse assunto. Então, temos tudo, gente, para dar sequência a isso. E estamos todos nós aqui à disposição.
Obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Eu quero saber se tem alguém que quer fazer uma pergunta, que quer fazer algum depoimento. Eu preciso abrir aqui para vocês, porque essa participação é para todos nós. Não é só aos que fizeram os discursos aqui na Mesa e no púlpito.
Vamos lá, Bia. É a mãe da Isabel.

A SRA. MÁRCIA BESERRA – Olá, bom dia.
Sou Márcia, mãe da Maria Isabel, uma jornalista autista nível 2 de suporte. Eu quero agradecer pela oportunidade. A Vereadora Tânia Bastos fez o convite para minha filha para que ela estivesse aqui fazendo a cobertura deste importante evento, através da TV Inclusiva. E a gente está vendo a possibilidade de incluir, ver uma jovem autista na prática. A Maria Isabel se formou. Ela teve pouquíssimas ou quase nenhuma oportunidade de trabalho nessa jornada e, agora, finalmente, através do apoio, que é fundamental, ela está tendo a oportunidade de colocar em prática todo o seu conhecimento.
Então, isso é cidadania, isso é importantíssimo, é por isso que nós lutamos. Esse é meu propósito de vida. Eu quero fazer esse agradecimento, deixar isso aqui registrado.
Muito obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Nós estamos vivendo na prática, não é? Que bacana isso. Mais alguém? Por favor, o seu nome?

A SRA. FLÁVIA SILVA – Meu nome é Flávia, sou da Associação Prover, que é um projeto social que atende a crianças e jovens através da música. A música é uma transformação também para as crianças no espectro do autismo, não é? A gente tem algumas crianças incluídas no projeto. Quando a gente abre inscrições, muitas mães perguntam como fazer esse processo de inclusão. E hoje a gente vê esse evento e essa atividade muito próximos também à nossa realidade, porque muitas das crianças se tornam jovens, e muitos desses jovens, após toda essa vivência com a música, precisam estar no mercado de trabalho. E uma frente muito importante é a inclusão também dessas crianças como músicos, não é? Hoje nós temos muitas crianças que estão agora jovens e entrando na faculdade, na universidade, sendo acolhidas e também tocando nas nossas orquestras.
Então, acho que é uma pauta muito relevante. Mas coloco também a música dentro desse cenário e de todo esse aspecto porque, além de trazer para a criança a sensibilidade que ela tem aflorada na pele, ela consegue trazer um espaço de representatividade muito forte. Porque a música para a gente é isso, não é? É trazer o que está dentro de si para fora e trazer o olhar desse público para, às vezes, uma especialidade que ninguém consegue entender, mas que eles em si conseguem falar. Então, é isso.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Você falou, Flávia, sobre isso. Eu me lembrei da Michelle, do Concerto Azul. Ela faz uma apresentação belíssima com adolescentes, até usa teatros para fazer apresentação, e a gente vê lá a importância da música, no meio, para essas famílias, para essas crianças e adolescentes. Muito bacana. Parabéns, está bem?
Mais alguém que queira falar? Por favor.


A SRA. ALINE BRANDÃO – Bom dia a todos.
Eu me chamo Aline Brandão, sou presidente do Instituto “Te Ajudo”, que faz acolhimento e diagnóstico dentro do Estado do Rio de Janeiro. Gostaria de agradecer à Vereadora pelo espaço, por falar sobre a família atípica. A gente tem um projeto chamado Cuidando de Quem Cuida também. E nosso foco é dar o diagnóstico aos adultos, porque a gente sabe que isso é muito complicado, para que a gente possa conduzi-lo tanto na vida familiar, quanto no trabalho.
Escrevo projetos de leis voltados para pessoas com deficiência também no estado. E sou mãe atípica da Manuela, que tem sete anos, e é autista nível 1 de suporte, e da Sofia, que tem 11 anos e tem TDAH. Preparar os nossos filhos para o futuro é muito importante. Quando se fala do autismo, fala-se muito na vida infantil. E os adultos como ficam? E as mães como ficam? E ter eventos como esse, falar sobre a pessoa com deficiência é muito importante, tanto na área clínica quanto na área educacional.
Eu gostaria de agradecer à Vereadora pelo evento de hoje e por levar conhecimento a todos nós. Obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Eu que agradeço.
Vou fazer o registro porque até o seu nome estava para ser citado. Eu quero fazer o registro aqui da presença do Tio Maiko, que é coordenador da Casa Ronald McDonald. Obrigada pela sua presença. Uma salva de palmas aqui, por favor, para o Tio Maiko.
Também estamos com a presença da Janaína Pessoa, que é diretora de Inclusão da Associação de Negócios Brasil. Obrigada.
A Presidente do Instituto “Te ajudo”, Aline Brandão, que acabou de falar aqui conosco; Fabiana Sampaio, da ONG Cantinho da Amizade; Flávia Silva, que é da Associação Prover e Orquestra Social do Rio de Janeiro; e Michele Gomes, da 11ª CRE – e aí eu quero já agradecer à Tânia Bendas. Ela não está aqui, mas ela encaminhou as pessoas lá do Rotary para estarem conosco. Quero mandar um forte abraço para a Tânia Bendas, nossa Coordenadora da 11ª CRE.
Está aqui conosco, eu queria que ela falasse um pouquinho, Francilene Torraca, que é mestre em Psicologia.
Eu quero registrar a presença da Dominique. Passe o microfone para a Dominique, que está com a atividade lúdica ali. As pessoas estão ali fazendo a atividade lúdica que nós pedimos. Foi também a mesma pessoa que eu comentei com vocês ainda há pouco sobre o Instituto dela, Instituto de Restauração Humana Vivarte. Ela está com as inscrições abertas para atendimento.

