Comissão Permanente / Temporária
TIPO :
DEBATE PÚBLICO
Da
VEREADORA TAINÁ DE PAULA
REALIZADA EM
05/27/2022
Íntegra
Debate Público
:
SOLENIDADE REALIZADA EM 27 DE MAIO DE 2022
(Mulheres de Axé)
Presidência da Sra. Vereadora Tainá de Paula.
Às 10h48, no Salão Nobre Vereador Antonio Carlos Carvalho, sob a Presidência da Sra. Vereadora Tainá de Paula, tem início a Solenidade da Câmara Municipal do Rio de Janeiro em homenagem às Mulheres de Axé.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Senhoras, e que bom falar senhoras, minhas mais velhas, também saudar os nossos mais velhos presentes, bom dia.
Dou por aberta a Solenidade em homenagem às Mulheres de Axé, com entrega de Moções de Louvor e Reconhecimento e lançamento do livro “Mulheres de Axé”.
Solicito ao Cerimonial da Câmara Municipal do Rio de Janeiro que conduza à Mesa de Honra as personalidades que a constituirão.
(Compõe-se a Mesa)
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – A Mesa está assim constituída: Senhora Presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (Comdedine), Fátima Malaquias; a Senhora Editora da Folha de Ouro, Alessandra Aquino; a Senhora Etemi Flavia de Oxum, organizadora e coordenadora deste livro tão importante.
Ouviremos agora a execução do Hino Nacional Brasileiro.
(Ouve-se o Hino Nacional Brasileiro)
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Eu tenho a honra de registrar as seguintes presenças: Kelvin Gladson Moreira Nobre, Babalaô do Templo Ifá Guadê; Ellen Cristina da Silva, de Ifá Oyá Igbalé de Sepetiba; Isabelle Aimê, do Terreiro da Boa Viagem; Cátia Cristina Santos de Oliveira, Mãe de Santo do Templo Duné Cate Aiá Ifá; Mara Cristina Pinto Luiz, Ialorixá Fomo de Oyá; e Natália Janaína de Carvalho, representando o Ifá Ni L'Órun.
Passaremos para nossas mais velhas, para nossas sacerdotisas de fé, integrantes desta Mesa. Depois, passaremos às nossas reverências e à fala da nobre Vereadora, que está emocionadíssima hoje.
Começando pela autora desse livro potente, porque iniciamos os trabalhos muito a partir dessa sua contribuição, Etemi Flavia. Quero falar um pouco sobre a importância de escrevermos das nossas mais velhas, das pioneiras, daquelas que constroem a fé, não só a partir de suas vidas, mas de suas resistências, dos seus trabalhos diários e cotidianos. Obrigada demais pela iniciativa.
É uma honra eu ter sido agraciada. A honra é minha. Eu me orgulho muito de baixar a cabeça e agradecer a cada dia, cada instante. Quero muito ouvi-la sobre esse trabalho, sobre o que você vem contribuindo para nossa fé.
A SRA. FLAVIA DE OXUM – Vereadora, bom dia. Primeiro, muito obrigada por estar aqui. Acho que é um sentimento de todas nós, é uma ocupação do espaço. Antes de tudo, eu sempre faço agradecimento aos nossos ancestrais, a todos que vieram antes de nós. Se eu estou sentada hoje aqui, nesta Mesa, com a oportunidade que a Vereadora Tainá está nos dando, foi porque mulheres que vieram, muito antes de mim, resistiram em um tempo muito mais hostil, muito mais difícil, com perseguições, passaram coisas inimagináveis para nós hoje em dia.
Antes de tudo, preciso agradecer. São essas mulheres que estão aqui no livro. Essa pesquisa feita pelo antropólogo Babalorixá Carlos Eduardo Medawar, meu eterno professor. Eu preciso agradecer a elas: Gaiaku Rosena, Mãe Aninha de Xangô, Tia Ciata, Mãe Bida, Mãe Beata de Iemanjá, Dona Pequena de Oxalá, Mãe Zeire d’Iansã, Mãe Margarida de Oxum, Mãe Teodora de Iemanjá, Mãe Regina do Bamboxê, Edelzuita de Oxaguiã está ainda viva entre nós, assim como Mãe Obaganju, mas é grande. Nós conseguimos seguir um legado de fé dessas senhoras. Mãe Abigail Canabogi e Nitinha de Oxum, Mãe Gisele Omindarewá, Mãe Chica Xavier de Oyá, entre tantas outras.
Antes de tudo, peço a bênção à ancestralidade e muito obrigada por resistirem tanta para que possamos, hoje, estar sentados onde estamos.
A intenção do livro era, primeiro, quando a Alessandra me procurou, propondo fazer um livro com coautoria, logo pensei no “Mulheres de Axé”, porque eu já tinha esse projeto. Eu falei para ela: “Nossa, você está me procurando em um momento em que eu não sabia como realizar”.
Ela me ofereceu essa oportunidade e o projeto já estava feito, pois eu já queria fazer um livro de “Mulheres de Axé”. Eu saí na busca de mulheres que quisessem ser coautoras, que quisessem expor suas histórias, porque não é fácil. Nem todas as pessoas querem expor a sua verdade nua e crua num livro e deixar ali, registrado. A partir deste livro, ninguém mais vai contar a história – historinha – sobre as senhoras. As senhoras disseram as suas histórias, os seus trabalhos, os seus feitos, as suas lutas. Então, a benção a todas.
Gaiakú kolofé, motumbá, mukuiu. Saravá às mães de Umbanda, que também temos neste livro mães de santo de umbanda, senhoras que são sacerdotisas, sim, do culto da umbanda, que levam à frente terreiros, há anos, anos e anos, fazendo um trabalho de cura, de fé, de amor e caridade. Os terreiros aqui presentes...
Nós temos a representante do Axé Boa Viagem; o terreiro do falecido Pai Doté Zezinho da Boa Viagem, hoje à frente Mãe Aninha, que está viajando, mas mandou a Equede da casa, que foi feita a criança, não é? E é um terreiro tradicional do Rio de Janeiro, de Nova Iguaçu, um terreiro antigo que está com acho que mais de 70 anos, não é mãe?
Entre tantos outros terreiros, Mãe Kelly, que tem três coautorias dentro do livro: a dela; a da avó, que é o terreiro que ela herdou da avó, a Mãe Doné Marlene de Oxum, e dela própria. Mãe Dionete; Mãe Fernanda; Mãe Cláudia; Mãe Paulinha; minha irmã, Mãe Chaiene, Mãe Ana. Quem mais? Doné Cátia do Ogum, entre outras. Está faltando ainda aqui a Mãe Nelma. Está faltando Gaiaku Deusimar, mas no livro elas estão. Então, elas não estão faltando. Elas só não puderam estar aqui presentes.
Muito obrigada a todas. A benção a todas por acreditarem nesse projeto, por colocarem as suas histórias, por se entregarem a esse projeto. E ele é tão importante que, hoje, a Vereadora Tainá de Paula, está aqui nos laureando, porque ela entendeu a importância de nós registrarmos isso aqui. Esse livro é uma obra de registro, porque são histórias verdadeiras, e as senhoras assinaram.