A SRA. DOMINIQUE PERES CHOR – Obrigada, Tânia, pelo convite.
Nós somos uma organização que fica na Gávea e atendemos jovens que vivem em estado de vulnerabilidade social no Rio de Janeiro. Atualmente a gente atende jovens da Rocinha, a gente promove atividades de arteterapia, desenvolvimento e capacitação para o mundo do trabalho. Também oferecemos atividades para democratizar a arte e a cultura, como diferentes passeios. Trabalhamos com musicoterapia também e várias formas alternativas de alcançar a evolução dos adolescentes e a gente segue expandindo o nosso atendimento. Estamos abertos para novas comunidades que precisam do nosso trabalho e que queiram chegar até nós. Então, é só entrar em contato com a gente, naquela parte ali está a nossa arteterapia e a nossa cartilha contra a violência escolar, que a gente fez com parceria com o governo. Quem tiver interesse é só pegar a cartilha com a gente e entrar em contato com o Instagram, se vocês souberem de jovens que precisam e querem participar dos nossos atendimentos.
Obrigada a todos.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Eu não ia falar, mas eu vou falar. É a Dominique, através do grupo da Dominique, que nós conseguimos os balões de gás da Multiplan. Então, eu conheci a Dominique através do Vander, da Multiplan. Através dela, do grupo dela, os balões de gás que a gente solta no finalzinho da nossa caminhada são doados pela Multiplan.
Obrigada, Fran.

A SRA. FRANCILENE TORRACA – É muito bonito o evento e de grande relevância.
Eu tenho uma Clínica de Neuropsicologia no Rio de Janeiro, e o que eu mais faço é entregar diagnósticos de autismo na vida adulta. São pessoas que chegam com muito comprometimento, para além de todas as dificuldades que o autismo traz, muitas comorbidades – ansiedade, depressão, ideação suicida. Hoje, inclusive, eu estarei entregando para um jovem de 24 anos que abandonou a universidade porque não consegue devido a tantas questões que o autismo traz e, ao longo desse tempo, ele não recebeu o entendimento devido do que ele realmente tinha, nem por parte da família, nem por parte da sociedade. Ele não suportou o ambiente da universidade.
Ele chega com crenças muito limitantes. É uma crença de incompetência, eu não consigo, eu sou nada e isso é muito difícil. Então, quando a gente vê um trabalho desse, que vai dar a oportunidade de essas pessoas conseguirem ser funcionais, conseguirem ser valorizadas dentro daquilo que elas conseguem, de fato, fazer e realizar, a gente precisa apoiar e a gente precisa estar junto.
Eu também vou aproveitar para fazer um agradecimento público porque eu ainda não tive a oportunidade de fazer isso. Só fiz no privado. Eu vou lançar agora um livro, fiz uma coordenação editorial sobre ansiedade infanto-juvenil que também acomete jovens, principalmente as crianças, os jovens, os adolescentes que estão dentro do espectro autista. Afinal, são pessoas que precisam estar o tempo inteiro em interação social e, muitas vezes, só Deus sabe em que condições. Então, inevitavelmente, são pessoas que a gente sabe que desenvolvem transtornos de ansiedade – e graves.
E a Tânia, eu pedi que ela fosse a prefaciadora desse livro, porque ela é uma pessoa que, desde o início da minha militância, principalmente em relação ao mutismo seletivo, que é um transtorno em que eu milito e que muitas vezes vem em comorbidade também com autismo. São crianças que tem a parte verbal preservada, mas não conseguem falar em ambientes sociais devido à ansiedade. A Tânia foi a única parlamentar desta Casa que apoiou a minha militância, e eu acho que é merecido e me honra ter ela prefaciando um livro que eu tenho certeza de que vai ser de grande importância para a sociedade.
Muito obrigada, mais uma vez. E agradeço a oportunidade de estar aqui falando um pouquinho do meu trabalho. Tudo de bom.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada, Fran. Olha, a Fran esqueceu de falar o nome do livro: “Entendendo a ansiedade infanto-juvenil”. Daqui a pouquinho vocês vão ver os livros, todas as edições dele nas livrarias da Cidade do Rio de Janeiro.
Por favor, pode falar.