O meu muito, muito obrigada, e benção a todas.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Obrigada demais, Etemi Flávia.
Quero ter a honra de passar agora para a senhora editora da Folha de Ouro, Alessandra Aquino.
A SRA. ALESSANDRA AQUINO – Bom dia a todos; bom dia, Vereadora, Mãe Flávia.
Eu estou um pouco emocionada, porque é muito bonito a gente ver esse trabalho chegar neste espaço que a gente está ocupando aqui, hoje: um livro que fala sobre mulheres de axé. E a gente vai ter aí diversas mulheres religiosas de candomblé, de umbanda, como nós, que até pouco tempo estavam caladas, que não podiam levantar voz, e que não podiam ocupar este espaço que hoje nós estamos ocupando, e que é nosso por direito. E muito obrigada por nos dar esta oportunidade.
Então, eu acho que esse livro, principalmente, que foi idealizado pela Mãe Flávia, e composto aí por essas mulheres lindas que são vocês, com histórias ora tristes, ora alegres, mas histórias de luta, de resistência. E eu acho que esse é um presente muito grande que nós estamos dando para os nossos ancestrais.
A Editora Folha de Ouro, eu fico extremamente honrada de saber que com a ajuda de todos vocês, de todas vocês que acreditaram em nós, que depositaram a sua confiança para poder publicar este livro, que a gente vem cumprindo o nosso propósito. Eu, como fundadora da editora, como mulher de axé, também, porque sou mulher de candomblé, estar cumprindo esse propósito e tendo êxito em cumprir esse propósito, em poder registrar o legado de vocês, porque a gente sabe que tiveram mulheres tão maravilhosas quanto vocês, mas que não podiam falar e que não tinham esta oportunidade.
A Editora Folha de Ouro veio justamente com essa intenção. A gente sabe que existem outras editoras que, de repente, estão até representadas aqui, hoje, e que fazem trabalhos maravilhosos e magníficos também no campo religioso, dando oportunidade para o nosso povo poder falar e contar histórias, mas o nosso propósito primordial era de fato abrir as histórias de vocês e, quando vocês confiaram isso e estão aqui sendo expostas, tendo a vida de vocês sendo exposta, para poder incentivar, inspirar outras pessoas que virão depois, mas para deixar registrado mesmo.
Este é um trabalho muito importante, e eu tenho certeza de que é o primeiro de muitos que a gente vai fazer, e eu queria parabenizar todas vocês, eu não estaria aqui se não fosse por vocês, se não fosse por Etemi Flávia, então, muitíssimo obrigada. Aqueles que não tiveram a oportunidade de ler o livro, é uma leitura praticamente obrigatória para quem é do santo, a gente tem aí de fato histórias de resistência, e a gente vai continuar resistindo.
Obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Passo agora a palavra para Etemi Flávia, para fazer um complemento.
A SRA. FLÁVIA DE OXUM – Eu preciso registrar também, aqui, além da história da minha própria mãe carnal, eu preferi não escrever sobre mim, eu escrevi sobre a minha própria mãe. O terreiro que herdei tem 43 anos, eu sou herdeira desse terreiro, e eu preferi escrever sobre ela.
Mas eu preciso também citar aqui que, neste livro, está a mãe carnal do babalaô Evandro, da Instituição Ifá Ni L'Órun. Então, um babalaô que tem uma instituição renomada, ele se dispôs a sentar e escrever sobre a mãe carnal dele, e ele diz que ele se tornou babalaô porque ela apresentou Ifa para ele, e ela era uma mulher da Angola, Mameto Joana Barangê, e ele tira a roupa de babalaô e se coloca como filho e coloca aqui, escreve no livro a história da mãe dele e do quanto ele aprendeu o que é ser religioso com esta mulher, então, eu não citei Mameto Barangê, mas eu precisava falar sobre ela.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Passo a palavra aqui para a nossa mais velha integrante e figura atuante, não só no nosso povo de Axé, mas com a resistência antirracista aqui da Cidade do Rio de Janeiro, quero agradecer muito à Fátima Malaquias, a presença.
Obrigada demais.
A SRA. FÁTIMA MALAQUIAS – Nossa Vereadora, é um prazer enorme, e hoje falar um pouco desta maravilhosa, como todas as outras, benção nos mais novos, benção nos nossos mais velho, Maria Moura, por quem tenho um carinho, é minha segunda mãe.
Agradeço à Casa por este momento, até porque a gente tem que saudar a Casa, que tem o seu peso e a sua importância.
Hoje, falar enquanto Conselho Municipal de Defesa do Direito do Negro, dentro do nosso povo tão ancestralizado, lembrando que 25 de maio, me permita essa fala, 25 de maio foi um dia de uma ancestralidade que reinou em todos nós, que nos faz lembrar, nos faz refletir e dar continuidade, ontem, hoje e o amanhã.
Quero agradecer, até porque, também, a um grande amigo que não se encontra presente, mas ele está, é a Promoção da Igualdade Racial, que vem também numa luta muito grande nesta promoção de elevar a nossa religiosidade que é tão, como já muito comentado aqui, perseguida.
Hoje falar e agradecer esta Vereadora que está nos levando, trazendo a essa reflexão neste momento e fazendo com que gerem os multiplicadores, para que elimine esse momento tão hostil em que nos encontramos em relação à nossa religiosidade, que é tudo, é vida, é tempo. É a hora certa para que a gente possa reagir e agir.
Nessa minha fala – nossa, Vereadora Tainá de Paula –, eu agradeço. Agradeço à Mesa. Na pessoa, permita-me, da nossa Vereadora Tainá, eu contemplo a Mesa com os meus respeitos e meu carinho. Na pessoa da nossa Equede Maria Moura, eu saúdo a todas as nossas irmãs, irmãos. Para todos, por algum momento.
Eu sinto assim muito preenchida com esses axés que estou encontrando aqui e levando para as minhas demandas do antirracismo, que são grandes demandas. Esta mulher que está aqui, realmente, está neste momento também passando por mais uma demanda.
Eu só peço bênção a todas.
Obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Como falo depois dessas mulheres todas? Eu peço licença para ficar de pé. Peço benção às nossas mais velhas, na figura de Maria, essa Equede importantíssima. Obrigada demais por a senhora existir e por tudo que a senhora representa na Cidade do Rio de Janeiro, e para a nossa fé.
Peço a benção para essas mulheres extraordinárias. Na figura de Etemi Flávia, reverencio este espaço, que é o espaço consagrado pela nossa presença aqui hoje.
Durante a construção da minha fala, eu pensei o que eu vou falar para essas mulheres que são tão mais. Na verdade, são o motivo de eu estar aqui de pé, pensando, formulando política pública viva. Quero saudar minha avó, minha mais velha de casa, dona Lina, com 89 anos, que estaria... Está felicíssima dessa minha trajetória, mas estaria muito mais feliz de estar aqui ao lado das pioneiras da construção de nossa fé, de construção de uma presença importante, que são vocês.
Nesta semana, Fátima trouxe o “25”. Hoje é dia das equedes e dos equedes. Quero saudar, inclusive. Bênçãos aos equedes aqui presentes.
Mas é muito importante, a partir do 25 de maio, a partir da chacina ocorrida esta semana. Todos sabem que estou muito envolvida nesse assunto, nesse tema. É muito importante nós darmos um passo atrás e falarmos das nossas vidas e da nossa relação com a morte. Na pesquisa da fala, eu encontrei um texto Iorubá que eu já tinha passado, que fala justamente de Nanã e a relação da construção da vida e da morte. Da tarefa que Obatalá passa de construção dos homens e das mulheres a partir deste barro que Nanã resguarda e preserva.
Como o mundo se esqueceu disso, e como o mundo fez questão de esquecer esse acordo, que é muito importante! Olodumarê teve uma ideia a partir de uma reunião que teve com diversos Orixás, de fazer um combinado de quem vive e de quem morre. Na verdade, de como nós estamos aqui, de como a gente se cuida, de como a gente combina, de como a gente se reúne nesse Aiê, o que a gente faz nesta nossa passagem aqui, e de como é importante saber que cada pedaço de barro do outro também está em nós, porque são as lágrimas de Nanã que nos reconstroem e nos preservam para o próximo momento, para o próximo passo.
Nós somos uma coisa só! A nossa fé nos coloca isso, nos impõe isso! Nós viemos do mesmo barro e nós não podemos esquecer-nos disso.
No outro momento, é muito importante a gente falar do cuidado, de quem cuida. Nós atravessamos um caminho guiado, e a partir dos caminhos e descaminhos de Exu, a gente se encontra nessa encruzilhada, que é esse aiê, essa vida terrena, mas nós temos as nossas cuidadoras, as nossas sacerdotisas aqui, que indicam caminhos, que indicam possibilidades; que indicam possibilidades de cura, de cuidado.
Como a gente não fala tanto de cuidado? Os nossos jovens morrem mais cedo; as nossas famílias se desencontram; nós não temos a possibilidade de sequer ter família; a nossa expressão de vida, o nosso sopro, que é nos dado, nesse amontoado de barro que nós somos, é negado de nós. Como é importante o trabalho das nossas sacerdotisas de fé que nos lembram de que esse sopro, esse algo que parece pequeno, intocável, invisível a tantos olhos, é tão importante.
Eu quero falar de futuro. A gente vive o ano de 2022, que é importantíssimo para nós. Quem tem casa aberta, quem recebe pessoas em suas casas, sabe que o racismo religioso, o ódio religioso, porque o ódio racial explodiu. Existe um projeto político de extermínio, de execução, não só do nosso corpo, mas da nossa presença, da nossa memória, do que a gente passa, do que a gente ensina.É muito importante que, principalmente, as nossas líderes, as nossas sacerdotisas de axé, coloquem o nosso caminho.
Nós não podemos ter ninguém nas nossas casas, nos nossos terreiros, no ouvido que a gente assopra entendendo que não é importante nós discutirmos o ano de 2022. O nosso outubro precisa ser uma resposta política do ódio que a gente vive do cotidiano. Afinal de contas, a gente sabe o barro que a gente volta e a gente sabe quem chora as nossas lágrimas para gente se reencontrar.
Salve, Nanã! Salve as avós velhas; que Exu nos guie nessa encruzilhada de 22. Obrigada demais por vocês existirem e estarem aqui.
Estou chorando, não sei mais o que faço. Eu quero passar aqui agora a um momento importante, que é a entrega das Moções. Quem se sentir à vontade para fazer o uso da palavra, que faça. Nós vamos fazer o protocolo institucional de tirar as fotos, marcar presença e convocá-las todas aqui à frente do púlpito.
Vou passar para frente, vou pedir licença para a Mesa. Quero chamar aqui a nossa primeira, a nossa pioneira nesta manhã, Ana Maria de Mesquita.
(Entrega-se a homenagem)
A SRA. ANA MARIA DE PAIVA MESQUITA – Só tenho uma palavra a dizer: isto tudo que está acontecendo e que a gente tem de levar para fora daqui e para dentro das nossas casas é o amor. O amor está primordial nas nossas vidas. A nossa fé jamais pode ser abalada. Que saiamos daqui hoje, mais uma vez, certas de que nós vamos chegar na nossa casa e vamos trazer todo esse amor que nós recebemos de todos vocês aqui. Axé para todos nós.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Chamo agora a Senhora Cátia Cristina Santos de Oliveira, Doné Cátia de Ogun.
(Entrega-se a homenagem)
A SRA. CÁTIA CRISTINA SANTOS DE OLIVEIRA – Agradecer esse carinho todo às minhas irmãs pelo dia de hoje; à Senhora Vereadora também; Yatemi Flávia, porque “estamos juntos” nisso e acreditar em todo mundo. Eu só tenho que agradecer. Meu kolofé a todos. Muito obrigado, gratidão. Só isso.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Maravilhosa. Chamar aqui a Senhora Claudia Gomes de Souza, Doné Claudia de Olira.
(Entrega-se a homenagem)
A SRA. CLAUDIA GOMES DE SOUZA – Bom dia a todos, meu kolofé a todos. Gratidão eterna, que nossa grande mãe Oyá possa ventar bons ventos. Para os seus caminhos e para todos nós e possa afastar toda a negatividade, todos os maus pensamentos e todo aquele desânimo que eu acho que todo zelador tem uma hora que fala assim: “Ai gente, mais uma pedreira, não é?” E que a gente dá a volta na pedra, a gente tem força, que a gente não sabe da onde vem. Exu vem e dá a receita da pegadinha: você não vai quebrar a pedra, mas você vai contornar a pedra e mamãe empurra com o vento.
Vamos sempre agradecer a nossa ancestralidade porque se nós estamos realmente aqui hoje é porque essas grandes mulheres estão aqui também hoje olhando por todas nós. E que elas continuem nos guiando nessa nossa jornada porque não é fácil. Quem pensa que ser sacerdote é fácil, que é só botar uma roupa bonita chegar na sala e dançar, está completamente enganado, meus senhores e minhas senhoras.
Que a gente tenha sempre força e que a nossa fé seja incondicional. A minha benção a todos, o meu kolofé e muito axé para todos nós. Gratidão.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui o Senhor Carlos Eduardo, autor do prefácio do livro.
O SR. CARLOS EDUARDO MARTINS COSTA MEDAWAR – Boa tarde a todas, já é tarde? Não, é bom dia ainda. É um imenso prazer estar aqui de penetra. É, porque vocês vejam bem, mulheres de axé, aí aparece eu. Mas tem uma questão interessante, porque eu também sou de Oxalá. E lembrem que Oxalá – você falou tanto de Nanã – Se vestiu de mulher para poder descobrir os segredos de Nanã. E eu, apesar de estar não estar trajado de mulher, eu entrei na vida de vocês para descobrir os seus segredos. E pude ter a honra como editor da Folha de Ouro, juntamente com a minha grandissíssima amiga que me trouxe para esse furdunço, que é a Alessandra, poder viver um pouquinho da história de cada uma de vocês.