A SRA. FLÁVIA FABERS – Bom dia.
O meu nome é Flávia Fabers, sou responsável pela Sorrindo Inclusão, que fica em Copacabana. O nosso público é de 14 anos em diante. A gente tem vários alunos que frequentam, já estão inseridos no mercado de trabalho, em grandes empresas, com suporte muito bom. Eu acho que o mais importante do suporte é a rede que eles fizeram hoje dentro das empresas, que são também nossas parceiras. Tanto é que há meninos que pediram agora para trabalhar sábado e domingo para estarem juntos com os colegas no trabalho. No dia a dia, já saem sozinhos.
A gente tem a questão do mercado informal, que é o mercado de freelance, de apoio. Inclusive, tem uma pessoa aqui na plateia que já fez parte de várias oportunidades do mercado informal que o projeto proporciona.
Se vocês puderem seguir as nossas redes sociais, eu agradeço. Muito obrigada. Muito obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Temos aqui mais uma fala. Lenita, por favor.

A SRA. LENITA TEIXEIRA DOS SANTOS – Bom dia a todos.
Eu me chamo Lenita, trabalho no IHA. Queria parabenizar a Vereadora pela importância desse tema que ela trouxe, desse evento. Porque eu sou pessoa na condição de deficiência visual, baixa visão, e tive diversas dificuldades no mercado de trabalho, passei por muitas discriminações. E parabenizo a todos os profissionais aqui que falaram, palestraram. E pedi a todos os responsáveis de pessoas com deficiência e aos profissionais, não desistam, porque nós podemos muito.
As pessoas olham para nossa deficiência, mas não para o nosso potencial. E todos nós somos capazes. Peço que vocês continuem acreditando nisso. Obrigada pela fala. Bom dia.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Nós que agradecemos. Obrigada pela sua presença.

O SR. UBIRAJARA ALVES – Bom dia, Vereadora Tânia Bastos, com quem tenho aprendido a acompanhar...
Já estamos uns três anos nesse projeto. Eu sou pastor evangélico – primeiramente, é bom frisar. Porém, um ser humano comum, como qualquer outro. Eu me preocupo com o que tenho visto ao meu lado, ao meu redor, na comunidade em que eu vivo. Lá, também, é a sociedade, de toda a parte do mundo, então, quando diz assim: “Ah, o fulano é o presidente da instituição, é o líder comunitário, um líder comunitário, ele é basicamente uma pessoa pública também. Ele traz para si a alma das pessoas, quando ele busca o benefício, quando ele busca o recurso. Ele passa a ser a pessoa que aquelas pessoas que são mais tímidas, que veem dificuldade em tudo, passam a depositar confiança, ou seja, nas mãos da liderança. Essa liderança dentro da comunidade, eu estou vendo aqui, poxa, uma coisa, se eu pudesse levar cada um para a minha comunidade e arrumar lá um lugarzinho para educação, trabalho... Está tudo lá dentro da comunidade. A gente fica batendo palmas e agradecendo pelo benefício que chega à comunidade, anunciado pela televisão: “Oh, cesta básica!”. Bom! “Vale gás.” Bom! Temos uma série de outros fatores “tudo bom”. Contudo, o problema mesmo está lá.
Tudo o que eu estou ouvindo aqui está na minha comunidade. Inclusive, eu estou com duas pessoas aqui, que eu trouxe, traria mais, mas devido ao horário, o tempo lá na Zona Oeste estava um pouco chuvoso. Essas duas senhoras têm uma irmã que tem dois filhos, são dois filhos nessa situação. A dificuldade que eles passam é tremenda. Chega a ser trágico. E a gente não tem, apesar de liderança, a gente, quando vai buscar os órgãos competentes, as pessoas... Teve uma pessoa que discursou e falou muito bem, é profissionalizar mais pessoas, que tenham habilidade para lidar. E estender isso para dentro das comunidades. Que lá nós também podemos criar polos, levar isso para dentro da comunidade, porque nós temos pessoas lá que estão se matando. Estão se suicidando.
Há 15 dias, o problema. Eu sempre falo isto: “Melhor e mais importante nesse momento do que apenas a cesta básica e o vale-gás, é um grupo de psicólogos”. E alguém diz assim: “Tem na Clínica da Família”. Vai lá. Agora, se for isso entregue nas mãos de uma liderança competente, que se dá ao trabalho, que se preocupa... A gente conhece, muitas das vezes, melhor do que qualquer agente público. A gente sabe coisa de uma família, que às vezes está oculto aos ouvidos, ao ver do Ministério Público. A gente está lá. A gente sabe de tudo.
O que eu quero pedir, vereadora, se possível for: olhe nessa direção, nos dê atenção nessas organizações que estão lá dentro, fazendo esse trabalho. Nós estamos lá, estamos aguardando uma oportunidade para que a gente possa sentar e conversar. Temos projetos diversos, que eu acredito que uma pessoa com mais experiência, como o caso da senhora e os demais, vão analisar, vão discernir melhor, e, juntos, vamos nos ajudar mutuamente.
Que Deus abençoe a todos!