Fazer o prefácio foi a parte mais fácil, porque falar das pessoas que já se foram não tem interferência. Agora, escrever sobre essas pessoas que continuam fazendo a nossa história sobre essas mulheres, que são herdeiras do axé de tantas outras que vieram antes de nós, isso foi impagável. Meus respeitos. Agradeço a vocês, inclusive de poder estar aqui na frente recebendo isso aqui, essa menção, providenciada pela nossa Vereadora. Muito obrigado a todos.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui a Mãe Dionete de Aguiar.
A SRA. DIONETE DE AGUIAR DE OLIVEIRA – Gente, gratidão a todas. Meu axé a todos. Eu falo muito pouco.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Maravilhosa. Quero chamar aqui, representando a editora Folha de Ouro, maravilhosa Alessandra Aquino. Saiu pela editora. É para a editora como todas, viu?
A SRA. ALESSANDRA AQUINO – Gente, deixa eu só falar uma coisa: a gente está brincando aqui que as mulheres de Oyá, vieram todas aqui para frente e eu queria muito não deixar passar em branco e agradecer muitíssimo a minha mãe Oxum, porque ela que é geradora de tudo na minha vida, não é, Mãe Flávia?
Então uma salva de palmas para Oxum, gente iê iê ô.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Eu quero chamar o Babalaô, Evandro Luiz de Carvalho, representado pela irmã dele. Vem aqui, Natalia.
A SRA. NATALIA JANAINA DE CARVALHO – Eu acho que a palavra que define hoje é gratidão. Gratidão a nossa ancestralidade por a gente estar aqui hoje. Gratidão a Joana Maria de Carvalho. Eu acho que se ela estivesse aqui hoje viva, ela estaria muito feliz.
E, para mim, é uma honra estar aqui hoje representando o... Evandro Luiz de Carvalho... É isso. Gratidão a Flávia também por ter contribuído para contar a história da minha mãe, obrigada. Onde você coloca a mão, as coisas florescem. Gratidão a vereadora e a todos vocês.
A SR.A PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui a sacerdotisa, nossa Kelly de Oyá.
A SRA. KELLY ANTUNES GARÇÃO – Agradeço por estar aqui hoje nesse momento, nesse espaço que é tão importante para todos nós e agradecer a cada um de vocês por estar dividindo isso comigo e com todos que estão aqui.
Agradeço ao senhor, dono do dia de hoje. Agradeço minha ancestralidade, porque sem ela, eu não estaria aqui hoje. A mãe Oxum, ao Pai dessem e a mãe Oyá. Eparrei Oyá.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui outra sacerdotisa incrível, nossa Maria Fernanda de Oyá.
A SRA MARIA FERNANDA ALVES – Benção com fé. Hoje, eu estou nervosa porque é um dia muito importante, a todas nós. E hoje, quando a gente escutou o Hino Nacional, eu acho que me deu uma emoção muito grande, por tudo que nós estamos vivendo hoje no Brasil.
E nós estarmos aqui vestidas a caráter, tendo essa oportunidade. É maravilhoso. Então, o sentimento hoje é de gratidão e a gente abraça ainda mais uma responsabilidade, porque nós somos mulheres aqui que estamos dando a oportunidade de dar voz ao orixá, de dar voz ao sagrado. Então isso é muito importante.
Então eu só tenho gratidão no meu coração. Agradecer a Etemi porque é uma pessoa que me deu a mão, me mostrou muitas coisas na minha vida. Agradecer ao meu... que é uma pessoa fundamental também na minha vida. Agradecer a Confraria Olobá, que também faz parte da minha vida, mais uma conquista.
Agradeço o presente de Iemanjá que foi ali um pontapé de muita coisa importante na minha vida. Agradeço por estar aqui dentro dessa Casa, por hoje aqui sendo premiada por uma mulher também. Então, meu sentimento é só de gratidão. Bom dia a todos.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui a Doné Maria Estela Moreira, que será representada pela Senhora Flichielle Cristina.
A SRA. FLICHIELLE CRISTINA – Olá a todas. A benção a todas, kolofé a todas, é que Flichielle, é trava-língua. Flichielle de Oxum, eu vim em nome do Terreiro da Boa Viagem, representar Mãe Ana, Dona Ana. Maria Estela, dona Ana de...
No trajeto, eu fiquei pensando nas palavras que eu traria para esse dia. É tanta coisa que passou pela minha cabeça de alegria a muitos momentos de revolta, porque não é fácil ser mulher e mulher de candomblé muito menos.
Então, em todas as esferas, ser mulher tem vários fatores que dificultam e ser uma mulher de axé também. Não sou ialorixá, não sou doné, sou é aquela equedi, sou aquela que acolhe, aquela que abraça, aquela que dá bronca, aquela que guia, que também orienta. Também sou uma mãe dentro do terreiro.
Baseado na minha vivência, na minha experiência, eu sei o quão é difícil o sacerdócio e o quão alegre é o sacerdócio. O quanto nos preenche de coisas que a gente jamais imaginou que nos faltava, o quanto cada vida que é tocada por nós nos alimenta com uma energia e com um acreditar, com esperança. Esperança que, muitas vezes, diante de tantas coisas que acontecem fora, nos afetam dentro e nos afetam profundamente dentro, a ponto de não sabermos exatamente o que fazer, como seguir, que conselho, o que a gente faz diante disso, e às vezes é o abraçar e o chorar: é o que nos resta.
Eu gostaria muito de agradecer por estar aqui. À Etemi Flávia, à Alessandra da Folha de Ouro, à senhora... é que é de Maria Moura. Alegria enorme por vê-la nesta Casa. Meu pai, saudoso Doté Zezinho da Boa Viagem, amava com muito amor, com muita verdade e nos ensinou esse amor a ponto de eu estar aqui agradecendo por toda a amizade que a senhora teve ao longo da vida de meu pai. Então, saiba que o Terreiro da Boa Viagem também a ama e segue amando. Mãe Ana pediu que eu trouxesse as palavras dela e eu não poderia deixar de trazer.
A pessoa aqui fala muito; educadora, gente, é difícil controlar. Mãe pediu que eu dissesse à Etemi Flávia que era muito agradecida pela oportunidade de ter a sua história contada, de ter a sua história escrita e pede que nossa Mãe Oxum cuide dela e que esteja sempre com as mãos estendidas, com abebé mirando o seu reflexo, protegendo, guiando, olhando e que de Mãe ela receba somente amor. Que Oxum nos ame e que honremos a nossa ancestralidade, que honremos o Orixá, que honremos Vodum, que nos orgulhemos de ser quem somos – mulheres de axé, sim. Goste, não goste, queira, não queira, somos essa pessoa e foi para isso que nascemos, e é para isso que estamos neste mundo.
Agradeço a oportunidade ao Aiê por esta Casa, construída neste espaço, a toda a minha ancestralidade, a toda a minha ancestralidade de axé, a todas as mulheres que não tiveram este espaço, mas que eu as estou aqui representando também, de forma digna, honrosa e respeitosa. Que sejamos respeitadas, não toleradas! Não foi assim que Makota Valdina disse? Quero ser respeitada, não tolerada, Mãe Beata dizia também, amiga de nosso pai. Então, que sejamos respeitadas, e não toleradas.
Muita gratidão, meu colofé! Que nossa Mãe Oxum, nossa Mainha Oxum adoce a nossa vida e os nossos corações. Colofé! Muito obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Axé! Quero chamar aqui a Mãe Paulinha de Oxum.
A SRA. NEIDE MARIA PAULINHA ASSIS – Bom dia a todos! A bênção a todos. Eu venho realmente representar a minha Umbanda, mas amando o axé de todos. Aprendi que religiosidade é a religação – a gente se liga, a gente se une! Não é à toa que há 30 anos, mesmo saindo de uma casa de Umbanda, eu me encontro, hoje em dia é minha... com Veranice, mas sempre será a minha Mãe Vera, porque ela me acolheu na sua casa, porque foi ela que respeitou o que eu queria: continuar na Umbanda.
Ela me preparou dentro daquilo que pôde, e eu, junto com a minha irmã carnal Ana, que já esteve aqui, levamos a nossa casa. Tivemos a abertura e a permissão, pelo nosso Pai Oxalá, por minha Mãe Oxum, quando muitas vezes duvidei da minha caminhada, atravessei vários momentos muito difíceis, mas como disse hoje para o meu padrinho, estou aqui vencendo doença, vencendo câncer, mas estou de pé, erguida e amando a tudo: amando o branco, o negro, que acho que estamos na mesma jornada.
Que possamos, cada vez mais, ter amor nos nossos corações, que é o que falta para a humanidade: amor, compaixão e caridade. Que possamos sair daqui hoje com essa missão, com essa certeza de que estamos galgando, trazida pelos nossos ancestrais. Tudo é uma nova experiência, e deixando aqui o nosso reconhecimento.
Quando fui convidada pela minha irmã Etemi Flávia – eu digo irmã –, não acreditei. Eu falei: “Mas eu sou umbanda... Esse monte de gente do candomblé, eu não vou saber”. Aí ela falou: “É para contar a sua história, minha irmã”. Realmente, a nossa história foi contada, e eu amo o que faço. Se eu hoje sou sobrevivente, é porque amo o que faço. O amor realmente vem lá de dentro, do fundo do coração, desde os meus 12 anos. Não vamos contar de idade, não é?
Então, muito axé, muito amor e muita gratidão, como dizem meus filhos. Eu falo que a minha palavra sempre é gratidão. Que a minha Mãe Oxum possa abençoar a todos e cada vez mais ela nos dê esse amor único, sem distinções. A benção a todos! Muito obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui a mãe Nelma de Iemanjá.
A SRA. NELMA FERNANDES MARTINS – Rezei muito para ficar para o final e poder usar essa frase: faço minhas as suas palavras! Quero contar uma coisa aqui para vocês. Quando eu li o livro, vou dizer que foi muito didático para a minha pessoa, porque foi um aprendizado ver a história de vocês, saber que eu posso, eu consigo, com amor, com o orixá, com o Eleguá, eu posso! De verdade, parabéns para todas vocês! Foi linda a história de todas – eu amei! Muito bom contar a minha história também e fazer parte desse grupo. Para mim é uma emoção muito grande, muito grande mesmo!
Gratidão. Primeiro, gratidão, meus ancestrais, por terem confiado a mim essa missão. Gratidão ao Orumilá. Gratidão, Eleguá, por abrir meus caminhos. Gratidão de verdade à Etemi por acreditar, e eu estar aqui falando no microfone é maravilhoso, porque tenho muita vergonha. E muito obrigada a todas, por me deixarem fazer parte do grupo de vocês. Axé!
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui agora a Etemi Shaiane de Iriçá.
A SRA. SHAIANE EZECHIELLO DA SILVA – Bom dia a todos, a todas e a todes! Espero que eu consiga falar. Queria saudar a ancestralidade desta terra, desta Casa, a ancestralidade, Dona Ita Lelias de Souza, que foi a mulher... Minha avó paterna que me fez... E junto com ela e meu pai... Hoje, eu estou aqui. Saúdo meu ori, saúdo a ancestralidade ori de todos que estão aqui... Meu padrinho Borum, minha irmã... Minha benção, todas as minhas mais velhas, minha gratidão, Vereadora Tainá.
Eu acredito que nós estamos no lugar certo, porque o lugar de mulher, seja ela preta, branca, miscigenada, índia, o que for, cigana, judia, pagã, é onde ela quiser, e nós precisamos entender isso.
É uma honra enorme que eu acredito que por idade biológica eu seja a caçula entre tantas guerreiras, tantos exemplos para mim e para todos os mais novos de idade a serem seguidos, está bem, minhas irmãs?
Eu sou como disse a minha irmã Paulinha, uma sobrevivente, vencemos e lutamos todos os dias, e um dia, eu ouvi de minha tia mais velha, irmã de minha mãe, que o candomblé não me daria nada, que eu não seria nada vivendo e me dedicando dentro do candomblé. E hoje, eu sou tudo o que eu quero, eu só não sou mais porque a vida é corrida. Hoje, eu sou uma sacerdotisa de uma casa com mais de 60 anos de fundada, hoje eu sou uma terapeuta holística, uma doutora honoris causa. Hoje, estou recebendo a benção aqui, nesta casa, através das mãos de Oxum, que foi ele quem me enxergou, foi minha irmã quem me chamou. Então, vou ser sempre grata a Oxum e a toda a minha ancestralidade feminina, porque, se eu estou aqui, foi porque eu fui parida por uma mulher, mulher essa feita de Odé, entendeu?
Gratidão, Vereadora, que toda a sua ancestralidade e a minha lhe abençoe, que seu Ori seja seu norte, sua bússola, te encaminhe sempre a um bom lugar, ao lugar de falar, de representatividade. Nós temos que ser representantes do que acreditamos, nós temos, sim, um lugar de fala, nós temos representatividade, nós somos resistência, casa de candomblé é quilombo urbano; nós precisamos entender, aprender e passar isso aos nossos.
Então, minha palavra hoje a Orúmila, a meu pai Oxalá, a meu pai Ajunssum, a minha Gaiacu, a meu padrinho, a minha irmã, a todas vocês, gratidão.
Meu respeito a todos.
Muito obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui a Etemi Regina de Toboci.