(PALMAS)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada. Olha, pode ter certeza de que essa Frente Parlamentar vai estar na sua comunidade.

O SR. UBIRAJARA ALVES – Positivo.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Vamos para lá para ouvir a necessidade de cada morador. Está certo?

O SR. UBIRAJARA ALVES – E eu estou fazendo aquilo que Jesus disse na parábola, não é? Quando ele mandou fazer, um certo homem convidar, chamar os convidados e ele foi e chamou os que não tinha necessidade. Aí um diz: "Ah, não, vou cuidar da minha junta de boi". O outro: "Ah, eu comprei isso". Então ele mandou: “Sai pelos valados e pega todos mancos, cegos, doentes. Eu quero ver a minha casa cheia”. E a casa cheia são essas leis que a senhora tem criado. Essa pode ser a casa na qual a gente pode encontrar uma pessoa responsável e habilitada para resolver. Deus lhe abençoe.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Com certeza. Obrigada pela sua participação. Por favor.

O SR. MAIKO ARPINO – Bem, bom dia. Aliás, boa tarde.
Primeiramente, eu quero agradecer a Tânia pelo convite. Aqui, a Bia, que é a minha amiga há bastante tempo. Quero agradecer por estar junto de vocês, esse privilégio, estar com tantos empreendedores sociais que olham essa causa importante que a Tânia está olhando, com inclusão, isso é fantástico, não é? É importante e urgente. Não é uma coisa, é para agora, não é para pensar, fazer, é para fazer projetos para, é, como eu falo, para planejamento de tempo mais distante, mas é para fazer agora.
Pensar globalmente, mas agir localmente sempre. E eu admiro muito o trabalho da Tânia porque ela pegou essa bandeira, hasteou, balança, corre atrás e está dando certo. Está trazendo frutos, resultados.
E eu, graças a Deus, tive experiências muito com pessoas de diversos tipos de dificuldades, de hanseníase e câncer, etc. Atualmente, eu tenho atuado muito com um grupo da Tia Elaine, tem tido contato com autistas, downs e tenho visto a amorosidade e o amor que essas crianças têm por nós voluntários, não é? Eu amo estar com eles, recebo tanto carinho que eu nem sei se mereço. Tanto amor, tantos abraços.
Obrigado, Tânia, por ter abraçado essa causa com tanto empenho, tanta força, profissionalismo e amor. Obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Estamos juntos. Obrigada. Eu que agradeço.

A SRA. MARINA COLOMBO – Boa tarde. Meu nome é Marina. Eu acabei “caindo aqui de paraquedas” porque, na verdade, eu vim para a questão da fibromialgia, que tinham anunciado que seria às 10 horas.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Deve ser em outro local, não?

A SRA. MARINA COLOMBO – Não. Mudaram, preencheram errado e mudaram para as 14 horas. Mas eu sou uma mãe que fui diagnosticada com TDAH, através da minha filha. Então, eu não caí aqui à toa. Eu acho que foi a providência divina e já estou me sentindo abraçada por todos vocês, porque eu enfrento várias dificuldades.
Inclusive, precisando de cuidados. Uma mãe que cuida. Então, queria agradecer e falar para vocês que a gente precisa realmente se unir e estou à disposição também como empresária para ajudar. E me sinto acolhida aqui hoje, para poder também levar essas informações. Porque eu acabo ajudando os filhos dos meus funcionários, dando orientação sobre a questão do que eu passei com o TDAH e já tem duas funcionárias que identificaram os filhos com autismo. Então, acho que não foi à toa que eu vim parar aqui.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Não foi.