A SRA. REGINA COELI MONTEIR
O RAPOSO – Bom, minhas irmãs, minha sobrinha, minha grande irmã Vera, eu só tenho a agradecer, agradecer pelo chamado de Etemi Flávia, minha sobrinha, que, quando me deu essa incumbência de pensar se eu ia participar ou não, me despertou Oxum. Oxum é uma grande mulher, aquela que está dentro do grande mundo com a fertilidade.
E o livro é fértil, porque somos todas mulheres. Nessa cidade, todos somos de Oxum.
Oxum é uma senhora do rio, aquela que nos conduz por entre as pedras, sem a elas em nenhum momento machucar, mas caminhando entre elas, e nisso ela nos dá o ensinamento de que nós não precisamos bater de frente. Mas precisamos de obras como essa para mostrar à sociedade que nós podemos porque somos mulheres.
Nesta casa, hoje, representante política e da lei, Oxum teve o seu papel, no momento em que ela, entre todos, sentou-se com os homens e discutiu que se faria a vida na Terra.
Então, minhas irmãs, a gratidão maior à nossa ancestralidade porque somos mulheres. Oxum na nossa na nossa vida. A ancestralidade nossa, de nossa família, e nossa família de axé.
Que seja pra todos nós a grande união! Que seja pra todos nós o princípio, porque ainda temos muito pela frente. Temos muita luta ainda. Isso é só o começo.
E nós começamos vitoriosas porque somos de Oxum nessa Cidade, e somos mulheres. E nós, é de nós que vem a educação! É de nós que vem toda a projeção!
Então, sejamos exemplo. E nós começamos muito bem!
Vereadora, muito obrigado, muito obrigado.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Quero chamar aqui nossa próxima homenageada, Veranice Souza.
(Entrega-se a Homenagem)
A SRA. VERANICE SOUZA DE OLIVEIRA – A maioria de vocês aqui me conhece.
Meu amor, você pode não lembrar... Muito mesmo, porque você me fez relembrar muito o meu avô. Você me fez relembrar muito o meu pai Jorge.
Eu conheci você na casa de meu pai Jorge, uma criancinha correndo para um lado e para o outro, já equeci de meu vô. E suas palavras foram muito profundas, muito certas, aliás, as de todas vocês.
A nossa religião, ela precisa disso, de mulheres de garra, de mulheres que amem, de mulheres que digam para que vieram, de pessoas que não só Candomblé, não, a religião, o Ifá, a Umbanda, a Quimbanda, que façam com amor, e que digam para quê que veio, sim.
Eu sou uma mulher, graças a Deus, muito abençoada nessa terra. Nessa terra eu conheci pessoas maravilhosas que me orientaram e que, olhando para trás, eu sigo o exemplo de todas elas, como o Senhor Celso do Ogum, me fez vodunce, ao Senhor Jorge de Oxaguiã, que eu dei continuidade. E, hoje, eu dou continuidade com a índia. Agradeço a Deus e a Orunmilá a vida de meu padrinho Evandro e meu padrinho Kelvin, porque são as pessoas que me conduzem no dia de hoje. E eu tenho certeza de que eles hão de me conduzir por muitos e muitos anos ainda.
Mas eu tenho que agradecer a Deus e a Oxum, minha filha, sempre, pela filha maravilhosa que eu tenho. Eu digo que eu tenho bons filhos. Eu tenho os melhores filhos que existem no aiê. E no meio deles Oxum botou você para dizer, para me fazer chorar muito no dia de hoje.
E eu vi a minha história, que eu dizia que não era para ninguém saber da minha vida. Quem quiser saber da minha vida que fosse para a macumba de Ogabúzio. E eu vi você no período de pandemia, eu lhe contando tudo por vídeo, por chamada, por áudio, passando a minha história para você, e você, junto com o Cadu narrar tão profundo que cada letrinha que eu lia nesse livro eu só sabia chorar.
Esse livro, pra mim, é um rio de lágrimas! É um rio de lágrimas! Então, eu só posso agradecer a todas vocês. Agradecer a Deus acima de qualquer coisa, ao Orunmilá, meu pai Azaone, a minha mãe Nanã, a todos os voduns de cada um de vocês, à ancestralidade de cada um de vocês, minhas filhas, minhas amigas. À senhora, minha velha, uma pessoa que todas nós amamos e respeitamos. Sabemos a importância que a senhora tem dentro do Candomblé. Sabemos o amor que a senhora sempre passou para nós, pequenininhos, nós, jovens, que viemos após a senhora, entendeu?
Eu só agradeço. Só tenho a agradecer.
E repetir, ser bem repetitiva: amor, gente, o amor é o que nos move, o amor é o que nos traz em pé. O amor, ao amanhecer, ao anoitecer, é o que nos traz dentro da nossa religião.
Eu só tenho a agradecer a todas vocês do fundo do meu coração.
Que Deus, que meu pai Azançu, que minha mãe Oxum possa lhe abençoar na sua trajetória, lhe cobrir, lhe guardar; que Ogum, que é meu pai santo, lhe guarde dos seus inimigos, da inveja, da perseguição. Porque estar nesse caminho que você está é árduo, é muito árduo, tem que ter muito amor, muito amor, muita devoção, muita dedicação e muita proteção. Muito obrigada a todos vocês.
Agora a nossa organizadora, coordenadora. Quero chamar aqui nossa querida Etemi Flávia de Oxum.
A SRA. FLÁVIA DE OXIM – Então, agora eu preciso agradecer a minha ancestralidade materna, a minha mãe que me botou nesse mundo, uma mulher de Oyá, uma mulher de Iansã; ao meu pai, que está aqui presente, um homem de Xangô, que é a minha base sólida e firme, assim como Xangô é. Agradecer ao meu esposo, Babalo Kelvin. Ele teve muita paciência para eu conseguir realizar isso; não foi fácil. Agradecer à editora Folha de Ouro; você, Alessandra, por acreditar também em mim; Cadu, Babalorixá, amigo, antropólogo e meu eterno professor; agradeço a cada uma. Mas agradecer, sobretudo, a minha Oxum, Iansã também, Oyá, que me viu, me enxergou, me escolheu e, se eu estou aqui nesse lugar, é graças a esses orixás, a todos os outros, mas Oyá e Oxum governam a minha vida.
Eu também não posso deixar de agradecer aqui a pessoas que não estão presentes, mas que nos ajudaram muito a fazer acontecer, que foi o Jorge Freire, do Coordenadoria Executiva de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura do Rio (Cepir), que foi Leonardo Matos; e no Segov, na gestão ainda de Marcelo Calero. Então, não posso deixar também de citar, porque se nós tivemos uma tarde de autógrafos maravilhosa na Mocábia, foi graças a essa articulação também. Então, Fátima, muito obrigada também. Sempre você conosco, sempre você com a sua luta, com a sua força; você, para mim, é uma inspiração; é uma mulher que nos inspira.
Obrigada a todas; obrigada Vereadora; força na sua trajetória, força, e vitória sempre. Axé a todas, a benção a todas.
Gostaria de cantar uma cantiga para Oxum e eu tenho certeza de que todas conhecem. Então, vocês me ajudam? Vamos fazer uma cantiga Oxum, que é o ventre, né? É a grande mãe. Vamos?
(Ouve-se a canção)
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Maravilhosas. Axé. Antes de passar a palavra para nossa equedi, nossa mais velha, Maria Moura, quero que ela faça aqui o encerramento desse momento tão importante, eu quero que ela faça o encerramento deste momento tão importante.
Eu quero falar de uma conquista que o povo de axé teve na Cidade do Rio de Janeiro, e que eu tive a honra de ser instrumento, que é o instrumento das casas ancestrais. Finalmente, nós estamos num edital oficial da Cidade do Rio de Janeiro para ter recurso, dinheiro. O novo edital da Secretaria Municipal de Cultura tem uma categoria lá que se chama Casas Ancestrais e que nos insere e não apenas as Casas de Axé, as casas das nossas mais velhas, das nossas benzedeiras e das nossas rezadeiras também podem ser cadastradas no edital.
Então, é muito importante, parece pouco, mas as sacerdotisas sabem bem, os babalorixás sabem bem que o dinheiro é muito importante para garantir as nossas festas, para abrir as casas, para pagar manutenção, que é muito caro. Então, é muito importante a gente ter esse recurso. A gente pode mandar direto o link para vocês, mas já está à disposição, o edital já está on-line no site da Secretaria Municipal de Cultura. Vou pedir a assessoria para mandar para cada mãe, pra cada Yá, para cada babalorixá aqui o link certinho. E quem tiver dificuldade de preencher o formulário, de saber qual documento que põe, a gente ajuda, a gente vai prestar essa assessoria até o final do edital.
E eu quero agradecer, mais uma vez, às nossas mais velhas, antes de passar a palavra para Maria Moura. Eu vi aqui tanto, tanto, tanto de potência. A gente viu as lágrimas que nos forjam, a gente viu a força de Oxóssi, a sabedoria de Yá; a gente viu o espelho, vocês são espelhos de Oxum. Eu me vejo em vocês e vocês são a representação da força e da resiliência que a gente precisa construir neste Rio e neste país. A benção, agô, minhas mais velhas, agô!
Minha mais velha, Maria Moura, por favor!
A SRA. MARIA MOURA – Vamos de braço? Sabe o que é, gente? A idade... não é brincadeira. Eu pensei de morrer, como muitas que lutaram junto comigo por tudo isso que eu estou vivendo e vendo hoje, eu fico imaginando... Só temos que agradecer Oyá... Eu sou de Alnira, eparrei! E nós que somos desta santa temos uma coisa muito imbuída no nosso interior, respeito o que é para ser respeitado – e luta. Se disser: “Ah o prédio vai cair amanhã”, vamos esperar ver se ele cai, não é? Com essa senhora que é nossa mãe, que me deu o cargo de ser mãe duas vezes. Eu também sou a mãe dos orixás, não podemos ter medo de nada e nem ficarmos imaginando... Oh, meu Deus, se eu fosse dar ouvido o que eu ouvi por essa religião, eu já nem estaria aqui. Com muitas que não quiseram ouvir o que a gente dizia, não se embrenhe pelo que estão dizendo, vamos lutar! Por que aprender a lutar é muito difícil, porque a luta vem com amor e com a fé, não é isso? Se você não tiver fé, e se você não tiver amor, e saber perdoar, você não vai conseguir falar nada.
Agora, eu queria citar, embora eu seja muito faladeira, mas eu já não vou poder falar muito aqui, mas eu gostaria de citar essa pessoa, que eu frequentei a casa dele, que foi Seu Zezinho da Boa Viagem, era um homem simples que tinha essas três coisas que eu disse para as senhoras: Fé, dignidade e respeito. E sempre que ele armava a festinha dele lá ele e mandava me buscar, eu passava a noite com ele, então eu, agora, também não poderia deixar de agradecer, não só a eles, a muitos. Tem um que vai na minha porta me buscar...
Agora estou morando em Ramos, ele já não pode andar. Eu ainda pego uma bengala e nem com a bengala pode mais, mas ele acha que eu tenho que ir à casa dele. Eu já pedi licença a ele para não me levar para tomar café, porque fica difícil. Ele está velho, eu também, não é isso? Ai, meu Deus, o café vai esfriar, meu amigo.
Ele não faz nada na casa dele se eu não estiver lá. Ele não pode andar, eu já estou começando também a não poder andar. Eu digo isso para as senhoras, para terem coragem e lutarem, porque muitas que vieram aqui tentar ver o que nós estamos vendo e já não estão mais entre nós. Foram sem ver a quem Oxalá deu força de viver, e estão aqui para ver o que eu estou reverenciando.
É muito difícil. Se a gente tem um título de doutora... não tem, é a macumbeira Maria Moura. Eu fui morar agora num lugar onde a casa é minha, eu reformei a casa, quero ficar velha, quero morar lá perto do samba. Eu gosto muito da Imperatriz, gosto do Cacique de Ramos. Eu fiz a lavagem para as senhoras. As senhoras já viram a lavagem? Levanta a mão aqui quem já viu a lavagem? É, eu estou chamando a Umbanda, o Candomblé, Quimbanda, aquilo lá não tem pátria nem bandeira. Somos nós, mulheres, que estamos ali.
O que eu quero fazer com aquilo ali? Se nós servirmos para sambar até o fim da vida e depois, quando chega na hora de ter a recompensa... dificilmente ninguém dá essa recompensa para a gente. Aí, eu fiz o meu CTI. A lavagem é o CTI das mulheres que envelheceram no samba e que agora a gente não vai sair do sambódromo, não. Eu já estou vindo de bengala, mas eu estou lá na frente.
E estou pedindo aqui porque tudo é cultural e político. Nós não podemos, por mais que a gente não queira, mas a gente não pode desmerecer uma mulher que tem a coragem de fazer o que essa está aqui fazendo, que ela até é muito corajosa. Não é isso? Peço a vocês que prestigiem a lavagem, viu?
Eu já vi tanta baiana bonita aqui que eu já fiquei adorando que fossem para lá. Sabe o que aquilo ali vai ser? Um movimento de resistência nossa, viu? Lá é um ambiente de antigamente que muitas não viram. Tem um bolinho de bacalhau, tem biscoito. As que já não podem nem vir ali andando ficam na plateia. Eu quero ver aquela plateia cheia até o sambódromo, lá até o final. Eu estou quase conseguindo. Eu e o Elmo, com a Liga das Escolas de Samba.
E ontem eu consegui um grande feito, que foi entrar na instituição das harmonias das escolas de samba. Então, as coisas boas a gente tem que falar para as amigas, para as pessoas que querem ouvir o que é bom. A lavagem agora vai ter uma harmonia como a da Mangueira, como do Império Serrano e eu vou precisar das senhoras, viu? Que eu quero essas baianas muito boas, como eles nos chamam, das tias, viu? Então, estou convidando já agora, de antecipação, as senhoras para saber que ali é a casa de vocês e que eu sozinha não posso mais lutar por aquilo tudo.