A SRA. MARINA COLOMBO – E à disposição. Muito obrigada, viu?

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Obrigada a você pela participação. Providência divina. Muito obrigada.
Eu quero aqui passar para as mãos da Flávia Cortinovis a nossa Moção de Aplausos, por favor. Obrigada.

(Entrega-se a Moção)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) –Também passo para o Senhor Alex Bolsas a nossa Moção de Aplausos da Câmara.

(Entrega-se a Moção)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Helena Werneck, nossa secretária. Nossa Moção de Aplausos por essa participação aqui na nossa Frente Parlamentar.

(Entrega-se a Moção)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Ana Paula Pacheco, também quero passar para suas mãos.

(Entrega-se a Moção)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – E a nossa querida Bruna também. Obrigada. Obrigada aí pela participação.

(Entrega-se a Moção)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Vou chamar aqui à frente. Quem for vindo, por favor, eu queria que a gente fizesse depois uma foto.
Quero passar também para o Instituto Vivarte, através da minha querida Dominique. Vem para cá, Dominique, você que representa a Vivarte. Quero passar para as suas mãos também esta Moção de Aplausos. Fica aqui com a gente. Muito obrigada.

(Entrega-se a Moção)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Quero convidar também Alexandra Braga; Denise Aragão; Marcelo Freitas; o Cadu, Carlos Monteiro; Antoniel Bastos; Bruno Almeida.

(Entregam-se as Moções)

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Chegamos ao fim e eu quero muito agradecer a vocês por terem vindo, principalmente à Escola Municipal Especial Rotary, que não mediu esforços, junto com as mães, com as professoras, para participar aqui conosco. Mande um forte abraço e um beijo na querida Tânia Bendas.
Eu quero muito agradecer a participação de todos vocês; à Mesa, que compôs aqui comigo. E já saímos aqui com missões. Até com data? Pronto, não é só a missão, já está amarrada até a data, imagina isso. Daqui a pouco a gente vai trocar aqui as informações.
Muito obrigada. Vocês abrilhantaram a nossa Frente Parlamentar que acabou de ser instalada. Obrigada também a todos vocês que vieram aqui ao púlpito para falar um pouco da experiência de cada um. E a gente se sente honrado – não só eu, Tânia Bastos, Vereadora da Cidade do Rio de Janeiro, estando no meu quinto mandato, graças a Deus. Não é mole não, cinco mandatos não são fáceis, mas é isso, é você se entregar, é você ter amor àquilo que você faz.
Foi falado aqui de muito amor, não é? É isso, é você ter amor às coisas que você faz. E eu me sinto privilegiada por Deus, por Ele ter me apresentado às famílias atípicas. Eu me sinto presenteada por Deus. Porque quando eu cheguei aqui na Câmara, em 2008, a eleição, em 2009 eu tomei posse, e eu falei para Deus que eu queria muito ajudar as pessoas e que Ele me usasse para eu ajudar o próximo e fazer o bem ao próximo.
E foi um ano depois que eu conheci as famílias atípicas, por meio do Mundo Azul: a Denise, o seu esposo Luciano, o Wilton, também, que está à frente do movimento, a esposa dele, Rosana, mas a Cris também, que estava conosco, a Keila... Foi esse grupo que me acolheu. Eu fiquei muito feliz, porque eu conheci o autismo por intermédio desse grupo. Depois, logo em seguida, veio o Compartilha, entre outros, com os quais estamos trabalhando em prol dessas famílias.
Muito obrigada à nossa Frente Parlamentar de Neurodiversidade e Deficiências Múltiplas, que está acabando de ser instalada na Câmara Municipal nesta segunda-feira.
Muito obrigada.

(Encerra-se o Debate Público às 12h15)


LISTA DE PRESENÇA

Alexandra Braga; Ana Maria Nunes Matos; Luci Glayce Gomes Melo; Tatiana Cosme; Renata Santos Brito Vera; Bruna LosChiavo; Maria Jose Lucas dos Santos; Mariza Moraes; Heloisa Rocha; Denize Aragão; Ana Paula Pacheco; Flavia Fabers; Lenita Teixeira dos Santos; Marceley Lopes Moreira; Monique Monde Seabra; Deniele Favato; Welington da Silva Luiz; Eliane da Silva Sousa; Rosilene da Silva; Ubirajara Alves.