Já fui pedir socorro lá na Mangueira para colocar harmonia, mas a harmonia sozinha não funciona, porque ali eu quero fazer aquilo com a idade que nós temos, as mais velhas têm que vir na frente, organizada pela harmonia da Mangueira, seja lá de onde for, para mostrar o respeito que nós temos pela Umbanda, pela Quimbanda, pela Umbanda com linha de chão. Eu vi isso tudo e estou contando com a presença de vocês lá.
Gostaria de falar da minha raiz, de que eu fui feita, porque eu me meto em tanta coisa nesta cidade que tem gente que já nem sabe da onde eu vim, como é que eu fui feita, entendem? Então, eu quero dizer, a minha raiz é: Rufino, Ciriaco, Beru, viu? É a minha raiz. Muitos não sabem quem sou eu e falam mal de mim, e comigo mesmo. “Essa mulher é a tal da Maria Moura?” Está falando com a própria, viu, gente? Essa mulher diz que ela é isso, é aquilo... que raiz tem essa mulher?
Então, agora vou falar para vocês da milha raiz: eu sou Ciriaco, eu sou Rufino, eu sou Ebomi Antonieta, que é o Beru. Eu sou filha espiritual da Vila Rosali. Sou a primeira equede dessa casa. Todo mundo morreu, deram oportunidade, eu peguei o cargo, estou lá. Estou cumprindo a minha sina e pedindo a Iansã que dê força às outras equedes que estão aqui. Também estou precisando de equede lá na Lavagem. Vocês vão para lá, porque lá também tem muita velha que vocês vão ter que ajudar a carregar.
Agora, para terminar, que eu pedi para ser o final, que tenho feito uma coisa que o pessoal tem gostado muito, que é quando terminam as falações, a gente canta para um santo de muito respeito, que é Oxalá. Para Oxalá, não há pátria nem bandeira, ele é da Umbanda, ele é do Candomblé, e eu fui criada vendo a minha avó cantar essa reza, que dei para cantar na Cidade. Enquanto eu viver agora, vocês vão ver que eu vou cantar isso. Todo mundo tem uma reza de preferência, eu gosto muito dessa, então gosto de cantar essa.
(Ouve-se a canção)
A SRA. MARIA MOURA – Obrigado, baianas. Obrigada, equedes. Nós temos que botar nosso bloco na rua.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Eu não sei se as Filhas de Gandhy trouxeram a gogozia. Já vi ali. Se quiserem nos saudar com essa presença e um canto, por favor.
A SRA. FLAVIA ETEMI DE OXUM – As senhoras vieram embaladas pela reza do meu Pai Oxalá. Nada é por acaso.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Nada é por acaso. Enquanto as filhas aqui se organizam, vou passar a palavra rapidamente para a Fátima dar um informe.
A SRA. FÁTIMA MALAQUIAS – Mais uma vez, boa tarde.
Só quero agradecer este momento e lembrar a vocês que o Conselho está fazendo 35 anos de existência e resistência. É o conselho mais antigo, o Conselho Municipal de Defesa do Direito do Negro, e venho convidar vocês para o dia 10 de junho. No dia 10 de junho, vamos celebrar no pátio, no cais, no pátio da Prefeitura e vocês vão ser muito bem-vindas lá. Vai ser um prazer enorme nessa celebração ter vocês presente. Muito obrigado, eu ficaria muito feliz com a presença. Da nossa vereadora, eu nem falo, ela está intimada, com um carinho enorme e respeito a estar presente.
Sim, a senhora já esteve. Hoje, ela está sofrendo uma reforma na sala e nessa reforma vai-se fazer a grande celebração no cais, com bolinho e tudo. É isso, não basta não ser racista, tem que ser antirracista.
Exatamente! Racismo é crime! E enquanto existir, nós estaremos sendo presentes e resistentes. Com uma mulher no comando, isso aí é mãe, são as... comigo, e nós estaremos juntos sempre nesta luta.
Obrigada, nossa Tainá, por este momento oportuno para nós, dessa celebração e de fazer esse convite.
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Convite a ser convocação. Não, convite de Fátima é convocação! Bem-vindo, Mestre Cotoquinho. Vamos ter o privilégio de ouvir o mestre Cotoquinho, com as Filhas de Gandhi, encerrando esta cerimônia linda. A benção, pai!
O SR. COTOQUINHO – Meu pai abençoe você, minha mãe! Olhe, foi todo quebrado o protocolo aqui, viu? Mas eu cheguei, eu sou de Xangô! Eu sou de Xangô, neto de dona Menininha do Gantois. Estava até contando, lá embaixo, um pequeno resumo histórico meu, da minha avó Maria Margarida Ferreira, Sinhá Odesi, que era filha de santo de dona Júlia. Júlia foi a mãe de Santo do Gantois. Quando ela falece, Menininha, a minha outra avó, assume.
Meu primeiro filme de cinema foi em 68, Os Capitães de Areia. A novela Sinhá Moça foi em cima da história da minha avó. Meu avô morreu com 116 anos. Tenho o nome de Cotoquinho dado por Jorge Amado. Dentro do Candomblé, Muzambi. Sou o primeiro a Ogan a dar aula dentro do Rio de Janeiro, no Instituto Pesquisa e Cultura Negra e outras coisas mais, com Sargentelli no exterior, e hoje recebi aquele negócio aí, não é? E dou aula lá na UFF, falando como surgiu o atabaque, como não surgiu, o que significam as cantigas de candomblé, o que quer dizer a dança, o toque e a importância no nosso segmento.
Ajayô! Ajayô! Lembrando também que fiquei à frente do Afoxé Filhos de Gandhi, anos e anos, fundei, dia 2 de fevereiro, dentro do Rio de Janeiro, e trouxe as Filhas de Gandhi. O bloco As Filhas de Gandhi foi fundado em Salvador, em 1978, pelo presidente dos Filhos de Gandhi. A Gricélia, Zezé Motta, Clara Nunes e Jesse Jesse. Hoje está a Ekedi do Gantois, que é a minha tia Gricélia, e Regi mandando lá. E no Rio de Janeiro, em 2009, eu trago as Filhas de Gandhi, eu à frente, e a mulherada também na frente. Tem as Filhas de Gandhi e os Amigos dos Filhos de Gandhi, das Filhas de Gandhi, também. Ajayô! Ajayô!
(Ouve-se uma canção)
O SR. COTOQUINHO – Axé! Axé! Olokum babá! Axé! Axé! Que a profundeza do mar nos dê, a cada dia, riqueza de saúde e prosperidade a cada um de nós! Olokum babá! Valeu! Obrigado! Filhas de Ghandi estão aí! Qualquer coisa é só pegar o telefone e vamos botar para quebrar na mão de Rutinha!
A SRA. PRESIDENTE (TAINÁ DE PAULA) – Está encerrado o Debate Público.
(Encerra-se o Debate Público às 12h26)